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Correr na Cidade

"Trailista" de Bancada: já foste?

16.11.18 | Filipe Gil

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Por Marta Moncacha:

 

Há duas maneiras de participar num trail. Há a forma clássica, aquela em que dás o corpo ao manifesto, suas as estopinhas e andas metido na lama, nos montes e vales, nos géis, nos músculos doridos, nos pés em sangue, no limiar da dor física que te faz chorar e rir, tudo ao mesmo tempo. E depois, há outra forma de participar num trail. Aquela em que tens quem tu amas a correr muitos quilómetros, debaixo das condições atmosféricas mais adversas.

 

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Quando fazes um “trail de bancada”, é certo que não tens as mazelas físicas, mas acredita que carregas contigo todas as outras. Sofres com a ausência de contactos, com a antecipação das dores alheias, com a noção de que o dia já vai longo, e que quem tu queres não chega. Fazer um “trail de bancada” é sofrer por osmose, é ter o coração fora do peito, é observar minuciosamente o estado em que cada atleta chega à meta, e tentar antecipar as condições em que “a tua pessoa” vai chegar. É fazeres-te e fazeres muitas perguntas, é espreitares o relógio vezes sem conta, é intuíres o estado d´alma de quem esperas pelos SMS escassos e telegráficos, é quereres que o tempo também corra, para teres, finalmente, quem tu queres perto de ti, em segurança.

 

E depois, quando parece que já tudo acabou, é estares ali ao lado, de pedra e cal, e de preferência, em silêncio. É acolheres as dores e as frustrações, ou celebrares as vitórias, sem nenhum tipo de ressentimento por te teres limitado a esperar, ou a segurar o barco.

 

Este fim-de-semana que passou, fui “trailista de bancada” no Grande Trail do Zêzere. E se vos disser que custou tanto, como estar no meio do mato a correr, não minto. Só quem passa.

 

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Marta é Mãe de quatro (assim mesmo em letra maiúscula), casada com o Rui Alves Pinto. É facilitadora parental em situações de separação e divórcio e autora do blogue Dolce Far Niente.

 

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