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Correr na Cidade

Race Review: a segunda parte do Madeira Island Ultra Trail

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(segunda parte da race review do MIUT)

 

Por Stefan Pequito:

 

Chegámos ao Curral das Freiras onde era o único abastecimento que permitia a troca de roupa, e onde tinha as minhas queridas New Balance 110v2 à minha espera. Decidi não as usar porque estava satisfeito com as Salming. Falei com o Pedro e com o Lino sobre a intenção de chegar ao Pico Ruivo com eles e a partir daí passar para frente e marcar o passo. E eles concordaram.

 

Bem, lá fomos nós para última grande subida da prova com 1185D+. Sim, já íamos com 5000D+ ou perto disso. Foi um boa subida, sorte da nossa parte, não foi muita rápida mas constante, tenho a noção disso. Estávamos bem, aproveitámos isso e ao menos tempo deu para ver a paisagem que é simplesmente fantástica.

 

Chegámos ao Pico Ruivo moídos mas bem, comemos e disse aos meus companheiros que ia arrancar, para eles me acompanharem. Lá fui eu… Quando dei por mim já estava algo afastado deles mas eles iam bem acompanhados e, por isso, arrisquei e acelerei. Sentia-me bem, aproveitei isso. Foi o momento em que senti que entrei em prova, a competir. Era esse o meu plano. Então fui conquistando terreno até ao Pico do Areeiro. E até ao Pico passámos por túneis, falésias enormes, escadas pequenas, escadas grandes (grande no comprimento e de lances), paisagens que davam vontade de parar e ficar ali a ver, só vendo mesmo. Bem, lá cheguei ao Pico do Areeiro, parei um pouco, comi a minha última canja e um prato de arroz à bolonhesa e arranquei para a reta final.

 

Toca a descer! O calor apareceu. A primeira parte foi uma descida calma que se fazia bem, mas a segunda parte da descida era mais técnica (nada como a primeira), no meio do "amazonas" madeirense, cheio de troncos, terra solta e molhada, onde dava para fazer um pouco de patinagem. Depois disso, veio a “última” subida: a subida até ao Poiso. Esta subida já não tinha nada a ver com as anteriores. Fez-se que nem uma maravilha comparativamente as outras, com um pouco de calçada, trilhos simples, estradão pelo meio de uma quinta com ovelhas, que olhavam para nós a pensar que éramos doidos.

 

No Poiso não quis demorar muito tempo. Abasteci o meu soft flask (bidão) com água, comi alguma coisa e arranquei para a Portela com perto de 16 horas, o que não era mau pois tinha saído do Pico Ruivo por voltas das 12h40. Lá arranquei para a descida que ia dar à Portela. Pelo caminho encontro o Paulo Gomes do Coimbra Trail que me deu o apoio dele. É sempre bom encontrar caras conhecidas, anima sempre. Obrigado!

 

Chego a Portela, olho para o gráfico que levava comigo e perguntei à menina que lá estava como era o percurso, pois no gráfico parecia muito rolante e a descer. A resposta dela foi positiva, seria sempre a descer. Volto a perguntar se era mesmo assim. "Sim, é". Bem, descansado bebi água, abasteci e arranquei forte para acabar a prova o mais rápido que conseguisse. Estava bem, pois acreditava que conseguia abaixo das 18 horas, mas foi um ERRO. Não era sempre a descer. Os primeiros dois km sim, mas depois era um carrossel de sobes e desces acompanhados de muito calor e humidade, lama e por aí fora. Esta situação fez-me “passar da marmita”, o que não foi bom. Não quis abrandar (isto tudo deu mais 350D+ mais ou menos), outro ERRO.

 

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Cheguei a Funduras e já não ia bem. Vejo o grande Rui Luz que tinha tido azar e não estava bem de um joelho; já vinha a caminhar há algum tempo…Tentei comer e beber alguma coisa, mas o mal já estava feito. Eu estava pálido como tudo e o Sr. José Silva do clube Minho Aventura olhou para mim e disse logo que estava pálido como uma parede. Arranquei mesmo assim e durante 20 minutos fui com o Rui e o José. Entretanto, o Rui diz para o José avançar, pois ainda podia apanhar a Ester que não estava longe e lá foi ele. Ainda estive uns minutos com o Rui até ter que me deitar e pôr as pernas para o ar. O Rui deu-me um pouco de chá que ele trazia do abastecimento e umas bolachas. Eia! Não sei se foi só disso, mas aquilo deu-me um "boost" enorme e acordei para a vida. Virei-me para o Rui e disse-lhe "'bora aproveitar o meu boost e anda comigo”. Ele tentou, mas o joelho não deixou. Não gosto de deixar ninguém para trás, mas tinha de aproveitar antes de ficar novamente mal disposto.

 

Bem, esta parte final com 10 km foi uma loucura. Dei tudo o que tinha. Fui passando todos os que me tinham ultrapassado naqueles 30 e tal minutos de angústia. As descidas das falésias junto à costa fiz em sprint; tinha de aproveitar as pilhas antes que elas acabassem. Lá vi Machico, finalmente. Saímos dos trilhos e veio um pouco de estrada e um caminho pedestre pela parte de cima de Machico sempre a ver meta, o que custou um pouco, pois dava vontade de fazer um corta-mato. Para finalizar, um pequena descida de terra e a últimas escadas da prova. Ui! O meu objetivo naquela altura era fazer a baixo das 19 horas, mas cheguei à meta com 19h e não sei quantos segundos… Bahh!

 

Bem, acabei bem com energia ainda, mas rapidamente me tive de me sentar. Em termos musculares estava muito bem para fazer mais quilómetros ainda. A meu ver, isto é bom, pois tenho de fazer as 100 milhas daqui a pouco tempo. E consegui os meus 3 objetivos principais:

 

  1. Acabar;
  2. Acabar bem, sem lesões e alguma energia;
  3. Acabar a baixo das 20 horas.

 

O MIUT é, sem dúvida, uma prova para voltar, não sei se será para o ano ou para outro, pois tenho de ver os meus objetivos do próximo ano. Adorei tudo: as pessoas, o circuito. Foi uma prova dura, muito dura, 115km com 7000+ (pelo meu relógio 7300+).

 

Fiz 36º lugar da geral, 23º do escalão, 21º do circuito nacional. Podia ser melhor? Podia sim, mas acabei e fisicamente bem, que é o mais importante. Para a próxima já conheço o circuito e já posso tentar outra coisa.

 

Bem, a seguir a isto veio outra Ultra - a do "comes e bebes". Primeiro fui jantar com o Luís Mota e a sua senhora, e  também com o Sr. José  -  que acabei por passar durante a prova e que acabou 7 min depois de eu ter terminado. Depois fui dar uma volta, falar com mais pessoal e voltei para a mesa para o segundo jantar, agora com o João Borges e amigos. Para terminar, veio o terceiro jantar com outra família do trail - com os manos Luz, Pedro Turtle, Nelson, Trindade e Bruno Fernandes. Resumindo, uma ultra de comidas enquanto esperava pelo Pedro e o André. 

No dia seguinte veio o descanso e fomos passear em boa companhia com o grande companheiro de trilhos Luís Mota (o meu padrinho das corridas), o Pedro e o puto André, que me surpreende a cada dia que passa com a sua evolução. Juízo, puto!

 

Em termos de agradecimentos o primeiro de todos,vai para o Meu “mister” Paulo Pires e à Armada, pela paciência que têm para mim e me ajudarem nesta evolução que tenho feito. Agradeço, também, ao meu pessoal do Correr na Cidade pelo enorme apoio que me deram até hoje e por sempre acreditarem em mim e motivarem-me todos os dias a querer ser melhor. À loja Girassol agradeço pela enorme ajuda que me deram na nutrição da Biotech que me forneceram (são mesmo muito boas aquelas barras de aveia com chia e mel, os géis e o isotónico de top). Obrigado também à Reebok pelo seu material têxtil de excelência, à Salming pelas sapatilhas T1 que foram uma agradável surpresa; ao Miguel Santos, meu massagista, por tratar do meu corpo e estar sempre pronto para me ajudar e, claro, um enorme obrigado a todos os meus amigos, companheiros, e família pelo apoio nestas minhas loucas aventuras!

 

Como o meu Mister diz “siga” que venha o próximo. Oh Meus Deus, estou a caminho das 100 milhas!

 

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Leiam ou releiam a 1ª parte desta race report

 

 

Race Report: primeiro objetivo de 2015 concluído

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Por Stefan Pequito:

 

Desde de 2014, quando comecei a levar isto das corridas um pouco mais a sério e quando comecei com isto das ultras, que sonho com o MIUT (Madeira International Ultra Trail). Era um prova que gostava de fazer pelo grau de dificuldade que apresenta. Em setembro decidi arriscar e inscrevi-me. Pedi ao Paulo Pires, treinador da Armada de Trail, para me ajudar neste projeto (e não só). Desde janeiro que comecei a treinar para esta prova, mas foi a partir de Fevereiro que veio "a dureza" - foram dois meses muito duros. Fiz tudo o que o meu Mister me pediu, tive dias bons e dias menos bons, dias com muita vontade de treinar outros sem vontade nenhuma, foram dois meses de suor, dor e sangue (literalmente). Posso dizer que o esforço compensou. No futuro, lembrar-me-ei do caso Madeirense que, com muito trabalho duro e dedicação, tudo é possível.

 

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No 7 de abril, no dia do meu aniversário, arranquei para a Madeira, para tentar aproveitar os dias antes para ir ver alguns dos locais, algo que acabou por não ser possível pois andei as voltas a ajudar com boleias a vários amigos meus e a preparar o último material para prova. Acabei por ir ao Curral das Freiras no dia antes da prova com o André Carvalho, mas não fomos pelo trilho certo. Mesmo assim, deu para treinar um pouco a ritmo baixo e conhecer as vistas. Foram dias de convívio que também é bom antes das provas para descomprimir e ouvir várias opiniões das pessoas que já a fizeram e acabar de delinear o plano para a mesma.

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Dia 9, dia da prova, lá foi eu com o meu companheiro de casa apanhar o BUS a Machico e encontrar o Pedro Tomás Luiz. Às 22h30, depois de atravessarmos a Ilha da Madeira toda, chegámos a Porto Moniz. Posso dizer que já estava com um nervoso miudinho no estômago, em pulgas, e ao mesmo tempo com “medo” do que se ia passar. Fiz algo que não gosto de fazer: levei muita coisa com pouco teste. Principalmente as sapatilhas, umas Salming T1, e nutrição nova que a Girassol me arranjou da Biotech. Não quis pensar muito nisso, pois penso que isso é mais psicológico que outra coisa. Bem, lá para às 23h45 entrei para o “curral” de partida e (como se vê na foto abaixo) estava bastante tranquilo. Aproveitei para dar as "boas sortes" ao pessoal que conhecia. Decidi levar logo os bastões abertos e não era para picar ninguém. Pus-me mais ou menos no meio do grupo porque não quis arrancar lá da frente para não cometer nenhum erro inicial.

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Às 00:00 deu-se o tiro da partida. Aquele nervosismo todo desapareceu e apareceu a vontade de sair daí para fora daquela loucura. Liguei o Petzl (marca do frontal) e lá fui eu para a primeira subida. Aproveitei para aquecer os bastões, pois não gosto muito de os usar mas posso dizer que deram muito jeito durante a prova. A primeira subida era uma espécie de arrábida de alcatrão. Aproveitei e "colei-me" à Ester Alves, que ia num ritmo agradável e fui indo até às levadas.

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Nas levadas acabei por perder a Ester, pois havia muita gente com pressa e deixei-os passar. O meu plano para a prova era não me cansar muito nesta primeira grande subida e, ao mesmo tempo, ainda estava a ver como as sapatilhas se comportavam.

O primeiro abastecimento foi no Fanal e a primeira canja soube tão bem! O abastecimento foi fantástico (como todos os abastecimentos), mas depois de terminar o “enche-barriga” vinha o primeiro desafio da prova: a descida para o chão da Ribeira - uma picada sempre a descer super técnica e super escorregadia. Foi o primeiro grande desafio para mim, e para as sapatilhas. Foi ali que vi que os bastões dão muito jeito, pois as Salming falharam neste primeiro teste. Podia ser por serem ainda muito novas e terem a goma ainda na sola, mas ali não foi o ponto forte delas. Desci muito lentamente e a barafustar com as sapatilhas. A única coisa que me acalmava era pensar que a seguir vinha uma bela subida como eu gosto.

 

Realmente adorei a subida do Chão da Ribeira até Estanquinhos. Adorei andar ali no meio da floresta. Via-se uma serpente de luz até lá a cima. Foram 1300D+ “pumba”, só assim em 10km! Antes do abastecimento apanhámos um nevoeiro serrado que mal dava para ver as fitas e frio, muito frio, onde os manguitos deram bastante jeito e a t-shirt térmica também. Cheguei ao abastecimento e adivinhem o que comi? Canja! Uiiii ainda estava melhor que a anterior! 

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Bem, a partir dali, as coisas acalmaram um pouco… Uma descida até ao Rosário, já em grande companhia com o Pedro Turtle - um grande companheiro e atleta. Aproveitámos e fomos a um ritmo "soft mas duro" e fomos fazendo companhia um ao outro. Ao chegar a Encumeada, fez-se luz e apareceu o Lino Luz! E o dia nasceu! Foi um "boost" de energia sem dúvida - as duas coisas claro!

Já não é a primeira vez que faço provas com o Lino, por isso sei que é uma enorme companhia. Mais umas sopinhas, mais uma voltinha e lá fomos nós para Curral. Bem, o que não estávamos à espera era de uma escadaria ao lado de um tubo de água enorme, mas adorei aquela subida. Resumindo, adorei aqueles trilhos até Curral mas aquela subida foi mesmo a cereja no topo do bolo, sim senhor!

 

 - Amanhã partilhamos a segunda parte desta aventura, a partir de Curral das Freiras.

Review: Salming T1 - A surpresa sueca

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Por Stefan Pequito

 

A Salming é uma marca que já andava a namorar há algum tempo, mas para minha infelicidade não tinha, ainda, modelos de trail. Contudo, em dezembro do ano passado, tive conhecimento que iam lançar umas sapatilhas de trail e, mal as vi, percebi que a nível de design tinham um “aspeto de top”. Não resisti e fiz logo o pedido para as testar.

 

Foram uns meses "dolorosos" à espera delas, pois estava mesmo curioso para ver “as meninas” e queria usá-las já no Madeira International Ultra Trail (MIUT). A entrega atrasou-se e só as recebi duas semanas antes da prova,o que me deixou um pouco de pé atrás se as levaria para a prova, ou não. Mas as várias reviews deste modelo que li e o feedback de quem já as tinha usado afastaram, um pouco, esse medo.

 

Quando as recebi, calcei-as quase de seguida para ver qual era a sensação. Posso dizer que gostei logo! Fui fazer um treino no dia seguinte, primeira parte do percurso em estrada e onde se comportaram muito bem: principalmente, são muito confortáveis; e, como estava bastante calor nesse dia, deu para ver que se portam bem em termos de arejamento mesmo tendo uma cama dupla de tecido.

 

A segunda parte do treino foi efetuado numa descida técnica em trilhos onde deu para ver um pouco da sua garra em terrenos acidentados: aderência bastante boa em terreno seco com muita pedra e inclinações acentuadas. Primeiro teste concluído e com resultado bastante positivo. Ainda não convencido em que altura as iria levar, se para o início da prova ou para o final, mas uma coisa já sabia, as Salming iam comigo. 

 

O segundo teste foi um treino mais puxado por Monsanto: treino mais rápido e duro num terreno mesmo técnico, com subidas e descidas. Resumindo: gostei da segurança da sua “armadura” e do exosqueleto que tem o qual ajuda muito na estabilidade do pé, bastante bom para evitar azares, como entorses. Gostei bastante do amortecimento, sem prejudicar a postura e o ataque ao chão com drops altos, pois esta sapatilha tem 5mm de drop e é uma sapatilha leve (com 290g no meu tamanho que é 42.5).

 

Bem, isto estava cada vez a convencer-me mais, mas ainda tinha algumas dúvidas e estas foram tiradas no dia da prova em que levei as sapatilhas no início, mesmo tendo outras a meio para trocar caso houvesse algum stress.

 

CONFORTO

Sei que é um risco levar uns sapatilhas pouco batidas numa prova destas, ainda por cima com a importância que tinha, mas havia algo nelas que me davam alguma confiança, e posso dizer que fiz 115km com elas e gostei! Sem dúvida que o ponto forte é a sua estrutura super confortável: os pés estão sem qualquer mazela, nem mesmo uma bolha; deram muita confiança no ataque ao solo, pois são muito equilibradas e, por isso, é mais complicado fazer entorses e tem um amortecimento quanto baste. Posto isto, no que toca ao conforto são excelentes.

 

Em termos da dupla camada que as sapatilhas apresentam, é fantástica. Não só não deixa entrar detritos, como não deixa entrar água também. Apesar de não serem à prova de água, secam muito rápido quando ela entra e isto é muito bom e vantajoso. À volta da sapatilha existe um camada de um tecido com uma camada de borracha leve que ajuda a proteger o pé contra as rochas.

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ESTABILIDADE & ADERÊNCIA

Agora vem o que todos procuram: a aderência. Neste ponto, apesar de ainda terem que melhorar, estão lá muito perto. Onde tive mais dificuldades foi em pedra molhada. Quem fez a prova na Madeira, sabe como é a descida do Fanal ao Chão da Ribeira (muito técnica e escorregadia) e, aqui quase as quis descalçar e ir descalço ate lá a baixo. É verdade que podia ser por ainda terem a goma característica dos produtos novos, pois não tinham os quilómetros suficientes. Mas senti-me inseguro com elas. De resto, nos troços escorrega, mas qual é a sapatilha que não o faz? Gostei do comportamento delas na lama, pois esta solta-se quase de seguida. Em terra solta ou molhada são muito boas e, em quase todas as pedras, tem um comportamento razoável.

 

A palmilha original é bastante boa e é muito confortável. A maneira como os atacadores estão alinhados são bastante confortáveis e seguram bem o pé;  a única coisa que falta é uma “bolsinha” para guardar os atacadores na língua da sapatilha.

 

Resumindo: são umas sapatilhas muito equilibradas e das quais gostei muito mesmo e vão acompanhar-me na próxima aventura que será a prova “Oh Meu Deus” nas “100Milhas”. Se calhar até faço a prova toda com elas, nunca se sabe.

 

O único ponto negativo (que também não é o mais grave) é a falta de outras cores. Mas, também, são as primeiras sapatilhas de trail da Salming. E, para as primeiras, estão muito boas! Espero que continuem assim.

 

Preço:125€

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Avaliação (de 0 a 20):

DESIGN: 17
CONFORTO: 19
AMORTECIMENTO: 18
ESTABILIDADE: 19
PREÇO: 15

Avaliação Total (de 0 a 100): 88

(Extra: aderência: 17)

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My Path to MIUT 2015 - Histórias de uma jornada - O MIUT (2ª Parte)

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Por Pedro Tomás Luiz

 

Voltando ao início…

Como já aqui escrevi, esta jornada até ao MIUT primou por vários percalços e testes à minha resiliência… Desde queimaduras, a uma gastrite, sendo "a cobertura de chocolate" a varicela.

 

Sim… durante 20 dias penei com medo de ter apanhado varicela. O meu colega de escritório adoeceu, e como não sou imune, teria uma elevadíssima probabilidade de contrair a doença. A matemática não enganava, tendo em conta o período de incubação, o período de quarentena e o tempo que me levaria a restabelecer, se a doença aparecesse não tinha qualquer hipótese de ir ao MIUT.

 

Assim, até ao término do período de incubação (que foi no dia em que parti para a Madeira) vivi um misto de angustia e paranoia (AHHHH!! Uma borbulha!), sem nunca virar a cara à luta.

 

Mas quando se faz um bolo e se coloca a cobertura, fica a faltar a cereja… e essa foi colocada no dia da partida para a Madeira. Olho para o bilhete e diz - partida 09:20, olho para o placar e diz - partida 08:20… um chorrilho de impropérios e corri para o check-in. Tarde de mais já tinha sido cancelado logo já não podia viajar naquele voo.

 

A agência de viagens havia-me emitido um bilhete com a hora errada e mesmo com extremo profissionalismo da TAP, só podia voar às 15h, o que me poria uma manhã a “marinar” no aeroporto e arrebentaria com todos os planos para a tarde.

 

A quinta  e a sexta foram passadas a descansar e a preparar o material.

 

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Como havia referido o meu desafio teve duas etapas bem destintas: antes dos 90km e depois dos 90km...

 

Antes dos 90km

23:30 - 00:00 Porto Moniz

 

Com um ambiente fantástico, Porto Moniz fervilhava com a energia dos atletas.

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Pude observar de tudo, quem estivesse descontraído, quem procurasse estar recatado, quem estivesse entretido à conversa contando as façanhas de outras provas...

 

Da minha parte fiz o programado, ou seja wc, comer, fotografias da prache, uns dedos de conversa, que incluiu o Luis Fernandes (estava bem descontraído) e sentei-me numa escada a apreciar todo aquele movimento de cor e aguardando o controlo 0.

 

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00:00 - 06:43 Estanquinhos

Saindo de Porto Moniz, os primeiros 30 km foram pautados por duas grandes subidas e uma grande descida. Num ritmo vivo, mas sem apertar muito, pude observar a enorme serpente de luzes que subia a serra e conter-me para não ceder ao entusiamo daqueles primeiros km.

 

Assim, chego ao primeiro abastecimento quase em último lugar.

 

Este abastecimento bem organizado tinha de tudo um pouco bolo, pão, canja, figos secos, laranjas, bananas, marmelada etc…  ou seja bem recheado.

 

Como pouco e sigo. O frio fazia-se agora sentir intensamente e a descida até ao Chão da Ribeira, tida como uma das mais dificieis toda a prova tinha de ser feita de forma muito cautelosa. Com isto em mente, pude comprovar a dificuldade que é correr com um piso técnico muito escorregadio e encoberto pela noite escura. Mesmo com o frontal no máximo nem sempre era fácil distinguir o relevo do terreno e de vez em quanto lá havia uns tropeções.

 

Saindo imaculado desta descida começo a longa subida até estanquinhos, feita maioritáriamente por um corta-fogo e voltada para o vento de norte.

 

06:43 - 12:57 Curral da Freiras

 

Chego ao abastecimento de Estanquinhos e aqui acontece, na minha opinião, a grande e gigantesca falha da organização. O abastecimento parecia um cenário de guerra, com tudo virado do avesso, sem bebidas quentes, sem canja e com uns restos de coisas que lá andavam pela mesa. Questionei o responsável pelo posto que me respondeu “quem veio à frente comeu tudo..” o que foi uma meia verdade, dado que os atletas dos 85km, que partiam daquele local, tinham estado a tomar o "pequeno almoço" naquele abastecimento, o que de todo me pareceu uma aberração.

 

Solução? comer uma barra e seguir... Problema... as barras apesar de estarem amplamente testadas e de eu adorar, simplesmente não estavam a entrar. Não insisiti peguei numas gomas e agarrei-me a isso. (As barras que levei para a prova voltaram todas... aquele não era o dia de comer barras)

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Depois de Estanquinhos segue-se uma descida monumental até ao Rosário. Obviamente tendo saido do abastecimento pouco antes da partida dos 85km, iria rápidamente ser apanhado. O que não estava à espera é de literalmente ser engolido por uma multidão que desalmadamente descia o largo estradão. 

 

Assim que passamos a trilhos mais técnicos passou a ser dificil progredir porque os trilhos estavam totalmente entupidos.

 

O resto do caminho até à Encumeada não teve grande ciência, foi-se fazendo.

 

Se Estanquinhos, como abastecimento, tinha sido um desastre, a Encumeada era o seu oposto. Dentro de um Hotel, com mesas e bancos pude sossegadamente tomar o pequeno almoço e informar a familia que estava tudo bem.

 

Saído da Encumeada segue-se a longa subida até ao Curral das Freiras. Primeiro com uma escadaria monumental junto a um aquaduto, que quase não se via o final e depois com uma subida de pouca inclinação mas bastante longa. A paisagem valia cada passo que dava...

 

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Do outro lado da montanha, que podem ver na foto de cima começava a descida para o Curral.

 

Com o calor já fazer-se sentir e mesmo tendo enchido os dois flasks e o camel bag, a minha taxa de consumo de água estava elevadíssima o que me levou a arriscar beber um bocado da água da montanha... correu bem.

 

12:57 - 18:19 Pico do Areeiro

 

Depois de mais uma descida técnica mas nada do outro mundo chego finalmente ao Curral das Freiras. Almoço, faço um check-up aos pés e virilhas tudo Ok! ora de partir... esperava-me as subidas mais longas e difíceis. Teria de subir primeiro ao Pico Ruivo e depois ao Pico do Areeiro, sendo que por esta altura os 60km já se sentiam.

 

Mal começo a correr depois do abastecimento, sinto uma moinha no joelho esquerdo - mas que raio isto não estava aqui! esta dor suportável mas chata à brava iria-me acompanhar até ao Pico do Areeiro. Várias vezes amaldiçoei aquela dor e todas as vezes me lembrei do Filipe que fez o Piodão com meio joelho.

 

Esta parte da corrida foi talvez das mais dificeis porque passei, não só pela dor, como pelos degraus e inclinação do terreno. A paisagem era de tirar o folego, com passagens por túneis, penhascos vertiginosos e montanhas de perder de vista . Aqui valeu acima de tudo os amigos que encontrei... ir na conversa sempre ajuda a espairecer.

 

A revolta dos Pasteis estava prestes a começar...

O que se leva na mochila para correr 115km

O Pedro Tomás Luís e o Stefan Pequito estão já a correr os 115km do Madeira International Ultra Trail 2015. Prova esta que também irá decidir quem é o campeão nacional de Ultra Trail - atualmente detido pelo Hélder Ferreira. Antes de partirem nesta aventura, o Pedro deixou-nos este vídeo onde nos mostra o que vai levar para esta aventura que vai demorar, certamente, mais de 20 horas:

 

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