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Correr na Cidade

Sofrimento, companheirismo e aprendizagem!

27.06.14 | Filipe Gil

 

Por Nuno Espadinha:

 

É mesmo isso: sofrimento! É a palavra que melhor descreve a minha participação no Louzan Trail, o meu primeiro trail a sério.

 

Estou habituado a chegar às provas e correr. Ponto. Sem grandes stresses ou preparação. Isto tem sido válido para as provas de estrada que fiz até agora, e onde se incluem algumas Meias Maratonas e distâncias de 10 a 15k. Para o trail a coisa muda de figura e nada do que fiz até chegar à Lousã, um treino em Sintra de 24Kms e um ou outro "passeio" pelo Jamor  e ainda um treino de 18kms em Monsanto (uma semana antes da Lousã), me preparou para o que encontrei!

 

A minha "prova" acabou definitivamente aos 13/14Kms depois da subida ao Trevim, já não vinha “famoso” e tinha feito um esforço tremendo para não escorregar no xisto que fomos encontrando pelo caminho.

 

Não sou grande fã de escalada e aquela "parede" esgotou as minhas forças. Eu que sou conhecido na crew por fazer uma boa gestão de esforço fiquei nas lonas....e ainda faltavam 20 Kms, aproximadamente. Aqui entra a segunda parte do título deste report: Companheirismo!

 

 

Sem a preciosa ajuda, espírito de sacrifico e paciência dos meus companheiros da Crew, Nuno Malcata, Bo Irik e Filipe Gil (a ordem é aleatória), teria certamente desistido aos 20Kms. Eles demoraram, à vontade, pelo menos mais 45 mins do que se me tivessem deixado ficar para trás.

 

Pelas cãibras que senti, descobri que a compressão não é de todo para mim em trail. Já não o era em provas de estrada, e no trail também não. Pela primeira vez desde que corro ia ficando pelo caminho sem ser por lesão, e aqui entra a terceira palavra do título: Aprendizagem!

 

 

É um bocado "violento" aprender desta forma mas paciência, sei agora que tenho de me preparar melhor nas semanas antes destas provas e perder algum peso, e melhorar a hidratação por exemplo. Tenho a particularidade de só ter um rim (é um mega rim, ok!) e na prova fiz retenção de líquidos, o que não pode acontecer.

Aprendi também que comer e correr não é para mim, por isso terei que optar sempre por coisas como os géis para não me sentir desconfortável e demasiado pesado.

 

Em conclusão e como notas positivas deste fim-de-semana trago comigo a convivência com a Crew e a viagem, as paisagens deslumbrantes, que mesmo assim consegui apreciar, e a hospitalidade das gentes da Lousã. A organização,as pessoas que encontrámos pelo caminho no trail e um agradecimento especial aos pais do Pedro Luiz que foram inexcedíveis, aquela Chanfana estava divinal... 

Ah e ainda mais uma nota, quero experimentar isto outra vez!

 

 

p.s. - fotos 1 e 3 da autoria de Pedro Sequeira; foto 2 da autoria de Luís Canhão.

E ao segundo km, ela caminhou sobre as águas…

27.06.14 | Joana Malcata

Quase podia ter saído de um qualquer capítulo da Bíblia, mas não: Louzan Trail, trail curto, 15km (16, 750m para sermos precisos), a Joana molhou o pezinho:

Vou-vos confessar, que desde o primeiro dia que eu disse a esta malta: “EU NÃO VOU! No limite, faço a caminhada e mais nada!”

A minha experiencia no Piódão, não foi das melhores, e fiz apenas a caminhada. Detestei! Subi e desci aquela serra. Muita pedra escorregadia, muitas subidas e muitas descidas sem qualquer apoio e apenas companhia nos últimos kms. Cheguei ao final dos 11km, exausta, cheia de dores nos joelhos, e a prometer a mim mesma, que não me metia noutra tão cedo. “Sou corredora de estrada, não do mato.”

E surge o Louzan Trail… Tudo entusiasmado, menos eu! Os mais experientes inscreveram-se nos 33km, a Ana e a Natália inscreveram-se nos 15km. Eu, para não fazer má figura, lá tive de me inscrever nos 15km e não na caminhada.

Fizemos uns treininhos por Monsanto, pelo Jamor, comprei a mochila, os géis, escolhi a roupa, e pronto. A única coisa boa nisto tudo era o passeio e o convívio com a Crew.

Chegados a Lousã, fomos descansar porque o dia seguinte ia ser longo.

10:15h: ready to go! Acho que o contagiante entusiamo do grupo, tomou conta de mim, e estava para o que desse e viesse.

E lá fomos nós. Rapidamente fiquei em último. Esta gente corre para caramba! Mas as meninas combinaram não me deixar para trás.

Depois do alcatrão, entrámos no trilho e comecei a ouvir um “treca-treca-treca” atrás de mim: dois mocinhos que iam na conversa, mas sem grande interesse em me ultrapassarem. Chegámos aos riachos: das duas, três: ou por milagre se consegue encontrar pedras para passar sem molhar, mas a probabilidade de escorregar e molhar é alta, ou então mete-se os pés na água e pronto. E nós tentámos a primeira opção… e começamos a escorregar… e pronto, pezinho na água, que não faz mal nenhum e até soube bem! Os meninos que vinham atrás de nós, entraram em acção e prontificaram-se a nos ajudar a passar os riachos. Ficámos a conhecer o Moita e o Sérgio, que faziam parte da organização, e tinham por missão fechar o trail curto. Acho que respirei de alívio por ter alguém que conhecia aqueles trilhos ao nosso lado.

Como sou mais lenta, e as subidas custam-me bastante, avisei as meninas para seguirem, que estava bem entregue. Começa a chover copiosamente. Mas nem isso nos demoveu. Na companhia do Moita e do Sérgio, fui ultrapassando cada km, cada aldeia, cada abastecimento (um grande bem haja a estes voluntários: a chuva não lhes facilitou a vida, mas sempre com um sorriso na cara e prontos a dar de comer e beber a quem chegava).

Entre chuva, subidas, lama, chegamos ao segundo abastecimento, onde a Ana e a Natália estavam a tratar de se alimentarem. A partir dali fomos os 5: as descidas feitas agarradas aos galhos e raízes das árvores (sim: não sentei o rabiosque na lama!!!), os estradões feitos em ritmo mais acelerado (quando tinha força), subidas a caminhar. O Moita e o Sérgio, faziam parecer que era tudo fácil e estiveram lá sempre para dar uma mão, um pé, chegar um galho, um espetáculo!

Lá chegámos ao terceiro abastecimento. Curiosas por saber dos nossos meninos, e onde estariam, e se os nossos campeões já teriam chegado, e se estavam bem… Bebe mais um golo e siga, sempre a descer até à estrada. Algures pelo meio somos ultrapassadas pelo nosso Pedro Luiz, a chegar dos 33km (que vergonha… demoramos a fazer quase 16km o mesmo que ele estava a demorar a fazer 33km).

Pelo alcatrão fora, chegámos à meta:

Foi uma prova à prova de tudo. Cheguei ao fim cansada, mas com uma felicidade imensa. O trauma “Piódão” estava ultrapassado.

Quero agradecer:

 - à organização do Louzan Trail, pelo belíssimo percurso que nos criou, e a todos os voluntários, que sempre nos receberam com um sorriso.

 - ao Moita e ao Sérgio, um agradecimento do tamanho dos 16km que fizemos juntos, e que nunca se mostraram “fartos” de ir a puxar pela mais lenta.

 - e aos pais do nosso Pedro Luiz, que nos alimentaram com a bela da chanfana.

 

Se voltarei ao trail? Isso nem se pergunta! Até já sonho com Mont-blanc (ihihihihi)

Miguel Reis e Silva no Campeonato do mundo de Skyrunning

27.06.14 | Filipe Gil

O atleta português Miguel Reis e Silva (da equipa Salomon/Suunto) inicia hoje a sua participação no Campeonato do mundo de Skyrunning que se realiza entre 27 e 29 de junho em Chamonix. São esperados cerca de 3400 atletas na competição nas várias especialidade oficiais da Federação Internacional de SkyRunning: Ultrasky, Kilómetro Vertical e Maratona. Destas provas sairão os campeões mundiais de cada uma das modalidades. Estes títulos celebram-se de 4 em 4 anos.

 

O português Miguel Reis e Silva vai estar entre os melhores corredores do mundo, ao alinhar na meta da Mont-Blanc Marathon, uma prova de 42 km e 4396 m de desnível acumulado, com saída às 7 horas da manhã de domingo 29 de junho em Chamonix, e chegada em Planpraz a 2016 m, numa prova limitada a 2000 corredores.

 

Miguel Reis e Silva, que tenciona participar em todas as provas da Sky Series, não quis deixar de estar presente no campeonato do mundo, uma semana depois de ter alcançado o título de Campeão Nacional de Orientação em Sprint. “Esta prova é uma das mais importantes do mundo e desenrola-se num dos meus locais favoritos. O objetivo é alcançar a posição mais elevada de modo a representar o meu país com dignidade e desfrutar ao máximo das paisagens únicas à volta do Mont Blanc", indica o desportista em comunicado.

 

O Correr na Cidade que esteve há bem pouco tempo com Miguel Reis e Silva numa sessão de City Trail da Salomon realizada na Pro Runner deseja a maior sorte para a prova do próximo domingo. 

Race report: Do sonho ao “Pesadelo”

26.06.14 | Filipe Gil

 

Por Stefan Pequito:

 

Depois de umas semanas fantásticas de treinos onde fui à Serra da Estrela treinar com o Armando Teixeira & Companhia e de ter treinado na Serra da Lousã veio a “desilusão”. Como sabem no dia 21 de junho realizou-se o Louzan Trail que, para mim, tinha tudo para correr bem. Prova de 33km com muita subida, como eu gosto, e descidas fantásticas, com o bónus de ter também uma vista linda de morrer.

 

Fiz a viagem na companhia da minha fantástica crew que esteve o tempo todo a motivar-me para o meu objetivo: ficar nos 20 primeiros lugares.

 

Dormi bem, comi bem e estava motivado (embora um pouco nervoso, estava Muito motivado). Pelas 8h30m fomos buscar os dorsais que o Nuno Malcata já tinha levantado. Vesti-me, calçei-me e fui para a meta com o resto da crew. Fui-me chegado lá para a frente para poder arrancar forte. Pelas 10h15 começou a prova, o trail longo, arranquei forte sempre a tentar ganhar a maior distância possível e garantir os primeiros lugares.

 

O primeiro quilómetro ainda teve alcatrão e foi rápido (média de 3.40m/km), até chegar ao primeiro trilho. Este também foi bastante rápido e tive sempre o “super atleta” Luís Mota à perna. A um certo ponto o Luís lá ultrapassou-me e eu, maluco, não quis que ele se afastasse muito (erro meu) e forçei. Ao segundo quilómetro aconteceu o desastre. Depois de ter passado os dois primeiros cursos de água sem problemas, quase a entrar no 3º não sei o que fiz mas torci o pé direito a ponto de ter ouvido um pequeno estalo no pé.

Na altura tive dor mas como entrei na água fria acabou por atenuar um pouco e continuei. Estava tocado e sabia disso pois doía a cada passada, contudo sempre pensei que não seria nada de especial e apenas uma pequena entorse, daquelas que já tivera várias vezes.

 

Continuei serra acima, cada vez a abrandar mais e a não conseguir estar completamente concentrado na respiração e na passada. A subir até não ia mal pois consegui manter sempre as posições da frente (nos primeiros 20) mas ao km 12 vi que não estava assim tão bem e com a inclinação do terreno a aumentar a pressão, tinha bastantes dores no meu pé esquerdo.

 

Consegui fazer o mais complicado, chegar ao cimo da serra com quase 15km e perto de 1300d+ em perto da 1h.40m. Passei no posto de abastecimento, levei a respetiva rubrica no dorsal e lá fui eu atacar a descida em direção à meta, ainda a pensar que conseguia acabar.

 

Foi sol de pouca dura, quando ataquei a descida vieram as dores infernais. Ainda tentei ir devagar mas era demasiado e pensei que o melhor era ficar por ali antes que piorasse. Olhei para o bombeiro que ali estava, dei mais 3 a 4 passos até me decidir que o melhor mesmo era desistir. Chamei o senhor que veio rapidamente ter comigo e levou-me de mota (desta vez uma mota mesmo, lol) até ao jipe de apoio onde fui atendido de imediato.

Verifiquei que a lesão era grande pois o tornozelo estava enorme e bem inchado. Ligaram-me a perna, puseram gelo e ainda me perguntaram se queria voltar à prova mas não quis arriscar pois tenho o Douro & Paiva daqui a umas semanas e quero muito ir. Trouxeram-me para baixo debaixo da muita chuva que caía nessa altura e quase que chorei de raiva de não poder acabar aquela prova fantástica.

 

Cheguei à meta e já o pessoal que fez os 17Km começava a chegar. Fui recebido pelo pessoal da organização e fui comer qualquer coisa. Excelentes pessoas, sem dúvidas, numa prova muito bem organizada. Ainda me deram mais um saquinho de gelo para colocar no pé. Depois fui para perto da chegada para ver o pessoal a chegar.

 

Pouco depois vi o pai do Pedro Tomás Luiz já de banho tomado e tudo. O homem é um herói, com cerca de 70 anos fez os 17km em 2 horas e 20m, se não me engano, brutal!

 

Ficámos à espera das meninas da crew (Ana, Joana e Natália) que vinham felizes da vida pelo seu 1º trail. Logo de seguida o grande Pedro Tomás Luiz a chegar e a fazer um fantástico 50º lugar.

 

Depois foi esperar pelos estreantes Filipe e Nuno Espadinha e pela Bo e Nuno Malcata – que já tinham feito o Trail do Piódão. Entre esses foram chegando caras conhecidas como o Carlos Sá, Nuno Silva e o Luís Mota, entre outros. Ao mesmo tempo tinha o meu coração cada vez mais apertado por ter perdido aquela diversão toda, mas lá me aguentei.

 

O pessoal chegou com um enorme sorriso na cara. São uns campeões pois saíram do sofá e foram correr para o meio do mato e “cagaram-se” todos. Orgulho enorme neles.

 

Resumindo, fui com as espetativas altas e levei uma martelada. A verdade é que fiquei com a moral em baixo na altura e com raiva mas é a vida, agora é recuperar (e bem) – o que por acaso está a acontecer - e olhar para os desafios futuros.  

Como digo ”Never Surrender”, mas em caso de se aleijarem e virem que se vão prejudicar mais do que ter benefício o melhor é colocar um travão e não se armarem em heróis. Eu até tive sorte em não ter destruído isto tudo.

Vamos lá agora a recuperar para os 62k de Douro Paiva. Até já.

Comer bem e comer saudável é essencial!

26.06.14 | Filipe Gil
Edição nº100 que chega esta quinta-feira às bancas

 

Chega esta quinta-feira às bancas de jornais e revistas a "nova" Saúde à Mesa". Renovada graficamente e com novo alinhamento editorial que passa a ser dedicado exclusivamente a todos os que procuram uma alimentação saudável e saborosa - (corredores? cof, cof)

  

Sob o lema “Coma bem, Viva melhor”, a revista é editada com a supervisão técnica da nutricionista Natália Cavaleiro Costa (a nossa corredora) e a direcção culinária do Chefe Hernâni Ermida e apresenta-se como uma revista de culinária baseada na gastronomia mediterrânica adaptada às necessidades do quotidiano moderno e a todos os que se preocupam com a nutrição e o bem-estar.

 
Receitas para quem quer perder ou manter o seu peso, dicas para um bronzeado invejável, sugestões de refeições saudáveis, ideias para snaks e breaks, ideias de menus para quem pratica exercício físico e sugestões de refeições divertidas e saudáveis para crianças, são algumas das rubricas presentes na revista.
 
E esta é a razão das fotos que publicamos ontem à noite no facebook do Correr na Cidade e que replicamos aqui neste post. Vamos ter uma parceria com a Saúde à Mesa e iremos replicar  uma receita por mês elaborada pela equipa da Saúde à Mesa (fiquem atentos), reforçando assim o nosso posicionamento como blogue de corridas, nutrição e vida saudável. 

 

 



 

A Fundação INATEL organiza corrida Solidária “da estrada para a pista”

26.06.14 | Pedro Tomás Luiz

É já no próximo dia 5 de Julho que, no Parque de Jogos 1º de Maio, em Lisboa, será levado a efeito a corrida “Da estrada para a pista”. Esta corrida, que terá uma distância de 5km, será constituída por 10 séries de 25 participantes, e terá o seu início marcado para as x.

 

Com um preço de inscrição de €5, esta corrida terá um caracter solidário revertendo para a APPDA, a Cercica e para a Casa das Cores.

 

Para mais informações e para se inscrever, poderão consultar o seguinte link:

http://www.inatel.pt/content.aspx?menuid=614&eid=1918

 

Race Report: A minha estreia em trail

25.06.14 | Filipe Gil

Por Natália Costa:

 

Como em experiências anteriores no running, vou sempre assim meio ao engano. Meio ao engano, isto é, sem pensar muito no que vou fazer.

O meu marido disse-me há uns meses que iríamos fazer um Trail pela Serra da Lousã (que eu desconhecia por completo), ele de 33 Km e eu de 17 km. Até aqui tudo bem... Pensei “ bem eu já fiz a meia maratona, são 21 Km, por isso é na boa”.

 

Em abril, aquando das festas da aldeia do meu pai, lá para os lados da Guarda, o Filipe disse “ vamos fazer um trail por aqui porque tens que te preparar para a Lousã”, e lá fomos nós. Foram 7 Km, praticamente sempre a subir, em terra batida. Custou-me um bocado, mas sinceramente nunca mais pensei no assunto. Tenho tido novos projetos profissionais, com os miúdos à mistura, tem sido uma roda-viva.

 

Mas a data foi-se aproximando e na terça-feira anterior à prova o Nuno Malcata deu um treino às meninas da crew pelo Jamor de modo a termos mais noção daquilo que iríamos encontrar na Lousã. E lá fomos nós, foi super divertido, conseguímos rolar bastante a subir e a descer, de frontal, porque entretanto caiu a noite, e quando cheguei a casa disse ao Filipe, “ olha adorei! É super divertido!” e ele ficou mais aliviado, porque tinha algum receio que fosse odiar esta nova, para mim, vertente da corrida.

 

O sábado foi-se aproximando, e eu fui completando o outfit. A mochila, empréstimo da Carmo Moser, a quem eu agradeço desde já, luvas (que pensei ser um exagero, mas deram imenso jeito), os pernetes da compressport e as sapatilhas, os Go Bionic Trail da Skechers.

 

 

Sexta, depois de uma semana complicadíssima de trabalho, lá arrancou a crew a caminho da Lousã. Após um jantar com muitas massas e risadas, lá seguimos estrada acima. Estava a chover e não se adivinhava muitas melhorias para o dia seguinte.

 

Ao aproximarmo-nos da Lousã, fui deslumbrando a serra, a tal serra que íamos “trailar”. E ai sim, pensei “Natália, tu tens mesmo um parafuso a menos! Tu já viste no que te vais meter?” , mas não partilhei isto com ninguém, se há coisa que não dou, é parte fraca!

 

Ficamos instalados na casa dos avós do Pedro Tomás Luís, a quem também quero mandar um especial agradecimento, principalmente aos pais dele pela hospitalidade. Chegada à cama, nem pensei no dia seguinte e seguiu “para bingo”, que o dia seguinte ia ser complicado...

 

O dia da prova chegou, equipei-me, preparei a mochila com água e alguns abastecimentos e lá fomos nós. Não havia aquela multidão de gente a que estou habituada quando faço as outras provas, mas estava tudo muito bem organizado.

 

Às 10h arrancaram os 33 km e às 10h15 arrancamos nós, as mesmas do costume, a Ana Morais, a Joana Malcata e eu. Passados nem 2 Km, começamos a passar riachos, e eu no primeiros ainda tentei não molhar os pés, saltando pedras, mas foi impossível. De pés ensopados, lá seguimos nós serra acima.

 

 

Entretanto reparamos que vinham dois membros do Lousan Trail atrás de nós, vinham a fechar o grupo, escusado será dizer que éramos as últimas.Apresentamo-nos, eles também, o Sérgio e o Moita, e lá seguimos os cinco juntos. Entretanto a nossa “Frost” ( Joana) como carinhosamente lhe chamamos começou a entrar em dificuldades, o pequeno almoço estava embrulhado, ficou com os dois elementos do Louzan Trail e eu e a Ana seguimos.

 

Passado muito pouco tempo, mando uma queda, aliás um verdadeiro “espalho” de cabeça no meio da lama. Pensei, pronto acabou para mim, já me lesionei… Mas não, levantei-me e só tinha era lama da cabeça aos pés.

 

Subimos, subimos, subimos, por verdadeiros caminhos de cabras, mas com uma paisagem de cortar a respiração. Quando chegamos ao primeiro abastecimento, chovia copiosamente. Os amendoins e as batatas estavam todas moles, havia coca-cola com água da chuva. Mas mais uma vez a organização mostrou a sua “raça” e prontificaram-se a abrir novos pacotes de amendoins e de batatas fritas, para não comermos os moles.

 

Abastecidas, lá seguimos nós no meio da chuva. Passamos as aldeias de xisto, que são para lá de lindas. Continuamos a subir, e as minhas pernas a doer... Entretanto com a altitude, chegou o frio, toca a vestir o corta-vento que vinha na mochila. E lá começamos a descer.

Nunca conseguimos correr muito, por causa da lama, mas aceleramos passo e chegamos ao segundo abastecimento, quando nos dizem que já era hora de almoço. O QUÊ?? Já??

 

 

Mas o Filipe disse que achava que fazia aquilo em 2h30... e já passaram quase 3h e eu longe de chegar. “Olha, sabes que mais, vamos mas é comer!” disse eu à Ana.

 

Entretanto começo a ouvir vozes vindas da floresta atrás de nós. Era a nossa “Frost”, acompanhada do Sérgio e do Moita. Seguimos os cinco.O dia começou a melhorar e como a descer todos os santos ajudam, começamos a conseguir rolar mais. Havia trilhos já praticamente desfeitos, pois já lá tinha passado muita gente, e aí preferimos descer de lado, agarradas a galhos (abençoadas luvas!), de rabo, valeu tudo!.

 Quando chegámos ao último abastecimento, que era só de líquidos, cruzamo-nos com os primeiros que vinham dos 33km. Lá iam eles, a descer como se fosse uma coisa fácil... Talvez um dia!

 

Passadas 4 horas chegámos! Fomos as últimas, está claro, mas também foi o meu primeiro trail e não foi nada meigo para uma primeira vez.

Na chegada estava o nosso campeão, o Stefan que infelizmente se lesionou, e o sempre simpático Luís Moura, a dar aquele apoio. Ah, e claro, o pai do Pedro Tomás Luiz que tem mais de 60 anos e fez em pouco mais de duas horas o mesmo percurso dos 17K...

 

 

Cheguei rota, com lama dos pés à cabeça, mas feliz. Mais uma prova superada! Estou orgulhosa de mim, tornei-me numa pessoa mais forte física e mentalmente. Será o primeiro de muitos, adorei esta experiência.

 

A organização está de parabéns, estava tudo sem falhas a meu ver. Até tive direito a massagem desportiva. E um especial obrigado ao Sérgio Leal e ao Jorge Moita pela infinita paciência de nos acompanharem e pelo apoio. Sem vocês tudo teria sido mais difícil.