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Correr na Cidade

Sintra é mágica... Race Report do Sintra Mountain Magic Trail

A serra de Sintra é mágica, mas correr no meio da sua natureza é sermos enfeitiçados a cada instante, a cada passada.

 

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No Domingo passado realizou-se o Sintra Mountain Magic Trail (SMMT) e deste a altura da sua promoção nos levantou uma enorme curiosidade, pois não só era já aqui ao lado num dos nossos sítios favoritos para correr e para além do mais, prometia a passagem que normalmente estão vedados, como flashback deixo aqui o preview da prova feito pelo Luis Moura.

 

A organização deste o início sempre primou por dar uma imagem muito cuidada do evento recorrendo a uma boa comunicação web quer por meio da página oficial do evento, quer por meio da utilização das redes sociais como veículo de comunicação, prestando todas as informações necessárias aos participantes atempadamente - contudo no melhor pano cai a nódoa, mas já lá vamos.

 

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Sempre deste o início sempre ouvi que o valor deste SMMT era um pouco exagerado, sim existem provas mais baratas é verdade, mas nem todas elas percorrem o Patrónimo Mundial da UNESCO e tendo em conta tudo que está envolvido, cortes de estrada, custo pegada ecológica, abastecimentos, passagem por locais normalmente vedados à livre travessia, o valor acabo por se aproximar de um valor mais justo, algo elevado, mas não tão elevado assim.

 

A recolha do dorsal e do kit do atleta, ocorreu sem problema, contudo ouvi algumas criticas relativamente à localização escolhida para o secretariado que estava localizado no Hotel Tivoli, ali mesmo no centro de Sintra e perto da partida e devido a esta localização o estacionamento para depois ir levantar o kit era difícil... Hum!!! Vamos lá!! Estamos em Sintra, demoramos muito a estacionar? Rentabiliza-se o tempo e vai-se também comer um travesseiro (ou dois, ou três!!). O kit do atleta era composto pelo dorsal, chip, uma folha de Guia do Participante (gostei!!) e uma tshirt técnica alusiva ao evento e a promessa que caso se cruzasse a linha de meta dois prémios de finishers diferentes uma headband e uma cinto bolsa/porta dorsal.

 

O dia da prova começou cedo, logo na chegada se cruzo-me com caras conhecidas, o que não era de esperar numa prova na região, o Marcelo com o qual fiz o primeiros segmentos, o vassoura João Campos a preparar material para varrer a cauda do plutão entre outros.

Na linha de partida da distância maior, não éramos muitos, contudo e a julgar pela afluência de pessoas das outras distâncias, comprovam os números avançados pela organização de cerca de 4000 inscritos para este evento - é obra!

 

Partida, largada, corrida... A prova prometia passar pelos locais mais emblemáticos de Sintra em termos de percurso, que diga-se e aqui dou os meus parabéns à organização pois este estava estupidamente bem marcado - digo estupidamente pois até acho que em alguns pontos havia fitas a mais :-) - o inicio era feito no Centro de Sintra, com umas voltas iniciais no pelas ruas da vila, seguida da passagem pelo interior da Quinta da Regaleira, rumo aos Jardins do Palácio da Pena, passado pelo renovado Chalé da Condessa (lindo e a visitar!) a partir daqui era altura de descer até Monserrate, passando pelos seus jardins e iniciar a subida até aos Capuchos onde se encontrava o primeiro abastecimento.

 

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Os abastecimento na minha opinião tinham tudo o que necessário e em abundância, sal, tomate, frutos secos, cola (de marca), água, fruta e bolos, etc... Talvez o uso de algo mais reconfortante num dos abastecimentos no meio não fosse mal pensado, mas mesmo assim acho que tinha o suficiente.

 

Dos Capuchos, foi subida até ao Monge seguida e descida até ao Cabo da Roca com passagem pela Anta de Adrenunes que oferece uma vista brutal, antes de chegar à Roca, ainda uma passagem pelas arribas da praia da Ursa.

 

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Daqui foi a subida até à Peninha, via Viúvas para novo abastecimento e aqui começaram os problemas!!! Olhando para o gráfico disponibilizado a seguir ao abastecimento da Peninha que até nem estava situado no ponto mais alto, existia uma ligeira subida seguida de uma descida, contudo logo a seguir ao abastecimento, rumamos novamente ao oceano (algo aqui não está bem!!!) sempre a descer até à praia da Biscaia, onde fizemos uma secção junto ao mar pelas arribas técnica e perigosas da costa - na minha opinião esta secção era escusada, já anteriormente tínhamos feito várias zonas de costa junto ao Cabo da Roca e estando em Sintra, serra de trilhos mágicos cheia de vegetação luxuriante, foi uma facada nas costas da Serra pois acho que se podia ter aproveitado melhor e não aproveitar o seu potencial mais belo ao invés de fazer arribas sem graça nenhum - seguida de uma nova subida à Peninha e dai foi rumas à Barragem da Mula, passando pelo Arneiro e Pedra Amarela...

 

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O problema foram dos abastecimentos, ou melhor a falta deles aos quilómetros corretos, como já referia partir da Penina o gráfico estava super mal marcado, quando era suposto descer estávamos a subir o inverso, os abastecimentos não estavam nos quilómetros certos, obrigando os atletas a fazer uma seção, quase sem sombra, de 17 quilómetros, não é que me importe de fazer esta distancia sem abastecimentos, o problema é quando não estou a contar faze-la e não fui o único, resultado andei vários quilómetros sem água, aliada a uma má escolha de calçado na minha responsabilidade, reduzi bastante o ritmo.

 

Mas continuo a não entender a dificuldade das organizações em não apresentarem gráficos coerentes com os quilómetros e os abastecimentos fora do local, com a tecnologia de hoje é algo que me custa a entender, pois estamos falar da segurança das pessoas.  

 

Chegado à Mula, quem vinha com cara de Mula era eu, devido ao desanimo que esta situação de causou, reabasteci-me bem e rumei à ultima grande subia rumo de volta aos Jardins do Palácio da Pena e ao ponto mais alto da serra de Sintra a Cruz Alta, daqui até à meta foi sempre a descer pelo Castelo dos Mouros e Vila Sasseti.

 

Chegado à meta a agitação era grande, muitos turistas que passeavam por Sintra encontravam-se ali para dar apoio o que foi muito engraçado, assim que cheguei também comuniquei a minha insatisfação face aos abastimentos que prontamente tendo por em marcha um plano para colmatar a situação para os restantes atletas em prova, não sei se conseguiram ou não mas sei que tentaram.

 

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Em suma e sendo a primeira edição, acho que esta prova tem pernas para andar com edições futuras, corrigindo apenas algumas falhas, sendo a mais grave a da informação do mapeamento da prova e uma mais pessoal, a segunda ida junto à costa não traz nada de novo e perde um pouco até da Magia que o nome do evento transmite. 

 

De resto parabéns à Urban Events e a toda a sua equipa.

 

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 Resultado de uma má escolha de calçado :-)

Azores Trail Run 2016 - Race Report

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  (Foto: ClickFaial)

 

Sempre me interroguei o porquê as filmagens realizadas nos Açores terem um aspeto único, podemos argumentar com questões técnicas, mas para mim simplesmente se deve ao facto da  luz ser diferente.

 

Quem chega aos Açores, pela primeira vez, sente que a luminosidade não é igual à do continente, os contrastes entre os pretos e os verdes dão a sensação de quase duma ofuscação, de um ambiente ligeiramente surrealista.

 

Assim, durante 5 dias pude desfrutar da beleza das ilhas do Faial e do Pico, mas também pude sentir quão volátil a meteorologia pode ser nestas ilhas e quão fustigante pode ser.

 

Esqueçam Windguru, Accuweather ou nosso IPMA. Todos sem exceção falharam redondamente na antecipação do que poderia ser o dia da prova. Só a título de exemplo, as piores previsões davam conta de chuva fraca intercalada por sol… ora eu no dia da prova vi o sol uma única vez

 

Como tinha falado no post anterior, a prova que me tinha proposto a realizar era o Faial Costa a Costa, que basicamente consistia em 48km, dos quais metade eram a subir e metade a descer. Da informação que havia recolhido, sabia também que a primeira parte, até ao início da subida, seria muito rápida, que a subida até caldeira (ponto mais alto da ilha) era marcada por alguns trilhos e um estradão e que haveria uma zona de progressão “chata” em torno da caldeira, daí para baixo era sempre a rolar…e foi mais ou menos isso… .

 

Despertador para as 06:00 e toca a levantar. As minhas rotinas de pré-corrida são simples e visam minimizar o erro.

 

Ou seja basicamente passam pela seguinte sequência: tomar um bom pequeno-almoço (sem invenções, há que não ceder à tentação de enfardar tudo o que nos aparece num grande pequeno almoço de Hotel), de seguida tratar da higiene, “bresuntar” os pés e partes internas da coxa, com creme gordo, vestir e por fim tratar da parte intestinal, para que não haja pit stops a meio da corrida. Esta rotina serve para tudo, desde uma corrida de 10km na estrada aos 115km do MIUT.

 

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Aprumado a rigor, desci a rua do Hotel até ao cais, onde me esperava o pick-up para a partida. Aí com o Pico em pano de fundo e a mostrar todo o seu esplendor, arrancámos em direcção à Ribeirinha. 

 

Por volta das 08:15, já me encontrava na partida e com o sol a dar um ar da sua graça (mal sabia eu que seria a única vez que o ia ver no dia inteiro), foi ver os atletas a chegar e sentir todo o corrupio que antecede o grande momento.

 

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Muita animação, muitas conversas, muitos sorrisos e aquela hora e meia de espera foi passando com grande facilidade. Tivemos ainda o prazer, e já que a prova dos 70km passava muito perto de onde estávamos, de durante uma boa meia hora estarmos a apoiar o pessoal, ao bom estilo Zegama Tuga.

 

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   (Foto: ClickFaial)

 

Alinhados na meta, tempo do speaker por toda gente de mãos no ar a saltar. Posicionado perto da frente, mas numa lateral, lá fui cumprimentando caras conhecidas como a Lucinda ou o Pedro Caprichoso.

 

Partida, largarta, fugida….

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  (Foto: ClickFaial)

 

Debandada total, resultado 1º km em 4:02 e 2º em 4:49… parte rápida inicial estava feita, era agora tempo de começar a subir os quase 16km, com mais de 1000D+.

 

A subida inicia-se com alguns single tracks e pautados por alguns degraus, nada de muito assustador depois da vacina do MIUT, que desembocam num belo estradão em serpente que nos leva até ao ponto mais alto da ilha, a Caldeira.

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  (Foto: ClickFaial)

 

Com excelentes sensações, e a fazer uma alimentação certinha, fiz um subida calma mas consistente, tendo chegado lá acima com cerca de 2 horas de prova.

 

Pensei “Se com estou aqui com duas horas agora vai ser sempre prego a fundo...”

 

Como estava enganado, a chuva, que tinha começado a aparecer aos 700mt, piorou drasticamente, tornando-se grossa e empurrada por rajadas fortes tornou a passagem pela Caldeira um grande desafio…

 

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  (Foto: ClickFaial)

 

To be continued ... 

 

Uma imagem que vale mil pensamentos

Por Filipe Gil:

 

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A imagem e o comentário acima dizem-me muito. Infelizmente. Preferia mil vezes estar aqui a escrever sobre os meus próximos desafios do que este muro de lamentações que tem sido os meus posts desde os finais de março (até eu já estou farto deles). Mas a vida é assim, e recuso-me a fraquejar. E um blogue é como um casamento. Para o bem e para o mal até que deixe de fazer sentido. Como acho que ainda faz, e muito (pelo menos da minha parte, já que é um blogue coletivo), espero voltar à escritas “gloriosas” em breve. Por ora, só notícias do “Dark Side”.

 

Na foto acima, retirada do Instagram do ultra maratonista Rob Krar, um dos mais talentosos corredores de longas distâncias (quem tiver curiosidade de ver os seus tempos em treinos, basta segui-lo na sua conta de Strava…e depois fechar a boca de espanto).

 

Nele, Rob Krar fala da difícil opção de não participar na edição deste ano do Ultra Trail do Mont Blanc (creio que seria a sua estreia em terras europeias). Com uma lesão, ou princípio dela, o atleta optou por não forçar o seu corpo e deitar um sonho por terra a bem do futuro próximo na modalidade). Ora, quando vi esta imagem, na velocidade frenética com que passamos o polegar pelo ecrã dos smartphones a consultar os Instagrams que seguimos, detive-me nesta imagem. E fez-me refletir.

 

Claro que qualquer comparação comigo e com o Rob Krar deve resumir-se ao facto de ambos respirarmos. Mais do que isso, não há.

 

Mas fez-me refletir no que foi a estupidez, (hoje em dia classifico assim) de não ter conseguido dizer que não a correr na Ultra do Piódão, em ter entrado em modo “avestruz” e colocar a cabeça na terra e achar que, com 8 dias de inatividade, a lesão passava. Fui parvo para quem já anda nisto há mais de três anos. E erro nº1 foi fazer a prova sem ter avaliado bem o joelho, mas essa até dou de barato porque o entusiasmo era grande, o planeamento de ir para o centro de Portugal já tinha meses e provavelmente, nem que fosse para aplaudir (o que me iria custar muito), iria ao Piódão com a minha crew. Vá, sendo sincero, talvez fosse mais esperto fazer a distância mais curta.

 

O erro nº2 foi não ter parado quando o joelho me começou a doer “mesmo” durante a prova. Não digo logo ao início, mas mais perto dos 20 kms onde andar já se tornava um suplício. Lembro-me, de pensar na altura que seria uma desilusão para a minha família, para os amigos, para aqueles a quem, publicamente no blogue, me foram seguido na preparação daquela aventura. E ainda mais o que seria acordar no dia seguinte em que todos se tinha tornado Ultra Maratonista e eu o único que ficara de fora. Devia ter dado ouvidos ao Tiago Portugal quando me aconselho a parar antes da subida do inferno (Quem foi ao Piódão sabe a qual me estou a referir).

 

Confesso que hoje em dia não sei se já estaria curado do joelho se não tivesse feito os tais 53km com dor intensa no joelho (ok, os primeiros 8/10 km não doeram). Mas provavelmente estava. Se calhar até já me teria inscrito num outro ultra trail e feito a prova sem grandes problemas e em boa forma. E tinha continuado a correr, e a treinar, e a divertir-me. E não a olhar a corrida e o correr como algo apenas disponíveis para os outros. Um prazer enorme a que estou vedado há demasiado tempo.

Resultado: ainda aqui estou de “joelho ao peito”. Não corro nada de nada desde o dia 1 de Agosto, em que parei ao fim de 1km porque a dor começou a chatear e aí decidi que as próximas 6/7 semanas iria parar de “tentar” correr. Parar mesmo!

Uns dias depois fui andar de bicicleta e também doeu, e há poucos dias, a nadar, ou melhor a brincar que nadava, o joelho disse “olá” da pior maneira possível. Basicamente, quando nadava de bruços. Acho que posso dedicar-me a jogar xadrez ou às cartas para que o joelho não doa.

 

Hoje em dia leio tudo sobre lesões, desde jogadores de futebol que estão a passar por martírios, a corredores ou tri atletas que passam pelo mesmo.Tudo para tentar perceber como se consegue estar afastado de uma grande paixão. Sobretudo, estar afastado sem data de regresso. Quem me dera que alguém me dissesse: Filipe, estás com problemas, mas fazendo X ou Y, voltas a correr dentro de 2 meses. É tudo o que gostava de ouvir para trabalhar na dita recuperação.

 

Resumo: sem querer dar lições de vida a não ser a mim mesmo, deixo no ar a todos os corredores que agora neste momento estão a braços (ou a pernas) com lesões e que têm a prova mais importante da sua vida em breve (que é sempre a próxima) e que estão a ponderar fazê-la mesmo com queixas e dores. Vejam a opção do Rob Krar de que vos falei acima. Vejam o que um campeão profissional optou por fazer. Ponderem bem a vossa decisão! Podem ter sorte e nada acontecer e podem ter azar e o vosso corpo reagir mal e passarem semanas ou meses a ver passar os outros correr.  

 

Será que uma próxima prova – onde colocamos muito do nosso esforço – vale a pena? Ou será que é alegria de podermos correr quando quisermos, de forma saudável, e o que nos faz mover e que torna a corrida tão especial? 

 

No meio disto tudo, e já vamos a caminho dos seis meses de lesão, não posso deixar de agradecer o incentivo para não baixar os braços da minha mulher, que tem sido incansável em puxar-me para cima e em acreditar em mim - mesmo quando eu estou à beira de desistir. Obrigado Natália.

 

Agradecer aos meus parceiros de crew também incansáveis no apoio e dos "prós" Hélder Ferreira e Katarina Larsson e Miguel Reis e Silva, que me têm tentado ajudar a encontrar soluções médicas para resolver esta estupida lesão. Ainda um agradecimento especial à Drª. Sara Dias e ao José Urbano que têm feito os possíveis e impossíveis para me ajudar a passar por isto.


As próximas semanas estarei parado sem qualquer atividade ligada à corrida, vou tentar continuar nadar, caminhar e fazer algum exercício de ginásio que não envolva pernas (uma seca, portanto). E depois disso irei avaliar a situação. Nem que tenho de fazer nova ressonância magnética, mais fisioterapia, mais ecografias, etc..Não vou desistir!!!


E com isto todas as provas que gostaria de fazer no 2º semestre, tais como a Corrida do Tejo, Meia Maratona do Porto, Corrida da Linha e Meia Maratona de Lisboa vão ser vistas do lado de fora. Para não falar dos inumeros trails ou, mais importante de tudo: correr com os meus amigos de crew. Custa muito, vocês nem imaginam (e ainda bem).

Mas se calhar devia ter-me lembrado disso quando fui teimoso em terminar 53km com dor.Uma lição para a vida. Pelo menos para mim.

Oh Meu Deus já estou a ver o Horizonte”s” (2ª e última parte)

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Por Stefan Pequito:

(Aqui podem ler a 1ª parte desta aventura).

 

Seguiu-se mais uma bela subida com +/-800 D+, sempre a subir! O joelho “chiava” mas não quebrou, por isso continuei. O calor era muito. Às 11 horas só queriamos chegar antes do meio dia a Alvoco. Quase a chegar, o Lino e eu começámos a sofrer dos pés. A água e areias acumuladas tinham deixado mazelas, mesmo com a troca de meias do Lino em Unhais (pois era outro local de troca de roupa que a organização tinha permitido, mesmo por causa desta razão). Mas não tinha resultado e começou o sofrimento até Alvoco.

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Chegámos a Alvoco, e aqui levo a minha segunda grande “chapada”: o Lino decide desistir, pois tinha os pés feitos “num oito”, os meus estavam um pouco melhor mas o joelho não estava melhor.

 

Fiquei lá bastante tempo a pensar, “vou não vou” ,”quero ir mas se calhar não devo”, “mas que raio e que devo de fazer” foram algumas das coisas que me passaram pela cabeça. Quando dou por mim já tinha tudo preparado para arrancar; já tinha as sapatilhas nos pés novamente e a mala às costas, e pensei “que se lixe vou ate a Torre e logo se vê”, e lá fui eu!

 

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Do Alvoco até à Torre foram cerca de 8km sempre a subir com mais de 1400D+ até ao topo da Serra da Estrela. Foi sempre “a partir” até lá. Só parei na Torre. Só sei que houve muitos colegas que me chamaram maluco com tantos km nas pernas e fazer aquilo “a abrir” - a verdade e que estava bem muscularmente, só o joelho me chateava.

 

Chegada à Torre: a terceira chapada!

 

À chegada à Torre levo outra chapada: o Bondoso estava deitado na maca a dormir. Outro craque encostado. “Porra, o que estou a fazer, será que devo de ficar aqui?", pensei. Comi bem, outra vez, hidratei-me e preparei as coisas para arrancar. Aqui fiz algo que não gosto: tomei um Ben-U-Ron para as dores. Estava com 120 km e o joelho ainda não me tinha “largado”. Entretanto, o Bondoso acorda e perguntei se ele queria vir comigo mas levei uma nega redonda! Lá fui eu mas antes perguntei quem estava à minha frente e a uns quantos minutos estava a Sofia Roquete. Outra vez uma rapariga a minha frente como no MIUT …

 

Arranquei em boa companhia para a “minha querida” Loriga , com o Hélder Batista que estava a fazer os 100k. A parte inicial com mais calma pois sabia que era mais técnica mas sabia que a meio ia ficar “melhor” e poderia acelerar - e foi o que fiz. Cheguei a Loriga e já estava a +/- a 50 min da Sofia Roquete. Comi rapidamente, bebi e carreguei-me de água e arranquei, até tive direito a ser chamado de maluco por dois franceses.
 

O próximo objetivo era chegar o mais rapidamente a Cabeça. Foi uma zona muito bonita onde fomos durante 7km ao lado de uma levada que deu muito jeito para arrefecer. No meio disto, consegui passar o rapaz que estava entre mim e a Sofia.

 

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Quando cheguei a Cabeça, o objetivo era comer, beber e arrancar. Então perguntei a quantos minutos estava da Sofia, ao qual me responderam 30 minutos, mais ou menos. Estava quase a arrancar mas de seguida um rapaz ofereceu-me uma cerveja a qual não a recusei pois ainda faltava 24km. Mudei o meu objetivo de apanhar a Sofia para chegar de dia! Entretanto chegou o rapaz, que se chama João, e fiquei mais um pouco com ele.

 

Arrancamos os dois para a última “grande“ subida (sim nesta altura já era tudo GRANDE), a qual fiz tudo com ele. Quando “planou” disse-lhe que tinha de arrancar pois queira chegar ainda dia. E lá fui eu a “abrir” (tanto quanto o que o joelho me deixava ir).

 

Cheguei à Lapa dos Dinheiros, a 10km do fim, onde comi e bebi rapidamente como fiz na Loriga. O que posso dizer é que foram os 10km que mais me custaram. Parecia que nunca mais chegava ao fim e aquela última subida foi tramada. Só queria chegar. Cheguei ao topo e vi Seia, sendo que a partir dali seria sempre a descer. Tinha que acabar rápido por o sol também estava a “descer”.

 

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Chegado a Seia, fiquei algo triste. A parte mais fraca da prova, e não por culpa da organizacão, mas sim das pessoas não terem cultura desportiva, senti falta de apoio da população. Uma pessoa passava ao lado de nós e nada. Foi triste. Felizmente, depois a chegada à meta foi glorificante!!! Ver caras conhecidas a chamar por nós, ver a Liliana e o Luís Moura na meta, os aplausos de outros atletas que já tinham chegado e no fundo da meta o Lino e o Rui Luz a chamar por mim. Foi muito gratificante esta parte.

 

O meu pensamento foi do género “Acabei esta porcaria, porra para o meu joelho”.  Confesso que caíram-me lágrimas, mais de dor do que de outra coisa.

 

Adorei o OMD, ainda bem que não ouvi os outros e comprovei que a organização da Horizontes é boa. Parabéns à Horizontes, e obrigado novamente pela família que são.

 

Claro que tive um ou outro ponto menos bom, mas a maioria são positivos. A melhorar: o primeiro abastecimento e aquela descida para Unhais (estou a brincar não gostei mas sei que o trail tem destas coisas). Se é uma prova que volto a repetir? Sim, sem dúvidas.

 

Acabei num 7º lugar a 14 minutos da Sofia Roquete, com 29 horas. O vencedor foi o Grande Mota, com 25 e a GRANDE Sofia Roquete a 1º nos femininos - Mota fica prometido que da próxima vou contigo!

 

Material usado:

  • Sapatilhas: Salming t1, que adoro sem duvida são as minhas “meninas”.
  • Mochila: foi a Vest da Salomon lab3 emprestada pelo meu padrinho Pedro Tomás Luiz, da qual gostei bastante, mas é grande.
  • T-shirt e Calções da Reebok, aqualidade de material muito bom na segunda parte useu tshirt da Hoko pois era uma cor mais claro por causa do sol e também tem muito boa qualidade.
  • Meias: na 1º parte da Injini muito confortáveis mas em fase final de vida.A segunda parte meias da k»Kalenji trail que gosto bastante.
  • Frontal: foi um Silva também emprestado pelo Pedro, não sei o modelo.
  • Relógio: o grande A-Rival spoq que durou 23 horas até morrer.
  • Karimorr: baratos leves e facéis de usar.
  • Nutrição: barras da Biotecusa de amêndoas e pêssego - que adoro -  e usei 3 até ao Vale do Rossim, a partir daí não precisei mais. Gel da biotechusa também que usei metade de um pois não sou muito apologista de géis. E isotónico de manga da Biotechusa também (tudo isto podem encontrar nos meus companheiros  da Girassol). Não usei anti-inflamatórios pois sei que não fazem  nada bem durante uma corrida, como o Filipe Gil já o disse.

     
    Meias: na 1º parte da Injini muito confortáveis mas em fase final de vida.A segunda parte meias da k»Kalenji trail que gosto bastante. 

 

Agora que venha a Ultra Pirenéus, com uma pequena passagem pela Louzan Trail e Douro e Paiva (as provas pequenas).

 

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Agradecimentos:

Um enorme obrigado às Mães se não fossem elas a motivar não eramos nada! De seguida um enorme obrigado a minha crew que sempre acreditou em mim, aos meus amigos todos e família, e claro ao meu treinador Paulo Pires que me tem ajudado a crescer de dia para dia neste mundo do ultra trail.

Um enorme obrigado à Girassol pelo o apoio na Nutricão e ao pessoal da Biotechusa Portugal, ao Miguel Santos grande amigo e massagista, e ao Osteopata Rui Martins  por me pôr direito, mesmo que depois estrague tudo antes da prova…

 

Desafio Lurbel 2015

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Mais do que uma prova, será como o nome indica um desafio, para quem o quiser aceitar. 

Se estavam à procura de uma prova/desafio para o fim do ano podem parar já e marcar na vossa agenda o dia 28 de novembro de 2015, data do Desafio Lurbel Aitana 2015

 

A península ibérica ganhou no mês de novembro mais uma prova de trail que seguramente será um das maiores do ano, com distâncias entre os 120k e os 40k e que pretende afirmar-se como um das melhores a nível europeu.

 

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Esta prova realizada pela marca Lurbel percorrerá as montanhas na província de Alicante, Espanha, começando e terminando na localidade de Finestrat. O Desafio Lurbel Aitana (DLA) será constítuido por 3 provas de montanha de 40, 80 e 120km, esta com 7.200 D+, todas em regime de semi-suficiência.  

 

A prova rainha será a de 120k com os seus 7.200 metros de desnível positivo e que percorrerá os cumes de Puig Campana, 1.410m e Serra de Aitana, 1.557m de altitude, além de mais 3 picos acima dos 1.300m, dureza portanto. 

 

Para os finishers do Desafio de 120k estão garantidos 4 pontos para o UTMB e 2 pontos para os do Desafio 80k. 

 

Podem consultar os perfis das 3 distâncias, 120k, 80k e 40k. 

 

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 Esta 2.ª edição do Desafio Lurbel aumentou a distânica relativamente ao ano anterior, de 85k para 120k, e a dureza da prova que se realizará dias 28/29 de novembro e contará com um total de lugares disponíveis para 1200 participantes:

 

200 na modalidade de 120 K

400 na modalidade de 80 K

400 na modalidade 40 K

200 reservados pela organização. 

 

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As inscrições abrem dia 15 de junho às 10h em www.mychip.es e alguns elementos do Correr na Cidade querem marcar presença neste enorme Desafio, e vocês do que estão à espera?

 

 

Yiannis Kouros - O ultramaratonista Grego

Como todos os domingos hoje é dia de vídeo. Já falámos aqui da Spartatlhon, uma ultramaratona que se realiza na Grécia e não podemos deixar de fazer uma referência a Yiannis Kouros.

 

Este ultramaratonista grego, nascido a 13 de fevereiro de 1956, é um dos maiores corredores de sempre, sendo muitas vezes apelidado de "Running God" ou "Pheidippides Sucessor".

 

Detêm ou deteve os recordes nas distâncias de 100 a 1.000 milhas. Kouros começou a ganhar a sua fama em 1984 quando obteve a sua 2.ª vitória na Spartatlhon com o tempo de 20:25:00, recorde da prova que ainda perdura.

 

 

Fiquem com um vídeo que conta a ligação deste corredor à Spartatlhon e à corrida.

 

 

 

 

 

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