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Correr na Cidade

A importância dos desportos complementares

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1ª Conferência de OCR | Police Challenge Viseu

21 Abril 2018

 

No passado mês de Abril participei numa corrida de obstáculos, a VISEU POLICE CHALLENGE, que apesar de ir apenas na sua 2ª edição, é já considerada a melhor do país e contará com outras edições ainda este ano (Leiria – 17 Junho; Portimão – 14 Outubro).

 

São mais de 1000 participantes, numa corrida de obstáculos de 10km com muita diversão e competição saudável. Muita lama, tiro, rastejar, água, saltar e trabalho de equipa. A Prova está muito bem organizada, com obstáculos desafiantes, alguns acessíveis mas muitos já com um grau de dificuldade elevada. É uma prova muito bem estruturada com uma parte do percurso em área urbana e outra parte em zona verde.

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Na véspera da prova a organização promoveu a 1ª conferência de OCR (Obstacles Course Race) em Portugal, com diversos oradores e que abordou temas como a importância dos desportos complementares e a prevenção de lesões.

 

Para quem considera a corrida o seu desporto de eleição é importante ouvir testemunhos sobre a importância de variar e de utilizar outros desportos para potenciar o nosso desporto principal, sejamos ou não atletas profissionais. Foi o que alguns dos oradores vieram afirmar com base nas suas experiências.

 

O primeiro testemunho foi da atleta portuguesa com mais medalhas em provas de OCR, a Inês Jordão, que nos falou um pouco da sua trajetória desportiva e da importância de direcionar os nossos treinos para as nossas fragilidades.

 

Por exemplo, a Inês Jordão, como atleta de Spartan Races (provas de OCR com elevado grau de exigência técnica e física) confessou que recentemente se virou para o Trail Running pois achou que lhe faltava endurance para aguentar melhor as Spartan Races. Utilizando assim o trail (já a treinar com o objetivo de participar na prova de 106km na Ilha da Madeira) para aumentar a sua resposta cardiovascular e com isso conseguir melhores performances no seu desporto principal – Spartan races.

 

Tiago Lousa, orador convidado na condição de treinador de Crossfit, mas também ele atleta medalhado de Spartan races, deu ênfase à importância do treino funcional (como o crossfit) planeado e direcionado para os objetivos e fragilidades dos atletas.

 

A base do treino funcional é a reprodução dos movimentos que fazemos no nosso dia-a-dia – sentar, andar, agachar, correr, deslocar objectos – e tem como objetivo fortalecer o nosso corpo e dotá-lo de movimentos que facilitem a nossa vida.

 

No entanto, no crossfit treina-se muito mais do que isso, treina-se resistência, força e velocidade. Treinam-se capacidades físicas coordenativas, como o equilíbrio e a destreza (através dos skills gímnicos), treinam-se movimentos de carga / Halterofilismo que não sendo funcionais servem para se ganhar força, coordenação e também reforçam o equilíbrio permitindo um transporte ou deslocamento de cargas mais eficaz e seguro noutras actividades desportivas e também nas actividades do nosso quotidiano. Todas estas actividades servem também para ajudar a melhorar o desempenho, por exemplo, na transposição de obstáculos para quem quer participar em provas de OCR.

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Também no crossfit, pela variedade dos treinos e pela vontade de evoluir e de nos superarmos, treinam-se capacidades mentais importantes para todos os atletas, como a força de vontade, a disciplina, a resiliência, o saber sofrer, etc.

 

Para os atletas de alta competição, a estrutura mental é de extrema importância para sua performance pois na maioria das vezes “é preciso acreditar que se quer” – palavras do Tiago Lousa que também não se considera um atleta de OCR mas sim, como a Inês Jordão, um atleta de Spartan Races.

De acordo com ambos, numa Spartan Race, há um maior grau de exigência a nível de resistência (endurance) mas os obstáculos são mais de esforço de sofrimento do que de grau de dificuldade física, daí a importância da estrutura mental de um atleta.

 

Assim sendo, o trabalho mental é também muito importante para um atleta que se pretende superar ou melhorar grandemente a sua performance, pois além da prova em si, o próprio treino diário já pressupõem uma maior dedicação e força de vontade para que a transformação aconteça.

 

O médico fisiatra Paulo Casalta concentrou o seu testemunho na prevenção de lesões. De acordo com o médico, um aquecimento condigno é muito importante na prevenção das lesões. Um aquecimento de baixa ou moderada intensidade, como um light jogging, utilização inicial de cargas leves, alongamento muscular inicial e uma boa hidratação são essenciais – e porquê?

 

- Porque melhoram a distribuição de sangue por todo o corpo mas também nas zonas requisitadas

- Porque melhoram o aporte de fluido articular e trabalham as articulações que iriam ficar em stress durante o treino sem um aquecimento prévio;

- Porque melhoram o funcionamento muscular (compliance muscular). O alongamento provoca uma perda de força muscular mas se houver uma contracção isométrica logo de seguida, essa perda é reversível e torna-se até positiva pois reforça o trabalho do próprio músculo;

- E porque uma boa Hidratação regula com maior eficácia a temperatura corporal e todo o processo metabólico (nota muito importante, de acordo com o médico Paulo Casalta – principalmente – para os atletas de trail e ultra-trail!).

 

O médico falou-nos um pouco também do mito da toma de anti-inflamatórios antes de uma prova – é um erro!

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O consumo de anti-inflamatórios diminui o aporte de sangue aos rins, o que aumenta a probabilidade de lesão renal pois a extração de toxinas fica diminuída – um das funções principal dos rins. A actividade renal é muito solicitada quando o corpo está em esforço pois também trabalha para manter o equilíbrio hídrico no organismo, compensando a perda de água e sais.

 

Concordando com os oradores anteriores (Inês Jordão e Tiago Lousa), também Paulo Casalta defende a importância do treino complementar/acessório. Há atletas de trail e ultra-trail cujo treino é só correr, correr, correr e correr!

 

De acordo com a sua experiência, assim não há treino muscular ou articular, há só desgaste. O treino de reforço muscular e articular, o treino de equilíbrio, o treino de “core” são de extrema importância para proteger os músculos e articulações cujo esforço será solicitado durante uma prova. Na opinião do médico, O treino acessório é algo que é necessário implementar para melhorar e corrigir a performance e prevenir lesões.

 

Ficou também uma chamada de atenção para a importância do “cool down” – parar abruptamente não faz bem, deve haver uma normalização controlada da actividade muscular e de todo o sistema cardiovascular.

 

Um bom alongamento final ajuda a restabelecer as micro-roturas musculares geradas pelo treino. Apesar de durante o alongamento existir uma acentuação dessas roturas através do alongar das fibras musculares, há sempre uma vantagem na recuperação muscular pois a compliance muscular é reforçada através dos movimentos isométricos provocados pelos exercícios de alongamento.

 

Paulo Casalta, aconselha também o uso de “foam rols” cuja utilização considera que tem tido resultados positivos na recuperação muscular, assim como as massagens pós e pré-treino, principalmente para atletas com elevada carga horária e grau de exigência nos treinos, porque ajuda a prevenir as assimetrias musculares provocadas pelo treino intenso e a prevenir a descompensação muscular que pode levar à dor crónica.

 

Antes de terminar a sua apresentação, Paulo Casalta, reforçou a relevância do tema – a dor!

 

O mais importante para qualquer atleta é o respeito pela dor, saber ouvir o seu corpo. A dor a ter em consideração não é a dor resultante da fadiga muscular que se sente após um treino exigente ou durante uma prova dura. O problema não é a dor que nos remete para a expressão “no pain, no gain!”, mas a dor real, o desconforto físico que aumenta com o esforço e que permanece durante um treino ou uma prova e que persiste mesmo após o final da mesma.

 

É muito importante saber respeitar a nossa integridade física e conhecer os nossos limites, o desporto deve ser sempre um foco positivo na nossa vida, permitindo-nos beneficiar da alegria de melhorar as nossas performances desportivas mas também com o grande objectivo de “viver” com qualidade… Boas corridas!

 

Queres deixar de fumar? Começa a correr.

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Num jantar do Correr na Cidade apercebemo-nos que há vários casos de pessoas que deixaram de fumar porque começaram a correr. Fantástico, não? Por isso, hoje decidimos inspirar-vos com dois casos: o João Gonçalves e o Pedro Conceição.

 

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Quando perguntamos ao João Gonçalves: "Porque é que começaste a fumar?" Ele respondeu: Esta é uma pergunta tão estúpida como a própria resposta, mas é uma questão que qualquer fumador se depara com ela ao longo da sua vida. Ninguém começa a fumar porque gosta. Sabe mal, tossimos mas à medida que insistimos no erro, o gosto e o prazer acaba por se instalar em nós, a sensação de bem estar e relaxamento acaba por ser forte e quando menos se espera aquele cigarro às escondidas uma vez por dia acaba por se tornar naquele maço diário ao qual não conseguimos fugir... isto chama-se vício...

 

"Quando começaste a fazer desporto fumavas?" Ohh yeahh!!! Um maço por dia nos dias normais, se existisse saida à noite, este número podia subir para outros :-) Se isto influenciava a minha performance desportiva, na altura achava que não, fazia ginásio, corrida, inclusive nas provas de Trail levava o maço como equipamento obrigatório, brincava que o levava pois caso me lesionasse e tivesse de esperar por ajuda podia fumar um... parvoíces...

 

"Então porque razão deixaste de fumar?" Como fumador sempre tive a consciência que o tabaco não é saudável e saiba que um dia iria deixar, só tinha de esperar pelo momento certo, tinha de ser num momento em que queria mesmo parar é que a vontade de deixar fosse maior que o desejo. Como qualquer drogado, se o próprio não quiser deixar o vício, não vale a pena parar pois vai acabar por reensidir na adição. E um acordei e quis em consciência deixar de fumar e procurei ajuda - marquei para aquela clínica de Beja que muita gente "fumadora" fala e com 80€ deixei o vício.

 

"E diferenças do antes e depois?" Todas!! Muito mais apetência aeróbica, mais resistência e uma melhor performance desportiva, muito melhor paladar e uma mota nova, pois os euros mensais também contam... e muito.

 

Algum conselho para quem fuma... Sem papas na língua é um simples: "Deixem essa merda."

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Convidamos também o nosso amigo Pedro Conceição a deixar o seu testemunho como ex fumador:

 

Iniciei tarde a minha vida desportiva. Na altura fumava cerca de 20 cigarros por dia. Há 10 anos, um amigo desafiou-me para ir dar uma volta de bicicleta por Monsanto. Embora tivesse sido uma tarefa hercúlea, gostei da sensação de liberdade e de superação pessoal que aquela manhã de BTT me deu.

 

A história que se seguiu deve ser semelhante à de tantas outras pessoas, as distâncias percorridas a bicicleta ou a pé foram aumentando e a vontade de chegar mais longe também! Uma das principais decisões que daí adveio foi o deixar de fumar.

 

O desporto não foi a razão que suportou a decisão, mas foi o grande facilitator. No entanto, sabia que a tarefa não era fácil e recorri de imediato a ajuda externa. A acupunctura deu-me uma grande ajuda. Não retirou a vontade de fumar por completo, mas diminui muito a dependência física.

 

E quanto mais tempo passava sem fumar, mais vontade tinha de me superar desportivamente. A confiança que sentia em estar a deixar de fumar, aumentava a vontade de me superar cada vez mais no desporto e os resultados eram visíveis, pois sentia-me cada vez melhor em não fumar, não só no desporto, mas no quotidiano também.

 

Que tal? Vamos lá começar o ano novo sem o tabaco?

"Estou com os pés todos #%didos!" - Dez dicas para que não digas mais isto.

Os pés são uma parte fantástica do nosso corpo devido à sua complexidade, se pensarem bem nos mais diversos de movimentos que conseguimos fazer com eles, talvez tenham uma noção o que quero dizer.

 

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O nosso pé composto por 26 ossos, tendões, músculos, ligamentos, arterias, entre outros, sendo que a sua função primária é nos dar condições para sustentar o corpo, para caminhar, saltar, correr, etc... Basicamente todos os movimentos que estejam relacionados com o equilíbrio o pé está envolvido, daí ser da máxima importância que cuidemos bem deles, principalmente nós que os usamos de uma forma mais "viva".

 

Deixo seguir uma lista de dez dicas de cuidados com os pés:

 

1. Sapatilhas adequadas

Correr com o calçado adequado para a nossa morfologia e de acordo com a actividade que estamos a desempenhar é fundamental para não termos desconforto nos pés e isso não progredir e resultar em lesões, pois são as sapatilhas que nos vão ajudar e muito na absorção do impacto.

Façam o teste da passada, invistam algum tempo a pesquisar ou procurem alguém com mais experiência para vos aconselhar e leiam o que o Tiago escreveu neste magnifico post, pois acredito que vai ajudar. Fora da actividade física, devem devem importar esta boa prática.

 

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2. Meias

Por vezes são negligênciadas, mas um bom para de meias é quase tão importante como as sapatilhas, por sorte são mais baratas o que possibilita que exprimentemos mais modelos e marcas até encontramos a que funciona bem connosco. Elas são uma das principais aliadas para evitar o aparecimento de bolhas, mas devem prestar atenção à sua composição, devem ser leves, de preferência sem costuras e de material que não absorva muita água, para promover a transpiração, por isso atenção ao algodão.

 

3. Unhas

Unhas grandes e compridas são para as meninas da Ribeira do Sado, as unhas de um corredor devem sempre estar bem aparadas para que não toquem na zona frontal da sapatilha, mas ao mesmo tempo, não muito curtas de forma a que não se cravem no dedo do pé ao fazer pressão sobre este.

 

4. Hidratar os pés

Manter a elasticidade da pele na zona dos pés é essencial, para evitar o aparecimento dos calos, gretas e bolhas durante a actividade física. Aplicar um diariamenete creme hidratante, próprio para pés, resolve facilmente esta situação e rtambém é uma boa pratica reforçar esta aplicação antes de ir treinar.

 

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5. Relaxamento

Correr provoca bastante stress na zona dos pés, pois é a primeira parte do nosso corpo a "levar com a pancada". É uma boa prática após uma actividade física mais intensa ou uma vez por semana, colocar basicamente os pés a " marinar". Encham um recipiente com água morna e temperada com sal, isto vai promover uma melhor circulação sanguínea e relaxar os pés. Sugestão, para activar ainda mais a sensação de relaxamento coloquem um pouco essência de lavanda na água e uma pedras redondas tipo aquário no fundo e brinquem com elas enquanto relaxam.

 

6. Massagem terapêutica

Muitas vezes só nos lembramos delas quando temos uma lesão, contudo e acima de tudo elas devem ser usadas como prevenção. Fazer uma massagem terapêutica regularmente vai permitir que tudo esteja no sitio certo.

Sim, as massagens custam dinheiro, mas como prevenção podem usar uma bola de ténis ou um rolo da massa e rolar a planta do pé neste objectos, no YouTube encontram vários exemplos que podem seguir.

 

7. Gelo

Treinos mais longos ou mais puxados, podem provocar um certo inchaço nos pés e sensação de quente, um boa forma de colmatar estes sintomas rapidamente é mergulhar os pés em gelo ou água bem fria, para além de diminuir o pico de inflamação contribui para uma sensação de bem estar imediato.

 

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8. Fortalecer

Como já referi acima, os pés tem um papel predominante na corrida, logo os seus musculos devem estar bem fortalecidos para um melhor desempenho. Como? Deixo aqui umas sugestões de exercicios.

Andar em bicos de pé: Um exercicicio que pode ser feito com toda a facilidade em casa.

Apanha o lápis: Colocar um lápis no chão e tentar apanha-lo com os dedos dos pés;

Puxar uma toalha: Com um conceito semelhante ao do lápis, colocar uma toalha no chão e começar a puxa-la para debaixo da planta do pé com os dedos;

Andar sobre os extremos: É basicamente andar muito de devagar e com movimento muito prenunciados, atacando o solo com o calcanhar depois ir desenrolando até aos bicos dos pés;

 

9. Fungos e Bactérias

Seja nas unhas, entre os dedos, os fungos são sempre indesejáveis mas para quem pratica desporto, pelo menos uma vez já nos deparamos com eles. O procedimento para prevenir passa por lavar os pés diariamente com um sabão anti bacteriano, isto vai prevenir o aparecimento de bactérias e evitar aquele "cheirinho bom" proveniente dos pés. Para além disso as sapatilhas deve ser desinfectadas no seu interior com um spray higienizante.

Caso queiram ser mais rigidos no aparecimento de fungos devem usar um spray antifúngico aos primeiro sinais de comichão.

 

10. O mais importante

Revisitar esta lista com regularidade, se me perguntarem se cumpro estes passos todos, obvio que não, por isso estou a escrever este post quase como um recordatório do que tenho também eu de fazer.

 

Boas corridas e cuidem dos vossos pés.

O lado perigoso de correr

marathon-1Dia 7 de abril é dia mundial da Saúde. Todas as revistas, jornais, blogues, etc., vão tentar apelar a um estilo de vida mais saudável, com mais exercício e melhor alimentação. E nós somos apologistas do mesmo.


Mas hoje gostaria de falar de um outro ponto de vista. Para aqueles que começaram a correr há dois, três ou cinco anos, por exemplo, ou mesmo aqueles que começaram há meses, estão a cuidar do vosso corpo correctamente?

A prática de desporto (que é diferente de ser atleta) é salutar desde que seja feito dentro do bom senso e de alguns limites biomecânicos do organismo. Não existe qualquer atleta de alto rendimento ou de alta competição que não crie mazelas no corpo, seja internas ou externas. Isto porque fazer exercício físico tem consequencias. E em excesso, ou intensidades elevadas, é a receita certa para estarmos a castigar o nosso corpo.

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(Não percebo porque não consigo emagrecer depois daqueles cinco minutos diários de step)


Meia Maratona, e agora?
Muita gente que começou a correr recentemente, vai pela "moda" ou pela pressão social procurar metas mais elevadas, sem que coloque em primeiro plano o que efectivamente quer. Vê-se muita gente a fazer Meias Maratonas em três horas ou mais, por exemplo, (com maus vícios de treinos, muito má alimentação, sem preparação mental, sem plano de corrida), e mal acaba começam logo os elogios no Facebook "és o(a) maior","és um exemplo para todos","já ganhaste a todos os que ficaram no sofá","queria ter a tua força de vontade","máquina!!!".

E todo o sofrimento que passou durante 3 horas? E todo o mal que fez ao corpo, aos músculos, tendões, órgãos internos? Boa parte dessas pessoas são pessoas com excesso de peso ou com vida extremamente sedentária.

 

Já nem vou falar da recente moda do trail onde o que interessa é a superação interna... Nem que seja preciso seis horas para fazer um trail de 25km. Que impactos aquelas seis horas vão ter no corpo?

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(Um dos impactos em fazer corrida com excesso de peso ou sem preparação)

 

Ganha-se o quê com este tipo de provação? Conseguem correr um pouco mais rápidos do que muitos caminham para o trabalho? Sinceramente! Já pensaram no mal a curto e longo prazo que estão a fazer ao corpo ao aventurarem-se em empreitadas que são muito acima do que deveriam fazer com essa condição física?


Fator psicológico:
Será que esta bajulação pela mediocridade humana é a melhor solução que temos para oferecer para quem procura melhor saúde, e um melhor estilo de vida? Não se deveria primeiro começar por cada um tentar aperceber-se do que está mal na sua vida e se quer MESMO mudar, tentar procurar onde o fazer, com tempo, plano e por etapas?

Começar a correr hoje e daqui a um mês estar a fazer treinos de 15 km é de loucos para 99% das pessoas sedentárias. Começar a correr provas de 21 ou 42 km com mais de 100 kg para estaturas normais, é de loucos.


Comece-se a trabalhar a mente primeiro. Porque não fazer evoluir a força de vontade para comer menos, por exemplo, se o problema for excesso de peso? Ou arranjar rotinas criativas mas regulares para os treinos, a fim de deixar o corpo aprender com o aumento de esforço, absorver tudo o que é novo e que vamos passando?


Aumentar a distância e/ou a intensidade dos treinos/provas de uma maneira calma e pensada é das melhores coisas que podemos fazer para ter saúde.

 

Ser atleta:
Hoje em dia, com este boom enorme da corrida, toda a gente é atleta! Ser atleta (em qualquer desporto) implica, disciplina, treino constante, alguns sacrifícios sociais e pessoais e muito suor e "sangue". Ser atleta não é treinar 1 vez por semana ou 2 vezes por mês no nosso treino social da colectividade durante 45 minutos. Praticar desporto como actividade recreativa e de melhoria de condição fisica não é ser atleta!

Mas todos pensamos que porque fazemos actividade física, já o somos! "Boa, saíste do sofá. Estás um atleta!!!".

Depois vemos o rácio entre corredores regulares e atletas "profissionais" de alto rendimento a cair a pique. Claro, quase toda a gente pensa que ser atleta é ir arrastar-se para uma prova. E depois ao longo dos anos vai-se alternando a realidade do que é ser atleta e do que é ser saudável. Muita gente esquece que prova = competição. Ponto!

 

Quem quer ir treinar ou fazer uma corrida social, pode fazê-lo todos os dias e a qualquer hora. As provas são o lugar supremo para as pessoas se compararem umas às outras. É por isso que foram criadas já há muito tempo.

 

Quem as usa para passear deveria mudar de mentalidade rapidamente. Uma coisa é treinar para um evento maior, onde estamos a dar o nosso melhor naquela altura. Outra é ir tirar fotos a quase tudo o que se apanha pelo caminho e acabar junto aos vassouras a rir e a divertir-se como se fosse uma coisa natural.

 

Dai se calhar que a Horizontes (organizadora de várias provas em Portugal) tenha razão ao querer criar o movimento do "maraturismo". "Vamos fazer uma maratona mas é na brincadeira. Seu malandros a pensar que vamos correr..."

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(Isto é diversão enquanto corremos pelo simples gozo )

 

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(Isto é competição. Seja que condição tivermos, é para deixar o suor)


O longo prazo:

Comecei a correr fez há três dias atrás cinco anos. Neste tempo evolui imenso na minha preparação, perdi cerca de 20/22kg conforme o mês e cometi muitos, mas muitos erros de estratégia e esforço. Mas aprendi muito com esses mesmos erros e agora consigo treinar um pouco melhor e ter um pouco de melhor condição física e mental.

No entanto olho com pesar para muitos dos que conheci nessa altura quando entrei no mundo dos loucos da corrida e vejo que agora passam mais tempo aleijados do que a fazer aquilo que gostam. Excesso de treino, falta de descanso, falta de recuperação activa, falta de nutrientes correctos porque queriam perder peso rapidamente, de tudo um pouco. E penso que cada um de vocês conhece alguém nestas circunstâncias.

Neste dia mundial da Saúde, o que vos peço é que reflictam e pensem se efectivamente o que estão a fazer é a melhor opção para a vossa saúde: física e mental. Nem sempre andar com o nosso corpo no "redline" é sinonimo de ter saúde. Pelo menos no longo prazo.

Não se esqueçam de ter prazer naquilo que fazem e pensar que o gostariam de fazer até serem velhinhos. Vá, pelo menos até à idade da Lili Caneças que já não será fácil passar dos 100 anos e mantermo-nos activos...

 

Vão correr, divirtam-se nos treinos dentro do que cada um de vós consegue fazer. E riam muito enquanto o fazem. Depois quando forem para a competição, mudem o chip! Mas isso já são outros 500's...

 

Bons treinos. 

 

Desporto e vida saudável, um equilíbrio complicado?

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Porque corremos, nadamos, fazemos CrossFit, ou qualquer desporto?

 

Entre muitas respostas possiveis, a resposta de muitos será, "porque quero perder uns quilos a mais", e de outros "porque quero estar e ser saudável!". Será mesmo assim? 

 

Se tivermos em conta que um atleta de alta competição faz mais desporto que qualquer um de nós seria de esperar que  fossem bastante mais saudáveis que nós. No entanto, dado o alto impacto e exigência a que se colocam, as lesões são frequentes e muitas vezes graves.

 

Se tivermos em conta muitos de nós, que nos dedicamos apaixonadamente a um desporto enquanto amadores, mas não temos em conta os limites do nosso corpo e, como o atleta de alta competição, exigimos mais do nosso corpo do que ele está efetivamente apto, as lesões são, e não deveriam ser, quase inevitáveis.

 

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Para que assim não seja há um conjunto de fatores importantes que aliados ao desporto de paixão que praticamos são essenciais para nos mantermos saudáveis, como é o caso da alimentação, descanso, amor, etc.

 

O nosso corpo é uma máquina complexa, e consoante as exigências a que o colocamos, responde de forma mais ou menos eficiente, mais ou menos saudável. Também do ponto de vista psicológico e emocional o equilibrio influencia o modo como nos sentimos e como o corpo responde. 

 

É sobre este equilibrio que  vos quero falar, e é este equilibrio que tenho procurado, e para o qual tanto o desporto, como a alimentação, o descanso, o amor, etc., contribuem.

 

Se nos últimos meses, após alguns meses de paragem por lesão, consegui voltar a treinar com a regularidade que gosto, importante para o meu equilibrio físico e emocional, devo-o em grande parte à terapeuta Sara Dias.

 

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Complementando as componentes que já vos falei, a alimentação, descanso, componente emocional, etc, necessitamos de complementar os desiquilibrios físicos, sejam eles derivados de excessos físicos e mesmo stress, com o conhecimento medicinal de quem melhor que nós sabe como o corpo funciona.

 

Tem sido com o acompanhamento da naturopata Sara que tenho reencontrado aos poucos este equilíbrio fisico, que se encontrou desiquilibrado durante bastante tempo derivado a lesão e muito stress.

 

Associando o muito conhecimento anatómico, com a aplicação de técnicas naturais e muita paciência e dedicação, a Sara conseguiu debelar a lesão que tive no pé, bem como os muitos desiquilibrios que tenho tido, provocados pelo excesso de carga fisica e stress.

 

Para todos os que, como eu, gostam de treinar e fazer desporto regularmente, e procuram melhorar as suas prestações desportivas, deixo-vos um conselho, vão conhecer o trabalho da Sara no espaço Saúde de Corpo e Alma.

 

Seja para validar aquela dor estranha que teima em aparecer quando correm, ou para pôr a mexer aquele ombro que não mexe, ou ainda para sair de lá com as pernas prontas para a próxima prova - a diferença entre o antes e o depois de uma sessão é evidente.

 

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Se o desporto e a vida saudável são um equilibrio complicado, são profissionais assim que nos ajudam a andar mais equilibrados e por isso merecem o reconhecimento do seu trabalho.

 

Obrigado Sara!

Os benefícios da Corrida para a nossa Saúde

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Já muito se escreveu sobre os benefícios da prática desportiva na saúde e as melhorias para o nosso bem-estar que uma corrida regular pode trazer.

 

No entanto, nunca é demais relembrar que uma corrida bem enquadrada no nosso dia-a-dia, sem causar stresses no ambiente familiar e profissional, melhora significativamente a nossa saúde e traduz-se numa panóplia de benefícios diretos e indiretos, que serão mais ou menos intensos e marcantes quanto mais o nosso treino for regular e moderado.

 

Benefícios diretos

 

  • Melhoria do funcionamento do sistema cardiovascular e consequente redução do risco coronário o que se traduz numa menor probabilidade de enfarte;

 

  • A corrida, mesmo moderada é suficiente para elevar as taxas de colesterol bom no sangue (HDL), lipoproteína de alta densidade;

 

  • Diminuição dos triglicerídeos, um tipo de gordura presente no sangue, que quando está acima de 150 ml/dL em jejum, aumenta o risco de doenças cardíacas e de derrame por exemplo;

 

  • Melhoria da circulação sanguínea;

 

  • Redução da frequência cardíaca-base;

 

  • Aumento do VO2 máximo e do débito cardíaco e consequente melhoria da oxigenação dos músculos;

 

  • Baixa ligeira da pressão arterial através da redução das resistências periféricas. Através da vasodilatação conseguida pelo exercício físico o sangue circula melhor nos pequenos vasos sanguíneos situados nas extremidades do corpo;

 

Benéficos indiretos

 

  • Redução do tabagismo e diminuição da vontade de fumar;

 

  • Perda de peso e/ou diminuição do volume abdominal;

 

  • Alívio da tensão acumulada;

 

  • Baixa da tensão arterial fruto de novos hábitos, menos tabaco, menos peso e menos stress;

 

  • Modificação dos hábitos e da dieta alimentar.

 

Apesar de todos os benefícios supramencionados é preciso ter alguns cuidados quando se inicia na prática de qualquer atividade física tais como marcar uma consulta com o nosso médico e de preferência efetuar exames médicos completos antes de dar os primeiros passos no mundo da corrida.

 

Alguns fatores de risco condicionam a prática da corrida e necessitam de apoio médico de forma a assegurar que podemos começar a correr de forma regular. Tabagismo, hipertensão arterial, obesidade e diabetes são alguns desses fatores de risco.

 

Da mesma forma, correr de forma exagerada e sem respeito pelo nosso corpo ou períodos de descanso é prejudicial para a nossa saúde.

 

Os efeitos mais favoráveis da corrida para a saúde decorrem da prática com um ritmo cardíaco inferior a 80% do nosso máximo. A aposta deve ser em primeiro na resistência e não na velocidade.

 

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