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Correr na Cidade

Queres deixar de fumar? Começa a correr.

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Num jantar do Correr na Cidade apercebemo-nos que há vários casos de pessoas que deixaram de fumar porque começaram a correr. Fantástico, não? Por isso, hoje decidimos inspirar-vos com dois casos: o João Gonçalves e o Pedro Conceição.

 

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Quando perguntamos ao João Gonçalves: "Porque é que começaste a fumar?" Ele respondeu: Esta é uma pergunta tão estúpida como a própria resposta, mas é uma questão que qualquer fumador se depara com ela ao longo da sua vida. Ninguém começa a fumar porque gosta. Sabe mal, tossimos mas à medida que insistimos no erro, o gosto e o prazer acaba por se instalar em nós, a sensação de bem estar e relaxamento acaba por ser forte e quando menos se espera aquele cigarro às escondidas uma vez por dia acaba por se tornar naquele maço diário ao qual não conseguimos fugir... isto chama-se vício...

 

"Quando começaste a fazer desporto fumavas?" Ohh yeahh!!! Um maço por dia nos dias normais, se existisse saida à noite, este número podia subir para outros :-) Se isto influenciava a minha performance desportiva, na altura achava que não, fazia ginásio, corrida, inclusive nas provas de Trail levava o maço como equipamento obrigatório, brincava que o levava pois caso me lesionasse e tivesse de esperar por ajuda podia fumar um... parvoíces...

 

"Então porque razão deixaste de fumar?" Como fumador sempre tive a consciência que o tabaco não é saudável e saiba que um dia iria deixar, só tinha de esperar pelo momento certo, tinha de ser num momento em que queria mesmo parar é que a vontade de deixar fosse maior que o desejo. Como qualquer drogado, se o próprio não quiser deixar o vício, não vale a pena parar pois vai acabar por reensidir na adição. E um acordei e quis em consciência deixar de fumar e procurei ajuda - marquei para aquela clínica de Beja que muita gente "fumadora" fala e com 80€ deixei o vício.

 

"E diferenças do antes e depois?" Todas!! Muito mais apetência aeróbica, mais resistência e uma melhor performance desportiva, muito melhor paladar e uma mota nova, pois os euros mensais também contam... e muito.

 

Algum conselho para quem fuma... Sem papas na língua é um simples: "Deixem essa merda."

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Convidamos também o nosso amigo Pedro Conceição a deixar o seu testemunho como ex fumador:

 

Iniciei tarde a minha vida desportiva. Na altura fumava cerca de 20 cigarros por dia. Há 10 anos, um amigo desafiou-me para ir dar uma volta de bicicleta por Monsanto. Embora tivesse sido uma tarefa hercúlea, gostei da sensação de liberdade e de superação pessoal que aquela manhã de BTT me deu.

 

A história que se seguiu deve ser semelhante à de tantas outras pessoas, as distâncias percorridas a bicicleta ou a pé foram aumentando e a vontade de chegar mais longe também! Uma das principais decisões que daí adveio foi o deixar de fumar.

 

O desporto não foi a razão que suportou a decisão, mas foi o grande facilitator. No entanto, sabia que a tarefa não era fácil e recorri de imediato a ajuda externa. A acupunctura deu-me uma grande ajuda. Não retirou a vontade de fumar por completo, mas diminui muito a dependência física.

 

E quanto mais tempo passava sem fumar, mais vontade tinha de me superar desportivamente. A confiança que sentia em estar a deixar de fumar, aumentava a vontade de me superar cada vez mais no desporto e os resultados eram visíveis, pois sentia-me cada vez melhor em não fumar, não só no desporto, mas no quotidiano também.

 

Que tal? Vamos lá começar o ano novo sem o tabaco?

Disidrose: O que é isso?

O meu post não é propriamente sobre corrida, mas sobre algo que me afectou pessoalmente e que em conversa com outros atletas percebi que é mais comum do que imaginava...

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Reparei no final de Maio, quando efectuei uma transição profissional relevante e fiz a minha primeira ultra maratona, depois de um treino de trilhos em Monsanto, que estava a desenvolver uma erupção cutânea em forma de pequenas bolhas de água no peito do pé esquerdo. A coisa não passava de uma manchinha avermelhada com pouco mais de 1 cm de diâmetro e convenci-me que tinha sido alguma coisa que tinha entrado para dentro da sapatilha e picado. Não lhe prestei muita atenção mas era persistente a sensação de comichão. Quando me consciencializei que já tinha passado demasiado tempo para que tivesse sido apenas uma situação isolada reparei que a pequena mancha rugosa e avermelhada já tinha aumentado significativamente e sempre que coçava o pé as bolhas facilmente rebentavam e o eczema tornava-se cada vez mais forte. Era constante a sensação de comichão tanto com os sapatos do trabalho como com as sapatilhas de trail, sendo por isso bastante desconfortável.

 

O caso tornou-se mais alarmante quando me apercebo de novas formações cutâneas junto aos dedos dos pés. Seria algum fungo que tivesse apanhado na natação? Seria contagioso? Que cuidados deveria de ter? Naquele momento apenas aplicava localmente Halibut para ajudar a secar as pequenas bolhas e mantinha uma toalha turca que usava especificamente para secar os pés depois do banho.

 

Falando com outras pessoas que tanto correm regularmente como praticam natação apercebi-me que haviam mais relatos dos mesmos sintomas, não sendo por isso um caso isolado! Pelo que identifiquei na sua maioria tratavam estes sintomas como se fosse uma micose (infecção causada por fungos) com a aplicação de cremes específicos para esse cenário. Nuns casos houveram melhorias, noutros nem por isso. A verdade é que pelos meus sintomas não encontrava grande semelhança ao vulgarmente conhecido “pé de atleta” e então resolvi investigar um pouco mais antes de marcar uma consulta no dermatologista.

 

Obviamente que qualquer pesquisa ao Dr. Google sobre temas de saúde tem de ser feita com algum distanciamento emocional porque encontra-se de tudo, e um diagnostico de um especialista dermatológico é importante e insubstituível. Mas com alguma pesquisa julgo ter encontrado a minha resposta: Disidrose.

 

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O que é?

A disidrose, também conhecida como eczema (dermatite), é uma doença ainda desconhecida que se caracteriza por erupções de bolhas (vesículas) nas mãos e pés, resultantes, provavelmente, da retenção de suor entre as células da epiderme.

A palavra disidrose (dis=defeito e hidrose=produção de água ou suor) foi usada pela primeira vez em 1873, porque na época acreditava-se que a doença era causada por distúrbios sudoríparos. Actualmente a disidrose é considerada uma reacção eczematizada e inicia-se com prurido (comichão) e assume características peculiares por atingir mãos e pés, onde a pele tem características especiais, sendo mais espessa. O prurido pode ser tão intenso, que o acto de coçar rompe as bolhas que eliminam um fluído transparente. O líquido presente nas lesões resulta de um processo inflamatório.

 

Causas

Não se sabe exactamente o factor que leva ao desenvolvimento da disidrose, entanto, acredita-se que esteja correlacionado com o stress, suor excessivo, contato constante com ambientes húmidos e, em alguns casos, gravidez devido às alterações hormonais que afetam a pele . Utilizar meias e sapatos apertados no verão, por exemplo, pode ser uma das causas de disidrose nos pés. Já nas mãos pode ser algo decorrente do contato com substâncias químicas, como detergente, sabão ou luvas de borracha.

A causa especifica é desconhecida, sendo em alguns casos sazonal (apenas em algumas épocas do ano). A disidrose não é contagiosa.

 

Sintomas

As manifestações clínicas ocorrem em surtos que se repetem e duram de uma a duas semanas. O sintoma mais comum associado à disidrose é o prurido (comichão) em que o coçar faz rebentar as bolhinhas e podem surgir crostas.

As vesículas causadas pela disidrose são bolhas muito pequenas e surgem mais frequentemente nos lados dos dedos e palmas das mãos, as solas dos pés também podem ser afectadas, do calcanhar para o dedo do pé.

Geralmente, as bolhas são pequenas e ocorrem em grupos, mas em casos graves as pequenas bolhas podem se juntar para formar bolhas maiores.

Após cerca de três semanas, quando as bolhas secam a pele subjacente pode ser vermelha e estar dorida.

Esta reacção da pele também pode afectar a matriz das unhas que torna-se disforme. A deformação da unha passa quando a disidrose cura.

A disidrose tende a repetir-se com bastante regularidade durante alguns meses ou anos. É importante que seja consultado um médico especialista para confirmar que as vesículas não possuem origem fúngica.

 

Tratamento

Na maioria das vezes a disidrose tem resolução espontânea e não requer qualquer tratamento. No entanto como medida generalizada, dependendo da gravidade dos sinais e sintomas, as opções de tratamento incluem:

 

  • Cortisona. Os medicamentos sob a forma de creme e pomada de cortisona podem tornar mais rápido o processo de cicatrização das bolhas. Mas atenção os efeitos colaterais da cortisona podem ser graves quando usados por um longo período de tempo;
  • Uréia. Na farmácia você pode comprar cremes à base de uréia que tem um efeito esfoliante e hidratante na pele;
  • Vitaminas. As vitamina A e E podem promover a saúde da pele, particularmente em casos de desnutrição;
  • Óleo de coco extra virgem.  Extraído  o interior de um coco maduro o óleo de coco tem múltiplas aplicações. Desde a nível culinário como substituto benéfico dos óleos alimentares, sobretudo do azeite que perde as suas propriedades benéficas quando exposto a altas temperaturas,  até ao nível da estética, como o cuidado da pele e cabelo. Nos sintomas de disidrose é necessário aplicar uma pequena quantidade de óleo de coco sobre as palmas das mãos, esfregar sobre as áreas afectadas e cobrir com luvas ou meias de algodão para potenciar os efeitos de hidratação nas zonas afectadas;
  • Sal de Epsom. O sal de Epsom é um mineral natural que ajuda na remoção de ácidos indesejáveis da pele, sendo por isso amplamente utilizado por atletas em fases de recuperação. Para ajudar no eczema disidrótico pode-se colocar algumas colheres deste sal em uma bacia de água morna até que se dissolva completamente e colocar as mãos ou pés na água por 10-15 minutos. Também pode ser aplicado num banho de imersão através da adição de cerca de 450 gramas em uma banheira de água morna.Isto ajuda a reduzir o inchaço e vermelhidão causada por lesões cutâneas e amacia as borbulhas permitindo a sua drenagem.

 

 

Cuidados que evitam a disidrose:

  • Evitar humidade e calor nas áreas afectadas
  • Usar meias de algodão e sapatos com sola de couro;
  • Não usar sapatilhas ou outro calçado feito de materiais sintéticos;
  • Retirar os sapatos e as meias frequentemente de modo a que o suor evapore;
  • Usar luvas de vinil forrado com algodão para evitar o contacto com substâncias que possam irritar as áreas como a água, sabão, detergente;
  • Lavar o interior das luvas após o uso;
  • Substituir frequentemente as luvas;
  • Remover anéis antes de fazer o trabalho doméstico ou de lavar as mãos;
  • Usar sabão neutro;

 

Encontro neste resumo daquilo que pesquisei não só todos os sintomas como muitos pontos comuns que potenciam este cenário, tal como o stress ou o tipo de calçado a que fui exposta relativamente ao novo projecto profissional.

 

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Neste momento já não tenho quaisquer sintomas de disidrose. Como?

Com umas boas férias de havaianas nos pés e uns bons banhos de água de mar! :)

 

 

Cuidem-se e em caso de sintomas persistentes consultem o vosso médico!

6 Suplementos... Dezenas de benefícios

Por João Gonçalves:

 

És a favor ou contra a toma de suplementos?

 

Este é sempre um tema polémico e há inúmeras razões válidas do lado do sim, outras tantas do lado do não, contudo vou dar-te a minha opinião e partilhar meia dúzia de suplementos mais básicos que contribuem para uma melhor performance.

 

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Sou a favor mas...

 

Há sempre um mas... e antes de começar quero apenas esclarecer um tema muito simples, que todos devemos ter em mente antes de começar a suplementar - a principal fonte de nutritentes do nosso corpo deve partir sempre da nossa alimentação - somente de tivermos um estilo de vida muito activo e acharmos que temos algum "gap" devemos usar este tipo de produtos.

Esclarecidos? Mais uma vez nenhum suplemento substitui uma alimentação saudável e equilibrada.

 

Seguindo em frente...

 

Vou dar apresentar aqui um panorama geral, mais  básico sobre alguns suplementos que podem ajudar a melhorar a performance sem no entanto serem "agressivos" (se é que me entendem) para o corpo e que pessoalmente tomo ou já tomei para culmatar alguma falha.

 

Omega 3

Na minha opinião este é um dos básicos e talvez dos mais importantes, pois os efeitos benéficos são imensos e vão deste a redução dos níveis de colesterol e triglicerídeos, redução da pressão arterial e o mais importante na minha opinião para quem pratica desporto é o facto de contribuir para a redução da inflamação, é verdade que o podemos ingerir de forma natural, a forma mais comum é através do consumo de peixes gordos, mas façam este exercício comigo - Quantas vezes comem este tipo de peixes por semana? 3 ou 4 vezes, pois se calhar não...

 

Muti-vitaminico 

Os multivitamínicos contêm uma mistura de micronutrientes essenciais para o bom funcionamento do organismo... Mas é mesmo fundamental? Se tiveres uma alimentação totalmente perfeita, um multivitaminico não te irá trazer muitos benefícios, contudo e penso que para muitos de nós este cuidado com a alimentação não é levado a este ponto, principalmente na ingestão de frutas e vegetais, assim desta forma um bom multivitaminoco é sempre um bom aliado.

 

Proteína Whey

O que é isto? É provavelmente a rainha dos suplementos... Whey ou proteína de soro de leite, é um subproduto da produção de leite de alto valor biológico, facilmente absorvido pelo corpo, com a vantagem que este tipo de proteína tem uma alta tolerabilidade, mesmo em pessoas mais sensíveis, contribui para o aumento e manutenção da massa muscular magra, equilibrando algumas deficiências nutricionais de aminoácidos e mineraris essenciais, contribuindo para acelerar a regeneração após a actividade física reduzindo os sintomas de overtraining. Contudo devo alertar que um consumo elevado de proteína em pessoas com problemas renais não é aconselhável, pessoalmente utilizo um rácio de 1 grama por cada 1/2 kg de peso corporal, portanto tenham por favor atenção a este tema.

 

ZMA

Quantos de nós é que já não dissemos - Estou a precisar de dormir melhor? 

ZMA, é uma combinação de Zinco, Magnésio e vitamina B6, para além de muitos benefícios relacionados, entre outras, com a recuperação muscular, redução de caimbras e das tensões musculares, o principal ponto a favor deste suplemento é ajudar na qualidade do sono pois promove um relaxamento do corpo durante esta actividade, o que irá proporcionar uma melhor recuperação muscular.

 

Glucosamina e Condraina

Estes dois elementos fazem parte da estrutura das nossas articulações (tendões, ligamentos, cartilagens e no fluído que as rodeia) pelo que a suplementação destes reforça todas estas estruturas e previne a sua degradação.

Promove a redução do inchaço nas articulações e diminuição de dor em caso de lesão aumentando a capacidade do corpo restaurar a cartilagem e melhorar a flexibilidade das articulações.

 

L-Carnitina

Como em muitos outroscasos, o nosso corpo tem a capacidade de produzir este aminoacido a partir de outros, contudo para quem pratica desporto, um empurrão através de uma suplementação adequada irá trazer alguns e bons benefícios. A L-Carnitina desempenha um papel importante no metabolismo da gordura, uma vez que faz o transporte dos ácidos gordos para o sitio exacto onde é produzida a energia que utilizamos, contribuindo assim para uma melhor combustão da gordura e devido a este facto, a um aumento da produção da energia, levando a uma melhor performance e uma poupança do glicogénio muscular uma vez que o este tem energia disponível de uma forma mais efectiva.

 

 

Estes são são alguns de suplementos mais básicos, existem muitos outros, que podemos abordar num outro artigo caso haja esse interesse, contudo o mais importante a ter em mente, e não me canso de dizer isto, é que uma alimentação equilibrada, descanso e treino é de facto o essencial e é isso que traz benefícios, contudo, caso a componente treino seja bastante grande convém efectuar alguma suplementação, mas lá está, esta tem de ser merecida. Gastem o vosso dinheiro com prudência, actualmente existem muitas marcas e disponíveis no mercado, por isso, não vou falar acerca da toma, pois esta varia um pouco de marca para marca.

 

Este é o meu kit de sobrevivência, qual é o vosso?

Superação: Estamos a entrar no exagero?

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Por Tiago Portugal:

 

O fenómeno da corrida veio para ficar, seja em estrada ou nos trilhos, são cada vez mais os portugueses que se deixam conquistar por este desporto. Ao longo do meu trajeto de comboio para o trabalho e vice-versa (Estoril-Lisboa) vejo com satisfação cada vez mais praticantes desta modalidade. Cais-do-Sodré, Alcântara, Belém, Algés, Oeiras, são alguns dos locais onde consigo observar muitos corredores. Se o ano passado, 2014, quase que podia contar com os dedos de duas mãos os que vislumbrava a correr logo pela manhã, hoje perco-me na contagem, e é curioso mas vejo mais mulheres do que homens.    

 

De igual forma, as provas de atletismo multiplicam-se, quase todos os fins-de-semana existem pelo menos 2 a 4 provas, divididas entre estrada e trilhos, quando não são mais. O cardápio de provas continua a crescer e a diversidade também. Estará para breve uma Spartan Race em Portugal? A oferta é muita e variada e acompanha o crescimento contínuo da procura. Talvez em 2016 uma prova de corrida que vá desde o Algarve ao Norte, 560Km, Portugal de lés a lés, fica a ideia. Acho que pelo menos durante mais uns 2 anos será assim, e vocês o que acham?

 

Mas todo este crescimento suscita-me algumas dúvidas.

 

Quantas destas provas ainda existirão daqui a 2/3 anos? Se algumas organizações são competentes e as provas bem planeadas e estruturadas  também existem muitas outras que tem como único objetivo a componente financeira, sem se preocuparem muito com os atletas e o aspeto lúdico, chegando a colocar em alguns casos a própria segurança dos participantes.

 

Logicamente que o tempo fará uma triagem e existirá uma seleção natural entre as que perdurarão e as que não passarão da 1.ª edição.

 

A segunda questão é a quantidade de pessoas que sem a devida condição física ou a correta preparação se inscrevem em provas, sejam elas de 10k, meias-maratonas, maratonas ou mesmo ultramaratonas. Poderei ter uma ideia preconcebida errada mas acho que correr há seis meses 2 a 3 vezes por semana e ir correr uma maratona não é o mais correto. Não serei o indivíduo mais indicado para abordar este tema, mas cada vez vejo mais pessoas que após vários anos de sedentarismo e de terem começado a correr há 2/3 meses já querem estar a correr provas de 10k ou meias-maratonas e o resultado pode ser desastroso.

 

Qual o tempo necessário de preparação para uma correr uma prova de 10k ou uma meia-maratona? E qual o tempo mínimo de preparação para correr uma maratona? 

 

A minha última preocupação é também ela uma reflexão pessoal, ando eu a exagerar? Será que querer participar em provas de 100k faz bem à saúde? Quais os riscos para a minha saúde de um grande volume de treinos e uma carga intensa? Qual o limite entre o saudável e o exagero?

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Penso muitas vezes numa frase que um grande senhor da corrida me disse, “não vale a pena querer fazer tudo de uma só vez, as provas estão lá para o ano, se não estiverem é porque não eram boas.” Acho que saboreio pouco as minhas vitórias e os meus feitos, pequenos ou grandes, não interessa, são os meus. Acabo um desafio e procuro um novo. Faço 60km e no mês a seguir já quero correr 70km. Estarei certo? Provavelmente não, mas também sei que não ando sozinho neste caminho. Quantas vezes dizemos em tom de brincadeira "Em caso de dúvida vamos à prova grande". 

 

Talvez deva começar a valorizar mais as minhas pequenas conquistas, a ficar contente com a minha evolução, a não desejar tudo para hoje e a aprender a esperar para alcançar resultados sólidos e duradouros. Não queimar etapas. Mas é díficil, inconcientemente somos todos um pouco pressionados com os feitos e as conquistas dos nossos amigos, pelo feed de notícias que lemos quase diariamente. Se eles conseguem por que razão também não irei eu conseguir?

 

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As organizações das provas estão atentas a este fenómeno e estão a aumentar a distância das provas e o grau de dificuldade das mesmas, cada vez mais longas, maior desnível e com maior dificuldade técnica. Conto no calendário de 2015, 9 provas com distâncias de 100 ou mais km, além de muitas outras com mais de 60km. Onde muitos dos participantes são os mesmos.

 

Até onde iremos? Qual o limite físico do corpo humano?

 

Ficam as minhas dúvidas.

 

Boas corridas,  

E tu, já fizeste exames médicos?

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Se corres, danças, nadas, ou praticas yoga, antes de fazeres qualquer tipo de desporto, pela tua saúde, e pela tua vida, faz exames médicos.

 

Ontem na Meia Maratona de Lisboa, a 200m da meta, faleceu um corredor alemão, de 43 anos, por problemas cardíacos. Eu ía a passar precisamente no sentido contrário, quando vi o aparato, e o enfermeiro a saltar da moto quatro e a iniciar as manobras de suporte básico de vida.

Fui até Algés a pedir aos santinhos, para que aquela pessoa ficasse bem e, ao longo de 8km, deparei-me com mais cinco pessoas no chão a serem apoiadas pelos enfermeiros.

 

Mas será que não percebem, que 21km não são para fazer de ânimo leve?

 

Antes de se preocuparem com o que devem calçar, vestir, ou comer antes de uma meia maratona, comecem pelo básico: aptidão física!

 

Procura junto do teu médico de família, ou médicos da especialidade, seja de desporto ou cardiologia, saber quais os exames que melhor poderão ajudar a estudar a tua capacidade física. Será que o teu coração aguenta mais de 10km em esforço? Será que podes mergulhar sem te preocupares? Será podes efetuar qualquer tipo de esforços sem problemas?

 

Eu em outubro tive de fazer vários exames para perceber as causas da minha tensão alta (sim, sou (ainda) hipertensa!). Descobri que posso correr e saltar sem grandes problemas, porém, não posso mergulhar. Tenho um bater/trabalhar do coração, que apenas me condiciona nesse desporto/hobby.

Se por acaso não soubesse dessa minha condição, e fosse para o mar mergulhar? Se calhar não me aconteceria nada, mas poderia acontecer.

 

O mesmo aconteceu ontem: tu foste correr e nada aconteceu... mas podia ter acontecido!

 

Já marcaste a consulta no teu médico? Não? Então de que estás à espera! Poderá valer-te a vida!

 

Boas consultas!

 

Glucosamina – o que é e em que casos pode ser usada?

Por Ana Morais Guerra:

 

Desde que comecei esta fase da minha vida no “mundo das corridas”, tenho tido algum receio de não estar a fazer as coisas mais corretas, principalmente na proteção dos meus ossos e articulações. E, pelo que percebi junto dos meus amigos corredores, não sou a única a ter esta preocupação.

 

Como a minha atividade está ligada à saúde comecei a procurar informações acerca de fontes alimentares ou suplementos que pudessem fornecer nutrientes que ajudassem a prevenir lesões ou desgaste das articulações.

 

Uma das substâncias que encontrei foi a Glucosamina. Tal como o nome indica pertence à classe dos hidratos de carbono e é uma molécula que está naturalmente presente no nosso organismo. Uma das suas funções é estimular as células formadoras de cartilagem, reduzindo o seu processo degenerativo. Desta forma, tem um papel essencial na prevenção da osteoartrite.

 

A osteoartrite é uma doença crónica que atinge as articulações, provocando a sua degeneração progressiva. Os sintomas desta doença incluem a diminuição da mobilidade da articulação, dor e rigidez. Esta doença atinge, principalmente, as articulações do joelho, ombros, mãos e pés e é mais comum na população com idade superior a 50 anos. Contudo, por motivos genéticos, patológicos ou de grande desgaste, também pode atingir a população mais jovem.

 

 

Existem poucos estudos que comprovem a eficácia da toma de suplementos ricos em Glucosamina e a prevenção ou tratamento da osteoartrite. Um dos estudos que encontrei chama-se “Glucosamine Sulfate Use and Delay of Progression of Knee Osteoarthritis” no site Archives of Internal Medicine. Os resultados deste estudo demonstraram que a administração oral a longo prazo (3 anos) de sulfato de glucosamina pode atrasar a progressão natural da osteoartrite do joelho. Contudo, considero muito importante a realização de mais estudos que comprovem a sua eficácia.

Normalmente, a Glucosamina surge associada à Condroitina nos suplementos alimentares. Esta molécula participa na função articular e, também, está ligada à estrutura dos ligamentos e tendões. Outros estudos demonstraram que, em conjunto, estas moléculas tinham um efeito muito semelhante aos AINE’s (Anti-Inflamatórios Não Esteróides).

 

A dose diária recomendada de Sulfato de Glucosamina ronda as 1500mg por dia durante cerca de 3 meses. Depois deste tempo, é necessário interromper a sua toma e retomar ao final doutros 3 meses. Os efeitos secundários atribuídos a esta molécula estão mais ligados à má digestão e aos efeitos alérgicos, pois esta substância é extraída da quitina (exosqueleto) do marisco e não deve ser tomada por pessoas que tenham este tipo de alergia.

 

Como nota final aconselho que, quem tenha problemas de dor nas articulações quer quando corre quer em repouso, deve realizar exames médicos que comprovem o desgaste ou mesmo a doença articular. A toma de suplementos ricos em Glucosamina pode ser considerada nos casos de dor ligeira ou como medida preventiva.

 

Boas corridas!

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