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Correr na Cidade

Sinto-me tão sozinho!! O lado sem charme do trail...

Sabemos e estamos de acordo que correr é uma experiência libertadora, sair e sentir o vento na cara, o cheiro da paisagem e ver a natureza ao nosso redor, faz tudo parte de uma sensação que só quem corre sabe o que estamos a falar e claro que sensações destas merecem e devem ser partilhadas, por isso é que correr em grupo é uma excelente maneira de viver e conviver este desporto e de nos motivar a continuar e a ultrapassar barreiras.

 

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Pois é!!! O problema pode vir é depois!! É obvio que nem as pessoas do grupo quem nós corremos têm o mesmo objectivo ou o plano de treinos se bem feito, não é igual de pessoa para pessoa, é algo muito individual.

 

O mesmo acontece muito, especialmente para quem corre em trilhos e se quer preparar uma ultra, onde facilmente se pode ficar literalmente sem ver ninguém, durante quilómetros e quilómetros e isto também se tem de se treinar.

 

Portanto o treino em grupo sim é importante, mas até um certo ponto, a partir daí é necessário treinar sozinho, aprender a estar sozinho, sem ver ninguém, quase que de uma experiência espírital se tratasse. É importante saber ouvir o nosso corpo e a nossa mente, falar connosco, arranjar maneiras de nis auto motivar e tudo tem de se treinar.

 

Sim, é um solidário da vida de um atleta, é um lado tabu, é um lado sem glamour algum, mas é um lado necessário, pois vai representar a diferença entre passar a meta ou desistir a meio.

Custa muito é verdade, mas acreditem é uma experiência que nos torna mais fortes, física e mais importante psicológicamente.

 

Bons treinos

"Não gosto de correr, porque fico muito cansado"... A sério?

 

 

Gostava de experimentar a correr mas...

 

Este post é para quem nunca correu, para quem só faz aquelas caminhadas junto ao rio, mas que lá num fundo tem um bocadinho de vontade de experimentar a correr e diz aquela frase genial "não gosto de correr, porque fico muito cansado"... A sério? Nunca imaginaria isso...

 

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Em vez de arranjarem desculpas, deixem-se levar pela vontade e experimentem e deixo aqui alguns conselhos.

 

 

"Só tens algo a provar a ti próprio"

 

 

Primeiro que tudo... Parabéns!! Já venceste a primeira barreira, aquela que a tua mente te constrói cada vez que tentas sair da tua zona de conforto.

 

Segundo, tem a consciência que no início te vai custar um pouco, não é fácil, cansaço, algumas dores musculares, faz tudo parte do processo de adaptação e toma esta fase como normal e lembra-te até o melhor corredor do mundo já teve aí nesse estágio.

 

Terceiro, não querias fazer o que ainda não estás preparado, vai com calma, começa devagar e com pouca distância... Mesmo assim custa? OK! Intercalada periodos de caminhada com corrida e vai aumentando o nível quando já te sentires à vontade.

 

Quarto, não fiques frustrado se o teu vizinho do rés do chão corre mais do que tu e ou se existem pessoas que te ultrapassam em Belém, com o tempo vais chegar lá e se não chegares qual é o problema. Só tens algo a provar a ti próprio.

 

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Quinto, faz um teste passada para saber que tipo de passada tens, o que é importante na escolha das sapatilhas.

 

Sexto, lá está... Compra uma sapatilhas de corrida, sim umas simples feitas para correr e não umas sapatilhas normais, vai a uma loja especializada e tenta aconselhar-te, pergunta a uma pessoa amiga que já corra, lê algumas das nossas reviews, mas por favor não compres com base somente "porque são tão lindas".

 

Sétimo... Meias, vais precisar de uma meias de boa qualidade para evitar assaduras, calor, desconforto, dá preferência a tecidos mais sintéticos se tiverem algodão na composição a sua percentagem deve ser baixa.

 

Oitavo, não é preciso gastares uma fortuna em equipamento, hoje em dia existe equipamento, mesmo de linha branca de boa qualidade a baixo custo e aproveita as promoções.

 

Nono, se alguém "gozar" por ainda não estares em forma, "Sacode" essa pessoa é um frustrado... Tu é que contas!

 

Décimo, hidrata bem os pés antes de começar a correr, com um creme especializado ou então vaselina ou creme gordo, isto vai prevenir o aparecimento de bolas.

 

 

 

"Tu é que contas!"

 

 

 

Décimo primeiro, com ajuda é mais fácil, convence um amigo ou amiga a ir contigo ou então procura uma grupo de corrida e junta-te a ele... Dou-te uma ajuda "Correr na Cidade".

 

Decimo segundo, faz perguntas a quem tem mais experiência, ajuda a evoluires mais rápido, é certo que existem alguns charlatões, mas rapidamente te vais aperceber disso e começas a filtrar a informação.

 

Décimo terceiro, já que estás a querer mudar de vida começa bem e faz um check up médico antes de iniciares a actividade.

 

14 (cansei -me de escrever por extenso) - Instala uma aplicação de corrida no teu smarphone e acompanha o teu desenvolvimento, as aplicações hoje em dia tem um conjunto de funcionalidades variado que permitem desafiar-te, algumas até já vem com planos de treino, esquece o relógio de corrida, ainda é cedo para isso, a aplicação chega e sobra para já.

 

15 - Tenta criar uma rotina, assim que se torne um habito para o teu corpo, tudo se torna muito mais fácil.

 

16 - Põe já um objectivo atingível em cima da mesa, por exemplo uma prova pequena que gostasse de fazer e compra a entrada para essa prova assim que possas... "Atreve-te".

 

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17 - Não te esqueças de te hidratar, é comum ver corredores no inicio a correrem sem beber nada, cuidado com isto, um golo de água de dez em dez minutos é mais que suficiente.

 

18 - Cuidado com o sol, protector sol, óculos escuros e chapéu... Protejam-se pela vossa saúde.

 

19 - Tenta trazer um amigo, que como vocês gostava de começar a correr e ainda não teve aquela força de vontade que já tiveste.

 

20 - Já que vão ter uma vida mais saudável, tentem, levem esse mote para outras áreas da vossa vida, alimentação, saude, dêm mais tempo às vossas famílias de sangue e coração e desliguem mais do stress do dia a dia e do trabalho.

 

Havia muitoooooooooo mais mais para escrever, mas tens de descobrir alguma coisa por ti e lembra-te que é um período novo e de muita descoberta, por acima de tudo:

 

21 - Coloca sempre com um sorriso no rosto, podem nunca vencer uma prova, certamente serão pessoas mais saudáveis e isso é motivo de alegria.

 

Que este post seja o início de várias corrida... Run Happy.

Race Report da Maratona de Madrid: Desafio superado?

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SIM, o desafio foi superado com sucesso!

 

Com um tempo final de 3h57m06s o meu objetivo de concluir a Maratona de Madrid em menos de 4 horas foi concretizado e isso deixou-me muito FELIZ!

 

E como foi a prova? Já conto tudo! 

 

Sábado foi dia de levantar dorsais na feira da prova. A feira da Maratona de Madrid estava bastante bem organizada, tinha bancadas para levantamento do dorsal, e bancadas para levantamento do goodie bag e tshirt técnica da prova. Eu e a Joana chegámos cedo e tudo decorreu bem e com rapidez.

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 Chegada à feira, a desejar correr como nunca...

 

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 Dorsal e tshirt recolhidos.

 

Após visita aos stands da feira, onde encontrámos amigos e conhecemos pessoalmente alguns parceiros do mundo das corridas que estão habitualmente em Espanha, fomos em busca da Pasta Party.

 

Fomos também dos primeiros a chegar à Pasta Party pelo que tínhamos o espaço por nossa conta, deu para comer com tranquilidade e esperar que a Família Dinis chegasse para com eles desfrutar deste ambiente. O José Dinis é um amigo dos meus tempos de assiduidade BTTista, da família que são os Os Metralhas BTT. O José começou a correr à uns tempos, e hoje toda a família participa alegremente em várias corridas. Foi com alegria e surpresa que os encontrei na chegada à feira, vieram participar na Meia Maratona, e foi ótimo partilhar estes bons momentos com eles.

 

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 Pastaaaaaaa!!!!

 

O resto do Sábado foi a relaxar e a preparar tudo para a manhã da prova. O jantar, feito em casa, foi a inevitável massa com atum.

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 Tudo preparado... tipico de corredor!

 

Chegou a manhã da prova!

 

Acordei sem qualquer sono às 05:30, só tinha o despertador para as 06:00 para comer cerca de 2h30m antes da prova.

 

Preparei-me com calma mas com uma ansiedade crescente, quando saí de casa estava uma pilha de nervos.

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À saida de casa, nervosismo bruto!

 

A partida era a cerca de 1,5km de casa, fomos a passo tranquilo, em cada rua mais corredores se juntavam, quase tudo em silêncio, ansiedade pura. Cerca de 15 minutos depois estávamos na rotunda de neptuno, onde me despedi da Joana que ia para o seu cural de partida para a meia maratona, eu estava num curral mais à frente. 

 

Faltavam ainda 40 minutos para a partida e estava sozinho no meio de tanta gente, custou não ter alguém com quem partilhar estes momentos, e libertar um pouco daquela ansiedade.

 

Para libertar excesso de peso na bexiga ainda estive 20 minutos nas filas para os wc e fui mais leve para a partida.

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 Quase a iniciar a 3ª Maratona.

 

Dada a partida, a ansiedade sumiu!

 

Estava na hora de lidar com pouco menos ou pouco mais de 4 horas de corrida.

 

Olhei para o relógio e confirmei o que tinha decidido na véspera, o campo do tempo total de prova estava parado. Alguns dias antes tinha falado com o treinador para saber como controlar o ritmo a fazer em prova, a sua instrução foi simples, "não leves banda cardíaca, ouve o corpo". A Bo já me tinha dito algo semelhante, em Barcelona não olhou para o relógio, correu como o corpo lhe disse que devia ir. Sou um "control freak", e não sabia como ia lidar durante a prova sem dois dos mais importantes indicadores, mas assim o fiz, apesar de nunca o ter feito antes, afinal aquele mítico conselho de "não testar nada em prova" é para equipamento novo, não para falta de informação.

 

Para ajudar neste vazio de informação, durante todo o percurso não houve um único relógio com o tempo total de prova até à meta. Em Sevilha no ano passado passei por vários, em Madrid, nenhum.

 

Não vos vou massacrar com o decorrer de cada km da Maratona, 42km daria um mini romance, vou resumir em alguns tópicos:

 

 - Percurso muito duro, um acumulado de 400D+ numa prova de estrada não é fácil. Senti-me sempre muito bem até aos km 25. Consegui controlar bem o cansaço até ao km 32. Do km 32 ao km 40 a subida é praticamente permanente, com o pesar do cansaço cada km custa cada vez mais a percorrer.

 

 - Percurso variado, alguns pontos muito bonitos, outros mais monótonos. O público está presente em quase todo o percurso, é uma das grandes fontes de energia para os corredores. 

 

 - Abastecimentos bem estruturados, garrafas de água de 5 em 5km até ao km30 e depois de 2,5km em 2,5km. O isotónico em copos em alguns abastecimentos foi uma confusão, bebi aos goles 1x e parei para beber 1 copo ao km 25, foi uma má decisão, o arranque custou muito.

 

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O meu final da Maratona de Madrid

 

Os últimos 2km foram cheios de sensações mistas. Com o terminar da subida tentei acelerar, ao fim de 500m não havia pilhas e o ritmo baixou. Na placa a indicar o último km voltei a tentar acelerar mas uma forte dor muscular abdominal voltou a mandar-me abrandar. Na entrada no Parque do Retiro a cerca de 500 metros da meta tive a maior alegria durante a prova, a família Dinis estava à minha espera para me dar força nos últimos metros, foi indescritível ver aqueles sorrisos amigos. Acelerei mais uma vez, mais uma vez a dor abdominal não deixou.

 

As últimas 3 centenas de metros da prova foram muito difíceis, consigo finalmente olhar para o tempo total na meta e indicava 03:5?:?? e eu sem perceber os restantes números. Até que passa para 04:00:00 e percebi que tinham passado as 4h oficiais de prova, faltavam cerca de 150 metros para o final.

 

Tento procurar a Joana na reta da meta, combinámos que ela estaria algures à direita à minha espera, só não sabia se ela estaria antes ou depois de eu passar na meta.

 

Por mais que quisesse desfrutar da passagem pela meta, sorrir um pouco, as dores abdominais eram muitas. O sorriso de passar a meta vence as dores, estava feita a minha 3ª Maratona. Passei na meta com 4h00m43s de tempo oficial.

 Chegada à meta da Maratona de Madrid

 

Enquanto recupero o fôlego caminho, desligo o relógio e espero pelo resumo do total da prova. Olho e vejo um tempo total de prova de 3h57m06s.

 

Continuo a caminhar e as lágrimas correm pelos olhos, não venci nada, mas a concretização do objetivo que tinha tornam este momento um turbilhão de emoções.

 

Depois de, no ano passado, em Sevilha, ter feito a viagem com amigos e feito a prova com a Bo, ter em Madrid feito toda a prova sozinho custou muito, e no momento de passar a meta não ter com quem partilhar este momento, custou ainda mais.

 

Encontrei finalmente a minha Joana cerca de 200m depois da meta, à minha espera e a descansar da sua meia maratona.

 

A felicidade vem quando temos com quem partilhar momentos felizes e ali, com ela, reencontrei a felicidade que vos falei no inicio do post. 

 

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 Medalhados e FELIZES!

 

Equipamento utilizado:

 - Ténis Adidas Ultra Boost v2

 - Tshirt Adidas ADIZERO TEE

 - Calções Adidas 

 - Meias Injinji run

 - Relógio Garmin Fenix 2

 - Cinta Lurbel

 

Posts do desafio Adidas para a Maratona de Madrid:

 - Semana 1

 - Semana 2

 - Semana 3

 - Semana 4

 

Para finalizar, fica um desejo e dois agradecimentos.

 

Desejo para o próximo ano voltar a fazer uma maratona, em viagem com amigos e em ambiente de convívio e partilha, para mim uma maratona não é apenas objetivos de tempo, e assim não tem tanta piada.

 

Um agradecimento para todos aqueles que me ajudaram e apoiaram na preparação para esta maratona, fosse na companhia nos treinos ou nas palavras importantes de incentivo.

 

Um agradecimento especial à Adidas pelo apoio que me deu a mim e à Joana na preparação e inscrição para a Maratona e Meia Maratona de Madrid.

 

Maratona, até para o ano!

 

42.195 metros pela primeira vez - Maratona de Barcelona

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Como é fazer a primeira Maratona?
 
É reviver uma lenda. Why? Não é à toa que a Maratona é considerada a prova rainha do atletismo, uma prova de 42.195 metros de muito desgaste físico, resistência e principalmente de muita emoção que, segundo a lenda: o seu nome foi dado em homenagem ao soldado mensageiro Pheidippides que correu os aproximadamente 40km de todo o vale do campo de batalha de Maratona até Atenas para anunciar a vitória do exército Ateniense sobre o exército Persa, impedindo que a população cometesse suicídio como estava combinado, caso não tivessem notícias dentro de um prazo previamente estipulado, pois os seus inimigos Persas prometeram, em caso de vitória, invadir Atenas, violar as mulheres e matar os seus filhos.
 
E para impedir tal desgraça Pheidippides correu pela vida dos seus, dando a sua, pois assim cumpriu o seu objectivo sucumbiu no chão vencido pela exaustão e quer se acredite ou não na lenda, há algo diferente nesta prova, uma mística que nos transcende, pelo menos eu senti isso.
 
 
 
Porquê a Maratona e porquê Barcelona?
 
Tudo começou no Verão passado. Já tendo várias vezes percorrido e batido a distância da Maratona em trilhos, pensei que deveria ter pelo menos uma Maratona no meu curriculum. Embora não seja um amante confesso de estrada, a mística que esta prova eleva sempre me foi apelativa, contudo, tive sempre a condição que a faria fora de Portugal, devido ao maior apoio do público "lá fora" - Temos ainda algo a aprender neste ponto! - e como se de uma chapada na cara, um dia me deparo com um artigo sobre a Maratona de Barcelona e nesse mesmo dia, sem hesitar, efectuei a inscrição.
 
Fast Forward...
 
 
Partida para Barcelona
 
Crew Trip com o objectivo de fazer visitar a cidade de Barcelona, comer tapas, beber umas quantas "canhas"... Ah sim! Fazer também a Maratona ou "Marató" em Catalão de Barcelona, foi em volta disto que eu, a Bo, a Liliana, o Luís Moura e a Sara nos juntámos, sendo que a Luís e a Sara foram em modo de "crewing", factor muito essencial para um desempenho dos restantes, pois todos sabemos o bem que faz ver uma cara conhecida a dar apoio e saber que temos ali alguém com que podemos contar e ver coisas que nos escapam.
 
 
"Atenção senhores passageiros, sejam bem-vindos ao aeroporto El Part em Barcelona"
 
Chegámos com uns dias de antecedência à cidade, o que deu para sentir Barcelona, conhecer os seus pontos de interesse e reconhecer alguns pontos de passagem do percurso e... não sei se já falei das tapas... Barcelona é uma cidade lindíssima cheia de vida, sempre com muita gente pelas ruas, com pessoas muito viradas para a mobilidade e para o deporto num constante de pessoas a andar e bicicleta, skate e a correr pela rua fora.
 
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Ir mais cedo é ir com tempo, tempo para conhecer e levantar os dorsais com calma, sem filas e visitar a Expo da Maratona, uma das maiores que tenho visto, centenas de marcas de produtos e serviços virados para o desporto ali presentes, umas mais conhecidas, outras menos e umas que nem se quer sabia da sua existência. O kit do atleta era composto de um saco com o dorsal, t-shirt da prova da marca Asics, uma revista oficial da prova com um bloco de descontos para entradas em vários locais de interesse na cidade, uma pacote de noddles instantâneos e folhetos publicitários e autocolantes.
 

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Breakfast Run e Past Party que de Party teve pouco... Muito pouco mesmo!
 
Sábado, dia que antecedeu a prova, a organização tinha preparado uma corrida casual pela manhã para os participantes da Maratona e quem queira participar. Esta corrida de "shake up" tinha como o objectivo reviver os últimos 4 quilómetros da prova rainha dos Jogos Olímpicos de 1992 realizados em Barcelona, com direito a entrada triunfal do estádio Olímpico e volta à pista de tartan.
 
No final tivemos direito a um pequeno-almoço fasto oferecido aos participantes junto à Fonte Mágica de Montjuïc por debaixo de um céu azul maravilhoso, que deu para sentarmos no chão e relaxar as pernas. Adorámos!!!
 

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O que não adorámos foi o que se passou umas horas mais tarde, talvez a única falha da organização nesta prova - A Pasta Party - Primeiro, uma grande confusão para entrar no pavilhão, pois era necessário levantar um ticket para entrar, facto que não estava referido em nenhum local e que não vinha junto do kit do atleta.
 
Após descobrirmos qual o balcão para levantar o tal ticket, estes já tinham acabado WTF!!! Foi-nos dito que podíamos entrar com a apresentação do dorsal, assim fizemos, mas a mensagem não tinha passado para quem estava a servir e não queriam entregar a comida a quem não tinha o ticket consigo, embora já tivessem ali umas boas dezenas de pessoas com o mesmo problema. Mas, após alguma "insistência" ao bom jeito Tuga, lá começámos a ser servidos...
 
Contudo, aquele acontecimento foi um sinal divino que parece que nos dizia que não era ali que iríamos almoçar, um pratinho de massa com molho de tomate, capaz de alimentar um bebé de colo, uma fatia de pão de forma industrial e uma tangerina... nem um copo de água da torneira... Muito mau!
 
 
TOM TOMoura e os ensinamentos deste grande mestre...
 
Jurámos não nos deixar abalar pelo acontecimento e aproveitámos o resto do dia para preparar o material para o dia seguinte, aproveitando também as mãos mágicas da Sara que nos ajudaram a preparar as pernas. Eu, pessoalmente, ainda tirei uma hora para fazer meditação para limpar o espírito de qualquer stress que existisse dentro de mim... Manias!!
 
Luís Moura, o homem que trazia o mapa de Barcelona na cabeça e conhecia o percurso de traz para frente e da frente para traz!! Um GPS humano! Incrível...
 
Após os jantares ao longo destes dias tirámos sempre um bocadinho para estudar um pouco o percurso, ver os pontos de abastecimento, tempos de passagem e definir os locais onde o Luís e Sara conseguiam estar para nos apoiar, cruzando o percurso com a linhas de metro da cidade para eles poderem deslocar com mais facilidade - um autêntico jogo de estratégia liderado pelo nosso Moura.
 

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E foi num destes momentos que o Luís se vira para mim e pergunta: "Queres fazer quanto tempo?" - A pergunta do milhão de dólares!! 
 
Meses antes, no momento da inscrição, auto-coloquei-me no bloco de partida das 3h 30m - 3h 45m, mas sabendo eu que não tinha feito um treino muito específico para Maratona e por gostar mais da montanha, coloquei muito trilho e pouca estrada. Mas sabia que tinha sido muito constante no meu plano treino semanal e que isso estava a meu favor e lá respondi que não tinha um objectivo específico, que queria fazer abaixo das 4h talvez nas 3h 45m. E a resposta do Luís foi mais ou menos esta:
 
"Fazes o seguinte, vais atrás da bandeira dos 3h 30m e deixas-te ir; os pacers são certinhos com o ritmo e assim não és tu que vais a puxar, são eles! Tu apenas vais a reboque... Mais para o fim, se te sentires bem, descolas e, se não te sentires bem, baixas o ritmo e ficas um bocadinho para trás!"
 
Reflecti uns segundos sobre estas palavras e, tendo em conta a maior experiência e conhecimento do Luís, tive a maior das confianças nesta estratégia e disse para mim: "É isto que vou fazer!!"
 
Rise and Shine - Hoje é o dia!!!
 
Dia de prova é sempre um acordar com um nervosinho no estômago, cada um de nós fez o seu pequeno-almoço mágico pré-prova para conseguir aguentar as horas seguintes. Pessoalmente, como não gosto de sentir o estômago pesado quando vou correr, tomo um batido de Ensure, um substituto alimentar feito na sua origem para pessoas que tem dificuldade em mastigar, mas que tem tudo o que um atleta necessita, mais uma fatia de pão para colocar algo mais sólido no estômago e retirar a sensação de estômago vazio.
 
Hora de equipar: t-shirt e calções técnicos Correr na Cidade, fita de cabeça Wong, perneiras Exo da Salomon, meias Injinji e sapatilhas Adidas Ultra Boost... 
 
Equipa vamos embora? Siga...
 
Chegados à zona de partida um mar de gente, atletas, familiares, amigos, etc... Ouvem-se os "Até já!", "Boa sorte!", veem-se beijos e abraços cheios de emoção entre quem vai apoiar e quem vai ser apoiado, e nós fazemos o mesmo. Chegou a hora de nos separarmos: o Luís e Sara seguem para ver a partida para depois seguirem para os locais pré combinados, eu sigo para a secção de partida verde, a Bo e Lili seguem para a delas, é hora...
 

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Vamos Zimbora... são só 42195 metros!
 
Entro na minha secção de partida, faço o meu aquecimento e posiciono-me junto aos 4 pacers das 3h30m, ia tentar fazer o plano que estava combinado, a partida é faseada, o meu bloco parte com 7m de atrasado dos primeiros, situação normal para não existirem atropelos.
 

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Em termos de prova, a distância total era percorrida dentro da cidade de Barcelona, passando por todos os locais mais emblemáticos da cidade (Camp Nou, Sagrada Familia, La Pedrera, Arco do Triunfo, etc) num traçado relativamente plano com apenas 2 subidas mais longas mas algo suaves. Os abastecimentos eram mais que suficientes, de 2,5 km em 2,5 km a partir dos primeiros 5 km, compostos por água, isotónico, géis e alimentação sólida em apenas alguns, mas muito bem distribuídos. 
 
Assim que é dada a partida a emoção é enorme, é incrível a sensação do começo, gritos de incentivo por quem apoia, gritos de quase que de guerra por quem corre. Entro dentro do ritmo do bloco, sempre atrás dos pacers, seguindo as instruções do coach Moura, quando havia mais vento de frente protegia-me mais no meio dos corredores... "Vou fazer isto até ao fim!" pensei eu. 
 
A confiança foi aumentando a cada quilometro, sentia-me bem, as pulsações estavam confortáveis, as pernas respondiam bem e público... "Puta Madre!!" O público de Barcelona é fantástico: são 42 quilómetros repletos literalmente de pessoas dos dois lados da estrada, em êxtase a puxar por quem corria, sinceramente nunca vi nada assim e nem tenho palavras para descrever o que se sente com este apoio. É pura e simplesmente Fantástico!
 
Passagem pela Sagrada Família, curva à esquerda e já estavam eles como combinado o Luís e a Sara à nossa espera, prontos para nos darem um “push” que sabe tão bem nestas situações “Go Crew!”. Comigo trazia dois géis energéticos e duas cápsulas de sal, uma que tomei na metade do percurso e outra mais tarde para compensar as perdas de sal pelo suor e evitar as tão indesejadas cãibras e a cada abastecimento o ritual era o mesmo: um golo de água, molhar a fita e partilhar a garrafa com outro qualquer companheiro, para minimizar o desperdício.  
 

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O ambiente era incrível no grupo onde estava inserido, os pacers sempre muito bem dispostos incitavam a assistência para apoiarem um pouco mais. Após o quilómetro 30, o Javier, um dos pacers com mais experiência, voltou-se para nós em tom quase que militar e disse algo deste género:
 
“Companheiros, estamos a entrar na fase mais difícil de uma maratona, acreditem em mim e acreditem em vocês… O muro não existe… Vamos chegar juntos ao final! Quem está comigo?”
 
Como resposta teve um estrondoso “EU” por parte de todos os que seguiam ali, de facto o muro está na nossa cabeça, é batalha royal entre a nossa mente e o nosso corpo. Felizmente já tenho alguma experiência em provas de endurance e sei que todas as provas têm momentos menos bons e eu, cerca do 35k, tive o meu.
 
Uma sensação de mau estar na coxa direita que dias antes não consegui drenar como deve ser, por culpa minha. Tentei corrigir a passada de forma a minimizar esta sensação e sabia que faltava pouco para o final. Na passagem pelo 40k, os últimos dois eram ligeiramente a subir, nada de especial, muito mais para quem está habituado à montanha. Para além disso, conhecia bem a avenida, pois estávamos hospedados ali e pensei vou dar tudo o que ainda tenho e acabar forte.
 
Distanciei-me do grupo, os pórticos que antecediam a meta viam-se deste o início da avenida e estavam a ficar cada vez mais perto; o público juntava-se quase que em funil até ao cimo e, se abrisse os braços, tocava nas pessoas de um lado e outro, era o momento de sorrir e agradecer a todas aquelas pessoas .
 
Última curva, olho para o lado direito e lá estava a Sara com um grande sorriso na cara e bater palmas. “Obrigado meu anjo!”.
 
 
Olé… Sou Maratonista 
 
Cruzo a meta! Desligo o relógio, 3h29m, objetivo atingido, não cabia em mim de contente, à minha volta sorrisos, atletas a alongar, caras de esforço, de felicidade, tudo… 
 
Não paro de repente, continuo em movimento para voltar à calma, até recuperar o fôlego. Pego num isotónico e encosto-me a uma das baias e ligo ao Nuno Malcata, pois sabia que ele estava a acompanhar pela aplicação da Maratona e, assim que atende, ele já sabia que eu tinha terminado, pois a aplicação estava muito bem feita e a informação era constantemente atualizada. 
 
Obrigado Nuno e obrigado crew pelo apoio, mesmo longe vocês estavam todos perto.
 
Pego a medalha de finisher e apreço-me a encontrar-me com a Sara, é aqui que ela me diz que a Lili tinha sido forçada a desistir da prova – Não era o teu dia, miúda! Mas tu és rija e não vais desistir deste teu sonho! Go Girl! – e que a Bo estava bem e devia baixar das 4 horas de prova. Encontro um espaço para alongar, a Sara ajuda-me a desstressar as pernas, até que a nossa Holandesa voadora chega bem abaixo das 4 horas... WOW!!
 
Estamos de parabéns.
 

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Recap 
 
Continuo a preferir a montanha, é isso que me dá gozo, contudo gostei imenso da experiência e não digo que não farei mais nenhuma Maratona. É uma prova diferente e emotiva. Quando se tem um apoio brutal do público como aqui em Barcelona – em Portugal ainda temos muito para aprender – uma prova difícil, muito difícil, não só pela distância, como pelo impacto que o corpo sofre ao longo da prova, mas muito gratificante quando se cruza a linha da meta e não é à toa que é considerada a prova rainha e a última prova dos Jogos Olímpicos – Guarda-se sempre o melhor para fim, certo!
 
Para quem está a pensar em fazer uma destas provas, o meu conselho é: apenas comecem a pensar neste desafio quando já tiverem um conjunto de Meias Maratonas bastante consistente, treinem, mas treinem bem, com regularidade e, principalmente, acreditem que conseguem.
 
Só não conseguimos fazer, aquilo em que não acreditamos.
 
Para os vão tentar... Boa sorte amigos!!
 
Obrigados a todos os que tiveram do nosso lado... sem vocês tinham sido mais difícil.
 
Gracias.

 

Treinadores do coração...

Cada vez mais quando saio para fazer o meu treino, tenho me deparado com uma situação que me toca profundamente e me deixa de coração cheio, no início pensei que se tratasse de uma situação isolada do local da cidade por onde treinava, mas mesmo ao mudar de ambiente e de localização esta situação mantinha-se e era cada vez uma constante até que se tornou uma certeza.

 

Casais, futuros casais, namorados, futuros namorados que treinam em conjunto, eles a puxar por elas, elas a puxar por eles, não importa, o que importa é estarem ali duas pessoas a estreitarem a sua relação por via do desporto, não importa ele qual seja, se junto ao rio os vejo a correr lado a lado, nos paredões da marginal, pedalam e patinam em direção aos raios de sol, já na Fonte Luminosa vejo-os a largarem gotas de suor sobre a relva ao ritmo de flexões e burpees, mas no fim... No fim o sentimento é o mesmo, satisfação e bem estar que só o desporto nos traz, selado com um abraço molhado pelas roupas encharcadas em H2O salgado que só esta partilha de momentos nos permite.

 

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É sobejamente conhecido que o desporto nos provoca uma sensação de bem estar através da libertação de substancias químicas pelo nosso corpo semelhantes às encontradas quando nos apaixonamos ou fazemos “o amor” ;-) então imaginem este facto partilhado com quem mais gostamos e desejamos, só pode trazer bons resultados… treinem o vosso coração…

 

Saiam de casa, peguem no vosso namorado ou namorada, marido ou esposa e levem-no a correr, pedalar, ginásio, o que quer que seja, o desporto aproxima a pessoas, a superação dá-nos mais confiança e auto estima, se partilhado só fortalecerá o casal e permitirá maior cumplicidade, ganhem coragem e convidem aquela gata do 3º esquerdo que te esboça um sorriso cada vez que se cruza contigo no elevador quando sais equipado para ir treinar… Vão até à rua, partilhem uma atividade, ganhem gosto de estar um com o outro, ajudem-se mutuamente e certamente sairão mais fortes, mais saudáveis, mais unidos, podem não ganhar nada, mas já se ganharam aos dois…

 

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Treinem… Treinar faz bem ao corpo, à mente e ao coração…

 

Bons treinos e um excelente 2016

Rumo ao Reccua Douro UT (Parte 2) - Como?

Fazer uma Ultra Maratona não é fácil… Mas treinar para uma é muito mais difícil, no próprio dia tudo se resume à prova e como estamos naquele dia, como está o nosso corpo, como estamos psicologicamente, para nós que tentamos fazer provas destas a tarefa mais difícil são os meses que antecedem este dia.

Nesta segunda parte, que intitulámos de “Como?”, falamos de como foi a preparação e o treino para este desafio de 80k no Reccua Douro Ultra Trail já no início do próximo mês de Outubro.

 

Para quem não leu a primeira parte fica o acesso direto

 

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  Foto retirada do página de facebook do Douro Ultra Trail

 

 Por: Rui Pinto

 

As passadas duas semanas, passaram mesmo a correr! Foi completamente impossível dar-vos conta da preparação para a grande desafio do Réccua Douro Ultra Trail, no próximo dia 3 de outubro, facto pelo qual expressamos aqui o nosso pedido de desculpas. No meu caso – e tendo originado eu esta situação – por motivos profissionais, uma vez que estive grandemente envolvido na organização da Corrida do Tejo, que se realizou no passado dia 13 de setembro, a disponibilidade, física, mental e outra… foram praticamente nulas.

 

Assumido o erro, aqui estamos nós, de novo, para partilhar convosco como vai a preparação  para o RDUT, o que temos feito e os medos que subsistem – ou foram vencidos!

 

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Piódão - Que saudades desta sensação

 

Por força do aumento da carga de trabalho que ocorreu nesta duas semanas que mediaram entre o primeiro post e este, apenas consegui correr a horas um pouco esquisitas para mim - em alguns casos, a altas horas da noite, e quando já só queria era descansar o esqueleto perto da minha mais-que-tudo. Ainda assim, conseguir cumprir cerca de 90% do plano de treino estabelecido e, gradualmente, fui reconquistando alguma da confiança perdida, acreditando, paulatinamente, que serei capaz de superar o desafio dos 80 k do Réccua Douro Ultra Trail.

 

Tenho-me sentido mais forte nos treinos, mais rápido, mais eficiente a correr, a recuperar do esforço muito melhor e mais depressa que antes. Tudo isto são bons indicadores, e transmitem um ‘boost’ de confiança para o que aí vem.

 

Ainda relativamente a treinos, no sábado passado, tivemos oportunidade de fazer o último treino longo, na companhia do nosso querido amigo – e mentor - Tiago Portugal, pela dura Serra de Sintra, para sentirmos um gostinho do que nos espera. Foram quase 34,5 km, em perto de 5 horas, com um desnível positivo de cerca de 1.650m. Estava calor e foi duro; mas foi muito bom! Depois daquele treino, fiquei mais confiante. Naturalmente, reservo uma enorme  - e muito aconselhada – dose de respeito pela Serra do Marão e pelas encostas do Doutro Vinhateiro, que são lindíssimas nas fotos, e que espero ter oportunidade de as desfrutar adequadamente, em vez de as amaldiçoar, durante o percurso.

 

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Manter o foco é fundamental

 

Ponto de situação: confiante q.b. e moderadamente respeitoso, relativamente ao percurso e à distância. O sábio Pedro Luís, numa das suas crónicas em que brilhantemente relatou a sua caminhada para ao MIUT, no passado mês de abril, e que podem ler aqui, mencionava que desafios destes encarram-se - e, no caso dele, superam-se - com uma grande dose de ‘humbição (humildade + ambição)’. Pois bem, é sempre bom ter este tipo de referências e é bastante gratificante ter a honra de aprender com eles.

 

Aliás, na nossa ‘crew’ no Correr na Cidade, somos uns privilegiados, relativamente a esta matéria, uma vez que temos diversos ultra maratonistas, com desafios de 3 dígitos superados, com marcas de enorme respeito: Pedro Luís, Stefan Pequito, Tiago Portugal, Luís Moura, apesar de serem de outro campeonato, relativamente aqui aos ‘rookies’, vocês são uns heróis e uns modelos, cujo exemplo tentamos humildemente seguir. Uma palavra de apreço também para os nossos ‘fellow mates’, ultra maratonistas com distâncias igualmente respeitosas, Nuno Malcata, Filipe Gil, Nuno Espadinha e Bo Irik, companheiros de corrida – e de luta! -, cujos laços de amizade se tornam virtualmente inquebráveis, fundidos nos quilómetros dos mais belos trilhos deste país. (Honrado por fazer parte desta equipa!)

 

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 Levar-vos-ei comigo, para o Douro. E serão também a minha força.

 

Esta semana, continuamos com os treinos específicos – rampas, circuitos de escadas e reforço muscular. Para a semana, haverá tempo para descansar e para o (agoniante) ‘tapering’.   

Para a semana, falar-vos-ei dos equipamento que levarei para os 80 km do Récua Douro Ultra Trail, da minha estratégia de prova e dos receios que ainda subsistem.

 

 

Por: João Gonçalves

 

A arte de multiplicar tempo…

 

Não sou nenhum atleta profissional, nem faço da corrida de profissão, dito isto tenho uma atividade profissional que me consome a maior parte do tempo útil do dia, tenho todas as tarefas normais de uma pessoa normal tratar da casa, fazer compras, dormir, etc, etc… tendo em conta que o dia não tem mais de 24 horas, encaixar o treino no meio da confusão de tarefas diárias, é preciso ter um pouco de alquimista do tempo para fazer o impossível - A arte de multiplicar tempo – Como fazer isto? Para mim a solução é simples, muito simples mesmo, mas muito amarga ao mesmo tempo.

 

Só não fazemos aquilo em que não acreditamos…

 

Existem várias maneiras de treinar, vários métodos, várias metodologias, não vou aqui dizer qual a melhor ou qual pior, o meu concelho é que escolham um método e o sigam até ao fim e no dia da prova, no dia do desafio final, acreditem no “treino”, acreditem no “plano” e principalmente acreditem em vocês próprios “Dei o meu melhor para estar aqui, portanto estou preparado e tenho tudo para chegar ao fim”... É nisto que vou pensar dia 3 de Outubro.

 

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 Treino de City Trail - Miradouro da Nossa Senhora do Monte, Liisboa

 

Antes da solução… O plano

 

Resumidamente, por semana o meu plano de treinos inclui, 5 dias dedicados à corrida com várias intensidades e formas, sejam elas através de treinos de rampas, escadas, treinos longos, treinos rápidos e mais intensos, treinos de recuperação, etc, ou seja incluem um leque variado de cenários e situações presentes na provas, para além disto, faço ainda 3 a 4 vezes por semana trabalho de ginásio para reforço muscular numa metodologia à la crossfit – sim para quem já fez as contas, há dias em que treino duas vezes, mas atenção, tento ser o mais disciplinado e “amigo” do meu corpo quanto possível, se num dia em que vou ter um treino de corrida mais intenso, tento não puxar tanto no ginásio de forma a respeitar de certa forma os períodos de descanso.

 

Em termos de descanso, faço dois dias de descanso total por semana, onde pura e simplesmente não faço corrida nem ginásio e incluo também no meu plano alguns treinos de recuperação ativa onde saio para correr a um ritmo muito suave ou uso a bicicleta para rolar um bocado minimizando assim o impacto se forma a recuperar a cadeia muscular da melhor forma, bem como tento fazer pelo menos uma vez por semana um tratamento muscular, para ajudar a repor a flexibilidade das fibras, retirar contractura ou algum outro foco de dor que apareceu em consequência do treino.

 

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  Plano de Treino do Dia - escrito no braço

 

Finalmente a solução

 

Como já escrevi acima, a solução é simples, mas amarga Porquê? Para fazer, mais de três centenas de quilómetros mensais, mais as restantes coisas que já fui referindo e tendo em conta que há coisas que um atleta amador não pode deixar de fazer, como trabalhar (como muita pena minha!!) a solução é roubar tempo a nós próprios, à nossa família e aos amigos. Este é o verdadeiro triângulo sofredor deste hobby que nos consome o corpo e a mente que, por vezes nos desfaz a alma em forma de gotas de água com sabor a sal, mas nos fortalece enquanto pessoas mais confiantes e preparadas.

 

Mas são estas pessoas com as quais ficamos em falta, pois é a elas que roubamos tempo e roubamos a nossa presença.

 

Quando saímos de casa de madrugada ainda com a lua acima do horizonte, alguém fica mais frio na cama, sem a nossa presençaQuando saímos de casa ao final do dia e regressamos já a horas tardias, alguém já jantou sozinho, sem a nossa presença… Quando os amigos nos convidam para ir ao cinema e dizemos que “Não” pois temos de treinar, são eles que ficam sem a nossa presença… Quando estamos a jantar um grupo de amigos e temos de abandonar o jantar a meio, pois no outro dia temos um treino longo e temos de acordar cedo, são eles que ficam sem a nossa presença… Quando a nossa família nos telefona a dizer “Já não te vemos há tanto tempo!” não é por nada… É só por sentirem a falta da nossa presença

 

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Treino em Sintra - Subida para o Castelo dos Mouros

 

Entendem o que quero dizer, no meio desta parafernália de planos, treinos, provas… os verdadeiros heróis não somos nós, são esta família, seja ela a família de sangue ou a família do coração, pois são eles que não nos têm por perto, mas mesmo assim nos dizem – Força! Vais ser capaz!!

 

O meu obrigado a todos estes meus heróis, é a eles que vou agradecer quando cruzar a meta.

 

 

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