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Correr na Cidade

Preparação para o Grande Trail do Zêzere

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 Por: Tiago Portugal 

 

Objetivo de fim de época? Os 50km do Trail do Zêzere. Esta será a minha segunda prova de 50km em 2018. No rescaldo do Louzan Trail e do muito sofrimento, pensei em adiar a próxima ultra para 2019, cheguei mesmo a ponderar desistir mais uma vez destas loucuras (mas é sempre o primeiro pensamento depois de uma prova destas), no entanto o vício falou mais alto e resolvi antecipar o próximo desafio.

 

A minha preparação para a 6ª edição desta prova, que exige aos atletas várias qualidades físicas e mentais e será em 2018 palco do campeonato nacional de ultra trail, não irá variar muito do que tenho feito, a saber:

  • 2/3 treinos de corrida por semana, sendo que 1 é de séries ou rampas;
  • 3 treinos de crossfit por semana;
  • 1 treino longo ao fim-de-semana na serra de sintra;
  • Reforço muscular. 

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De forma a conseguir completar os mais de 50km do Zêzere em condições além do treino específico que já referi vou partilhar algumas dicas que irei “tentar” utilizar: 

 

  • Descanso – O Zêzere é uma prova de fim de época, e depois de vários meses a treinar e competir o corpo já começa a pedir repouso. Para aqueles que irão fazer do Zêzere um dos grandes objetivos da época é importante respeitar os dias de recuperação e caso tenham que escolher privilegiem os treinos específicos;

 

  • Controlar o ritmo – Por norma começo todas as provas sempre muito rápido e muito acima do que devia, sendo que a meio já estou de rastos. Irei tentar seguir o ritmo médio planeado desde o início. Tenho que concentrar-me e não me deixar levar pela euforia inicial nem pelo ritmo dos outros. Será provavelmente o mais difícil de conseguir

 

  • Ligeiro – Cada vez mais sou adepto de algum minimalismo e tento levar somente o indispensável em cada prova, fazendo também alguma fé na qualidade e no número dos abastecimentos ao longo das mesmas. O Zêzere não será exceção, com 5 abastecimentos distribuídos ao longo dos 51km de prova irei levar apenas o necessário (água, alguma comida de reforço, casaco e manta térmica). Relativamente aos bastões ainda não me decidi, e estou aberto a sugestões.

Grande Trail do Zêzere – K50:

PAC 1 – Cerro do Lagar (8,6 Kms) – Líquidos (apenas água)

PAC 2 – Castanheira/Lago Azul (15,1 Kms) – Sólidos e Líquidos

PAC 3 – Pombeira (25,5 Kms) – Sólidos e Líquidos

PAC 4 – Alto dos Vales – 1 (34,1 Kms) – Sólidos e Líquidos

PAC 5 – Alto dos Vales – 2 (45,2 Kms) – Sólidos e Líquidos

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( arribas de cascais)

  • Olhar para o gráfico dos 50k assusta. Um verdadeiro “serrote” que seguramente irá criar muitos estragos. Por isso é ir com calma e pensar que a prova só começa a partir do quilómetro 34, até lá é gerir de forma a ter capacidade para acelerar o ritmo a partir dessa altura.

 

Bons treinos a todos,

 

Tiago Portugal

Feliz Novos Objectivos

2016 já lá vai e é tempo de dar as boas vindas a 2017 e definir os objectivos para este novo ano quer no âmbito profissional, quer no pessoal e aquele que mais nos interessa o desportivo. Mas queremos que o faças com inteligência para que cumpras aquilo que te vais propor com êxito para que daqui a um ano te sintas orgulhoso de próprio e para isso damos-te aqui uma guidelines para possas seguir e assim ajudar-te.

 
 

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1. Define objetivos desafiantes, mas atingíveis.
 
Não queremos que entres em loucuras, se ainda agora começas-te a correr, não vais colocar como objectivo fazer uma maratona. 
 
 
2. Não tenhas pressa.
 
Todos sabemos que quando começas a correr a evolução inicial é muito rápida e fácil ver exemplos de pessoas que começam a correr e passado dois meses estão a fazer meias maratonas, vai com calma, deixa o corpo assimilar o treino para que não tenhas lesões maia tarde.
 
 
3. Esquece as provas todas as semanas.
 
Não sobrecargues o corpo, queremos que tenhas uma evolução sustentada.
 
 
4. Menos é mais.
 
Define 2 grandes objectivos por ano, um por cada semestre e apenas isso, o resto são pequenos objectivos que serem apenas como preparação para estes.
 
 
5. Zzzzzzz.
 
Não te esqueças do descanso, o corpo precisa de descanso para regenerar para se desenvolver.
 
 
6. Prevenção.
 
Deves incluir sessões de reforço muscular no teu planeamento, estas servem não só para estares mais forte, mas para evitar lesões.
 
 
7. Mais prevenção.
 
Massagens terapêuticas e sessões de alongamento periódicas não fundamentais para o teu equilíbrio. Estas vão para além de prevenir lesões, melhorar a tua performance.
 
 
8. Não tens nada a provar a ninguém.
 
Corre atrás dos teus objectivos por ti e não apenas para mostrar a outras pessoas que conseguiste. Este mundo está cheio de "maiores da minha aldeia" não sejas mais um.
 
 
9. Se necessário procura ajuda.
 
Pede ajuda a alguém mais experiente que te aconselhe e que te encaminhe, seja ele amigo ou mesmo um coach.
 
10. Não desistas.
 
Se falhares, só quer dizer que tentaste... Levanta-te e tenta de novo até conseguir.
 
 
 
"O sacrificio é o intervalo entre o objectivo e a glória."
 
 
 
Feliz 2017 e boas corridas e muitos sucessos.

Rumo ao Reccua Douro UT (Parte 2) - Como?

Fazer uma Ultra Maratona não é fácil… Mas treinar para uma é muito mais difícil, no próprio dia tudo se resume à prova e como estamos naquele dia, como está o nosso corpo, como estamos psicologicamente, para nós que tentamos fazer provas destas a tarefa mais difícil são os meses que antecedem este dia.

Nesta segunda parte, que intitulámos de “Como?”, falamos de como foi a preparação e o treino para este desafio de 80k no Reccua Douro Ultra Trail já no início do próximo mês de Outubro.

 

Para quem não leu a primeira parte fica o acesso direto

 

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  Foto retirada do página de facebook do Douro Ultra Trail

 

 Por: Rui Pinto

 

As passadas duas semanas, passaram mesmo a correr! Foi completamente impossível dar-vos conta da preparação para a grande desafio do Réccua Douro Ultra Trail, no próximo dia 3 de outubro, facto pelo qual expressamos aqui o nosso pedido de desculpas. No meu caso – e tendo originado eu esta situação – por motivos profissionais, uma vez que estive grandemente envolvido na organização da Corrida do Tejo, que se realizou no passado dia 13 de setembro, a disponibilidade, física, mental e outra… foram praticamente nulas.

 

Assumido o erro, aqui estamos nós, de novo, para partilhar convosco como vai a preparação  para o RDUT, o que temos feito e os medos que subsistem – ou foram vencidos!

 

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Piódão - Que saudades desta sensação

 

Por força do aumento da carga de trabalho que ocorreu nesta duas semanas que mediaram entre o primeiro post e este, apenas consegui correr a horas um pouco esquisitas para mim - em alguns casos, a altas horas da noite, e quando já só queria era descansar o esqueleto perto da minha mais-que-tudo. Ainda assim, conseguir cumprir cerca de 90% do plano de treino estabelecido e, gradualmente, fui reconquistando alguma da confiança perdida, acreditando, paulatinamente, que serei capaz de superar o desafio dos 80 k do Réccua Douro Ultra Trail.

 

Tenho-me sentido mais forte nos treinos, mais rápido, mais eficiente a correr, a recuperar do esforço muito melhor e mais depressa que antes. Tudo isto são bons indicadores, e transmitem um ‘boost’ de confiança para o que aí vem.

 

Ainda relativamente a treinos, no sábado passado, tivemos oportunidade de fazer o último treino longo, na companhia do nosso querido amigo – e mentor - Tiago Portugal, pela dura Serra de Sintra, para sentirmos um gostinho do que nos espera. Foram quase 34,5 km, em perto de 5 horas, com um desnível positivo de cerca de 1.650m. Estava calor e foi duro; mas foi muito bom! Depois daquele treino, fiquei mais confiante. Naturalmente, reservo uma enorme  - e muito aconselhada – dose de respeito pela Serra do Marão e pelas encostas do Doutro Vinhateiro, que são lindíssimas nas fotos, e que espero ter oportunidade de as desfrutar adequadamente, em vez de as amaldiçoar, durante o percurso.

 

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Manter o foco é fundamental

 

Ponto de situação: confiante q.b. e moderadamente respeitoso, relativamente ao percurso e à distância. O sábio Pedro Luís, numa das suas crónicas em que brilhantemente relatou a sua caminhada para ao MIUT, no passado mês de abril, e que podem ler aqui, mencionava que desafios destes encarram-se - e, no caso dele, superam-se - com uma grande dose de ‘humbição (humildade + ambição)’. Pois bem, é sempre bom ter este tipo de referências e é bastante gratificante ter a honra de aprender com eles.

 

Aliás, na nossa ‘crew’ no Correr na Cidade, somos uns privilegiados, relativamente a esta matéria, uma vez que temos diversos ultra maratonistas, com desafios de 3 dígitos superados, com marcas de enorme respeito: Pedro Luís, Stefan Pequito, Tiago Portugal, Luís Moura, apesar de serem de outro campeonato, relativamente aqui aos ‘rookies’, vocês são uns heróis e uns modelos, cujo exemplo tentamos humildemente seguir. Uma palavra de apreço também para os nossos ‘fellow mates’, ultra maratonistas com distâncias igualmente respeitosas, Nuno Malcata, Filipe Gil, Nuno Espadinha e Bo Irik, companheiros de corrida – e de luta! -, cujos laços de amizade se tornam virtualmente inquebráveis, fundidos nos quilómetros dos mais belos trilhos deste país. (Honrado por fazer parte desta equipa!)

 

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 Levar-vos-ei comigo, para o Douro. E serão também a minha força.

 

Esta semana, continuamos com os treinos específicos – rampas, circuitos de escadas e reforço muscular. Para a semana, haverá tempo para descansar e para o (agoniante) ‘tapering’.   

Para a semana, falar-vos-ei dos equipamento que levarei para os 80 km do Récua Douro Ultra Trail, da minha estratégia de prova e dos receios que ainda subsistem.

 

 

Por: João Gonçalves

 

A arte de multiplicar tempo…

 

Não sou nenhum atleta profissional, nem faço da corrida de profissão, dito isto tenho uma atividade profissional que me consome a maior parte do tempo útil do dia, tenho todas as tarefas normais de uma pessoa normal tratar da casa, fazer compras, dormir, etc, etc… tendo em conta que o dia não tem mais de 24 horas, encaixar o treino no meio da confusão de tarefas diárias, é preciso ter um pouco de alquimista do tempo para fazer o impossível - A arte de multiplicar tempo – Como fazer isto? Para mim a solução é simples, muito simples mesmo, mas muito amarga ao mesmo tempo.

 

Só não fazemos aquilo em que não acreditamos…

 

Existem várias maneiras de treinar, vários métodos, várias metodologias, não vou aqui dizer qual a melhor ou qual pior, o meu concelho é que escolham um método e o sigam até ao fim e no dia da prova, no dia do desafio final, acreditem no “treino”, acreditem no “plano” e principalmente acreditem em vocês próprios “Dei o meu melhor para estar aqui, portanto estou preparado e tenho tudo para chegar ao fim”... É nisto que vou pensar dia 3 de Outubro.

 

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 Treino de City Trail - Miradouro da Nossa Senhora do Monte, Liisboa

 

Antes da solução… O plano

 

Resumidamente, por semana o meu plano de treinos inclui, 5 dias dedicados à corrida com várias intensidades e formas, sejam elas através de treinos de rampas, escadas, treinos longos, treinos rápidos e mais intensos, treinos de recuperação, etc, ou seja incluem um leque variado de cenários e situações presentes na provas, para além disto, faço ainda 3 a 4 vezes por semana trabalho de ginásio para reforço muscular numa metodologia à la crossfit – sim para quem já fez as contas, há dias em que treino duas vezes, mas atenção, tento ser o mais disciplinado e “amigo” do meu corpo quanto possível, se num dia em que vou ter um treino de corrida mais intenso, tento não puxar tanto no ginásio de forma a respeitar de certa forma os períodos de descanso.

 

Em termos de descanso, faço dois dias de descanso total por semana, onde pura e simplesmente não faço corrida nem ginásio e incluo também no meu plano alguns treinos de recuperação ativa onde saio para correr a um ritmo muito suave ou uso a bicicleta para rolar um bocado minimizando assim o impacto se forma a recuperar a cadeia muscular da melhor forma, bem como tento fazer pelo menos uma vez por semana um tratamento muscular, para ajudar a repor a flexibilidade das fibras, retirar contractura ou algum outro foco de dor que apareceu em consequência do treino.

 

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  Plano de Treino do Dia - escrito no braço

 

Finalmente a solução

 

Como já escrevi acima, a solução é simples, mas amarga Porquê? Para fazer, mais de três centenas de quilómetros mensais, mais as restantes coisas que já fui referindo e tendo em conta que há coisas que um atleta amador não pode deixar de fazer, como trabalhar (como muita pena minha!!) a solução é roubar tempo a nós próprios, à nossa família e aos amigos. Este é o verdadeiro triângulo sofredor deste hobby que nos consome o corpo e a mente que, por vezes nos desfaz a alma em forma de gotas de água com sabor a sal, mas nos fortalece enquanto pessoas mais confiantes e preparadas.

 

Mas são estas pessoas com as quais ficamos em falta, pois é a elas que roubamos tempo e roubamos a nossa presença.

 

Quando saímos de casa de madrugada ainda com a lua acima do horizonte, alguém fica mais frio na cama, sem a nossa presençaQuando saímos de casa ao final do dia e regressamos já a horas tardias, alguém já jantou sozinho, sem a nossa presença… Quando os amigos nos convidam para ir ao cinema e dizemos que “Não” pois temos de treinar, são eles que ficam sem a nossa presença… Quando estamos a jantar um grupo de amigos e temos de abandonar o jantar a meio, pois no outro dia temos um treino longo e temos de acordar cedo, são eles que ficam sem a nossa presença… Quando a nossa família nos telefona a dizer “Já não te vemos há tanto tempo!” não é por nada… É só por sentirem a falta da nossa presença

 

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Treino em Sintra - Subida para o Castelo dos Mouros

 

Entendem o que quero dizer, no meio desta parafernália de planos, treinos, provas… os verdadeiros heróis não somos nós, são esta família, seja ela a família de sangue ou a família do coração, pois são eles que não nos têm por perto, mas mesmo assim nos dizem – Força! Vais ser capaz!!

 

O meu obrigado a todos estes meus heróis, é a eles que vou agradecer quando cruzar a meta.

 

 

O meu Ultra Trail du Mont-Blanc (UTMB) - Crónica I

O Ultra Trail du Mont-Blanc é uma das mecas para os praticantes e apaixonados por trail, sendo para muitos "a prova",  o grande objetivo a concretizar. Sonhamos, planeiamos e treinamos para um dia alinhar em Chamonix de forma a percorrer os 168km, as famosas 100 milhas, que separam o início e o fim desta grande aventura.

 

Com a data da prova a aproximar-se, o Correr na Cidade têm o privilégio de poder partilhar quatro crónicas do David Faustino, um dos corredores nacionais com mais provas feitas e que conta com vários anos de experiência, que retratam todas as etapas, desde a preparação para a prova até à passagem da meta. O David partilha connosco a sua história do UTMB de 2014 que desde já agradecemos.

 

Serão sem dúvida uma leitura obrigatória para todos os que este anos irão marcar presença e para quem sonha um dia realizar esta prova.

 

Por: David Faustino

 

O meu UTMB

O caminho para a linha de partida (I)

 

A sigla UTMB é das que mais faz sonhar o corredor de trail amador. Só o nome da prova que representa, em si mesmo, já impõe respeito: Ultra Trail du Mont Blanc.

 

Do ponto de vista técnico, o UTMB é uma prova de carácter competitivo, com um percurso circular de 168Kms a partir de Chamonix (França) e que passa por três países à volta da montanha mais alta da Europa ocidental, tendo cerca de 9.800 m de acumulado positivo. A prova tem um tempo limite de 46 horas, mais do dobro do tempo tipicamente realizado pelo primeiro (20 horas e alguns minutos) e quem chegar a meio do pelotão demorará cerca de 41 horas. Pelo percurso existem 12 barreiras horárias à saída de alguns dos 17 abastecimentos.

 

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 O percurso do UTMB

 

Assim, foi com alguma naturalidade que, após alguns anos de corrida em estrada e algumas experiências numa modalidade que se estava a iniciar em Portugal, o trail, decidi também eu tentar obter o meu lugar nessa aventura.

 

E digo tentar obter, porque aqui entram vários fatores: o timing da inscrição, a experiência do corredor (traduzida em pontos obtidos em provas reconhecidas pela organização) e a sorte de cada um. Assim, creio que a minha primeira intenção em participar ocorreu durante a primavera de 2012, mas depressa me apercebi que as inscrições tinam fechado em Dezembro, assumindo um erro de principiante… Dezembro de 2012, no prazo correto e com os pontos necessários para a pré-inscrição (na altura eram 7 pontos obtidos num máximo de 3 provas, nos 2 anos anteriores à inscrição) eu e a minha mulher formamos uma equipa para entrar no sorteio (essa é uma das características interessantes da prova, podemos formar equipas para as quais o resultado do sorteio será sempre igual para todos os membros). Situação ideal para mim, que me permite garantir uma ida à prova em família! Mas no sorteio para a prova de 2013 a sorte foi madrasta e recebemos um email convidando-nos a participar na TDS (119 Kms, 7250 m D+) ou a aguardar mais um ano, adquirindo um fator que multiplicaria por dois as nossas probabilidades de aceder ao UTMB. Um sonho, é um sonho, e 119 Kms não são 100 milhas, por isso a opção pelo sorteio para 2014 foi óbvia!

 

Dezembro de 2013, com os pontos em dia, fator 2 para o sorteio e com a garantia de que iria ao UTMB em 2014 ou 2015 (porque à terceira é de vez, isso é, após dois sorteios desfavoráveis a organização garante o acesso na terceira inscrição, caso os candidatos mantenham os pontos necessários), fiz novamente o pré-registo para o sorteio em equipa com a minha mulher.

 

No dia 15 de Janeiro chega o tão esperado email:

 

“Bonjour David FAUSTINO, Vous êtes pré-inscrit pour la course UTMB®.  Le tirage au sort a été effectué et nous avons le plaisir de confirmer votre inscription à la course UTMB® ! Vous devez maintenant finaliser votre inscription, à partir du 15/01/2014 et avant le 27/01/2014.”

Tenho de reconhecer que este processo tem um mérito: quando conseguimos o nosso lugar na prova, ficamos satisfeitos em pagar os 207€ (valor de 2014) da inscrição! Sim, porque no dia em que conseguimos um dos 2.300 dorsais sorteados (existem depois cerca de 200 adicionais

 

para elites, convidados, etc) entre os cerca de 10.000 candidatos ficamos com a impressão que a parte mais difícil do UTMB já está feita. Mas não é bem assim…

 

O caminho para a linha de partida (II)

 

Recuperado da emoção do sorteio, após as felicitações dos amigos que acompanharam o processo, trocadas algumas mensagens com os conhecidos que também lá estarão, vem a primeira tomada de consciência: não sei se alguma vez lá voltarei, por isso quero fazer uma prova decente!

 

Decente, para mim, significa sem sofrimento, com capacidade de disfrutar da prova e sentido que estou num nível físico adequado para terminar dentro do tempo limite. Assim, para servir de formação inicial sobre o que é o UTMB, vivido na primeira pessoa, resolvi começar por ler os relatos de quem por lá já tinha passado, destacando o do Carlos Fonseca e o do Paulo Pires. São abordagens e experiências diferentes, ambas excelentemente narradas, mas com finais distintos. O Carlos foi barrado em Courmayeur com um pouco menos de 80 Kms de prova e por chegar 7 minutos depois do tempo limite. O Paulo fez uma prova regular e bem planeada, com pouco mais de 39 horas, ou seja com margem para imprevistos.

 

Foram leituras esclarecedoras que me ensinaram duas coisas: a prova é exigente e não perdoa grandes erros ou distrações, no entanto está ao alcance de alguém com alguma experiência e que se prepare corretamente.

 

Munido destes princípios, comecei a planear o meu ano de 2014 de forma a chegar em condições àquele que seria para mim o evento do ano, não deixando de planear esta preparação de forma a manter o mais importante: o gosto de correr.

 

A partir de Janeiro o grosso da minha preparação foi feito com provas de média/longa distância, tendo efetuado 14 Ultras, das quais três com 3 dígitos: 101 Peregrinos, Bandoleros (155Kms) e o OMD (160 Kms). Reconheço que não sendo um método de treino muito convencional, dada a elevada carga derivada da distância, o facto de encarrar estas provas sempre com bastante tranquilidade e com um ritmo moderado, permite minimizar o desgaste provocado pelas mesmas. Além disso, estes Kms dão experiência e confiança, sabemos que conseguiremos lidar com aquilo que iremos encontrar na prova alvo. A participação nestas provas decorreu sem percalços ou, melhor dizendo, sem as tão temidas lesões que num instante deitam tudo a perder.

 

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 Em Andorra, em preparação para o UTMB

 

Houve apenas uma prova que não correu exatamente como previsto, a Mitic, uma prova de 112 Kms realizada em Andorra em meados de Julho. O objetivo era realizar um último grande teste, cerca de seis semanas antes do UTMB. Mas na realidade, apenas reforcei a minha ideia sobre a alta montanha: não perdoa. Por motivos vários, terminei a minha prova aos 44 Kms e com 13h40 mins de prova! Do mal o menos, a organização atribuía uma classificação a quem terminava neste ponto e era atribuído um diploma de conclusão duma maratona de montanha. E que montanha! Técnica, difícil, com 3.500 D+ nesses 44 K e diria mesmo perigosa nalguns pontos. O encontro com a minha mulher durante a prova (normalmente corremos separados) que estava a passar pelas mesmas dificuldades também facilitou a tomada de decisão. Retirámos as lições necessárias, porque o que corre bem melhora a nossa preparação e autoconfiança, mas nos restantes casos o importante é aprender e saber evitar os mesmos erros.

 

Adiante. Feita a restante preparação, faltava apenas fazer-se à estrada e rumar a Chamonix!

 

O caminho para a linha de partida (III)

 

Cheguei com a minha mulher a Chamonix na terça-feira anterior à prova de forma a ter algum tempo para descansar, já que a mesma se iniciava na sexta à tarde. Na prática não ficámos exatamente em Chamonix, optámos por St Gervais, que estando próximo (20 kms) nos dava um pouco mais de distanciamento relativamente ao frenesim que se vive na cidade na última semana de Agosto. Alem disso, era também ponto de passagem e local de abastecimento da prova e permitiria ter uma pequena noção do que iriamos encontrar no percurso.

 

Fizemos dois treinos ligeiros, um na terça e outro na quarta. Para que a quinta fosse um dia de descanso total, fomos levantar os dorsais ao final do dia de quarta, encontrando uma cidade que, nesses dias, vive e respira trail. Em Chamonix, tudo aponta para as várias provas em curso ou que irão decorrer, sentindo-se uma atmosfera mais próxima das grandes maratonas internacionais do que daquilo a que estou habituado na montanha. Não sei se gosto, mas que é imponente, isso é.

 

Voltando aos dorsais, o levantamento tem de ser feito acompanhado com a mochila em condições de corrida, ou seja com uma lista tamanho A4 de equipamento obrigatório, que vai desde gorro, luvas, calças e casaco impermeáveis (com especificações bem definidas de impermeabilidade e respirabilidade), frontais, recipientes, manta térmica, etc, etc e etc… Aqui fica a minha preferência pela lógica americana da participação nestes eventos: cada um é responsável por si, e leva o que entender como necessário. A organização é responsável por cumprir com o que oferece no programa da prova e nada mais. Na inscrição para essas provas assinamos documentos que garantem que estamos informados do facto e pronto. Mas como, seguindo a minha opinião, não me seria permitido participar nesta prova, vamos lá respeitar as regras e ir carregadinhos e ordeiramente para a fila. Após um controlo aleatório de algum desse material obrigatório, é entregue o tão desejado dorsal.

 

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 A lista do material obrigatório (são controlados artigos aleatoriamente no levantamento do dorsal e o atleta deverá apresentar os que têm uma seta)

 

Falta agora apenas regressar à base para os últimos preparativos que incluíam escolha de roupa adequada às condições climatéricas (que se apresentavam variáveis), preparação do saco para muda de roupa em Courmayeur e descansar o mais possível antes de, provavelmente, duas diretas consecutivas.

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 Em Chamonix, após o levantamento do dorsal

 

Sexta-feira 29 de Agosto, o dia D. Ao final da manhã, ida para Chamonix para tentar um local não muito distante da partida para estacionar, o que não é tarefa fácil quando um meio relativamente pequeno está repleto de corredores, acompanhantes, meios de comunicação e organização. Após a entrega do saco para Courmayeur, fomos à pasta-party oferecida pela organização onde encontrámos alguns elementos da comitiva portuguesa com destaque para o Carlos Sá, sempre simpático e acessível para todos. Nesta fase do dia, as pulsações já estavam 50% acima do normal.

 

Última ida ao carro para vestir o equipamento definitivo e trazer a mochila. Afinal o carro não ficou assim tão perto e ainda se gastam cerca de 20 mins para cada lado… Resultado, estamos a ficar em cima da hora e já em passo acelerado para a linha de partida. Feito o aquecimento forçado, chegámos um pouco após as 17h00, para uma partida prevista para as 17h30. Não havia mais remédio do que ficar no fim do enorme pelotão e sem direito sequer a visualizar o arco de partida. Não iria ser isso que iria estragar o momento. Por outro lado as enormes nuvens com tonalidades que variavam entre o preto escuro e negro carregado, essas sim já me pareciam poder fazê-lo. Cerca das 17h25 começa a chover copiosamente e, num momento com uma sincronização digna de uma coreografia de cerimónia de abertura dos jogos olímpicos, cerca de 2500 pessoas retiram apressadamente impermeáveis das mochilas. 17h31, apercebo-me do início de movimento da massa humana e ainda estou a apertar a mochila. Despeço-me da minha mulher e cada um inicia a sua aventura, que nesta fase ainda consistia em avançar sem pisar e ser pisado, movendo-se ao ritmo da massa humana compacta que nos rodeava. Ás 17h38 passo pela linha de partida ao som de Vangelis.

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 A partida chuvosa do UTMB 2014

Crónica VI: Vamos lá então falar do Piódão.

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Por Filipe Gil:

Esta semana de preparação começou na passada quarta-feira, dia 4 de feveirero, com um belo treino com o Nuno Malcata. Fizemos cerca de 14km com 336 de Desnível positivo em cerca de 1h30m nos trilhos (molhados) de Monsanto. Deu para subir, subir, subir (e também descer) e para esticar as pernas em algumas partes na estrada.

Senti-me muito bem. Às vezes sentia-me a "morrer" a subir, mas depressa rejuvenescia quando o nível ficava plano. Foi daqueles treinos que nos animam o dia, que nos fazem acreditar que vale a pena a preparação para o trail dos 50 quilómetros, que nos faz voltar a acreditar que somos capazes, apesar de não termos tempo para treinar como gostaríamos.

 

Depois disso, treinei no sábado como o amigo Rui Alves Pinto. Tive algumas indecisões tendo em conta o equipamento, a escolha entre dois tipos de calções ou que tipo de tshirt. Mariquices!!! Mas quem, do mundo da corida, nunca as teve atire a primeira pedra. Mas ainda dentro das dúvidas estou mesmo indeciso se levo calças ou calções para o Piódão. Não gosto de correr nos trilhos de calças, mas por outro lado tenho receio de ter algum frio. Se é que alguma vez tive frio nas pernas...alguém quer ajudar nesta "especificidade"?

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Voltando ao treino, correr em Monsanto pelas 15h de um sábado, aproveitando o único tempo livre no fim-de-semana que não prejudique a família é bom. Porque não há muita gente – apenas alguns namorados a passearem com os seus cães – (eu e os cães enquanto corro. Um dia faço um post só sobre isto). Foi 1h30m bem passada a por a conversa em dia, nas descidas, claro!

 

Mas agora falando do Piódão, porque já só faltam 6 semanas... Não sei se fico tenso do tanto que tenho de fazer no trabalho até essa data ou se é mesmo da prova em si. O que me preocupa não são umas subidas em particular, não é o tempo se estará frio ou chuva, se tenho de levar calças ou calções, nada disso, o que me preocupa MESMO é saber que tenho balizas de temo para cumprir. Que tenho de passar nos postos de abastecimento e controlo dentro do tempo, senão serei desclassificado e vou mais cedo para o hotel. Vejam o que tenho de cumprir:

 

CONTROLO - HORA LIMITE DE CHEGADA

MALHADA CHÁ - 16 KM            12 H

COVANCA - 25 KM                   14 H

PENEDOS ALTOS - 36 KM       17 H

COLCURINHO - 41 KM             19 H

FOZ DE ÉGUA - 47 KM             20 H

 

Pode parecer fácil, mas não é! Não é para quem só tem tempo para treinar duas a três vezes por semana, e não muito tempo neses treinos. É a vida. Mas foi sabendo isso que me propus a este desafio. Para tentar inspirar pessoas como eu, que não têm todo o tempo do mundo para correr, que tem profissões intensas, que mesmo assim tem os seus projetos pessoais e dedicam-se à família. É fácil gerir a corrida nestes moldes, não tão fácil ir fazer um prova como o Piódão. Mas, confesso, se fosse fácil não me metia no desafio. É isto que dá sal à vida. 

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O último treino desta 6ª semana de crónica foi na segunda-feira. Saí a tempo e horas do emprego, voei para apanhar os transportes públicos. Cheguei a casa e troquei para a roupa desportiva enquanto sorvia uma banana, escolhi uns ténis de estrada os Faas 500 S, com suporte para pronadores, e fiz-me às subidas.

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Corri da a subida que vai da rotunda de Algés até ao Hospital São Francisco Xavier. E depois desci. E voltei a subir, desci novamente. Repeti o processo 4 vezes. Não, não vim até à rotunda novamente, mas fiquei a meio do caminho. No total, e a brincar às subidas foram 11 quilómetros a subir e a descer. Podem ver o meu treino na imagem acima. Aliás, se alguém tiver interesse em seguir o meu treino errático, podem fazê-lo através do Strava (basta procurarem pelo meu nome). É lá que publico os meus treinos, depois de feitos no fantástico e muito em conta relógio GPS A-Rival. 

 

Sinto que é agora que tenho de apertar mais com os treinos. Nem sempre é fácil. Vontade não falta, mas talvez falte um pouco de sacrifício para ir treinar de manhã cedo. De qualquer forma é colocar carga, fazer exercícios de força e de alongamento em casa e encher-me de coragem e ver muitos vídeos de trail que me inspiram muito. Como este que aqui vos deixo da minha prova de sonhos (que dificilmente irei fazer, mas o sonho comanda a vida, não é? Se me dissessem há quatro anos que iria estar a preparar-me para uma prova de 50 quilómetros achava que tinha insandecido): 

 

A preparação para uma ultra maratona

Há cada vez mais corredores a optarem por fazer ultra maratonas, especialmente, em trilhos. Em vez de vos apresentarmos um rol de dicas para se tornarem ultra corredores - fica o post prometido para daqui a umas semanas - mas deixamos três episódios criados pela marca The North Face sobre o desafio de um corredor anónimo na sua preparação para fazer uma ultra maratona. 

 

Episódio I:

 

Episódio II:

Episódio III:

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