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Correr na Cidade

BERG Gazelle Review

 

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Possivelmente de entre todas as peças de equipamento que um corredor possa carregar na sua mochila, as calças impermeáveis são talvez as mais subvalorizadas.

 

Não precisamos de pensar em situações extremas como por exemplo, um dia de vento, chuva e frio, em que aí o risco de se entrar em hipotermia está aumentado exponencialmente (nestes cenários mesmo que nos mantenhamos em movimento, se não isolarmos o corpo não vamos conseguir reter calor), mas basta imaginar uma queda, num qualquer dia de inverno, em que simplesmente tenhamos de esperar por ajuda ou ainda num cenário no qual prestemos auxilio a terceiros.

 

Apesar de em grandes provas internacionais como o UTMB ou a Ultra Pirineu, ser banal constarem da lista de equipamento, em Portugal (e mesmo com locais e condições atmosféricas cujo o seu uso seria extremamente recomendado) raramente são exigidas (honra seja ao Estrela Grande Trail que pauta pela diferença).

 

Neste sentido, tive a oportunidade de testar as BERG Gazelle. Estas calças concebidas para suportar condições atmosféricas adversas, são descritas pela marca como leves e flexíveis, com a capacidade de manter o corpo seco e preparadas para um excelente desempenho mesmo sob chuva extrema.

 

As condições de teste não foram as mais hardcore, mas ainda assim, com a serra da Lousã a pregar umas partidas, tive a oportunidade de as por à prova sobre vento, chuva intensa e frio moderado (5º e 10º).

 

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Analisado este equipamento em detalhe a primeira impressão que fica é a leveza (225 gramas no tamanho L) e maleabilidade do tecido, que nos permite dobra-las até caberem na palma de uma mão, o que é enorme vantagem no transporte.

 

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Apesar de nada obstar que sejam usadas “sozinhas” estão fundamentalmente concebidas para serem usadas como sobrecalças ou seja para serem vestidas por cima do nosso equipamento, sem descalçar as sapatilhas. Para isso contribui os enormes fechos laterais, que ainda assim me causaram alguma atrapalhação na tentativa de as vestir sem me descalçar. No entanto, e para ser justo, associo mais este problema aos meus pés gigantes, do propriamente à construção das calças. Estou certo que pessoas “normais” conseguirão vestir e despir as calças sem dificuldade de monta.

 

 

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Depois de vestidas têm uma sensação muito similar ao famoso impermeável Lynce, ou seja muito suaves por dentro e uma sensação imediata do bloqueio do vento.

 

Quanto à transpirabilidade, e apesar da marca afirmar que são feitas para nos manter secos, o suor não se evapora totalmente, deixando sempre muita humidade no interior o que, não causando desconforto, faz com que o tecido se “cole” às pernas.

 

Em relação à impermeabilidade cumpre o esperado para um tecido com estas características (coluna d’água de 10,000mm), ou seja tem um bom bloqueio da chuva, diria mesmo muito bom, mas não podemos esperar que se comporte como um Goretex.

 

Em corrida são bastante confortáveis, no entanto foi aqui que detetei, o que é para mim principal defeito… faltam-lhes um cordão que permita um ajuste correto à cintura. O elástico é razoável, no entanto demasiado largo para mim, o que fez com que de vez em quando fosse obrigado de puxar as calças para cima.

 

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Por fim, de referir que estas calças apresentam 3 bolsos traseiros: dois de elásticos que nos permitem por uns géis ou algum lixo, e um situado ao meio, com fecho, onde cabe uma chave e pouco mais.

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Em suma, um peso de 225 gramas (tamanho L), uma maleabilidade brutal, membrana impermeável razoável (mas que cumpre os mínimos) e um preço muito competitivo, fazem destas BERG Gazelle um produto muito, mas mesmo muito interessante.

Ah! quase me esquecia dizer... Senhores da BERG outras cores davam imenso jeito!

Conselhos para correr numa nova cidade

Por Ana Sofia Guerra:

 

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 (mapa da cidade de Almería - Espanha)

 

Por vezes, ao planearmos umas férias, vamos ter a uma cidade nova ou a qual mal conhecemos. E perguntamos: e agora? Vou correr para onde? Já aqui no blog sugerimos que a melhor forma de conhecer uma nova cidade é usando a corrida. Ok, vamos então pegar nas nossas sapatilhas e pôr os pés no caminho. Para identificar potenciais locais onde possa ser bom para correr nada melhor que dar uma volta pela cidade a pé. Uma boa ideia é procurar uma mapa básico da cidade, por vezes localizado junto dos postos de turismo ou nas paragens de transportes públicos. Aí podem encontrar facilmente avenidas longas, parques da cidade e zonas verdes. Para além disso podem ficar já com uma ideia dos pontos de interesse da cidade.

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Avenidas

Em geral, nestas áreas costumam existir passeios largos e, quem sabe, ciclovias. O mais provável é encontrarem nestas zonas outras pessoas a fazerem corrida, caminhar ou andar de bicicleta. E seguindo esta deixa, estejam atentos a outras pessoas a correr, ou sejam bravos e procurem grupos de corrida tal como o nosso. Para além da companhia, nada melhor que ter alguém "da casa" a mostrar os recantos da cidade e assim ainda têm uma visita guiada.

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Parques e Jardins

É rara a cidade que não tem parques ou jardins para proporcionar o bem-estar dos seus habitantes. Aqui pode aproveitar os caminhos para fazer um circuito (já existem muitos parques com percursos já delineados). Procure sempre um parque com boa visibilidade e, de preferência, evite-os durante a noite.

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Nos parques e nos jardins é comum encontrar bebedouros (nunca esquecer de manter uma boa hidratação). Para além disso, alguns parques possuem aparelhos de fitness exterior ou circuitos de manutenção e, assim, podem aproveitar para exercitar os vossos músculos e fazerem o "pimp your muscles".

 

 

Marginal junto à praia 

Se forem para um destino de praia na cidade, de certo que haverá um passeio marítimo, ciclovias ou pequenas estradas onde facilmente encontramos outras pessoas a praticar o seu jogging. No caso de ser praia, podem sempre usá-la como o vosso local de corrida, mas com atenção redobrada: por vezes a areia pode esconder pequenos vidros ou outros materiais que podem magoar os pés. 

No meu caso, aproveitei para correr junto ao mar mediterrâneo e aproveitar a manhã da melhor maneira.

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Também é possivel que encontrem chuveiros e lava-pés e aproveitem-nos para se refrescarem. Lembrem-se: protejam-se do calor mantendo-se hidratados e não se esqueçam de proteger também a vossa pele da radiação (usem protector solar). Se possível evitem as horas de maior calor e procurem correr pela manhã ou no final do dia.

 

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 Mas, o mais importante de tudo é que se divirtam e descubram a cidade seja a correr seja a andar.

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Boas corridas!

5 estratégias para treinar nas férias, para quem tem um recém nascido (lindo) em casa

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Por Rui Pinto

 

Estou de férias no Algarve e, para além do resto, tenho um recém nascido em casa. O Vicente fez agora três meses e, embora seja a coisa mais fofa do mundo, requer algumas alterações à rotina anteriormente estabelecida, no que ao treino regular diz respeito. Assim, e na tentativa de ser criativo, deixo-vos algumas estratégias que tenho utilizado nestas férias, para conseguir manter-me minimamente activo:

 

  1. Ir ao pão à mercearia mais longe de casa

A rotina de ir buscar pão fresco, todas as manhãs, é um clássico das minhas férias de Verão, no Algarve. Normalmente, antes de mais alguém acordar, meto-me a caminho. Este ano, com uma alteração: escolho a mercearia ou minimercado mais distante de casa, calço as sapatilhas de corrida e aí vou eu. Parecendo que não, ao fim de duas semanas, estes ‘poucos’ quilómetros diários tornam-se num total minimamente respeitável, no final das férias. Grão a grão, enche a galinha o papo!

 

  1. Ir de bicicleta para a praia

Como há males que vêm por bem, e aproveitando uma avaria no meu carro, tornei as minhas idas e voltas à praia em mais uma forma de fazer alguma actividade física, nestas férias. Assim, todos os dias, religiosamente, vou de bicicleta para a praia. A bicicleta de estrada querida do avô da minha mulher tornou-se na minha hippie cool vintage companheira de alguns – valentes – quilómetros de estradas algarvias. (Não se preocupem, o resto da família não alterou a sua rotina e continua a ir, comodamente, de carro, para a nossa praia de eleição!)

 

  1. Correr a horas estapafúrdias

No caso de querer fazer um treino mais formal de corrida, aí então é que a coisa se torna um pouco mais complicada. Não sendo eu adepto de correr debaixo de um calor intenso, e estando os finais do dia reservados para rotinas familiares imprescindíveis nas férias de verão, opto por correr a horas consideradas menos próprias, para a maioria das pessoas – não corredores, claro está! A madrugada/início da manhã, cedinho ou o final de noite, já bem depois da hora de jantar, passam a ser os horários preferidos para esta tarefa. Muitas vezes, quer seja devido à satisfação por, finalmente, poder arejar a cabeça, ou a quietude do tempo em que quase ouvimos os nossos próprios pensamentos em voz alta, nem noto a falta de pessoas na rua ou a iluminação artificial dos candeeiros de rua, a altas horas da noite.

 

  1. Aproveitar os banhos de mar para nadar

Adoro banhos de mar e essa é uma das coisas que mais saudades tenho, durante o inverno. Tenho a sorte de ter uma praia maravilhosa em que, na maioria dos dias, poder-se-ia estar dentro de água, durante uma hora, sem grandes sacrifícios. Assim, aproveitando esta dádiva da Mãe Natureza, agarro nos óculos de natação e saio para umas braçadas, qual Phelps dominando o oceano Atlântico. (Ou quase, vá…). A verdade é que sempre dá para aperfeiçoar a técnica e abrir a caixa…

 

  1. Rentabilizar as sestas do Vicente e reforçar o Core

Todos sabemos as rotinas limitadas de um recém nascido: passa algum tempo acordado durante o dia – e durante a noite também, infelizmente! –, alimenta-se, faz as suas necessidades (profusamente!) e dorme. Não podendo ir para a praia, tento aproveitar as suas sestas da tarde, para fazer algum trabalho de força específico. E como o trabalho de Core é tantas vezes negligenciado pelos corredores – eu incluído! – tento policiar-me para que este não seja o caso. Portanto, lá trouxe eu o meu colchão e o meu papelinho contendo as rotinas de trabalho específico, com o meu quinhão de pranchas, flexões de braços e crunches. Naturalmente que não trabalho a parede abdominal todos os dias – e nota-se! – pelo que alterno o trabalho abdominal e lombar com os tão necessários alongamentos.

 

Para o ano, acrescentarei uma outra estratégia a este rol: vou chatear tanto, mas tanto, o senhor do aluguer dos padle surfs lá da praia, que ele há-de fazer-me um ‘granda’ preço para alugar uma prancha de padle, durante toda a temporada de veraneio. (Isto se, entretanto, não convencer a Patroa a deixar-me comprar a minha própria, claro está… Já esteve mais longe!

 

E pronto, estas são as minhas estratégias. Quais são as vossas? Partilhem connosco, queremos saber. O importante é que não deixem o vosso contexto familiar mais ou menos atarefado atrapalhar a prática regular de actividade física. Sejam criativos e treinem. (Assim não ficam tão culpados por beberem aquelas deliciosas caipirinhas no bar de praia lá da zona!).

Benefícios dos Sumos e Smoothies de Vegetais

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Os sumos e smothies de vegetais estão na moda e vieram para ficar. E ainda bem! Versáteis pela possibilidade de inúmeras combinações de ingredientes, são uma excelente solução para quem tem falta de tempo e quer manter-se saudável. Com efeito, para além de constituírem uma forma mais rápida e fácil de comer vegetais na rotina louca do dia-a-dia, trazem inúmeros e indiscutíveis benefícios para a saúde. Aqui ficam alguns.

  

  1. São verdadeiros cocktails de vitaminas: os sumos e smoothies de vegetais são verdadeiros cocktails de vitaminas, minerais, antioxidantes, enzimas e fibras. Se quiser aumentar o seu valor nutricional ainda pode acrescentar umas sementes (por exemplo, sementes de chia).

 

  1. São a melhor forma de consumir vegetais frescos diariamente para uma alimentação saudável, pois aproveitam as vitaminas e minerais que neles existem que se perdem durante a cozedura.

 

  1. Possuem uma grande capacidade nutricional, para além de que os alimentos “desfeitos” são fáceis de digerir e mais facilmente absorvidos pelo organismo, sendo uma excelente alternativa para facilitar o consumo ótimo dos nutrientes de forma eficiente. Para além disso, ajudam também melhorar o processo de assimilação pelo organismo de outras substâncias, incluindo proteínas e gorduras.

 

  1. São uma excelente opção para variar vegetais. Por vezes estamos limitados ao consumo dos mesmos vegetais e quanto mais variada for a dieta melhor, pois obtemos variados nutrientes de diferentes alimentos.

 

  1. Podem ser consumidos por qualquer pessoa, em qualquer fase da vida, incluindo crianças e bebés a partir dos seis meses (tendo atenção à quantidade de vegetais que se utilizam).

 

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  1. Ajudam a equilibrar o organismo, purificando-o. A ingestão de vegetais ajuda a melhorar o apetite, estimula a função das glândulas salivares, estômago e pâncreas, favorecendo a produção de bílis e melhorando os processos de excreção biliar. Por isso, ajuda a normalizar a microflora intestinal, evitando as substâncias tóxicas do próprio organismo que vêm do intestino, contribuindo para a manutenção e preservação do equilíbrio bioquímico do corpo. Além disso, os sumos de vegetais são um excelente meio de limpeza do corpo de toxinas acumuladas.

 

  1. Não contêm frutose, ou muito pouca, o que acontece nos sumos de fruta. A frutose é metabolizada de forma rápida pelo organismo, libertando glicose rapidamente na corrente sanguínea, além de muitas vezes contribuir para o armazenamento de gordura, sobretudo na região abdominal.

 

  1. São fáceis de preparar, bastam apenas 5 minutos para se fazerem 2 copos de batidos verdes.

 

  1. São ótimos para uma pele saudável e pura, já que ajudam o organismo a eliminar as impurezas ao mesmo tempo que o enriquecem com substâncias úteis, oligoelementos essenciais, minerais e vitaminas, fornecendo energia e melhorando a aparência.

 

  1. Ajudam no processo de emagrecimento, devido às suas propriedades antioxidantes, que ajudam a eliminar os radicais livres do organismo, bem como ao seu efeito depurativo e diurético.

 

Tenham atenção que os sumos e os smoothies não devem ser substitutos das refeições principais (pelo menos durante um período prolongado no tempo), pois não possuem quase nenhumas proteínas e gorduras essenciais, devendo ser ingeridos nos intervalos ou como acompanhamento. Podem, eventualmente, fazer uma dieta detox durante uns dias à base dos mesmos caso tenham algum acontecimento importante a aproximar-se e quiserem estar fabulosos, ao ponto de serem perseguidos como se fossem importantes celebridades pelos fotógrafos de eventos no Porto, em Lisboa ou onde quer que o evento decorra!

O meu post não é propriamente sobre corrida, mas sobre algo que me afectou pessoalmente e que em conversa com outros atletas percebi que é mais comum do que imaginava...

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Reparei no final de Maio, quando efectuei uma transição profissional relevante e fiz a minha primeira ultra maratona, depois de um treino de trilhos em Monsanto, que estava a desenvolver uma erupção cutânea em forma de pequenas bolhas de água no peito do pé esquerdo. A coisa não passava de uma manchinha avermelhada com pouco mais de 1 cm de diâmetro e convenci-me que tinha sido alguma coisa que tinha entrado para dentro da sapatilha e picado. Não lhe prestei muita atenção mas era persistente a sensação de comichão. Quando me consciencializei que já tinha passado demasiado tempo para que tivesse sido apenas uma situação isolada reparei que a pequena mancha rugosa e avermelhada já tinha aumentado significativamente e sempre que coçava o pé as bolhas facilmente rebentavam e o eczema tornava-se cada vez mais forte. Era constante a sensação de comichão tanto com os sapatos do trabalho como com as sapatilhas de trail, sendo por isso bastante desconfortável.

 

O caso tornou-se mais alarmante quando me apercebo de novas formações cutâneas junto aos dedos dos pés. Seria algum fungo que tivesse apanhado na natação? Seria contagioso? Que cuidados deveria de ter? Naquele momento apenas aplicava localmente Halibut para ajudar a secar as pequenas bolhas e mantinha uma toalha turca que usava especificamente para secar os pés depois do banho.

 

Falando com outras pessoas que tanto correm regularmente como praticam natação apercebi-me que haviam mais relatos dos mesmos sintomas, não sendo por isso um caso isolado! Pelo que identifiquei na sua maioria tratavam estes sintomas como se fosse uma micose (infecção causada por fungos) com a aplicação de cremes específicos para esse cenário. Nuns casos houveram melhorias, noutros nem por isso. A verdade é que pelos meus sintomas não encontrava grande semelhança ao vulgarmente conhecido “pé de atleta” e então resolvi investigar um pouco mais antes de marcar uma consulta no dermatologista.

 

Obviamente que qualquer pesquisa ao Dr. Google sobre temas de saúde tem de ser feita com algum distanciamento emocional porque encontra-se de tudo, e um diagnostico de um especialista dermatológico é importante e insubstituível. Mas com alguma pesquisa julgo ter encontrado a minha resposta: Disidrose.

 

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O que é?

A disidrose, também conhecida como eczema (dermatite), é uma doença ainda desconhecida que se caracteriza por erupções de bolhas (vesículas) nas mãos e pés, resultantes, provavelmente, da retenção de suor entre as células da epiderme.

A palavra disidrose (dis=defeito e hidrose=produção de água ou suor) foi usada pela primeira vez em 1873, porque na época acreditava-se que a doença era causada por distúrbios sudoríparos. Actualmente a disidrose é considerada uma reacção eczematizada e inicia-se com prurido (comichão) e assume características peculiares por atingir mãos e pés, onde a pele tem características especiais, sendo mais espessa. O prurido pode ser tão intenso, que o acto de coçar rompe as bolhas que eliminam um fluído transparente. O líquido presente nas lesões resulta de um processo inflamatório.

 

Causas

Não se sabe exactamente o factor que leva ao desenvolvimento da disidrose, entanto, acredita-se que esteja correlacionado com o stress, suor excessivo, contato constante com ambientes húmidos e, em alguns casos, gravidez devido às alterações hormonais que afetam a pele . Utilizar meias e sapatos apertados no verão, por exemplo, pode ser uma das causas de disidrose nos pés. Já nas mãos pode ser algo decorrente do contato com substâncias químicas, como detergente, sabão ou luvas de borracha.

A causa especifica é desconhecida, sendo em alguns casos sazonal (apenas em algumas épocas do ano). A disidrose não é contagiosa.

 

Sintomas

As manifestações clínicas ocorrem em surtos que se repetem e duram de uma a duas semanas. O sintoma mais comum associado à disidrose é o prurido (comichão) em que o coçar faz rebentar as bolhinhas e podem surgir crostas.

As vesículas causadas pela disidrose são bolhas muito pequenas e surgem mais frequentemente nos lados dos dedos e palmas das mãos, as solas dos pés também podem ser afectadas, do calcanhar para o dedo do pé.

Geralmente, as bolhas são pequenas e ocorrem em grupos, mas em casos graves as pequenas bolhas podem se juntar para formar bolhas maiores.

Após cerca de três semanas, quando as bolhas secam a pele subjacente pode ser vermelha e estar dorida.

Esta reacção da pele também pode afectar a matriz das unhas que torna-se disforme. A deformação da unha passa quando a disidrose cura.

A disidrose tende a repetir-se com bastante regularidade durante alguns meses ou anos. É importante que seja consultado um médico especialista para confirmar que as vesículas não possuem origem fúngica.

 

Tratamento

Na maioria das vezes a disidrose tem resolução espontânea e não requer qualquer tratamento. No entanto como medida generalizada, dependendo da gravidade dos sinais e sintomas, as opções de tratamento incluem:

 

  • Cortisona. Os medicamentos sob a forma de creme e pomada de cortisona podem tornar mais rápido o processo de cicatrização das bolhas. Mas atenção os efeitos colaterais da cortisona podem ser graves quando usados por um longo período de tempo;
  • Uréia. Na farmácia você pode comprar cremes à base de uréia que tem um efeito esfoliante e hidratante na pele;
  • Vitaminas. As vitamina A e E podem promover a saúde da pele, particularmente em casos de desnutrição;
  • Óleo de coco extra virgem.  Extraído  o interior de um coco maduro o óleo de coco tem múltiplas aplicações. Desde a nível culinário como substituto benéfico dos óleos alimentares, sobretudo do azeite que perde as suas propriedades benéficas quando exposto a altas temperaturas,  até ao nível da estética, como o cuidado da pele e cabelo. Nos sintomas de disidrose é necessário aplicar uma pequena quantidade de óleo de coco sobre as palmas das mãos, esfregar sobre as áreas afectadas e cobrir com luvas ou meias de algodão para potenciar os efeitos de hidratação nas zonas afectadas;
  • Sal de Epsom. O sal de Epsom é um mineral natural que ajuda na remoção de ácidos indesejáveis da pele, sendo por isso amplamente utilizado por atletas em fases de recuperação. Para ajudar no eczema disidrótico pode-se colocar algumas colheres deste sal em uma bacia de água morna até que se dissolva completamente e colocar as mãos ou pés na água por 10-15 minutos. Também pode ser aplicado num banho de imersão através da adição de cerca de 450 gramas em uma banheira de água morna.Isto ajuda a reduzir o inchaço e vermelhidão causada por lesões cutâneas e amacia as borbulhas permitindo a sua drenagem.

 

 

Cuidados que evitam a disidrose:

  • Evitar humidade e calor nas áreas afectadas
  • Usar meias de algodão e sapatos com sola de couro;
  • Não usar sapatilhas ou outro calçado feito de materiais sintéticos;
  • Retirar os sapatos e as meias frequentemente de modo a que o suor evapore;
  • Usar luvas de vinil forrado com algodão para evitar o contacto com substâncias que possam irritar as áreas como a água, sabão, detergente;
  • Lavar o interior das luvas após o uso;
  • Substituir frequentemente as luvas;
  • Remover anéis antes de fazer o trabalho doméstico ou de lavar as mãos;
  • Usar sabão neutro;

 

Encontro neste resumo daquilo que pesquisei não só todos os sintomas como muitos pontos comuns que potenciam este cenário, tal como o stress ou o tipo de calçado a que fui exposta relativamente ao novo projecto profissional.

 

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Neste momento já não tenho quaisquer sintomas de disidrose. Como?

Com umas boas férias de havaianas nos pés e uns bons banhos de água de mar! :)

 

 

Cuidem-se e em caso de sintomas persistentes consultem o vosso médico!

Strong Runners are... Sexy Runners

É comum os atletas amadores como nós se preocuparem apenas com quantos quilómetros fazem por treino, ou por semana, ou mês, como se isso fosse a coisa mais importante de um corredor, fazer mais e mais quilómetros, quando o importante é fazer quilómetros mas bem feitos.

 

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Mas quase todos nos esquecermos que quando corremos o nosso corpo absorve em média o dobro do seu peso a cada passada e isso faz com que as nossas articulações sejam massacradas muito, para não falar que do lastro que alguns de nós levamos a mais... Pois nem todos temos aquele corpinho seco e definido, transportamos connosco uns quilos a mais que ajudam a aumentar a dose.

 

Há muito que caiu por terra que os atletas corredores não deviam fazer treino de força ou trabalho complementar de ginásio ou treino funcional com o peso do corpo. Para levarmos o nosso corpo para a frente e para cima a cada ciclo de passada durante vários quilómetros precisamos de duas coisas, força e resistência e isso consegue-se mais facilmente incluindo treino de fortalecimento muscular na rotina semanal de treino. Há muito que ir para o ginásio é apenas para quem quer ficar "grande", ir para o ginásio é para quem ficar forte seja para que modalidade for. Hoje é dia muito popular a prática de Crossfit para fortalecimento muscular ou bodyweight training apenas recorrendo ao peso do corpo e movimentos funcionais.

 

O importante é ter em mente que o fortalecimento muscular contribui para a melhor performance na corrida, como eleva o potencial de perda de massa gorda e ganho de massa magra, levando a uma maior definição corporal e acima de tudo previne e muito o aparecimento de lesões.

Training Mask - Verdade ou Mito?

Para escrever sobre a Training Mask, nada melhor do responder às questões que foram sido feitas ao longo deste tempo de utilização

 

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O que é a Training Mask?

 

Segundo a marca é uma mascara que simula o treino em altitude... Pois mais ou menos, sim a Training Mask é um produto que simula o treino em altitude, mas apenas na vertente de redução do débito de oxigénio que os nossos pulmões recebem a cada inalação, outros factores como pressão atmosférica, etc, não são metidos na equação.

 

Mas reduz o oxigénio como?

 

Quanto mais em elevados estamos face ao nível do mar, mais difícil de torna respirar pois a quantidade de oxigénio é menor a cada inalação e a máscara simula, exatamente isto, através de um sistema de válvula reguláveis é possível simular a redução de oxigénio indo dos 3.000ft cerca de 900m ate altitude até aos 18.000ft, cerca de 5.500m de altitude, ou seja quanto mais forte mais difícil de torna respirar.

 

A Training Mask é confortável?

 

Sim os materiais, utilizados são de grande qualidade, quando colocada adapta-se facilmente ao rosto sem desconforto algum.

 

 

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 Mas é seguro?

 

Sendo este um produto diferente se pesquisarem pela internet vão encontrar dezenas de estudos que demonstram que o produto, não funciona e pode efectivamente trazer efeitos adversos e também vão encontrar outros tantos a dizer exatamente o contrário, eu acho que para esta questão a resposta está no meio.

Imaginem que não tem qualquer experiência com treino em altitude e vos colocam no topo do Evereste e fazem 100 Burpees, possivelmente a coisa não vai correr bem, aqui passa-se o mesmo e a solução é adaptação e moderação. A mascar inclusivé tem um video criado para as primeiras experiencias com a Training Mask.

Adaptação para começar devagar e à medida que se vão sentindo melhor vão aumentando de nível e moderação, para saber quando parar ou abrandar. Também não devem descorar a limpeza das válvulas para evitar a acumulação de bactérias.

 

Porque é que nunca vi ninguém a treinar com a Training Mask?

 

Em Portugal ainda não muito comum ver atletas a treinar com uma máscara de treino, mais genericamente por cá, apenas atletas ligados ao crossfit e ao MMA, estão mais habituados a usa-las.

 

Que cuidados devo ter com a Trainning Mask?

 

Os cuidados são os básicos, a máscara é composta por uma malha que se assemelha a um neopreno e um conjunto de válvulas que são totalmente removidas desta sua parte central, então os principais cuidados é mesmo a limpeza, pois vamos transpirar muito com ela, assim basta lavar a malha na maquina num programa próprio e proceder à higienização das válvulas, para limpar qualquer tipo bactéria.

 

Quais os benefícios?

 

Segundo a marca os principais benefícios são os seguintes: reforço do sistema pulmonar, redução do tempo de treino, maior concentração no exercício.

Quanto à primeira, não sei dizer dar com certeza, acho que precisava de um profissional médico e exames para ter uma opinião mais formada e aliado ao facto de ter deixado de fumar entretanto sinto uma maior resistência e força pulmonar muito devido só a este facto, o que posso dizer é que trabalha o sistema pulmonar de uma maneira intensa.

Quanto à redução do tempo de treino, a marca anuncia uma redução de 60 para 20 minutos... Uii!!! Tem razão, se o objectivo do treino é levares com a mareta em cima, a training mask leva-te lá rapidamente. Só tenho uma palavra impressionante.

E isto leva-me à ultima que no meu ver é aquela que mais de convenceu e na qual notei maior ganho, como o acto de respirar se torna mais difícil com a mascara, obrigatoriamente vai elevar os teus padrões de concentração e isso leva a um foco enorme no exercício.

 

Onde posso encontrar à venda a Training Mask?

 

Podem encontrar a produto seguindo esta ligação. A Training Mask é vendida em Portugal pela Roninwear uma loja especializada em produtos de desportos de combate, caso prentendam de uma informação mais especializada podem contactar-los directamente ou através da sua página de facebook, que a equipa da Roninwear terá todo o prazer em responder. Para lojas a Roninwear tem disponiveis preços de revenda para lojas no sistema Wholesale.

 

Bons treinos

 

 

Nos últimos tempos, parece que isto de ter um Coach na corrida virou moda, assim como algum tempo a trás treinar com um personal trainer era quase indispensável.

 

Como todos sabem, fazer desporto tornou-se num hábito comum a muitos de nós, sendo isto uma excelente evolução contra o sedentarismo, acho que é um sinal de evolução. Contudo passar de sedentário a praticante de desporto assíduo nem sempre é feito da melhor forma, originando mais cedo ou mais tarde lesões diversificadas.

 

Desde criança que pratiquei diversos desportos, a corrida aconteceu perto dos trinta anos, inicialmente sem muita paciência para tal, mas correr começou a ser um escape ao stress do dia-a-dia, grande parte dos meus paciente correm e sem saberem motivaram-me a ter objetivos na corrida.

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Ora isto seria tudo muito bonito e corria bem, se eu fosse uma pessoa focada nos treinos, mas… não era, aliás se querem arranjar desculpas para não irem treinar falem comigo.

A minha profissão foi sempre o principal entrave, trabalho muitas horas seguidas e é um trabalho exigente a vários níveis, maior parte das vezes que termino o meu dia de trabalho só me apetece deitar. Chegava ao final da semana, muitas das vezes sem correr 10km e ao fim de semana lá vinham os longos na serra. Resumindo se a semana era cansativa o fim de semana não ficava atrás.

 

Decidi procurar alguém que me orientasse treinos mediante os meus objetivos, alguém que não tivesse confiança para que isso não levasse ao desleixo, alguém que tivesse experiência na área e de preferência que ainda corresse trilhos. Encontrei o Coach João Mota responsável pelo projecto Trail Running & Endurance - Coaching, que se prontificou a ajudar-me a evoluir nesta modalidade.

Para isso para além de correr em estrada e trilho, teria de fazer reforço muscular diversas vezes por semana, exercícios de séries, rampas e algumas atividades de recuperação ativa como bicicleta. E claro os dias de descanso, esses continuam a ser os meus preferidos.

 

Pareceu-me importante trazer a opinião do Coach João a três questões que me parecem pertinentes:

 

1) João, a teu ver quais são as vantagens de seguir um treino personalizado?
O treino personalizado permite a sistematização de processos sendo dessa forma muito orientado para o desenvolvimento técnico e físico do individuo, é também promotor de saúde; respeitar os períodos de descanso, efetuar uma correta gestão nutricional em prova e nos treinos, são alguns dos aspetos fundamentais para a evolução do atleta.

A experiência e o conhecimento de quem orienta o planeamento é um aspeto decisivo.
Hoje em dia, a dica já não funciona, há a vários anos investigação nos Estados Unidos sobre a modalidade e ter acesso a esse conhecimento permite adquirir as competências necessárias para poder evoluir mais rápido e em segurança.

 

2) Mediante a tua experiência o que leva um atleta amador não seguir um plano e optar pelo treino sem regra?
O atleta por regra geral o que quer fazer são provas.
Começam com uma distância mais modesta e se atingem o objetivo de terminar, querem fazer mais quilómetros ou seja uma prova com maior distância.
Não procuram consolidar nem desenvolver recursos. Este cenário acaba sempre da mesma forma; lesão, estagnação na evolução como atletas ou doença impeditiva de continuarem na prática da modalidade.
O apelo para a participação nas provas e o excesso de eventos também promove este comportamento.
O atleta procura pelo orientador quando deixa de evoluir, ou quando sabe que o colega de treino segue esse caminho, ou então quando não consegue atingir o objetivo a que se propôs.
Curiosamente começam a aparecer pessoas mais informadas que procuram em primeiro lugar um Coach e dessa forma começam a construir os alicerces para poderem evoluir de uma forma sistematizada.

 

3) Quais as recomendações que deixas enquanto coach, para aqueles que querem levar o Running e o Trail Running mais à séria?
Há um aspeto fundamental para quem procura novos desafios na modalidade, é o conhecimento dos limites e a promoção da sua própria segurança.
É deveras importante que um atleta consiga fazer uma utilização avançada do seu equipamento GPS, que tenha formação de sobrevivência em montanha e que consiga saber orientar-se por cartografia.
É também importante que procurem um orientador em quem confiem e que possa acrescentar valor.


Neste momento encontro-me a cumprir a oitava semana de treinos sobre as “ordens” do João, posso dizer que neste tempo falho muito poucas vezes o discipulado por ele (fui obrigada a reorganizar agenda e finais de dia), a parte cardíaca melhorou substancialmente, sinto um aumento brutal de resistência física, a balança de bio impedância acusa a conversão de cerca de 3% de massa gorda em músculo, gordura visceral também diminuiu de 4 para 3 (escala de 1-10).

Para terem ideia da distância percorrida e desnível positivo, nas primeiras quatro semanas de treino corri cerca de 190km estrada/trilhos com um total desnível positivo de 2660m

 

Respondendo à pergunta do título deste post, sinceramente acho que é mais uma necessidade, os resultados não deixam margens para dúvidas, sem a planificação do Coach João de certeza que não teria evoluido desta forma.


Bons treinos.

Race report : Oh Meu Deus - E tudo a Montanha levou ( 2ª parte )

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 ( link primeira parte )

 

Hardcore trail
No km seguinte ao 1º abastecimento entramos numa secção de curvas e sobe e desce no meio de pedras e árvores e atravessamos riachos baixos, apesar de ser uma secção muito bonita, muito penosa nas pernas. Por esta altura seguia com o jovem que passei no abastecimento e ainda fizemos uns km's juntos. De seguida entramos num estradão junto ao rio Alva e durante um bom tempo colocamos ritmo elevado, uma parte perto dos 4:00/km e mais à frente uma subida forte e comprida. Paisagem fantástica e temperatura ideal. Por esta altura todos os problema tinham ficado para trás e já seguia com o corpo e cabeça perfeitamente alinhados na prova.
2km seguintes com ligeira descida e a fazermos médias de 4:45/km num estradão dificil de controlar pés e verticalidade do corpo, mas era altura de fazer pressão e tentar apanhar o 1º e 2º que não iam longe. Atravessamos por umas centenas de metros um pseudo estradão/trilhos fechados, como se fizesse alguns anos que ninguém passasse ali e com vegetacao mais alta do que nós em alguns sitios, em outros voavamos por cima das mais baixas, mas sempre a carregar no ritmo. Por esta altura o parceira de ritmo tinha ficado ligeiramente para trás e vinha acompanhado do 5º classificado. Tanto se rolava a perto de 4/km como iamos a passo quase a abrir caminho com uma catana. Gosto desta diversidade numa prova, apesar de não fazer bem ás pernas e ao fluxo sanguineo, mas permite algum descanso ao coração.



A Besta
Perto do km20 começamos a entrar no acesso para a garganta que iriamos encontrar mais à frente, a subida que metia medo a toda a gente e obrigava a muito respeito. Qualquer erro aqui de excesso de esforço ou de quedas seria muito complicado para o resto da prova ou provocar mesmo a saida da mesma. Começa devagarinho e vai aumentando de intensidade, até culminar num pequeno planalto uns metros antes da barragem Marques da Silva ( Lagoa Comprida ).
Mal entramos no estradão comentámos um para o outro que os dois da frente iam com um ritmo diabolico, fazia já alguns km's que não os viamos e ao ritmo que iamos, ui, ui...
Quase 1km depois aparece-nos por detrás o que pensavamos que ia em primeiro. "então ? onde andaste ?"... "perdemo-nos ali numa curva e atrasamos uns minutos". Afinal tinha andado alguns km's ali em primeiro e a pensar que ia em terceiro a puxar para apanhar os dois primeiros... cenas de provas :)
Aqui juntou-se um grupo de cerca de 4 corredores e seguimos juntos por quase 2 km. ainda deu para um km a 5:50/km (com um RAI de 4:22 devido à inclinação forte) e o seguinte já a entrar na garganta e na confusão do trilho, desceu para 10:00/km. E aqui começa o calvário. Os outros 3 seguiram e eu fiquei para trás. Não me estava a sentir completamente bem. Sentia os pulmões com dificuldade em funcionar e o corpo muito cansado, mas as pernas e o coração estavam perfeitamente calmos, sem dores.
A tentar perceber o que se passava com o corpo abrandei, e meti a versão powerwalking e lá fui gerindo o esforço. No km seguinte subimos 205D+ e fiz média de 18:40/m ( RAI 8:13 ). Passaram por mim 2 atletas e lá segui calmamente. Via lá em cima uns bons 300 ou 400m à frente os 3 "miudos" que me tinham feito companhia a serpentear no trilho.
Muita àgua bebi. Ingeri Gel e magnésio. Mas o corpo a cada passo que dava sentia-se mais fraco.
Km seguinte foi feito a 19:19/km ( RAI 7:42 ) e parecia que me tinha caido um camião em cima.
Em algumas partes tivemos que meter as mãos no chão e puxar pelo corpo tal a inclinação que existia na sobreposição de algumas rochas. Deu no meu GPS 237D+ neste km.

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( uma perspectiva da subida vista pelo google earth )


Último km antes do abastecimento de liquidos que estava na entrada da barragem, era uma parte em subida e o resto num pequeno planalto, de onde dava para ver lá o fundo a estrada, a casa do abastecimento e a imponente barragem. Ouvi várias pessoas a gritar nomes e a incentivar a correr, uma delas era a Liliana a chamar por mim. Quase não ouvia tal o estado de cansaço que ia. Pernas ok e coração ok. Cabeça e pulmões não estavam ali. Também estava a pagar um bocado os tais treinos que me fizeram falta como referi no inicio do texto, os treinos longos. Só tinha feito 2 treinos de 20 e poucos km's em 2 meses e isso é muito pouco para preparar o corpo para uma prova de 70km com esta altimetria. Estava a falhar o treino. O treino rapido estava lá, mas faltava o de resistencia. O de resistencia fisica e psicologica. O treino que no ano passado tinha para dar e vender e este ano simplesmente não existia.

Cheguei ao abastecimento dos liquidos aos 25,5km com cerca de 3:10h de prova. Apesar de ter andado nos ultimos 3km's e começar a doer um pouco os gemeos do esforço, ainda estava com uma boa média.
Confesso que por dentro estava muito mal tratado mas com a Liliana à minha espera não podia mostrar que não me sentia bem senão ela ficava mais preocupada do que eu. Comi laranjas e banana, enchi de água e segui para o troço seguinte, quase 10km a percorrer o sopé da montanha até à torre.
Aqui já seguia com 1850D+ em 25km.

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( as vistas lá em cima são sempre do outro mundo )




Lá para cima
O abastecimento estava a cerca de 1570m de altura, o que quer dizer que faltava subir pouco mais de 400m em quase 10km. Comparado com o que já tinhamos feito, parecia canja. Nos primeiro metros tentei andar um pouco para que o corpo se adaptasse à altitude, respirasse um pouco melhor e a ver se o mal estar geral passava. Ao fim de uns 500m tentei correr, mas não conseguia fazer mais do que umas centenas de metros. O resto do percurso até perto da torre foi feito em caminhada. Não em powerwalking, mas em caminhada pura e dura... médias de 10 ou 12/km foram o menu da hora. Foi penoso, muito difícil, quase diabolico fazer tantos km's no sopé da montanha aquele ritmo. Cada pequeno planalto que entrava parecia demorar uma eternidade a percorrer.
Quando cheguei perto da torre, para fazer os últimos metros em alcatrão naquela última subida, o meu corpo estava quase em shutdown. Estava cansado, com sede, com fome mas não conseguia ingerir nada. Sentia o corpo como se estivesse a carregar uns 100kg ás costas nas últimas horas e o cansaço começava a acumular.
Quando passei a rotunda e comecei a fazer aqueles metros finais, vejo o que parecia ser uma cara familiar, mas como já estava mais para lá do que para cá, só me apercebi concretamente quando ele chegou mesmo ao meu lado. Fez a maior parte da subida comigo, calmamente e a andar tranquilamente. O meu obrigado a ele pela companhia naquele troço. Daqueles pequenos gestos que se transformam em enormes devido à situação em que estamos.
O meu grande obrigado ao Marco Rodrigues pelo gesto.

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Foram cerca de 800m que demorei cerca de 15min a fazer. No topo estava a Liliana à espera e com cara de preocupada.
Tinha acabado de fazer perto de 10km em quase 2h certas. Parecia a travessia do Sahara.
Sentei no abastecimento, branco, pálido e com sede. Bebi chá, café, comi doces e fruta e ao fim de 30min dei baixa do meu número da prova. Não estava em condições de continuar. A cabeça queria seguir mas uma parte do corpo neste dia não estava a querer ir junto.
Os próximos 10km eram a descer a garganta da Loriga, e para isso precisamos estar bem física e mentalmente para não cair ou tropeçar.



Prova - Organização
A marcação da prova esteve ao nível que o Paulo já nos habitou na serra, não tem fitas a cada 10 metros mas também não tem muitos pontos para as pessoas se perderem. Uma parte de fazer trail também passa por um pouco de aventura. Se tivermos fitas a cada 5 metros durante 70km, perde um pouco a piada do que é correr na montanha. Soube depois de chegar à meta que existiram problemas graves nas marcações da prova dos 20km. Uma situação que a organização reconheceu logo, percebeu o erro e julgo que não deveremos ver novamente. Um acréscimo de 10km numa prova de 20 é muito para quem não vai preparado.
Os abastecimentos foram similares ao ano passado. Nem 8 nem 80. Acho suficientes para o tipo de prova que encontramos.


O percurso este ano foi ligeiramente mais difícil mas gostei na mesma. Excelente percurso de trail.
A temperatura estava muito mais amena do que ano passado e isso notou-se bem na parte central e final da prova. Aquele calor abafado não se fez sentir tão forte e ainda bem para nós atletas.
Como ponto negativo acho que deveriamos ter um pouco mais de assistência volante de agentes da autoridade (GNR) ou elementos da organização em alguns pontos mais longincuos na prova, entre abastecimentos e no meio do nada ter sinal de telemóvel para pedir ajuda é complicado. Em caso de urgência, ter que fazer 500m ou 1km para pedir ajuda não é o mesmo que ter que fazer 3 ou 4km. Excelente o apoio que nos era dado na torre pela GNR e equipas de primeiros socorros que lá estavam. Sempre simpáticos e infindáveis a corresponder ás nossas solicitações.

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( foto depois da entrega de prémios )


Para o próximo ano lá estarei quase 100% certo. É um sitio mágico correr na Serra da Estrela e nesta altura do ano permite disfrutar bastante dos trilhos.


No Domingo de manhâ fomos até à festa da entrega de prémios e petiscar uns bolos e salgadinhos com os restantes atletas.
Quando chegamos ao Montijo pelas 17h enviei um SMS à minha mãe a dizer que já tinha chegado a casa e liga-me passado 2min. Sentei no chão e comecei a chorar. Tinha falecido perto do meio-dia. No dia anterior a fazer 90 anos.
Ainda hoje penso que esperou que eu chegasse bem ao fim da minha jornada na montanha. A controlar a ver se eu estava em segurança, como sempre fez. Espero que ela esteja a ter um merecido descanso, depois da sua jornada enorme e complicada.

Race report : Oh Meu Deus - E tudo a Montanha levou (1ª parte )

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Prefacio
Este race report demorou bastante tempo até que tivesse vontade de o escrever para ser publicado. Oportunamente perceberão o motivo, mas para já tenham paciencia comigo e boas leituras.


Seja a mudança que você quer ver no mundo
Confesso que a minha preparação para esta prova não foi a melhor do mundo. Nem perto do que eu quereria.
Por diversos motivos, desde Janeiro de 2016 que tenho menos vontade para correr, não tenho retirado todo o gosto e entusiasmo de correr por correr, e isso afecta-me não só a minha preparação fisica, mas também a parte motivacional e psicologica porque gosto de correr.
Nevertheless, nos ultimos 2 meses antes da prova fiz um pequeno plano e tentei incluir o máximo de treinos possiveis para rentabilizar ao máximo a corrida planeada para o passado dia 04/06, faz agora pouco mais de 2 meses. Excepto um tipo de treinos que mais à frente já vamos perceber o erro crasso que foi não lhe ter dado importancia.

Importancia essa que ela incutia em tudo o dizia respeito à familia e ao bem estar do grupo. Muitas horas passamos desde a minha infancia até adulto em jantares e almoços com toda a familia mais directa. Com mais ou menos euforia, ela cozinhava e o resto da malta devorava os pratos fantasticos que nos era presenteado. O importante era a familia reunir e conviver


Antes da prova
Fomos para Seia na Sexta-feira ao final da tarde. Chegamos a tempo de jantar, levantar dorsais, passear um pouco aproveitando o tempo fantastico que estava e depois ir descansar para levantar cedo para a prova. Adivinhava-se um clima ameno, nada parecido ao calor quase infernal que foi no ano passado.
Tudo isso foi considerado no planeamento que fizemos para a prova. Eu a correr e a Liliana de carro a acompanhar PAC a PAC. Temperatura, estado do terreno, preparação do ( COF, COF ) atleta, altimetria, etc. Fizemos um planeamento quase ao km do que se iria passar no Sabado e isso foi estudado nas ultimas 3 semanas.

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Que trilhos novos iriamos percorrer e quais os que eram comuns ao ano passado. Quanta àgua levar, quantas barras, que sapatilhas, etc. tudo foi pensado num unico sentido : ganhar a prova.
Existem duas provas onde eu participo, as do género da Serra da D'arga onde sei que vão aparecer dezenas de atletas mais rápidos/melhores preparados do que eu e nessa circunstancia os meus dois adversários sou eu e a montanha. Sou eu contra... eu.
Mas em provas como os 70km do OMD, onde o numero de atletas é muito mais reduzido, onde já conheço bastante bem o terreno e a qualidade dos adversário é muito mais acessivel ( e temos que falar nestes pontos sem qualquer despudor ou segundo sentido ), o objectivo principal passava por ficar nos 3 primeiros, e o secundário ganhar a prova, se tal se propocionasse. No ano passado teria ficado entre os 7/8 primeiros se não tivesse tirado uma soneca no ultimo abastecimento de quase 2h.
Tudo bem planeado e lançado para a prova deste ano e com alguma expectativa para o desfecho da mesma.


Desde que vim para Lisboa que não lhe dava a atenção que ela merecia, com todo o amor e carinho que me tinha dedicado, o neto "favorito". Só a via 3 ou 4x por ano, ás vezes menos. Mudar a minha vida inteira para 330km de distancia e tudo muda. Tinha saudades dos almoços que me fazia quando vinha da escola ou quando ralhava comigo e com o meu primo por estarmos sempre a jogar futebol no meio dos vasos de flores... miudos...



Na realidade
Deitei tarde, não fiz a preparação que queria, o tempo ficou mais quente do que o previsto, as sapatilhas eram novas com apenas 8km, não descansei psicologicamente o que estou habituado, não consegui ir á casa de banho antes da prova, etc, etc... tudo desculpas que se pode usar para quando algo pode correr mal.

O facto é que me deitei já depois da 1 com a cabeça conturbada para levantar ás 5:45 e tomar o pequeno almoço com calma. muito pouco tempo de descanso para um evento tão importante. Sabia quando acordei que o corpo não estaria no meu melhor em termos de preparação fisica. Teria que puxar muito pela cabeça e coração. O tempo estava excelente, aquilo do mais quente é uma desculpa esfarrapada. E a temperatura que estiver é para todos os que se aventuram na montanha. As sapatilhas eram novas mas são BRUTAIS. Foram escolhidas a dedo e de maneira a me deixar o mais confortavel possivel durante a prova. Para mim Salomon encaixa perfeitamente nas minhas necessidades. Faltar ir à casa de banho é que não estava nos planos. Chegamos cerca de 30min antes do arranque da prova e fui a um café ao lado da partida. O certo é que estava uma fila de mais de 10 pessoas, quase todas para as provas curtas que só iriam arrancar 1 ou 2h depois da minha ( conforme a distancia), e ao fim de 15min na fila e ainda a faltar para conseguir chegar lá dentro, desisti e fui para a partida, que era dai a 8 ou 9min...

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( Faltavam 3min para a partida )



Ainda guardo algumas recordações das visitas regulares que fazia aos locais onde os meus avós e pai nasceram e cresceram. Lembro-me bem de uma visita ás Fisgas do Ermelo , e de gostar de saltar e correr pela serra acima. Será dai que vem o meu gosto pelo Trail ?



Get Set..... Go
A partida foi tranquila, brutal e complicada. Eu explico.
Meti-me no meio do pelotão antes da partida e parti sem aquecimento. Fui passando rapidamente aqueles que me pareciam que poderiam prejudicar o arranque da prova, aka, pareciam-me mais lentos do que eu. Quando dei por mim, ao fim de uns 100 metros estava na frente isolado... bora lá meter corda nisto.
E assim fiz, coloquei pé no acelerador aproveitando que o primeiro km é quase todo a descer. PIPI, tocou o GPS...
Mas que raio está ele a apitar ?!? Era o sinal que tinha chegado ao final da prova !!! como o percurso é circular e meti o track no GPS para me ir guiando a nivel de tempos, mas, depois da partida a prova dá uma volta de 180º e passa uns metros ao lado de onde saimos e ele apanhou o ultimo ponto do track e pensou que já tinhamos chegado. uns segundos a olhar para o relogio e ETA 00:00, KM's para o fim 00.... incrivel, só a mim :)
Entretanto com o pé no acelerador e sem me aperceber de ninguem atrás de mim, aos 300m de prova estava eu mais concentrado a olhar para o GPS a fechar aquele troço, carregar novamente o track para a memoria, arrancar com o segmento e bora lá...
Com isto passou-se uns 600 metros, e o carro da protecção civil quase que era abalroado por mim que estava mais a olhar para o relogio do que a estrada, mas com o pé no acelerador lá ia. Track carregado e voltei a concentrar na prova, que os primeiros km's eram iguais ao ano passado. Nisto passa o 1KM e o relogio indica 4:30/km. Vai bonito o ritmo.


Muitas recordações da minha infancia guardo, mas das melhores foram sempre os dias em que iamos para a praia do Castelo do Queijo ás 8 e pouco da manha. Era uma viagem alucinante para uma criança. A viagem do electrico da Boavista até junto mar, a procura dos melhores spots para os "velhinhos" esticaram o corpo, a entrada na agua gelada do norte. A minha avó sempre preocupada connosco e a dizer "não faças isso", "não vás para ai"... enquanto o meu avô lia religiosamente o seu jornal sentado perto da agua



Primeira subida
Tactica da prova. Controlar as subidas sem exagerar nos ritmos para poupar as pernas para a parte final e deixar correr as Salomon nos estradões. Começamos a subir e passado 30segundos vem ao de cima o problema de não ter ido ao WC... pequeno paragem técnica e desço para 3º ou 4º, e lá começou o meu périplo pela primeira subida, que iria durar até sensivelmente aos 6,5km e com 500D+. Ora passava um, ora era passado, lá fui subindo em ritmo calmo, enquanto os 3 da frente lá ao fundo iam colocando um ritmo mais vivo. Cheguei a andar em 8º e fui sempre controlando o ritmo de quem seguia comigo. Chegados à Nacional 339 que marcava o fim da primeira subida iamos com cerca de 47min de prova e entrava na primeira secção de "estradão". Aqui tinha planeado acelerar e como me sentia optimo e calmo, foi o que fiz. Comecei a passar quem ia na minha frente. Do km7 até ao km11 ( 1º abastecimento ) fui sempre a tentar rentabilizar o terreno. Não era estradão puro, tinha muitas secções com sulcos e muito salteado de detritos, mas era o suficiente para andar a fazer médias de 5/km. E chegando ao abastecimento ia em 4º lugar, com o terceiro a chegar uns segundos à minha frente. Aqui estava a Liliana conforme combinado, trocamos os bidons da Salomon por 2 já cheios com agua, peguei em comida e arranquei. Sabia que lá na frente seguia o 1º e 2º a pouco mais de 1min, e aproveitando o terreno mais plano, parti atrás deles. Passei no abastecimento aos 11km com cerca de 1:12h de prova e já com 850D+

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(1º Abastecimento - 11km )



Fazia quase um mes que tinha sido hospitalizada. Já à bastante tempo que não ficava no hospital internada. No domingo anterior à prova ligaram-me a dizer que ela estaria mal e com o corpo cansado. Poderia não sair do hospital novamente. Fui passar Segunda e Terça ao Porto para a visitar. Parecia tão triste e aborrecida por já estar ali tanto tempo no hospital sem se puder mexer. Deixou-me triste ve-la ali inerte sem poder fazer nada para a ajudar, uma coisa que ela tinha feito vezes sem conta enquanto crescia


( Segunda parte )

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