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Correr na Cidade

Review: As renovadas Berg Pantera

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Depois de algumas semanas a testar os Berg Pantera chegou a hora da Review final.

Alguns dos pontos indicados na preview confirmaram-se, outros mudaram um pouco com a habituação de correr com este novo modelo.

A maior parte dos testes foram feitos com terreno seco, mas um treino longo feito debaixo de chuva e com terrenos bastante molhados permitiram experimentar os Pantera em condições bastante diversificadas.

Digo já que fiquei bastante agradado com os Berg Pantera, embora haja ainda algumas características que alterava, mas conto tudo na análise em cada uma das categorias habituais.

 

Modelo: Berg Pantera

 

Características pessoais: 

Passada Neutra com tendência a pronação ligeira, peso elevado.

 

Condições de teste:

Cerca de 150km em trilhos. Usados em vários treinos até 20km, com diferentes condições climatéricas e tecnicidade de terreno e 1 prova de 36km (Montejunto Trail).

 

 

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Review: Merrell All Out Terra

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Modelo: Merrell All Out Terra

Testado por: Bo Irik e Nuno Malcata

Fãs confessos dos modelos da Merrell para os trilhos a Bo Irik e o Nuno Malcata  testaram nas últimas semanas o modelo mais recente da marca para trail, os Merrell AllOut Terra, na versão feminina e masculina.

 

Esta nova aposta da Merrell, os All Out Terra Trail, são muito parecidos aos All Out Peak mas têm uma diferença engraçada: têm uma meia incorporada para evitar a entrada de areia e pedrinhas no sapato. Tanto o Nuno e a Bo ja partilharam a sua primeira impressão e está agora na hora de partilhar a review final.

 

Características pessoais:

 

Bo: Pronadora, com maior preponderância no membro inferior direito, peso médio e com um arco plantar elevado.

Nuno: Passada Neutra com tendência a pronação ligeira, peso elevado.

 

Condições de teste:

 

Bo: Mais de 100km percorridos em trilhos. Usados em vários treinos de 10-15km e numa prova de 10k.

Nuno: Cerca de 200km em trilhos. Usados em vários treinos de 10-15km e 1 provas de 15k (Trilhos do Javali).

 

CONFORTO 

 

Bo: Tal como confessei na preview, para mim, estas sapatilhas são muito confortáveis. Não são mega almofadados e não parecem pantufinhas, mas o espaço para os dedos dos pés é excelente. Nada de unhas negras, nada de impressões nos dedos dos pés, nem nas descidas mais íngremes. Têm o buraquinho extra para atar devidamente os atacadores , o que ajuda neste sentido. Para além disso, os dedos dos pés estão protegidos com uma camada Plate Trail que abrange a seção do  ante pé do sapato, protegendo assim a ponta do pé de detritos e pedras.

A meia incorporada é uma excelente ideia para não deixar pedrinhas entrar na sapatilha e proteger melhor o pé. Considero esta inovação disruptiva um sucesso. Com a meia, a língua da sapatilha é inexistente e também não temos o desconforto de esta poder “cair” para um dos lados, como me tem acontecido em alguns modelos de sapatilhas de corrida. Em termos de peso, são um pouco mais pesados que os All Out Peak e os All Out Rush.

 

Nuno: Flexíveis, os AllOut Terra Trail são muito flexiveis e isso é excelente para o seu conforto. Ao contrário da Bo que relativamente aos Peak acha os Terra Trail pesados, eu relativamente aos All Out Charge não senti essa diferença, tendo pesos muito semelhantes sinto os Terra Trail muito mais leves no seu conjunto. Embora os Charge fossem muito confortáveis, pois tinham bastante volume almofadado, os Terra Trail são mais equilibrados e sente-se que o pé e ténis ficam como um só, tornando-os muito confortáveis. Para isso contribui muito o formato do seu interior, uma espécie de meia que acomoda muito bem o pé.

Na frente o espaço para os dedos é largo, exatamente como gosto.

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Foto de Miguel David do site O Praticante

 

DESIGN/CONSTRUÇÃO

 

Bo: Na minha opinião, apesar da combinação de cores muito bem conseguida, tanto nos modelos masculinos como femininos, estas sapatilhas não são as mais bonitas. O tamanho 39, que também uso no calçado do dia-a-dia serve-me bem, mas mesmo assim o sapato não fica de todo elegante no pé.

Em termos de materiais, para já não tenho nada a apontar. A Merrell distingue-se no mercado pela aposta em materiais e construção duradouros, por isso as expectativas são elevadas. Gosto sempre de refletores nos sapatos enquanto corro, para garantir uma melhor visibilidade quando se corre à noite. Aqui a Merrell esteve bem também.

 

Nuno: Design muito curioso, sem língua, com uma espécie de meia integrada, semelhante a uma polaina, faz com que seja um visual diferente. O conjunto de cores do modelo que testei agrada-me muito, numa mistura de preto e laranja, mas não são visualmente os ténis mais bonitos que já vi.

A sola com material vibran é de excelente qualidade e durável, com 200Km feitos em vários terrenos, continua praticamente nova ao contrario de alguns tecidos que já se começa a notar sinal de desgaste, mas também não tenho sido meigo com os testes efetuados.

Parecendo minimalistas, a proteção em redor do pé é bastante boa e a palmilha é um dos pontos mais diferenciadores deste modelo relativamente a outros ténis. A palmilha é provavelmente a mais grossa e pesada que já vi nuns ténis, com um material bastante duro na parte de trás e inclusive uma placa no peito do pé protege o mesmo de terrenos mais perigosos, dado que a media sola dianteira é praticamente inexistente, dando também um amortecimento extra.

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ESTABILIDADE E ADERÊNCIA

 

Bo: Em termos de estabilidade, os Terra da Merrell são bons mas não excecionais. Na verdade, este modelo não incorpora tecnologia de “motion control” ou mecanismos de estabilidade. Por isso, os Terra são mais indicados para corredores neutros. Já no que toca à aderência, com a aposta no Vibram na sola permitem, a sapatilha dá muita confiança na tracção em vários tipos de superfícies. Uma desvantagem da sola com rasgos de 6mm é o acumular de lama, tornando os sapatos muito pesados.

 

Nuno: A aderência tem sido o fator que mais me tem agradado em todos os Merrell que tenho testado, e o AllOut Terra não são a excepção e para mim este é o ponto mais forte deste modelo. Com tacos multidireccionais de 6mm e sola Vibram a aderência é fantástica em terrenos complicados como pedras lisas ou gravilha, lama, e mesmo em superfícies molhadas surpreendem positivamente com o seu comportamento fantástico. Descidas não é o meu forte e a segurança que os Terra Trail transmitem permitem cada vez atacar as descidas mais técnicas com maior à vontade.

A meia sola permite uma boa estabilidade para corredores com passada neutra, a quem se destinam, não contando com outros mecanismos de estabilidade.

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Foto original de Fernando Ferreira

 

AMORTECIMENTO:

 

Bo: Na zona do calcanhar, o amortecimento é bom, as tecnologias Uni-Fly e Vibram colaboram bem no sentido de proporcionar conforto no calcanhar. Na ponta dos pés, o amortecimento também é bom, mas sem excessos de “almofadas”.

 

Nuno: Várias pessoas me têm questionado relativamente ao amortecimento dos AllOut Terra Trail, e a minha resposta é sempre muito positiva neste aspeto. Desde o primeiro modelo que testei, os AllOut Rush, mesmo sendo bastante minimalistas, já contavam com a tecnologia Uni-Fly, e esta funciona realmente bem. Os AllOut Terra Trail têm 24mm de altura na parte traseira e 18mm na parte dianteira, e o amortecimento é muito equilibrado, nem de menos, nem demais. Como já indicado a palmilha grossa também dá um amortecimento extra mas muito firme.

 

PREÇO:

PVP: €114,90

Nuno: O PVP é equilibrado para a qualidade dos ténis, mas estamos em época de saldos e podem encontrar os Merrell AllOut Terra Trail por cerca de 70€, uma aposta excelente

 

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AVALIAÇÃO FINAL:

 

Bo:

Conforto 18/20
Design/Construção 16/20
Estabilidade/Aderência 18/20
Amortecimento 18/20
Preço 16/20

Total 86/100

 

Nuno:

Conforto 19/20
Design/Construção 16/20
Estabilidade/Aderência 19/20
Amortecimento 17/20
Preço 17/20

Total 88/100

Como é correr com as Vibram?

 

Por João Figueiredo:

 

As Vibram Fivefingers são sapatilhas minimalistas que proporcionam a sensação de andar e correr como se (quase) estivéssemos descalços.Na página portuguesa da marca (aqui) podem ver os modelos disponíveis.Para escolherem o tamanho da sapatilha, o melhor método será medir exactamente o vosso pé e depois consultar a tabela: 

 

 

Depois de alguma pesquisa decidi comprar a sapatilha mais minimalista desta colecção, o modelo Seeya. Estas sapatilhas são muito leves (258 gramas – nº42), o tecido é incrivelmente fino, são muito elásticas e a espessura da borracha da sola é totalmente minimalista – apenas existe protecção nas zonas de contacto com o solo: na frente (dedos) e no calcanhar. A arcada plantar não tem qualquer apoio, prevendo assim uma corrida natural baseada no “forefoot strike”. São ideais para corridas no asfalto. Há quem use estas sapatilhas com meias “cinco dedos”, tipo injinji, pessoalmente não o faço porque quero ter a menor protecção possível nos pés.

 

 

A primeira vez que experimentei correr com as sapatilhas Fivefingers Seeya não senti “Liberdade”, nem “Conforto”, nem “Flexibilidade”, nem nenhum desses adjectivos lindos que o pessoal do marketing usa e abusa. O que senti depois de dar tês passos a correr foi: “DuReZa”!

E isso é mau?É!

 

O problema reside no facto de que, desde que começamos a andar somos obrigados a usar calçado que não nos permite andar naturalmente…Isto levar-nos-ia a uma discussão muito interessante e muito profunda, mas por agora apenas afirmo que para conseguir disfrutar plenamente destas sapatilhas tive de quase reaprender a correr. Foi um desafio superado à custa de *alguma* dor, mas acreditem que valeu a pena.

 

 

No primeiro dia que corri com as Seeya fiz 4 km e senti, como já disse “a dureza” do pé ao tocar no chão. Não arrisquei muito em termos de velocidade/distância e fui para casa entusiasmado com o “brinquedo” novo.

 

No segundo dia estiquei a corda e corri ao todo 11,5km, onde experimentei sprints, subidas, descidas, curvas apertadas, etc… um pouco de tudo.

No terceiro dia mal conseguia andar. Tocar com o calcanhar no chão era um acto do mais miserável masoquismo.

 

O que fiz de mal?

Correr com as sapatilhas Fivefingers não é o mesmo que correr com isto:

 

Para desfrutar plenamente das sapatilhas Fivefingers é preciso alguma paciência na adaptação. Andamos uma vida inteira com calçado que nos “obriga” a tocar no chão, primeiro com o calcanhar (heel strike/rear strike) e só depois com o resto do pé– isto é a total subversão do uso dos pés.  

 

“Aterrar” a cada passada com o calcanhar no chão, provoca um impacto enorme no nosso corpo – é como se nos dessem uma martelada no calcanhar com uma força igual ao nosso peso… brutal, hem?

 

Mas se tocarmos no chão, primeiro com a parte da frente do pé (forefoot strike) ou com a zona intermédia (midfoot strike) e só no fim com o calcanhar (heel strike), torna o impacto muito mais suave a cada passada.

 

 

Isto é simples?

 

Não, é um processo de aprendizagem *um pouco* doloroso, isto porque estamos a esforçar tendões e músculos que até agora estavam muito pouco activos – mas que têm estado à nossa total disposição desde que nascemos. O melhor conselho neste caso é que dêem tempo a que os vossos pés e pernas se desenvolvam, de acordo com as solicitações de esforço. A pressa irá provocar dores tremendas nos músculos e nos tendões, terão bolhas gigantescas, a pele dos pés irá romper, … será uma verdadeira tortura. Em compensação terão a piedade dos farmacêuticos por estarem lá sempre caídos a comprarem-lhes coisas– numa dessas “visitas” aconselharam-me um spray chamado “Ice Power”, muito bom! 

 

 

Eu sofri “pequenas” torturas mas também aprendi com os erros.

Uma forma de evitar as bolhas e a pele gasta nos pés, passa por aplicar uma camada generosa de vaselina em todo o pé (entre os dedos, na planta do pé, nos lados do pé e na zona de trás do calcanhar para evitar as roeduras) – para mim este “ritual” tornou-se indispensável, mesmo quando corro com outro tipo de sapatilhas.

 

Quando uso as Fivefingers, depois de pôr vaselina nos pés, e como não uso meias, molho com água o interior das sapatilhas antes de as calçar. Isto faz com que o tecido da sapatilha não absorva a vaselina tão depressa ao longo da corrida.

 

 

Como já disse, as Seeya da Fivefingers são para estrada (também existem modelos para trail running) mas já me aventurei numa loucura fora de estrada: “Viagem ao Oriente esquecido” era assim que se chamava o evento/parceria entre o “Correr na Cidade” e o “Porque a vida não é só corrida” do João Campos, um percurso fabuloso pelo lado Oriental de Lisboa… fabuloso até me deparar com um canavial cheio de silvas e pedras…mas bom, sobrevivi e as Seeya também!!

 

Outro conselho da máxima importância: no fim de cada corrida e depois de descalçar as Fivefingers convém atirá-las imediatamente para dentro da máquina de lavar.     

 

Com paciência, com tempo e depois de ultrapassar as dificuldades iniciais, usar as sapatilhas Fivefingers torna-se numa experiência fantástica. Correr é uma coisa que fazemos há milhões de anos, não é necessário complicar, nem usar ténis com sistemas de amortecimento hiper complexos, o nosso corpo já vem com tudo o que é necessário para correr, desde que nascemos. 

 

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