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Correr na Cidade

Adizero XT Boost – Back in Black!

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Por Filipe Gil:

 

Estes ténis não são para mim! Este foi o primeiro pensamento que tive quando os tirei da caixa. A Sónia Fernandes, responsável da Adidas já me tinha indicado que este modelo era super leve mas com o apoio do Boost. E mal os calcei, confirmei isso tudo. E torci o nariz.

 

Então eu, que estou agora a apostar em conforto para os impactos do meu joelho e tenho optado por modelos (em estrada) como os Ultra Boost, também da Adidas, ou os Gorun Ultra Road da Skechers, vou correr com um modelo que é quase mais leve que caixa que o transporta??? Será que isso não irá provocar uma recaída na minha recuperação?

 

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Ainda antes de os calçar, como geralmente faço, pesquisei na Internet algumas reviews sobre este modelo em sites internacionais – em Portugal somos os primeiros a ter o privilégio de os receber. Ah, não vos disse ainda quais são? São os Adizero XT Boost, modelo ultra leve para trail e com uma espécie de meia elástica que acompanha até ao início da perna. Algo que a Adidas decidiu apostar. E bem. Mas já lá vamos.

 

Vi nas tais reviews que a marca alemã pegou na experiência dos seus Adizero, que são sapatilhas de elite para maratonistas – aqueles tipos que fazem kms em três minutos ou menos – e que construiu um modelo de trail, a que adicionou uma parte de Boost.

 

Ora, isso ainda me fez ter mais a certeza daquilo que vos disse: não são sapatilhas para mim! Pelo menos, nesta altura de recuperação de lesão e onde preciso (nem que seja mentalmente) algum apoio e cushining. Mas a sensação de ter umas sapatilhas novas em casa e não as experimentar é como levar os nossos filhos a uma loja de gomas e dizer que não pode comer nem uma…

 

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Assim, na quinta-feira passada, véspera de Natal, combinei um treino com o Nuno Malcata. Foi o meu regresso a um treino em trilhos. Já não corria em Monsanto, desde meados de março...

 

E aqui um parentisis. Foi estranho, porque voltei nove meses depois, mas pareceu que foi ontem, isto porque a vegetação em Monsanto é a mesma desde o último treino, tais como as sensações de correr com algum frio, iguais – a primavera, verão e outono passaram-me ao lado nos trilhos, infelizmente. Ao mesmo tempo, parecia que há uma década que não corria em trilhos.

 

Foi um treino ligeiríssimo, de 13km. Mas deu para ter uma impressão destes Adizero XT Boost. São, de facto minimalistas. Mas ao mesmo tempo envolvem o pé de uma forma muito interessante. O Boost nota-se, sobretudo, nas subidas, quando o fazemos com a parte da frente do pé, ou mesmo em bicos de pés. 

 

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E como só há Boost na parte da frente, nota-se, sobretudo a falta dessa “ajuda” nas descidas. De resto, a tal meia elástica que nos acompanha até parte da perna, nem se nota. Está lá a fazer o seu papel de não deixar entrar pedras, mas não incomodam nem atrapalham. E até são um ponto bastante positivo.

Em termos estéticos, gostaria que este modelo tivesse alguma cor, para além do preto e do branco (do Boost), sei que na panóplia de versões deste modelo há, nestes não. São All Black. Caso para parafrasear aquela música dos AC/DC: Back in Black. (Sim, andamos loucos a fazer contas para comprar os bilhetes para o concerto dos australianos).

 

Em suma, nesta 1ª impressão, são sapatilhas fantásticas adequados a corredores rápidos e leves, para trilhos não muito longos, talvez entre distâncias de 30 a 50 kms. São sapatilhas para um nível superior de corredor. Apenas lhe indicou uma falha, falta-lhe uma placa protetora na sola. Sei que isso iria prejudicar a leveza deles, mas protegia de alguns "ais, e uis" que se diz ao sentir as pedras do caminho - e isto foi num treino em Monsanto... 

 

Em breve, eu ou outro corredor da crew iremos fazer a review final.

 

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Calling All Running Crews II

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Fez à uns dias 1 ano que várias Crew se juntaram em Monsanto para um treino conjunto ao qual chamámos "Calling All Running Crews" e ao qual se juntou o 1º Dog Trail.

 

A boa disposição imperou e ficou a vontade de realizar mais treinos assim.

 

Voltámos a falar e queremos de novo nos juntar e celebrar como uma nova edição aquilo que tanto nos une.

 

No dia 13 de Junho, pela 09:30 vamos encontrarmo-nos de novo em Monsanto. TODOS estão convidados, tragam as vossas Crews, ou juntem-se apenas a nós, todos são muito bem vindos para fazermos uma festa.

 

Confirmem a vossa presença no evento que criámos no facebook, as restantes informações vão ser lá colocadas também. 

Crónica XI: Vamos lá a isto!

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Por Filipe Gil:

 

A semana de preparação começou bem. No dia da última crónica, fiz um treino de subidas e algumas descidas por Monsanto sem dores no joelho. Fiquei muito contente e com mais confiança no ultrapassar da lesão para o Piódão. Só preciso de me concentrar na gestão da corrida. As coisas estão a compor-se. E a moral a vir para cima. Lembram-se de vos ter dito que tinha um segredo para elevar a moral no que toca a corrida? Sim, a receita é simples, ver bons filmes de trail – mas bons, não aqueles que ao fim de 2 minutos começamos a ficar enjoados pela oscilação da câmera. E comigo resulta. 

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Sábado de manhã tudo a postos para o último longão antes do Piódão. O plano estava traçado, uns 20Km neste dia e depois uma ida ao treino "A Hora dos Esquilos" na quarta-feira, para descontrair.
Só que nem tudo correu como previsto. Ao fim de 10km de subidas e descidas o meu joelho disse que não corria mais. Uma dor aguda na parte lateral do joelho fazia-se sentir cada vez que eu descia algo mais técnico.

 

Apesar de estar a gostar do treino – em conjunto com o Rui Alves, Bo Irik, João Gonçalves e Nuno Malcata – quando a dor começou a incomodar mesmo, decidi vir para casa…a andar. Ainda tentei correr um pouco, mas há mínima descida a dor voltou. Azar do caraças, pensei.

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Decidi que seria melhor tentar recuperar o joelho nos últimos dias que faltavam do que dar cabo dele naquele treino. Custou-me muito vir para casa. E tudo me passou pela cabeça, naqueles 30 minutos a andar.

 

Vi pessoal da minha idade a jogar à bola, e pensei que o melhor que tinha a fazer era isso mesmo, juntar-me aos domingos a amigos com barrigas a fazerem pan dan com o esférico  e deixar a corrida. Pensei que me ando a  enganar que os meus  41 anos de idade já não servem para estas coisas. Enfim. A desmotivação voltou. E com uma lesão assim, não há vídeos de trail que nos arrebitem.

 

O resto do dia foi passado a fazer alongamentos, a colocar TransAct, a tentar levantar a moral. Tenho que agradecer a preocupação dos vários amigos que me ligaram a mandaram mensagens e a indicar truques para recuperar a tempo do Piódão (estão a ver a altimetria do percurso?).

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No domingo, com alguns elementos da crew no Trail de Almeirim e a Joana Malcata a representar-nos na Meia Maratona, decidi ir com a mulher e os putos dar apoio aos corredores da Meia que passavam junto a Algés. A vontade de estar a fazer aquela prova foi mesmo intensa.

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Um aparte: começar uma meia maratona às 10:30 em finais de março em Lisboa é estúpido! Tenho todo o respeito pela organização da prova, mas acho que eles, que na sua maioria são ex-corredores, deviam ter mais respeito pelos corredores mais amadores. A grande maioria não está bem preparada para fazer os 21kms confortávelmente, é um facto. Naquela corrida, sobretudo nesta, há muitos que se tentam superar, oferecer-lhes temperaturas mais elevadas (e o ano passado ainda esteve pior) é mau. Ainda por cima, este ano a tshirt oficial era preta - eu sei que ninguém obriga ninguém a vesti-la, mas todos sabemos que as coisas não funcionam assim, que todos a querem ter e a usam com o maior orgulho. Por isso, são pormenores a rever. É uma das mais pormissoras meias maratonas do mundo, e que pode ser a melhor do mundo, se a organização limar estes detalhes. Estou confiante que sim.

 

Depois do incentivo da Meia, fui descansar. Nesse dia e no dia seguinte e no outro, ontem, a seguir foram passados sem dores, sem quaisquer sinais de problemas no joelho, etc. Decidi que ao invés de ir à Hora do Esquilo irei fazer um treino ligeiro ao longo do rio.

 

Mas estou a ganhar confiança. É certo que o ciclo de treinos foi mais ou menos interrompido nestas últimas semanas, é certo que a incerteza da dor do joelho me atormeta, mas estou a ficar excitado com o aproximar da prova. Estou a ficar entusiasmado por ir ultrapassar barreiras que nunca passei.

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Dou por mim, nestes dias, a passar a mão pela barba - que não corto desde que comecei a preparação no início de dezembro (mas vou aparando para não parecer um sem abrigo) por essa razão mesmo: lembrar-me todos os dias quando me olho ao espelho do prova do Piódão. Dou por mim a pensar nas horas que os meus amigos de crew e de fora da crew perderam em treinar comigo em vez de irem correr seguindo apenas os seus planos. E penso que a minha forma de lhes agradecer é dar tudo por tudo no sábado. Não vou aqui nomeá-los, porque eles sabem quem são.

Penso no desafio aceite pelo Filipe Semedo, responsável da marca Puma em Portugal, em ter tido a loucura de apoiar um tipo que corre muito pouco e que de performance tem também muito pouco, mas mesmo assim decidiu confiar-lhe material para testar e usar ao longo destes meses de treino. Lá está, são as pessoas que fazem as marcas e não o contrário. 

 

Penso na ajuda da minha mãe e dos meus sogros que ficaram a "aturar" os dois petizes enquanto a minha mulher trabalhava e eu ia correr três ou mais horas seguidas para Sintra e Monsanto. E penso sobretudo nos sorrisos dos meus dois filhos e da minha mulher. São os sorrisos mais bonitos do mundo. E é neles que vou pensar quando a prova do Piódão começar a custar e quando passar por aqueles momentos mais difíceis que todos os corredores passam em provas longas.

São eles que, apesar de nesse dia estar a um par de centena de quilómetros de distância, me irão acompanhar no desconhecido dos 50 quilómetros por descidas e subidas. E isso dá-me muita força. Afasta quaisquer pensamentos de lesões, e enche-me o peito de calor e coragem para fazer a prova com força e confiança.

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Estou confiante, excitado, com pressa de correr aqueles 50 mil metros. O caminho e a preparação está feito, agora é disfrutar a prova e tornar-me um ultra maratonista. 

 

Na próxima semana conto-vos como correu.

 

Crónica VII: Uma semana que passou a… correr.

 

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Por Filipe Gil

 

Nesta altura do campeonato já devem andar a bocejar com as minhas crónicas, certo? O “treininho” errático para aqui, os filhos que não o deixam treinar para acolá, o medo das subidas no Piódão e de não chegar a tempo aos abastecimentos; a roupinha que o menino ainda não decidiu levar; blá, blá, blá.  

Pois, para termos uma retórica diferente, decidi, durante a passada semana ir escrevendo esta crónica como se fosse um diário. Este é o resultado:

 

Quarta-feira: hoje foi dia de publicar a crónica da última semana no blogue e dia de ir correr com o Nuno Malcata para Monsanto. Foi um bom treino, não tão bom como na semana anterior, mas bom. Reforcei a minha ideia de que preciso de um frontal com mais potência. Sou pitosga – uso óculos para ler e escrever – e a escuridão dos trilhos tiram-me velocidade. Assim, comprei um LED SENSER H7R v2. Cheguei cansado a casa. E cheio de lama. Estou mesmo farto de lama. Arre! Não vejo a hora de chegar a casa e apenas ter pó nas sapatilhas, mesmo que seja muito pó.

 

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 Frontais "a sério" para mim, Nuno Espadinha e Nuno Malcata. 


E neste treino aconteceu-me uma coisa estranha. Entrei ali num transe, numa concentração absurda, alienado de tudo. Sabem quando estão a olhar muito fixamente para algo mas não estão a olhar para nada? Foi isso que aconteceu. Eu e o Nuno Malcata íamos a correr,e bem, a direito, com trilhos limpos, até que senti qualquer coisa no pé e, literalmente, voei uns bons metros. Não me aleijei, não fiquei magoado, cai bem (anos e anos de andebol, dão nisto),  mas fiquei a pensar que a falta de sono e o cansaço são grandes inimigos da nossa preparação. Ou isso ou atingi o nirvana sem saber…

 

Quinta-feira: Estou cansado! O treino do dia anterior fez-me doer as pernas, apesar de ter gostado muito do circuito que fizemos. Senti-me bem, apesar da queda. Ando ligeiramente desmotivado, uma série de projetos que não estão a arrancar da forma como queria. Haja paciência e a tal resiliência.  


Esta quinta fui ao escritório da Puma em Lisboa. Falei com o Filipe Semedo, responsável da marca em Portugal, sobre os novos modelos da marca que estão a chegar ao mercado nacional e da aposta que estão a fazer no segmento do running. E falamos ainda da minha preparação para o Piódão, como está a correr, o que necessito mais em termos de material, etc. Falámos também de futebol e andebol - ambos jogamos na mesma equipa nos tempos de liceu. É bom termos alguém de uma marca que se dá connosco de forma descontraída. Folgo em saber que algumas marcas já perceberam a nossa postura, do Correr na Cidade, perante a corrida. E, sem nada previsto, saí de lá com uns Ignite para experimentar. Que privilégio! Sou das primeiras pessoas em Portugal a experimentar o modelo  – que só irá chegar em meados de março. 

 

Sexta-feira: Era para fazer algum exercício de força, mas não. Era para fazer alongamentos, mas não. Era para ter ido correr, mas não. Fiquei em casa e em família. Chama-se a isto treino psicológico, ou não.


Sábado: Nada. Niente.Passado, e bem, em família. E foi a vez da mulher ir correr e iniciar uma amiga nas corridas. É sempre uma excitação quando isso acontece. Mas tendo a ficar meio calado, ao invés de dar dicas de especialista. Contudo, não deixo de analisar se a pessoa está "vestida" para a ocasião. Tento não armar-me em especialista, a não ser que veja um erro que irá criar desconforto e uma má experiência no futuro corredor. Vocês fazem o mesmo, ou só sou eu que sou um..., como dizem os anglo saxónicos "pain in the ass".

 

Domingo: Acordei cedo porque o meu filho mais novo assim decidiu. Mas fiquei na cama a mandar SMS ao Nuno Espadinha para irmos adiando o treino. Das 8h passou para as 8h30m, dessas horas passou para as 9h, e certo, certo, encontramo-nos às 9h45 para começar a correr. Passou-me pela cabeça trocarmos o treino de trail por estrada, mas foi coisa que durou apenas 2 segundos. Foi um treino simpático, com muitas subidas, e cerca de 360 D+. Deu para colocar a conversa em dia, falar das expetativas do Piódão e de outras coisas entre os novos episódios do “The Walking Dead”, e dos protagonistas agora terem de começar a fugir de cães (ou lobos, ainda não se percebeu bem), e também falámos da série de banda desenhada com mais mensagens encriptadas por frame: “Gravity Falls”, entre outras coisas.

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Por falar em lobos, e passe o exagero, aconteceu um quase acidente. Quando regressávamos para casa ali perto do antigo Aqua Parque do Restelo, fomos, descontraidamente a correr por um pedaço de mata. Ao fundo avistamos um cão branco grande. Sozinho. Sem dono. E parámos, aliás, eu parei. Porque tenho medo de cães. O meu medo está ligado ao tamanho dos bichos. Se eles são grandes, fico a tremer, se forem rasteiros, e até podem ladrar muito, que no pasa nada.



Às tantas procuramos o dono do tal animal, que tinha um belo porte. Vimos que era um senhor de bengala que se mexia vagarosamente. Pensei logo: “estamos feitos!”. De um momento para o outro o cão viu-nos e desatou a correr para nós, como se não houvesse amanhã. Olhei para o Nuno Espadinha – ele tem cão, por isso percebe da coisa – e vejo-o a começar a correr. Fiz o mesmo automaticamente. Acho que bati o meu recorde pessoal dos 100 metros a correr nos trilhos. Corremos, corremos, corrermos em direção à estrada para ver se nos safávamos entre os carros. O coração batia, a adrenalina estava ao rubro, nem senti o cansaço. Passado um pouco olhamos para baixo e não vimos sinal do cão. E ficámos a tremer das pernas durante mais cinco minutos. Retomámos os últimos minutos de treino a recordar filmes que vimos com lobos atrás de pessoas. Ridículo, não? Acho que fiquei com mais cabelos brancos na barba depois desta experiência. É por estas e por outras que apesar de querer muito, não consigo ir sozinho para os trilhos.

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 Ambos excelentes modelos para fugir de cães. Recomendo!

Segunda-feira: Dia atribulado com muito trabalho, mas deu para organizar-me para ir correr pelas 18h30 e fazer 10 quilómetros tranquilos de Algés à Ponte 25 de abril e regresso. Deu para esticar em algumas partes e testar os novíssimos Ignite da Puma. Confesso que a início não achei nada de especial. Mas à medida que eu ia aquecendo, e se calhar as sapatilhas também, estes ténis tornaram-se bastante reativos, e sentiu-se a retoma de energia na sola. São bons para corredores rápidos - que não é o meu caso. Mas dei-me muito bem com eles. Acho os ténis perfeitos para provas de estrada entre os 10km e os 21km. Em breve irei escrever aqui no blog o que achei deles, depois de dar mais umas voltinhas. 

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Terça-feira: O dia mais estranho do ano na cidade de Lisboa. Mais de metade do comércio fechado, algumas, poucas pessoas a trabalhar - uma das quais eu. Estranho país este. Meti metade do dia de férias para estar em família e devorar num ápice a melhor tarde de amêndoa do mundo: a que é feita pela minha mulher. Só que não provou este magnífico bolo pode duvidar da afirmação. E porque razão vos estou a escrever isto num crónica sobre preparação para a minha primeira ultra? Porque acho deveras importante que o apoio familiar esteja sempre presente na nossa preparação para uma prova que nos transcende - seja uma meia maratona, maratona, ultra ou super ultra, assim lá para as 100 milhas. Sabermos que não os estamos a lesar com o nosso objetivo pessoal, saber que podemos ser um exemplo para eles (seja a família nuclear, seja o resto da família), saber que os levamos connosco mesmo que eles não estejam presentes. Sei, tenho o certeza, que no dia da prova do Piódão, apesar de saber que estarei bem acompanhado pelos membros da crew do Correr na Cidade, sei que levo os meus filhos e a minha mulher no coração e na cabeça para me darem forças naqueles momentos menos bons da corrida. E isso para mim é muito importante. Muito mesmo.

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Boas corridas. 

1ª Impressão (x3): La Sportiva Bushido

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Desde que recebi os La Sportiva Bushido que andava ansioso por os experimentar. Infelizmente uma semana de gripe adiou a estreia, mas nesta ultima semana foram três as vezes que já corri com eles: em treino em Monsanto, em Sintra e no Trail Montes Saloios. Assim sendo esta é uma primeira impressão, já com cerca de 50Km, o que não é habito.

Quando os calçei a primeira vez, senti a forma bastante justa, sobretudo no calcanhar onde quase incomodavam de tão justos, embora em comprimento tivessem no tamanho certo.

 

Primeiro treino com os La Sportiva Bushido foi em Monsanto, 14Km em cerca de hora e meia. Confesso que no inicio estava com receio da rigidez, mas quando começei a correr rapidamente o receio passou. O terreno estava bastante humido, da muita chuva que tinha caído nos ultimos dias, pelo que foram logo baptizados. A principal carateristica que notei ao longo deste primeiro treino foi a aderência, sempre muito boa, mesmo em terreno com muita lama onde escorregamos um pouco, mas assim que apanhamos terreno mais firme agarram imediatamente. No final do treino estava bastante satisfeito com o comportamento, senti apenas um pequeno desconforno no calcanhar esquerdo onde fez uma pequena bolha.

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Segundo treino foi em Sintra, treino de 12Km com bom desnível. Bons a atacar as subidas, nas descidas escorreguei um bocado nas folhas molhadas, mais por trapalhice minha do que por culta dos ténis. A rolar ou a descer não notei qualquer desconforto, mas a subir o sitio da bolha do primeiro treino ainda incomodou.

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Último teste desta primeira semana foi no Trail Montes Saloios, 26Km com cerca de 1200D+ feitos em ritmo muito controlado (6Km/h). Os Bushido tiveram um bom comportamento nos vários tipos de terreno, destaco a boa drenagem quando tive de meter todo o pé dentro de lama ou ribeiros e a muito boa aderência. Derivado dos ultimos dois treinos, mesmo com penso proprio para bolhas, o problema de desconforto nas subidas no calcanhar esquerdo manteve-se, e a bolha ficou em pior estado.

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Dada a proximidade da Maratona de Sevilha a 22 de Fevereiro, vou reservar a continuação dos testes com os La Sportiva Bushido para o final de Fevereiro e durante o mês de Março, mas penso desde já utilizar estes ténis na minha primeira Ultra nos 50K do Piodão, a review final será feita nessa fase.

Review: Adidas Raven 3

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Por Luís Moura

As raven 3 são umas sapatilhas diferentes no aspecto a quase tudo o que existe no mercado.O estilo, a maneira como a sola foi desenhada, o sistema de atacadores mais moderno. Tudo junto faz com que a sapatilha tenha um aspecto diferente do "normal".


Introdução

As Raven 3 vieram substituir no mercado as Raven 2 e revolucionar a direcção que a Adidas dava ao mercado das sapatilhas para Trail desenvolvidos por eles até aqui.


Neste modelo apresentam 3 novas inovações :
- o sistema TECHFIT TECHNOLOGY com um novo sistema de suporte superior ao criar um tunel parecido como uma meia, que estica para tentar ajustar-se ao pé feito apenas por uma peça elástica juntamente com um novo sistema de cordão que se puxa e protegido por uma pequena lingua

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- o sistema ADAPTIVE TRAXION na sola que tenta minimizar o desgaste na sola na borracha mais suave e em sentido contrário fornecer mais grip nos pisos mais escorregadios, através de um sistema engenhoso de "esconder" a borracha suave ( circulos verdes )
- O uso da sola de borracha Continental visa aumentar a tração em terrenos mais duros e planos.

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Apresenta um drop de 10mm que faz com que o pé fique com uma tendencia de ataque mais pronunciada, com um ataque ao solo mais suave no calcanhar para quem usa esse tipo de passada. A mistura de diversos tipos de borrachas e desenho tem o objectivo final de proporcionar o máximo de tração em todos os pisos que se pode encontrar nos Trails.


Aspecto e peso
Primeira coisa que saltou à vista, foi o peso e o sistema de apertar, substituindo os normais atacadores de apertar por um sistema parecido com o que a Salomon usa.


A sola tem um aspecto peculiar na maneira como conjuga a parte da borracha continental com outros tipos de borracha/sintéticos, criando um mix de tração que vem a ser muito util conforme indico mais à frente.


O seu peso anunciado de 340gr faz delas umas sapatilhas com peso médio dentro das sapatilhas de trail, mas como acontece nestas situações, em trails mais compridos onde podemos estar 8 ou 12h a correr, o peso extra que ela tem pode ajudar a um maior cansaço e aumento de caimbras devido ao maior trabalho das pernas para puxar as sapatilhas.


Em treinos curtos de 15/20km e no ultra Trail da Arrabida não me cheguei a aperceber do peso extra.

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Suporte e Conforto
Quando vamos calçar as sapatilhas a primeira vez, reparamos que a parte de cima que cobre o pé é muito baixa, fina, e que temos dificuldade em fazer os pés deslizar para dentro das mesmas. A parte da frente é muito baixa mesmo e o "esqueleto" reforçado que apresenta no meio da sapatilha, que faz com que a sapatilha envolva o pé é demasiado apertado e rigido.

 

Penso que houve uma preocupação da Adidas em criar um sistema que permitisse à sapatilha agarrar os pés e produzir o menor movimento possivel dos mesmos á medida que se sobe e desce, mas o facto é que o espaço que fica para o pé no interior da sapatilha é muito pequeno, e mal se acaba de puxar os atacadores sente-se logo um desconforto imediato. Parece que a sapatilha está demasiado apertada. Isso nota-se ao longo dos quilometros, onde de vez em quando sentimos o pé a doar na parte superior na zona dos tendões.


Na parte inferior da sapatilha, tanto na zona da sola como na zona da ligação com o tecido, acho que o equilibrio é muito bom. Quando começamos a correr com elas sentimos uma boa protecções contra pedras e restantes elementos que nos podem fazer mossa, e mesmo ao fim de 20/30km o pé mantem-se confortavel na parte inferior, sem grandes problemas de aquecimento ou deslocações.


Sistema de apertar cordões
Este sistema inovador que tem imensas semelhanças com a patente da Salomon, é o verdadeiro calcanhar de aquiles desta sapatilha. É dificil de apertar o sistema e encontrar um equilibrio entre conforto e tensão q.b. Para quem como eu usa Salomon à mais de 2 anos, fica-se muito desiludido com esta aproximação falhada.


O esqueleto de reforço lateral da sapatilha é muito apertado e quando se puxa os atacadores para ajustar o melhor possivel, ainda se fica pior.


O tipo de material usado é demasiado agressivo para os dedos quando tentamos fazer pequenos ajustes e a lingua desenhada para proteger a parte remanescente dos atacadores não faz qualquer sentido. Penso que falharam retundamente no desenho desta parte da sapatilha. A intenção era guardar o remanescente dos cordões debaixo da lingua, mas num uso normal em trilhos com muitas silvas, arbustos e galhos soltos, não se aguenta. Ficam logo presos a alguma coisa e saltam fora da lingua.


É uma pena porque tinha todas as condições para somar pontos ao resto da sapatilha e assim só prejudica o conforto que sentimos.

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Sola e aderência
A verdadeira guerra natural quando se decide por umas sapatilhas de trail. Como é a sola e que tipo de aderencia proporciona.


Como vamos passar muitas horas a correr e em situações onde a aderencia é baixa, seja a subir ou descer, é natural que seja um dos principais pontos a considerar quando se compra uma sapatilha para trail.


Este mix acabou por ser uma agradável surpresa.


Tem uma aderência muito boa em quase todos os pisos menos na lama. Até na calçada portuguesa se aguenta relativamente bem devido à borracha da Continental que faz parte da sola. Num uso normal em trilhos de Portugal tem uma aderencia acima da média.



Resumo final
Desde 19 Setembro, tenho 20 treinos/corridas com estas sapatilhas num total de 455km e 12.605 D+.
Desde treinos em Monsanto de 15km com piso seco até aos 82km da Arrabida com lama e rocha até sair pelas orelhas.


No geral, a nota final é muito positiva. A sapatilha é um pouco desconfortável por ser muito dificil de acertar com a tensão nos cordões mas de resto, quase tudo passa com nota muito alta.


O desconforto dos cordões não afecta o conforto geral de maneira significativa a ser ficar com uma má impressão e aguenta muito bem as mudanças de direção laterais e verticais sem os pés andarem a passear dentro das mesmas.
No final, não se sente muito o peso da mesma e o sistema ADAPTIVE TRAXION permite mudar de piso com pouco impacto na nossa progressão. O TECHFIT deverá ser revisto com urgencia. Depois de falar com alguns corredores que também tem estas sapatilhas, todos referiram este pormenor como o ponto mais negativo. O facto de acumular sujidade na peça que ajuda a prender os cordões no sitio, é horrivel pois o sistema começa a tornar-se penoso de usar.
Preço/qualidade diria que é uma excelente sapatilha. Depois de toda a pancada que já levou, continua ainda com poucos indicios de uso, excepto no material interior da mesma. Sola e suporte inferior continuam em muito bom estado.


Pontos mais positivos

- Aderencia

- Estabilidade e segurança que transmite

 

Pontos menos positivos

- sistema de fecho dos cordões

 

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Avaliação (de 0 a 20):

DESIGN : 15
CONFORTO : 17
PREÇO:  19
ESTABILIDADE : 20
AMORTECIMENTO: 19


Avaliação Total (de 0 a 100): 90

p.s. Se avalissemos o factor aderência, este paramêtro merecia 15 valores, numa tabela de 0 a 20.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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