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Correr na Cidade

Crónica VIII -Perguntas & Respostas a um candidato a Ultra Maratonista

25.02.15 | Filipe Gil

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Por Filipe Gil

 

Juro que estou a tentar fazer tudo para que vos consiga "agarrar" a estas crónicas semanais. Pelo que vejo nas visitas ao site e nos cliques dos post que escrevo sobre a minha preparação para o Piódão, está a correr bem e estão a gostar. Mas isso não basta. Criatividade acima de tudo!!!.

Por isso mesmo, decidi inovar e fiz uma espécie de entrevista a mim mesmo, giro não? Algumas perguntas inventei, outras são fruto de dúvidas que algumas pessoas vão tendo quando falam comigo sobre o assunto. O resultado destas Perguntas & Respostas sobre a minha preparação para os 50Km do Ultra Trail do Piódão é este:

 

Há quanto tempo corres nos trilhos?

A minha primeira experiência foi nos trilhos de Casaínhos em 2013. Foram apenas 15 quilómetros, mas deu para perceber se gostava ou não. Aliás, até esse momento sempre achei "tolo" correr no meio da lama e das serras e nunca percebi muito bem a "onda" do trial. Foi castigo! Fiquei apaixonado e não quero outra coisa. Até ao momento, a minha prova mais a sério foi a dos 33km do Louzan Trail, em Junho de 2014. Desde então tenho feito várias provas e treinos abaixo dos 30 kms.

 

Porque vais fazer uma ultra?

É uma boa pergunta (LOL). Porque decidi que era hora de me propôr um desafio, e porque quero ostentar a palavra ultra no meu curriculum. Já encomendei uns autocolantes para colocar no carro a dizer: "Quando não estou a conduzir, estou a correr ultras", brincadeira. Respondendo mais a sério, porque tenho o maior respeito pelos meus colegas de crew, melhor dizendo, amigos de crew, que já fizeram ultras distâncias e gostava de me juntar ao "clube". E porque achei que seria finalmente a altura de me propor um desafio para o qual vou ter que descobrir coisas novas e que vou estar na dúvida se o vou conseguir até pisar a meta.

 

Porque razão tens o apoio da Puma?

Vou confessar que sempre gostei da marca. Quem me conhece bem sabe que há uns 10 anos atrás, tinha muita coisa desta marca, sobretudo na área do lifestyle. E porque sou um pedaço "cagão" e gosto de usar coisas que as "massas" não usam. Aqueles modelos mais exclusivos, aqueles ténis que poucos ou ninguém ainda tem. Podia ter-me dado para outra coisa, mas sou assim. E a Puma apesar de ser uma marca das mais conhecidas no mundo não é tão mainstream do meu ponto de vista. Quando descobri que estavam a apostar na corrida, decidi enviar-lhes um e-mail a perguntar se me apoiavam nesta aventura. E, como são loucos, disseram que sim. Atenção, o apoio é meramente de equipamento e sapatilhas, o que já é muito. Mas aumenta ainda mais a minha responsabilidade de fazer uma boa prova, até porque, quer eles queiram ou não, não vou devolver o material (outro LOL). Tenho uma relação muito descontraída com eles, o que é excelente. E apesar do foco da Puma ser a corrida de estrada, o material que têm é excelente para correr,seja nos trilhos ou no alcatrão.

 

Que música ouves quando treinas?

Não oiço. Deixei de ouvir música à medida que me fui apercebendo que levava headphones mas não prestava atenção nenhuma ao que estava a dar. E descobri também que isso me atrapalhava a ouvir quer o ambiente que me rodeia quer a minha respiração enquanto corro.

 

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Que provas (de ultras) gostavas de fazer?
Em Portugal gostava de fazer umas quantas,  São Mamede, Serra D’Arga, UTAX e Arrábida. Mas não penso muito nisso. A maioria das provas em que me inscrevi foi por impulso. Este ano ainda gostava de voltar ao Louzan Trail, de fazer uma corrida noturna em Óbidos e a Scalabis Night Race. Para o resto não tenho planos. 

 

Vais continuar a fazer ultras nos próximos anos?

Provavelmente não! O meu plano é concentrar-me em provas até 30 quilómetros nos próximos dois anos. Porquê? Por várias razões, mas sobretudo porque não tenho muito tempo disponível para treinar como deve ser. E isto é tudo muito bonito, mas não gosto fazer más figuras, e a minha vida profissional e familiar não me permite grandes tempos para treinos - pelo menos os que são necessários para fazer ultras várias vezes ao ano. O que estou a fazer para o Piódão já é um grande sacríficio familiar, e não fosse a minha mulher, mãe e sogra, era impossível ter 3 a 4 horas ao fim-de-semana para ir para o mato treinar.Acho, e sublinho, acho, que me vou concentrar em provas de trail mais curtas. Mas depende muito do que acontecer no Piódão. 

 

Qual o teu modelo de sapatilhas preferidos para correr nos trilhos?

Tenho vários. Para além dos Faas 500 TR da Puma que tenho estado a usar nesta preparação e com as quais vou correr o Piódão, estou apaixonado pelos New Balance Leadville 1210v2. Já corri com umas Adidas Riot 5 e com um modelo da Reebok, os All Terrain Trail também gostei muito. 

 

Aconselhas o uso de meias de compressão para ultras?

É uma questão pessoal. Eu prefiro usar para a recuperação posterior. Nas provas não vejo muita utilidade. Mas, tal como indiquei anteriormente, é mesmo uma questão pessoal. De qualquer forma, se querem mesmo saber, vou levar meias de compressão na mochila aquando da prova de Ultra Trail do Piódão, não vá necessitar de ajuda a meio da prova. A partir dos 33 kms será tudo desconhecido...

 

O que vais levar de alimentação e hidratação para a prova do Piódão?´

Há muito que é das coisas que já tenho tratado. Levo 1 bidão de água, 1 bidão com isotónico (Isostar com sabor a Coca Cola) - e espero que chegue entre abastecimentos; 4 géis da Power Gel; 4 sacos de mel; 2 barras de gel da Aptonia; dois pacotes com sal grosso; e alguns frutos secos e talvez gomas. Levo ainda mais cápsulas do isotónico do Isostar para fazer nos postos de abastecimento.

 

O que vais levar na mochila?

Para além do que é obrigatório (telemóvel, apito, manta térmica), vou levar um kit primeiros socorros, vou levar uma faca/canivete; meias compressoras; e levo ou uma agasalho térmico ou, se estiver frio e tempo seco, levo o impermeável na mochila. Levarei o meu frontal – espero acabar de dia, mas isto nunca se sabe.

 

O que te preocupa mais na prova que vais fazer no Piódão?

Preocupa-me conseguir chegar aos postos de abastecimento dentro do tempo estabelecido pela organização da corrida. Também me preocupam mais duas coisas: não me lesionar (sobretudo não ter caibras e problemas nos joelhos nas descidas) e não atrasar os meus companheiros de crew.

 

E é isto. Numa semana em que treinei durante 3 horas e picos em Monsanto, onde eu e o amigo Rui Alves Pinto fizemos 25 quilómetros e qualquer coisas com 600 de D+ e onde acabei de rastos. Mesmo de rastos. Mais cansado do que em provas de trail que tenho feito ultimamente.

Com este treino entrei em três semanas de treinos mais puxados, para depois "descansar" mais perto da data.  Ontem, terça, fiz um treino curto, só por 35 minutos, mas foi muito bom porque os kms foram rápidos, e percebi que a minha zona de conforto está agora nos 5:10/km quando há cerca de um mês era de 5:40/km. Isto de fazer subidas faz maravilhas!

 

p.s. - hoje, às 19h15, há um treino do Correr na Cidade guiado por um gentleman dos trilhos: David Faustino. Se puderem, não faltem, é sempre uma lição de como correr melhor em trilhos.

Boas corridas.

 

Sevilha e um fim-de-semana com direito a tudo

24.02.15 | Tiago Portugal

 

 

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Por: Tiago Portugal

Família, amigos, muita diversão, viagem, cultura, comida e bebida com fartura (talvez mais do que o desejável) e para terminar uma maratona. Posso resumir nestas palavras este fim-de-semana alargado, meti férias na sexta-feira, e não podia pedir mais. Simplesmente fantástico, do primeiro ao último minuto. Conciliei pela primeira vez férias familiares com eventos desportivos e fiquei fã, com o bónus de ter tido um apoio especial ao longo da prova.

 

Mas voltando um pouco atrás, porquê correr uma maratona e qual a razão de ter escolhido Sevilha? Fácil de explicar. Todos os anos dia 1 de janeiro escrevo alguns objetivos que espero alcançar nesses 365 dias, sendo que para alguns estabeleço prazos mais alargados. Em 2013, escrevi que antes dos 35 anos teria que concluir uma maratona, não importasse qual. O tempo foi passando e a maratona foi ficando em banho-maria. Em setembro do ano passado enquanto limpava a carteira encontrei por acaso o papel que escrevi no dia 1 de janeiro de 2013. Reli e vi que tinha alcançado quase tudo a que me propûs. Correr uma maratona estava entre os objetivos por realizar e com o prazo a acabar as alternativas começavam a escassear. Uma conversa rápida com o Nuno Malcata e decidi que Sevilha 2015 seria a melhor hipótese e a última, pois 2 dias depois  da prova o prazo estabelecido expirava. Ficou logo decidido, seria em Sevilha a minha estreia na maratona, ainda para mais com membros da crew do CnC a acompanhar-me nesta aventura.

IMG_0684.JPGUm mês depois da inscrição, num jantar de família o assunto maratona foi naturalmente discutido e o meu cunhado, ainda virgem nesta distância, inscreveu-se também ele na maratona de Sevilha. Foi o passo que faltava para que a maratona se transformasse numas miniférias familiares e aproveitar para irmos, todos, passear até Sevilha.  

 

O fato de ter ido com a família e com amigos fez com que não pensasse tanto nos 42km da maratona e permitiu-me estar menos ansioso. Tirando sexta à tarde e sábado à noite mal pensei na tarefa hercúlea a que me tinha proposto, a falta de treino também me estava a assustar. Devia ter treinado muito mais? Sem dúvida que sim, no mínimo uns 2 treinos longos em estrada.

IMG_0587.JPGChegados a sevilha e já instalados decidimos ir diretamente à Expo levantar os dorsais e passear pelos expositores. Foi uma boa decisão pois estava pouca gente, conseguimos levantar o Kit do atleta bastante depressa e ainda deu para passear, ver e comprar alguns produtos que dificilmente se encontram em Portugal (Injinji, X-Socks, modelos da Scott e da INOV-8). Sendo a New Balance o patrocinador oficial da prova estava muito bem representada na feira, com a nova coleção toda exposta sendo que a edição especial do modelo Fresh Foam Zante maratona de sevilha era o maior destaque.

 

Depois da feira foi altura de aproveitar e ir beber umas cañas e comer tapas. Sábado foi dia de conhecer a fantástica cidade, aproveitámos o dia maravilhoso e passeamos pela cidade. Ao fim da tarde encontrei-me com o resto do grupo do CnC e amigos que tinham chegado nesse dia. Pusemos a conversa em dia, combinámos o encontro no dia seguinte e já com os nervos a aparecer fomos para casa jantar. Seguindo os conselhos da Ana Sofia Guerra preparámos uma massa com atum.

 

Após uma noite mal dormida às 7h00 estávamos, eu e o meu cunhado Roberto, a tomar o pequeno-almoço. Apesar de estarmos com aquele nervoso miudinho lá nos despachamos a horas e saímos porta fora, convictos de que no regresso seriámos maratonistas. Às 08h00 reunimos-mos todos e partimos em direção à zona da partida. A conversa fluía naturalmente, sentia-se a ansiedade no ar, mas estávamos todos otimistas.

IMG_1596.JPGCuriosidade, na zona da partida além do speaker espanhol, estava um speaker português o que mostra a aderência dos corredores nacionais a esta prova, pelo que ouvi cerca de 850 portugueses estavam na linha da partida. A euforia era muita. Uma grande festa! Minutos antes da prova estivemos à conversa com um espanhol de 70 anos que ia fazer a sua estreia na maratona, mais uma prova de que a idade não é obstáculo. O que nos disse foi que acima de tudo nos divertíssemos. O objetivo final deve ser esse, correr sim, mas acima de tudo temos que gostar do que estamos a fazer e tentar nos divertir ao longo dos 42km. Falhei neste aspeto, a partir do 27km não me diverti nada.  

 

5,4,3,2,1 e começou! Desejei boa sorte a todos e arranquei com o Roberto. Devido à minha falta de treino e do peso adquirido nos últimos 2 meses, 4kg, decidi que ia correr a um ritmo confortável de 5m40s o km, se conseguisse acelerava um pouco no fim. Devia estar excessivamente confiante para pensar que após 35km ia conseguir acelerar, foi mais o inverso, desacelerei.

 

Decidi que ia tentar seguir o meu plano original, afinal o objetivo era acabar, se conseguisse em menos de 4h era a cereja no topo do bolo. Durante os primeiros 15km eu e o meu cunhado parecíamos relógios Suíços, sempre ao mesmo ritmo e com o balão das 4h a poucos metros de distância.

 

Tínhamos combinado que ao 7,5km íamos ter o primeiro apoio da nossa comitiva, mas passando no ponto estipulado além de muitos espanhóis, não estava lá quem nos mais queríamos. Ainda rogamos algumas pragas, se calhar adormeceram ou foram às compras pensamos nós e seguimos em frente, sempre confortáveis e à conversa.

 

A partir do 5km a prova tem abastecimento de 2,5km em 2,5km, o que é muito bom. Sempre que passávamos por um aproveitava e bebia água ou isotónico, claro que metade ia para fora e ficava a escorrer para os lados ou ia para a t’shirt, isto de beber a correr é uma arte difícil de dominar.

17,5 km 1ª grande surpresa afinal as meninas estavam lá para nos apoiar. Foi uma festa quando as vimos. Que alegria. Os próximos 5 km passaram a voar.

 

Após o abastecimento dos 21km tive que parar por motivos fisiológicos e separei-me do meu companheiro de prova. Tentei acelerar um pouco até ao apanhar mas rapidamente comecei a ficar ofegante e decidi acalmar o ritmo e seguir sozinho. Por enquanto estava bem, a divertir-me e o balão das 4h estava mesmo à minha frente.

Afinal isto não custa muito pensei eu. Falei cedo demais.

post1.jpgAo km 27km nova surpresa, novamente a família e os amigos a apoiar, até parei para dar um beijo emocionado.

 

Depois de este breve momento de felicidade, subitamente começa-me a custar tudo. Os joelhos começam a doer, sempre que meto o pé no chão sinto uma dor na planta do pé, começo a ficar desanimado e os próximos 10km custam-me muito a correr. Apesar de o percurso ser interessante houve duas retas intermináveis, em que pela primeira vez tive que correr a olhar para baixo de forma a não ver o que ainda faltava.

 

Ao longo da prova falei com alguns participantes, sendo que um espanhol avisou que a partir do 35km entrávamos na parte mais bonita do percurso.

 

A partir desta altura a maratona a passar nos locais mais bonitos de Sevilha, o apoio nas ruas começa a ser cada vez maior e a partir do Parque Maria Luísa muita gente a incentivar, ruas cheias de gente a apoiar-nos. Na Serra Nevada já tinha sentido este apoio dos espanhóis e aqui ainda foi mais notório, pena que em Portugal sejam poucas as corrida em que isto aconteça.  

 

Damos uma volta na Praça de Espanha e entramos na zona mais central da cidade, tanta gente nas esplanadas, bandas a tocar música, crianças a esticar os braços, todos a bater palmas e gritar "Animo! Animo!”

Apesar de todo este apoio as forças já faltavam e nos abastecimentos já bebia água parado, sendo que recomeçava a correr logo a seguir.

 

O balão das 4horas já tinha fugido há algum tempo e era agora uma miragem ao fundo. Olhei para o relógio para saber se ainda conseguia acabar a prova abaixo das 4h. Tinha que me esforçar muito, descartei esse objetivo, o importante era mesmo acabar.  

 

A entrada no estádio foi fenomenal, a meta já ali, consegui, o tempo já pouco interessava. Não há palavras suficientes para descrever a sensação de terminar uma maratona. Consegui gritei. Chorei de emoção, de alegria, de dor…

 

Segundos após chegar encontrei o António Vale, fresco que nem uma alface, parecia que tinha acabado uma corrida de 5km por Lisboa, e eu ofegante a falar com ele. Disse-me que o meu cunhado já tinha terminado e estava na zona da chegada pelo que fui tentar encontrá-lo.

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Infelizmente não pude esperar pelos membros da Crew, Nuno Malcata e Bo Irik, mas encontrei a Joana Malcata e a Ana Morais e soube que estavam bem e que acabaram a prova radiantes. Mais um motivo de felicidade a juntar a tantos outros.

 

Resumindo em poucas palavras, foram 42,195m, o meu relógio marcou mais 300m, emocionantes, uma verdadeira montanha-russa. Da ansiedade inicial à euforia dos primeiros minutos, a alegria dos km 17,5 e 27, o excesso de confiança sentido a meio da prova, as dores entre o 27 e o 37km, a energia do público, o esforço dos últimos 3km, as dores e no fim lágrimas de pura alegria, por ter terminado, por ter conseguido.  

 

Sevilha recomenda-se e para quem está a pensar estrear-se na maratona é uma boa aposta, o percurso é bonito, o tempo estava espetacular, fica perto de Lisboa e o apoio do público é ótimo.

 

Quero agradecer à New Balance por me ter fornecido o seu novo modelo 890v5 com os quais corri a maratona, a review final será feita na próxima semana.

 

Muito obrigado à Filipa, isto contigo a meu lado torna-se mais fácil, á minha irmã Inês e á Marta por todo o apoio e diversão durante estes 3 dias.   

 

Para terminar, que isto já vai longo, dar os parabéns a todos os que completaram a prova, especialmente ao meu cunhado, Roberto, companheiro durante estes dias e que me aturou durante 22km, à Bo e ao Nuno Malcata, amigos do CnC, Patrícia Mar, Nuno Alves e António Vale pela estreia na maratona, e à Joana Malcata, que muito bem ainda correu 17km e Ana Morais pelo apoio.

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Boas corridas a todos, 

 

Desidratação: sabe como prevenir?

23.02.15 | Nuno Malcata

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 Por Ana Sofia Guerra

 

Água! Esse alimento tão indispensável na nossa alimentação e, por vezes, tão esquecido. O nosso corpo perde água pela transpiração, respiração, urina e fezes. Como mecanismo de sobrevivência, o nosso organismo desenvolveu um sintoma denominado por SEDE. Quando temos sede, o nosso instinto é logo ir à procura de água. Contudo, dependendo de cada organismo, nem todos sentimos a sede da mesma maneira. E, quando estamos a correr, as sensações são tantas que não nos apercebemos quando é que temos sede. Não sabia disto? Então passo a explicar.

 

Quando se fala na importância de hidratar bem antes duma prova, muitos são aqueles que só pensam em beber água antes da competição. Mas esta atitude não é a mais correta. A ingestão de água deve ser diária e superior a 1,0L, dependendo do tipo de pessoa, patologias associadas, temperatura ambiente e exercício físico. Um corredor deve estar sempre bem hidratado e esse cuidado deve ser redobrado nos dias antes da prova.

 

Quando a quantidade de água não é suficiente para que o organismo realize as suas funções normais, o volume de sangue diminui e isto faz com que o coração se esforce para bater mais rápido. Se a necessidade de água não for satisfeita rapidamente, aparecerem os primeiros sinais de desidratação: boca seca, fadiga, náuseas, vómitos, tonturas, cãibras, confusão mental, alterações auditivas e visuais, aumento da temperatura corporal.

 

A melhor forma de prevenir a desidratação é ter alguns cuidados uns 2 dias antes da prova: aumentar o consumo de água; colocar um pouco de sal (de preferência flor de sal) dentro da água; evitar as bebidas alcoólicas; evitar bebidas gaseificadas, chá, café e refrigerantes; descansar bem e ter uma alimentação ainda mais equilibrada.

 

Durante a corrida, a ingestão de água deve ser antecedida da sensação de sede e deve fazer-se lentamente e em pequenas quantidades. Isto evita a sensação de estômago cheio de água e os vómitos. Aproveite todos os abastecimentos para beber um pouco de água, mesmo que não sinta sede. É importante não beber só água: a ingestão de água com um pouco de sal retarda o aparecimento dos sintomas de desidratação, principalmente as cãibras. As bebidas isotónicas podem ser uma opção, quer seja industrializada ou caseira. Eis uma receita simples duma bebida isotónica caseira:

 

1 Litro de água

1 Colher de sopa de mel

1 Colher de chá de flor de sal

 

Boas corridas!

Correr nos trilhos do David Faustino

22.02.15 | Filipe Gil

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Na próxima quarta-feira, dia 25 de fevereiro, vamos ter mais uma edição do treino INTO THE WILD (quase a fazer um ano de treinos nos trilhos de Monsanto e Sintra). Desta vez, e pela segunda vez, vamos ter como convidado David Faustino, um dos portugueses com mais quilómetros nas pernas e um verdadeiro gentleman dos trilhos. 

 

O ponto de encontro será no parque de estacionamento do Bairro da Serafina (ver mapa) às 19h15. Pelas 19h30m partimos para os trilhos de Monsanto num volta de 1h a 1h15 por 12 quilómetros. Será um ritmo interessante, mas pedimos ao David para colocar muitas subidas no percurso e nos dar uma "aula" de abordagem aos trilhos e teremos alguns paragens pelo meio. 

 

Estará de noite, ou lusco-fusco, e por isso é obrigatório (mesmo obrigatório!) o uso de frontal e de sapatilhas de trail. Será, como sempre, um treino guiado por nós em autonomia total, sendo que os participantes serão responsáveis pelos eventuais riscos que possam sofrer. O Correr na Cidade e os seus elementos não se responsabilizam por eventuais danos sofridos pelos participantes. 

 

Uma coisa vos garantimos: vai ser bem divertido.

 

Juntem-se a nós - mas por favor confirmem aqui.

 

Mapa do ponto de encontro:

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Em 2015 voltaremos à Mais Bela Corrida do Mundo

22.02.15 | Bo Irik

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O ano passado viajamos 360km para participar na mais bela corrida do mundo. Foi tão bela que este ano estaremos presentes mais uma vez. Podem ler o relato da Joana e da Bo aqui no blogue, caso ainda tenham dúvidas se deveriam ou não participar.

 

Com distâncias de 21 e 6 km, meia e mini maratona respetivamente, em pleno coração do Vale do Douro – Património Mundial da UNESCO, com um percurso praticamente plano e ao longo das margens do maravilhoso Rio Douro, esta é uma experiência inesquecível. Realizar-se-á também em simultâneo e no mesmo cenário uma maravilhosa meia maratona em cadeira de rodas, com atletas de diversos pontos do país e com o prestígio da presença do padrinho da prova, Mário Trindade, Recordista Mundial de Resistência em Cadeira de Rodas.

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Segue a mensagem de boas vindas do Paulo Costa, Diretor Executivo da Meia Maratona do Douro e Vinhateiro que este ano terá lugar no dia 17 de Maio pelas 10.30 horas.

 

“É verdade, vamos para a 10ª Edição d´A MAIS BELA CORRIDA DO MUNDO! Parece que foi ontem que iniciamos esta jornada e já passaram dez anos. Um caminho incrível, difícil, complexo, mas acima de tudo: MÁGICO! Como o Douro, portanto. (…)


Aqui, irá vivenciar a experiência de sentir a mais bela corrida do mundo e também a sensação de participar na única corrida do planeta que coloca à disposição de todos o afamado Vinho do Porto ao longo do percurso, vinho mundialmente reconhecido na excelência e que é exclusivamente produzido aqui, no Douro Vinhateiro. Prove, sinta, viva!

A EDP 10ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro é prova oficial RUNNING WONDERS, Circuito Mundial de Meias Maratonas em Patrimónios Mundiais, e também do circuito nacional PORTUGAL A CORRER.

Depois de em 2014 o Douro ter recebido doze mil participantes de vinte e nove países, a Região prepara-se agora para realizar em 2015 a melhor edição de sempre, preparando um vasto conjunto de ações que permitam a todos os milhares de participantes de todo o mundo poderem usufruir ao máximo da beleza ímpar desta região.

Correr no Vale do Douro é muito mais que palmilhar alcatrão, é sentir a pureza da emoção que passo-a-passo, aqui, conquista o coração.

Venha, estamos à sua espera! Atreva-se e sinta o poder d'A MAIS BELA CORRIDA DO MUNDO.”

 

Queres juntar-te a nós nesta prova? Então mantem-te atento ao blogue, pois teremos dois convites duplos para oferecer num passatempo muito em breve!

1ª impressão Puma Ignite

21.02.15 | Filipe Gil

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Por Filipe Gil:

 

Fiz os primeiros 10 quilómetros com os Puma Ignite  na passada segunda-feira, em terreno plano, de Algés à Ponte 25 de abril. Aqui apanhei pisos diferenciados, desde a “pista” de alcatrão, à calçada portuguesa, etc. Um caminho excelente para experimentar e testar sapatilhas de estrada. 

 

Os primeiros 15 minutos com os Ignite foram insípidos. Talvez por ter demasiadas expetativas, talvez porque tinha na cabeça aquela ideia de reatividade e velocidade instantânea prometida pelo marketing da marca, mas confesso que nos primeiros 15 minutos de corrid não senti nada. Apenas uns ténis confortáveis - e atenção que como são ténis para corredores neutros, substituo as palmilhas originais pelas minhas palmilhas para pronadores. Ganho em estabilidade  mas perco em amortecimento. Mas mesmo assim, confortáveis

 

Senti um drop mais elevado do que alguns modelos que tenho estado a experimentar. Segundo a Puma este modelo tem 11.8 mm de drop. Senti também aquela peça mais dura que a sapatilha tem no calcanhar e que,  também segundo a marca, serve para uma maior reatividade em conjunto com a espuma da sola desenvolvida pela BASF. Às tantas percebi que, se o estava a sentir, era porque estava a aterrar o pé com o calcanhar. Tentei corrigir a passada, e tentei pisar com o meio do pé. O que resultou.

 

 

A partir de uma certa altura, depois de ter aquecido, comecei a correr um pouco mais rápido. E aí a sola faz diferença. Nota-se a tal reatividade. Mas não esperem passar a correr aos saltos. É algo simples, muito simples, difícil de explicar, mas que está lá. É um efeito um pouco à semelhança do que se sente com os Boost da Adidas - perdoem-me ambas as marcas, mas a comparação é inevitável. Tal como se compara, por vezes, o "gel" da Asics com o "air" da Nike. 

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Percebi claramente que é uma sapatilha para estrada, para velocidade, mas com conforto. Pela minha experiência diria que será ideal para a distância da meia maratona e terá um comportamento muito bom em provas de 10 quilómetros. Isto não quer dizer que não sejam boas para distâncias maiores, mas como nunca ultrapassei os 21 kms em estrada, não sei do que estaria a falar. Gostei do material duro de parte da sola que, ao que parece, garante uma maior durabilidade.Ainda bem. 

 

No segundo treino, também de cerca de 10 quilómetros, fiz subidas. São treinos em que não ganho muita velocidade, mas onde há trabalho de força. E, mais uma vez, gostei muito do comportamento dos Ignite. Aqui a sola fez-se sentir também, tornando a passada mais serena e mais calma, mas o pormenor que mais me interessou foi a sua leveza. São mais leves do que aparentam ser.

 

O que gostei menos foi a língua dos ténis. É curta, e apesar de estar cozida ao resto da sapatilha, o que é bom porque não dança, é curta e os atacadores vão para cima do peito do pé, o que requer algum cuidado ao atar para que fiquem mesmo em cima da tal língua e não fricionarem o pé com o andamento. 

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Em suma, nestas primeiras impressões, e apesar das expetativas estarem muito altas, gostei da sensação que as sapatilhas me proporcionaram. São ténis bem construídos, bem pensados. E estéticamente são diferenciadores, bonitos e têm muita "pinta". Ainda não sei quais as cores que veem para o mercado nacional, mas a marca devia perceber que os corredores gostam de combinações estéticas diferenciadoras. O que há mais por aí são ténis pretos e cinzentos. 

 

Apesar de estar a gostar e de, sinceramente, me ter trazido de volta alguma alegria em correr em alcatrão, tenho uma teoria com todas as sapatilhas: até aos 10 quilómetros é rara a sapatilha que seja má, a partir dos 14 quilómetros é que se separam as águas.

 

Assim, num próximo treino vou levar os Ignite a passear mais quilómetros para ver do que realmente são feitos. E para vos contar a experiência aqui.

 

Como se diz em inglês: so far so good! E em grande estilo! De acordo com a Puma, os Ignite irão chegar ao mercado nacional em meados de Março. Até lá, a informação em primeira mão é aqui no Correr na Cidade. 

Voltar a Sevilha... para ser FELIZ!

20.02.15 | Nuno Malcata

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 Por Nuno Malcata:

 

Este domingo, dia 22, volto a Sevilha para fazer a Maratona. O ano passado fui a Sevilha, acabei a Maratona mas senti que não fiz a Maratona.

 

Se quiserem, e tiverem paciência, podem encontrar aqui tudo o que se passou, num dos primeiros textos que escrevi para o blog, e se escrevi muito.

 

Resumidamente, fui para Sevilha com uma lesão de esforço num dos joelhos, aos 35Km as dores começaram a ser demais, e aos 37Km parei e não corri mais, fiz os últimos 5Km a andar, e passei a meta tranquilamente.

 

Se fisicamente fiz a distância, mentalmente fiquei nos 37Km, e passei o último ano a dizer que tenho de lá ir tirar a cruz do km 37.

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Se o ano passado foi tudo novo, pois era a minha estreia na distância da Maratona, este ano a preparação já foi bem diferente. Para a minha 1.ª maratona fiz a preparação e planeamento com quem muito sabe do assunto, aprendi muito em metodologia e técnica, conhecimentos que apliquei durante a minha preparação para este ano, mas feita por mim, para mim.

 

Em 2014 descobri o que é correr nos trilhos, e tenho focado a minha evolução em Trail, deixando cada vez mais os treinos e provas de estrada, pelo que decidi a meio de 2014 não fazer uma 2ª Maratona em 2014, mas fazer a mesma distância numa prova de Trail, tendo feito o Trail Serra da Lousã, onde fiz cerca de 44Km.

 

Assim, a ideia de voltar a Sevilha manteve-se o ano inteiro, e lá vou voltar, desta vez sem lesões (até ver), para fazer a Maratona de Sevilha.

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Será uma participação bem diferente da do ano passado em muitos aspetos, a começar pela companhia, se no ano passado estive integrado num grupo muito focado e de nível muito elevado para mim, o que me fez evoluir muito, e onde fiz bons amigos, este ano vou com alguns elementos e amigos da família da corrida.

 

Vai ser fabuloso, vamos reencontrar muitas caras amigas, é uma prova com um ambiente brutal numa cidade muito bonita.

 

Vou em modo relax, quero desfrutar de cada minuto, e não tenho qualquer objetivo de tempo final, quero apenas terminar com um sorriso GIGANTE, sem lesões e... FELIZ!!!