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Correr na Cidade

O UTMB à base de plantas

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(a chegada do Frederico Cerdeira à meta do UTMB em directo)

Por Ana Sofia Guerra

Se acompanham o mundo das provas de trail portuguesas, certamente já ouviram falar no Frederico Cerdeira. Convidei o Frederico para uma entrevista logo após ter terminado a prova UTMB deste ano e quis conhecer um pouco mais este atleta que se tem destacado no trail running português.

(Ana): Quero dar-te, novamente, os parabéns pela conquista: um 74º lugar da geral, 3º português a terminar a prova mais rápido e com um tempo de 28h12m. Vou começar pelo fim: em que é que estavas a pensar quando passaste a meta?

(Frederico): Antes de mais obrigado pelo convite! Acompanho o CnC desde o vosso início e esse início coincidiu também com a altura em que comecei a levar isto das corridas mais a sério. É, portanto, um prazer acompanhar-vos e conversar com vocês!

No UTMB, quando passei a meta foi um misto de sensações. Sentimento de missão cumprida e de alívio pois estava já com dores fortes no pé direito, turbilhão de alegria e tristeza também. Um pouco triste por saber que algumas pessoas próximas não puderam estar lá para me receber. Mas tirando esse ponto, estava feliz.

 

Atingiste o objetivo que tinhas estipulado para o UTMB?­­

Infelizmente não. Tinha como objectivo ser finisher, sem lesões, com a marca ambiciosa de sub 26h. Sempre acreditei (e acredito) que era possível. No entanto numa prova de 100 milhas em alta montanha, tudo pode acontecer. São muitas variáveis que facilmente condicionam qualquer objectivo que tenhamos.

No entanto, no meu caso, seis semanas antes da prova, num final de treino, tive uma queda aparatosa que me provocou um entorse algo grave no pé direito. Essa lesão condiciou-me o plano de treino específico que tinha e, naturalmente, o tempo de recuperação não foi suficiente para a prova. Com isto, a partir do meio da prova, as descidas eram demasiado agressivas para o pé e tive que abrandar drasticamente o ritmo para gerir a dor. No final, fui finisher sim, sem nenhuma lesão nova, apenas com agravamento da que já tinha e esta situação contribuiu para que terminasse com mais de duas horas do que tinha planeado. No entanto apesar disso fiquei satisfeito com o resultado.

 

Esta prova foi a realização de um sonho ou tens outra prova em mente?

Esta prova foi em parte a realização de um sonho sim. Sempre quis conhecer os Alpes e sentir de perto a magnitude e o poder natural do Monte Branco.

 

O que mais te surpreendeu na prova?

Claramente o Monte Branco e toda a magia natural dos Alpes. Mas isso é algo independente da prova. A prova em si correspondeu ao que esperava, organização profissional com muito foco na segurança dos atletas. Percurso muito desenhado em cima dos trilhos públicos do Tour de Mont Blanc, mas muito diversificado, exigente e, sobretudo, de uma beleza única.

 

Quais foram as grandes dificuldades que tiveste no decorrer da prova?

Tive alguma dificuldade em lidar com as baixas temperaturas em certos pontos. Houve também um momento que inevitavelmente o meu estômago não aceitava comida, apenas água e levou a uma quebra de energia mas consegui superar depois de ter descansado um pouco na base de vida de Courmayeur. A maior dificuldade foi sem dúvida gerir a dor que tive no pé a partir do meio da prova como mencionei acima.

 

Tiveste o acompanhamento de algum treinador, nutricionista ou outro especialista na preparação para o UTMB?

Em termos de treino, tenho acompanhamento profissional desde o início de 2016 a cabo do João Mota. Em conjunto, temos delineado os macro-ciclos em função dos meus objectivos.

Outros especialistas de saúde e preparação física deram o seu importante contributo, tais como o Fábio Dias, o Miguel Reis e Silva, o Bernardo Filipitsch e a Sara Dias da Habilitare agora na minha recuperação pós prova e tratamento da lesão.

 

Sabes que um dos temas que as pessoas têm mais curiosidade sobre ti é o facto de seres vegan. Quais são os grandes desafios que enfrentas numa prova desta duração em relação à alimentação?

É uma boa pergunta e é algo muito difícil de resolver em termos de nutrição e treino profissional. Neste tipo de desafios é mesmo muito complicado estar tantas horas em esforço e conseguir ingerir e digerir as calorias necessárias para a progressão do esforço físico.

Mesmo fazendo tudo “by the book” a certa altura, o nosso estômago simplesmente rejeita alimentos e pede apenas repouso. Estamos dependentes da nossa autossuficiência e daquilo que temos disponível para comer nos PACs (postos de abastecimento e controlo), no meu caso, sendo Vegan, nem sempre tenho alimentos Vegan nesses pontos. Tenho sempre que contar com o que eu consigo levar comigo e nos PACs aproveitar a fruta que houver (melancia, bananas, tomate, etc.) Caso haja arroz ou massas e alguns vegetais tento aproveitar sempre um pouco. Cubos de marmelada por vezes são uma boa opção, mas a fruta é sempre prioritária.

Comigo geralmente levo um isotónico vegan rico em Hidratos de Carbono de rápida absorção. Normalmente uso a solução da Tailwind, que tem funcionado bem comigo e é uma marca que me apoia. Uso também alguns géis o mais natural possível e algumas barritas, cruas e naturais que vou intercalando com o resto. Costumo levar também um saquinho de tâmaras que vou comendo pelo caminho. A meio da prova, no ponto da Base de Vida, costumo beber uma solução proteica, geralmente o “Rebuild” da Tailwind que ajuda a recuperar os danos do esforço muscular, ao mesmo tempo que enche as reservas de energia para o resto do percurso.

 

Tens algum cuidado especial com a tua alimentação e/ou suplementação?

Não diria que tenho especial cuidado, sendo atleta e sendo Vegan, preocupo-me apenas em comer o mais natural possível dando primazia às frutas, aos vegetais e às leguminosas. Gosto muito de comer, como muito e sou guloso (J), por isso, muitas vezes, não me privo de nada desde que seja Vegan.

Em termos de suplementação, o único suplemento que tomo obrigatoriamente é de Vitamina B12, pois é algo mais difícil de obter naturalmente numa alimentação vegan, sobretudo devido ao elevado processamento que os alimentos levam até chegarem ao nosso prato. De resto em certas fases dos meus treinos, tomo um suplemento de Citrato de Magnésio que ajuda na reestruturação muscular. De tempos a tempos tomo um composto de Glucosamina/Condroitina que teoricamente, poderá contribuir para a prevenção do desgaste articular.

 

Em que altura da tua vida é que tomaste a decisão de teres uma alimentação vegan?

Tenho amigos de infância que são Vegetarianos / Vegan há muitos anos, alguns há mais de 20. Sempre foram uma inspiração para mim, sempre fui curioso mas nunca consegui dar o passo. No entanto, em 2015 decidi que estava na hora e comecei a perceber que não preciso mesmo de contribuir para a exploração e sofrimento animal para comer. Aí, fiz uma transição gradual, deixando a carne e o peixe, passando alguns meses numa fase “Ovo-lacto vegetariana” até ser mesmo Vegan. O Veganismo é bem mais do que uma dieta e, para mim, neste momento é a melhor maneira de estar na vida.

 

Que conselhos darias a quem está com dúvidas para alterar a sua alimentação?

Hoje em dia é muito mais fácil ser Vegan, pois cada vez mais consciência sobre os benefícios e como tal, mais informação e alimentos disponíveis. No entanto, acho que as pessoas o devem fazer se acreditarem mesmo na filosofia e não apenas pela dieta.

Qualquer das formas, se deixarem de consumir produtos de origem animal, vai ser sempre positivo para eles, para os animais e para o ambiente. O conselho que posso dar é que façam uma transição gradual e não se foquem nas chamadas alternativas à carne e ao peixe. Pensem que têm uma panóplia de vegetais, leguminosas e frutas disponíveis que podem consumir apenas com alguma criatividade.

 

Quais os teus locais favoritos para treinar para uma prova desta dimensão?

Os meus “Playgrounds” de treino são o parque florestal de Monsanto em Lisboa, a Serra de Sintra que adoro, e a Serra da Estrela mesmo ao lado de casa. Nenhum deles é alta-montanha mas neles possível improvisar e fazer a preparação mínima para este tipo de desafios. Claro que é preciso algum tipo de planeamento e gestão de treino para tal, porque em nenhum destes 3 pontos temos algumas características típicas de alta-montanha (altitude, condições ambientais, terreno, etc.).

 

Sendo natural da Guarda, costumas treinar por lá?

Sempre que estou por lá tento aproveitar o melhor que a Serra da Estrela nos dá. Seja para fazer um treino de corrida ou um treino de bicicleta. No fundo acabo por usufruir um pouco de algumas características de montanha que não tenho aqui em Lisboa. Aproveito para tentar comer o mais orgânico possível lá também, pois lá tenho acesso a mais produtores locais.

 

Quais são os teus próximos desafios?

Neste momento, o foco é tentar recuperar da lesão de forma a conseguir treinar para a prova Campeonato Nacional de Ultra Trail que vai acontecer em Novembro em Ferreira do Zêzere. No entanto, não é a prioridade máxima. Ainda não defini os objectivos para a próxima época mas na corrida é possível que incluam o meu foco em provas de SkyRunning. Tentarei incluir uma prova internacional de 100 milhas, que ainda não decidi qual.

Estou a dar os primeiros passos no Triatlo e é possível que inclua algumas provas de Triatlo em preparação do Half-IronMan no final do ano. Ainda está tudo em aberto.

 

 Que conselhos darias a quem quer participar no UTMB do próximo ano?

O UTMB é um desafio gigante que requer uma boa preparação, independentemente dos objectivos de cada pessoa. É preciso sempre uma boa preparação de no mínimo de 6 meses. Isto para conseguirem ser finishers sem mazelas e desfrutar dos Alpes. Esta preparação deve incluir a preparação física-muscular, o endurance mental, a nutrição e o treino específico de montanha. Se possível procurem acompanhamento profissional.

Acho que o conselho que posso dar também é terem atenção ao material obrigatório e ao recomendado para a prova. Na alta-montanha o material que usamos e a forma como o usamos é determinante. O material é sempre bastante, é volumoso e pesado, no entanto acreditem, pode ser fundamental à nossa sobrevivência. De resto, estando lá, o melhor é desfrutar dos Alpes e do Monte-Branco, pois é algo mágico.

 

Já agora, vais participar no UTMB 2019?

A participação no UTMB está dependente sempre de um sorteio e de uns pontos mínimos obtidos em provas previamente concluídas. Ou então, para não ir a sorteio, estar num nível elite com índice de Ranking ITRA superior a 770 nos homens e 660 nas mulheres. Portanto, nunca é fácil. Qualquer das formas a resposta é voltar lá sim, agora se será em 2019 ainda não sabemos J

 

Obrigada por participares nesta entrevista e continuação de grandes vitórias!

Obrigado eu mais uma vez e continuem o bom trabalho!

 

1º Trilhos de Lousa Noturno 2018 - uma prova que merece a sua atenção!

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Se procuram um bom motivo para retomarem os treinos depois dumas férias merecidas, então têm aqui uma boa oportunidade!

Já estão abertas as inscrições para a 1ª edição dos Trilhos de Lousa (não confundam com Lousã) que se realiza no dia 29 de setembro (sábado) e que inclui várias atividades:

  • Feira de trail (com a presença de várias marcas como a Berg, a Suunto e a Buff)
  • Palestra sobre nutrição e trail running (com a presença da nossa nutricionista Ana Sofia Guerra)
  • Kids Race
  • Mini trail ou caminhada com duração máxima de 3h (aprox. 10 Km)
  • Trail com duração máxima de 4h (aprox. 12 Km)  

O evento tem início às 15h00 com a palestra, sendo que o trail começa às 19h00 e o mini trail às 19h15. 

O mini trail conta com um abastecimento de líquidos e o trail com um abastecimento de sólidos e líquidos durante a prova e no final.

A prova de trail conta com uma altimetria de 600D+ e, como se realiza à noite, certamente não irá sofrer com o calor.

A organização da prova (ASSOCIAÇÂO DESPORTIVA GO RUNNERS) alerta que todos os atletas deverão trazer reservatório de água individual, pois não serão servidos copos. Se quiserem tomar um duche depois da prova, existem banhos disponíveis no Clube Desportivo de Lousa.

A primeira fase de inscrições termina a 20 de setembro, mas as inscrições são limitadas! 

 

Para quem não conhece, a Lousa é uma freguesia do concelho de Loures e que é conhecida pelas suas provas de BTT e pela produção de queijos.

Fica o convite: traga os seus amigos e família e junte-se a nós nesta festa!

Para mais informações, aqui fica o link da prova.

Boas corridas!

 

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Louzantrail 2018 - o regresso à dureza!

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  Antes da partida, o nervosismo era disfarçado

E, mais uma vez, cá estou eu a escrever sobre a minha participação no Louzantrail. Se calhar já estão cansados de me ler as minhas reviews da prova mas, não conseguindo explicar o porquê, sinto sempre a necessidade de "falar" desta aventura. Para mim, a ida ao Louzantrail é quase um vício, e tento nunca ir sozinha nesta aventura. Tudo começou em 2014 e foi paixão à primeira vista. Mas, este ano, teve um sabor diferente...

 

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A preparação começa logo no início do ano com as inscrições e a reserva da casa.  Como temos mais 2 membros novos no grupo (o Bruno e o Ulisses) e sei que outros também queriam ir, fiz questão de tratar de tudo. Só faltavam mesmo os treinos, e isso não consegui cumprir como eu queria. Tendo a plena noção desta condição aventurei-me por 3 objetivos: rever amigos de aventura que só vejo anualmente, ficar atenta ao tipo de alimentação e preparação de outros atletas e divertir-me ao máximo (mesmo que tivesse de desistir a meio da prova). Em 2016 desisti ao 13ºKm e foi das coisas que mais me custou fazer, pois sabia que tinha treinado mas o corpo não respondia à alimentação. E, quem anda nestas aventuras, tem de se mentalizar que (em primeiro lugar) está a nossa saúde e em segundo lugar está o nosso orgulho.

 

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Ai que dupla...

Como eu já conhecia um pouco o trajecto, sabia que vinha aí uma valente subida logo ao início. A corrida inicial foi óptima (deu para aquecer), mas comecei logo a sentir o calor. As previsões iniciais para aquele dia davam 34ºC para a Lousã e eu sabia que existiam alguns pontos onde eu ia sofrer um pouco. O ambiente vivido naquela primeira subida foi excelente, as pessoas conversavam, diziam piadas ("eu devia era ter ficado em casa" ou "o Manel é que foi esperto, ficou em casa a assar o porco") e lá iam subindo. Depois dessa subida, o grupo dispersou-se mais e percebi que eu e o Bruno estávamos quase sozinhos (por momentos pensei que estava em último lugar), mas ouviam-se uma vozes ali perto. 

 

Nos primeiros 3-4 Km, a paisagem é linda, com muita sobra e com o barulho da água a cair de vez em quando. Mas toda a atenção é pouca para o chão que pisamos, pois escorrega que se farta. Um pouco mais à frente oiço uma rapariga muito animada, com quem meto logo conversa - Tânia Fernandes. Super divertida, cheia de ânimo, incentivava qualquer um que passava. Quem me conhece sabe que, mesmo que comece a prova sozinha, chego sempre acompanhada. Lá vamos nós subindo e encontramos a Mónica pelo caminho. Neste momento já éramos quatro doidos serra acima, a parar para respirar melhor sempre que podíamos, mas com muita gana de continuar a prova.

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 Concentração na respiração e força nas "canetas"

 

E, depois duma subida, vem sempre uma descida. E foi aqui que comecei a perceber que não estava preparada para aquilo. Com algumas derrapagens e mãos no chão, lá fui descendo e tentando não me lesionar. Até que, faltando uns 1500m para o primeiro abastecimento no Terreiro das Bruxas, começo a sentir que estou a perder força nas pernas. O corpo começa a dar sinais de que não dá mais e comecei a fazer contas de cabeça: com o que falta para terminar, não vou chegar a tempo ao final. Os restantes pareciam estar cheios de vontade em continuar e, ao chegar ao abastecimento, digo ao Bruno:

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 "Eu fico por aqui"

Desta vez a decisão foi fácil de tomar e não fiquei de todo aborrecida. Outra aventura começava: falar com algumas pessoas que não via há algum tempo e esperar pelos meus companheiros. O Bruno e as meninas continuaram e eu lá fui para a meta de boleia.

Por esta altura o calor apertava e eu sem conseguir comer nada (um dia contarei a minha história com a alimentação antes, durante e pós prova). Passado algumas horas, chega a primeira aventureira, a Rute! Antes da prova dizia que só ia andar e que não tinha treinado, mas eis que se destaca de todos e deixo de a ver na prova logo após a corrida inicial. Comigo estava a Carla Raposo, outra aventureira cheia de garra e com quem partilhei alguns bons momentos na Lousã em 2016. 

Depois, chegam notícias do meu grupo: a Mónica desiste devido a uma queda e diz-me que o restante gurpo desiste no 2º abastecimento e que vem por atalhos até à meta. 

Assim, só faltava chegar a Bo e o Xico, o Tiago e o Ulisses.

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 Uma grande dupla que, mesmo em momentos de desânimo, chegaram ao final cheios de sorrisos :)

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O grande Ulisses que termina os 40 e tal Km com um sorriso e com uma velocidade tal que parecia que não tinha corrido nada

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 E o Tiago! Sem palavras para a força que ele tem!

Voltando à minha prestação e à prova, de acordo com o que eu vivi noutros anos, a prova está mais difícil e a exigir uma grande preparação (para as subidas mas, principalmente, para as descidas). A segurança e organização foi fantástica (tendo em conta os casos que ouvi na meta) e a simpatia do "apresentador" da prova na meta é essencial para nos manter animados. Os trilhos estão bem marcados e destacados e o percurso é lindo (pelo menos o que fiz e o que eu já conheço da prova). 

Se sou a melhor pessoa para falar desta prova? Não. Se espero voltar para o ano? Sim, mas só na condição de conseguir treinar como deve ser. Se recomendo esta prova? Sempre! Para mim, continua a ser das melhores provas de trail do nosso país, tendo em conta a paisagens, os trilhos e a organização.

 

Pontos a melhorar: tendo em conta que a prova é em junho e que, normalmente, está muito calor, recomendo a colocação dumas sombras para quem está perto da meta (um toldo, por exemplo); também devido ao tempo, a prova curta a começar às 09h00 pode não ser a melhor opção e uma hora antes pode fazer uma grande diferença; já agora, porque não ter uma prova com menos altimetria, só para aqueles que se iniciam em trail ou que não estão com vontade de subir tanto? Ficam as dicas!

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O Bruno, eu e a Rute na meta, à espera dos outros campeões

 

O que comer e beber para recuperar após uma prova

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 Foto tirada por Fotosdoze no Louzantrail 2018

 É certo e sabido que a nutrição é muito importante para uma rápida e eficiente recuperação depois duma prova como o Louzantrail. Também é certo começarem a decorrer alguns fenómenos (dolorosos) no nosso organismo como as dores musculares, que duram vários dias.

 

Posto isto, é fundamental perceber qual o objetivo da alimentação após uma prova ou um treino mais intenso:

Repor as reservas de glicogénio muscular e hepático (recuperar energia)- o glicogénio (polissacarídeo formado por glicose) é uma fonte de energia que está armazenada nos músculos e no fígado e ao qual o nosso organismo recorre instantaneamente quando o valor da glicemia começa a baixar. Repor o glicogénio é fundamental para voltarmos a ter níveis energéticos aceitáveis. Alimentos mais ricos em "açúcares simples" são fundamentais para um boost de energia rápida e podem ser ingeridos com um pouco de "proteínas". Ex: um batido de proteína whey com uma banana; iogurte com aveia e uma fruta; uma sandes com ovo cozido ou atum natural.

 

Acelerar a recuperação muscular - o exercício é um stress para o nosso organismo e provoca um catabolismo (destruição) das células musculares. Ingerir alimentos mais ricos em proteínas é importante para minimizar este impacto e reconstruír massa magra. Ex: ovo cozido, proteína whey com BCAAs extra, carne magra.

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Repor o equilíbrio eletrolítico - magnésio, potássio, zinco e sódio são alguns dos minerais que sofrem grandes alterações após um treino mais intenso e ainda mais se esse treino ou prova for feito em condições atmosféricas adversas como as deste fim de semana (mais de 30º na Serra da Lousã). Ex: pastilhas ou cápsulas de electrólitos, ingestão de água tendo em conta a perda de peso pós prova (por cada Kg perdido, ingerir cerca de 1,5L de água em porções de 150 a 200 ml).

 

Reduzir o impacto da corrida no sistema imunitário - por muito estranho que possa parecer, o nosso sistema imunitário fica muito debilitado após uma prova mais intensa. E este impacto é tanto maior quanto mais rápido corremos. Por isso, após uma prova ou treino intenso, é necessário reforçar o sistema imunitário com ómega 3 (anti-inflamatório, antioxidante e com óleos essenciais fundamentais para a recuperação muscular), coenzima Q10 (antioxidante e protetora do sistema cardiovascular) e glutamina (estimula o sistema imunitário, ajuda a proteger a mucosa intestinal e intervém na síntese de massa muscular). 

 

 

E lembrem-se que a inflamação muscular é normal após o esforço e faz parte da recuperação. Evitem a toma de analgésicos ou anti-inflamatórios (sob a forma de medicamento) que só vão atrasar a recuperação.

 

Boas corridas!

Os suplementos alimentares surpresa - Overstim.s!

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Aposto que, ao verem a imagem anterior, disseram: um bolo? O que é isto?

 

É isso mesmo, um bolo! Mas já lá vamos. Esta é a continuação do artigo que saiu no dia 15 deste mês, onde eu dei a conhecer uma marca de suplementos alimentares franceses que já está no nosso mercado. Os primeiros produtos que experimentei tiveram uma avaliação positiva, principalmente o isotónico que gostei bastante. E agora vou falar um pouco sobre os outros produtos que experimentei.

 

Mais uma vez digo que esta é a minha opinião profissional e pessoal sobre estes produtos e que vocês podem gostar ou não. É uma questão de experimentarem.

 

Barras e barritas

Se há "categoria" onde sou mais esquisita é nas barras. Grande parte delas estão cheias de açúcar, aditivos e ingredientes de má qualidade. Quando vi a Barre Bio ou barra ecológica, fiquei um pouco desconfiada. Ao ler o rótulo, a percentagem de banana é de 49%  e a de tâmaras é de 49%. Pareceu-me estranho porque não estou habituada a ver uma percentagem tão elevada de alimentos naturais numa barra (e olhem que passam muitas barras pelas minhas mãos). Então e a que correspondem os 2% que faltam? Farinha de arroz e vitamina B1 (tiamina). Interessante...

A marca ainda garante que os ingredientes usados são provenientes da agricultura biológica (uma salva de palmas). 

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 Quanto à textura, dou nota 20 porque não é nem demasiado mole nem demasiado dura. Tem a consistência perfeita. E o sabor é mesmo muito bom, sabe mesmo a uma barrita daquelas que fazemos em casa. 

Esta barra também não tem glúten nem lactose, o que a torna mais fácil de digerir. 

Então e quando é que a podemos comer? Tendo em conta a consistência e a porção de açúcares (13g), eu recomendaria comer esta barra durante um treino ou mesmo uma prova mais exigente. Mas recomendaria apenas 2 barras nestes eventos, pois como é mais rica em frutose, pode causar algumas perturbações intestinais.

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E agora passamos para outra baaaaarra (é maior e mais pesada que a anterior e, por isso, os meus "a" a mais). A que experimentei é de frutos vermelhos, mas ainda existem as opções de banana-avelãs-amêndoas e sabor a chocolate e amendoins. 

Esta barra já tem mais ingredientes que a anterior, passando a ser mais indicada para as refeições pós treino ou mesmo durante o treino (consumida em pequenas porções). O sabor é bastante agradável e tem uma consistência mais firme que a anterior. Mas garanto uma coisa: não ficam com fome depois de comer esta barra! 

Um ponto que destaco, e já tinha feito noutros produtos no artigo anteiror, é que esta barra tem uma boa percentagem de zinco (tendo em conta outras barras), um mineral que reduz os efeitos do stress oxidativo que acontece durante os treinos. 

 

E agora, a surpresa!

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Quando estava a ler o rótulo deste produto, fiquei um pouco assustada com a referência a 500 Kcal por porção. Mas a marca considera 215g de produto já feito como porção (1/3 do bolo final). Eu considerei a porção como metade deste valor, pois o bolo deu para 6 porções. Cada porção que experimentei correspondia a 273,5g, com 26g de açúcares, 2,45g de gorduras, 4,55g de proteínas e 2,1g de fibras. 

Para quem não percebe muito sobre nutrição, isto parece mandarim, mas posso dizer que este bolo é uma boa opção para um pré-treino de longa duração ou mesmo entre competições, muito fácil de preparar (só temos de adicionar água, mexer e levar ao forno ou microondas). Claro que, no limite, recomendaria o valor da porção considerada pela marca, mas pode ser uma opção diferente do habitual. 

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 O sabor é a chocolate ligeiro, não sabe muito a doce e tem uma consistência muito fofa.  Quando juntamos a água e mexemos, fica com o aspecto duma mousse de chocolate.

Segundo as informações do rótulo e que já vi que é uma preocupação desta marca de suplementos, é que não tem glúten, nem conservantes, nem óleo de palma (sim, infelizmente existem muitos suplementos com óleo de palma). Outra referência no rótulo é que este produto está conforme a norma AFNOR NF V94-001, isto é, está de acordo com a regulamentação anti-dopagem, podendo ser utilizada por atletas profissionais e sujeitos a um controlo anti-doping regular.

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 Depois de ter experimentado estes produtos e de ter consultado o site da Overstim.s, fiquei curiosa  para conhecer melhor a marca, por ter o cuidado de selecionar ingredientes de boa qualidade para os seus produtos e por serem muito práticos para quem pratica atividades que envolvam a corrida. 

E digam lá que o bolo não ficou com bom aspecto!? (por cima adicionei um pouco de flocos de coco)

Boas corridas!

 

  

 

  

Já conhecem a Overstim.s?

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 Aproveitando que recomecei a treinar para algumas provas de trail para breve, aproveitei este momento para experimentar uma marca de suplementos que ainda não conhecia - a Overstim.s

Como adoro experimentar novas formulações (não sou nada neofóbica), aceitei o desafio e dando a minha opinião como consumidora e nutricionista.

Antes de começar a dar a minha opinião, gostaria de dizer que: somos todos diferentes e temos organismos que reagem de formas diferentes; devemos experimentar vários suplementos até chegarmos ao que mais gostamos e com os quais nos damos bem. Por isso, vou dar a minha opinião em relação ao que senti durante os treinos.

Como experimentei vários produtos, vou dividir este artigo em dois. 

 

Géis e bebida isotónica

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 Gel Energix - gel endurance

  Segundo a marca, é um gel adaptado a atividades de endurance. Sinceramente, ainda não descobri o porquê, pois trata-se de um gel com apenas 3,5g de açúcares (relativamente reduzido tendo em conta as marcas mais consumidas) e tem pouco sódio (é importante que os géis tenham algum sódio para evitar a desidratação se for usado como único suplemento). 

Um dos pontos positivos é o facto de ter um sabor muito agradável (neste caso a frutos do bosque; têm 6 à escolha) e uma viscosidade muito ligeira. Tal como outros produtos da marca, é gluten free.

A minha recomendação é para ser usado em treinos ou provas mais curtos e com uma intensidade ligeira.

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Gel Antioxydant

Este gel tem uma consistência muito parecida com o anterior e o sabor a limão é muito bom, refrescante. Tem 6g de açúcares e, a própria marca, recomenda a ingestão de um gel a cada 45 a 60 minutos com 2 ou 3 "golinhos de água". Como ponto forte destaco a presença de vitaminas B6 e B1, que têm um papel importante na melhoria da utilização da energia durante o esforço. A presença de antioxidantes é muito discreta.

Também contém magnésio, zinco e cálcio em pouca quantidade, mas que podem ser importantes durante o treino ou prova.

 

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Hydrixir Antioxidant  

 Até agora, é o meu favorito! O sabor que experimentei é muito suave e fácil de beber. Experimentei com água à temperatura ambiente, mas fresco deve ficar ainda melhor. É o isotónico principal da marca e fornece 20g de açúcares por 42g de produto (dá para 600ml de bebida reconstruída).

Comparando com uma marca bem conhecida, até mesmo pelos membros da nossa running crew, destaco o valor de magnésio (174 mg em 600 ml de bebida) que pode ser uma grande ajuda para potenciar a força de contração muscular nos momentos mais duros das provas (subidas e descidas acentuadas).

Tal como acontecia com os géis (e acontece com os outros produtos da marca), são dados conselhos de como deve ser tomado o suplemento. Neste caso, dão um conselho importante: "beber desde o princípio da prova e um ou dois "golos" a cada 5 ou 10 minutos. Não esperar ter sede para beber o primeiro "golo" da bebida porque a desidratação pode vir de repente".

A presença de vitaminas antioxidantes (E e C) e B6, melhoram a utilização energética e podem reduzir a sensação de fadiga.  

Tanto neste como nos outros produtos que analisei, confesso que sinto a falta dum ingrediente que gosto muito: cafeína! Tendo em conta a minha experiência pessoal e profissional, a presença de cafeína pode ser o factor X para nos dar o "boost" que precisamos até chegarmos à meta.

 

E assim fecho o capítulo dos géis e bebida isotónica! Em breve publico a minha opinião sobre os outros produtos que testei. Fiquem atentos e, se já experimentaram estes produtos, partilhem a vossa opinião nos comentários.

 

Boas corridas!

Ana Sofia Guerra - Nutricionista 

 

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