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Correr na Cidade

Sierra Nevada: Brutal, simplesmente espectacular!!! (2ª parte)

Por Tiago Portugal:

 

...Começou então a minha travessia no deserto. A partir daqui e até ao km 55 não sei o que me aconteceu mas fui completamente abaixo, fisicamente e depois mentalmente. As subidas tornaram-se quase inultrapassáveis, colocar um pé à frente do outro tornou-se uma tarefa esgotante, comecei a ficar para trás e a ser ultrapassado por muitos participantes. A única explicação lógica que tenho é que comecei nesta altura a utilizar os bastões, nunca os tinha usado.

 

Ao esforço das pernas adicionei os braços, como se estivesse numa elíptica, o que fez disparar o meu ritmo cardíaco e levou-me quase além dos meus limites físicos. Pela 1ª e última vez pensei em voltar atrás e desistir, pensamentos que me assombraram quase 1hora. Correr? Para que? Qual o objetivo disto tudo? Não estava melhor em casa? Quando regressar não vou meter-me em mais nenhuma? Em determinada altura pensamos todos o mesmo.

 

Parei. Sentei-me numa pedra durante 10minutos. Estava tão longe de casa. Cansado. Completamente desanimado. Revivi todo o esforço investido para estar ali naquele momento. Telefonei para a família, a tentar ouvir algumas palavras de conforto, li as muitas mensagens de incentivo, o meu obrigado a todos os que me mandaram mensagens. Relaxadamente comi e bebi enquanto observava a paisagem.

 

De repente tive uma epifania: Se tantos conseguem eu também vou conseguir. Basta acreditar. Dores? Todos tem, do 1º ao último. Mais do que a paixão por correr a essência desta prova era superar-me e ultrapassar as dificuldades que sabia iria encontrar.  Afinal isto é uma prova de resistência física e psicológica.

 

Levantei-me com um ânimo redobrado e comecei a caminhar. Deixei os bastões de lado e lentamente fui recuperando as forças. Por volta do km 58 comecei a cantar e a sorrir, estava com a moral em alta e recomecei a correr sem paragens. Apanhei os meus companheiros de viagem que tinha deixado por volta do km50 e prossegui com eles até ao km 75, Hoya de la Mora.

 

Ao km 73, em Pradollano, estava instalada a meta. Quem quisesse podia encurtar caminho e terminar a prova já ali, foram mais de 50 os participantes da ultra tomaram essa decisão. Apesar de essa ideia não me ter aflorado os pensamentos acho que fazer o percurso passar mesmo ao lado da meta não é o ideal. Com a meta debaixo de olho seguimos em frente. Tínhamos pela frente 1 km vertical ao longo de sensivelmente 6km, tudo acima dos 2.000m de altitude.

 

Estava tão cansado que já não falava, ninguém dizia nada nesta altura. Fui em piloto automático durante quase 2 horas, não me lembro do que pensei, nem sei se o fiz. Erámos 3 almas desoladas neste fim de mundo em peregrinação rumo ao Pico Veleta. Nesta fase o importante era não parar custe o que custar. Chegados a Hoya de La Mora vi um café e fui a correr comprar uma coca-cola. Bebi-a avidamente. Desejos de um corpo cansado que inconscientemente sabe o que vai fazer bem e dá ordens diretas ao cérebro, a razão não foi sequer ouvida nesta decisão.

 

 

Comecei a ver o Pico Veleta cada vez mais perto e ao fim de 2 horas avistei uma senhora de casaco vermelho, coincidência, perto de uma casa, fiquei tão contente. Antes da subida final olhei para o relógio que marcava os 3.000m de altitude. Últimos minutos de esforço e alcancei-a. Disse-me em espanhol que já não havia mais subidas, agora era sempre a descer. Não consigo descrever o que senti. Fiquei eufórico. A meta estava a 7-8km de distância. Todo o esforço tinha compensado. Pela 1ª vez senti que já nada me impediria de terminar a prova, nem que seja a rebolar vou cortar a meta.

 

Fiz os últimos km’s o mais rápido que consegui. Com o cansaço a noção de velocidade fica alterada. Pensei que estava a correr a uma velocidade de 5m/km e quando olhei para o relógio tal surpresa, não ia mais rápido que 6m30/km. Demorei 1h05 a fazer os últimos quilómetros. A chegar, novamente, a Pradollano todos os presentes a baterem palmas, o incentivo de todos, a chegar à meta vejo alguém a dar-me a bandeira de Portugal, sei hoje que era o Bruno Bondoso, vencedor dos 100km do Oh Meu Deus em 2014 que ficou num extraordinário 9º lugar. Obrigado Bruno, passar a meta a segurar a bandeira nacional é uma sensação extraordinária. Orgulho em mim, em nós que viemos de tão longe movidos pela paixão que nos une ao trail.  

 

16h29minutos, desnível positivo de 4987metros e um 72º lugar, o que menos interessava.

 

 

Saí de Serra Nevada com uma certeza e duas dúvidas.

 

A certeza que sou hoje uma pessoa diferente, sei que com dedicação, vontade, resiliência e querer podemos atingir quase todos os desafios a que nos propomos. Se outros conseguem nós também vamos conseguir.

Depois da prova fiquei a pensar, ainda hoje reflito muito sobre isto, em duas questões:

  1. Estarei ou já estou a ficar viciado na corrida e especialmente em provas longas de trail? E será na corrida ou na sensação de superação e de desafiar-me a ir sempre mais além e mais rápido?
  2. A resistência durante uma prova longa demonstra a nossa resistência na vida? A forma como abordámos a corrida e o trail reflete em parte a nossa personalidade e como encarámos a vida? Cada vez acho mais que sim.

 

Quero agradecer todo o apoio à Adidas, pela oferta de material, ao José Carlos Santos por toda a paciência e pelos treinos que me prepararam para esta aventura e a todos os meus amigos e família pelas palavras de incentivo que num momento de mais aflição foram o meu alento.

 

Os objetivos para 2015 já estão definidos, cada vez mais é o mote.

Boas corridas a todos.

 

Leia aqui a 1ª parte deste relato final.

E aqui as crónicas de preparação para esta prova.

 

1ª Impressão: Reebok One Cushion 2.0

 

Como vos falei no Unboxing destes ténis da Reebok, quando os recebi estava a passar por um daqueles dias menos bons.

 

Após 15 dias de puro ócio, voltar à rotina não estava a ser fácil, e os dias feios e chuvosos não ajudam nada. Queria e sabia que tinha de voltar aos treinos, após fazer a Maratona de Sevilha em Fevereiro decidi repetir a distância, desta vez em trilho, em Outubro vou fazer os 42km no Trail Serra da Lousã, pelo que após 15 dias parado, tenho de retomar o ritmo certo de treino, mas a vontade não estava lá.

 

Como ter ténis novos, para quem corre, é como ser Natal, assim que abri a caixa dos Reebok One Cushion 2.0 a vontade voltou. Combinei um treininho com a Ana da Crew pelas subidinhas do Restelo,  tirei as fotos do Unboxing, troquei de roupa, calçei os ténis que ficaram mesmo à medida e fui ter com ela. Aproveitei para fazer a estreia da mochila de hidratação que vou utilizar em Outubro na Lousã.

Logo no aquecimento, da minha casa à casa da Ana, durante 2km praticamente a descer, deu para definir a primeira impressão dos ténis, e a palavra que melhor define a 1ª impressão é "conforto".

 

Cheguei a casa da Ana com 2km feitos, e parecia que já tinha os ténis à 200km, muito boa sensação, os ténis não devem ser um apendice nos pés que nos incomodam, e o melhor que podia sentir, era não sentir nada estranho.

 

O treino pelo Restelo foi muito bem disposto, a um ritmo bom para por a conversa em dia, com a Ana boa conversa e boa disposição nunca faltam. Foram 9 Km pela avenida e ruas dos restelo, com passagem pelos Jeronimos e retorno à casa da Ana.

 

Os Reebok One Cushion 2.0 tiveram um bom comportamento, dá para destinguir bem as 3 densidades pelos quais são constituidos, desde a zona do calcanhar mais firme, até aos zona dos dedos mais mole passando por uma camada intermédia, o que permite uma passada confortável, seja qual for o tipo de passada que tivermos, seja incorretamente de calcanhar, como eu, ou com uma melhor técnica.

 

O regresso a casa foi a subir, já com 11Km, sem qualquer problema com a estreia dos ténis decidi arriscar e puxei na subida, mesmo em escadas mais escorregadias e num misto de city-trail, cheguei rapidamente a casa, cansado, contente pelo treino feito e com os One Cushion 2.0, bela estreia.

Deu para perceber que vão ser uns ótimos parceiros para treinos de distâncias intermédias, são leves qb, muito confortáveis, e talvez uma boa hipótese para uma Meia Maratona, a decidir durante os próximos tempos nos treinos de estrada, comunico a decisão na Review final. 

Sierra Nevada: Brutal, simplesmente espectacular!!! (1ª parte)

 

Por Tiago Portugal:

 

Uma semana depois de ter cortado a meta em Pradollano são estas as palavras que melhor descrevem a minha epopeia na serra nevada, uma montanha-russa emocional e física ao longo de 86km, com direito a looping, que durou 16h29m.

 

Três dias fantásticos que possibilitaram conhecer melhor os meus limites, crescer e fomentar amizades. Partimos sexta de manhã, 4 aventureiros, a caminho de Granada, local de partida da prova. Ao fim de 8 horas de viagem vislumbramos o nosso objetivo, o cume da Serra Nevada.

 

Depois de deixar as roupas no apartamento e preparar a mochila com o material para deixar ao km44, meio da prova, fomos diretos levantar o dorsal e assistir ao briefing. Pelo relato do diretor da prova as maiores dificuldades iniciavam por volta do km 44, nada como uma maratona para aquecer os músculos antes de realmente começar a prova. Na melhor das expectativas os primeiros concluiriam a prova em 10horas, pessoalmente tinha fixado como

objetivo finalizar a prova em cerca de 16-17horas.

 

Enfiei dentro da minha mochila um par de calções, meias, outro par de tênis, comida, bebidas e os bastões. Primeiro aviso de que esta prova era diferente de todas as que já tinha feito. Se calhar mal habituado de Portugal, estava à espera de ver uma feira com alguns stands de marcas e lojas, mas não havia nada e, infelizmente, não pude gastar os euros que tinha levado comigo.

 

Após o briefing saímos do pavilhão expectantes e cada um de nós expunha os seus objetivos pessoais e definia estratégias para a corrida. Jantar feito á base de massa e conversa, invariavelmente sobre corridas e material de corrida. Regressámos ao apartamento para tentar descansar. Antes de todas as provas a ansiedade costuma levar-me sempre de vencido e pouco ou nada dormi, apesar de cansado só queria que a prova começasse. Despertador a tocar e às 02h45 já estávamos todos equipados na rua.

 

 

3h00: arranque do 1o ultra trail da Serra Nevada – o entusiasmo era palpável e o ambiente animado, os Espanhóis nisto são imbatíveis. Não vou fazer nenhum relato pormenorizado da prova. Foi a 1a edição e não foi um mar de rosas. Percurso bonito, muito duro, com subidas e mais subidas. Marcações impecáveis, só se perdia quem queria. Tive muita pena de não ter subido ao Pico Veleta, ficou mesmo ao nosso alcance. Abastecimentos muito, mas mesmo muito, fracos e a organização não se viu, valeram os voluntários que em todos os abastecimentos iam dando palavras de ânimo. O potencial está todo lá e agora só precisam de melhorar para a prova atrair cada vez mais amantes do trail running.

 

De realçar a atitude dos Espanhóis nas palavras de incentivo e de encorajamento que davam a todos os participantes, do 1o ao último. Nunca vi nada disto em Portugal. “Campeón” e “Máquina” foram as palavras que mais ouvi durante a prova. O trail em Espanha é um desporto valorizado.

 

 

16horas e 29minutos dão para pensar em muita coisa, família, amigos, reviver o passado e fazer planos para o futuro.

 

Até meio da prova,43,2km, abastecimento de Guejar Sierra, fiz uma prova controlada, a gerir o esforço para a 2a metade da prova, onde segundo a organização começava a verdadeira prova. Mas não foi bem assim, com 3h05 de prova enfrentámos uma subida interminável com um desnível positivo de 700m. Correr de noite também não ajuda e não é do meu agrado, com o nascer do sol também a energia começou a aparecer.

 

Guejar Sierra era o abastecimento que marcava o meio da prova. Situado num pavilhão fechado onde tínhamos acesso à nossa mochila. Aproveitei a ocasião para trocar de roupa, os calções da Adidas com climaheat já tinham feito o seu trabalho e pus outros calções também eles da Adidas. Tratei dos pés, rebentei duas bolhas, e alimentei-me. Ficámos cerca de 30m neste abastecimento, tempo suficiente para repor energias e descansar para a 2a metade da prova. Até aqui estava tudo a correr lindamente, fisicamente muito bem para quem já tinha mais de 7h de prova, os 3 meses de treino estavam a dar frutos.

 

(continua amanhã...)

 

Para ler as crónicas da preparaçao do Tiago para a Sierra Nevada, clicar aqui

 

Esta quinta feira voltamos a Belém

Esta quinta-feira, dia 25 de setembro, vamos voltar a treinar por Belém. Treino de 8 a 9km com partida da Estação Fluvial de Belém, pelas 19h00 19h30. Os "guias" do Correr na Cidade serão o Nuno Malcata, para um ritmo de corrida mais "vivo", e a Joana Malcata para um ritmo menos rápido. Basta aparecerem, no entanto, e por uma questão de logística, podem confirmar a vossa presença no evento do facebook, aqui.
Até quinta! 

A Correr na Cidade de Lisboa

Carlos Sá com a crew mais "cool" de Lisboa e arredores

Por Filipe Gil

 

Contrariando a lógica da escrita jornalística, vou começar pelo menos importante do que aconteceu no Meo Urban Trail (MUT) 2014: as classificações. Esta crew, como já perceberam, liga pouco aos lugares em que ficamos nas provas e corridas que participamos, apesar de tentarmos sempre dar o nosso melhor. Mas desta vez o 25º lugar do nosso membro da crew, Luís Moura, é de destacar. O Luís partiu que nem um foguete e a sua experiência em trail running e ultra maratonas vieram ao de cima. Todos os outros, dos mais rápidos aos menos, merecem destaque, mas não podia deixar de sublinhar esta excelente classificação.

 

Falando propriamente no MUT, esta foi a primeira vez que participei. Uma corrida que desde a sua prova inaugural me despertou a atenção, nessa altura o termo e o conceito City Trail ou Urban Trail ainda era desconhecidos em Portugal, pela maioria, mas já havia algo ali algo muito chamativo.

Aliás, será certamente por isso que a crew do Correr na Cidade tem uma especial paixão quer pelo Trail como pelo City/Urban Trail. Mas vamos por partes.

 

Organização:

Achei impecável. Claro que no final, nas últimas “subidinhas” e “descidinhas”da prova já estava a dizer mal da organização porque achei exagerado tanta escadaria na parte final. Depois da "tareia", a maioria dos corredores queria rolar um pouco. Mas se calhar é um preciosismo meu.

 

De fato, quer a nível de apoio dos voluntários, quer a nível de sinalização, achei tudo muito bem organizado. Mas concordo com a crónica do João que aqui escreveu que merecíamos todos umas medalhas, para olharmos para elas com orgulho e renovar a nossa memória das subidas e descidas. Também houve locais em que existiam automóveis a mais, a tapar o caminho. Mas enfim. A minha critica final é para o abastecimento no Largo do Intendente. Mal percebi que existia. Deu-se o caso de pegar ao mesmo tempo uma garrafa com outro corredor. Mas, fomos ambos simpáticos e partilhamos a água – o espírito do trail esteve mesmo presente!

 

De resto, nada a assinalar. Sei que, se puder, irei repetir o percurso de Lisboa e, confesso, fiquei a pensar se não devia aceitar o desafio de fazer o percurso em Sintra, no próximo dia 25 de outubro. Deve ser igualmente "puxadito".

 

A minha participação

Podia ter sido melhor, confesso que ainda não foi a prova que dei o meu máximo – será que alguma vez o farei? Não fui até aos meus limites (que os desconheço, por receio), mas gostei muito da prova. E transpirei como se não houvesse amanhã.

 

A maioria de vocês não sabe, mas uma semana antes deste MUT surgiu-me uma dor na fascia plantar no pé esquerdo e andei a semana cheio de medo (recordo que tive uma aventura com uma fascite do pé direito entre novembro de 2013 e Fevereiro de 2014). Quando fiz um treino em Monsanto, a meio da semana, senti algumas dores, pensei mesmo que estava novamente com uma fascite plantar.

 

A minha melhor amiga.
 

Desde então, comecei a massajar muitas vezes com a bola de golfe – e doeu muito. Comecei a tomar Arnica e a pedir massagens caseiras nos pés. Durante uns dias tive muitas dores na parte do arco plantar. Contudo, no sábado de manhã a dor do pé mudou por completo. Deixou de doer naquele local e passou a doer num ponto do calcanhar. Num pequeno ponto. A recordar o que me aconteceu meses antes no pé anterior e que me levou à "cura". Fiquei mais animado.

 

Durante o MUT senti dores, sobretudo na parte em que passamos pelo Castelo de São Jorge, com aquele piso....digno de um trail numa das nossas Serras. E também me doeu muito nas descidas, onde desci como se não houvesse amanhã, fruto da aprendizagem que tive no último treino com o David Faustino: parte da frente dos pés, braços abertos a equilibrar e aproveitar o balanço da gravidade e sem medos...

 

Búúú! 

No final da prova, que fiz em 1:17:57, tive que me descalçar para massajar os pés porque doiam. Mas à medida que fui arrefecendo a coisas foram melhorando.

 

Chegado a casa, onde a minha mãe tomava conta dos dois diabretes, pedi-lhe nova massagem nos pés. E acho que foi milagroso, fiquei mesmo melhor. No dia seguinte, mal me lembrava das dores. Como se costuma dizer, quem tem uma mãe, tem tudo...

 

Orgulho! Ver o logo deste blog associado a uma prova destas
 

Mas voltando à prova. Cedo deixei de subir a correr, mais concretamente no Elevador do Lavra. Aí deixei ir o amigo Rui Alves Pinto com quem partilhei o percurso até ali, seguir ao seu ritmo, eu fiquei mais lento. Mas entrei no espírito, fiz a prova todo sozinho, mas a desfrutar cada momento. Se podia ter sido mais atrevido, sim podia. E dei o meu melhor nas descidas. Apanhava quem me ultrapassada nas subidas. Mas não quis rebentar. Fui medricas. Só mesmo no último quilómetro, quando vejo que a meta estava por ali corri que quase me saltava o pulmão.

 

Mas o meu “perigo de vida” deu-se depois. Fiquei à espera que a minha mulher chegasse. Mal a vejo, passados poucos minutos depois de mim, felicito-a e ela diz-me “és um homem morto”. Estava estafada e disse que eram subidas a mais, que lhe doía tudo, não percebia a razão de tanta subidas, mas depois, e aqui entre nós que ela não nos lê, não falou de outra coisa, “e a prova isto, e fiz aquilo”. Aposto que para o ano está lá e a querer dar uma melhor prestação. Eu também!

 

Link para a reportagem do evento feito pela SIC:

Síndrome Banda Iliotibial

Por Drª Sara Dias:

 

Síndrome da Banda Iliotibial ou mais conhecido por “Joelho de Corredor” é a lesão mais frequente entre os corredores e ciclistas. Estudos científicos concluem que se trata da segunda lesão mais frequente no universo do Running, representando assim 15% das lesões desportivas.

 

 

A banda iliotibial é um tecido fibroso denso, que tem origem na crista ilíaca (bordo lateral do osso da bacia) passando pelo côndilo femoral terminando no tubérculo Gerby na tíbia (região lateral externa do joelho).    

 

Do ponto de vista biomecânico esta banda tem a função:

-          Estabilizar  a bacia e o joelho

-          Auxiliar os movimentos de abdução do membro inferior

-          Rotação interna da bacia

-          Movimento de extensão e flexão do joelho

 

O síndrome da banda iliotibial resulta de uma inflamação que ocorre na parte distal do tendão iliotibial, gerado pela fricção deste no côndilo femoral. Este atrito ocorre por movimentos repetidos de flexão e extensão do joelho.

Muitos atletas apresentam fragilidade nos músculos flexores e extensores do joelho,  sendo por isso solicitado o auxilio da banda iliotibial que deixa de ser uma estrutura estabilizadora, passando a ser uma estrutura flexora e extensora do joelho.

 

Diversos fatores podem contribuir para que esta patologia se instale:

-          Diminuição flexibilidade da banda iliotibial, originando aumento tensão na fase de acomodação do pé no solo, especialmente num ângulo de flexão inferior ou igual a 300 (ângulo no qual há fricção)

-          Encurtamentos musculares

-          Membro inferior desalinhado

-          Dissimetria do membro inferior

-          Correr em superfícies inclinadas e/ou duras

-          Ausência de aquecimento e de alongamento antes e depois da atividade desportiva

-          Calçado inadequado

-          Atletas de longas distâncias apresentam maior predisposição para esta patologia do que velocistas, devido estarem submetidos a maiores alterações de passada

 

Inicialmente a dor surge de uma forma difusa na região lateral externa do joelho que maior parte das vezes desaparece assim que se termina a atividade física. Ao longo do tempo a intensidade da dor vai aumentando, sendo esta diretamente proporcional á intensidade e ritmo da atividade. Maior parte das vezes limita os movimentos do joelho e a paragem é inevitável.

O diagnóstico consegue-se através de um historial clínico minucioso, alguns testes ortopédicos tal como o teste de Noble ou o recurso a Ressonância Magnética onde é possível verificar um espessamento da banda iliotibial.

 

Tratamento:

-          Repouso

-          Medicação anti-inflamatória e analgésica

-          Aplicação de gelo para eliminar a inflamação local, aconselhável ser gelo dinâmico

-          Alongamentos

-          Terapia miofascial

-          Acupunctura

-          Mesoterapia

-          Fortalecimento muscular

-          Consultar um profissional especializado para que este possa avaliar anatomicamente fatores que estejam a contribuir para a patologia

-          Reavaliar os treinos

 

É muito importante não esquecer que a dor é um sinal de que alguma coisa não está correta no seu corpo, consulte um especialista e aposte na prevenção. 

L-Carnitina: o que é? Será que vale a pena tomar?

A pedido de alguns colegas e seguidores deste blog, decidi escrever este artigo sobre uma substância muito falada no universo desportivo: a L-Carnitina.

Trata-se de uma substância produzida naturalmente pelo nosso organismo, obtida a partir da lisina, metionina, ferro e das vitaminas C, B3 e B6. Alguns alimentos também são fornecedores de L-Carnitina, como é o caso da carne e produtos lácteos, mas apenas fornecem cerca de 50 a 150mg por dia. Segundo alguns artigos científicos que pude consultar, são necessários cerca de 2500mg desta substância para termos um efeito otimizado.

 

O papel desta substância passa por ajudar o nosso organismo a produzir energia e pode ser resumido da seguinte forma: a L-Carnitina transporta os ácidos gordos de cadeia longa até à mitocôndria para serem “queimados” e, assim, se obter energia a partir da gordura armazenada. Por este motivo é tão utilizada sob a forma de suplementos alimentares em dietas de emagrecimento. Também é considerada como um suplemento alimentar relativamente seguro e que traz benefícios para o funcionamento dos músculos-esqueléticos, cérebro e coração.

 

Segundo um artigo publicado no Med Sport Sci. em 2012, da autoria de Huang A. e Owen K. Role of supplementary L-carnitine in exercise and exercise recovery, a ingestão de L-Carnitina reduz o stress oxidativo (reduzindo a formação de radicais livres) e influencia positivamente no processo de recuperação após o exercício.

 

De acordo com alguns pacientes a quem recomendei a toma de um suplemento alimentar de L-Carnitina, o seu desempenho durante o exercício melhorou um pouco e sentiram que a recuperação pós-exercício foi mais rápida. Consequentemente, os valores de massa gorda também diminuíram. Claro que esta redução não teve só a ver com a ingestão deste suplemento mas, também, com a modificação dos hábitos alimentares e a prática regular de exercício.

 

A melhor forma de tomar um suplemento de L-Carnitina é através de ampolas. Estas devem ser tomadas cerca de 1 hora antes do exercício e junto com um alimento rico em hidratos de carbono, por exemplo, uma banana. Desta forma aumentamos a quantidade de L-Carnitina disponível nos músculos. Os efeitos da toma desta substância são mais notórios ao fim de 6 meses após o início da toma do suplemento.

 

A L-Carnitina só está recomendada para indivíduos que façam um tipo de exercício mais intenso e que tenham uma elevada percentagem de massa gorda que justifique a sua toma. Contudo, recomendo que consulte o seu nutricionista para avaliar a necessidade e o objetivo da toma deste suplemento. Cada caso é um caso e deve ser avaliado como tal.

 

Boas corridas!

A Crew no Meo Urban Trail 2014

 

Por João Figueiredo

 

A Meo Urban Trail Lisboa (MUT) é uma corrida de produção bastante elaborada e complexa. É uma prova nocturna no coração de Lisboa com milhares de participantes (8 mil) que se propõem correr 12km ou caminhar 6km. Os 120 voluntários e os 120 agentes da PSP envolvidos nesta organização demonstram bem a dimensão e o impacto urbano que esta corrida provoca na zona histórica da cidade.

 

A MUT é uma corrida que se auto-promove – é impressionante o número de pessoas que corre pelos mais variados sítios, ao longo de todo o ano, com a camisola amarela fluorescente da MEO. É uma camisola bem idealizada em termos de segurança e vaidade para o runner. Toda a gente quer ter uma.

No sábado, 20 de Setembro de 2014, participei na minha 2ª MUT com o Correr na Cidade e com amigos das corridas. Já tinha participado na MUT o ano passado, mas de forma individual e sem estar envolvido nisto das running crews.

 

Fomos chegando ao ponto de encontro, na praça do Comercio, e o entusiasmo ia aumentado com o aproximar da hora da partida. Reencontrámos, com orgulho, o nosso Tiago Portugal que fez o ultra trail da Serra Nevada há duas semanas (ele depois vai contar aqui como foi) e juntámos no nosso grupo antigos e novos amigos para partirmos juntos nesta prova.

 

Marcaram presença: o Filipe Gil, o João Gonçalves, o Rui Alves, eu, o Tiago Portugal, a Liliana Moreira, o Luís Moura, o Telmo, o Nuno Espadinha, a Natália Costa, a Ana Morais, a Bo Irik, a Nazli Turan, a Andreia Fernandes e a Patrícia Mar. A boa disposição era enorme e enquanto alinhavamos para a partida as brincadeiras eram constantes.

 

Pouco depois das 21:00 soou o tiro de partida e os milhares de corredores invadiram Lisboa numa imensa onda de energia positiva e bom humor – há uma nova vertente artística que se chama running comedians, trata-se de pessoal com um imenso sentido de humor que dispara piadas em passo de corrida, é a galhofa total.


Este ano optei por correr sem olhar para o cronómetro. Optei pelo prazer de correr na minha cidade, com a sua típica calçada, optei por saborear cada passada com as minhas sapatilhas fivefingers, optei pelo altruísmo de dar força a todos os conhecidos que ia encontrando pelo caminho e tive a simpática companhia da Andreia - que começou a correr connosco no treino Just Girls de Julho e tem-se superado… de dia para dia!!

 

Saindo da praça do Comércio fomos em direcção ao miradouro de Stª Catarina, pelo elevador da Bica – a primeira subidinha para “aquecer”. Ao contrário do que eu estava à espera, e do que aconteceu no ano passado, não houve quebras de ritmo nem entupimentos provocados por abrandamentos de corredores. Muito bem, os treinos andam a resultar!

 

Entrámos no Bairro Alto e percorremos quase a totalidade da mítica Rua da Rosa, depois virámos à direita e fomos em direcção ao elevador da Glória. A descida da calçada da Glória não é fácil, é muito inclinada e os carris do elevador não são de grande confiança no que concerne à aderência – não me estendi ao comprido por pouco.

 

Atravessámos a praça dos Restauradores pelo interior do metro e subimos o elevador do Lavra até ao Jardim do Torel– aqui já começou a doer e os turistas que nos viam, faziam uma festa enorme como acto de misericórdia.

 

Descemos até ao Martim Moniz, onde fomos recebidos por muitas crianças chinesas e indianas em total festa e gritaria. Depois passámos pelo renovado Largo do Intendente e subimos (MUITO) até ao miradouro da Srª do Monte – vale a pena o esforço para, na minha opinião, desfrutar da melhor vista da cidade de Lisboa. Descemos a calçada do Monte, entrámos na rua dos Lagares e depois subimos a épica escadaria do caracol da Graça. Aqui cheguei a ouvir «mas é possível alguém fazer isto tudo a correr?»


É, os treinos do João Campos «Escadinhas & Subidinhas» são todas as semanas e ele chama a isto “aperitivo-para-o-jantar”.

 

Depois passámos pelo Castelo de S.Jorge, que é a parte mais desafiante para quem abraçou o minimalismo… Os voluntários dizem-nos «Cuidado com a pedra!!» “A”? “A PEDRA”? Meus amigos, aquilo são montes de calhaus dispostos a fazerem-nos a vida negra, neste caso os pés…

 

Passámos pelo Panteão e descemos por Alfama. Aqui foi a zona onde fomos mais “abraçados” por palavras de encorajamento.Os turistas, os residentes locais, as crianças,… foi extraordinária a recepção que aquelas pessoas nos fizeram, sentimo-nos uns verdadeiros heróis.


E por fim chegámos à Meta na Praça do Comércio onde a crew e amigos nos esperavam para nos felicitar efusivamente. Deram-nos pêras (muito boas) e maçãs para repor alguma energia e a vital garrafinha de água.

A MUT, devido ao grau de interesse que tem entre muitas pessoas, devia melhorar alguns aspectos:


-deviam oferecer uma medalha aos corredores que terminam. A oferta de uma camisola parece-me manifestamente pouco;


-os voluntários que indicavam as curvas ou onde devíamos virar, deviam fazê-lo posicionados com alguns metros de antecedência;


-os agentes da PSP nem sempre garantiram a rua livre para nós passarmos. Assisti mesmo a um arranca-rabo entre corredores e taxistas porque estes queriam à força andar com o carro enquanto nós corríamos;


-havia carros estacionados em frente a escadinhas que tínhamos de subir, tivemos de fazer alguns abrandamentos por causa disto, o que vale é que houve sempre muito bom comportamento entre os corredores. A organização devia impedir, de véspera, o estacionamento em zonas cruciais para o normal desenvolvimento da corrida;


-a organização anunciou um percurso de 12km, mas o percurso real foi de 10.6km. Houve quem fizesse gestão de esforço para a distância anunciada e no fim ficou com um sentimento de … WTF!?

 

Concluindo, embora esta corrida tenha sido mais dura que a do ano passado, eu sorri muito mais vezes este ano, porque correr nem sempre implica atingir um fim. Tal como tudo o resto de que gostamos – tudo aquilo a que chamamos sentimentalmente as nossas “paixões” e os nossos “desejos”- correr trata-se de uma necessidade ancestral codificada nos nossos genes e, deve ser feita naturalmente: em comunidade.

A Corrida do Tejo 2014: a festa de um ano de provas para a Bo

 

Créditos: Emídio Copeto e Gustavo Figueiredo / retira do facebook da Corrida do Tejo

 

No domingo passado realizou-se a Corrida do Tejo, uma corrida de estrada da Câmara Municipal de Oeiras, que completou este ano a sua 34ª edição. É conhecida como sendo uma das provas mais carismáticas do calendário nacional, caracterizando-se por um “percurso fácil e de enquadramento impar junto à orla marítima de Oeiras”.

 

Esta corrida, na sua edição de 2013, foi a minha primeira prova em Portugal. Antes dessa apenas tinha participado em duas provas de 10km em Utrecht, Holanda, em 2012 enquanto estudava lá. De facto, foi na preparação para a primeira dessas duas provas que o vício da corrida atacou. Na altura desafiei alguns colegas meus a fazermos uma equipa para a prova dos 10km da Maratona de Utrecht. Nenhum de nós corria e foi por não quererem rejeitar o meu desafio que acabamos por inscrever-nos. Foi muito divertido e adorei a sensação de cruzar a meta pelo que no mês seguinte inscrevi-me noutra prova de 10.

 

Uma vez concluídos os estudos e de volta a Portugal onde iria iniciar o percurso profissional, não consegui aliar os treinos aos primeiros meses de “trabalho à serio”. Comecei a trabalhar numa consultora de gestão em Lisboa em Novembro de 2012 e só em Março de 2013 consegui voltar aos treinos com alguma regularidade. Assim, a Corrida do Tejo 2013 foi a minha primeira prova em Portugal e curiosamente fui com um dorsal que tinha conseguido num passatempo do Correr na Cidade.

 

Na altura ainda não conhecia quase ninguém no mundo da corrida e fui sozinha à prova. Adorei o percurso e o espírito mas sofri muito com o calor e as (ligeiras) subidas às quais (ainda) não estava habituada. Em 2013 já tinha a ambição de fazer a prova em 50 minutos mas acabei por cruzar a meta com 52 minutos de prova.

 

Este ano, quando abriram as inscrições para a Corrida do Tejo, não hesitei; queria mesmo voltar a correr na marginal, naquele ambiente espetacular. Iria fazer um ano de provas em Portugal. Yeah! Surgiu a ideia do “Vem superar-te na Corrida do Tejo com o Correr na Cidade e eu, com muito gosto, fiquei responsável por guiar o grupo dos sub60, ou seja, quem quisesse fazer a prova abaixo dos 60 minutos, com o apoio da Crew do Correr na Cidade. Gostei muito desta iniciativa, eu própria, o ano passado, sei que teria tido um desempenho muito melhor caso tivesse ido acompanhada e adoro puxar pelo pessoal (tal como quem costuma correr connosco sabe :p ).

 

Na meta da Corrida do Tejo 2014 com a Patrícia e a Joana. Foto por André Noronha

Assim, no domingo pelas 9h15 encontramo-nos todos, a crew e as pessoas que aceitaram o desafio de superarem-se connosco, no local combinado. Durante a prova fui sempre a puxar pela Patrícia Mar gerindo bem o ritmo e a altimetria. Durante o percurso, deslumbrante numa manhã de Sol, fui encontrando várias caras conhecidas. Adoro durante uma prova ouvir pessoas a gritar o meu nome porque já partilharam momentos de corrida comigo. “Força corredora de Lagos” gritou alguém com quem me tinha cruzado na Meia Maratona de Lagos. É sempre motivador. A Patrícia e eu cruzamos a meta com 57 minutos de prova, abaixo dos 60 que nos tínhamos proposto, mas muito acima do nosso potencial. Foi mais uma prova “back to running” depois das férias do que uma prova para bater PBTs.

 

Em termos de organização, os meus parabéns. Tudo fluído, animado, limpo e pontual. Tudo o que se quer numa prova. Só achei pena não haver nada para comer na meta, uma maçã teria sabido muito bem! Para o ano lá estarei a celebrar dois anos de provas! E tu, também foste? O que achaste?