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Correr na Cidade

Como é correr com as Vibram?

 

Por João Figueiredo:

 

As Vibram Fivefingers são sapatilhas minimalistas que proporcionam a sensação de andar e correr como se (quase) estivéssemos descalços.Na página portuguesa da marca (aqui) podem ver os modelos disponíveis.Para escolherem o tamanho da sapatilha, o melhor método será medir exactamente o vosso pé e depois consultar a tabela: 

 

 

Depois de alguma pesquisa decidi comprar a sapatilha mais minimalista desta colecção, o modelo Seeya. Estas sapatilhas são muito leves (258 gramas – nº42), o tecido é incrivelmente fino, são muito elásticas e a espessura da borracha da sola é totalmente minimalista – apenas existe protecção nas zonas de contacto com o solo: na frente (dedos) e no calcanhar. A arcada plantar não tem qualquer apoio, prevendo assim uma corrida natural baseada no “forefoot strike”. São ideais para corridas no asfalto. Há quem use estas sapatilhas com meias “cinco dedos”, tipo injinji, pessoalmente não o faço porque quero ter a menor protecção possível nos pés.

 

 

A primeira vez que experimentei correr com as sapatilhas Fivefingers Seeya não senti “Liberdade”, nem “Conforto”, nem “Flexibilidade”, nem nenhum desses adjectivos lindos que o pessoal do marketing usa e abusa. O que senti depois de dar tês passos a correr foi: “DuReZa”!

E isso é mau?É!

 

O problema reside no facto de que, desde que começamos a andar somos obrigados a usar calçado que não nos permite andar naturalmente…Isto levar-nos-ia a uma discussão muito interessante e muito profunda, mas por agora apenas afirmo que para conseguir disfrutar plenamente destas sapatilhas tive de quase reaprender a correr. Foi um desafio superado à custa de *alguma* dor, mas acreditem que valeu a pena.

 

 

No primeiro dia que corri com as Seeya fiz 4 km e senti, como já disse “a dureza” do pé ao tocar no chão. Não arrisquei muito em termos de velocidade/distância e fui para casa entusiasmado com o “brinquedo” novo.

 

No segundo dia estiquei a corda e corri ao todo 11,5km, onde experimentei sprints, subidas, descidas, curvas apertadas, etc… um pouco de tudo.

No terceiro dia mal conseguia andar. Tocar com o calcanhar no chão era um acto do mais miserável masoquismo.

 

O que fiz de mal?

Correr com as sapatilhas Fivefingers não é o mesmo que correr com isto:

 

Para desfrutar plenamente das sapatilhas Fivefingers é preciso alguma paciência na adaptação. Andamos uma vida inteira com calçado que nos “obriga” a tocar no chão, primeiro com o calcanhar (heel strike/rear strike) e só depois com o resto do pé– isto é a total subversão do uso dos pés.  

 

“Aterrar” a cada passada com o calcanhar no chão, provoca um impacto enorme no nosso corpo – é como se nos dessem uma martelada no calcanhar com uma força igual ao nosso peso… brutal, hem?

 

Mas se tocarmos no chão, primeiro com a parte da frente do pé (forefoot strike) ou com a zona intermédia (midfoot strike) e só no fim com o calcanhar (heel strike), torna o impacto muito mais suave a cada passada.

 

 

Isto é simples?

 

Não, é um processo de aprendizagem *um pouco* doloroso, isto porque estamos a esforçar tendões e músculos que até agora estavam muito pouco activos – mas que têm estado à nossa total disposição desde que nascemos. O melhor conselho neste caso é que dêem tempo a que os vossos pés e pernas se desenvolvam, de acordo com as solicitações de esforço. A pressa irá provocar dores tremendas nos músculos e nos tendões, terão bolhas gigantescas, a pele dos pés irá romper, … será uma verdadeira tortura. Em compensação terão a piedade dos farmacêuticos por estarem lá sempre caídos a comprarem-lhes coisas– numa dessas “visitas” aconselharam-me um spray chamado “Ice Power”, muito bom! 

 

 

Eu sofri “pequenas” torturas mas também aprendi com os erros.

Uma forma de evitar as bolhas e a pele gasta nos pés, passa por aplicar uma camada generosa de vaselina em todo o pé (entre os dedos, na planta do pé, nos lados do pé e na zona de trás do calcanhar para evitar as roeduras) – para mim este “ritual” tornou-se indispensável, mesmo quando corro com outro tipo de sapatilhas.

 

Quando uso as Fivefingers, depois de pôr vaselina nos pés, e como não uso meias, molho com água o interior das sapatilhas antes de as calçar. Isto faz com que o tecido da sapatilha não absorva a vaselina tão depressa ao longo da corrida.

 

 

Como já disse, as Seeya da Fivefingers são para estrada (também existem modelos para trail running) mas já me aventurei numa loucura fora de estrada: “Viagem ao Oriente esquecido” era assim que se chamava o evento/parceria entre o “Correr na Cidade” e o “Porque a vida não é só corrida” do João Campos, um percurso fabuloso pelo lado Oriental de Lisboa… fabuloso até me deparar com um canavial cheio de silvas e pedras…mas bom, sobrevivi e as Seeya também!!

 

Outro conselho da máxima importância: no fim de cada corrida e depois de descalçar as Fivefingers convém atirá-las imediatamente para dentro da máquina de lavar.     

 

Com paciência, com tempo e depois de ultrapassar as dificuldades iniciais, usar as sapatilhas Fivefingers torna-se numa experiência fantástica. Correr é uma coisa que fazemos há milhões de anos, não é necessário complicar, nem usar ténis com sistemas de amortecimento hiper complexos, o nosso corpo já vem com tudo o que é necessário para correr, desde que nascemos. 

 

Hoje é dia de correr na cidade!

Hoje, terça-feira dia 9 de setembro, às 19h, é dia do treino semanal do Correr na Cidade. Desta vez vamos correr na zona ribeirinha da cidade, do Cais do Sodré a Santa Apolónia. Quem se junta a nós?

O ponto de encontro será na entrada principal da Estação da CP do Cais do Sodré. Os guias desta aventura serão o João Figueiredo, novo membro da crew, e o Tiago Portugal. Claro que outros elementos da crew estarão presentes para ajudar os participantes e, claro, para correrem pela cidade. 

 

Ah, é verdade, para os que estão preocupados com o ritmo, não estejam! O treino chama-se "Soft Session for Hard Runners", ou seja, grandes corredores, habituados a grandes distâncias e ritmos elevados, vão fazer um treino muito tranquilo.

 

De seguida uma breve e divertida descrição do percurso para perceberem o espírito. 

 

"Percurso tranquilo: saída do Cais do Sodré, vamos directos ao Lux, passamos o Lux e damos a volta quando chegarmos ao viaduto. Depois vamos ao Terreiro do Paço, contornamos a praça (para impressionar os turistas) e voltamos a passar no Cais do Sodré sempre em direcção ao Speakeasy, bebemos umas vodkas e depois voltamos, passamos ao lado do Urban Beach e vamos sempre ao lado do rio até ao Cais do Sodré". por João Figueiredo.

 

Este é o mapa do treino desta terça-feira:

 

 

 

Corrida do Tejo já no próximo domingo

E estamos a menos de 8 dias da Corrida do Tejo 2014. Estaé, como alguns de vós sabem, uma das provas mais famosas na distância de 10K na zona da Grande Lisboa. As inscrições ainda estão abertas, mas só até amanhã, dia 9 de Setembro. É a última hípotese para quem quiser correr nesta prova que também é um festa. 

 

O Correr na Cidade foi desafiado pela organização a participar com a sua crew & amigos nesta prova. E nós enviámos o desafio de volta à organização pedindo autorização para ajudar os corredores a superar desafios na prova do próximo dia 14 de Setembro junto da nossa crew - mas não nos substituindo aos pacers oficiais da prova, a cargo da GFD.

 

Assim, no próximo domingo vamos ajudar quem quiser ser ajudado por nós. Seja a correr pela primeira vez 10K (com a Liliana, Joana e Natália), ou a terminar esses 10K em menos de 1hora (com o Nuno Ferreira, a Bo e o Nuno Malcata) ou, ainda, em menos de 50 minutos (com o Stefan e o Luís Moura). O desafio tanto é para quem já se inscreveu, e que podem mudar a sua inscrição para passarem a fazer parte, nessa corrida, da crew; ou para aqueles que ainda se vão inscrever - só até amanhã, dia 9 de Setembro.

 

Para perceberem melhor a mecância correrem com o Correr na Cidade leiam, sff, a infografia abaixo. Quer sejamos 5 ou 50 o que interessa é que, nessa corrida, os objetivos vão ser alcançados, com a nossa ajuda. Aceitam o desafio?

 

1ª impressão: Adidas Adistar Raven 3

Por Filipe Gil:

 

Mal recebi os Adistar Raven 3 que a Adidas gentilmente me cedeu para correr com eles, fiz-me aos trilhos. Para ser completamente honesto, os primeiros três quilómetros e meio que fiz na sua estreia foram em asfalto. Sim, um desperdício utilizar este tipo de sapatilhas e gastar a sua sola no alcatrão.

 

Acontece que foi no dia do treino Into The Wild, em Monsanto e achei por bem que a melhor forma de ir ter com o resto da crew & convidados ao ponto de encontro seria...a correr. 

 

Gostei do comportamento dos Raven 3 em estrada, mas confesso que a cada passada quase que sentia a sola a gastar a cada toque no alcatrão. Esta não foi a primeira preocupação, sendo ténis para corredores neutros (e eu sou pronador) fiquei na dúvida se fazia a 1ª impressão ao "natural" ou se colocava as palmilhas da Iron Man que costumo usar em ténis neutros. Decidi ir sem palmilhas.

 

Diz-se, entre alguns praticantes de trail running, que a pronação não faz grande sentido em calçado de trail, uma vez que o piso é na maioria irregular e que o "ataque" do pé ao solo é díspar e variado. E assim não faz sentido um apoio à pronação por parte da sapatilha. Pergunto: é mesmo assim? Alguém pode ajudar nesta dúvida constante que eu e outros corredores pronadores têm? 

 

 

Voltando à 1ª impressão, no caminho para o ponto de encontro em Monsanto perdi-me. Como já havia escrito aqui. Mas foi a partir daí que fiz, quase sempre trilhos. E posso dizer que gostei do comportamento dos ténis. A sola da Continental é irrepreensível e são leves e seguram bem. Minto! Já me estava a esquecer. A meio de uma descida caí. Raramente caio em trail (pelo menos nos soft trail que corro em Monsanto) e num descida derrapei completamente e fiquei estendido no chão. Fiquei com a dúvida: foi da sola ou porque já era de noite e corria apenas com a luz do iPhone e coloquei o pé onde não devia e onde não o faria se fosse de dia? Em próximos treinos irei saber a resposta.

 

 

Contudo, e fazendo comparação dos Raven 3 com os meus outros ténis de trail da Adidas, os Riot 5, achei-os menos confortáveis que estes últimos.E  aquilo que mais me preocupou é que o mesh de que é feito a parte de cima da sapatilha fez-me sentir duas ou três vezes alguns galhos mais salientes nos trilhos. Ou seja, senti algum desconforto em algumas situações. Mas fora isso não tive quaisquer queixas, nem bolhas, nem dores nos pés por serem para passada neutra, apesar dos 18 km que fiz nesse dia de estreia com os Raven 3.

 

Porque gosto muito, mas mesmo muito dos Adidas Riot 5, vou "poupá-los" para os usar em trilhos maiores e mais técnicos e vou usar e abusar destes meus novos Raven 3 nos trilhos em Monsanto e Jamor. 

 

Daqui a umas semanas, e depois de mais quilómetros percorridos com os Raven 3, irei fazer a habitual e imparcia review que fazemos de todos os modelos que recebemos. 

 

A preparação para uma ultra maratona

Há cada vez mais corredores a optarem por fazer ultra maratonas, especialmente, em trilhos. Em vez de vos apresentarmos um rol de dicas para se tornarem ultra corredores - fica o post prometido para daqui a umas semanas - mas deixamos três episódios criados pela marca The North Face sobre o desafio de um corredor anónimo na sua preparação para fazer uma ultra maratona. 

 

Episódio I:

 

Episódio II:

Episódio III:

Armando Teixeira no Ultra Trail "Tor des Géants"

Armando Teixeira vai marcar presença naquela que é considerada uma das provas mais duras do mundo de Ultra Trail, o "Tor des Géants", uma odisseia de 330 quilómetros nos Alpes, que terá lugar entre 7 e 14 de Setembro.

 

São 330 quilómetros e 24.000m de desnível positivo, com uma altitude média acima dos 2.000m, pelos 4 gigantes dos Alpes - Mont Blanc,Grand Paradiso, Monte Rosa e Cervino, para ser completado num máximo de 7 dias.

 

De acordo com comunicado da Salomon/Suunto: "Armando Teixeira que nestes últimos anos tem estado nas provas de ultra trail mais importantes da Europa, e alcançando bons resultados, sentiu necessidade de procurar um novo desafio que lhe trouxesse novas motivações e sensações. O Tor des Géants foi a prova que me veio logo à cabeça; abordei o meu treinador Paulo Pires, ele aceitou de imediato o desafio proposto, ou seja, iria ser um desafio para ambos. Já há 2-3anos que seguia esta prova, inclusive relatos de portugueses que já a fizeram e de outros que a tentaram fazer. No ano passado a prova foi mais falada pela piores noticias, a morte de um atleta. Sabemos que em qualquer atividade de montanha ou outra qualquer existe riscos”".

 

A 4ª edição O Tor de Géants parte de Courmayeur às 10.00h, com 660 atletas de 41 nacionalidades, livres de administrar a prova de acordo com a sua preparação física e mental, já que organização não impõe etapas forçadas, Os atletas podem ou não descansar nos 7 postos de abastecimento, separados por cerca 50 quilómetros, que existem ao longo do percurso.

 

Para além de Armando Teixeira  estarão em prova mais 4 portugueses, e alguns dos grandes nomes da modalidade, como Salvador Calvo, que esteve presente no Gerês Trail  Adventure, e que disputará pela 4ª vez o Tor de Géants.


Aqui deixamos um vídeo de apresentação desta "dura" prova: 

Como descobri o Correr Na Cidade

Por João Figueiredo:

 

Lembro-me que estava na net à procura de uns ténis novos –os meus velhinhos Asics já tinham centenas de kms no lombo e estavam prestes a desintegrarem-se – e fui parar a uma critica às sapatilhas GoRun2 da Skechers feita pelo Filipe Gil no blog “Correr na Cidade”. Comecei a explorar o blog e gostei muito da forma empática, informal e não demasiado técnica com que os membros do blogue escreviam os seus posts.

 

Acabei por comprar aqueles ténis e fiquei muito satisfeito. Tudo o que eu tinha lido no blog estava certo e correspondia à verdade; e eu tinha descoberto uma nova forma de correr: o minimalismo.

 

Posteriormente descobri que o “Correr na Cidade” tinha uma página no Facebook e comecei a segui-la diariamente. Lia tudo avidamente e comecei a identificar-me cada vez mais com todos os membros. Cada um, à sua maneira, descreve os seus gostos, as suas angústias, as suas derrotas e as suas vitórias. Sem pretensões e da forma mais natural possível.

 

Troquei umas mensagens com o Filipe Gil e ele convidou-me a aparecer num dos treinos abertos que eles têm regularmente. E num final de tarde, lá fui eu ter com eles à Estação fFluvial de Belém. Fui tão bem recebido que nunca mais os larguei.

 

Correr proporciona um prazer enorme, mesmo quando estamos em grande sofrimento.

Parece uma contradição, mas acredito que seja esta mistura agridoce que atrai tanta gente a correr em qualquer local e às mais disparatadas horas do dia – e da noite.

 

Correr com a crew “Correr na Cidade” ajudou-me em imensas coisas, em particular a partilha de experiências e “truques” – que foi enorme e continua a ser. Os treinos com eles, passaram a ter presença obrigatória na minha agenda e, tirando a parte técnica, há muita gargalhada e diversão nos percursos que fazemos.

 

Agora que fui “adoptado” pela crew “Correr na Cidade” espero divertir-me ainda mais. Correr é um desporto fantástico e se estiveres bem acompanhado o prazer é ainda maior.

 

Vem correr connosco!

 

Terapia num trilho perto de si!

Por Filipe Gil:

 

Sempre fui uma pessoa muito urbana. Nasci e cresci no meio do rebuliço dos carros, autocarros e motas. Muitas vezes acordava de manhã não com o som agradável dos passarinhos mas com o apitar agudo dos semáforos quando verdes para os invisuais atravessarem a rua.  

 

Portanto, o espaço do campo e da montanha sempre foi estranho para mim (a praia, não tanto). Mas, ao mesmo tempo, sempre houve um chamamento qualquer por esses locais. Deve ser, com certeza, da minha costela beirã de um sítio entre serras e dominado pela da Estrela.

 

Isto para vos dizer que, hoje em dia, e cada vez mais, tenho necessidade de me evadir e de ir para o verde, como forma de balançar o stress diário da vida urbana. Ora, e por isso o trail running tem ganho cada vez mais importância na minha vida. E, claro, não estou a falar de trail running à séria, porque desse ainda fiz muito pouco. Mas do que se pode fazer numa cidade como Lisboa. Monsanto, Jamor, Sintra e Arrábida são apenas alguns exemplos de locais fantásticos para “trailar”. Que sorte que temos, quem vive por aqui.

 

E por falar em trail, ontem foi dia de mais um treino INTO THE WILD em Monsanto, organizado pela crew do Correr na Cidade guiado e preparado pelo Luís Moura (foi a estreia dele como membro da crew). O meu treino começou um pouco antes, já que saí de casa e fui a correr para Monsanto - foram cerca 4 Km quase sempre a subir.

 

Confesso que às tantas perdi-me no caminho. Sabia para onde queria ir, mas não percebi que trilhos tinha que fazer para lá chegar. A certa altura começo a ouvir cães a ladrar – o que é um problema para mim – e sem pensar duas vezes atalhei caminho e fui pelo meio da vegetação, sem ver bem o que pisava. Quando percebi rasguei (ainda que só superficialmente) a pele das pernas – ambas. E fiquei cheio de “restos” de plantas agarrados aos pelos das pernas. Passei metade do treino a “catar” esses restos, de tal forma que chegado a casa as meias foram para o lixo.

 

O treino em Monsanto foi puxadinho, sobretudo para quem está fora de forma como eu. Muitas descidas, muitas subidas, single tracks, e ainda algumas partes para rolar. Um percurso excelentemente pensado que nos permitiu descansar de vez em quando, reunir com os mais lentos e ganhar folego para novas e boas subidas.. No total foram 11K. Começámos de dia e acabamos já noite serrada. Mais duas semanas e estou certo que faremos estes treinos sempre de frontal na cabeça. Os últimos dois kms foram penosos apenas com a luz do smartphone. Mas valeu a pena.

 

Mas o meu treino não acabou por ali. O Stefan deu-me boleia até ao às bombas de gasolina no alto do Restelo e fui a correr para casa o resto do caminho - ok, é sempre a descer, o que facilita. Às tantas vejo um tipo a subir a mesma avenida e pensei: “mais um maluco que gosta de fazer subidas”, só já muito perto percebi (percebemos ambos) que era o Nuno Espadinha, membro da crew CnC, que só conseguiu treinar àquela hora (estamos a falar de 21h30m). Trocamos algumas palavras, mostrei-lhe os meus arranhões num misto “sou um grande herói mas esta porra arde para caraças”. E depois fiz mais dois kms a “abrir”. Já era bem tarde e queria chegar a casa para estar com a família. No final, olhei para o Strava e tirando os 3kms de boleia do Stefan, fiz 17,5K. A brincar a brincar fiz mais que o Trail de Casaínhos.

 

Hoje, acordei mais bem disposto, mais leve, mas sem stress para o stress do dia de trabalho. Até deu para passar a hora de almoço a comer uma sanduíche enquanto escrevia esta crónica. Correr nos trilhos, faz milagres.

 

 

Mais fotos do treino de ontem aqui.

Longevidade das sapatilhas. Mito ?

Por Luís Moura:

 

Por norma os sites dedicam-se ao unboxing e a field tests de 50/100km ou 2/4 semanas, afim de se aferir as qualidades dinâmicas e estáticas das sapatilhas quando chegam ao mercado. Mas o que é que acontece ao fim de um tempo mais prolongado de uso ? Como as sapatilhas se comportam quando começam a chegar perto do limite “natural” delas ? Será que envelhecem todas da mesma maneira graciosamente ou começam a apresentar problemas grandes de suporte à passada ou protecção contra o impacto do pé ? Rompem-se em determinados sítios no tecido como acontece em alguns modelos crónicos ? Neste texto vamos analisar as Saucony Guide 7.

 

Hoje o artigo é sobre um dos pares de sapatilhas que uso para treinar na estrada neste momento. Com ela tenho feito muito treinos entre os 10 e 50km.

 

Foram compradas em Fevereiro e neste momento depois do treino de terça-feira passada em Lisboa de 17km por subidas e descidas do João Campos, já contam com quase 900km de uso. Será que estas Saucony Guide 7 mantêm um bom piso para correr ? Será que o conforto vai-se degradando ? E a aderência em pisos menos colaborantes à pratica da corrida ?

 

 

Peso

O peso da Guide 7 foi um dos motivos principais que me levou a escolher esta sapatilha para companhia dos treinos. Ao fim destes meses todos continua a demonstrar que é mais leve do que a maior parte das sapatilhas “normais” para alcatrão sem entrarmos nas minimalistas mas ao fim destes km’s todos e uma certa habituação a ela, psicologicamente parece que já não são tão leves como pareciam ao inicio. Parte devesse que quando mudei para elas vinha de uma New Balance muito mais pesadas. Essa sensação de leveza já não é tão evidente com o uso.

 

Conforto

Para quem é ligeiro pronador como eu, elas fornecem um nível de apoio e de conforto assinalável. Os pés assentam muito bem e de uma maneira equilibrada pela superfície de contacto interna com a sapatilha, proporcionando um bom conforto e apoio em todas as situações. Tenho andado com elas principalmente em treinos a subir e descer Lisboa, seja em escadas ou rampas, e demonstram um excelente equilíbrio entre o conforto e confiança a quem corre. Parece que se moldam ao nosso pé e ficam como uma extensão do mesmo. Esta sensação ao inicio não é linear, pois a forma levantada da frente da sapatilha estranha-se mas depois de habituarmo-nos a ela, parece natural a passada.

 

 

Desgaste da Sola

Podem ver pelas fotografias para não se ficarem apenas pelo meu texto, mas tirando uma zona bem definida onde tem algum desgaste, as sapatilhas não tem qualquer indicio de terem 871km em cima. Apresentam uma solidez na parte principal da sola muito bom. O pisar e o nível de feedback que recebemos do terreno que pisamos mantém-se quase inalterado desde que as comprei. Diria que é o ponto mais relevante do bom estado das sapatilhas e que garante que a confiança nelas se mantêm ao fim deste tempo de treino. Em sentido contrário, o grip/aderência que a mesma tem caído a pique. A parte exterior da sola que se tem desgastado tem um forte impacto na aderência. Em pisos com menos aderência como a calçada portuguesa e algumas passagens superiores para peões que são feitas de metais, nota-se bastante quando se tenta mudar de direcção rapidamente que elas já não aderem como quando eram novas onde tinham um excelente grip no geral.

 

Tecido superior protecção

Este é um dos calcanhares de Aquiles de muitos modelos modernos, onde é sacrificado um pouco de melhor qualidade por um menor custo de produção. O resultado é que muitas das sapatilhas abrem pequenos buracos nas laterais ou na parte frontal da sapatilha nas zonas de contacto entre a parte de cima da sola e os tecidos de protecção superiores. Neste momento, e tendo alguma sorte em não ter batido com elas em nenhum ponto, a parte superior da sapatilha encontra-se em estado imaculado. Se as lavar agora ficam quase como se tivessem saído da caixa novinhas.

 

Considerações gerais

Quem me acompanha sabe o que penso destas sapatilhas. Para mim foi a melhor compra para correr no campo das sapatilhas de alcatrão que já fiz até hoje. Estou maravilhado desde o primeiro treino com elas. Nunca vi nem testei nenhuma sapatilha que me desse uma experiencia de correr tão agradável como estas Guide 7 o fazem. São leves q.b., muito confortáveis e muito estáveis em vários pisos, seja alcatrão ou paralelo no meio de Lisboa. Para mim levam um 10 de 10 pela qualidade que demonstra ao fim de 871km, 80h de corrida a uma média geral de 5:34/km e com 13,808 metros de acumulado positivo. Tirando um pouco de desgaste da palmilha e de uma perca de aderência em pisos mais escorregadios e até pareciam que estavam com muito pouco uso. Vamos ver até onde se mantêm confortáveis

 

Podem ver imagens e as primeiras considerações do Filipe quando ele testou-as novas aqui e aqui.