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Correr na Cidade

A minha maratona de Londres (2014)

Hoje realiza-se a fantástica Maratona de Londres. Uma das mais importantes a nível mundial. Recuperamos os posts do Pedro Tomás Luiz que fez a prova em 2014 a convite da Endeavor Travel & Sports. Como dizem: recordar é viver.



Por Pedro Luiz Tomás:

 

Ainda envolto por uma inebriação digna de um conto do Lewis Carroll, começo a escrever este Race Report. Como sabem estive este domingo em Londres a correr a Maratona, graças a uma parceria entre a Endeavor  Travel e o Correr na Cidade. Durante a minha estadia fui escrevendo sobre as minhas expectativas, vivências e emoções, mas confesso que nada daquilo que pensei, ouvi ou imaginei chegou perto daquilo que vivi.

 

Dia da Maratona:

Como sempre, na véspera tinha organizado metodicamente todo o meu equipamento. Preparei a t-shirt, os calções, meias, sapatilhas, verifiquei o funcionamento do GPS, preparei o dorsal e o cinto com os géis. O transfer do hotel, para a partida estava marcado para as 7h, pelo que acordei por volta das 5:15, para me poder organizar tranquilamente. Às 5:30 eu e o Denis descemos para tomar um bom pequeno almoço, que por norma costuma ser aletria/arroz doce e café, mas dada a falta desses alimentos, lá me safei, com alimentos bem familiares, ovos, fiambre de peru, pão e café (não é dia para inventar em nada, especialmente no que toca a comida).

 

De barriga cheia, regressamos ao quarto onde nos equipamos tiramos a primeira selfie, com um sorriso de quem sabe que nos espera um grande dia.

 

 

No autocarro a energia era vibrante, apesar de ser bastante cedo, todos os corredores iam animados falando, do tempo, da cidade, da prova e da estratégia de corrida. A partida da maratona é feita de três pontos diferentes e faseadamente. Assim tínhamos:

  1. 08:55 Blue Start: atletas em cadeira de rodas;
  2. 09:00 Blue Start: atletas com deficiência (onde estava o grande Pina);
  3. 09:15 Blue Start: elite feminina;
  4. 10:00 Blue Start: elite masculina;
  5. 10:00 Blue, Red e Green Start: restantes atletas.

Tendo sido colocado na Blue Start, fomos levados para um enorme relvado, vedado, onde tínhamos à nossa espera café, chá, leite, água e isótonico, isto para não falar nas centenas de WC alinhados no recinto e devidamente coordenados por elementos da organização. O tempo até à partida foi passado em amena conversa, apanhando um fantástico banho de sol e a hidratar para a prova.

 

 

Cerca das 09:30 dirigi-me ao camião, para deixar o meu saco, que haveria de estar na meta à minha espera. Já no gate 9 percebi que estava na cauda da Blue Start, ou seja teria pela frente corredores bem mais lentos do que eu, não que isso fosse um problema dado que não tinha qualquer intenção de concretizar um tempo especifico. Os meus objetivos para esta prova estavam bem definidos: (1) acabar, (2) de preferência em cerca de 4 horas (os 50km do Piodão ainda estavam muito recentes no corpinho) (3) aproveitar e absorver cada momento desta experiência.

 


 

Às 10h o tiro de canhão supostamente terá dado inicio à corrida (não que tenha ouvido alguma coisa), mas de onde eu estava até à partida foram uns longos 15 minutos.


Começada a corrida, era impossível esconder o sorriso. Com o véu a levantar-se comecei a compreender a verdadeira dimensão desta prova… Além dos milhares de corredores que estavam a correr a maratona, havia o triplo de pessoas a assistirem à prova, mas estas não se limitavam a bater palmas ou a observar, estas pessoas gritavam euforicamente por todos os atletas. Não há palavras que possam descrever aquilo que vi, ou senti.


Ainda só com 3,5 km nas pernas, tive fazer o meu primeiro e único pit stop. Apesar de ter ido ao WC antes de começar a prova, comecei quase à “rasquinha para fazer um chichi”. O chá que bebi estava a fazer os seus efeitos.

 

Ultrapassadas as questões fisiológicas, meti um ritmo bastante confortável, em torno dos 6m/km e o qual eu tinha certeza que me daria para correr até ao infinito. Além disso, mesmo que quisesse correr mais rápido, não teria conseguido, o facto de ter partido muito de trás, obrigava a um ziguezaguear constante e consequentemente a um esforço adicional. Mesmo assim eu e o meu companheiro Manuel Barros (clube do Stress) lá fomos progredindo por entre a multidão.



O percurso passa por muitos lugares emblemáticos da cidade de Londres, sendo que por volta dos 10km surge o grandioso Cutty Sark (o barco e não a bebida), numa curva bem apertada contornámos este magistral barco.

 Mais à frente, por volta do km 20, no dobrar de uma esquina surge de surpresa a Tower Bridge. Aqui, fosse pela energia do público, fosse pela paisagem, senti aquele arrepio no estômago e uma emoção quase transcendental.

 

Passada à ponte pude ver a Tower of London, onde estarão depositadas as jóias da coroa. A partir daqui o percurso abre para ruas mais largas e entra-se numa zona em que é possível ver passar os atletas que já estão a passar o pórtico dos 35km.

A passagem da meia maratona marca uma mudança na minha prova de duas formas. Em primeiro lugar, foi aqui que deixei o meu companheiro Manuel Barros, que apesar de se estar a sentir bem quis abrandar e em segundo lugar, com as pernas já a acusarem um bocadinho o esforço, decidi que era tempo de arrumar o telemóvel e concentrar-me na prova.

 

Daqui para a frente a prova teve pouca “ciência”, o meu ritmo estava bom e confortável, não sentia qualquer dor, a estratégia de toma de geles estava a funcionar (1º aos 15km, 2º aos 22km, 3º aos 30km e 4º aos 40km) e acima de tudo sentia-me incrivelmente feliz por estar ali a viver aquele momento.

Por volta do km 33, passo pela claque da crew Londrina (Run Dem Crew) e sou brindado com um ruidoso apoio (não diretamente para mim, mas para um corredor desta crew que estava bem pertinho de mim). Ia na expectativa de poder tirar uma foto com eles, mas o facto da estrada ser estreita e de eles já terem ocupado uma parte da estrada, fez-me optar por seguir caminho (digamos que aquele local estava bem ao estilo de um Tour de France). Houve ainda tempo de passar pelas famílias do clube do stress, que com uma bela bandeira portuguesa me cumprimentaram e apoiaram, bem como por duas caras conhecidas que brilhantemente iam no seu ritmo.

 

Ao km 35 grande parte dos corredores já iam mais a andar do que a correr, havia muitos corredores a ser assistidos pelos paramédicos, outros a parar para alongar e uma impressionante senhora, que apesar coberta de diarreia nas pernas, continuava determinantemente a correr em direção à meta.

 

Entrado em Victoria Embankement o pórtico das 25 milhas sorria para mim, pensei “Está  feito” voltei a relaxar a sacar do telemóvel para poder gravar os momentos finais. Passagem pelo Big Ben, pela Abadia de Westminster, entrada no St. James Park, passagem pelo Buckingham Palace e… aquela maravilhosa visão… a meta…

 

Ao som do Happy, lá fui eu a dançar em direção à meta. E o que é que se faz quando se corre em direção a uma meta?.... Faz-se uma paragem para última selfie da prova.

 

Dados da Prova:

  • Tempo de chip: 04:17:15
  • Média de 6,6 m/km;
  • Classificação: Lugar 15787;
  • Classificação por escalão (18-39): Lugar 6119;
  • Ultrapassei  1619 corredores;
  • Fui ultrapassado por 15 corredores.

 

(Por altura que lêem este post o Pedro Tomas Luíz deve estar a terminar a sua participação no MIUT, pela 2ª vez consecutiva)

 

 

 

Decidiste começar a correr? Então isto é para ti!

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A regra diz que para mudar velhos hábitos são precisos 21 dias até que estes se tornem rotina. Como se come um elefante? Em dentadas pequeninas… Assim, aqui ficam as minhas dicas para quem quer começar a correr… e não… não vou falar de equipamento.

 

1. Vão ao médico!! Anos de sedentarismo podem causar muita mossa, por isso não arrisquem, consultem o vosso médico de família e peçam para fazer façam um check-up (análises, ecocardiograma e prova de esforço). Se estiverem o OK podem passar ao ponto seguinte; Leiam também este artigo.

 

2. Estabeleçam um objectivo. Definam um objetivo exequível (uma maratona ou uma meia não são objetivos exequíveis para quem começa a correr). Uma prova de 10km daqui a 5/6 meses poderá ser um objetivo coerente. Consultem o calendário www.followruns.pt;

 

3. Não alterem as vossas rotinas radicalmente. Não queiram começar a correr às 6 da manhã se não são seres matutinos, porque em vez de estarem a tentar alterar um hábito vão estar a lutar por alterar dois hábitos. Procurem uma altura do dia que seja confortável para vocês, em que sintam que o vosso corpo reage bem. Por exemplo para mim as melhores alturas são sempre a manhã ou a hora de almoço, ao final da tarde depois de um dia de trabalho o meu corpo começa a desligar. Quando não consigo treinar nas melhores horas simplesmente opto por fazer treinos menos exigentes ao final da tarde. 

 

4. Comecem por fazer um andar intercalado com correr: Sim resulta!! efetivamente para quem começa a correr, os primeiros treinos são sempre penosos (há um preço a pagar pelo longo tempo de inatividade) mas não se assustem, já que o nosso corpo e a sua fantástica capacidade de se adaptar supera tudo. Alternar (andar/correr) não só permite gerir melhor o esforço como dá tempo ao corpo para se ajustar. Experimentem este podcast http://www.c25k.com/ , é uma boa estrutura de treino.

 

5. Cada treino um objetivo: Estabeleçam um objetivo para cada treino seja ele 30m de corrida ou 3 voltas ao parque, quando têm um objetivo, têm um propósito e o treino torna-se mais fácil e interessante.

 

6. 3 é a conta que Deus fez: 3 dias por semana para quem começa é mais do que suficiente. Oiçam o vosso corpo, se está dorido não há problema, se têm dor dêem descanso (se a dor persistir consultem o médico).

 

7. Juntem-se a quem já corre: Neste momento existem por esse Portugal centenas de grupos de corridas com treinos e horários para todos os gostos. Correr em grupo alem de custar menos, dá-nos a sensação de pertença e de partilha. Experimentem! 

 

8. Há mais além para além de correr: Alongar e hidratar são essenciais à recuperação do nosso corpo por isso não descurem estes aspectos;

 

9. Preparem-se, pois o mundo vai tentar boicotar-vos. Quando alteramos os nossos hábitos, sejam eles quais forem e sempre que estes interferem com quem nos rodeia, a tendência natural vai ser que “o mundo” tente acabar com a "disfunção" e procure o status quo. Por outras palavras, consciente ou inconscientemente quem nos rodeia poderá tentar boicotar-nos (passei por isso na primeira pessoa).

 

Boas corridas!

Grande Prémio de Natal – Race Report Anatomia de um RP

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Por Pedro Tomás Luiz:

 

Apesar de correr muito na estrada, a verdade é que faço poucas provas de estrada. Ao longo do ano opto por fazer algumas clássicas como seja a corrida do 25º de Abril, o 1º de Maio ou a corrida dos Sinos. Assim, a última prova de estrada de estrada que tinha feito este ano tinha sido a corrida do 25 de Abril, que decorreu cerca de duas semanas depois do MIUT, o que quer dizer que fui corrê-la ainda muito “estragado”.


Aparte disso o meu recorde dos 10km estava, imagine-se, no BES Run Challenge de Lisboa, realizado no dia 7 de junho de 2014 na qual fiz 45:39 ou seja 4:34 m/km.


Assim à entrada para esta corrida (GP Natal) sabia que para não bater o meu recorde pessoal algo tinha de correr muito, mas mesmo muito mal, até porque sabia quanto é que andava a fazer aos 10km em treinos. A dúvida que tinha era por quanto o iria bater.

 

Atenção, não aqui nenhuma falta de humildade é simplesmente brincar com os números, o anterior recorde era tão “mau” e tinha sido batido há tanto tempo que qualquer coisa que fizesse no domingo ia ser melhor.

 

Como, combinado 10h da manhã lá estava eu no ponto de encontro, para me encontrar com resto da crew. As previsões eram de chuva, mas o São Pedro iria poupar-nos toda a manhã, abrindo apenas a torneira já ao final da tarde.

Sendo uma prova com partida em Entrecampos e chegada nos Restauradores, lá tive de carregar carteira, telemóvel e chave do carro, o que não mata mas mói e acima de tudo é peso extra desnecessário.Já ao pé da crew mais linda do mundo, tirámos umas fotos, brincámos uns com os outros e lá seguimos para o local da partida.

Estando previstos quase 5000 participantes e não havendo “currais” para separar por tempos, lá furei até onde pude, ou seja mais ou menos a meio do maranhal.

 

Tiro de partida e o arranque dá-se devagarinho, muito devagarinho, começo a correr aos zig-zags mas com respeito por não bater em ninguém, mas era desesperante. Por esta altura comecei a fazer contas de cabeça e percebi que ia pagar caro o facto de ter ficado muito para trás.

Decido encostar e fazer o resto da corrida com o Tiago e com o Rui que sei que vinham muito perto. Já junto deles a corrida começa finalmente à abrir um pouco e depois do 1º túnel, engrenei finalmente no ritmo que queria. O relógio tinha marcado o primeiro km em 05:09 m/km. Numa prova de 10km não existe espaço para erros, por isso este primeiro km iria e condicionou toda a prova.

 

Já sem o Tiago e o Rui opto pela estratégia mais simples apertar o máximo até ao Saldanha (+/- 8 km) e depois apertar ainda mais um bocadinho, já que os 2km finais eram a descer.

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E assim foi... focado e com o sabor do sangue a correr na boca foi dar o que tinha e o que tinha deu para um 42:09 ou seja uma média de 4:13 m/km. É um resultado jeitoso, porque há pessoas a correr brutalmente, não falo dos profissionais, falo de amadores com o dobro da minha idade que me deram um bigode daqueles.

Chegado à meta, foi bater palmas a todos os quantos vinham na corrida e esperar por todos os membros da Crew… ser crew é isso apoiar até ao fim cada um de nós!

 

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 PS: Competir em provas de estrada é muito dificil, o sofrimento é atroz, muito mais do que num ultratrail. Correr redline não é para todos, por isso acho fascinante ver um atleta fazer 29m ou seja 2:55 m/km!!! impressionante!

Como é ganhar uma corrida pela primeira vez...

 

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Por Pedro Tomás Luiz

 

Todas as boas estórias têm curiosidades e o Trail da Ericeira está carregado delas. Sábado, 21 de setembro de 2013, dava-se em provas de Trail, a minha estreia e desse monstro em crescimento chamado Stefan Pequito. Havendo na altura duas versões uma de 30km e uma de 15km por estafetas optámos por fazer a versão de estafetas, porque simplesmente achámos que 30km era muita fruta (este sábado o Stefan fez top 100 nos 115km dos Pireneus que evolução!!).

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Assim, se me tivessem dito que dois anos depois ia ganhar a prova, ou melhor se me tivessem dito que iria ganhar uma prova, teria possivelmente rido e aconselhado a pessoa a reduzir a ingestão de bebidas espirituosas.


Há que convir, sou um corredor esforçado, mas faltam-me muitas características de um atleta que normalmente faz pódios.

No entanto este domingo, mais do que um dia para festejar vai ser um dia para recordar. Fiz o meu primeiro pódio e ganhei a prova… Incrível? Não é? Para mim foi de certeza…


O Trail da Ericeira estava colocado no plano de treinos, por forma a ajudar-me a atingir níveis de esforço que, sozinho normalmente sinto muita dificuldade em atingir. Assim, não houve lugar a qualquer descanso e a semana antes foi bem recheada de treinos ( Inclusive o dia anterior tinha sido pautado com uns 2,4km de natação em águas abertas.

 

Mesmo "a jogar em casa", sabia que iria passar por sítios da Ericeira que desconhecia por completo. Por isso, quando arrancámos do parque de campismo de Mil Regos às 9 horas, ia na expetativa do percurso que me esperava.

Corrida a decorrer e, ao fim de 10 minutos, estava na frente junto ao Amândio do Desnível Positivo (que acabaria por ganhar a prova dos 30km) e de mais dois corredores que estavam a fazer a prova dos 30km. O ritmo estava perfeito (para o que tinha programado), por isso deixei-me ir na "cola" deles. Ou seja, na minha cabeça pensava: "Vou aqui, mas de certeza que atrás de mim vêm outros atletas colados".


A prova dividia perto dos 6km e aí percebi que estava completamente sozinho (ou quase, porque a organização acompanhou-me de BTT todo o caminho) e que afinal podia fazer um pódio ou até ganhar a prova.

 

A partir da divisão das provas foi correr o que podia e, embalado pela adrenalina lá fui progredindo nesta prova, que embora tecnicamente seja bastante rápida e acessível, não deixa de ter uns bons “parte pernas”, principalmente nas zonas das arribas.

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Passei a praia de S. Lourenço, subi para Ribamar, desci para a praia dos Coxos tudo por caminhos novos, mas sabia que a partir dali até à praia de Ribeira d’Ilhas o caminho era sempre rápido para culminar na subida da escadaria desta última praia (100m de degraus com 33% de inclinação e um ganho de 46 m de D+).


Passada a escadaria, ainda com as pernas a latejar de a subir, pensei: “Epá afinal parece que vais ganhar isto!” e foi assim, rolar o km final, até ao parque de campismo. Com uma felicidade imensa e com um grande sorriso cruzei a meta e pensei “então esta é a sensação de cruzar a meta em primeiro lugar… “.

 

De volta à terra. Para um atleta com as minhas capacidades vencer uma prova de atletismo é algo quase bastante rebuscado, sendo necessário o alinhamento perfeito dos astros para que tal facto aconteça, não porque seja um "tosco" ou excessivamente lento, mas porque efectivamente compreendo as minhas limitações face a atletas muito mais dotados do que eu (alguns dos quais convidei para vir fazer a prova comigo). 

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Mas, às vezes, o impossível acontece e os sonhos tornam-se realidade. Às vezes apenas precisamos de estar no local certo à hora certa... E Domingo foi o meu dia, talvez nunca mais se repita, mas para mim será um dia que jamais vou esquecer.

 

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Aqui fica o track no movescount.

 

My Path to MIUT 2015 - Histórias de uma jornada - O MIUT (2ª Parte)

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Por Pedro Tomás Luiz

 

Voltando ao início…

Como já aqui escrevi, esta jornada até ao MIUT primou por vários percalços e testes à minha resiliência… Desde queimaduras, a uma gastrite, sendo "a cobertura de chocolate" a varicela.

 

Sim… durante 20 dias penei com medo de ter apanhado varicela. O meu colega de escritório adoeceu, e como não sou imune, teria uma elevadíssima probabilidade de contrair a doença. A matemática não enganava, tendo em conta o período de incubação, o período de quarentena e o tempo que me levaria a restabelecer, se a doença aparecesse não tinha qualquer hipótese de ir ao MIUT.

 

Assim, até ao término do período de incubação (que foi no dia em que parti para a Madeira) vivi um misto de angustia e paranoia (AHHHH!! Uma borbulha!), sem nunca virar a cara à luta.

 

Mas quando se faz um bolo e se coloca a cobertura, fica a faltar a cereja… e essa foi colocada no dia da partida para a Madeira. Olho para o bilhete e diz - partida 09:20, olho para o placar e diz - partida 08:20… um chorrilho de impropérios e corri para o check-in. Tarde de mais já tinha sido cancelado logo já não podia viajar naquele voo.

 

A agência de viagens havia-me emitido um bilhete com a hora errada e mesmo com extremo profissionalismo da TAP, só podia voar às 15h, o que me poria uma manhã a “marinar” no aeroporto e arrebentaria com todos os planos para a tarde.

 

A quinta  e a sexta foram passadas a descansar e a preparar o material.

 

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Como havia referido o meu desafio teve duas etapas bem destintas: antes dos 90km e depois dos 90km...

 

Antes dos 90km

23:30 - 00:00 Porto Moniz

 

Com um ambiente fantástico, Porto Moniz fervilhava com a energia dos atletas.

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Pude observar de tudo, quem estivesse descontraído, quem procurasse estar recatado, quem estivesse entretido à conversa contando as façanhas de outras provas...

 

Da minha parte fiz o programado, ou seja wc, comer, fotografias da prache, uns dedos de conversa, que incluiu o Luis Fernandes (estava bem descontraído) e sentei-me numa escada a apreciar todo aquele movimento de cor e aguardando o controlo 0.

 

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00:00 - 06:43 Estanquinhos

Saindo de Porto Moniz, os primeiros 30 km foram pautados por duas grandes subidas e uma grande descida. Num ritmo vivo, mas sem apertar muito, pude observar a enorme serpente de luzes que subia a serra e conter-me para não ceder ao entusiamo daqueles primeiros km.

 

Assim, chego ao primeiro abastecimento quase em último lugar.

 

Este abastecimento bem organizado tinha de tudo um pouco bolo, pão, canja, figos secos, laranjas, bananas, marmelada etc…  ou seja bem recheado.

 

Como pouco e sigo. O frio fazia-se agora sentir intensamente e a descida até ao Chão da Ribeira, tida como uma das mais dificieis toda a prova tinha de ser feita de forma muito cautelosa. Com isto em mente, pude comprovar a dificuldade que é correr com um piso técnico muito escorregadio e encoberto pela noite escura. Mesmo com o frontal no máximo nem sempre era fácil distinguir o relevo do terreno e de vez em quanto lá havia uns tropeções.

 

Saindo imaculado desta descida começo a longa subida até estanquinhos, feita maioritáriamente por um corta-fogo e voltada para o vento de norte.

 

06:43 - 12:57 Curral da Freiras

 

Chego ao abastecimento de Estanquinhos e aqui acontece, na minha opinião, a grande e gigantesca falha da organização. O abastecimento parecia um cenário de guerra, com tudo virado do avesso, sem bebidas quentes, sem canja e com uns restos de coisas que lá andavam pela mesa. Questionei o responsável pelo posto que me respondeu “quem veio à frente comeu tudo..” o que foi uma meia verdade, dado que os atletas dos 85km, que partiam daquele local, tinham estado a tomar o "pequeno almoço" naquele abastecimento, o que de todo me pareceu uma aberração.

 

Solução? comer uma barra e seguir... Problema... as barras apesar de estarem amplamente testadas e de eu adorar, simplesmente não estavam a entrar. Não insisiti peguei numas gomas e agarrei-me a isso. (As barras que levei para a prova voltaram todas... aquele não era o dia de comer barras)

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Depois de Estanquinhos segue-se uma descida monumental até ao Rosário. Obviamente tendo saido do abastecimento pouco antes da partida dos 85km, iria rápidamente ser apanhado. O que não estava à espera é de literalmente ser engolido por uma multidão que desalmadamente descia o largo estradão. 

 

Assim que passamos a trilhos mais técnicos passou a ser dificil progredir porque os trilhos estavam totalmente entupidos.

 

O resto do caminho até à Encumeada não teve grande ciência, foi-se fazendo.

 

Se Estanquinhos, como abastecimento, tinha sido um desastre, a Encumeada era o seu oposto. Dentro de um Hotel, com mesas e bancos pude sossegadamente tomar o pequeno almoço e informar a familia que estava tudo bem.

 

Saído da Encumeada segue-se a longa subida até ao Curral das Freiras. Primeiro com uma escadaria monumental junto a um aquaduto, que quase não se via o final e depois com uma subida de pouca inclinação mas bastante longa. A paisagem valia cada passo que dava...

 

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Do outro lado da montanha, que podem ver na foto de cima começava a descida para o Curral.

 

Com o calor já fazer-se sentir e mesmo tendo enchido os dois flasks e o camel bag, a minha taxa de consumo de água estava elevadíssima o que me levou a arriscar beber um bocado da água da montanha... correu bem.

 

12:57 - 18:19 Pico do Areeiro

 

Depois de mais uma descida técnica mas nada do outro mundo chego finalmente ao Curral das Freiras. Almoço, faço um check-up aos pés e virilhas tudo Ok! ora de partir... esperava-me as subidas mais longas e difíceis. Teria de subir primeiro ao Pico Ruivo e depois ao Pico do Areeiro, sendo que por esta altura os 60km já se sentiam.

 

Mal começo a correr depois do abastecimento, sinto uma moinha no joelho esquerdo - mas que raio isto não estava aqui! esta dor suportável mas chata à brava iria-me acompanhar até ao Pico do Areeiro. Várias vezes amaldiçoei aquela dor e todas as vezes me lembrei do Filipe que fez o Piodão com meio joelho.

 

Esta parte da corrida foi talvez das mais dificeis porque passei, não só pela dor, como pelos degraus e inclinação do terreno. A paisagem era de tirar o folego, com passagens por túneis, penhascos vertiginosos e montanhas de perder de vista . Aqui valeu acima de tudo os amigos que encontrei... ir na conversa sempre ajuda a espairecer.

 

A revolta dos Pasteis estava prestes a começar...

Race report: IV Trail Montes Saloios

Por Pedro Tomás Luiz:

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Associar determinados tipos de treino a corridas são para mim uma das melhores maneiras de obter uma motivação extra para cumprir na íntegra os planos de treino. E assim foi, depois de ter falhado Bucelas, fruto de um acidente doméstico, quis tirar a barriga de misérias e ir correr uma prova numa paisagem que tão bem conheço.

 

O plano era realizar o treino longo da semana e desfrutar da companhia da crew. No entanto é preciso não confundir treino com jogging e treino com competição. Treino é treino e quando temos alguém a orientar-nos há que cumprir com o prescrito e refrear a adrenalina para não pagar mais tarde a fatura.

 

 

No que se refere à organização da prova, na minha opinião e do que vi, esteve irrepreensível. O percurso bem marcado, apresentando sinais de perigo nas zonas mais técnicas, abastecimentos no local correto e com variedade, pontos de assistência médica ao longo do percurso e no final uma sopinha fabulosa acompanhada da simpatia das gentes da terra. Até a única coisa que ao princípio me fez torcer o nariz (chip ser colocado no punho), o que obrigaria sempre a uma “paragem” correu muito fluidamente. Com esta qualidade rapidamente esqueci o tempo “perdido” no engarrafamento inicial  do 2 quilómetros.

 

A paisagem da prova retrata na íntegra o que é a zona saloia, com pequenos montes verdejantes, salpicados com algumas rochas com o mar quase sempre no horizonte.

 

Em relação à minha “prova”, poderia dividi-la em 3 grandes partes, pautadas por sensações bem diferentes.

 

A primeira parte, +/- até ao 12 km, e tendo em conta que parti bem de trás, foi marcada por um belo afunilamento num ribeiro, com tempo mais do que suficiente para ver o Tiago Portugal a gozar comigo e a dizer-me adeus…. Saído do ribeiro, apertei para agarrar o Tiago e fazê-lo "pagar caro" pelo deboche anteriormente realizado... Cerca de 3km depois lá começava a vislumbrar aquela passada inconfundível  - quem corre de saltos altos (aka Hoka One One) marca claramente a diferença!!! Chegado ao pé dele lá seguimos uns kms a bom ritmo até porque a descida a isso propiciava.

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Depois, a 1ª subida digna desse nome, um asseiro que ia dos 5 ao 7,5km e eu, na minha brilhante inteligência, toca de apertar feito bruto por ali acima, heart rate no red line, mas as sensações eram boas e pensei que a carga da semana até tinha sido bem gerida (a fatura havia de ser paga mais tarde).  Até aos 12km lá fui eu…

 

Passo o primeiro abastecimento, pouco trinquei e segui até o homem do martelo me dar com ele na cabeça e me lembrar que estava ali para treinar e não para competir. A segunda parte dos 12 até aos 19km foi feita numa luta com o meu psicológico, muito mais do que com o meu físico. Meti um ritmo confortável e fechei-me na minha bolha esperando que aquilo passa-se. O relógio não enganava a parte pior estava para vir, pois com 15km tínhamos feito um terço do desnível positivo referido (1200 D+).

 

Estas sensações mantiveram-se até ao abastecimento do 19km, em que decidi, parar, comer e conversar um pouco com as pessoas da organização, que sabiamente me informaram “a partir daqui é que vai doer… é sempre a trepar”.

 

Na terceira e última parte da “prova”, seja pela comida, seja pela adrenalina de saber que a meta já estava perto, voltei a mim. Novamente sensações fantásticas, que me ajudaram a enfrentar as duas paredes finais antes de chegar à meta, bem como as descidas bem técnicas que existiam pelo meio.

 

Resultado: A “prova” foi realizada em 3h horas e dentro do definido, mas a lição ficou aprendida: dormir 3 horas e sobrestimar o percurso são meio caminho para a asneirada.

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