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Correr na Cidade

Sucesso é tropeçar de fracasso em fracasso sem perda de entusiasmo

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Grandes recompensas advêm muitas vezes de trabalho e suor, pelo menos quero acreditar que sim. Mas não era necessário custar, demorar e doer assim tanto, ainda por cima sendo a segunda vez que passo por este processo.

 

Mas afinal de que raio estou para aqui a falar? Do recomeço. De voltar a correr com mais afinco, de deixar de ser um corredor de domingo, sem menosprezo algum, e tentar novamente regressar ao ritmo e forma que tinha em 2015, não era muita mas era bem superior à atual.

 

Mas não está a ser fácil, nada. E eu pensava que desta vez iria ser menos complicado, bastariam dois ou três treinos mais duros e isto voltava aos eixos, mas não. Afinal onde anda a famosa memória muscular?

 

A corrida não é minha amiga e tenho que merecer cada segundo ganho, cada quilómetro alcançado e sacrificar-me quase diariamente para melhorar neste desporto tão duro principalmente na modalidade de resistência.

 

O sucesso desportivo depende em grande medida do nosso cérebro e da forma como encarramos e aguentamos a dor, o sofrimento, o sacrifício e a solidão. O grau de compromisso é proporcional ao nosso treino, quanto mais tentamos mais dispostos estamos a aguentar todas estas privações.

 

Dificilmente algum dia serei um atleta de topo, não tenho os atributos físicos para tamanha façanha, mas balanço a minha pouca aptidão natural com o treino de capacidades psicológicas que são essências em provas de resistência e que me ajudaram a mudar nestes últimos anos.   

 

Este ano decidi, após mais de 12 meses de afastamento, regressar a correr e aos trilhos. Simplesmente porque adoro correr na natureza e tinha saudades de sentir a minha alma carregada depois de correr nos trilhos. Mas um ano afastado é muito tempo e o regresso fácil que almejava não se concretizou.

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Não vou aqui falar de VO2 Max, nem de características fisiológicas essenciais para se ser um corredor rápido e eficiente. Não é esse o meu propósito. Treino, e treino para ficar em melhor forma e o meu organismo adaptar-se, capacidade muscular e cardíaca, e influenciar a minha performance ao reduzir a minha perceção do esforço.

 

O que me têm mantido motivado, apesar das dificuldades, da dor e do sofrimento de alguns treinos, é o compromisso e o medo. O facto de me ter comprometido a alcançar algo grande, ainda que para muitos possa parecer pouco ou mesmo insignificante. Esse compromisso e esse medo de falhar comigo próprio têm sido a minha força motriz, que me levanta do chão e me faz sair do conforto relativo a que me habituei. Sei que ainda não estou pronto e que não terei o tempo necessário para estar a 100%. Mas tenho algum tempo para fazer alguma coisa relativamente à minha falta de capacidade atual.

 

Não tem sido fácil conquistar os pequenos objetivos a que me propus, mas a cada falhanço insisto e tento novamente com mais força.

 

A tolerância para aguentar o desconforto e a minha perceção de esforço tem aumentado gradualmente, mas ainda estão longe do pretendido, mas estou comprometido e não quero falhar.  

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“Sucesso é tropeçar de fracasso em fracasso sem perda de entusiasmo”

 

EGT aqui vou eu!

Manter a corrida interessante

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Correr pode tornar-se, por vezes, monótono. Eu próprio já passei por isso. Foram tantas as vezes que treinei no paredão de cascais que conheço o percurso de quase de cor, as passadeiras, os sinais, os cheiros, as vistas e ao fim de algum tempo até os restantes corredores se fundem na nossas rotina, deixa de ser novidade. É mais seguro, mas também menos interessante e estimulante. De forma manter a nossa corrida rotineira interessante podemos utilizar alguns destes truques/dicas:

 

1. Experimente um treino “Fartlek”. Palavra derivada do Sueco, desenvolvida nos anos 30 e que significa ‘Speed Play’ (Fart=speed and lek=play). O uso do “fartlek” veio fornecer um método menos estruturado do que o treino intervalado. Consiste numa corrida por um determinado tempo, 30 segundo de sprint seguidos de 5m de corrida suave, durante o tempo do seu treino para permitir a recuperação antes do esforço seguinte. Ele aumenta a intensidade das passadas e o desgaste muscular, gerando o ganho de força e resistência. Além disso, faz com que você saia da rotina de treino, melhora o sistema cardiovascular além de ensinar o organismo a lidar com picos de esforço;

 

2. Vá para os trilhos. Se está habituado a correr na cidade aproveite os parques pertos de sua casa para variar os percursos e explorar novas rotas, além de que a superfície mais macia exige menos das suas articulações e ossos. Pessoalmente tento incorporar 1km do parque pedaços em Cascais ou vou a correr até ao Parque Marechal Carmona;

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3. Arranje companhia. O mesmo percurso se feito com um amigo ganha um novo significado, seja pelo simples facto de ter companhia ou por querer motivar o seu amigo a correr e conhecer o “seu” quintal;

 

4. Descubra novos percursos. Não tenha medo de sair da sua zona de conforto e descobrir novos trilhos. Existem muitas aplicações onde corredores partilham os seus treinos, porque não dar uma espreitadela e ver onde os seus vizinhos correm. Pode ser que se surpreenda com um percurso perto de sua casa que nunca pensou existir;

 

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5. Faça o mesmo treino de sempre mas desta vez tente bater o seu recorde dos 5k ou 10k. Da próxima vez que não lhe apetecer correr ou estiver a ficar aborrecido a meio do seu treino pare 30segundos, programe o seu relógio e dê corda aos sapatos durante o resto do percurso. Talvez se surpreenda e estabelece um novo PR;

 

6. Se começar a ficar aborrecido com a corrida e os treinos, não se preocupe que acontece a todos, inscreva-se numa corrida. Nada melhor para motivas do que estabelecer objetivos a curto e médio prazo.

 

Já tem algumas ferramentas para combater o tédio. Não se preocupe em demasia que todos os corredores em determinada altura passaram pelo mesmo que você, o importante é não desistir e correr feliz.

 

Run Happy

4 Dicas sobre corrida em trilhos

 

 

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Por: Tiago Portugal

  1. Como preparar uma ultra na cidade?

    R: Nunca é simples prepararmo-nos para uma prova de trail morando numa cidade ou numa área com pouco desnível, felizmente, habitando em Lisboa, este problema não se coloca. Mas é sempre possível encontrar soluções para ultrapassar a falta de desnível. Uma das possíveis alternativas é organizar alguns fins-de-semana fora dedicados à preparação, treinos intensos e com muito desnível, positivo e negativo, dando maior enfâse a este último, as descidas. É possível simular desnível positivo através de treinos em bicicleta, metendo mais carga, ou treinando em passadeiras com a maior inclinação possível. No entanto, simular treino de descida é impossível, por isso aproveite cada oportunidade para treinar desnível negativo. Uma das maneiras de adquirir forma é através dos treinos de escadas, subir e descer escadas várias vezes, saltar vários degraus com os dois pés ou ao pé-coxinho é uma forma de fortalecer o trem inferior do corpo.

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  1. Como treinar para uma prova de trail curto, velocidade e desnível.

    R: De forma a progredir e melhorar a performance num trail curto é recomendável efetuar um plano de treinos parecido com os utilizados para as meias-maratonas, existem muitos planos disponíveis na internet, ou em alternativa aplicação da Asics. Como principais diferenças deverá efetuar treinos de subidas, preferencialmente nos trilhos, sessões inicias de 30s a 90s (4 ou 5 vezes) que deverão passar para séries de 3m a 5m a subir, com uma recuperação ativa efetuada a descer até ao ponto de partida, pode também em alternativa efetuar treinos de escadas. Nas sessões longas, fim-de-semana, efetuar treinos até 2h30 preferencialmente em trilhos.  

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  1. Correr com bastões, afinal vale a pena utilizá-los?

    R: A utilização dos batões pode ser uma grande vantagem nas provas em que temos subidas compridas e acentuadas. Em termos musculares a utilização dos bastões pode permitir poupar cerca de 20% da nossa energia nos membros inferiores, o que numa prova ou treino é muito considerável. Nas descidas a grande vantagem dos bastões será para auxiliar na estabilização e dar mais um suporte para nos segurar. Em ultra trails os bastões podem ser uma verdadeira vantagem e uma grande ajuda em termos musculares e energéticos. No entanto, para tirar o máximo proveito da sua utilização é imperativo aprender a utilizá-los e efetuar vários treinos com eles, caso contrário poderão ser mais um entrave em vez de um auxílio.

 

    4. Como gerir o período de treino entre duas provas?

R: Esta questão é sempre delicada de responder pois o tempo de recuperação difere muito de indivíduo para indivíduo e depende igualmente da distância, desnível e intensidade da primeira prova. O recomendável é que após uma prova longa exista um período de 7 a 10 dias de repouso e regeneração. Devemos durante esse período efetuar uma recuperação ativa através da prática de outros desportos como natação ou bicicleta, mas sempre com uma intensidade baixa. É igualmente importante que antes da segunda prova exista um período de 1 semana de relaxamento durante a qual a intensidade do treino é mais baixa. Nesse sentido, se o período entre 2 provas for de sensivelmente 1 mês, teremos cerca de 2 semanas para treinar de forma mais intensa. Importa destacar que os benefícios do treino intenso e a preparação efetuado para a primeira prova ainda se farão sentir durante este período e que a primeira prova servirá também de treino para a segunda. É importante preparar conveniente a primeira prova e respeitar os períodos de descanso e relaxamento de forma a evitar possíveis lesões ou fadiga, recordando sempre que o descanso é uma parte vital do treino.

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Devemos aquecer antes de correr? Sim ou não?

De vez em quando gostamos de recuperar posts que já publicamos há algum tempo e que achamos que fazem sentido virem de novo à calha, como este do Tiago escrito há pouco sobre se devemos aquecer ou não antes de correr, algo que, aposto, a grande maioria dos corredores não o faz. A ler com atenção:

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Por muitas provas em que participe fico sempre um pouco ansioso antes da partida. Uma prova não importa a distância ou modalidade é sempre uma competição, nem que seja comigo próprio, e tento dar sempre o meu melhor, apesar de poucas vezes o ter conseguido. Por hábito digiro-me para a partida uns minutos antes da hora prevista, verifico o material, converso um pouco, lá tiro uma foto ou outra, tento abstrai-me de tudo e ao sinal de partida lá arranco, por norma muito mais rápido do que deveria, esforço que no fim pago caro. Os primeiros quilómetros custam-me muito e só por volta dos 40 minutos de prova é que começo a ficar menos ofegante e a sentir-me melhor.

 

Será que posso fazer algo para minorar esta sensação?    

 

É frequente existirem dúvidas, eu próprio as tenho, se nas provas ou treinos, essencialmente de trail, devemos ou não efetuar algum tipo de aquecimento. Esta questão é ainda mais pertinente nas provas de ultra-trail em que a grande distância a percorrer parece minimizar a importância de preparar o corpo para o esforço que se segue. “Teremos muito tempo para aquecer!” “Isto só custa a começar.” são algumas das frases mais escutadas antes da partida. É necessário ou não aquecer? Antes das provas, e dos treinos, temos que preparar o corpo para um esforço que por vezes se estende por mais de 6-7 horas?

Por quem? Porquê? Como? Estas são algumas das questões que me assolam e às quais tentarei ajudar a responder. Não sendo especialista na matéria irei tentar retratar um pouco do que tenho lido sobre esta temática.

 

O aquecimento é importante? Sem dúvida que sim.

 

Devemos aquecer antes de qualquer atividade física? Claro que sim. Apesar de o saber são poucas as vezes em que o faço. O aquecimento não é reservado somente aos corredores de competição.

 

Como? Todos os treinos devem iniciar-se por um período de baixa intensidade física, por exemplo um trote ligeiro, com a duração de 5-10 minutos. A duração, progressividade e variedade do aquecimento deve estar relacionado com a intensidade da prova ou do treino, quanto mais intenso o esforço maior e mais diversificado deverá ser o aquecimento.

 

Porquê? A razão pela qual devemos efetuar o aquecimento é simplesmente fisiológica. O objetivo é preparar o corpo (sistema cardíaco, circulatório, pulmonar e nervoso, além dos músculos e tendões) para o esforço. A duração pode variar entre 5 a 30m e a sua intensidade deverá ser progressiva. A título de curiosidade, os velocistas de 100m a 400m começam o seu aquecimento até 2 horas antes das provas. Ao longo do tempo os músculos e as articulações começam progressivamente a estar mais preparados para a intensidade exigida.

 

Por quem? De preferência todos, e antes de qualquer prova ou treino.

 

Etimologicamente a palavra aquecimento significa elevar, aumentar a temperatura, e efetivamente o objetivo é esse. Durante o esforço físico o organismo utiliza a energia armazenada, tais como glicídios e lipídios, que funcionam como o combustível do organismo, sendo que 20-30% da energia produzida é transformada em energia mecânica, que possibilita os movimentos, o restante é utilizado para aquecer ou arrefecer o corpo.

 

Em períodos de descanso, os músculos e tendões encontram-se à temperatura corporal. Sendo que os rendimentos máximos são obtidos com um ligeiro aumento de temperatura, altura em que os músculos ficam mais flexíveis, os tendões ganham elasticidade, dá-se um aumento do fluxo de oxigénio no sangue, aumento da força muscular e reações mais rápidas aos impulsos elétricos.

 

Este efeito pode constatar-se durante um simples trote. Ao fim de 10-15m de baixa intensidade conseguimos ficar mais rápidos, apesar do esforço se manter constante. Sendo que em alternativa se mantivermos o ritmo baixo as frequências cardíacas tendem a diminuir.

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Os grandes benefícios do aquecimento são:

 

  • Correta preparação da condição muscular: um aumento da temperatura corporal permite uma maior eficácia das reações químicas que ocorrem a nível muscular. De igual forma o aumento da temperatura permite uma dilatação dos vasos sanguíneos e consequentemente um aumento do fluxo de sangue e oxigénio nos músculos;
  • Preparação do sistema cardíaco: o aumento gradual do ritmo cardíaco que ocorre durante o aquecimento prepara o coração para esforços continuados;
  • Preparação do sistema nervoso: o afluxo nervoso propaga-se mais depressa com o aumento da temperatura dos tecidos musculares permitindo uma melhor coordenação neuromuscular;
  • Preparação das articulações: o calor permite uma melhor circulação do fluído sinovial, líquido transparente e viscoso das cavidades articulares e bainhas dos tendões, que tem a função de lubrificar as articulações sinoviais, permitindo um movimento suave, indolor e um aumento da amplitude articular;
  • Preparação mental: Um aumento da temperatura corporal promove uma sensação de bem-estar e um aumento da concentração ao inverso de um corpo frio. Por outro lado, focalizar-nos na realização do aquecimento permite diminuir o stress que se sente antes das provas.

 

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Foto retirada do site running-physio.com, onde pode consultar um plano de aquecimento completo.  

 

Algumas dicas para efetuar um aquecimento:

  • Antes das provas o aquecimento deve ser feito preferencialmente com mais roupa do que a utilizada durante a prova. A manutenção da temperatura corporal consome muita energia e em dias mais frios torna-se ainda mais complicado manter o corpo quente. A duração do aquecimento deve ter em consideração a temperatura ambiente, quanto mais frio mais longo o trote ligeiro;
  • Começar com um trote muito ligeiro 7-8km/h e ir aumentando gradualmente a velocidade mas mantendo frequências cardíacas baixas. Caso se trate de uma prova técnica ou com algum desnível logo no início, após 10-15m de trote podemos correr e levantar os joelhos, bater com o calcanhar nos glúteos ou efetuar outros exercícios dinâmicos. No fim do aquecimento efetuar 2-3 acelerações de curta duração.

 

Boas corridas a todos.

Review: New Balance Leadville 1210 V2

 

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Por Sara Dias e Tiago Portugal

 

Modelo: New Balance Leadville 1210 V2
Testado por: Sara Dias 
Características pessoais: Pronadora com 56Kg de peso
Condições de teste: Mais de 100km percorridos em trilhos por Monsanto, Serra de Sintra, Serra da Arrábida, Douro entre outros com grande variação de terreno e condições climatéricas.

 
Até há bem pouco tempo treinava apenas em estrada, os trilhos era algo que tinha curiosidade contudo sentia que não tinha aptidão física para tal modalidade, tal como muitos, adiamos até não haver mais hipóteses de fuga. Fui muito bombardeada para experimentar, no passado mês de Maio cedi á pressão e lá fui eu.

 

Problema número um: com que sapatilhas vou para os trilhos de Monsanto? Resposta imediata na minha cabeça: umas sapatilhas super baratas porque em breve desistes disto tudo!!! Mas como muita gente diz: "quem vai para os trilhos apaixona-se". Não fui excepção e apaixonei-me.

 

Fui aumentando a distância nos trilhos e a minha primeira opção de sapatilhas deixou rapidamente de cumprir as funções que eu pretendia. Começo à procura de outras opções, chateei muita gente, ouvi diversas sugestões e ficava cada vez mais baralhada. Afinal o que pode ser uma excelente escolha para mim, pode não ser para o outro. Decidi ouvir o que o Tiago Portugal pensava sobre esta saga na escolha de sapatilhas, temos gostos parecidos no que toca a calçado e eis que surgem os New Balance Leadville 1210 v2.

Assim que os calcei não tive dúvidas, era mesmo aquilo que eu queria, senti de imediato um conforto brutal, tinham sido desenhados à minha medida.

 

DESIGN E CONSTRUÇÃO 

Relativamente ao design, posso dizer que as acho bonitas mas podiam ter mais opções de cores, este esquema de cores pode até ser bonito para alguns, mas para mim há outras conjugações mais atrativas.Este modelo tem na sua construção Fantom Fit, uma tecnologia exclusiva da New Balance que permite que as sapatilhas sejam mais arejadas, com um maior suporte nas áreas mais importantes dos pés sem que haja costuras, para além de conseguirem manter a leveza dos mesmos devido ao seu peso muito reduzido..

 

O tecido sintético utilizado na parte do peito do pé está preparado para se adaptar ao inchaço dos pés. Outro pormenor que me agradou imenso foi a língua ser nesga evitando a entrada corpos estranhos existentes nos trilhos. Para além de ter um almofadado generoso que protege muito o peito do pé. A marca promete ainda que todos o materiais são resistentes a todos os odores -  posso confirmar a veracidade desta informação.

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ESTABILIDADE E ADERÊNCIA

Este modelo só podia ter sola Vibram, conhecida pela sua aderência a todo tipo de solos incluindo aqueles bem impregnados de água. As transições de solo ao longo dos trilhos é bem conseguida sem que tenhamos medo de escorregar. Posso dizer que já percorri mais de 150km com eles e até hoje não caí. Na última experiencia, em solo enxarcado, voltaram a passar com distinção no teste. Possui ainda uma intersola com tecnologia Innovative REVlite, o que permite uma maior resposta e durabilidade diminuindo cerca de 30% em comparação a outras espumas com igual desempenho.

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CONFORTO

Como já referi anteriormente, é uma sapatilha super confortável, pessoalmente não as uso muito justas ao pé e mesmo assim não tenho necessidade de as ajustar mais. Saliento ainda a compensação da palmilha no arco plantar, um ponto bastante importante para a nossa biomecânica.O conforto mantém-se, e mesmo em trilhos com muita pedra solta não se sente aquele impacto doloroso nos joelhos e lombar.

 

Em suma, quem procura uma sapatilha confortável com um excelente amortecimento e adaptabilidade a todo o tipo de solos, para fazer poucos km ou ultras, New Balance Leadville 1210 é a opção!

 

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PREÇO

O PVP ronda os 120€, o que tendo em conta a qualidade dos materiais e de construção é um preço justo.

Avaliação Final

Design/Construção 18/20
Estabilidade e Aderência 19/20
Conforto 19/20
Amortecimento 19/20
Preço 18/20

Total 93/100


E agora veja o vídeo da review do Tiago Portugal deste mesmo modelo:

 



"Toda a gente tem medo dos Abutres!"

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 (foto retirada do site da prova)

 

Tem hoje lugar, em Miranda do Corvo (perto de Coimbra) a Edição de 2016 dos Trilhos dos Abutres, umas das provas mais "temidas"  e mais emblemáticas em território nacional. Reconhecida pela sua dureza, pelos trilhos técnicos e pela abudância de água e lama (a que muitos corredores chamam carinhosamente de "Nutella"), é uma das provas que todos os corredores têm curiosidade. Mesmo aqueles que acham os "Abutres" são mais uma prova de sobrevivência e dureza do que uma prova de corrida. Críticas à parte, ninguém fica indiferente a isto. Aliás, foi o mote de um artigo sobre trail running que escrevi para a Notícias Magazine, faz agora precisamente um ano (podem ler ou voltar a reler e opinar sobre o mesmo).

 

Pessoalmente, nunca a fiz. E apesar de não se enquadrar no tipo de provas que gosto de fazer, sei que mais ano menos ano vou lá parar (apesar de olhar para o gráfico e sentir uns calafrios). Seja para a prova mais curta (25K) ou para os 50K. Gosto muito da Serra da Lousã, se bem que a quantidade de água e trilhos técnicos fazem-me engolir em seco. Mas, quase como está estipulado na "cena" do trail running nacional: trailer que não faz Abutres, não é trailer. Passe o exagero. 

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Uma das coisas boas desta prova é que, segundo tenho tomado nota, de ano para ano a organização está mais profissional e é, sem dúvida, uma das mais bem organizadas em Portugal. Este ano decidiram transmitir em direto a prova, via Internet, via You Tube. A partir das 7 da manhã deste sábado podem ligar-se. Isto, é de facto, com diz a organização, elevar as provas de trail running a outro nível. 

 

Para nós, CNC, vai ser interessante seguir a prova, ver os nossos amigos dos trilhos e claro, seguir as passadas rápidas dos quatro elementos da crew que irão estar presentes: a Bo Irik, a Sara Dias, o João Gonçalves e o Tiago Portugal. Todos estreantes, excepto o Tiago que participa pela 3ª vez consecutiva. Perguntei-lhe quais as expetativas para a prova de hoje.

 

Bo Irik: "Lembro-me bem de um treino em Fevereiro de 2014 com o Pedro Tomás Luis. Ele tinha acabado de chegar dos 50km da prova dos Abutres. Para já, o mundo das ultra-maratonas ainda era desconhecido para mim, e achei incrível uma pessoa percorrer 50 e tal km na serra, sem parar. Estava fascinada! As descrições sobre a beleza e agressividade da Serra da Lousã impressionaram-me. Desconhecia esta forma de superação física e mental tão íntima com a natureza. Foi então que ganhei um enorme respeito e curiosidade pelos trilhos dos Abutres. No ano seguinte ainda não me atrevi a inscrever-me. Assustava-me a ideia da prova ser em janeiro quando as condições climatéricas na Serra poderiam (e foram) ser muito severas. Foi em outubro do ano passado, quando fui a Miranda do Corvo participar nos 25km do AX Trail, que decidi inscrever-me nos Abutres. Estava apaixonada pela Serra e confirmou-se que gosto muito de trilhos difíceis e técnicos.É então este ano que irei participar nos Abutres, na prova dos 25 (ou 27) km. Em termos de expectativas, só tenho uma: desfrutar da viagem. Não quero preocupar-me com o tempo ou com TOP 10’s. Quero sentir e viver a Serra". 

 

João Gonçalves: “Toda a gente tem medo dos Abutres” – é esta a frase que todas as pessoas que andam neste mundo do trail como eu, já ouviu… E como toda as pessoas, eu também tenho medo dos Abutres! Não sei qual a razão dos outros. Eu tenho as minhas, tenho medo por ser a primeira vez que vou fazer esta prova, tenho medo pela exigência da mesma e sim tenho medo por aquilo que se lê e ouve sobre esta prova e a dureza e dificuldade da mesma. Tudo isto são fantasmas. Fantasmas que os vou levar comigo até ao tiro de partida e que os transformarei em apenas em respeito pela prova ao iniciar os 50km desta aventura. Com o objetivo de prova de chegar “Bem” ao fim, sendo que “Bem”, é primeiro que tudo, chegar e depois, chegar de sorriso na cara e sem problemas físicos a lamentar. Até lá vou-me concentrando em questões como: O que vou levar calçado? Levo bastões ou não levo? Como estarão as condições meteorológicas? E a procura da resposta a estas questões leva-me afastar os pensamentos e receios, aqueles que levam as pessoas a dizer - “Toda a gente tem medo dos Abutres”.

 

ASara Dias, que irá fazer a primeira prova como membro do Correr na Cidade, disse que "o Trail dos Abutres é aquela prova mítica que todos querem fazer, apesar de todos de uma maneira ou outra saberem que é caracterizada pela dureza da mesma. Inicialmente inscrevi-me e quis o destino que não fosse selecionada, por um lado fiquei desiludida mas tenho de confessar que respirei de alivio, não sabia se estaria preparada para aqueles 25K de aventura. Alguns elementos da Crew foram selecionados, estava combinado que iria com eles para apoiar. A duas semana da prova, encontro quem me vende um dorsal para a prova, sem pensar muito, compro. Afinal de contas, esperar por quem está a fazer uma prova desta envergadura também não é nada fácil, pelo menos para o meu sistema nervoso.Para mim o nervoso miudinho começa logo na preparação logística para a prova, que sem conseguir controlar aumenta até ao tiro de partida.

 

Não posso negar, vou para Miranda do Corvo com algum receio, para mim é totalmente desconhecido baseio-me apenas naquilo que vou ouvindo daqueles que já lá vão por diversas vezes. O certo é que na preparação penso no frio que posso passar, na lama, no material que não me posso esquecer e levar a mais não faz mal nenhum. Quero desfrutar desta prova e divertir-me, anseio pela chegada á meta sem lesões e orgulhosa pelo meu feito, apta para receber com um grande sorriso e abraço os que cumprem os 50K".

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 Aqui o Tiago Portugal com o Pedro Tomás Luiz e o Stefan Pequito depois de terminarem a prova em 2014


E por fim, mas não menos importante, o Tiago, que irá fazer a prova pela 3ª vez consecutiva. Indica que: "Foi em 2014 a minha 1.ª Ultra, fui com o Stefan Pequito e Pedro Tomás Luis, custou-me muito. O meu primeiro "abre olhos" para o que eram as Ultras e a dureza disto. Conheci amigos que ficaram e com os quais irei participar pela 3ª vez na prova. O ano passado não me correu bem e lesionei-me cerca do km 25. Não acabando a prova. Este ano, vou sem grandes expectativas, apenas superar-me e saber se ainda sou capaz, depois de nos últimos meses ter tido dificuldades e constrangimentos nas provas em que entrei.

 
Quero acabar, sem lesões, saber que ainda sou capaz e dar o meu melhor, gritar de alegria e raiva no final. Gosto, mas uma prova desta natureza custa acabar, e em determinadas alturas custa mesmo muito. As forças acabam e só nos resta confiar em nós e seguir em frente, um passo de cada vez. Estou se calhar mais nervoso hoje do que da 1ª vez, isto porque já sei ao que vou e não será fácil. Custa mais sabendo as dificuldades que poderei encontar".
 
A estes 4 corredores e a todos os outros que o dia de hoje seja de glória e que se divirtam muito a fazer os kms dos Abutres.

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