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Correr na Cidade

O UTMB à base de plantas

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(a chegada do Frederico Cerdeira à meta do UTMB em directo)

Por Ana Sofia Guerra

Se acompanham o mundo das provas de trail portuguesas, certamente já ouviram falar no Frederico Cerdeira. Convidei o Frederico para uma entrevista logo após ter terminado a prova UTMB deste ano e quis conhecer um pouco mais este atleta que se tem destacado no trail running português.

(Ana): Quero dar-te, novamente, os parabéns pela conquista: um 74º lugar da geral, 3º português a terminar a prova mais rápido e com um tempo de 28h12m. Vou começar pelo fim: em que é que estavas a pensar quando passaste a meta?

(Frederico): Antes de mais obrigado pelo convite! Acompanho o CnC desde o vosso início e esse início coincidiu também com a altura em que comecei a levar isto das corridas mais a sério. É, portanto, um prazer acompanhar-vos e conversar com vocês!

No UTMB, quando passei a meta foi um misto de sensações. Sentimento de missão cumprida e de alívio pois estava já com dores fortes no pé direito, turbilhão de alegria e tristeza também. Um pouco triste por saber que algumas pessoas próximas não puderam estar lá para me receber. Mas tirando esse ponto, estava feliz.

 

Atingiste o objetivo que tinhas estipulado para o UTMB?­­

Infelizmente não. Tinha como objectivo ser finisher, sem lesões, com a marca ambiciosa de sub 26h. Sempre acreditei (e acredito) que era possível. No entanto numa prova de 100 milhas em alta montanha, tudo pode acontecer. São muitas variáveis que facilmente condicionam qualquer objectivo que tenhamos.

No entanto, no meu caso, seis semanas antes da prova, num final de treino, tive uma queda aparatosa que me provocou um entorse algo grave no pé direito. Essa lesão condiciou-me o plano de treino específico que tinha e, naturalmente, o tempo de recuperação não foi suficiente para a prova. Com isto, a partir do meio da prova, as descidas eram demasiado agressivas para o pé e tive que abrandar drasticamente o ritmo para gerir a dor. No final, fui finisher sim, sem nenhuma lesão nova, apenas com agravamento da que já tinha e esta situação contribuiu para que terminasse com mais de duas horas do que tinha planeado. No entanto apesar disso fiquei satisfeito com o resultado.

 

Esta prova foi a realização de um sonho ou tens outra prova em mente?

Esta prova foi em parte a realização de um sonho sim. Sempre quis conhecer os Alpes e sentir de perto a magnitude e o poder natural do Monte Branco.

 

O que mais te surpreendeu na prova?

Claramente o Monte Branco e toda a magia natural dos Alpes. Mas isso é algo independente da prova. A prova em si correspondeu ao que esperava, organização profissional com muito foco na segurança dos atletas. Percurso muito desenhado em cima dos trilhos públicos do Tour de Mont Blanc, mas muito diversificado, exigente e, sobretudo, de uma beleza única.

 

Quais foram as grandes dificuldades que tiveste no decorrer da prova?

Tive alguma dificuldade em lidar com as baixas temperaturas em certos pontos. Houve também um momento que inevitavelmente o meu estômago não aceitava comida, apenas água e levou a uma quebra de energia mas consegui superar depois de ter descansado um pouco na base de vida de Courmayeur. A maior dificuldade foi sem dúvida gerir a dor que tive no pé a partir do meio da prova como mencionei acima.

 

Tiveste o acompanhamento de algum treinador, nutricionista ou outro especialista na preparação para o UTMB?

Em termos de treino, tenho acompanhamento profissional desde o início de 2016 a cabo do João Mota. Em conjunto, temos delineado os macro-ciclos em função dos meus objectivos.

Outros especialistas de saúde e preparação física deram o seu importante contributo, tais como o Fábio Dias, o Miguel Reis e Silva, o Bernardo Filipitsch e a Sara Dias da Habilitare agora na minha recuperação pós prova e tratamento da lesão.

 

Sabes que um dos temas que as pessoas têm mais curiosidade sobre ti é o facto de seres vegan. Quais são os grandes desafios que enfrentas numa prova desta duração em relação à alimentação?

É uma boa pergunta e é algo muito difícil de resolver em termos de nutrição e treino profissional. Neste tipo de desafios é mesmo muito complicado estar tantas horas em esforço e conseguir ingerir e digerir as calorias necessárias para a progressão do esforço físico.

Mesmo fazendo tudo “by the book” a certa altura, o nosso estômago simplesmente rejeita alimentos e pede apenas repouso. Estamos dependentes da nossa autossuficiência e daquilo que temos disponível para comer nos PACs (postos de abastecimento e controlo), no meu caso, sendo Vegan, nem sempre tenho alimentos Vegan nesses pontos. Tenho sempre que contar com o que eu consigo levar comigo e nos PACs aproveitar a fruta que houver (melancia, bananas, tomate, etc.) Caso haja arroz ou massas e alguns vegetais tento aproveitar sempre um pouco. Cubos de marmelada por vezes são uma boa opção, mas a fruta é sempre prioritária.

Comigo geralmente levo um isotónico vegan rico em Hidratos de Carbono de rápida absorção. Normalmente uso a solução da Tailwind, que tem funcionado bem comigo e é uma marca que me apoia. Uso também alguns géis o mais natural possível e algumas barritas, cruas e naturais que vou intercalando com o resto. Costumo levar também um saquinho de tâmaras que vou comendo pelo caminho. A meio da prova, no ponto da Base de Vida, costumo beber uma solução proteica, geralmente o “Rebuild” da Tailwind que ajuda a recuperar os danos do esforço muscular, ao mesmo tempo que enche as reservas de energia para o resto do percurso.

 

Tens algum cuidado especial com a tua alimentação e/ou suplementação?

Não diria que tenho especial cuidado, sendo atleta e sendo Vegan, preocupo-me apenas em comer o mais natural possível dando primazia às frutas, aos vegetais e às leguminosas. Gosto muito de comer, como muito e sou guloso (J), por isso, muitas vezes, não me privo de nada desde que seja Vegan.

Em termos de suplementação, o único suplemento que tomo obrigatoriamente é de Vitamina B12, pois é algo mais difícil de obter naturalmente numa alimentação vegan, sobretudo devido ao elevado processamento que os alimentos levam até chegarem ao nosso prato. De resto em certas fases dos meus treinos, tomo um suplemento de Citrato de Magnésio que ajuda na reestruturação muscular. De tempos a tempos tomo um composto de Glucosamina/Condroitina que teoricamente, poderá contribuir para a prevenção do desgaste articular.

 

Em que altura da tua vida é que tomaste a decisão de teres uma alimentação vegan?

Tenho amigos de infância que são Vegetarianos / Vegan há muitos anos, alguns há mais de 20. Sempre foram uma inspiração para mim, sempre fui curioso mas nunca consegui dar o passo. No entanto, em 2015 decidi que estava na hora e comecei a perceber que não preciso mesmo de contribuir para a exploração e sofrimento animal para comer. Aí, fiz uma transição gradual, deixando a carne e o peixe, passando alguns meses numa fase “Ovo-lacto vegetariana” até ser mesmo Vegan. O Veganismo é bem mais do que uma dieta e, para mim, neste momento é a melhor maneira de estar na vida.

 

Que conselhos darias a quem está com dúvidas para alterar a sua alimentação?

Hoje em dia é muito mais fácil ser Vegan, pois cada vez mais consciência sobre os benefícios e como tal, mais informação e alimentos disponíveis. No entanto, acho que as pessoas o devem fazer se acreditarem mesmo na filosofia e não apenas pela dieta.

Qualquer das formas, se deixarem de consumir produtos de origem animal, vai ser sempre positivo para eles, para os animais e para o ambiente. O conselho que posso dar é que façam uma transição gradual e não se foquem nas chamadas alternativas à carne e ao peixe. Pensem que têm uma panóplia de vegetais, leguminosas e frutas disponíveis que podem consumir apenas com alguma criatividade.

 

Quais os teus locais favoritos para treinar para uma prova desta dimensão?

Os meus “Playgrounds” de treino são o parque florestal de Monsanto em Lisboa, a Serra de Sintra que adoro, e a Serra da Estrela mesmo ao lado de casa. Nenhum deles é alta-montanha mas neles possível improvisar e fazer a preparação mínima para este tipo de desafios. Claro que é preciso algum tipo de planeamento e gestão de treino para tal, porque em nenhum destes 3 pontos temos algumas características típicas de alta-montanha (altitude, condições ambientais, terreno, etc.).

 

Sendo natural da Guarda, costumas treinar por lá?

Sempre que estou por lá tento aproveitar o melhor que a Serra da Estrela nos dá. Seja para fazer um treino de corrida ou um treino de bicicleta. No fundo acabo por usufruir um pouco de algumas características de montanha que não tenho aqui em Lisboa. Aproveito para tentar comer o mais orgânico possível lá também, pois lá tenho acesso a mais produtores locais.

 

Quais são os teus próximos desafios?

Neste momento, o foco é tentar recuperar da lesão de forma a conseguir treinar para a prova Campeonato Nacional de Ultra Trail que vai acontecer em Novembro em Ferreira do Zêzere. No entanto, não é a prioridade máxima. Ainda não defini os objectivos para a próxima época mas na corrida é possível que incluam o meu foco em provas de SkyRunning. Tentarei incluir uma prova internacional de 100 milhas, que ainda não decidi qual.

Estou a dar os primeiros passos no Triatlo e é possível que inclua algumas provas de Triatlo em preparação do Half-IronMan no final do ano. Ainda está tudo em aberto.

 

 Que conselhos darias a quem quer participar no UTMB do próximo ano?

O UTMB é um desafio gigante que requer uma boa preparação, independentemente dos objectivos de cada pessoa. É preciso sempre uma boa preparação de no mínimo de 6 meses. Isto para conseguirem ser finishers sem mazelas e desfrutar dos Alpes. Esta preparação deve incluir a preparação física-muscular, o endurance mental, a nutrição e o treino específico de montanha. Se possível procurem acompanhamento profissional.

Acho que o conselho que posso dar também é terem atenção ao material obrigatório e ao recomendado para a prova. Na alta-montanha o material que usamos e a forma como o usamos é determinante. O material é sempre bastante, é volumoso e pesado, no entanto acreditem, pode ser fundamental à nossa sobrevivência. De resto, estando lá, o melhor é desfrutar dos Alpes e do Monte-Branco, pois é algo mágico.

 

Já agora, vais participar no UTMB 2019?

A participação no UTMB está dependente sempre de um sorteio e de uns pontos mínimos obtidos em provas previamente concluídas. Ou então, para não ir a sorteio, estar num nível elite com índice de Ranking ITRA superior a 770 nos homens e 660 nas mulheres. Portanto, nunca é fácil. Qualquer das formas a resposta é voltar lá sim, agora se será em 2019 ainda não sabemos J

 

Obrigada por participares nesta entrevista e continuação de grandes vitórias!

Obrigado eu mais uma vez e continuem o bom trabalho!

 

A recuperação pós ultramaratona - EGT 2017

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Já falamos muito sobre preparações para provas grandes e sobre o que fazer e não fazer antes de uma (ultra)maratona. E depois? O que devemos fazer para uma recuperação ótima depois de uma prova intensa e longa

 

Participei nos 49km do Estrela Grande Trail e a recuperação foi incrível. É claro que depois do dia da prova tinha olheiras gigantes e estava cansadita, mas não senti quase dores musculares! Infelizmente, depois da prova dormi muito mal. Estava excitada ainda e tinha os pés tão doridos que tive que sair da cama no meio da noite para comer algo e tomar um analgésico. 

 

No dia depois do EGT, voltei para Lisboa e encontrei-me logo com alguns amigos meus para aproveitar o resto de domingo. Os dois amigos com quem tive disseram-me o mesmo: Bo, por favor não voltes a correr tanto tão cedo. Estava com uma cara de cansada e com olheiras gigantes mas acredito que também tenha sido pela noite mal dormida. Depois de domingo a recuperação foi impecável. Como?

 

Na preparação do EGT fui acompanhada por dois profissionais excelentes: o treinador Paulo Pires da beAPT e a nutricionista Ana Sofia Guerra. Não tenho dúvidas que é graças ao apoio destes dois amigos que a prova correu super bem e, não menos importante, a recuperação foi incrivelmente boa.

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Então, com base nesta experiência onde fui acompanhada por especialistas, seguem algumas dicas:
  • "Treinasses" - é óbvio que quanto mais nos preparamos para uma prova dura e intensa, melhor a prova há-de correr e melhor há-de ser a recuperação. Acredito que grande parte da minha excelente recuperação foi graças à uma boa preparação. Podem ler mais sobre a minha preparação física e os treinos com o Paulo Pires da beAPT aqui no blog. 
  • Estratégia durante a prova - fiz a prova conforme a estratégia definido pelo Paulo, conforme podem ler na Race Report. Dessa forma consegui gerir bem o esforço sem "abusar". Assim, também garantimos que chegamos "bem" (dentro dos possíveis, claro) e que a recuperação seja tranquila também.
  • Alimentação antes da prova - durante o tempo de preparação da prova a Ana Sofia Guerra ajudou-me a chegar a um peso melhor para realizar uma prova tão longa através de uma dieta mais cuidada, minimazando o impacto no corpo causada por tantos quilómetros na serra. Além disso, na semana antes da prova tive cuidados adicionais na hidratação e ingestão de hidratos de carbono, preparando o corpo para o esforço intenso e de longa duração.
  • Alimentação durante a prova - também durante  prova tive cuidados com base nas dicas da Ana e do Paulo. O Redrate e a magnesona, por exemplo, não conhecia e sinto que me fizeram muito bem.
  • Alimentação pós-prova - depois da prova, assim que cheguei, tomei uma bebida de recuperação da Gold Nutrition e, além de umas quantas cervejinhas, bebi muuuuita água. Água no pós prova é essencial para repor os níveis de hidratação do corpo que, mesmo com os cuidados extra, foram perturbados com o esforço intenso e prolongado ao sol. Depois, em termos de comida, apostei nas proteínas leves como ovos. E a hidratação adicional não foi só no dia do pós prova, foi também nos dias seguintes.
  • Recuperação ativa - duas semanas de recuperação depois do grande objetivo do EGT fizeram parte do plano de treinos da beATP. Nestas semanas fui nadar, correr calmamente em estrada e plano e rolar de bicicleta. Complementarmente, mantive a minha prática de yoga diária que serviu para cumprir os treinos de flexibilidade que o Paulo tinha prescrito. A natação dois dias depois da prova soube-me tão tão bem! Fez toda a diferença. Recomendo vivamente. Sem impacto e ótimo para evitar as dores causadas pela acumulação de ácido lático ;)
  • Descanso - descanso, descanso, descanso. A Ana fartava-se de me lembrar da importância do descanso, tanto no período de treinos mais intenso, como no período pré e pós prova. Como tenho tendência para a anemia, o descanso é ainda mais importante nesta fase mais exigente fisicamente. Felizmente a Ana lembrava-me disso, pois eu que gosto de festas e copos e com a chegada do verão às vezes descorava este fator importante.

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Penso que são estes os fatores que contribuíram para a boa recuperação pós prova. Estou super grata ao Paulo por todo o acompanhamento antes, durante e depois da prova. Na verdade, estou tão satisfeita que, no próximo desafio grande que for fazer, vou querer contar com o apoio do Paulo novamente. O mesmo aplica-se à nutricionista Ana. É bom sentir-me mais fit e saudável, principalmente agora, dois meses depois da primeira consulta que tive com a Ana. O meu corpo já perdeu os vestígios dos excessos que cometi durante os meses que vivi na Tailândia e sinto-me mais forte e saudável que nunca!
 
Em termos de próximos desafios, o próximo será mesmo só em termos profissionais - o meu projeto SeaBookings.com. É um negócio altamente sazonal e por isso, agora no verão, quero focar-me nisso. Provas grandes, só lá para Novembro ou Dezembro. Até lá, vou correndo, claro, mas quando e como me apetecer, sem planos nem objetivos.
 
Boas corridas!

 

Estrela Grande Trail: 40km de prazer + 9km de sofrimento

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Este fim-de-semana foi o culminar de dois meses de muito treino e uma alimentação cuidada. Se costumas seguir o blog, já sabes que tenho vindo a ser acompanhada pelo Paulo Pires da beAPT e pela nutricionista Ana Sofia Guerra na preparação deste grande desafio.

 

Preparação do EGT - 49K
49km é muita fruta. E 49km na Serra da Estrela com 2500 de D+ ainda mais! Adorei todo o percurso até ao grande dia. Andei sempre super motivada e fiz cada treino super bem feitinho. O acompanhamento do Paulo deu me confiança e pica: estava a treinar "como deve de ser". E os resultados iam aparecendo. A mesma coisa a nível alimentar. Tinha uns quilinhos a mais e tinha que converter massa gorda em massa magra e com a ajuda da Ana, em menos de dois meses, os resultados foram muito bons (e sim, ainda fiz alguma batota!). No dia da prova senti-me preparada e cheia de "pica".

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Crew trip rumo à Estrela
Quando decidi que queria voltar a participar nesta prova, que foi no Columbus trail nos Açores em conversa com o Armando Teixeira que organiza o EGT, desafiei logo o pessoal do Correr na Cidade para irmos em "crew trip". Assim, o Tiago e o Nuno vieram também para participar na prova e a Ana e o Bruno vieram em modo apoio enquanto nutricionista e fotógrafo :)
Então eram 16h30 na sexta-feira quando nos encontramos para irmos de carro rumo à serra. Viagem super divertida, passou a voar. Ficámos na casa da Ana numa aldeia a 45min da partida da prova. A aldeia, com o nome de Aldeia Viçosa, é muito linda, no meio de um vale enorme na Serra da Estrela.
Jantamos uma bela assa em casa, conforme indicações da Ana, e depois de preparar as mochilas e a enorme lista de material obrigatório, deitamo-nos cedo para cedo erguer. 

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Dia da prova
Acordei bem, tinha dormido bem e comi um bom pequeno almoço. Sentia-me tranquila, nada nervosa. Só comecei a ficar um pouco nervosa quando me apercebi que só iríamos chegar a Manteigas 15min antes da prova arrancar. Felizmente conseguimos levantar os dorsais e tratar dos últimos preparativos. 
Sentia-me confiante. Tinha um plano feito pelo Paulo para fazer a prova bem feitinha. Sabia mais ou menos a intensidade do desnível e distância entre cada abastecimento e que frequência cardíaca média deveria manter em cada troço. Em temos de alimentação, o Paulo também deu umas dicas muito valiosas e a Ana também. 
 
A prova - EGT Orion Belt 49K
Estava um dia lindo. Céu limpíssimo, paisagens fantásticas e uma temperatura perfeita para correr. A ideia era: vamos subir com calma até a Torre - 23km e grande parte do D+ - e depois curtir a segunda parte "a descer". Se conseguíssemos chegar à Torre fresquinhos, o resto seria tranquilo.
Então assim foi, o Tiago acompanhou-me no meu ritmo tranquilo, guiado pela frequência cardíaca média. Subidas lindas com paisagens de cortar a respiração. Vistas incríveis à medida que íamos subindo e subindo. Estava a adorar cada passo. Sentia-me tão bem e feliz! Na Torre, o ponto mais alto da prova, deixei o Tiago para trás. Estava cheia de energia e queria continuar a cumprir os timings que o Paulo tinha sugerido. Custou, mas segui sozinha.
Começaram então as descidas. Adoro! Infelizmente apanhei alguns engarrafamentos num trilho lindo que desce da Torre com uma falésia do lado direito, o que dificulta a passagem. Aqui, corri abaixo do meu ritmo. Felizmente depois consegui passar. Até o Vale Glaciar foi sempre a "rolar". Apanhei o Sílvio com quem partilhei alguns treinos de preparação para o EGT e corremos um bom bocado juntos. Continuava a sentir-me super bem e motivava o pessoal por quem ia passando.
Depois do abastecimento no Vale Glaciar tivemos uma subida muito íngreme. Esta custou. Vá lá que era curtinha. Depois uma espécie de planalto com estradões. Uma seca mas lá ia correndo a um ritmo certinho. Quando cheguei ao último abastecimento já só faltavam 9km. 

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Tinha posto na cabeça que os últimos 9km seriam sempre a descer que seriam "corríveis". Quando o Nuno Malcata me mandou sms a dizer "Bora, agora é sempre a descer", ganhei coragem e lá fui ao último troço. Foi aqui que comecei a penar. Não foi nada sempre a descer e não foi nada corrível. Trilhos muito técnicos e com umas belas subidas íngremes. Ao km 42 quebrei. Estava sozinha e já não estava a achar piada nenhuma (vejam o vídeo). Felizmente passaram por mim uns quantos simpáticos trailistas que puxaram por mim e lá segui. Depois foi só descer a calçada romana. "Só" é subjetivo. Já me doía tanto os pés que esta parte foi muito massacrante. Até alucinei! Jurava que tinha umas pedrinhas no sapato direito mas quando fui ver, nada! Aahah já vos aconteceu?

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Enfim, despachei a última parte o mais rapidamente possível. Já só queria chegar. Já só queria ver a Ana, Bruno e Nuno (que fez a prova dos 26km) e beber uma cerveja fresquinha. Cruzar a meta foi uma explosão de emoções. Mais uma ultra superada. Até ao km 40 e picos adorei, foi a melhor prova de sempre, em todos os aspetos. Depois a "reta final" de sofrimento foi marcante mas estou orgulhosa por ter conseguido supera-la. Este ano a prova for muito mais difícil. O vencedor levou mais uma hora do que o vencedor do ano passado. E eu sei porquê :)

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Alimentação
Com base nas dicas do Paulo e da Ana e da minha experiência pessoal nos trilhos até hoje, posso dizer que esta prova foi perfeita em termos de alimentação.
Ia sempre com dois bidons de 0.6 litros, um com água e um com isotónico e Redrate (um pózinho que se compra na farmácia e ajuda a recompor os sais minerais e outras substâncias que perdemos com o suor). Bebi no total cerca de 5 litros de água ao longo dos 49km.
De resto, tomei uma âmpola de Magnesona (queria ter tomado duas mas não me lembrei), três bolinhas energéticas caseiras (amendoim, aveia, tâmaras, óleo de côco, sal, sementes de cânhamo) e uma sandes de ovo estrelado
Nos abastecimentos foquei-me nos líquidos e só comi um pouco de tomate com sal e laranjas.

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Material
Levei praticamente o mesmo material que o ano passado e possivelmente, se para o ano volta a participar no EGT, levarei o mesmo. É uma combinação vencedora!
- bastões Karrimor
- relógio TomTom Adventurer
- têxtil da Reebok
 
Conclusão
Mais uma vez o Armando e toda a sua equipa está de parabéns. O EGT é das melhores provas portuguesas pela sua excelente organização, abastecimentos de luxo, simpatia do pessoal, sinalização muito boa dos trilhos e as paisagens falam por si. Para o ano, considero voltar. Não aos 3 dígitos, acho que isso não é para mim ;)
Para semana partilho aqui um pouco sobre como tem sido a minha recuperação com o apoio do Paulo Pires da beAPT.

Race Report: A grande aventura que foi o LouzanTrail 2015 (2ª parte)

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Por Ana Sofia Guerra

 

Os primeiros 12 km foram sempre a subir, subidas muito íngremes, com um calor enorme. À minha volta tinha corredores experientes (que reconheci de outras provas) e que estavam tão ou mais aflitos do que eu. Durante esta parte da prova fui sempre no encalço da Liliana e, numa das subidas, reparei que ela não estava bem. Perguntei se estava bem e se precisava de alguma coisa, ela diz que não e manda-me seguir. No final da grande subida voltei a encher a “bexiga” de água fresca, mas o calor apertava cada vez mais.

 

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De seguida, aparece uma parte sempre a descer, com estradas cheias de pedras e onde, à mínima distração, a queda era inevitável. Mas não caí! E ainda deu para acelerar um pouco.

 

Ao chegar ao abastecimento dos 14k (?) vejo o Luís Moura. Não o esperava ver ali e perguntei logo o que se tinha passado: desistiu da prova. E, pelo que contava, o Pedro Luiz também. Comecei logo a imaginar que ainda ia ter mais dificuldades. Mas ainda bem que o Moura fez essa escolha, pois ia ser determinante para a nossa continuidade na prova. Passados cerca de 5 minutos chega a Liliana, cansada (como nós) e também surpreendida por o ver ali. A partir daquele ponto decidimos ir os três até ao final. Já tinha dito que o calor era infernal? À medida que ia correndo, sentia o calor da terra cada vez mais intenso. Sentia-me inchada, fraca. Mas continuei.

 

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Continuámos a subir até à “nossa” aldeia (lá para 19 Km) e aí volto a separar-me deles por momentos, pois voltei a ficar sem água e precisava duma fonte urgentemente. De repente, oiço alguém gritar “há aqui água fresca” e subi a correr. Aquela água estava fresquinha e soube lindamente. Recomecei a correr e chego a outro abastecimento onde encontro o Nuno Alves (a descansar um pouco) e o pai do Pedro que me disse: “para mim isto acabou”, o calor e a desidratação tinham vencido esta batalha. Enquanto como umas gomas (que até nem gosto, mas a fome era negra), aparece o casal maravilha e lá seguimos nós novamente, agora na companhia do Alves e dum amigo.

 

Era sempre a descer. Fácil, pensam vocês. Mas longe disso. A mente dizia para continuar, mas as pernas não respondiam. Não era fome, era mesmo cansaço. O gel era alternado com o sal, e eu sentia logo a diferença. O calor teimava em não abrandar e eu tinha perdido a conta de quanta água tinha bebido. Quando faltavam cerca de 3-4k para a meta, um senhor da organização informa-nos que na serra estão mais de 40 graus e consegui negociar com ele um pouco gelo para refrescar a nossa água. Descansámos um pouco e voltámos a descer. Descidas íngremes, cheias de pó, ramos cortados no chão. Nessa altura, afasto-me novamente do casal, pois tiveram de fazer nova paragem. E eu sabia que, se parasse, ia custar muito mais.

 

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Os últimos 2 km faço-os sozinha, sem música, a ouvir os sons da serra e sempre a pensar se a Liliana estava bem e se continuava a correr. Ao chegar aos riachos para largar a serra, meti logo os pés na água. Que maravilha! Ainda tive força para sorrir para o meu telemóvel e para a máquina das fotos do Zé. Até à meta cruzei-me com alguns corredores dos 45 km (na realidade 53 km e uns trocos) a quem aplaudia e dava aquele “shot” de energia positiva. Notava-se bem que estavam exaustos e no limiar das suas forças.

 

A minha chegada à meta foi algo confusa, pois dirigi-me ao local da partida em vez do da meta. E depois, veio o alívio! Estava feita! (e a perna esquerda nunca me doeu). De medalha ao peito vou ter com os meus companheiros de aventura que estavam cansados, mas muito animados. Cerca de 10 minutos depois chega a Liliana e o Luís. E, para fechar em beleza, um abraço emocionado e sentido entre mim e ela. Aquilo é que tinha sido uma aventura.

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No que toca à organização (e esta é a minha opinião), todos foram 5 estrelas comigo: simpáticos, atentos ao meu estado, prontos a ajudar e a dar dicas úteis. Acho que ninguém estava preparado para aquele calor todo, principalmente porque não é comum naquelas bandas. A prova já por si era dura e, com este calor, acabou por se tornar um episódio do Survivor. Também quero elogiar as fantásticas medalhas e toda a estrutura do projeto que está por trás desta ideia.

 

Quanto a dicas de melhoria, acho que deviam ter em atenção à distância da prova. O meu relógio marcou 28,6 km e eu nunca me perdi. E os dos 45k fizeram 53k. Mais 1k naquelas condições deitam qualquer um abaixo e acabou por nos desorientar na localização dos abastecimentos. A meta devia voltar a ser dentro do largo como no ano passado. Logisticamente pode ser mais difícil mas, para quem corre, aquela entrada é fantástica! Os abastecimentos também podiam estar mais completos, pois só se viam mais gomas, bolo e banana.

 

Ah, fica também a dica de darem um pouco de Licor Beirão com gelo no final.

 

Boas corridas!

(leia a 1ª parte desta race report).

Review: PUMA IGNITE PWRCOOL

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Por Ana Sofia Guerra:

 

Condições de teste: corrida de 8 Km Marginal à Noite em Oeiras e pequenos treinos de teste em calçada.

 

Assim que recebi a caixa dos ténis para experimentar, comecei a pensar: “há quanto tempo é que não calço material da Puma? Já faz alguns aninhos, já”. Por isso, a curiosidade era mais que muita, até porque tenho ouvido bons comentários acerca do modelo masculino.

 

O primeiro grande teste foi na corrida Marginal à Noite e, coincidência ou não, terminei a prova em menos 4 minutos que no ano passado. Ainda corri um pouco com eles em calçada, mas ainda preciso de fazer mais uns treinos.

 

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DESIGN

 

No que toca ao design, confesso que gostei muito, pois fogem um pouco à imagem dos ténis “pesados” e cheios de cores diferentes e garridas. A cor deste modelo (perdão, cores) é patina green-silver metallic e eu adoro esta combinação! Contudo, as outras cores disponíveis para este modelo não são muito bonitas. Pelo menos este modelo que experimentei não era cor-de-rosa.

 

Em relação à construção, considero-a muito boa. Começando pela sola, esta apresenta uma linha direcional (que ajuda a manter uma passada mais natural) e uma borracha de base de carbono, que dá alguma leveza neste modelo.

 

 

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O amortecimento é diferente da maioria dos ténis que se encontram no mercado devido ao uso do PU (poliuretano) que confere uma maior resistência da estrutura dos ténis, mais conforto e, principalmente, uma retorno de energia mais eficiente para conferir maior rapidez de passada. Pessoalmente, e mesmo estando habituada a ténis mais pesados, achei o amortecimento muito bom.

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Como tem um tecido de muito fino (mas resistente) e sem costuras, não magoam os pés à frente. Este modelo denominado pwrcool apresenta uma tecnologia que auxilia na regulação da temperatura do corpo, de forma a preservar uma maior quantidade de energia. Resumindo: são muito respiráveis. Contudo, ainda não posso dizer como se comportam em dias de chuva.

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A língua do sapato também é muito fina e quase que não se nota quando os ténis estão bem apertados.

 

Outro facto importante tem a ver com os pormenores refletores que existem na zona atrás do calcanhar e nas zonas laterais, ideais para quem gosta de correr à noite.São ténis leves (258g), simples, adequados a atletas com passada neutra e que façam corridas de estrada não muito longas ou city trail.

 

CONFORTO

 

Até agora só tenho apontamentos positivos. A minha técnica de corrida não é a melhor, admito. Mas senti que os meus pés estavam confortáveis e arrisquei levá-los para uma corrida de 8 km, mesmo sem saber se iriam magoar os pés na zona plantar ou fazer bolhas.

O facto de serem muito flexíveis permitiu uma melhor adaptação ao pé para um melhor ajuste.

 

ESTABILIDADE

 

Para avaliar este ponto, preciso de os usar mais vezes. Contudo, devido à água que se encontrava no chão junto ao abastecimento na corrida da Marginal à Noite, deu para testar um pouco o seu comportamento com água na sola. Não escorregaram nem se molharam e continuei a correr como se o terreno estivesse seco.

 

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AMORTECIMENTO

 

Para além do tal PU explicado anteriormente, a entressola feita em espuma aumenta o nível de amortecimento dos ténis.Quanto à questão do drop, este modelo tem sido um pouco criticado por ter 12 mm mas, na minha opinião, não vejo isto como um ponto negativo.

 

Preço: 109,90€

 

Avaliação Final

Design e Construção: 19/20

Conforto: 18/20

Estabilidade e Aderência: 18/20

Amortecimento: 19/20

Preço: 18/20

Total: 92/100

 

Como apontamentos finais, pelo que vi e experimentei, estes ténis são mais adequados para corredores que gostem de apostar em corridas de velocidade, mas que não descuidam do conforto e bom amortecimento. Ao longo dos anos tem-se notado que a Puma tem investido em tecnologia aplicada a uma maior performance na corrida e tem apostado em melhorar o design dos modelos tanto de calçado como de vestuário. Na minha opinião acho que têm é de melhorar a escolha das cores, desde que mantenham este modelo patina green – silver metallic.

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Boas corridas!

Proteínas de origem vegetal: uma boa alternativa?

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 Por Ana Sofia Guerra

 

Hoje em dia, muitos são aqueles que por um ou mais motivos, decidiram reduzir o consumo de carne na alimentação. Outros decidiram mesmo "cortar" os alimentos de origem animal da dieta diária. É claro que, a pergunta que costumam fazer-me logo de seguida é: "mas então, como é que substituo as proteínas que estão presentes na carne?"

 

Ora então vamos conhecer um pouco melhor este macronutriente. As proteínas são moléculas formadas por cadeias de estruturas simples (aminoácidos) indispensáveis ao nosso organismo e que participam num sem número de reações metabólicas: são a estrutura principal das enzimas (por exemplo, as enzimas digestivas desdobram os alimentos nos nutrientes que os compõem); participam no transporte de nutrientes e outras substâncias através do sangue e para as células; fazem parte da nossa barreira imunitária (os anticorpos são proteínas); algumas hormonas são contituídas por proteínas, como é o caso da insulina; e são uma possível fonte de energia quando o nosso organismo necessita.

 

Mas, a grande questão com as proteínas está relacionada com o seu valor biológico. As proteínas que estão presentes na maior parte dos alimentos de origem animal são Poteínas de Alto Valor Biológico, ou seja, possuem todos os aminoácidos essenciais (aqueles que o nosso organismo não consegue produzir) em porções suficientes. As proteínas de origem vegetal já são consideradas como Proteínas de Baixo Valor Biológico, que apenas não têm um ou mais aminoácidos esenciais. Isto quer dizer que podemos fazer combinações entre alimentos vegetais de forma a conseguirmos ter proteínas de alto valor biológico. 

 

Por exemplo: o ovo é uma boa alternativa à carne, pois tem uma quantidade equilibrada de aminoácidos essenciais e o nosso corpo "aproveita-o" em cerca de 95%. Já o grão-de-bico apresenta apenas alguns aminoácidos essenciais, excepto os aminoácidos que possuem enxofre (como é o caso da metionina). Mas, se adicionarmos arroz a um prato com grão-de-bico, conseguimos obter esses aminoácidos.

 

Um adulto necessita de cerca de 0,8g de proteínas por Kg de peso corporal, ou seja, um adulto de 68Kg necessita de 54,4g de proteínas por dia. E esta quantidade pode ser obtida pela conjugação de vários alimentos, quer sejam de origem animal como vegetal.

 

De seguida, apresento uma tabela que resume a quantidade de proteínas que estão presentes em alguns alimentos de origem vegetal. 

 

Alimento Porção Calorias (Kcal)  Proteínas (g)
Lentilhas  1 Chávena 100 18
Tofu 1 Chávena 90 10
Bebida de Soja 1 Chávena 110 8
Feijão  1/2 Chávena 105 7
Sementes de Girassol 1/4 Chávena 185 6
Sementes de Cânhamo 1 Colher de Sopa 40 5
Aveia 1/2 Chávena 150 5
Cogumelos 1 Chávena 35 4,5
Quinoa 1/2 Chávena 115 4
Sementes de Chia 2 Colheres de Sopa 140 4
Brócolos 1 Chávena 20 3
Spirulina (alga) 3g 12 1,99

 

Boas corridas!

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