Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correr na Cidade

Oh Meu Deus já estou a ver o Horizonte”s” (1ª parte)

 

11424312_1119862304706982_8310512269301024001_n.jp

Por Stefan Pequito:

 

Bem isto tudo começou há 1 ano atrás, em janeiro de 2014 quando fiz a minha primeira Ultra em Proença-a-Nova com esta família que é a organização da Horizontes,- a quem prometi que faria as minhas primeiras 100milhas com eles. Foi desde aí que em cada treino pensava desse grande dia. Ouvi muitas pessoas a dizerem mal e a desaconselhar-me a prova tudo por culpa do primeiro ano que eles organizaram as 100 milhas, pois foi um mau ano para eles. No entanto, em 2014 “arrasaram” com uma grande prova por isso fiquei convencido! Claro que fiquei com algumas duvidas, é normal. Quis acreditar nesta organização pois já tinha feito varias provas com eles e sei que melhoram de prova para prova. Querem crescer e isso demonstra vontade. Gosto disso!

Então “fechei os ouvidos” e quando abriram as inscrições no final do ano passado inscrevei-me de seguida. Isto, passado uns meses valentes depois de uma MIUT nas pernas. Entretanto, chega Junho e os nervos começaram. Sabia que tinha treinado bem, pois com o Paulo Pires da APT é impossível não treinar bem, mas mesmo assim estava muito nervoso. Eram as minhas primeiras 100milhas. “Oh meu deus” será que ia conseguir?

 

Uns dias antes da prova fui para Proença-a-Nova com a minha família para tentar descansar um pouco. Aproveitei e falei com o vencedor da prova do ano passado, o André Castro. Chegou o dia 5 e lá fui eu para Seia. Cheguei cedo, levantei o dorsal e almocei “a minha” massa com a atum e tentei descansar, mas estava um calor infernal na altura e isso foi complicado. Na altura ainda tinha visto o Paulo Alexandre (o Pai da Criança).´

 

11427699_976314349101193_8339211405897432121_n.jpg

A hora da partida aproximou e a malta começou a chegar e fomos falando e acalmando um pouco. Chegada a hora no controlo Zero fiquei ao pé do Luis Mota na conversa e a planear a prova (achava eu).

 

Às 16h deu-se a partida para a loucura. Com calor abrasador lá fomos nós atrás do jipe da GNR até à entrada do trilho. A primeira parte até ao abastecimento foram de cerca de 17km de distância. Geri com calma e aproveitei a boleia do David Faustino, o mestre das Ultras. Contudo, aos 8km comecei a sentir uma “moínha” no joelho esquerdo como já me tinha dado no MIUT mas não me preocupei muito e passou ao fim de um tempo.

 

11401130_1138653282811520_3910960026574138439_n.jp

Durante vários kms fui com o David Faustino, sempre com calma mas a bom ritmo pois até aos 40km no Covão da Ponte sabíamos que ia ser calmo e “corrível”. Chegámos ao Covão e fiquei um pouco mais tempo pois já estava a ficar de noite e quis preparar as coisas todas antes que ficasse escuro. Então, tirei o frontal, o buff e os manguitos para uma bolsa mais acessível. Entretanto chegam a Sofia Roquete e o Lino Luz. Reparei que o Lino não vinha bem e fiquei um pouco lá. Por sua vez, o Faustino já tinha arrancado para tentar aproveitar o resto da luz do dia.

 

Passado uns minutos lá arrancamos, ele, o Lino Luz, mal disposto e eu com um joelho tramado pois a dor afinal ainda não tinha passado. Lá fomos nós com muita calma até Manteigas onde acabámos por reencontrar o Faustino e seguimos juntos por algum tempo.

 

“Chegados a Manteigas e tive o primeiro choque”

 

Esta foi a parte mais técnica sem dúvida. Até Manteigas tivemos de ir com os olhos bem abertos, não por causa das marcações mas sim por causa do terreno muito técnico. Chegámos a Manteigas e tenho o primeiro choque: o Rui Luz tinha desistido, um dos potenciais vencedores teve uma lesão que não o deixou seguir e preferiu parar e não estragar mais (foi sensato), e isso fez-me pensar se devia, também eu, ficar por ali.

 

Entretanto comi um sopa, pão com queijo e chocolate preto e fiquei a espera que o Lino ficasse pronto. Aproveitei e tirei o resto das barras da mala de apoio e umas Oreos (conselho dado por um craque para me motivar). Agora estava diante da primeira grande subida até ao Vale do Rossim. Mesmo durante a noite gostei bastante dos trilhos. Foi pena não ter chegado de dia…

Vale do Rossim é um local onde já tinha estado antes, num evento do Armando Teixeira. Este era um abastecimento onde tínhamos de comer e beber bem pois a seguir seguiam-se 16km até ao Vale Glaciar. Adorei este abastecimento repleto de “tralha” para comer e novamente com gente boa como nos outros abastecimentos - sempre a ajudar no que podem! Este abastecimento tinha ainda a mascote da prova, uma cadela "fofinha", como podem ver na foto.

11401390_1085776661450719_2688643206275361502_n.jp

Seguimos caminho e penámos um pouco aqui e a meio apanhamos o David Faustino outra vez e fizemos esta zona com ele. Foi a única parte que tivemos alguma dificuldade com as fitas, mas nada de especial pois era o seguir as mariolas e as fitas estavam lá, pois os trilhos passam por ali.

 

Nessa altura comentei com o Lino que algo de estranho se passava. Estávamos na Serra da Estrela às 3 da manhã e estava um calor infernal, abafado. Ali em pleno Vale Glaciar. No abastecimento enchemo-nos com água, fiz o meu isotónico e arrancámos para Alforfa, uma subida mais complicada - técnica e fechada.

Esta foi a única altura em que tive sono, o que vale é que estava a amanhecer. Comi um pouco do gel da Biotechusa que tinha para despertar um pouco, mas a dor no joelho não me deixava adormecer. Chegamos a Alforfa onde estava um abastecimento de água. A senhora que morava por ali foi simpática e arranjou-nos uns petiscos que comemos logo. A mim soube bem mas ao Lino nem por isso.

11162190_10204555869720680_64996820353304265_n.jpg

  

A descida até Unhais da Serra: a pior parte da prova

 

Agora vem a parte que menos gostei da prova: a descida de Alforfa até Unhais da Serra. Passámos nuns antigos trilhos de pastores que neste momento era um pasto de vacas alagado por causa da barragem. Corremos durante muitos km com os pés molhados. Estava com plainas mas mesmo assim entrou “areia” e “terra” nas sapatilhas. Nessa altura o David Faustino fica para trás a gerir o esforço, com pena nossa.

 

Em Unhais da Serra mais um abastecimento que gostei bastante. Mais gente super simpática, boa comida na mesa da qual eu me fartei de comer. Já o Lino tentou e até comeu bem. Parecia que ele estava “a voltar”. Ficamos um pouco mais neste abastecimento para recuperar o nosso “poder” e lé fomos para a próxima paragem em Alvoco, onde tinha a mala de apoio.

 

(amanhã publicamos o final desta aventura do Stefan)

11053210_976315549101073_577935435443343542_n.jpg

 

Race Review: a segunda parte do Madeira Island Ultra Trail

Stefan7.jpg

(segunda parte da race review do MIUT)

 

Por Stefan Pequito:

 

Chegámos ao Curral das Freiras onde era o único abastecimento que permitia a troca de roupa, e onde tinha as minhas queridas New Balance 110v2 à minha espera. Decidi não as usar porque estava satisfeito com as Salming. Falei com o Pedro e com o Lino sobre a intenção de chegar ao Pico Ruivo com eles e a partir daí passar para frente e marcar o passo. E eles concordaram.

 

Bem, lá fomos nós para última grande subida da prova com 1185D+. Sim, já íamos com 5000D+ ou perto disso. Foi um boa subida, sorte da nossa parte, não foi muita rápida mas constante, tenho a noção disso. Estávamos bem, aproveitámos isso e ao menos tempo deu para ver a paisagem que é simplesmente fantástica.

 

Chegámos ao Pico Ruivo moídos mas bem, comemos e disse aos meus companheiros que ia arrancar, para eles me acompanharem. Lá fui eu… Quando dei por mim já estava algo afastado deles mas eles iam bem acompanhados e, por isso, arrisquei e acelerei. Sentia-me bem, aproveitei isso. Foi o momento em que senti que entrei em prova, a competir. Era esse o meu plano. Então fui conquistando terreno até ao Pico do Areeiro. E até ao Pico passámos por túneis, falésias enormes, escadas pequenas, escadas grandes (grande no comprimento e de lances), paisagens que davam vontade de parar e ficar ali a ver, só vendo mesmo. Bem, lá cheguei ao Pico do Areeiro, parei um pouco, comi a minha última canja e um prato de arroz à bolonhesa e arranquei para a reta final.

 

Toca a descer! O calor apareceu. A primeira parte foi uma descida calma que se fazia bem, mas a segunda parte da descida era mais técnica (nada como a primeira), no meio do "amazonas" madeirense, cheio de troncos, terra solta e molhada, onde dava para fazer um pouco de patinagem. Depois disso, veio a “última” subida: a subida até ao Poiso. Esta subida já não tinha nada a ver com as anteriores. Fez-se que nem uma maravilha comparativamente as outras, com um pouco de calçada, trilhos simples, estradão pelo meio de uma quinta com ovelhas, que olhavam para nós a pensar que éramos doidos.

 

No Poiso não quis demorar muito tempo. Abasteci o meu soft flask (bidão) com água, comi alguma coisa e arranquei para a Portela com perto de 16 horas, o que não era mau pois tinha saído do Pico Ruivo por voltas das 12h40. Lá arranquei para a descida que ia dar à Portela. Pelo caminho encontro o Paulo Gomes do Coimbra Trail que me deu o apoio dele. É sempre bom encontrar caras conhecidas, anima sempre. Obrigado!

 

Chego a Portela, olho para o gráfico que levava comigo e perguntei à menina que lá estava como era o percurso, pois no gráfico parecia muito rolante e a descer. A resposta dela foi positiva, seria sempre a descer. Volto a perguntar se era mesmo assim. "Sim, é". Bem, descansado bebi água, abasteci e arranquei forte para acabar a prova o mais rápido que conseguisse. Estava bem, pois acreditava que conseguia abaixo das 18 horas, mas foi um ERRO. Não era sempre a descer. Os primeiros dois km sim, mas depois era um carrossel de sobes e desces acompanhados de muito calor e humidade, lama e por aí fora. Esta situação fez-me “passar da marmita”, o que não foi bom. Não quis abrandar (isto tudo deu mais 350D+ mais ou menos), outro ERRO.

 

stefan_15.jpg

Cheguei a Funduras e já não ia bem. Vejo o grande Rui Luz que tinha tido azar e não estava bem de um joelho; já vinha a caminhar há algum tempo…Tentei comer e beber alguma coisa, mas o mal já estava feito. Eu estava pálido como tudo e o Sr. José Silva do clube Minho Aventura olhou para mim e disse logo que estava pálido como uma parede. Arranquei mesmo assim e durante 20 minutos fui com o Rui e o José. Entretanto, o Rui diz para o José avançar, pois ainda podia apanhar a Ester que não estava longe e lá foi ele. Ainda estive uns minutos com o Rui até ter que me deitar e pôr as pernas para o ar. O Rui deu-me um pouco de chá que ele trazia do abastecimento e umas bolachas. Eia! Não sei se foi só disso, mas aquilo deu-me um "boost" enorme e acordei para a vida. Virei-me para o Rui e disse-lhe "'bora aproveitar o meu boost e anda comigo”. Ele tentou, mas o joelho não deixou. Não gosto de deixar ninguém para trás, mas tinha de aproveitar antes de ficar novamente mal disposto.

 

Bem, esta parte final com 10 km foi uma loucura. Dei tudo o que tinha. Fui passando todos os que me tinham ultrapassado naqueles 30 e tal minutos de angústia. As descidas das falésias junto à costa fiz em sprint; tinha de aproveitar as pilhas antes que elas acabassem. Lá vi Machico, finalmente. Saímos dos trilhos e veio um pouco de estrada e um caminho pedestre pela parte de cima de Machico sempre a ver meta, o que custou um pouco, pois dava vontade de fazer um corta-mato. Para finalizar, um pequena descida de terra e a últimas escadas da prova. Ui! O meu objetivo naquela altura era fazer a baixo das 19 horas, mas cheguei à meta com 19h e não sei quantos segundos… Bahh!

 

Bem, acabei bem com energia ainda, mas rapidamente me tive de me sentar. Em termos musculares estava muito bem para fazer mais quilómetros ainda. A meu ver, isto é bom, pois tenho de fazer as 100 milhas daqui a pouco tempo. E consegui os meus 3 objetivos principais:

 

  1. Acabar;
  2. Acabar bem, sem lesões e alguma energia;
  3. Acabar a baixo das 20 horas.

 

O MIUT é, sem dúvida, uma prova para voltar, não sei se será para o ano ou para outro, pois tenho de ver os meus objetivos do próximo ano. Adorei tudo: as pessoas, o circuito. Foi uma prova dura, muito dura, 115km com 7000+ (pelo meu relógio 7300+).

 

Fiz 36º lugar da geral, 23º do escalão, 21º do circuito nacional. Podia ser melhor? Podia sim, mas acabei e fisicamente bem, que é o mais importante. Para a próxima já conheço o circuito e já posso tentar outra coisa.

 

Bem, a seguir a isto veio outra Ultra - a do "comes e bebes". Primeiro fui jantar com o Luís Mota e a sua senhora, e  também com o Sr. José  -  que acabei por passar durante a prova e que acabou 7 min depois de eu ter terminado. Depois fui dar uma volta, falar com mais pessoal e voltei para a mesa para o segundo jantar, agora com o João Borges e amigos. Para terminar, veio o terceiro jantar com outra família do trail - com os manos Luz, Pedro Turtle, Nelson, Trindade e Bruno Fernandes. Resumindo, uma ultra de comidas enquanto esperava pelo Pedro e o André. 

No dia seguinte veio o descanso e fomos passear em boa companhia com o grande companheiro de trilhos Luís Mota (o meu padrinho das corridas), o Pedro e o puto André, que me surpreende a cada dia que passa com a sua evolução. Juízo, puto!

 

Em termos de agradecimentos o primeiro de todos,vai para o Meu “mister” Paulo Pires e à Armada, pela paciência que têm para mim e me ajudarem nesta evolução que tenho feito. Agradeço, também, ao meu pessoal do Correr na Cidade pelo enorme apoio que me deram até hoje e por sempre acreditarem em mim e motivarem-me todos os dias a querer ser melhor. À loja Girassol agradeço pela enorme ajuda que me deram na nutrição da Biotech que me forneceram (são mesmo muito boas aquelas barras de aveia com chia e mel, os géis e o isotónico de top). Obrigado também à Reebok pelo seu material têxtil de excelência, à Salming pelas sapatilhas T1 que foram uma agradável surpresa; ao Miguel Santos, meu massagista, por tratar do meu corpo e estar sempre pronto para me ajudar e, claro, um enorme obrigado a todos os meus amigos, companheiros, e família pelo apoio nestas minhas loucas aventuras!

 

Como o meu Mister diz “siga” que venha o próximo. Oh Meus Deus, estou a caminho das 100 milhas!

 

Stefan9.jpg

Stefan10.jpg

Stefan11.jpg

Stefan12.jpg

Leiam ou releiam a 1ª parte desta race report

 

 

Race Report: primeiro objetivo de 2015 concluído

10447877_1638474219715553_8282176190334680058_n.jp

Por Stefan Pequito:

 

Desde de 2014, quando comecei a levar isto das corridas um pouco mais a sério e quando comecei com isto das ultras, que sonho com o MIUT (Madeira International Ultra Trail). Era um prova que gostava de fazer pelo grau de dificuldade que apresenta. Em setembro decidi arriscar e inscrevi-me. Pedi ao Paulo Pires, treinador da Armada de Trail, para me ajudar neste projeto (e não só). Desde janeiro que comecei a treinar para esta prova, mas foi a partir de Fevereiro que veio "a dureza" - foram dois meses muito duros. Fiz tudo o que o meu Mister me pediu, tive dias bons e dias menos bons, dias com muita vontade de treinar outros sem vontade nenhuma, foram dois meses de suor, dor e sangue (literalmente). Posso dizer que o esforço compensou. No futuro, lembrar-me-ei do caso Madeirense que, com muito trabalho duro e dedicação, tudo é possível.

 

Stefan1.jpg

No 7 de abril, no dia do meu aniversário, arranquei para a Madeira, para tentar aproveitar os dias antes para ir ver alguns dos locais, algo que acabou por não ser possível pois andei as voltas a ajudar com boleias a vários amigos meus e a preparar o último material para prova. Acabei por ir ao Curral das Freiras no dia antes da prova com o André Carvalho, mas não fomos pelo trilho certo. Mesmo assim, deu para treinar um pouco a ritmo baixo e conhecer as vistas. Foram dias de convívio que também é bom antes das provas para descomprimir e ouvir várias opiniões das pessoas que já a fizeram e acabar de delinear o plano para a mesma.

Stefan2.jpg

Dia 9, dia da prova, lá foi eu com o meu companheiro de casa apanhar o BUS a Machico e encontrar o Pedro Tomás Luiz. Às 22h30, depois de atravessarmos a Ilha da Madeira toda, chegámos a Porto Moniz. Posso dizer que já estava com um nervoso miudinho no estômago, em pulgas, e ao mesmo tempo com “medo” do que se ia passar. Fiz algo que não gosto de fazer: levei muita coisa com pouco teste. Principalmente as sapatilhas, umas Salming T1, e nutrição nova que a Girassol me arranjou da Biotech. Não quis pensar muito nisso, pois penso que isso é mais psicológico que outra coisa. Bem, lá para às 23h45 entrei para o “curral” de partida e (como se vê na foto abaixo) estava bastante tranquilo. Aproveitei para dar as "boas sortes" ao pessoal que conhecia. Decidi levar logo os bastões abertos e não era para picar ninguém. Pus-me mais ou menos no meio do grupo porque não quis arrancar lá da frente para não cometer nenhum erro inicial.

Stefan3.jpg

Às 00:00 deu-se o tiro da partida. Aquele nervosismo todo desapareceu e apareceu a vontade de sair daí para fora daquela loucura. Liguei o Petzl (marca do frontal) e lá fui eu para a primeira subida. Aproveitei para aquecer os bastões, pois não gosto muito de os usar mas posso dizer que deram muito jeito durante a prova. A primeira subida era uma espécie de arrábida de alcatrão. Aproveitei e "colei-me" à Ester Alves, que ia num ritmo agradável e fui indo até às levadas.

Stefan4.jpg

 

Stefan5.jpg

Nas levadas acabei por perder a Ester, pois havia muita gente com pressa e deixei-os passar. O meu plano para a prova era não me cansar muito nesta primeira grande subida e, ao mesmo tempo, ainda estava a ver como as sapatilhas se comportavam.

O primeiro abastecimento foi no Fanal e a primeira canja soube tão bem! O abastecimento foi fantástico (como todos os abastecimentos), mas depois de terminar o “enche-barriga” vinha o primeiro desafio da prova: a descida para o chão da Ribeira - uma picada sempre a descer super técnica e super escorregadia. Foi o primeiro grande desafio para mim, e para as sapatilhas. Foi ali que vi que os bastões dão muito jeito, pois as Salming falharam neste primeiro teste. Podia ser por serem ainda muito novas e terem a goma ainda na sola, mas ali não foi o ponto forte delas. Desci muito lentamente e a barafustar com as sapatilhas. A única coisa que me acalmava era pensar que a seguir vinha uma bela subida como eu gosto.

 

Realmente adorei a subida do Chão da Ribeira até Estanquinhos. Adorei andar ali no meio da floresta. Via-se uma serpente de luz até lá a cima. Foram 1300D+ “pumba”, só assim em 10km! Antes do abastecimento apanhámos um nevoeiro serrado que mal dava para ver as fitas e frio, muito frio, onde os manguitos deram bastante jeito e a t-shirt térmica também. Cheguei ao abastecimento e adivinhem o que comi? Canja! Uiiii ainda estava melhor que a anterior! 

Stefan6.jpg

Bem, a partir dali, as coisas acalmaram um pouco… Uma descida até ao Rosário, já em grande companhia com o Pedro Turtle - um grande companheiro e atleta. Aproveitámos e fomos a um ritmo "soft mas duro" e fomos fazendo companhia um ao outro. Ao chegar a Encumeada, fez-se luz e apareceu o Lino Luz! E o dia nasceu! Foi um "boost" de energia sem dúvida - as duas coisas claro!

Já não é a primeira vez que faço provas com o Lino, por isso sei que é uma enorme companhia. Mais umas sopinhas, mais uma voltinha e lá fomos nós para Curral. Bem, o que não estávamos à espera era de uma escadaria ao lado de um tubo de água enorme, mas adorei aquela subida. Resumindo, adorei aqueles trilhos até Curral mas aquela subida foi mesmo a cereja no topo do bolo, sim senhor!

 

 - Amanhã partilhamos a segunda parte desta aventura, a partir de Curral das Freiras.

A (des)propósito de uma lesão

unnamed.jpg

 

Por Filipe Gil:

Há quase 15 dias que não escrevo no blogue. Precisamente desde os dias depois de me ter estreado na distância de Ultra Trail, no Ultra Trail do Piódão.

 

Na semana seguinte ao Ultra Trail foi visitar a Dr.ª Sara Dias, como já vos tinha contado. Fiquei melhor, mas durante os dois dias seguintes continuei a  mal conseguir descer ou subir escadas. Comecei a ficar preocupado e em conversa com a Dr.ª Sara achámos melhor reavaliar e fazer uma ecografia ao joelho.

 

Marquei consulta com o Dr. Miguel Reis e Silva. Sim, exatamente, o mesmo Miguel Reis e Silva que é um dos elementos oficiais da equipa Salomon/Suunto Portugal. O atleta da Salomon verificou que apenas havia uma espécie de inflamação na banda iliotibial, o tal “runners knee”, levei uma injecção no joelho e passadas umas horas já conseguia subir escadas sem dores.

 

Contudo, achei que devia dar mais dias de descanso ao joelho e ao corpo. Confesso que andava com um misto de “não me apetece correr nem um metro” a “será que vou estar lesionado muito tempo? Apetece-me tanto correr...”. Deixei passar a Páscoa, tive algum cuidado com os bolos e a quantidade de comida  e "guardei-me" para recomeçar a correr na passada quarta-feira, dia 8. Mas antes de falar sobre esse treino, queria partilhar convosco que, no meio da azáfama diária profissional consegui encontrar 30 minutos à hora de almoço para colocar a conversa em dia, que maioritariamente tem acontecido por e-mail, com o amigo das corridas Luís Barata da Rocha – um grande corredor do Porto que faz parte da equipa “Cães d'Avenida”.

 

Enquanto bebemos um café, falamos de vários assuntos de corrida. Das crews internacionais, do Correr na Cidade, dos Cães da Avenida. Falamos da evolução deste blogue, que, segundo me disse – e eu já sabia, o Luís é leitor assíduo desde que isto eram apenas as reflexões de um tipo novo nas andanças da corrida.

 

No final da conversa, o Luís ainda me presentou com uma fantástica t-shirt com os logótipos das mais importantes crew de corrida de todo o mundo. Ele bem sabe que o início do blogue e  crew teve como inspiração esses grupos, ou melhor running crews. Lembro-me como se fosse ontem, que comecei a correr com o Bruno Andrade e o Nuno Espadinha e ao mesmo tempo não me saía da cabeça que a corrida devia ser mais “cool”, atraente a mais gente e não apenas a alguns.

unnamed (2).jpg

 

Na altura estava a sair do projeto do Jornal Pedal e pensei que poderia pegar na onda hispter das bicicletas urbanas e transpô-la para a corrida. Foi por isso com grande emoção (disfarçada, claro, sou um ultra!) que recebi a tshirt (não técnica, mas que brilha no escuro). Os 30 minutos de conversa passaram a correr e ficou prometido uma corrida no dia 13 de maio, no final da tarde, pelo Porto, uma vez que lá vou estar em trabalho.

 

Mas, voltando à minha evolução nesse mesmo dia, ao final da tarde peguei nos meus novos Puma Ignite e fiz-me à estrada. Infelizmente não demorou cinco minutos a sentir algo no joelho. Não era a dor terrível que senti a correr o Piódão mas estava lá algo, algo que me incomodou.

unnamed (5).jpg

Continuei a correr, depois passados uns 2 quilómetros alonguei um pouco e continuei o treino com algumas paragens pelo meio e o acréscimo de irritação. Este treino teve pouca mais história que seja digna de partilhar. Sei que no final, quando estava a cerca de 1 quilómetro da Estação de Algés, onde geralmente acabou os meus treinos, acelerei. Pensei cá para mim, “se rebentar, rebentou”.... Ainda fiz uma média de 4:30/km. O joelho continuou a não doer mas continuei com uma impressão estranha. Percebi que tinha de parar de correr mais uns dias, de voltar a alongar muito, de colocar quente por cima do joelho e mentalizei-me para apenas testar o dito no treino WoW com a Reebok e o Bruno Salgueiro que decorreu no sábado de manhã no Parque das Nações.

 

Nesse dia estava com muita ansiedade por causa do joelho, não só porque iria correr um pouco, muito pouco, mas porque iria fazer exercício para o qual o joelho teria que colaborar.

unnamed (1).jpg

 

Na corrida, que por sinal foi bem rápida, correu bem, e não tive quaisquer dores. Quase estranhei. Nos exercícios, idem. Fiquei tão contente que à tarde decidi dar uma caminhada em conjunto com um dos meus filhos e um dos seus amigos mais próximos. Fomos de Algés ao Jamor, demos lá uma volta e regressamos. E nada de dor. Aqui e ali ainda fiz uma corridinha, mas levava demasiadas coisas na mão – quem é pai percebe o que quero dizer.

unnamed (3).jpg

 

Fiquei tão animado que no dia seguinte, ontem, de manhã, domingo, decidi pegar nos meus novos Ultra Boost, que a Adidas me ofereceu e fui correr para o asfalto ao longo do rio, onde em paralelo algumas pessoas terminavam a prova da estafeta Cascais-Lisboa. E tudo correu bem. Com os ténis – em que coloquei umas palmilhas para pronador – e com o joelho. Sem quaisquer dores. Foram 5,5km a um ritmo interessante.

 

Estou confiante, parece que as coisas estão a entrar nos eixos. Estou a regressar aos poucos desta lesão chata que me acompanha há um mês, para regressar bem e daqui a umas semanas voltar aos trilhos.

Por ora, só estrada. Mas, trilho ou estrada, o que interessa mesmo é voltar a correr.

 

My Path to MIUT 2015 - Histórias de uma jornada (5ª Subida)

18094289_cJzzO.png

 Por Pedro Tomás Luiz

 

Quando se prepara uma prova tão longa, o que calçamos e o que vestimos tomam uma importância colossal.

 

Se numa prova curta podemos facilmente acomodar um erro, numa prova desta dimensão temos de tentar diminuir essa possibilidade ao mínimo, sendo certo que até com as coisas mais banais e mais testadas, algo pode correr mal. O factor surpresa será sempre algo com que teremos de conviver.

 

Lembro-me sempre do Ultra Douro e Paiva, no qual de alguma forma associo às sapatilhas (3º par daquele modelo) a razão da minha lesão, embora hoje atribua esse facto mais a uma questão sistémica do que somente às sapatilhas. Certo é que estas só entram de quando a quando na minha rotação e sempre que pego nelas torço o nariz... superstição? talvez... .

 

Assim, ao longo desta jornada tive a possibilidade da marca da Sport Zone - Outpace me fornecer o que vou vestir e da Salomon (marca convidada pela Outpace) me fornecer aquilo que vou calçar e usar como mochila.

 

Se em relação à Salomon pouco há a dizer, dado que se trata de uma marca perfeitamente estabelecida e de referência neste mercado, no que se refere à Outpace, uma marca mais jovem, mas que me possibilitou uma supresa gigante. Esta marca, na minha opinião, teve uma evolução fantástica apresentando neste momento têxtil de grande qualidade a preços muito acessíveis. 

 

Aqui ficam as minhas "mini reviews": 

 

Impermeável/Corta-vento Outpace Sirius

Outpace 1.jpg

Tido como um casaco impermeável, corta-vento e transpirável, foi o único material que vou levar à Madeira, que não tive a oportunidade de testar intensamente, principalmente no que se refere à chuva. Apesar disto tive a oportunidade de correr e de sentir a sua protecção face ao vento, bem como a sua boa transpirabilidade. 

 

Prós:

  • Ajuste ao corpo (principalmente do capuz);
  • Função de corta-vento;
  • Bolsos;

 

Contras:

  • O volume quando é dobrado (muito maior que o meu anterior, vai dificultar a arrumação na mochila).

 

T-shirt Outpace Ulisses

Outpace T-shirt.jpg

Aquilo que procuro numa T-shirt é por esta ordem de importância: 1) conforto; 2) capacidade de secagem do tecido; 3) design atractivo. Este modelo da Outpace tem tudo isso e acrescenta o facto de ser extremamente leve.

 

Prós:

  • Conforto;
  • Leveza;
  • Capacidade de secagem.

 

Contras:

  • As costuras podiam ter um acabamento bem mais cuidado;
  • O buraco para os headphones, para mim era escusado. 

 

Calções Outpace Elite Runner

Oupace Calçoes.jpg

Estes calções da gama Elite Runner (gama mais alta da Outpace) apresentam uma excelente construção e design. Curtos, mas não excessivamente, deram-se sempre uma fantástica liberdade de movimentos aliados a um bom conforto. A cueca interior poderia ser melhor conseguida ou substituída por uma Lycra, no entanto este "defeito" é comum a muitas marcas de running.

 

Prós:

  • Conforto;
  • Leveza;
  • 2 bolsos.

 

Contras:

  • Cueca interior,

 

Mochila Salomon S-LAB ADV SKIN3 12 SET

 

Salomon Mochila 2.jpg

Salomon Mochila 1.jpg

 

É de longe a melhor mochila que alguma vez usei... aliás não deveria ser considerada uma mochila mas sim colete. Comparada com a versão 2 esta versão perdeu peso, ganhou um bolso frontal com zipper e um bolso interior. O plástico que servia para acoplar o fechos frontais foi substituído por cordão e apesar deste mecanismo ainda me levantar algumas questões, é certo que em todos os treinos que fiz, nunca nenhum fecho se soltou. Esta mochila é ainda bem mais justa que a sua antecessora, pelo que é preciso alguma cautela na escolha do tamanho.

 

Prós:

  • Conforto
  • Leveza;
  • Ajuste ao corpo;
  • Acessibilidade aos bolsos;
  • Softs Flasks.

 

Contras:

  • Preço;
  • Não permitir transportar bastões desdobráveis;
  • Para quem usa blade esta versão é um teste à nossa paciência. As "argolas" onde devia passar o tubo são tão estreitas que obrigam a desmontar o tubo por completo, para que este possa passar nos buracos e mesmo assim ainda é preciso "jeitinho". Não percebo porque raio fizeram isto...

 

Sapatilhas Salomon Wings Pro

 

WIngs pro1.jpg

WIngs pro2.jpg

Com o chassis importado directamente da gama S-Lab, estas sapatilhas são verdadeiros cavalos de batalha. Com um excelente amortecimento (apesar de muito duro e dicil de partir), uma protecção fantástica do pé e com uma estabilidade fora de série são umas excelentes aliadas para ultras mais técnicas.

 

Prós:

  • Estabilidade;
  • Ajuste ao pé;
  • Tracção (excelente em quase todos os tipos de terreno);
  • Protecção do pé.

 

Contras:

  • Amortecimento muito duro (demoram muito tempo a "partir");
  • Respirabilidade (têm tendência a acumular humidade);
  • Aderência em rocha molhada (é necessário algum cuidado neste tipo de terreno, dado que a margem de erro não é muito grande).

 

Faltam 5 dias...

 

Posts anteriores:

1ª Subida

2ª Subida

3ª Subida 

4ª Subida

Inatel Piodão Ultra Trail - O primeiro Ultra Trail

10985283_347407338798903_1794303674790022286_o.jpg 

Por Nuno Malcata:

 

Dia 28 de Março de 2015 ficará sempre registado como o dia em que realizei mais um dos sonhos que me propus tornar realidade, fazer um Ultra Trail.

 

Não queria fazer qualquer Ultra Trail, há muitos e bons, temos uma riqueza paisagística que nos permite ter muitas e boas provas no território nacional, mas gosto de trazer sempre significado sentimental às coisas que faço.

 

Se há um ano fiz a estreia em provas de Trail no Piodão, devia ser no Piodão que faria a primeira Ultra. Se há 1 ano recebi cheio de orgulho o Tiago, o Pedro e a Carmo na chegada do Ultra Trail, durante os últimos tempos preparei-me com alguns amigos para atingirmos a mesma proeza e encher de orgulho quem nos recebia e sobretudo a nós próprios.

 

Não vou descrever como foi a prova, o Filipe já descreveu bem como foi e ainda mais para ele com o acréscimo das dores, pelo que partilho aqui as imagens que reuni e juntei em vídeo para memória futura.

 

Venham os próximos desafios!

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Actividade no Strava

Somos Parceiros



Os nossos treinos têm o apoio:



Logo_Vimeiro

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D