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Correr na Cidade

Vou participar no Estrela Grande Trail e vou ter ajuda!

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No final de Maio vou participar no Estrela Grande Trail. O ano passado também já tive a oportunidade de correr na bela Serra da Estrela, num evento de excelência organizado pelo Armando Teixeira, um dos meus ídolos do trail running nacional.

 

Sabiam que o Armando Teixeira foi treinado por alguém para chegar onde chegou? Sim, o Armando, e muitos outros atletas de trail running de referência em Portugal, foram treinados por um senhor chamado Paulo Pires.

 

Pessoalmente, como nunca ambicionei fazer pódios ou grandes tempos, nunca ponderei contratar um treinador. Entretanto, à minha volta, parece que cada vez mais pessoas que optam pelo treino acompanhado. O Tiago escreveu um excelente artigo sobre os benefícios de ter um treinador. Então pensei que a minha participação no Estrela Grande Trail deste ano merecia um apoiozinho, pois é uma prova muito desafiante em termos de tecnicidade e altimetria.

 

Foi pelo Pedro Luiz que conheci o Paulo Pires, um treinador de UltraDistâncias, UltraTrail, Triatlo, Maratonas. Paulo é licenciado em Desporto e Educação Física pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, FADEUP, na opção de Desporto de Alto Rendimento. Além disso, é mestre em Gestão Desportiva pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, FADEUP. Paulo é professor de Educação Física/Desporto e praticou várias modalidadescomo atleta, monitor, e/ou treinador: Atletismo, Natação, Polo-Aquático, Canoagem, Badminton, Montanhismo/Alpinismo.

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Será que vamos apanhar neve no EGT deste ano? 

 

Vamos conhecer um pouco melhor que é o Paulo Pires e como será o meu programa de treinos?

 

Paulo, Há quanto tempo és treinador?
Eu sou treinador desde que terminei o curso da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Estive muito anos ligado à Natação de Competição e há 9 anos que segui o caminho de “TREINADOR” de ultradistâncias em montanha, desafiado pelo Carlos Sá e Carlos Peixoto. Depois Comecei também a trabalhar com o Armando Teixeira, Natércia Silvestre, Leonardo Diogo… e do nosso trabalho começaram a surgir muito bons desempenhos em provas internacionais de referência. Colocamos o ultratrailrunning português no mapa internacional. Com os nossos bons resultados comecei a ser solicitado para orientar para mais atletas portugueses e estrangeiros. Dessa procura surgiu a necessidade de criar plataforma de treino “beAPT”, sistematizando o trabalho que vínhamos fazendo com a Armada Portuguesa do Trail.

 

Quais as modalidades em que gostas mais de ser treinador?
Eu gosto do desafio das ultradistâncias pela planeamento estratégico que envolvem. Pelos riscos que temos que assumir. Mas realizo-me principalmente, a ajudar os meus ultrarunners a concretizar os seus desafios. Sejam eles sedentários que resolveram mudar de vida e começar a treinar ou atletas de referência mundial a participar nos desafios mais competitivos. Contudo, até ao momento, há um conjunto de desafios que me marcaram pelas dificuldades que implicaram e pelas emoções que vivemos juntos:

  • o 1º UTMB (2011) com o Armando Teixeira e Carlos Sá.
  • Colocar 2 portugueses na Ronda dels Cims no top10 (Armando Teixeira e Claudio Quelhas).
  • Record de ascensão do Aconcágua com o Carlos Sá.
  • Em 2015 em 11 ultratrailrunners dos nossos presentes no circuito do UTMB (occ, tds, ccc, utmb), todos foram finishers.
  • Haver um sentimento de identidade e de pertença à APT que nos orgulha. Porque primeiro que os treinos, há uma filosofia de vida que nos une.

 

Como funcionam os teus programas de treinos?
Os nossos treinos são desenvolvidos de acordo com uma metodologia própria, resultante de e investigação científica e de anos de uma saber de experiência feito como treinador e montanhista.

 

A quem se destinam os teus programas de treinos?
A nossa metodologia pode ser aplicada a um sedentário que resolve fazer actividade física para melhorar a sáude e perder peso ou a para atletas que buscam rendimentos e desempenhos superiores.

 

Como se diferenciam os teus programas de treinos dos outros que existem no mercado?
A nossa plataforma de treinos (www.beapt.pt) permite prescrever treinos individualizados de acordo com o perfil biométricos do atleta em função do seu objectivo/desafio e nível de rendimento. Os treinos de base aeróbia são acompanhados com um plano de trabalho de reforço muscular (força) e flexibilidade.
Para trabalhar connosco é necessário realiazar/aprensentar um conjunto de exames médicos que atestam da capacidade funcional da pessoa para o nível de treino a que se propõe. Temos também uma preocupação constante na longevidade e saúde dos nossos atletas. Disponibilizamos também um conjunto de serviços complementares na área da medicina desportiva, nutrição e avaliação fisiológica.

 

Nas próximas semanas irei partilhar convosco, uma vez por semana, como está a ser a minha experiência rumo ao Estrela Grande Trail com o programa beAPT Se tiverem alguma dúvida em relação aos programas de treino do Paulo, não hesitem em contactá-lo a ele ou a mim :)

Race report : Oh Meu Deus - E tudo a Montanha levou ( 2ª parte )

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 ( link primeira parte )

 

Hardcore trail
No km seguinte ao 1º abastecimento entramos numa secção de curvas e sobe e desce no meio de pedras e árvores e atravessamos riachos baixos, apesar de ser uma secção muito bonita, muito penosa nas pernas. Por esta altura seguia com o jovem que passei no abastecimento e ainda fizemos uns km's juntos. De seguida entramos num estradão junto ao rio Alva e durante um bom tempo colocamos ritmo elevado, uma parte perto dos 4:00/km e mais à frente uma subida forte e comprida. Paisagem fantástica e temperatura ideal. Por esta altura todos os problema tinham ficado para trás e já seguia com o corpo e cabeça perfeitamente alinhados na prova.
2km seguintes com ligeira descida e a fazermos médias de 4:45/km num estradão dificil de controlar pés e verticalidade do corpo, mas era altura de fazer pressão e tentar apanhar o 1º e 2º que não iam longe. Atravessamos por umas centenas de metros um pseudo estradão/trilhos fechados, como se fizesse alguns anos que ninguém passasse ali e com vegetacao mais alta do que nós em alguns sitios, em outros voavamos por cima das mais baixas, mas sempre a carregar no ritmo. Por esta altura o parceira de ritmo tinha ficado ligeiramente para trás e vinha acompanhado do 5º classificado. Tanto se rolava a perto de 4/km como iamos a passo quase a abrir caminho com uma catana. Gosto desta diversidade numa prova, apesar de não fazer bem ás pernas e ao fluxo sanguineo, mas permite algum descanso ao coração.



A Besta
Perto do km20 começamos a entrar no acesso para a garganta que iriamos encontrar mais à frente, a subida que metia medo a toda a gente e obrigava a muito respeito. Qualquer erro aqui de excesso de esforço ou de quedas seria muito complicado para o resto da prova ou provocar mesmo a saida da mesma. Começa devagarinho e vai aumentando de intensidade, até culminar num pequeno planalto uns metros antes da barragem Marques da Silva ( Lagoa Comprida ).
Mal entramos no estradão comentámos um para o outro que os dois da frente iam com um ritmo diabolico, fazia já alguns km's que não os viamos e ao ritmo que iamos, ui, ui...
Quase 1km depois aparece-nos por detrás o que pensavamos que ia em primeiro. "então ? onde andaste ?"... "perdemo-nos ali numa curva e atrasamos uns minutos". Afinal tinha andado alguns km's ali em primeiro e a pensar que ia em terceiro a puxar para apanhar os dois primeiros... cenas de provas :)
Aqui juntou-se um grupo de cerca de 4 corredores e seguimos juntos por quase 2 km. ainda deu para um km a 5:50/km (com um RAI de 4:22 devido à inclinação forte) e o seguinte já a entrar na garganta e na confusão do trilho, desceu para 10:00/km. E aqui começa o calvário. Os outros 3 seguiram e eu fiquei para trás. Não me estava a sentir completamente bem. Sentia os pulmões com dificuldade em funcionar e o corpo muito cansado, mas as pernas e o coração estavam perfeitamente calmos, sem dores.
A tentar perceber o que se passava com o corpo abrandei, e meti a versão powerwalking e lá fui gerindo o esforço. No km seguinte subimos 205D+ e fiz média de 18:40/m ( RAI 8:13 ). Passaram por mim 2 atletas e lá segui calmamente. Via lá em cima uns bons 300 ou 400m à frente os 3 "miudos" que me tinham feito companhia a serpentear no trilho.
Muita àgua bebi. Ingeri Gel e magnésio. Mas o corpo a cada passo que dava sentia-se mais fraco.
Km seguinte foi feito a 19:19/km ( RAI 7:42 ) e parecia que me tinha caido um camião em cima.
Em algumas partes tivemos que meter as mãos no chão e puxar pelo corpo tal a inclinação que existia na sobreposição de algumas rochas. Deu no meu GPS 237D+ neste km.

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( uma perspectiva da subida vista pelo google earth )


Último km antes do abastecimento de liquidos que estava na entrada da barragem, era uma parte em subida e o resto num pequeno planalto, de onde dava para ver lá o fundo a estrada, a casa do abastecimento e a imponente barragem. Ouvi várias pessoas a gritar nomes e a incentivar a correr, uma delas era a Liliana a chamar por mim. Quase não ouvia tal o estado de cansaço que ia. Pernas ok e coração ok. Cabeça e pulmões não estavam ali. Também estava a pagar um bocado os tais treinos que me fizeram falta como referi no inicio do texto, os treinos longos. Só tinha feito 2 treinos de 20 e poucos km's em 2 meses e isso é muito pouco para preparar o corpo para uma prova de 70km com esta altimetria. Estava a falhar o treino. O treino rapido estava lá, mas faltava o de resistencia. O de resistencia fisica e psicologica. O treino que no ano passado tinha para dar e vender e este ano simplesmente não existia.

Cheguei ao abastecimento dos liquidos aos 25,5km com cerca de 3:10h de prova. Apesar de ter andado nos ultimos 3km's e começar a doer um pouco os gemeos do esforço, ainda estava com uma boa média.
Confesso que por dentro estava muito mal tratado mas com a Liliana à minha espera não podia mostrar que não me sentia bem senão ela ficava mais preocupada do que eu. Comi laranjas e banana, enchi de água e segui para o troço seguinte, quase 10km a percorrer o sopé da montanha até à torre.
Aqui já seguia com 1850D+ em 25km.

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( as vistas lá em cima são sempre do outro mundo )




Lá para cima
O abastecimento estava a cerca de 1570m de altura, o que quer dizer que faltava subir pouco mais de 400m em quase 10km. Comparado com o que já tinhamos feito, parecia canja. Nos primeiro metros tentei andar um pouco para que o corpo se adaptasse à altitude, respirasse um pouco melhor e a ver se o mal estar geral passava. Ao fim de uns 500m tentei correr, mas não conseguia fazer mais do que umas centenas de metros. O resto do percurso até perto da torre foi feito em caminhada. Não em powerwalking, mas em caminhada pura e dura... médias de 10 ou 12/km foram o menu da hora. Foi penoso, muito difícil, quase diabolico fazer tantos km's no sopé da montanha aquele ritmo. Cada pequeno planalto que entrava parecia demorar uma eternidade a percorrer.
Quando cheguei perto da torre, para fazer os últimos metros em alcatrão naquela última subida, o meu corpo estava quase em shutdown. Estava cansado, com sede, com fome mas não conseguia ingerir nada. Sentia o corpo como se estivesse a carregar uns 100kg ás costas nas últimas horas e o cansaço começava a acumular.
Quando passei a rotunda e comecei a fazer aqueles metros finais, vejo o que parecia ser uma cara familiar, mas como já estava mais para lá do que para cá, só me apercebi concretamente quando ele chegou mesmo ao meu lado. Fez a maior parte da subida comigo, calmamente e a andar tranquilamente. O meu obrigado a ele pela companhia naquele troço. Daqueles pequenos gestos que se transformam em enormes devido à situação em que estamos.
O meu grande obrigado ao Marco Rodrigues pelo gesto.

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Foram cerca de 800m que demorei cerca de 15min a fazer. No topo estava a Liliana à espera e com cara de preocupada.
Tinha acabado de fazer perto de 10km em quase 2h certas. Parecia a travessia do Sahara.
Sentei no abastecimento, branco, pálido e com sede. Bebi chá, café, comi doces e fruta e ao fim de 30min dei baixa do meu número da prova. Não estava em condições de continuar. A cabeça queria seguir mas uma parte do corpo neste dia não estava a querer ir junto.
Os próximos 10km eram a descer a garganta da Loriga, e para isso precisamos estar bem física e mentalmente para não cair ou tropeçar.



Prova - Organização
A marcação da prova esteve ao nível que o Paulo já nos habitou na serra, não tem fitas a cada 10 metros mas também não tem muitos pontos para as pessoas se perderem. Uma parte de fazer trail também passa por um pouco de aventura. Se tivermos fitas a cada 5 metros durante 70km, perde um pouco a piada do que é correr na montanha. Soube depois de chegar à meta que existiram problemas graves nas marcações da prova dos 20km. Uma situação que a organização reconheceu logo, percebeu o erro e julgo que não deveremos ver novamente. Um acréscimo de 10km numa prova de 20 é muito para quem não vai preparado.
Os abastecimentos foram similares ao ano passado. Nem 8 nem 80. Acho suficientes para o tipo de prova que encontramos.


O percurso este ano foi ligeiramente mais difícil mas gostei na mesma. Excelente percurso de trail.
A temperatura estava muito mais amena do que ano passado e isso notou-se bem na parte central e final da prova. Aquele calor abafado não se fez sentir tão forte e ainda bem para nós atletas.
Como ponto negativo acho que deveriamos ter um pouco mais de assistência volante de agentes da autoridade (GNR) ou elementos da organização em alguns pontos mais longincuos na prova, entre abastecimentos e no meio do nada ter sinal de telemóvel para pedir ajuda é complicado. Em caso de urgência, ter que fazer 500m ou 1km para pedir ajuda não é o mesmo que ter que fazer 3 ou 4km. Excelente o apoio que nos era dado na torre pela GNR e equipas de primeiros socorros que lá estavam. Sempre simpáticos e infindáveis a corresponder ás nossas solicitações.

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( foto depois da entrega de prémios )


Para o próximo ano lá estarei quase 100% certo. É um sitio mágico correr na Serra da Estrela e nesta altura do ano permite disfrutar bastante dos trilhos.


No Domingo de manhâ fomos até à festa da entrega de prémios e petiscar uns bolos e salgadinhos com os restantes atletas.
Quando chegamos ao Montijo pelas 17h enviei um SMS à minha mãe a dizer que já tinha chegado a casa e liga-me passado 2min. Sentei no chão e comecei a chorar. Tinha falecido perto do meio-dia. No dia anterior a fazer 90 anos.
Ainda hoje penso que esperou que eu chegasse bem ao fim da minha jornada na montanha. A controlar a ver se eu estava em segurança, como sempre fez. Espero que ela esteja a ter um merecido descanso, depois da sua jornada enorme e complicada.

Race report : Oh Meu Deus - E tudo a Montanha levou (1ª parte )

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Prefacio
Este race report demorou bastante tempo até que tivesse vontade de o escrever para ser publicado. Oportunamente perceberão o motivo, mas para já tenham paciencia comigo e boas leituras.


Seja a mudança que você quer ver no mundo
Confesso que a minha preparação para esta prova não foi a melhor do mundo. Nem perto do que eu quereria.
Por diversos motivos, desde Janeiro de 2016 que tenho menos vontade para correr, não tenho retirado todo o gosto e entusiasmo de correr por correr, e isso afecta-me não só a minha preparação fisica, mas também a parte motivacional e psicologica porque gosto de correr.
Nevertheless, nos ultimos 2 meses antes da prova fiz um pequeno plano e tentei incluir o máximo de treinos possiveis para rentabilizar ao máximo a corrida planeada para o passado dia 04/06, faz agora pouco mais de 2 meses. Excepto um tipo de treinos que mais à frente já vamos perceber o erro crasso que foi não lhe ter dado importancia.

Importancia essa que ela incutia em tudo o dizia respeito à familia e ao bem estar do grupo. Muitas horas passamos desde a minha infancia até adulto em jantares e almoços com toda a familia mais directa. Com mais ou menos euforia, ela cozinhava e o resto da malta devorava os pratos fantasticos que nos era presenteado. O importante era a familia reunir e conviver


Antes da prova
Fomos para Seia na Sexta-feira ao final da tarde. Chegamos a tempo de jantar, levantar dorsais, passear um pouco aproveitando o tempo fantastico que estava e depois ir descansar para levantar cedo para a prova. Adivinhava-se um clima ameno, nada parecido ao calor quase infernal que foi no ano passado.
Tudo isso foi considerado no planeamento que fizemos para a prova. Eu a correr e a Liliana de carro a acompanhar PAC a PAC. Temperatura, estado do terreno, preparação do ( COF, COF ) atleta, altimetria, etc. Fizemos um planeamento quase ao km do que se iria passar no Sabado e isso foi estudado nas ultimas 3 semanas.

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Que trilhos novos iriamos percorrer e quais os que eram comuns ao ano passado. Quanta àgua levar, quantas barras, que sapatilhas, etc. tudo foi pensado num unico sentido : ganhar a prova.
Existem duas provas onde eu participo, as do género da Serra da D'arga onde sei que vão aparecer dezenas de atletas mais rápidos/melhores preparados do que eu e nessa circunstancia os meus dois adversários sou eu e a montanha. Sou eu contra... eu.
Mas em provas como os 70km do OMD, onde o numero de atletas é muito mais reduzido, onde já conheço bastante bem o terreno e a qualidade dos adversário é muito mais acessivel ( e temos que falar nestes pontos sem qualquer despudor ou segundo sentido ), o objectivo principal passava por ficar nos 3 primeiros, e o secundário ganhar a prova, se tal se propocionasse. No ano passado teria ficado entre os 7/8 primeiros se não tivesse tirado uma soneca no ultimo abastecimento de quase 2h.
Tudo bem planeado e lançado para a prova deste ano e com alguma expectativa para o desfecho da mesma.


Desde que vim para Lisboa que não lhe dava a atenção que ela merecia, com todo o amor e carinho que me tinha dedicado, o neto "favorito". Só a via 3 ou 4x por ano, ás vezes menos. Mudar a minha vida inteira para 330km de distancia e tudo muda. Tinha saudades dos almoços que me fazia quando vinha da escola ou quando ralhava comigo e com o meu primo por estarmos sempre a jogar futebol no meio dos vasos de flores... miudos...



Na realidade
Deitei tarde, não fiz a preparação que queria, o tempo ficou mais quente do que o previsto, as sapatilhas eram novas com apenas 8km, não descansei psicologicamente o que estou habituado, não consegui ir á casa de banho antes da prova, etc, etc... tudo desculpas que se pode usar para quando algo pode correr mal.

O facto é que me deitei já depois da 1 com a cabeça conturbada para levantar ás 5:45 e tomar o pequeno almoço com calma. muito pouco tempo de descanso para um evento tão importante. Sabia quando acordei que o corpo não estaria no meu melhor em termos de preparação fisica. Teria que puxar muito pela cabeça e coração. O tempo estava excelente, aquilo do mais quente é uma desculpa esfarrapada. E a temperatura que estiver é para todos os que se aventuram na montanha. As sapatilhas eram novas mas são BRUTAIS. Foram escolhidas a dedo e de maneira a me deixar o mais confortavel possivel durante a prova. Para mim Salomon encaixa perfeitamente nas minhas necessidades. Faltar ir à casa de banho é que não estava nos planos. Chegamos cerca de 30min antes do arranque da prova e fui a um café ao lado da partida. O certo é que estava uma fila de mais de 10 pessoas, quase todas para as provas curtas que só iriam arrancar 1 ou 2h depois da minha ( conforme a distancia), e ao fim de 15min na fila e ainda a faltar para conseguir chegar lá dentro, desisti e fui para a partida, que era dai a 8 ou 9min...

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( Faltavam 3min para a partida )



Ainda guardo algumas recordações das visitas regulares que fazia aos locais onde os meus avós e pai nasceram e cresceram. Lembro-me bem de uma visita ás Fisgas do Ermelo , e de gostar de saltar e correr pela serra acima. Será dai que vem o meu gosto pelo Trail ?



Get Set..... Go
A partida foi tranquila, brutal e complicada. Eu explico.
Meti-me no meio do pelotão antes da partida e parti sem aquecimento. Fui passando rapidamente aqueles que me pareciam que poderiam prejudicar o arranque da prova, aka, pareciam-me mais lentos do que eu. Quando dei por mim, ao fim de uns 100 metros estava na frente isolado... bora lá meter corda nisto.
E assim fiz, coloquei pé no acelerador aproveitando que o primeiro km é quase todo a descer. PIPI, tocou o GPS...
Mas que raio está ele a apitar ?!? Era o sinal que tinha chegado ao final da prova !!! como o percurso é circular e meti o track no GPS para me ir guiando a nivel de tempos, mas, depois da partida a prova dá uma volta de 180º e passa uns metros ao lado de onde saimos e ele apanhou o ultimo ponto do track e pensou que já tinhamos chegado. uns segundos a olhar para o relogio e ETA 00:00, KM's para o fim 00.... incrivel, só a mim :)
Entretanto com o pé no acelerador e sem me aperceber de ninguem atrás de mim, aos 300m de prova estava eu mais concentrado a olhar para o GPS a fechar aquele troço, carregar novamente o track para a memoria, arrancar com o segmento e bora lá...
Com isto passou-se uns 600 metros, e o carro da protecção civil quase que era abalroado por mim que estava mais a olhar para o relogio do que a estrada, mas com o pé no acelerador lá ia. Track carregado e voltei a concentrar na prova, que os primeiros km's eram iguais ao ano passado. Nisto passa o 1KM e o relogio indica 4:30/km. Vai bonito o ritmo.


Muitas recordações da minha infancia guardo, mas das melhores foram sempre os dias em que iamos para a praia do Castelo do Queijo ás 8 e pouco da manha. Era uma viagem alucinante para uma criança. A viagem do electrico da Boavista até junto mar, a procura dos melhores spots para os "velhinhos" esticaram o corpo, a entrada na agua gelada do norte. A minha avó sempre preocupada connosco e a dizer "não faças isso", "não vás para ai"... enquanto o meu avô lia religiosamente o seu jornal sentado perto da agua



Primeira subida
Tactica da prova. Controlar as subidas sem exagerar nos ritmos para poupar as pernas para a parte final e deixar correr as Salomon nos estradões. Começamos a subir e passado 30segundos vem ao de cima o problema de não ter ido ao WC... pequeno paragem técnica e desço para 3º ou 4º, e lá começou o meu périplo pela primeira subida, que iria durar até sensivelmente aos 6,5km e com 500D+. Ora passava um, ora era passado, lá fui subindo em ritmo calmo, enquanto os 3 da frente lá ao fundo iam colocando um ritmo mais vivo. Cheguei a andar em 8º e fui sempre controlando o ritmo de quem seguia comigo. Chegados à Nacional 339 que marcava o fim da primeira subida iamos com cerca de 47min de prova e entrava na primeira secção de "estradão". Aqui tinha planeado acelerar e como me sentia optimo e calmo, foi o que fiz. Comecei a passar quem ia na minha frente. Do km7 até ao km11 ( 1º abastecimento ) fui sempre a tentar rentabilizar o terreno. Não era estradão puro, tinha muitas secções com sulcos e muito salteado de detritos, mas era o suficiente para andar a fazer médias de 5/km. E chegando ao abastecimento ia em 4º lugar, com o terceiro a chegar uns segundos à minha frente. Aqui estava a Liliana conforme combinado, trocamos os bidons da Salomon por 2 já cheios com agua, peguei em comida e arranquei. Sabia que lá na frente seguia o 1º e 2º a pouco mais de 1min, e aproveitando o terreno mais plano, parti atrás deles. Passei no abastecimento aos 11km com cerca de 1:12h de prova e já com 850D+

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(1º Abastecimento - 11km )



Fazia quase um mes que tinha sido hospitalizada. Já à bastante tempo que não ficava no hospital internada. No domingo anterior à prova ligaram-me a dizer que ela estaria mal e com o corpo cansado. Poderia não sair do hospital novamente. Fui passar Segunda e Terça ao Porto para a visitar. Parecia tão triste e aborrecida por já estar ali tanto tempo no hospital sem se puder mexer. Deixou-me triste ve-la ali inerte sem poder fazer nada para a ajudar, uma coisa que ela tinha feito vezes sem conta enquanto crescia


( Segunda parte )

Vídeo: Estrela Grande Trail 2016

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Foto por Fotos do Ze 

 

Foi no fim-de-semana de 21 de Maio que estive, pela primeira vez, na Serra da Estrela. E não foi a última. 

 

Este ano, no primeiro semestre, para além do Columbus Trail na ilha de Santa Maria, queria fazer mais uma prova grande. Grande para mim significa acima dos 42km. A prova eleita foi o Estrela Grande Trail, pois tinha muita curiosidade em conhecer esta serra e a prova tinha excelentes referências de edições anteriores. Participei nos 46km com 2200 de D+ (podem ver o meu desempenho e percurso no Strava).

 

Em vez dos habituais race reports, decidi gravar a experiência em vídeo, recorrendo apenas ao telemóvel. Ficou um vídeo amador, mas penso que transmite a dureza e beleza desta prova. Se quiserem saber mais sobre a experiência de visitar a Serra da Estrela, podem ler a report da Ana. (Já no Piódão decidi fazer um vídeo do género).

 

 

Impressionante, não é? Sim, não há muitos sítios na Europa onde, em Maio, se pode correr na neve de calções e t-shirt! :D Gostei muito, foi das provas que mais gostei de fazer. Quem sabe, até para o ano!

 

PS. Os fotógrafos das Fotos do Zé costumam marcar presença nas provas de corrida em trilhos e tiram excelentes fotos! Mais fotos do Estrela Grande Trail podem ser encontradas aqui.

Oh Meu Deus já estou a ver o Horizonte”s” (2ª e última parte)

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Por Stefan Pequito:

(Aqui podem ler a 1ª parte desta aventura).

 

Seguiu-se mais uma bela subida com +/-800 D+, sempre a subir! O joelho “chiava” mas não quebrou, por isso continuei. O calor era muito. Às 11 horas só queriamos chegar antes do meio dia a Alvoco. Quase a chegar, o Lino e eu começámos a sofrer dos pés. A água e areias acumuladas tinham deixado mazelas, mesmo com a troca de meias do Lino em Unhais (pois era outro local de troca de roupa que a organização tinha permitido, mesmo por causa desta razão). Mas não tinha resultado e começou o sofrimento até Alvoco.

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Chegámos a Alvoco, e aqui levo a minha segunda grande “chapada”: o Lino decide desistir, pois tinha os pés feitos “num oito”, os meus estavam um pouco melhor mas o joelho não estava melhor.

 

Fiquei lá bastante tempo a pensar, “vou não vou” ,”quero ir mas se calhar não devo”, “mas que raio e que devo de fazer” foram algumas das coisas que me passaram pela cabeça. Quando dou por mim já tinha tudo preparado para arrancar; já tinha as sapatilhas nos pés novamente e a mala às costas, e pensei “que se lixe vou ate a Torre e logo se vê”, e lá fui eu!

 

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Do Alvoco até à Torre foram cerca de 8km sempre a subir com mais de 1400D+ até ao topo da Serra da Estrela. Foi sempre “a partir” até lá. Só parei na Torre. Só sei que houve muitos colegas que me chamaram maluco com tantos km nas pernas e fazer aquilo “a abrir” - a verdade e que estava bem muscularmente, só o joelho me chateava.

 

Chegada à Torre: a terceira chapada!

 

À chegada à Torre levo outra chapada: o Bondoso estava deitado na maca a dormir. Outro craque encostado. “Porra, o que estou a fazer, será que devo de ficar aqui?", pensei. Comi bem, outra vez, hidratei-me e preparei as coisas para arrancar. Aqui fiz algo que não gosto: tomei um Ben-U-Ron para as dores. Estava com 120 km e o joelho ainda não me tinha “largado”. Entretanto, o Bondoso acorda e perguntei se ele queria vir comigo mas levei uma nega redonda! Lá fui eu mas antes perguntei quem estava à minha frente e a uns quantos minutos estava a Sofia Roquete. Outra vez uma rapariga a minha frente como no MIUT …

 

Arranquei em boa companhia para a “minha querida” Loriga , com o Hélder Batista que estava a fazer os 100k. A parte inicial com mais calma pois sabia que era mais técnica mas sabia que a meio ia ficar “melhor” e poderia acelerar - e foi o que fiz. Cheguei a Loriga e já estava a +/- a 50 min da Sofia Roquete. Comi rapidamente, bebi e carreguei-me de água e arranquei, até tive direito a ser chamado de maluco por dois franceses.
 

O próximo objetivo era chegar o mais rapidamente a Cabeça. Foi uma zona muito bonita onde fomos durante 7km ao lado de uma levada que deu muito jeito para arrefecer. No meio disto, consegui passar o rapaz que estava entre mim e a Sofia.

 

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Quando cheguei a Cabeça, o objetivo era comer, beber e arrancar. Então perguntei a quantos minutos estava da Sofia, ao qual me responderam 30 minutos, mais ou menos. Estava quase a arrancar mas de seguida um rapaz ofereceu-me uma cerveja a qual não a recusei pois ainda faltava 24km. Mudei o meu objetivo de apanhar a Sofia para chegar de dia! Entretanto chegou o rapaz, que se chama João, e fiquei mais um pouco com ele.

 

Arrancamos os dois para a última “grande“ subida (sim nesta altura já era tudo GRANDE), a qual fiz tudo com ele. Quando “planou” disse-lhe que tinha de arrancar pois queira chegar ainda dia. E lá fui eu a “abrir” (tanto quanto o que o joelho me deixava ir).

 

Cheguei à Lapa dos Dinheiros, a 10km do fim, onde comi e bebi rapidamente como fiz na Loriga. O que posso dizer é que foram os 10km que mais me custaram. Parecia que nunca mais chegava ao fim e aquela última subida foi tramada. Só queria chegar. Cheguei ao topo e vi Seia, sendo que a partir dali seria sempre a descer. Tinha que acabar rápido por o sol também estava a “descer”.

 

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Chegado a Seia, fiquei algo triste. A parte mais fraca da prova, e não por culpa da organizacão, mas sim das pessoas não terem cultura desportiva, senti falta de apoio da população. Uma pessoa passava ao lado de nós e nada. Foi triste. Felizmente, depois a chegada à meta foi glorificante!!! Ver caras conhecidas a chamar por nós, ver a Liliana e o Luís Moura na meta, os aplausos de outros atletas que já tinham chegado e no fundo da meta o Lino e o Rui Luz a chamar por mim. Foi muito gratificante esta parte.

 

O meu pensamento foi do género “Acabei esta porcaria, porra para o meu joelho”.  Confesso que caíram-me lágrimas, mais de dor do que de outra coisa.

 

Adorei o OMD, ainda bem que não ouvi os outros e comprovei que a organização da Horizontes é boa. Parabéns à Horizontes, e obrigado novamente pela família que são.

 

Claro que tive um ou outro ponto menos bom, mas a maioria são positivos. A melhorar: o primeiro abastecimento e aquela descida para Unhais (estou a brincar não gostei mas sei que o trail tem destas coisas). Se é uma prova que volto a repetir? Sim, sem dúvidas.

 

Acabei num 7º lugar a 14 minutos da Sofia Roquete, com 29 horas. O vencedor foi o Grande Mota, com 25 e a GRANDE Sofia Roquete a 1º nos femininos - Mota fica prometido que da próxima vou contigo!

 

Material usado:

  • Sapatilhas: Salming t1, que adoro sem duvida são as minhas “meninas”.
  • Mochila: foi a Vest da Salomon lab3 emprestada pelo meu padrinho Pedro Tomás Luiz, da qual gostei bastante, mas é grande.
  • T-shirt e Calções da Reebok, aqualidade de material muito bom na segunda parte useu tshirt da Hoko pois era uma cor mais claro por causa do sol e também tem muito boa qualidade.
  • Meias: na 1º parte da Injini muito confortáveis mas em fase final de vida.A segunda parte meias da k»Kalenji trail que gosto bastante.
  • Frontal: foi um Silva também emprestado pelo Pedro, não sei o modelo.
  • Relógio: o grande A-Rival spoq que durou 23 horas até morrer.
  • Karimorr: baratos leves e facéis de usar.
  • Nutrição: barras da Biotecusa de amêndoas e pêssego - que adoro -  e usei 3 até ao Vale do Rossim, a partir daí não precisei mais. Gel da biotechusa também que usei metade de um pois não sou muito apologista de géis. E isotónico de manga da Biotechusa também (tudo isto podem encontrar nos meus companheiros  da Girassol). Não usei anti-inflamatórios pois sei que não fazem  nada bem durante uma corrida, como o Filipe Gil já o disse.

     
    Meias: na 1º parte da Injini muito confortáveis mas em fase final de vida.A segunda parte meias da k»Kalenji trail que gosto bastante. 

 

Agora que venha a Ultra Pirenéus, com uma pequena passagem pela Louzan Trail e Douro e Paiva (as provas pequenas).

 

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Agradecimentos:

Um enorme obrigado às Mães se não fossem elas a motivar não eramos nada! De seguida um enorme obrigado a minha crew que sempre acreditou em mim, aos meus amigos todos e família, e claro ao meu treinador Paulo Pires que me tem ajudado a crescer de dia para dia neste mundo do ultra trail.

Um enorme obrigado à Girassol pelo o apoio na Nutricão e ao pessoal da Biotechusa Portugal, ao Miguel Santos grande amigo e massagista, e ao Osteopata Rui Martins  por me pôr direito, mesmo que depois estrague tudo antes da prova…

 

Oh Meu Deus já estou a ver o Horizonte”s” (1ª parte)

 

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Por Stefan Pequito:

 

Bem isto tudo começou há 1 ano atrás, em janeiro de 2014 quando fiz a minha primeira Ultra em Proença-a-Nova com esta família que é a organização da Horizontes,- a quem prometi que faria as minhas primeiras 100milhas com eles. Foi desde aí que em cada treino pensava desse grande dia. Ouvi muitas pessoas a dizerem mal e a desaconselhar-me a prova tudo por culpa do primeiro ano que eles organizaram as 100 milhas, pois foi um mau ano para eles. No entanto, em 2014 “arrasaram” com uma grande prova por isso fiquei convencido! Claro que fiquei com algumas duvidas, é normal. Quis acreditar nesta organização pois já tinha feito varias provas com eles e sei que melhoram de prova para prova. Querem crescer e isso demonstra vontade. Gosto disso!

Então “fechei os ouvidos” e quando abriram as inscrições no final do ano passado inscrevei-me de seguida. Isto, passado uns meses valentes depois de uma MIUT nas pernas. Entretanto, chega Junho e os nervos começaram. Sabia que tinha treinado bem, pois com o Paulo Pires da APT é impossível não treinar bem, mas mesmo assim estava muito nervoso. Eram as minhas primeiras 100milhas. “Oh meu deus” será que ia conseguir?

 

Uns dias antes da prova fui para Proença-a-Nova com a minha família para tentar descansar um pouco. Aproveitei e falei com o vencedor da prova do ano passado, o André Castro. Chegou o dia 5 e lá fui eu para Seia. Cheguei cedo, levantei o dorsal e almocei “a minha” massa com a atum e tentei descansar, mas estava um calor infernal na altura e isso foi complicado. Na altura ainda tinha visto o Paulo Alexandre (o Pai da Criança).´

 

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A hora da partida aproximou e a malta começou a chegar e fomos falando e acalmando um pouco. Chegada a hora no controlo Zero fiquei ao pé do Luis Mota na conversa e a planear a prova (achava eu).

 

Às 16h deu-se a partida para a loucura. Com calor abrasador lá fomos nós atrás do jipe da GNR até à entrada do trilho. A primeira parte até ao abastecimento foram de cerca de 17km de distância. Geri com calma e aproveitei a boleia do David Faustino, o mestre das Ultras. Contudo, aos 8km comecei a sentir uma “moínha” no joelho esquerdo como já me tinha dado no MIUT mas não me preocupei muito e passou ao fim de um tempo.

 

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Durante vários kms fui com o David Faustino, sempre com calma mas a bom ritmo pois até aos 40km no Covão da Ponte sabíamos que ia ser calmo e “corrível”. Chegámos ao Covão e fiquei um pouco mais tempo pois já estava a ficar de noite e quis preparar as coisas todas antes que ficasse escuro. Então, tirei o frontal, o buff e os manguitos para uma bolsa mais acessível. Entretanto chegam a Sofia Roquete e o Lino Luz. Reparei que o Lino não vinha bem e fiquei um pouco lá. Por sua vez, o Faustino já tinha arrancado para tentar aproveitar o resto da luz do dia.

 

Passado uns minutos lá arrancamos, ele, o Lino Luz, mal disposto e eu com um joelho tramado pois a dor afinal ainda não tinha passado. Lá fomos nós com muita calma até Manteigas onde acabámos por reencontrar o Faustino e seguimos juntos por algum tempo.

 

“Chegados a Manteigas e tive o primeiro choque”

 

Esta foi a parte mais técnica sem dúvida. Até Manteigas tivemos de ir com os olhos bem abertos, não por causa das marcações mas sim por causa do terreno muito técnico. Chegámos a Manteigas e tenho o primeiro choque: o Rui Luz tinha desistido, um dos potenciais vencedores teve uma lesão que não o deixou seguir e preferiu parar e não estragar mais (foi sensato), e isso fez-me pensar se devia, também eu, ficar por ali.

 

Entretanto comi um sopa, pão com queijo e chocolate preto e fiquei a espera que o Lino ficasse pronto. Aproveitei e tirei o resto das barras da mala de apoio e umas Oreos (conselho dado por um craque para me motivar). Agora estava diante da primeira grande subida até ao Vale do Rossim. Mesmo durante a noite gostei bastante dos trilhos. Foi pena não ter chegado de dia…

Vale do Rossim é um local onde já tinha estado antes, num evento do Armando Teixeira. Este era um abastecimento onde tínhamos de comer e beber bem pois a seguir seguiam-se 16km até ao Vale Glaciar. Adorei este abastecimento repleto de “tralha” para comer e novamente com gente boa como nos outros abastecimentos - sempre a ajudar no que podem! Este abastecimento tinha ainda a mascote da prova, uma cadela "fofinha", como podem ver na foto.

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Seguimos caminho e penámos um pouco aqui e a meio apanhamos o David Faustino outra vez e fizemos esta zona com ele. Foi a única parte que tivemos alguma dificuldade com as fitas, mas nada de especial pois era o seguir as mariolas e as fitas estavam lá, pois os trilhos passam por ali.

 

Nessa altura comentei com o Lino que algo de estranho se passava. Estávamos na Serra da Estrela às 3 da manhã e estava um calor infernal, abafado. Ali em pleno Vale Glaciar. No abastecimento enchemo-nos com água, fiz o meu isotónico e arrancámos para Alforfa, uma subida mais complicada - técnica e fechada.

Esta foi a única altura em que tive sono, o que vale é que estava a amanhecer. Comi um pouco do gel da Biotechusa que tinha para despertar um pouco, mas a dor no joelho não me deixava adormecer. Chegamos a Alforfa onde estava um abastecimento de água. A senhora que morava por ali foi simpática e arranjou-nos uns petiscos que comemos logo. A mim soube bem mas ao Lino nem por isso.

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A descida até Unhais da Serra: a pior parte da prova

 

Agora vem a parte que menos gostei da prova: a descida de Alforfa até Unhais da Serra. Passámos nuns antigos trilhos de pastores que neste momento era um pasto de vacas alagado por causa da barragem. Corremos durante muitos km com os pés molhados. Estava com plainas mas mesmo assim entrou “areia” e “terra” nas sapatilhas. Nessa altura o David Faustino fica para trás a gerir o esforço, com pena nossa.

 

Em Unhais da Serra mais um abastecimento que gostei bastante. Mais gente super simpática, boa comida na mesa da qual eu me fartei de comer. Já o Lino tentou e até comeu bem. Parecia que ele estava “a voltar”. Ficamos um pouco mais neste abastecimento para recuperar o nosso “poder” e lé fomos para a próxima paragem em Alvoco, onde tinha a mala de apoio.

 

(amanhã publicamos o final desta aventura do Stefan)

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