Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correr na Cidade

Dá-lhe brita!! – novamente a caminho do MIUT

2016-04-21_11.47.23.jpg

 

Esta era a expressão que o Ricardo, um grande amigo oriundo da nação nortenha, me gritava sempre que íamos entrar em palco. Era uma expressão catártica, mas que no meio de uma grande galhofada, me permitia soltar uma valente gargalhada e libertar as imensas borboletas que se iam acumulando naqueles momentos antes de “pisar” o palco. 

 

Na altura não era grande artista, nem hoje sou grande corredor, mas algumas coisas me acompanham entre elas a persistência a e capacidade de trabalho.

 

Assim, foram 4 meses com altos e baixos em que fiz a melhor preparação que consegui. Foram: 95 treinos, 96 horas, 867km percorridos e 26162D+ muito? pouco? Não faço a mínima ideia confio nos métodos do Paulo Pires para me levar até ao final.

 

Para os mais distraídos o Madeira Island Ultra Trail é a prova mais importante realizada em Portugal, dado que é a primeira a integrar o chamado circuito mundial de ultra-trail, ou seja o campeonato do mundo da modalidade.

 

A prova em si atravessa a ilha de uma ponta à outra, ou seja de Porto Moniz ao Machico, passando por pontos emblemáticos como seja o Curral das Freiras, o Pico Ruivo e o Pico do Areeiro. São 115km de pura beleza natural, pautados por um verde pujante, levadas e montanhas escarpadas.

 

Desafio? Objetivo? Superação? Conquista? Se tudo estiver a correr como planeado (em 115km muita coisa pode correr mal) à hora que este post saiu devo ter passado o Rosário, ou seja +/- 8horas de prova e 40km percorridos ou seja a caminho de cumprir o meu grande objetivo deste ano terminar, com um sorriso nos lábios (e também dentro do standard definido pelo Top Máquina “menos do dobro do tempo primeiro”).

 

115km evolução.gif

MIUT 2015 em 6 fotos...

00:00 - Porto Moniz;

09:45 - Encumeada;

12:57 - Curral das Freiras;

18:19 - Pico do Areeiro;

21:47 - Poiso;

01:59 - Machico.

 

 

Skechers Ultra 2: Mixed feelings

unnamed.jpg

Recentemente pedi este modelo, os Skechers Gorun Ultra 2 à marca. Não é um modelo recente, mas chateei-os muito porque queria experimentá-los nos trilhos. Já tinha lido muito bem sobre os Ultra 2, mas nenhuma das referências indicavam que eram próprios para os trilhos. Mas eu sou teimoso, e muito.

 

Perneiras Ultra - Lurbel

IMG_1191.JPG

Por Tiago Portugal:

 

O têxtil de compressão tem vindo a ganhar muitos simpatizantes nos últimos 2/3 anos entre os praticantes de corrida, seja de estrada ou de trail. Dentro dessa gama, as perneiras serão das mais utilizadas em Portugal e são uma presença constante em treinos e provas, especialmente em distâncias maiores ou provas de alta intensidade.

 

Hoje apresentamos um modelo da marca espanhola Lurbel, os Ultra. Desenvolvidas para alto rendimento, com uma grande adaptabilidade e transpirabilidade este modelo pretende prevenir o aparecimento de lesões, favorecer a eficiência e recuperação muscular e retardar a fadiga muscular através de um sistema de compressão baseado nas tecnologias “FirTech” e “Compressive”.

 

A primeira impressão é que ao contrário de outras mais coloridas, a Lurbel optou por um esquema de cores mais sóbrio, preto e vermelho, sendo que a região preta assenta nos gêmeos, ainda demorei a acertar com a correta colocação das perneiras.

 

Em termos de utilização, as perneiras Ultra não são fáceis de colocar, mas também não conheço nenhuma perneira que o seja, mas uma vez colocadas sentimos de imediato o efeito da compressão uniforme deste modelo. A compressão reparta-se de formo homogénea por todo o gêmeo e não sentimos nenhuma tensão especial nas partes superiores e inferiores.

 

As Ultra são constituídas por 3 tipos distintos de material, sendo a sua composição: 75% de FirTech, tecido característico da Lurbel; 15% Lycra e 10% de Poliamida. A compressão deste modelo é alta, mas não demasiado ao ponto de incomodar. Consigo usá-las várias horas seguidas sem qualquer tipo de problema e ao retirá-las não fico com a perna marcada.

IMG_1188.JPG

Em termos de utilização tenho-as utilizado principalmente no pós-esforço físico e sinto melhorias a nível da recuperação muscular.

 

No entanto, apesar de preferir usá-las na recuperação já as utilizei uma meia dúzia de vezes em treinos e provas com resultados surpreendentes. Correr com as Ultra é como levar uma segunda pele, não se sentem o que é o melhor elogio.

 

Em provas longas levo-as na mochila para o caso de ser necessário algum suporte muscular e numa ocasião já tive que lhes dar o uso pretendido tantas eram as cãibras com que estava, o resultado também foi positivo.

 

Já com muitas horas de utilização as perneiras Ultra continuam como no 1.º dia. A compressão é igual e notam poucos sinais de uso, tirando nas costuras superiores e inferiores que tem alguns fios soltos.

IMG_1516.JPG

Se são fãs de perneiras e dos seus benefícios, antes durante e pós atividade física este é um modelo a considerar. A relação qualidade-preço é muito boa e a qualidade da Lurbel esta presente. O PVPR é de 28,90 euros mas consegue arranjar online por 25,90 euros.  

 

Quer seja para levar para ultras para prevenir lesões ou retardar a fadiga muscular, o meu caso, levar em provas para maximizar a performance ou como recuperação após esforço físico, as Ultra da Lurbel são uma boa aposta.

 

Rumo ao Reccua Douro UT (Parte 1) - Porquê?

Por: João Gonçalves e Rui Pinto

 

O João e Rui estão cerca de a um mês de participarem no maior desafio desportivo das suas vidas, até à data. Para eles a necessidade de elevar a fasquia para uma ultramaratona de 80k fez todo sentido e escolheram o Reccua Douro Ultra Trail para o fazerem.

 

Dia 3 de Outubro, irão pôr-se à prova, física e mentalmente, nesta evento que percorre as belas paisagens do Douro e da Serra Marão. Mas enquanto esse dia não chega, iremos contar-vos em primeira mão, e na primeira pessoa, esta aventura.

 

Hoje é o primeiro capítulo que intitulamos de Porquê?

 

dut.jpg

 

 

João Gonçalves

 

O que me leva fazer isto? O que me move para levantar da cama para ir treinar? O que me dá energia para chegar a casa depois de um dia de trabalho, calçar as sapatilhas e ir treinar? O que me faz querer elevar a fasquia e fazer a prova mais longa que fiz até hoje? 

 

A resposta a todas estas perguntas não são fáceis. Nem sei se têm uma resposta que faça sentido, mas para mim a resposta mais simples e sincera e que consigo dar é “Porque não sei”, não sei se consigo acabar, não sei como o meu corpo se vai comportar com o esforço, não sei como a minha parte psicológica se vai aguentar, não sei… mas é este desconhecido que me faz ir, porque não sei, mas quero muito saber.  

 

IMG_20150620_091417-2.jpg

 

Ainda me lembro o dia em que fiz a minha inscrição para esta prova, estava em frente ao computador, como tantas outras noites a pesquisar artigos de sobre corrida, quando me aparece no meu ecrã uma partilha do vídeo promocional da primeira edição do DUT. Desde logo fiquei empolgado com a beleza das imagens que me passavam diante dos olhos e, aliado à frustração de tempos antes não ter conseguido participar na Meia Maratona do Douro Vinhateiro para conhecer a região, entrei no formulário de inscrição e comecei a digitar os meus dados.

 

15k, 45k ou 80k? Chegou a altura da decisão…

 

Dizem que só evoluímos fora da nossa zona de conforto e encarando os desafios de frente…

 

Acredito que sim, como acredito que fazer este tipo desporto, nestas distâncias já não se pode considerar que seja saudável, mas como diz o Tiago Portugal neste excelente artigo que reflete bem o espirito destes desafios que colocamos a nós próprios, a recompensa é maior do que o esforço, o cruzar a meta… Aqueles instantes em que estás com a meta a vista e pensas para ti mesmo: “Consegui”, valem todas as horas de sofrimento e dedicação para ali chegar. É nisto que penso quando o despertador toca de madrugada para ir treinar, ou chego a casa cansado e com vontade de me deitar no sofá e, ao invés disso, calço as sapatilhas para ir correr… É nesse “Consegui” que penso, é essa sensação desse misto de alegria, orgulho, cansaço e suor que quero sentirQuero esse “Consegui” e quero muito… 

 

IMG_20150725_100617.jpg

 

Então respirei fundo e selecionei a opção mais dura da prova - 80k, cheio de receios, mas muita vontade de os fazer. Sinto que, para ter sucesso, uma pessoa necessita de ter desafios, algo que nos transcenda como pessoas; de uma certa forma, que a vontade e a força para ver esses desafios alcançados seja transportada para todas as vertentes das nossa vida - pessoal, profissional ou amorosa e fazem de nós pessoas mais fortes.

 

Tempos depois, um convívio da Crew e em conversa, fiz o desafio ao Rui, mas essa parte deixo para ele contar.

 

 

Rui Pinto

 

Por alturas da Corrida das Fogueiras, em Peniche, no final de Junho, já me tinha esquecido das agruras dos 53 km do Piódão, algures fixados num longínquo mês de Março. Então, só pensava que queria mais um desafio e estava com saudades de treinar afincadamente para uma tarefa super difícil. Precisava de algo por que penar nos treinos, que me empolgasse. Um desafio que me trouxesse de volta àquele entusiasmo de voltar a treinar para algo que não saberia se iria conseguir. Algo tão difícil que me tirasse o sono, de tanta excitação e incerteza.

 

11949761_10204820671214150_401816082_n.jpg

 

Foi nessa altura, na praia de Supertubos, com a nossa crew, que eu e o João abalançámo-nos para o desconhecido e tomámos em mãos a empresa de corrermos o Réccua Douro Ultra Trail , em 3 de Outubro, que terá por pano de fundo a edílica paisagem do Douro Vinhateiro e da Serra do Marão.

 

Hoje, no mesmo dia em que me inscrevo nos 80 km do RDUT, confesso que tenho sérias dúvidas sobre se conseguirei cortar a sua linha de chegada. A vida é uma máquina de lavar roupa que te engole, te baralha os planos e te suga o tempo, a energia e o empenho para treinar afincadamente, e seguir, à risca, o plano de treino que traçaste para o objetivo em mente. Agigantam-se os receios de desiludir todos aqueles que acreditaram que serias capaz de o fazer e o peso nos ombros é real e palpável, nesta fase.

 

Hoje, reina um misto de emoções e sentimentos. E estou imensamente entusiasmado por ter (finalmente!) concretizado a minha inscrição, e ultrapassado o ponto de não retorno, e estou triste por ter a noção de não estar a cumprir, na totalidade, o  meu plano de treino, como deveria. Tenho um mês – apenas um mês! - para tentar compor o ramalhete e voltar à rota - ou melhor, ao trilho - traçado. Tenho um mês para mudar o chip na minha cabeça e vencer o cansaço, a falta de energia, a inércia de levantar cedo para ir treinar, enquanto todos à minha volta ainda dormem. E repetir o processo, uma e outra vez. As vezes que forem necessárias. As vezes que o plano de treino estipula.

 

Picture1.jpg 

 

Hoje, no dia em que o facebook está inundado com as proezas dos ‘finishers’ portugueses no UMTB, em Chamonix – e que alimentam fantasias de semelhantes feitos, nas mentes e todos aqueles que amam o trail – e no preciso momento em escrevo estas linhas, eu estou mergulhado em dúvidas. ‘Será que vou conseguir vencer a altimetria do Douro e arredores?’. ‘Ainda não treinei com bastões...’.  ‘Tenho de por mais desnível nos treinos diários…’. ‘Ainda não marquei alojamento…’. ‘Que ténis serão mais adequados ao percurso?’…

 

Dizem-me que estas são inquietações normais de quem corre ultras… E que todos passam por elas… Enfim, sei que, daqui a um mês e dois dias, todas estas dúvidas se terão dissipado e já saberemos o resultado final. Até lá, eu e o João Gonçalves vamos tentar dar-vos conta das nossas ansiedades, angustias e dúvidas, neste espaço, durante este mês de setembo, e até ao Reccua Douro.

 

Esperemos que nos acompanhem nesta aventura.

 

11938050_10204820671094147_834094424_n.jpg

 

Uma imagem que vale mil pensamentos

Por Filipe Gil:

 

Krar.jpg

 

A imagem e o comentário acima dizem-me muito. Infelizmente. Preferia mil vezes estar aqui a escrever sobre os meus próximos desafios do que este muro de lamentações que tem sido os meus posts desde os finais de março (até eu já estou farto deles). Mas a vida é assim, e recuso-me a fraquejar. E um blogue é como um casamento. Para o bem e para o mal até que deixe de fazer sentido. Como acho que ainda faz, e muito (pelo menos da minha parte, já que é um blogue coletivo), espero voltar à escritas “gloriosas” em breve. Por ora, só notícias do “Dark Side”.

 

Na foto acima, retirada do Instagram do ultra maratonista Rob Krar, um dos mais talentosos corredores de longas distâncias (quem tiver curiosidade de ver os seus tempos em treinos, basta segui-lo na sua conta de Strava…e depois fechar a boca de espanto).

 

Nele, Rob Krar fala da difícil opção de não participar na edição deste ano do Ultra Trail do Mont Blanc (creio que seria a sua estreia em terras europeias). Com uma lesão, ou princípio dela, o atleta optou por não forçar o seu corpo e deitar um sonho por terra a bem do futuro próximo na modalidade). Ora, quando vi esta imagem, na velocidade frenética com que passamos o polegar pelo ecrã dos smartphones a consultar os Instagrams que seguimos, detive-me nesta imagem. E fez-me refletir.

 

Claro que qualquer comparação comigo e com o Rob Krar deve resumir-se ao facto de ambos respirarmos. Mais do que isso, não há.

 

Mas fez-me refletir no que foi a estupidez, (hoje em dia classifico assim) de não ter conseguido dizer que não a correr na Ultra do Piódão, em ter entrado em modo “avestruz” e colocar a cabeça na terra e achar que, com 8 dias de inatividade, a lesão passava. Fui parvo para quem já anda nisto há mais de três anos. E erro nº1 foi fazer a prova sem ter avaliado bem o joelho, mas essa até dou de barato porque o entusiasmo era grande, o planeamento de ir para o centro de Portugal já tinha meses e provavelmente, nem que fosse para aplaudir (o que me iria custar muito), iria ao Piódão com a minha crew. Vá, sendo sincero, talvez fosse mais esperto fazer a distância mais curta.

 

O erro nº2 foi não ter parado quando o joelho me começou a doer “mesmo” durante a prova. Não digo logo ao início, mas mais perto dos 20 kms onde andar já se tornava um suplício. Lembro-me, de pensar na altura que seria uma desilusão para a minha família, para os amigos, para aqueles a quem, publicamente no blogue, me foram seguido na preparação daquela aventura. E ainda mais o que seria acordar no dia seguinte em que todos se tinha tornado Ultra Maratonista e eu o único que ficara de fora. Devia ter dado ouvidos ao Tiago Portugal quando me aconselho a parar antes da subida do inferno (Quem foi ao Piódão sabe a qual me estou a referir).

 

Confesso que hoje em dia não sei se já estaria curado do joelho se não tivesse feito os tais 53km com dor intensa no joelho (ok, os primeiros 8/10 km não doeram). Mas provavelmente estava. Se calhar até já me teria inscrito num outro ultra trail e feito a prova sem grandes problemas e em boa forma. E tinha continuado a correr, e a treinar, e a divertir-me. E não a olhar a corrida e o correr como algo apenas disponíveis para os outros. Um prazer enorme a que estou vedado há demasiado tempo.

Resultado: ainda aqui estou de “joelho ao peito”. Não corro nada de nada desde o dia 1 de Agosto, em que parei ao fim de 1km porque a dor começou a chatear e aí decidi que as próximas 6/7 semanas iria parar de “tentar” correr. Parar mesmo!

Uns dias depois fui andar de bicicleta e também doeu, e há poucos dias, a nadar, ou melhor a brincar que nadava, o joelho disse “olá” da pior maneira possível. Basicamente, quando nadava de bruços. Acho que posso dedicar-me a jogar xadrez ou às cartas para que o joelho não doa.

 

Hoje em dia leio tudo sobre lesões, desde jogadores de futebol que estão a passar por martírios, a corredores ou tri atletas que passam pelo mesmo.Tudo para tentar perceber como se consegue estar afastado de uma grande paixão. Sobretudo, estar afastado sem data de regresso. Quem me dera que alguém me dissesse: Filipe, estás com problemas, mas fazendo X ou Y, voltas a correr dentro de 2 meses. É tudo o que gostava de ouvir para trabalhar na dita recuperação.

 

Resumo: sem querer dar lições de vida a não ser a mim mesmo, deixo no ar a todos os corredores que agora neste momento estão a braços (ou a pernas) com lesões e que têm a prova mais importante da sua vida em breve (que é sempre a próxima) e que estão a ponderar fazê-la mesmo com queixas e dores. Vejam a opção do Rob Krar de que vos falei acima. Vejam o que um campeão profissional optou por fazer. Ponderem bem a vossa decisão! Podem ter sorte e nada acontecer e podem ter azar e o vosso corpo reagir mal e passarem semanas ou meses a ver passar os outros correr.  

 

Será que uma próxima prova – onde colocamos muito do nosso esforço – vale a pena? Ou será que é alegria de podermos correr quando quisermos, de forma saudável, e o que nos faz mover e que torna a corrida tão especial? 

 

No meio disto tudo, e já vamos a caminho dos seis meses de lesão, não posso deixar de agradecer o incentivo para não baixar os braços da minha mulher, que tem sido incansável em puxar-me para cima e em acreditar em mim - mesmo quando eu estou à beira de desistir. Obrigado Natália.

 

Agradecer aos meus parceiros de crew também incansáveis no apoio e dos "prós" Hélder Ferreira e Katarina Larsson e Miguel Reis e Silva, que me têm tentado ajudar a encontrar soluções médicas para resolver esta estupida lesão. Ainda um agradecimento especial à Drª. Sara Dias e ao José Urbano que têm feito os possíveis e impossíveis para me ajudar a passar por isto.


As próximas semanas estarei parado sem qualquer atividade ligada à corrida, vou tentar continuar nadar, caminhar e fazer algum exercício de ginásio que não envolva pernas (uma seca, portanto). E depois disso irei avaliar a situação. Nem que tenho de fazer nova ressonância magnética, mais fisioterapia, mais ecografias, etc..Não vou desistir!!!


E com isto todas as provas que gostaria de fazer no 2º semestre, tais como a Corrida do Tejo, Meia Maratona do Porto, Corrida da Linha e Meia Maratona de Lisboa vão ser vistas do lado de fora. Para não falar dos inumeros trails ou, mais importante de tudo: correr com os meus amigos de crew. Custa muito, vocês nem imaginam (e ainda bem).

Mas se calhar devia ter-me lembrado disso quando fui teimoso em terminar 53km com dor.Uma lição para a vida. Pelo menos para mim.

Crónica XI: Vamos lá a isto!

quase.jpg

 

Por Filipe Gil:

 

A semana de preparação começou bem. No dia da última crónica, fiz um treino de subidas e algumas descidas por Monsanto sem dores no joelho. Fiquei muito contente e com mais confiança no ultrapassar da lesão para o Piódão. Só preciso de me concentrar na gestão da corrida. As coisas estão a compor-se. E a moral a vir para cima. Lembram-se de vos ter dito que tinha um segredo para elevar a moral no que toca a corrida? Sim, a receita é simples, ver bons filmes de trail – mas bons, não aqueles que ao fim de 2 minutos começamos a ficar enjoados pela oscilação da câmera. E comigo resulta. 

11081458_792093090872024_5814870162868112650_n.jpg

Sábado de manhã tudo a postos para o último longão antes do Piódão. O plano estava traçado, uns 20Km neste dia e depois uma ida ao treino "A Hora dos Esquilos" na quarta-feira, para descontrair.
Só que nem tudo correu como previsto. Ao fim de 10km de subidas e descidas o meu joelho disse que não corria mais. Uma dor aguda na parte lateral do joelho fazia-se sentir cada vez que eu descia algo mais técnico.

 

Apesar de estar a gostar do treino – em conjunto com o Rui Alves, Bo Irik, João Gonçalves e Nuno Malcata – quando a dor começou a incomodar mesmo, decidi vir para casa…a andar. Ainda tentei correr um pouco, mas há mínima descida a dor voltou. Azar do caraças, pensei.

unnamed (1).jpg

 

Decidi que seria melhor tentar recuperar o joelho nos últimos dias que faltavam do que dar cabo dele naquele treino. Custou-me muito vir para casa. E tudo me passou pela cabeça, naqueles 30 minutos a andar.

 

Vi pessoal da minha idade a jogar à bola, e pensei que o melhor que tinha a fazer era isso mesmo, juntar-me aos domingos a amigos com barrigas a fazerem pan dan com o esférico  e deixar a corrida. Pensei que me ando a  enganar que os meus  41 anos de idade já não servem para estas coisas. Enfim. A desmotivação voltou. E com uma lesão assim, não há vídeos de trail que nos arrebitem.

 

O resto do dia foi passado a fazer alongamentos, a colocar TransAct, a tentar levantar a moral. Tenho que agradecer a preocupação dos vários amigos que me ligaram a mandaram mensagens e a indicar truques para recuperar a tempo do Piódão (estão a ver a altimetria do percurso?).

 10896878_10153314374659050_7968571484301150243_n.j

No domingo, com alguns elementos da crew no Trail de Almeirim e a Joana Malcata a representar-nos na Meia Maratona, decidi ir com a mulher e os putos dar apoio aos corredores da Meia que passavam junto a Algés. A vontade de estar a fazer aquela prova foi mesmo intensa.

10313952_10206393272773317_7214610824452330818_n.j

Um aparte: começar uma meia maratona às 10:30 em finais de março em Lisboa é estúpido! Tenho todo o respeito pela organização da prova, mas acho que eles, que na sua maioria são ex-corredores, deviam ter mais respeito pelos corredores mais amadores. A grande maioria não está bem preparada para fazer os 21kms confortávelmente, é um facto. Naquela corrida, sobretudo nesta, há muitos que se tentam superar, oferecer-lhes temperaturas mais elevadas (e o ano passado ainda esteve pior) é mau. Ainda por cima, este ano a tshirt oficial era preta - eu sei que ninguém obriga ninguém a vesti-la, mas todos sabemos que as coisas não funcionam assim, que todos a querem ter e a usam com o maior orgulho. Por isso, são pormenores a rever. É uma das mais pormissoras meias maratonas do mundo, e que pode ser a melhor do mundo, se a organização limar estes detalhes. Estou confiante que sim.

 

Depois do incentivo da Meia, fui descansar. Nesse dia e no dia seguinte e no outro, ontem, a seguir foram passados sem dores, sem quaisquer sinais de problemas no joelho, etc. Decidi que ao invés de ir à Hora do Esquilo irei fazer um treino ligeiro ao longo do rio.

 

Mas estou a ganhar confiança. É certo que o ciclo de treinos foi mais ou menos interrompido nestas últimas semanas, é certo que a incerteza da dor do joelho me atormeta, mas estou a ficar excitado com o aproximar da prova. Estou a ficar entusiasmado por ir ultrapassar barreiras que nunca passei.

17941323_01kHS.jpeg

Dou por mim, nestes dias, a passar a mão pela barba - que não corto desde que comecei a preparação no início de dezembro (mas vou aparando para não parecer um sem abrigo) por essa razão mesmo: lembrar-me todos os dias quando me olho ao espelho do prova do Piódão. Dou por mim a pensar nas horas que os meus amigos de crew e de fora da crew perderam em treinar comigo em vez de irem correr seguindo apenas os seus planos. E penso que a minha forma de lhes agradecer é dar tudo por tudo no sábado. Não vou aqui nomeá-los, porque eles sabem quem são.

Penso no desafio aceite pelo Filipe Semedo, responsável da marca Puma em Portugal, em ter tido a loucura de apoiar um tipo que corre muito pouco e que de performance tem também muito pouco, mas mesmo assim decidiu confiar-lhe material para testar e usar ao longo destes meses de treino. Lá está, são as pessoas que fazem as marcas e não o contrário. 

 

Penso na ajuda da minha mãe e dos meus sogros que ficaram a "aturar" os dois petizes enquanto a minha mulher trabalhava e eu ia correr três ou mais horas seguidas para Sintra e Monsanto. E penso sobretudo nos sorrisos dos meus dois filhos e da minha mulher. São os sorrisos mais bonitos do mundo. E é neles que vou pensar quando a prova do Piódão começar a custar e quando passar por aqueles momentos mais difíceis que todos os corredores passam em provas longas.

São eles que, apesar de nesse dia estar a um par de centena de quilómetros de distância, me irão acompanhar no desconhecido dos 50 quilómetros por descidas e subidas. E isso dá-me muita força. Afasta quaisquer pensamentos de lesões, e enche-me o peito de calor e coragem para fazer a prova com força e confiança.

unnamed.jpg

Estou confiante, excitado, com pressa de correr aqueles 50 mil metros. O caminho e a preparação está feito, agora é disfrutar a prova e tornar-me um ultra maratonista. 

 

Na próxima semana conto-vos como correu.

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Actividade no Strava

Somos Parceiros



Os nossos treinos têm o apoio:



Logo_Vimeiro

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D