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Correr na Cidade

Urban Trail

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 Por Tiago Portugal

 

Para os mais puristas as palavras Urban e Trail são antónimas, e a junção das duas na mesma frase causa até alguns arrepios na espinha.

 

Segundo o site da ATRP o Trail Running é caracterizado por: “Corrida pedestre em Natureza, com o mínimo de percurso pavimentado/alcatroado, que não deverá exceder 10% do percurso total, em vários ambientes (serra, montanha, alta montanha, planície, etc) e terrenos (estradão, caminho florestal, trilho, single track, etc), idealmente – mas não obrigatoriamente – em semi ou auto-suficiência, a realizar de dia ou durante a noite, em percurso devidamente balizado e marcado e em respeito pela ética desportiva, lealdade, solidariedade e pelo meio ambiente.”

 

Enquandrando esta definição de trail de que forma é possível trazê-lo para o meio urbano? Com muita imaginação, diversificação do percurso, boa organização e vontade dos participantes.

 

Como justificar então o crescimento exponencial das corridas de Urban Trail e a sua grande adesão por parte dos corredores portugueses e de que forma podem as cidades ajudar na iniciação ao trail.

 

O trail urbano tenta misturar as características naturais das cidades, parques urbanos existentes e em alguns casos locais normalmente fechados ao público para tentar criar um ambiente e percurso diversificado, uma das especificidades do trail. Para algumas cidades estas provas são uma oportunidade única de mostrar o seu património cultural e urbanístico.

 

Correr nas cidades permite frequentemente descobrir locais escondidos e ruas que desconhecíamos.

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Estas provas são, por norma, menos competitivas do que as habituais provas de estrada, e são encaradas mais como uma festa ou para a grande maioria dos participantes uma corrida turística, uma nova perspetiva sobre as cidades e uma nova forma de ver alguns dos locais onde habitualmente só passamos de carro ou simplesmente não visitamos.

 

Algumas das características dos Urban Trail são:

  • Distâncias curtas, em Portugal cerca de 10-12km, sendo que noutros países da europa já existem provas de 30-40km, sendo o Ecotrail de Paris com os seus 80km uma das maiores provas desta natureza;

 

  • Algum desnível positivo, através de uma sucessão de subidas curtas, ou de várias partes de escadas, que impõe aos participantes uma alteração do ritmo da prova, a título de exemplo o Meo Urban Trail de Sintra teve um D+ de 600m;

 

  • Inclusão de escadas, a subir ou a descer, são vários os segmentos de escadas, que impõe um esforço físico adicional;

 

  • Grande percentagem da prova feita em estrada/alcatrão.

 

Distâncias relativamente curtas, desnível pouco acentuado e secções de escadas. Qual a melhor maneira de treinar para estas provas?

 

Não sendo as distâncias muito grandes podemos adaptar o treino que fazemos para nos preparar para provas de 10km ou meias-maratonas. Começar por incluir algumas corridas em terreno acidentado, sessões específicas de subidas (4 x 3m a subir), o que não falta em Lisboa são subidas em que podemos treinar. Introduzir escadas no nosso percurso ou mesmo treinos só de escadas, a subir e a descer.

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Isto permitirá trabalhar a capacidade de resistência a estes elementos, subidas e escadas, e enfrentá-los com outra confiança, conseguindo nas provas ultrapassar estes obstáculos sem perder muito ritmo.

 

O treino em terrenos acidentados permite melhorar a propriocepção, (consciência da postura, do movimento, das partes do corpo e das mudanças no equilíbrio, além de englobar as sensações de movimento e de posição articular), essencial para quem corre em percursos acidentados.  

 

A nível de material e sendo o percurso maioritariamente em meio urbano optar por utilizar as sapatilhas de estrada que habitualmente utiliza ou pode optar por um modelo apropriado para City Trail que algumas marcas já disponibilizam, caso da Salomon por exemplo. Sendo provas rápidas e com vários abastecimentos não se torna necessário levar nenhum sistema de hidratação.

 

O desenvolvimento deste tipo de provas prova que existe um público para este tipo de corridas e que a inclusão de algumas características do trail e elementos naturais leva muitos corredores de estrada a dar os primeiros passos no Trail.

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Em Portugal, temos condições e cidades idílicas para a criação de várias provas deste tipo. Por agora são 4, mas poderão em breve ser mais.

 

Para os organizadores ficam algumas sugestões ou desafios:

  • Para quando um prova em Almada com subida ao Cristo Rei? A cidade tem grandes condições para este tipo de provas;

 

  • Criação de um percurso maior em Lisboa, 20km e permitir que os participantes escolham entre os 10km e 20km.

 

Bons treinos a todos.

Race Report: Seria possível superar o resultado de Lisboa ?

 

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Por Luís Moura,

Depois da crew ter ido em peso ao Meo Urban Trail de Lisboa fomos, no sábado passado, a outra etapa do circuito Urban Trail, desta vez em Sintra.


Sintra por si só tem condições do outro mundo para a pratica do trail e deveria ter muito mais visibilidade do que aquela que tem, mas isso é assunto para outro post.

 

Como preparar uma prova de 10km super rápida com uma semana de antecedência ?
Nos últimos 3 a 4 meses tenho andado exclusivamente a preparar os ultra trail e o tipo de esforço, preparação e execução de um trail de 10km super rápido como foi o Meo Urban Trail de Sintra é muito diferente.

Na semana anterior decide reduzir bastante os treinos em termos de distância e fiz 3 treinos em Lisboa, um de 20km em Monsanto e depois 2 vezes de 7,5km no meio do sobe e desce de Lisboa, sempre em estrada e com sapatilhas de alcatrão. Serviu também para medir a "m´squina" antes da romaria a Sintra e o sinal dado pelo coração não poderia ter sido melhor. No entanto, as expectativas para o Meo Urban Trail não eram elevadas, estou concentrado na minha meta: os 80km na Arrábida no dia 16 Novembro. 


Inicio da prova
Depois de termos levantado os dorsais e preparado o corpo e a mente para o esforço, estivemos uns minutos a conversar e a dar conselhos uns aos outros. Sempre interessante ouvir outras opiniões ou perspectivas para o mesmo assunto e como efectivamente o trail evolui nos últimos 3 anos. Por esta altura estava um pouco apreensivo,  a preparação para um evento tão curto e rápido não foi de todo a melhor, mas naquela altura e depois do convite aceite havia de aproveitar o máximo o ambiente e o traçado. 


Pelo que pude estudar no site da prova, o percurso tinha 2 zonas distintas com muita dificuldade e o resto serviria para "recuperar" o fôlego.


Tal como em Lisboa, e dado ao estrangulamento previsto no percurso, sair na frente era fundamental e iria condicionar toda a prova. Dado o tiro de partida e saímos todos de "canhão". Passei na partida com 2 segundos de prova, o que se provou mais à frente ser o mais acertado como estratégia. Entretanto tinha avisado outros corredores para terem atenção à subida do castelo e como este seria um factor decisivo fazer uma excelente gestão do ritmo na subida.


Para não variar andamos uns 100 metros a ultrapassar pessoas que iam a 5/km, e que devem ter um gosto gigantesco em sair na primeira linha da frente... deve ser "uma cena fixe" como alguém costuma dizer.Quando chegamos à primeira subida, nas traseiras do Palácio de Sintra, o pelotão começou a alongar. Nesta altura disparou o primeiro km no meu Garmin: 3:28 min ao quilómetro.

 

Primeira zona difícil
Ao fim de pouco tempo, passamos novamente em frente ao Palácio onde estava muita gente a assistir e a incentivar, juntamente com os da caminhada que sairiam para a sua prova passado uns minutos. E, um pouco mais à frente começou a subida para o castelo. Quase a meio da subida, ainda na zona com "pouca" inclinação, o GPS avisa para o segundo quilómetro: 4:49/km. Daqui para a frente foi empinar o corpo, reduzir a rotação e subir.

No terceiro km, e depois de passar por 2 atletas, no inicio do castelo o Garmin apontou uma média de 7:44/km. Foi muito complicado subir tantos degraus antigos e com grande distância entre si. Subi mais um pouco até às portas do castelo e depois comecei a descer para o Largo S.Pedro.

Só que em vez de irmos a direito como no percurso do BES Run, andamos às voltas ao longo da descida, usando apenas uma parte da descida demoníaca naquela zona. Ao chegar ao largo, os últimos 2 kms marcaram 4:03 e 3:59/km. Depois foram cerca de 2km a bom ritmo com algumas escadas o que deu para relaxar um pouco e recuperar fôlego para a parte final. Por esta altura já vinha há algum tempo a correr sozinho.

 

Ultima parte da prova
Do km 6,5 até ao 9km foi quase sempre a descer, com uma média de 4:05/km segundo o Garmin. A temperatura estava óptima para a pratica da corrida e o traçado era muito interessante, com mistura de escadas e estrada alcatroada, e muita curva rápida.

 

Quando chegamos perto do km 9,1 começou a subida final. Foram cerca de 100 metros de acumulado positivo em pouco mais de 600 metros percorridos, o que demonstra o quanto custou subir aquelas escadas. Aqui a vontade foi abrandar e gerir esforço, pois tenho uma prova grande daqui a 3 semanas e é para ela que estou a trabalhar. 


Quase a chegar à meta a organização "fez-nos" andar cerca de 300 metros entre casas antigas, sempre às curvas, e com muita gente a aplaudir e a incentivar. O que é sempre bom! Até que chegamos ao topo, passamos ainda pelo Palácio e cruzamos a meta.


Sensação esquisita quando passei o pórtico da meta e me deram uma garrafa de água. Os 20 metros que estavam à minha frente estavam quase vazios e estavam lá poucos atletas. Uma jovem da organização tinha dito que estava em 13º lugar na classificação e ai fez-se luz do porque de estar pouca gente ali. Sentei uns minutos e descansei na escadaria. Bolas, que sensação!!!

Diploma de participação
Participação da Crew
Entretanto foram chegando os restantes elementos da crew, e todos eles com um misto de cansaço, respeito e alegria bem patentes nas várias caras. A prova correu bem a todos os elementos da crew, alguns a chegar com um ritmo bem acima do que acreditavam ser possível antes da partida. Outros como a Bo Irik, ainda a recuperar do Ultra Trail Lousã, a rolar a um ritmo mais controlado.


O encanto do trail é esta sensação generalizada de se sofrer bastante durante as provas mas sempre com um sorriso e uma vontade imensa de andar mais e mais. Dentro de limites, do bom senso e na maneira como abordamos o trail, é umas das actividades que mais retorno dá ao nosso cérebro. E nestes eventos temos que gerir muito bem o esforço do inicio ao fim e não deixar a nossa vontade inicial de andar muito depressa levar a melhor. Se na estrada isso provoca pagar caro nos últimos km, nos trilhos a factura é enorme e normalmente faz mossa.

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O evento
Esta prova do Meo Urban Trail provoca um misto de sensações contrárias.O traçado de Sintra esteve top, o único abastecimento no castelo foi quase suficiente, mas um segundo no largo de S.Pedro não tinha prejudicado ninguém. Tivemos direito a todos os tipos de pisos, desde alcatrão, calçada, paralelos, trilhos e muita escuridão...


Parece-me, e é consenso geral, que o preço que pedem para as provas é um pouco elevado para o retorno visível que temos. Duas garrafas de água, uma pêra, um frontal barato e uma t-shirt não justifica o preço elevado da prova. Por outro lado, todas as sensações vividas antes, durante e depois da prova, fazem quase esquecer este "pormaior".


Sapatilhas Salomon X-Scream
Corri com umas Salomon X-Scream que escolhido devido ao tempo estar seco, e vieram a revelar-se uma excelente escolha. Tirando um pequeno traçado a descer com muita pedra, o comportamento delas foi bem acima das minhas expectativas. Em mais de 100 km no meio de Lisboa tinha ficado com algumas duvidas com o suporte ao pé e a tracção em pisos mais dúbios, mas em Sintra estiveram "Top".

Espero que se divirtam tanto a correr como acontece comigo. A corrida, e o trail em especial, é um sitio de autoconhecimento e de aprendizagem continua. O bem estar deverá ser sempre a nossa meta e isso é o mais importante no meio de todo este turbilhão de emoções por que passamos constantemente na corrida.

Divirtam-se e já agora venham correr com a crew no dia 9 Novembro a Casaínhos e no dia 16 Novembro no Ultra Trail da Arrábida

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