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Correr na Cidade

Race report: Do sonho ao “Pesadelo”

 

Por Stefan Pequito:

 

Depois de umas semanas fantásticas de treinos onde fui à Serra da Estrela treinar com o Armando Teixeira & Companhia e de ter treinado na Serra da Lousã veio a “desilusão”. Como sabem no dia 21 de junho realizou-se o Louzan Trail que, para mim, tinha tudo para correr bem. Prova de 33km com muita subida, como eu gosto, e descidas fantásticas, com o bónus de ter também uma vista linda de morrer.

 

Fiz a viagem na companhia da minha fantástica crew que esteve o tempo todo a motivar-me para o meu objetivo: ficar nos 20 primeiros lugares.

 

Dormi bem, comi bem e estava motivado (embora um pouco nervoso, estava Muito motivado). Pelas 8h30m fomos buscar os dorsais que o Nuno Malcata já tinha levantado. Vesti-me, calçei-me e fui para a meta com o resto da crew. Fui-me chegado lá para a frente para poder arrancar forte. Pelas 10h15 começou a prova, o trail longo, arranquei forte sempre a tentar ganhar a maior distância possível e garantir os primeiros lugares.

 

O primeiro quilómetro ainda teve alcatrão e foi rápido (média de 3.40m/km), até chegar ao primeiro trilho. Este também foi bastante rápido e tive sempre o “super atleta” Luís Mota à perna. A um certo ponto o Luís lá ultrapassou-me e eu, maluco, não quis que ele se afastasse muito (erro meu) e forçei. Ao segundo quilómetro aconteceu o desastre. Depois de ter passado os dois primeiros cursos de água sem problemas, quase a entrar no 3º não sei o que fiz mas torci o pé direito a ponto de ter ouvido um pequeno estalo no pé.

Na altura tive dor mas como entrei na água fria acabou por atenuar um pouco e continuei. Estava tocado e sabia disso pois doía a cada passada, contudo sempre pensei que não seria nada de especial e apenas uma pequena entorse, daquelas que já tivera várias vezes.

 

Continuei serra acima, cada vez a abrandar mais e a não conseguir estar completamente concentrado na respiração e na passada. A subir até não ia mal pois consegui manter sempre as posições da frente (nos primeiros 20) mas ao km 12 vi que não estava assim tão bem e com a inclinação do terreno a aumentar a pressão, tinha bastantes dores no meu pé esquerdo.

 

Consegui fazer o mais complicado, chegar ao cimo da serra com quase 15km e perto de 1300d+ em perto da 1h.40m. Passei no posto de abastecimento, levei a respetiva rubrica no dorsal e lá fui eu atacar a descida em direção à meta, ainda a pensar que conseguia acabar.

 

Foi sol de pouca dura, quando ataquei a descida vieram as dores infernais. Ainda tentei ir devagar mas era demasiado e pensei que o melhor era ficar por ali antes que piorasse. Olhei para o bombeiro que ali estava, dei mais 3 a 4 passos até me decidir que o melhor mesmo era desistir. Chamei o senhor que veio rapidamente ter comigo e levou-me de mota (desta vez uma mota mesmo, lol) até ao jipe de apoio onde fui atendido de imediato.

Verifiquei que a lesão era grande pois o tornozelo estava enorme e bem inchado. Ligaram-me a perna, puseram gelo e ainda me perguntaram se queria voltar à prova mas não quis arriscar pois tenho o Douro & Paiva daqui a umas semanas e quero muito ir. Trouxeram-me para baixo debaixo da muita chuva que caía nessa altura e quase que chorei de raiva de não poder acabar aquela prova fantástica.

 

Cheguei à meta e já o pessoal que fez os 17Km começava a chegar. Fui recebido pelo pessoal da organização e fui comer qualquer coisa. Excelentes pessoas, sem dúvidas, numa prova muito bem organizada. Ainda me deram mais um saquinho de gelo para colocar no pé. Depois fui para perto da chegada para ver o pessoal a chegar.

 

Pouco depois vi o pai do Pedro Tomás Luiz já de banho tomado e tudo. O homem é um herói, com cerca de 70 anos fez os 17km em 2 horas e 20m, se não me engano, brutal!

 

Ficámos à espera das meninas da crew (Ana, Joana e Natália) que vinham felizes da vida pelo seu 1º trail. Logo de seguida o grande Pedro Tomás Luiz a chegar e a fazer um fantástico 50º lugar.

 

Depois foi esperar pelos estreantes Filipe e Nuno Espadinha e pela Bo e Nuno Malcata – que já tinham feito o Trail do Piódão. Entre esses foram chegando caras conhecidas como o Carlos Sá, Nuno Silva e o Luís Mota, entre outros. Ao mesmo tempo tinha o meu coração cada vez mais apertado por ter perdido aquela diversão toda, mas lá me aguentei.

 

O pessoal chegou com um enorme sorriso na cara. São uns campeões pois saíram do sofá e foram correr para o meio do mato e “cagaram-se” todos. Orgulho enorme neles.

 

Resumindo, fui com as espetativas altas e levei uma martelada. A verdade é que fiquei com a moral em baixo na altura e com raiva mas é a vida, agora é recuperar (e bem) – o que por acaso está a acontecer - e olhar para os desafios futuros.  

Como digo ”Never Surrender”, mas em caso de se aleijarem e virem que se vão prejudicar mais do que ter benefício o melhor é colocar um travão e não se armarem em heróis. Eu até tive sorte em não ter destruído isto tudo.

Vamos lá agora a recuperar para os 62k de Douro Paiva. Até já.

Comer bem e comer saudável é essencial!

Edição nº100 que chega esta quinta-feira às bancas

 

Chega esta quinta-feira às bancas de jornais e revistas a "nova" Saúde à Mesa". Renovada graficamente e com novo alinhamento editorial que passa a ser dedicado exclusivamente a todos os que procuram uma alimentação saudável e saborosa - (corredores? cof, cof)

  

Sob o lema “Coma bem, Viva melhor”, a revista é editada com a supervisão técnica da nutricionista Natália Cavaleiro Costa (a nossa corredora) e a direcção culinária do Chefe Hernâni Ermida e apresenta-se como uma revista de culinária baseada na gastronomia mediterrânica adaptada às necessidades do quotidiano moderno e a todos os que se preocupam com a nutrição e o bem-estar.

 
Receitas para quem quer perder ou manter o seu peso, dicas para um bronzeado invejável, sugestões de refeições saudáveis, ideias para snaks e breaks, ideias de menus para quem pratica exercício físico e sugestões de refeições divertidas e saudáveis para crianças, são algumas das rubricas presentes na revista.
 
E esta é a razão das fotos que publicamos ontem à noite no facebook do Correr na Cidade e que replicamos aqui neste post. Vamos ter uma parceria com a Saúde à Mesa e iremos replicar  uma receita por mês elaborada pela equipa da Saúde à Mesa (fiquem atentos), reforçando assim o nosso posicionamento como blogue de corridas, nutrição e vida saudável. 

 

 



 

A Fundação INATEL organiza corrida Solidária “da estrada para a pista”

É já no próximo dia 5 de Julho que, no Parque de Jogos 1º de Maio, em Lisboa, será levado a efeito a corrida “Da estrada para a pista”. Esta corrida, que terá uma distância de 5km, será constituída por 10 séries de 25 participantes, e terá o seu início marcado para as x.

 

Com um preço de inscrição de €5, esta corrida terá um caracter solidário revertendo para a APPDA, a Cercica e para a Casa das Cores.

 

Para mais informações e para se inscrever, poderão consultar o seguinte link:

http://www.inatel.pt/content.aspx?menuid=614&eid=1918

 

Race Report: A minha estreia em trail

Por Natália Costa:

 

Como em experiências anteriores no running, vou sempre assim meio ao engano. Meio ao engano, isto é, sem pensar muito no que vou fazer.

O meu marido disse-me há uns meses que iríamos fazer um Trail pela Serra da Lousã (que eu desconhecia por completo), ele de 33 Km e eu de 17 km. Até aqui tudo bem... Pensei “ bem eu já fiz a meia maratona, são 21 Km, por isso é na boa”.

 

Em abril, aquando das festas da aldeia do meu pai, lá para os lados da Guarda, o Filipe disse “ vamos fazer um trail por aqui porque tens que te preparar para a Lousã”, e lá fomos nós. Foram 7 Km, praticamente sempre a subir, em terra batida. Custou-me um bocado, mas sinceramente nunca mais pensei no assunto. Tenho tido novos projetos profissionais, com os miúdos à mistura, tem sido uma roda-viva.

 

Mas a data foi-se aproximando e na terça-feira anterior à prova o Nuno Malcata deu um treino às meninas da crew pelo Jamor de modo a termos mais noção daquilo que iríamos encontrar na Lousã. E lá fomos nós, foi super divertido, conseguímos rolar bastante a subir e a descer, de frontal, porque entretanto caiu a noite, e quando cheguei a casa disse ao Filipe, “ olha adorei! É super divertido!” e ele ficou mais aliviado, porque tinha algum receio que fosse odiar esta nova, para mim, vertente da corrida.

 

O sábado foi-se aproximando, e eu fui completando o outfit. A mochila, empréstimo da Carmo Moser, a quem eu agradeço desde já, luvas (que pensei ser um exagero, mas deram imenso jeito), os pernetes da compressport e as sapatilhas, os Go Bionic Trail da Skechers.

 

 

Sexta, depois de uma semana complicadíssima de trabalho, lá arrancou a crew a caminho da Lousã. Após um jantar com muitas massas e risadas, lá seguimos estrada acima. Estava a chover e não se adivinhava muitas melhorias para o dia seguinte.

 

Ao aproximarmo-nos da Lousã, fui deslumbrando a serra, a tal serra que íamos “trailar”. E ai sim, pensei “Natália, tu tens mesmo um parafuso a menos! Tu já viste no que te vais meter?” , mas não partilhei isto com ninguém, se há coisa que não dou, é parte fraca!

 

Ficamos instalados na casa dos avós do Pedro Tomás Luís, a quem também quero mandar um especial agradecimento, principalmente aos pais dele pela hospitalidade. Chegada à cama, nem pensei no dia seguinte e seguiu “para bingo”, que o dia seguinte ia ser complicado...

 

O dia da prova chegou, equipei-me, preparei a mochila com água e alguns abastecimentos e lá fomos nós. Não havia aquela multidão de gente a que estou habituada quando faço as outras provas, mas estava tudo muito bem organizado.

 

Às 10h arrancaram os 33 km e às 10h15 arrancamos nós, as mesmas do costume, a Ana Morais, a Joana Malcata e eu. Passados nem 2 Km, começamos a passar riachos, e eu no primeiros ainda tentei não molhar os pés, saltando pedras, mas foi impossível. De pés ensopados, lá seguimos nós serra acima.

 

 

Entretanto reparamos que vinham dois membros do Lousan Trail atrás de nós, vinham a fechar o grupo, escusado será dizer que éramos as últimas.Apresentamo-nos, eles também, o Sérgio e o Moita, e lá seguimos os cinco juntos. Entretanto a nossa “Frost” ( Joana) como carinhosamente lhe chamamos começou a entrar em dificuldades, o pequeno almoço estava embrulhado, ficou com os dois elementos do Louzan Trail e eu e a Ana seguimos.

 

Passado muito pouco tempo, mando uma queda, aliás um verdadeiro “espalho” de cabeça no meio da lama. Pensei, pronto acabou para mim, já me lesionei… Mas não, levantei-me e só tinha era lama da cabeça aos pés.

 

Subimos, subimos, subimos, por verdadeiros caminhos de cabras, mas com uma paisagem de cortar a respiração. Quando chegamos ao primeiro abastecimento, chovia copiosamente. Os amendoins e as batatas estavam todas moles, havia coca-cola com água da chuva. Mas mais uma vez a organização mostrou a sua “raça” e prontificaram-se a abrir novos pacotes de amendoins e de batatas fritas, para não comermos os moles.

 

Abastecidas, lá seguimos nós no meio da chuva. Passamos as aldeias de xisto, que são para lá de lindas. Continuamos a subir, e as minhas pernas a doer... Entretanto com a altitude, chegou o frio, toca a vestir o corta-vento que vinha na mochila. E lá começamos a descer.

Nunca conseguimos correr muito, por causa da lama, mas aceleramos passo e chegamos ao segundo abastecimento, quando nos dizem que já era hora de almoço. O QUÊ?? Já??

 

 

Mas o Filipe disse que achava que fazia aquilo em 2h30... e já passaram quase 3h e eu longe de chegar. “Olha, sabes que mais, vamos mas é comer!” disse eu à Ana.

 

Entretanto começo a ouvir vozes vindas da floresta atrás de nós. Era a nossa “Frost”, acompanhada do Sérgio e do Moita. Seguimos os cinco.O dia começou a melhorar e como a descer todos os santos ajudam, começamos a conseguir rolar mais. Havia trilhos já praticamente desfeitos, pois já lá tinha passado muita gente, e aí preferimos descer de lado, agarradas a galhos (abençoadas luvas!), de rabo, valeu tudo!.

 Quando chegámos ao último abastecimento, que era só de líquidos, cruzamo-nos com os primeiros que vinham dos 33km. Lá iam eles, a descer como se fosse uma coisa fácil... Talvez um dia!

 

Passadas 4 horas chegámos! Fomos as últimas, está claro, mas também foi o meu primeiro trail e não foi nada meigo para uma primeira vez.

Na chegada estava o nosso campeão, o Stefan que infelizmente se lesionou, e o sempre simpático Luís Moura, a dar aquele apoio. Ah, e claro, o pai do Pedro Tomás Luiz que tem mais de 60 anos e fez em pouco mais de duas horas o mesmo percurso dos 17K...

 

 

Cheguei rota, com lama dos pés à cabeça, mas feliz. Mais uma prova superada! Estou orgulhosa de mim, tornei-me numa pessoa mais forte física e mentalmente. Será o primeiro de muitos, adorei esta experiência.

 

A organização está de parabéns, estava tudo sem falhas a meu ver. Até tive direito a massagem desportiva. E um especial obrigado ao Sérgio Leal e ao Jorge Moita pela infinita paciência de nos acompanharem e pelo apoio. Sem vocês tudo teria sido mais difícil.

 

 

Review: Adidas Supernova Riot 5: quem feio ama...

Por Filipe Gil:

 

Vou começar esta review pela negativa. Os meus Adidas Supernova Riot 5 são feios! A sua cor cinza, com uns pequenos apontamentos cor de laranja, é monótona. São as sapatilhas mais low profile que já vi. Passam despercebidos ao lado de outros modelos mais coloridos de outras ou da mesma marca.

 

Mas esse é talvez o único defeito que encontrei neste modelo. Tudo o resto tem nota máxima. Lama, piso escorregadio, conforto, leveza são terrenos e condições que este modelo trata por tu, e com distinção.

 

Ora vamos por partes. A quem serve este modelo? A corredores pronadores, e que necessitem de algum apoio durante a corrida, ponto! Os corredores neutros podem começar a ficar com inveja, porque o resto do texto são só elogios a este modelo.

 

Sou da opinião que os melhores ténis são aqueles que não se sentem. Têm de lá estar, mas quanto menos os sentimos e quanto menos pensamos neles melhor, é porque funcionam como a perfeita extensão do pé. E fui isso que senti nos 33K do Louzan Trail (posso escrever 33 novamente?).

 

Em terreno solto (embora não muito solto), em lama ou em pedras este modelo da marca germânica portou-se imaculadamente. Com o passar dos quilómetros fui-me adaptando cada vez a eles, e quando queria deslizar, fazia-o com facilidade, quando queria prender a passada, igualmente, quando pisava pedras mais salientes o conforto e a proteção lá estavam. A sola da marca Continental (sim a mesma dos pneus) é capaz de ter aqui, neste modelo, o seu expoente máximo de usufruto.

 

Apesar de feios (já escrevi isto, não já?) comecei a gostar cada vez mais deles e, tivesse eu mais experiência em trail, tinha “puxado” mais por eles, sobretudo nas descidas onde a minha coragem é (ainda) muito pouca.

 

Nas subidas em pedra, sobretudo na subida para o Trevim (quem fez o Louzan Trail não esquece este nome tão cedo) portaram-se excelentemente – é uma subida com 40% de inclinação e mesmo depois de ter chovido meio dilúvio, e das pedras estarem molhadas, não senti, uma única vez os pés a derraparem. É obra!

 

Esqueci-me de escrever que este trail começou com uma passagem por diversas ribeiras baixinhas. E molhei o pé, várias vezes. Primeiro a medo, depois com mais coragem. A secagem foi rápida. Passados uns quilómetros deixei de sentir os pés molhados. Apenas quando choveu muito – como indiquei acima – é fiquei com alguma água ou humidade nos ténis e que demoraram a secar. Estranho. A água que entrou pelos lados secou rapidamente, a que veio por cima demorou a secar e corri uns quilómetros com aquela sensação de barulho nos pés. Ainda temi que arranjaria uma bolha com a brincadeira, mas nada. Pés e unhas bem tratados, apesar da sujidade que ainda hoje, três dias e várias lavagens depois, ainda persistem...

 

 

Confesso que já tinha ficado bem impressionado nos testes que tinha feito em Monsanto e quando falei com o Ricardo da Pro Runner (ler aqui) mas tinha a secreta esperança de poder dizer mal deles: sobretudo porque são feios e tinha olhado para outros modelos, desta e outras marcas com o intuito de "um dia ponho estes Riot de lado".

 

Mas, como se costuma dizer, "quem feio ama, bonito lhe parece". E hoje em dia, depois de terem sido os meus fiéis companheiros do meu primeiro trail, estou rendido e já olho para eles como os meus parceiros ideais de futuros trails. E não os penso trocar nem em colocá-los de lado, aliás só penso em numa coisa: espero que não se gastem depressa!

Uma última nota diretamente para a Adidas: Ai de vós que descontinuem este modelo! Ai de vós….

 

Ficha Técnica:
Modelo:Adidas Supernova Riot 5
Tipo de piso: Trail
Preço: 95€ na loja online da Pro Runner
Nota: sola da Continental

 

Louzan Trail - Isto é que é um Trail!

Depois do empeno que foi o meu primeiro trail no Piodão em Março, vi que tinha de preparar-me bem e evoluir tecnicamente para participar no Louzan Trail.

 

Em Abril participei no mais rolante 2º Trilho das Lampas e com a boa carga de treinos de Maio e alguns bons treinos de trail em Monsanto, sentia-me mais confiante e preparado para os 33Km e mais de 1700m de D+ da Serra da Lousã.

 

As expectativas para este fim-de-semana eram muitas, estou numa fase que ultrapassar novos desafios desportivos me trás uma felicidade imensa e partilhar estes momentos com a Crew, a família das corridas, ainda mais.

 

O Filipe Gil já partilhou muito do que foi esta prova aqui, para mim foi a derradeira prova que me fez ver que, mais que as provas de estrada, estes são os desafios onde quero mais evoluir e participar.

 

Foram 33Km de quase tudo o que se pode ter num Trail, tivemos direito a paisagens deslumbrantes, a molhar o pezinho e ficar com as unhas encardidas, subidas fabulosas, algumas autênticas escaladas, descidas de todo o género, algumas bem técnicas que puseram à prova a minha inexperiência e me valeram umas quedas sem consequências, alguns arranhões por descuidos, chuva de molhar até ao osso e sol quente de aquecer corpo e alma, lama com fartura para a beleza, muita pedra, single tracks fabulosos, companheiros de jornada fantásticos, pessoal da organização exemplar em simpatia e dedicação, bons abastecimentos, alegria, cansaço, ajudar e ser ajudado, etc etc etc.

 *

No final dos 33Km, na chegada, o que menos importou foi o tempo que demorámos, estava bem, feliz, até fazia mais 10Km se os houvesse, a alegria da realização do desafio, a emoção de ser recebido por quem gostamos, vale tudo. 

*Fotografia de Nuno Martins

Hoje vamos correr pelos trilhos do Jamor

Hoje regressamos aos treinos com terra nos ténis. Vamos "trailar" um pouco, desta feita para o Jamor. Vamos correr por um circuito que o Nuno Malcata desenhou e que fica entre o complexo desportivo e a Mata do Jamor. Prometemos muitas subidas (e descidas) e trilhos interessantes.Claro que não vamos dificultar muito o treino sendo que é um daqueles momentos ideais para quem quer experimentar um pouco do que é o trail running (escrevemos: um pouco) se junte a nós.

 

Aconselhamos aos menos experientes que levem hidratação e sapatilhas de trail (embora o percurso seja perfeitamente exequível com ténis de estrada). Aos mais sensíveis que levem pernetes ou meias de compressão, não só para ajudar no esforço mas também para se protegerem de alguma vegetação mais agreste.

 

Este treino não tem seguro e cada um é responsável por si, sendo que os promotores do treino não se responsabilizam por danos sofridos pelos participantes. Apelamos ao bom senso e que não ponham a vossa integridade física em risco. Aconselhamos ainda a levarem telemóvel convosco no caso de se perderem (o que no caso do Jamor é um pouco difícil, mas nada como prevenir).

 

Dois coisas são certas, vamos suar e divertirmo-nos, muito.

 

Dia: 4 de junho
Hora do encontro: 19h15 arranque: 19h30
Local: Jamor
Percurso: 8/9K de trilho

Salomon: é Natal outra vez...

... ahhhh, o som da chuva lá fora, a trovoada, o céu cinzento, as prendinhas a chegar pelo correio, o calor abafado e húmido... Calor?! ahhhh! Bolas!!! Não estamos no Natal, mas eu sinto-me como tal!

A chuva na rua e as prendinhas fazem-me lembrar o Natal, e para isso contribui já ter recebido o material que vou testar enquanto Salomon Field Tester:

1. boné XA, com tecnologia Clima UV50+, fecho em velcro e extremamente leve:

2. T-shirt Park Tee W, igualmente com tecnologia Clima UV50+, Actilite Jersey extensível, com bolsinho na parte de trás:

e ainda...

3. X-Scream W Citytrail, rosinha e tudo :), com tecnologia Quicklace, Light Weight Muscle, sola Contagrip, Sensifit, bolsa para atacadores, entre outras, com o objectivo de manterem o espírito da montanha, em ambiente urbano:

Fiquem atentos, durante os próximos tempos darei uso (e abuso) ao equipamento e sem papas nos "dedos", darei aqui o meu testemunho.

Quando é o próximo?

por Filipe Gil:

 

Agora sim, posso dizer que fiz uma prova de trail! A minha anterior experiência resumia-se a 15K de Casaínhos que serviram para me divertir (e lesionar), mas pouco mais que isso. Mas o Louzan Trail foi uma prova diferente. Porque requereu preparação prévia e sobretudo porque nunca tinha percorrido uma distância tão grande.

 

Confesso que esta prova serviu também para ganhar algum respeito por mim próprio como corredor. Não que tivesse feito um excelente tempo – não era esse o objetivo. Mas porque consegui perceber como reage o meu corpo,e sobretudo a minha mente, a 33K e como posso ainda evoluir apesar das minhas limitações do binómio idade/falta de tempo para treinar.

 

Mas faço aqui uma confissão (afinal um blog é uma versão moderna de um Diário). No final de 2013, a braços com uma fascite plantar, estive quase a desistir do Correr na Cidade. Não de treinar, mas de escrever no blogue, e de correr com uma t-shirt tão digna como esta. Isto porque não via melhorias nas corridas. Os outros membros da crew que levassem o nome a outro nível. Eu pensei ficar por ali.

 

O fato de ter uma profissão muito exigente e stressante e ter dois filhos pequenos, que merecem toda a minha atenção, não ajuda a preparar-me corretamente para provas. Por outro lado, o fato da minha mulher ter começado a correr ajudou muito a continuar. E é um verdadeiro privilégio estar ao lado de alguém que percebe o que é correr e que alinha nas aventuras, sejam de trail ou de estrada. Mas nessa altura estava desiludido comigo.

 

Pensava que devia ficar-me pelo jogging e deixar estas aventuras mais exigentes da corrida para o resto da crew. Mas, entretanto, a crew começa a crescer, mais elementos se juntaram, todos com níveis diferentes e com uma “gana” de fazer coisas giras. De repente criou-se uma enorme empatia entre todos, e o início da “família da corrida” como nos chamamos deu asas ao meu entusiasmo.

 

Mas faltava uma prova mais dura, para sofrer e perceber como iria reagir. Sei, de antemão, que será difícil atingir um nível interessante nos próximos anos, podia treinar mais, mas recuso-me a perder os melhores momentos dos meus filhos por causa das corridas. Mas, mesmo assim, com uma família de sangue que me apoia muito é possível passar tempo com a família da corrida e ir fazendo umas graçolas.

 

E o Louzan Trail foi isso mesmo o início de uma “graçola” mais exigente que quero repetir muitas vezes, e se possível melhorar o tempo na distância. Foi uma aprendizagem, sendo que a margem de progressão é enorme.

 

Nas semanas antes do Louzan não andei muito confiante. Andava cansado, stressado, cada vez que ia correr sentia-me incomodado com alguma dor ou com a falta de forma física. Nos dias anteriores ao Louzan decidi começar a mentalizar-me e a tratar do físico, sobretudo no que respeita à hidratação. Não me lembro de ter bebido tanta água nos últimos anos, mas ainda bem, porque o corpo reagiu excelentemente aos 33K. E, confesso que ainda tinha força para fazer mais 10K.

 

O início da prova foi normal. “Pézinho” na água e preocupação com a mulher que dali a minutos iria passar no mesmo local – ela fez a sua estreia nos trilhos nos trail curto de 17K.

Só pensava, “ela que molhe os pés e não tente saltar as pedras, que ainda se pode aleijar”. Enquanto pensava nisso, fazia o contrário e numas das passagens, enquanto tentava evitar a água, desequilibrei-me e bati com o joelho numa rocha. Pensei que a minha prova tinha acabado. Uma dor terrível que felizmente nunca mais voltou.

 

Segui com calma – aliás, esta foi a estratégia dos quatro que seguiram juntos: eu, Nuno Malcata, Nuno Espadinha e Bo Irik (organizadores de provas, a Bo é uma mulher!). Dali até ao primeiro abastecimento foi puro gozo. Depois comecei a acelerar. O Nuno Malcata avisava-me para ir com calma, mas sentia-me bem. Aliás, sentia-me bem à frente do grupo, era uma forma mental de mostrar a mim próprio que conseguia e que iria fazer os 33K e dar um grande beijo à minha mulher, ela não me saia da cabeça.


Estava preocupado mas confiante que ela gostasse. Lá na frente (uns 3 a 4 metros à frente da crew) pensei em tudo. No trabalho, nos meus filhos, na minha mãe, no meu pai. Foram bons momentos. Quanto mais me abstraía da corrida e da respiração, apesar de atento ao caminho, mais depressa andava. Estranho, mas verdadeiro.

 

Até que chegamos a uma subida, feita a caminhar, e uma grande reta onde começou a chover copiosamente. A Bo e o Nuno Malcata começaram a correr mais à séria e eu e o Nuno Espadinha (que começava a sentir algum cansaço) começámos a ficar para trás. Pensei que seria o início de um martírio, isto quando estávamos a metade da metade da prova. No segundo abastecimento, reencontramo-nos, eles esperaram por nós, e aí recompus-me.

 

Atacamos a subida do Trevim, o pico mais alto com 1200 metros de altitude, e ganhei uma força fantástica. Senti-me mesmo bem nestes trilhos técnicos, ou, caminhos de cabras da montanha, se preferirem. Uma vez lá em cima, em mais um abastecimento de sólidos, bebi Coca-Cola, comi sal, amendoins, gomas, bebi água, comi marmelada e seguimos, sem antes vestir o corta-vento porque o vento estava terrível. E aí  ficámos tristes. Muito!

 

Porque ficamos a saber que o Stefan Pequito tinha feito uma entorse e desistindo. Ele que estava a apostar ficar nos primeiros 20 lugares, ele que tão bem representa o logótipo do Correr na Cidade, tinha-se lesionado. Tristes, como escrevi, mas com mais responsabilidade de fazer os km’s que o Stefan não conseguiu fazer. Perguntamos também se o Pedro Tomás Luiz, o nosso grande anfitrião, estava bem. E estava. A pensar neles os dois e nos restantes membros da crew que por uma razão ou outra, não nos puderam acompanhar, seguimos confiantes.

 

Depois da grande subida começámos a descer, e a temperatura a subir sendo que mais à frente, enquanto uns iam aos WC’s improvisados, outros voltavam a colocar o corta-vento na mochila e a voltar a ingerir sólidos.

 

E aí começou a segunda parte da prova. A minha preocupação era saber como estava a minha mulher no trail curto. Cerca de 1h30 depois do ponto mais alto recebi um SMS a indicar que tinha chegado (ela mais a Joana e a Ana) e que estavam bem e tinha gostado (Ufa!). A partir daí descansei e soltei-me um pouco mais, mas fomos sempre em grupo, umas vez o Nuno Malcata à frente, outras a Bo. Mas o Nuno Espadinha não estava a reagir bem ao esforço e estava a ficar com dificuldades. Percebemos, eu, o Nuno Malcata e a Bo, que talvez se ele fosse sozinho que desistisse. E não quisemos que isso acontecesse. Continuámos com ele.

 

Sabemos que a corrida é mesmo assim, temos dias maus e bons, e nunca sabemos quando esse dia mau não nos calha a nós. Assim, continuamos juntos, a incentivarmo-nos. O nosso objetivo era experimentar o trail, fazer os 33K juntos, não estar em competição.

 

Um trail de 33K que nos demorou 7 horas a fazer tem muito que contar. Dava quase um livro. Mas ao longo desta semana iremos ter mais textos aqui no blogue sobre o Louzan Trail, não me vou alongar mais no meu relato. Em resumo: fiquei com muita vontade de fazer mais trails; gostava daqui a um ano fazer uma ultra maratona não muito longa em trail (ou seja, mais de 42K, pode ser 45K, por exemplo).

 

 

Os meus ténis Adidas Supernova Riot 5 mostraram-se perfeitos para as condições de piso molhado e lama. A mochila da Berg esteve à altura e o restante equipamento, meias e pernetes compressores da Compressport e tshirt e Calções da Kalenji, também. Quando hoje olho para as fotos pareço equipado em demasia, gostava de ter ido com menos coisas. Mas confesso que estas foram as condições ideais para esta prova. Numa próxima irei repensar a “indumentária” e talvez ir com outros calções, mais curtos, e sem os pernetes de compressão (irão na mochila)

 

Sinceramente, fiquei a adorar trailar mais“à séria”, num trail técnico, como este da Louzan que foi tão bem organizado. O fim-de-semana com a crew foi fantástico. E fizemos uma promessa: para o ano iremos fazer os possíveis para voltar. Até lá venham mais trails e mais corridas. E mais Chanfana, mas só a feita pela mãe do Pedro..

 

 

p.s.  Um agradecimento especial aos país do Pedro Tomás Luiz que nos receberam com grande hospitalidade.