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Correr na Cidade

Corrida do Tejo: Quando a cabeça não tem juízo...

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Por: Filipe Gil 

 

Aqui há uns anos, mais ou menos por volta de 2001/2002 comecei a ganhar uns quilos extra. No início nem notei. Até que um comentário de alguém, que a memória felizmente apagou, abordou a questão: «Sim, tu, como és gordinho...», disse esse alguém. Gordo, eu???? Como é possível? Quando era puto tinha vergonha de ir para a praia por ser tão magro, e nem tinha rabo para as calças, nem as 501 me ficavam bem… Agora passava a ser «gordo». Aliás «gordinho», o que ainda mete mais dó!

 

 

 

Correr faz bem… à amizade

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Por: Filipe Gil

 

Já todos nós sabemos de cor e salteado que correr faz bem. Ficamos mais magros, respiramos melhor, ficamos mais tonificados, mais saudáveis - isto enquanto não nos metemos naquelas aventuras de 50 quilómetros ou mais.

 

Mas uma das coisas que poucos falam é como correr faz bem à amizade. Aliás, faz mesmo muito bem. Fiz bons amigos na corrida – também arranjei uns ódios de estimação, mas isso tem a ver com a minha natureza intempestiva.
Dizem, quem acredita nas coisas de zodíaco que nós carneiros somos assim. Por isso, deal with it!

 

Mas voltando ao que interessa, correr faz mesmo bem à amizade. E no passado domingo tive, mais uma vez, a prova disso. Fomos 4 correr para Sintra. E eu, que ainda ando em recuperação da perna partida tive a atenção dos outros três para que nada falhasse. Esperaram por mim, com muita paciência, nas descidas – onde o meu medo que algo corra mal é muito grande.

 

Incentivaram-me, deram-me força. Cuidaram de mim, sem nunca serem paternalistas. Como se diz em inglês: “priceless”. Foi quase um treino à medida, com três alfaiates que me vestiram com os melhores trilhos de Sintra na minha condição. Quem sabe, e faz disto da corrida, um hobby, sabe que a correr dizem-se coisas tão parvas como sérias. Tão apropriadas como disparatadas. E essa partilha fomenta a amizade.

 

Podemos até cometer o erro de passar um par de horas a correr ao lado de quem não nos identificamos – nas provas não conta – mas garanto-vos que não repetimos isso muitas vezes. Correr, treinar, sofrer durante um par de horas e com prazer, só ao lado de amigos.

 

E no fundo, a corrida é só um pretexto. Podia ser a andar de bicicleta, a surfar, a andar de skate ou numa partida de futebol ou padel. O segredo é mesmo juntar o exercício físico e partilhar a experiência com os amigos.

 

E vim de Sintra como novo.

Correr com uma perna às costas

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Vou ser sincero, não é bem às costas. Mas sim na cabeça. Passo a explicar mais à frente. Tudo isto para vos contar como tem sido o lento caminho que tenho percorrido desde que voltei a correr – as razões estão aqui.

 

A convite do Rui Pinto fiz a Corrida dos Campeões no passado dia 13 de janeiro. E fiz a minha primeira prova desde que sou corredor 2.0 – com titânio enfiado no fémur – em que fiz subidas. E foram logo três.

 

Claro que a performance é de envergonhar as pedras da calçada. Atrás de mim talvez mais 10 corredores todos com aquele ar que começaram a correr na véspera – lembram-se como foi? E eu ali a marcar passo, a pensar em desistir, a tentar usufruir a prova, a sentir-me culpado por atrasar o Rui que aquela hora já podia estar a acabar o seu duche em casa.

 

Estava com medo de me lesionar na perna, estava com medo de ouvir um “crack” algures. Tretas. Aquilo está mais consolidado. E o medo estava todo na cabeça. Fiz a prova com a perna na cabeça. Medo das subidas, medo das descidas, só nas retas descansava…a cabeça. Mesmo assim, apesar de ter ido a passo caracol, de ver as “tribos” da corrida a passaram a alta velocidade: os azuis, os amarelos, os cor de laranja, todos eles caras bem conhecidas do mundo da corrida, suei um pouco. A sério, acreditem.

 

Mas apesar de ter ficado classificado num lugar que nunca irei dizer nem ao meu melhor amigo (é favor não ir ao site da prova e ver a classificação), houve coisas muito boas. É que uma semana depois da prova, sem fazer grande exercício, meti-me a correr subidas, e não é que correu bem. Mesmo muito bem. Senti-me fresco e fofo e estava ali para as curvas. Dei uma “surra de coxo” a um amigo das corridas que não vou dizer o nome. E senti-me que estou pronto para correr com as duas pernas no sítio delas. Será que é desta?

 

Correr 10km depois de uma perna partida

Por Filipe Gil:

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Consegui! Consegui correr 10km!!! Sabem aquela sensação que nos faz ficar feliz sem sabermos bem porquê depois de uma corrida? É assim que ainda me sinto umas horas depois de ter feito os meus primeiros 10 km depois do acidente que tive em finais de julho.

 

Quatro meses e uns dias depois de ter tido um acidente de mota que me partiu o fémur e me levou à mesa de operações - e a colocar parafusos e “coisas” dentro do osso (ver foto abaixo) -, voltei a fazer uma prova oficial e a correr pela primeira vez em muitos meses a distância de 10km.


Era algo que vinha a falar em casa e com amigos, ainda com algumas dúvidas, mas que foi tomando forma nos treinos de 6 e 8 kms que fazia aos fim-de-semana. Foram treinos sempre com algumas dores musculares e alguma impressão no osso, mas que nas ultimas semanas diminuíram de forma a tomar a decisão de ir fazer os 10 km dos Descobrimentos.

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Decidi fazer a prova, a amiga Joana Aguiar, conseguiu uns dorsais e a minha mulher prontificou-se a acompanhar-me e a motivar-me ao meu ritmo. E consegui. Segundo a minha app da Nike fi-lo em 1h08m. Nunca tinha feito esta distância em tanto tempo, mas nunca me deu tanto gozo superar um desafio destes. Conto, resumidamente como foi:

 

Os primeiros 3 kms são sempre estranhos. Não consigo correr sem coxear, os músculos falam uns com os outros para tentar perceber o que se está a passar. Sinto-me sempre fraco e a correr “de lado”. Por muito aquecimento e alongamento que faça, a perna esquerda está sempre pouco preparada para correr.

 

Dos 3 aos 6 kms foi o regresso da perna ao seu normal. Sem grandes diferenças com a perna “boa”. Nesta altura, com o apoio da Natália mesmo ali ao lado, tornou-se mais fácil a corrida. Distraído com piadas e a mandar piadas em conjunto, a observar algumas figuras curiosas do mundo da corrida, foram kms divertidos. Voltei a ver muitas caras conhecidas da corrida que, no mínimo, devem ter estranhado como alguém com a camisola do Correr na Cidade ia tão atrás e tão lento (fiz questão de levar a camisola do CnC!!).

 

Dos 7 aos 9kms senti-me bem. Senti-me corredor novamente. Comecei a correr mais depressa, com a passada regular e a sentir bem o toque no alcatrão. Nesta altura a perna já estava bem quente e sentia-me a correr como outrora corria (quando estava em forma), isto apesar da vagareza a que ia. O 7º quilómetro correu mesmo bem. Estava inspirado pelos corredores que passavam por mim do outro lado da estrada a caminho dos 21km. Estava feliz e embora muito calado, a força que vinha ao meu lado era muito importante. Mas reduzi um pouco a velocidade a meio do 8º km. Tive medo. Medo de forçar o osso, medo de me sentir muito combalido no final da prova, medo de fazer merda com a operação – apesar do aconselhamento médico que tenho de correr, correr e correr cada vez mais.

 

Mas o 9º km foi o reavivar competitivo. Forcei, corri mais (no smartphone baixei para uma média de 5:50 ao km – o que é rápido quando se está em recuperação). Tentei dar o máximo. Esqueci-me da perna. Esqueci-me do acidente, foquei-me na respiração ofegante, na passada ritmada, no ser corredor novamente. E em toda a adrenalina que isso nos dá.

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Ao ver a meta confesso que, por detrás dos óculos escuros, estava muito emocionado. Fiz algum esforço para não chorar (que piegas…). Mas lembrei-me dos momentos pós acidente em que não sabia se voltaria a andar como deve de ser, quanto mais correr; pensei nos momentos pós-operatório em que cada ida ao WC era digna de uma odisseia com muitas muitas dores, e dos meses de fisioterapia em que por vezes me frustravam muito. Tudo isso deu um sabor especial a esta prova que, talvez só quem passe por algo semelhante possa dar valor.


Sinceramente, só penso já na próxima prova de 10km. E começo a piscar olho à Meia Maratona, quando? Não sei, logo se verá. Sei que vou ter que voltar à mesa de operações daqui a 1 ano para tirar todo o material que tenho na perna, e que após isso vou ter que recomeçar tudo de novo, voltar à fisioterapia, voltar às muletas e à chata de recuperação antes de voltar a poder calçar os ténis de corrida, mas até lá ninguém me tira o gozo de voltar a correr.

 

Estas penúltimas palavras são para aqueles que agora não podem correr por alguma razão de saúde. Acreditem, o caminho não é fácil, mas foquem-se no objetivo de voltarem a calçar os ténis e a participar nestas provas com imensos anónimos e que tanto gozo vos dá.

 

E as últimas palavras são para os agradecimentos. Não podem faltar porque a minha prova não começou quando soou a partida dos 10k dos Descobrimentos, mas muitos meses antes, ainda na cama do Hospital São Francisco Xavier com a visita da família e amigos.

 

Assim, há que agradecer quem me ajudou – e teve paciência de me ajudar – nesta “nova” viagem: à minha mulher e aos meus filhos, ao meu pessoal do Correr na Cidade (eles sabem quem são), ao Filipe Semedo (pela motivação) e aos médicos, enfermeiros e claro à minha fisioterapeuta do Hospital São Francisco Xavier, a Ana Encarnação, que me deu força para que os momentos que escrevi acima fosse possíveís. Obrigado a todos. A viagem (re) começa aqui.

1km em 10 minutos! O melhor tempo da minha vida

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Parece ridículo, certo? Para todos e todas que correm há mais de duas semanas, fazer 1km em 10 minutos não é correr é andar. Então e se vos escrever que corro há mais de 4 anos e que este texto é para corredores com alguma experiência, ficam curiosos? Vejam daí que conto o resto…


O título é verdadeiro. Trata-se do melhor tempo que alguma vez fiz. Não em termos de performance, mas em termos de satisfação. Nem os 1h50m numa Meia Maratona ou os 49 minutos nos 10 quilómetros da Scalabis. Nem treinos de trail com mais de 20 kms, ou provas onde passei mais de 8 horas a correr. Nada disso. Foram mesmo estes 10 minutos onde quase cheguei a correr a distância de 1 km. Claro que, a esta altura já estão a perguntar porquê?


Porque estou em recuperação de um acidente que sofri em finais de julho. De um momento para o outro ia (devagar) numa mota a caminho de um jantar com o Nuno Malcata, Tiago Portugal, João Gonçalves e Rui Pinto, e zás, um carro veio contra mim, eu voei, a mota voou, e como resultado um pé e tornozelo macerados e um fémur partido. Daí resultou operação, hospital, verão estragado, muletas, recuperação e o futuro a correr a ser posto em causa.

 

As dúvidas que tive nas horas antes da operação foram muitas. O que vai acontece à minha perna? Será que irei ficar bem? Será que afetou algum tendão? Será que vou ficar coxo para sempre? Será que volto a correr algum dia? Tudo isso tem sido respondido de forma positiva já que a minha recuperação está a ser fantástica. Se calhar fruto de ser um corredor frequente.

 

O mais engraçado é que durante os dias de recuperação, em que a perna perdeu toda a força que tinha, uma das minhas principais preocupações era saber se podia voltar a correr e fazer surf. Os médicos sempre responderam afirmativamente: “É novo, está em forma, vai recuperar isso dentro de meses, com algumas limitações, claro”. Que limitações, raio?! Nem eles sabem dizer, apenas o tempo irá indicar.

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Contudo, algumas dúvidas ainda se mantêm. Será que algum dia poderei fazer uma maratona? Será mesmo que posso correr uma meia maratona? Será que poderei voltar a correr em terrenos sinuosos pelo meio de trilhos, como tanto gosto?


Mas tudo isto não é nada quando comparamos com pessoas que têm doenças crónicas ou que passam pela batalha contra o cancro e continuam a correr, muitas das vezes com um sorriso no rosto. Esses sim são heróis. Eu sou apenas mariquinhas que partiu uma perna e agora lentamente está a voltar a correr.

 

Por isso, já sabem, se um dia destes se cruzarem comigo a correr à velocidade de um velhote de 96 anos, não é preguiça. É  apenas “mariquice”. Boas corridas!  

Como não fazer uma Meia Maratona

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Por Filipe Gil:

 

Como não fazer uma Meia Maratona!?


Sei que aqui no Correr na Cidade estão habituados a que vos falem de como devem fazer isto e aquilo em relação à corrida e a viver uma vida saudável. É a missão desta gente fantástica que mantém a melhor informação sobre corrida de Portugal. Como estou de fora (mesmo!) tenho a liberdade para poder escrever coisas parvas.

 

Em primeiro lugar porque já não sou corredor, corro apenas de vez em quando, e quando me apetece - no pelotão a partilhar as dores e alegrias dos corredores anónimos. E em segundo lugar não tenho a pressão de representar uma marca, um nome, uma filosofia de qualidade que é o Correr na Cidade. Assim, por minha conta e risco, avançou com 5 coisas que nunca devem fazer numa Meia Maratona – e que eu fiz. No caso de reclamações ou contradições, eu agora moro aqui, escrevam para lá!


1. Não treinar como deve de ser! Fiz um treino de corrida de 7kms no dia antes da Meia Maratona. E antes, sendo que o antes foi há uma semana e meia ante do dia 19 de março, tinha feito 10kms pelos trilhos de Monsanto. Sabem há quanto tempo não fazia uma Meia Maratona: 3 anos. (No ano passado desisti por lesão). Ainda para acrescentar passei a véspera da prova a jogar basket com os meus putos. Foi mesmo bom!

 

 

 

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