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Correr na Cidade

3ª Corrida Jorge Pina: uma corrida para todos

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Acordar cedo a um domingo com uma miúda de 4 anos sendo que nos deitamos "tarde" na véspera... Porquê? A 3ª Corrida da Associação Jorge Pina! Foi com muita alegria que aceitamos o convite de participar nesta prova que prometeu ser uma "festa" de corrida para todos.

 

A 3ª Corrida da Associação Jorge Pina powered by MultiOpticas & More Results decorreu este fim-de-semana, com partida e chegada no Parque de Jogos 1º de Maio – Fundação Inatel. O evento contemplou várias provas para jovens e uma corrida de 10 km e uma caminhada de 5 km. Como a "nossa pequena" era demasiado pequena para se inscrever nas provas dos jovens, decidimos vesti-la "à atleta" à mesma e aproveitar o evento para ela correr uns metros na pista. E adorou! 

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O Xiko, pai da pequena Luísa, participou na corrida dos 10 km (era a vez dele correr...) e eu fiquei a apoiá-lo com a pequena. O Bruno Tibério e o Filipe Gil também participaram. Parece que o Filipe quis colmatar a sua experiência do fim-de-semana anterior na Corrida do Tejo (e conseguiu! Parabéns, Filipe!). Foi uma prova muito gira na perspetiva de quem apoia, pois conseguimos ver o pai na partida e depois, a uns 100m, depois da primeira volta no recinto, e ainda na meta.

 

Enquanto esperávamos que o pai conquistasse 10km pela Avenida da República, decidimos aproveitar a pista livre para fazer uma corrida. Fomos à linha da partida e a simpática equipa de apoio fingiu um "Partida, Largada, Fugida" para mim e a Lu. Depois de correr 100m de mãos dadas em pleno gás, é claro que a pequena estava exausta. No entanto, quando lhe disse que teríamos que voltar à partida para ir buscar a mochila e sugeri que fôssemos pela relva, a pequena abanou a cabeça e insistiu que fizéssemos a volta inteira pela pista. E assim foram, 400m entre andar e correr de mãos dadas e um sorriso na cara, na pista do Parque de Jogos 1º de Maio.

 

Na meta, recebemos um gelado. "E a medalha?" perguntou a pequena. Ao explicar que se tratava de uma corrida solidária, ela compreendeu que não haveria medalha. Na verdade, o evento visou a angariação de fundos para a futura Academia Jorge Pina, cuja função é proporcionar formação desportiva gratuita em diferentes áreas a qualquer criança ou jovem com necessidades de saúde especiais.

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Entretanto, ficamos na zona da meta a espera do pai. Contávamos que ele chegasse por volta dos 55 minutos, pois, tal como eu, o Xiko tem treinado pouco no verão. Mas não. Foi aos 48 minutos que o Xiko passou por nós, a "voar baixinho". Foi um sprint final para fechar uma bela prova cujo prémio foi um abraço da pequenina.

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Foi um evento muito lindo. De facto, a corrida é uma modalidade para todos. Para todas as idades e para todas as pessoas, tenham ou não necessidades de saúde especiais. Vimos pessoas invisuais a correr, como o próprio Jorge Pina. Vimos atletas em cadeiras de rodas adaptadas e uns jovens com trisomia 21 super sorridentes e entusiasmados com a corrida. Foi realmente inspirador. A corrida é para todos, em grande parte, graças a pessoas como o Jorge Pina. Obrigada, Jorge! 

 

Associação Jorge Pina - “Onde há vontade, não há limitações.”

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Por Liliana Moreira:

 

A Escola Jorge Pina de Atletismo Adaptado é uma realidade desde 5 Novembro de 2014. Passou para lá da vasta mediatização nas redes sociais em que no âmbito da iniciativa em parceria com a Rexona  Corre por Mais Portugal  cerca de 20 mil portugueses, forma gratuita, correram e trocaram os seus kilometros por euros, para a concretização deste projecto. Muitos provavelmente souberam deste facto, eu fiz parte do conjunto de pessoas que desconhecia que esta iniciativa tinha gerado frutos concretos. Desinformação, ignorância, não sei…

 

Foi por isso que, durante a visualização do fantástico episódio do RTP Running sobre o atleta invisual Nuno Alves (que podem ver aqui), fiquei positivamente surpreendida ao perceber que este projecto teve pernas para correr. Percebi que a minha ignorância e desinformação iam para lá do conhecimento sobre a concretização desta Escola mas também sobre  como funciona este atletismo “diferente”, quem são estes atletas, quais as especificidades do seu treino e , sobretudo, como poderia eu ser parte activa para que fossem cada vez menos aqueles que, tal como eu, desconhecem a dimensão desta realidade.

Assim surgiu a ideia de contactarmos a Associação Jorge Pina para que esta barreira invisível fosse desfeita e pudéssemos partilhar com todos o que é este projecto e que impactos tem na nossa sociedade.

(entrevista feita por Filipe Gil)

 

Como tem evoluído o trabalho da Associação desde o seu início?
A ideia de criar uma associação com o meu próprio nome surgiu dentro de um grupo de amigos logo após eu ter cegado. O início foi um pouco conturbado porque não tínhamos espaço físico, pouca gente para ajudar e não tínhamos qualquer apoio financeiro. As coisas foram-se encaminhando, fomos procurando, concorrendo a projetos e em 2013, conseguimos finalmente ganhar alguns apoios para fazer crescer esta associação. Hoje temos uma equipa maior a trabalhar, foi-nos um espaço físico para a sede e temos vários projetos em andamento na área desportiva, cultural e social no sentido de apoiar jovens e crianças em risco e não só.

 

Há muitos atletas com deficiências que procuram a Associação? Para que tipo de apoio?
Não foram propriamente as pessoas com deficiência que nos procuraram, fomos nós que fomos ao encontro dessas pessoas. Com a criação da Escola de Atletismo adaptado, projeto que surgiu da minha cabeça e que foi imediatamente apoiado pela Rexona, a Associação foi procurar crianças com deficiência nas escolas com as quais fizemos parcerias e hoje temos estas crianças a treinar connosco nas várias modalidades do atletismo no Estádio do INATEL.



Quem pode ser sócio da Associação e de que forma podem contribuir quer a nível individual quer a nível empresarial?
Qualquer pessoa pode ser sócia da associação, basta inscreverem-se no site www.associacaojorgepina.pt e se quiserem contribuir seja de que forma for podem contactar-nos pelo mail geral@associacaojorgepina.pt.



Como pode um corredor ajudar alguém que tenha deficiência visual na corrida? O que deve fazer?
A falta de guias é muitas vezes um problema para os atletas invisuais, sobretudo porque as disponibilidades de horário são diferentes. Ou seja, quantos mais guias tivermos disponíveis provavelmente mais fácil será a programação dos treinos. Qualquer pessoa que corra pode ajudar, no entanto é sempre necessário adaptar o guia ao atleta consoante as necessidades deste. Por exemplo, um atleta de alta de competição necessita de um guia com uma capacidade física superior mas se for um atleta de manutenção não há necessidade de tanta exigência. De qualquer forma o guia vai se adaptando ao atleta e normalmente tudo corre bem.

 

O Jorge Pina é um exemplo a seguir, por todos. Depois do último desafio de percorrer o país a correr no projeto "Corre por mais Portugal" qual ou quais os próximos desafios?
O meu grande desafio será para depois dos Jogos Paralímpicos (onde estarei se tudo correr bem). Vou tentar fazer o percurso Fátima-Santiago de Compostela- Lourdes- Vaticano a correr.


Como sentem o fenómeno da corrida? O número de pessoas com deficiência a praticar atletismo também aumentou?
Vemos este fenómeno de uma forma muito positiva, significa que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o seu bem-estar físico e mental. A corrida é uma excelente ferramenta para ligar o corpo à mente e é utilizada por muitas pessoas como forma de meditação ativa. As pessoas numa forma de competição saudável procuram autotranscenderem-se e descobrir os seus limites e limitações. Relativamente às pessoas com deficiência o número de praticantes não aumentou devido à falta de apoios, de guias, locais de treino etc. A Escola vem então tentar colmatar estas lacunas e puxar para esta modalidade mais praticantes.


E qual o objetivo da Escola de Atletismo Adaptado? Ajudar corredores portadores de deficiência a adaptarem-se à pratica de alguma atividade desportiva, ou passa pela de formação de atletas para-olímpicos?
A Escola pretende ajudar pessoas com deficiência a praticar atividade física, nomeadamente o atletismo mas não só. Acreditamos que desta escola possam surgir atletas que poderão mais tarde ingressar na equipa paralímpica.Ou seja, a escola pretende promover a atividade física como forma de integração, superação e valorização pessoal mas também procura encontrar jovens que possam vir a competir ao mais alto nível.



Em que medida os jovens que apoiam através do projeto da Escola de Atletismo Adaptado sentem que poderão vir a ter um futuro profissional nesta área?
A escola ainda está numa fase muito inicial, mas com a entrega dos técnicos e o envolvimento/apoio das escolas, esperamos que alguns destes jovens encontrem nesta escola uma segunda casa e possam vir aqui a construir o seu sonho de serem atletas paralímpicos.

Por último, quais os planos da Associação para o ano que agora começa? A Escola de Atletismo Adaptado manterá a sua forma de atuar como até agora ou haverão novidades?
A Associação juntamente com a Rexona estão a procurar novos desafios para os portugueses no sentido de continuarmos a apoiar a escola, portanto aguardem pelas nossas notícias em breve.

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O Correr na Cidade não poderia deixar escapar a oportunidade de treinar com atletas deste nível e é por isso que estamos a organizar um treino em conjunto com o Jorge Pina, dia 29 de Janeiro com encontro marcado para as 19:15 em frente ao Inatel - Estádio 1º de Maio. Podem confirmar a vossa presença no nosso facebook aqui.

 

Contamos convosco!

 

 

 

 

 

 

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