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Correr na Cidade

Correr 10km depois de uma perna partida

Por Filipe Gil:

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Consegui! Consegui correr 10km!!! Sabem aquela sensação que nos faz ficar feliz sem sabermos bem porquê depois de uma corrida? É assim que ainda me sinto umas horas depois de ter feito os meus primeiros 10 km depois do acidente que tive em finais de julho.

 

Quatro meses e uns dias depois de ter tido um acidente de mota que me partiu o fémur e me levou à mesa de operações - e a colocar parafusos e “coisas” dentro do osso (ver foto abaixo) -, voltei a fazer uma prova oficial e a correr pela primeira vez em muitos meses a distância de 10km.


Era algo que vinha a falar em casa e com amigos, ainda com algumas dúvidas, mas que foi tomando forma nos treinos de 6 e 8 kms que fazia aos fim-de-semana. Foram treinos sempre com algumas dores musculares e alguma impressão no osso, mas que nas ultimas semanas diminuíram de forma a tomar a decisão de ir fazer os 10 km dos Descobrimentos.

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Decidi fazer a prova, a amiga Joana Aguiar, conseguiu uns dorsais e a minha mulher prontificou-se a acompanhar-me e a motivar-me ao meu ritmo. E consegui. Segundo a minha app da Nike fi-lo em 1h08m. Nunca tinha feito esta distância em tanto tempo, mas nunca me deu tanto gozo superar um desafio destes. Conto, resumidamente como foi:

 

Os primeiros 3 kms são sempre estranhos. Não consigo correr sem coxear, os músculos falam uns com os outros para tentar perceber o que se está a passar. Sinto-me sempre fraco e a correr “de lado”. Por muito aquecimento e alongamento que faça, a perna esquerda está sempre pouco preparada para correr.

 

Dos 3 aos 6 kms foi o regresso da perna ao seu normal. Sem grandes diferenças com a perna “boa”. Nesta altura, com o apoio da Natália mesmo ali ao lado, tornou-se mais fácil a corrida. Distraído com piadas e a mandar piadas em conjunto, a observar algumas figuras curiosas do mundo da corrida, foram kms divertidos. Voltei a ver muitas caras conhecidas da corrida que, no mínimo, devem ter estranhado como alguém com a camisola do Correr na Cidade ia tão atrás e tão lento (fiz questão de levar a camisola do CnC!!).

 

Dos 7 aos 9kms senti-me bem. Senti-me corredor novamente. Comecei a correr mais depressa, com a passada regular e a sentir bem o toque no alcatrão. Nesta altura a perna já estava bem quente e sentia-me a correr como outrora corria (quando estava em forma), isto apesar da vagareza a que ia. O 7º quilómetro correu mesmo bem. Estava inspirado pelos corredores que passavam por mim do outro lado da estrada a caminho dos 21km. Estava feliz e embora muito calado, a força que vinha ao meu lado era muito importante. Mas reduzi um pouco a velocidade a meio do 8º km. Tive medo. Medo de forçar o osso, medo de me sentir muito combalido no final da prova, medo de fazer merda com a operação – apesar do aconselhamento médico que tenho de correr, correr e correr cada vez mais.

 

Mas o 9º km foi o reavivar competitivo. Forcei, corri mais (no smartphone baixei para uma média de 5:50 ao km – o que é rápido quando se está em recuperação). Tentei dar o máximo. Esqueci-me da perna. Esqueci-me do acidente, foquei-me na respiração ofegante, na passada ritmada, no ser corredor novamente. E em toda a adrenalina que isso nos dá.

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Ao ver a meta confesso que, por detrás dos óculos escuros, estava muito emocionado. Fiz algum esforço para não chorar (que piegas…). Mas lembrei-me dos momentos pós acidente em que não sabia se voltaria a andar como deve de ser, quanto mais correr; pensei nos momentos pós-operatório em que cada ida ao WC era digna de uma odisseia com muitas muitas dores, e dos meses de fisioterapia em que por vezes me frustravam muito. Tudo isso deu um sabor especial a esta prova que, talvez só quem passe por algo semelhante possa dar valor.


Sinceramente, só penso já na próxima prova de 10km. E começo a piscar olho à Meia Maratona, quando? Não sei, logo se verá. Sei que vou ter que voltar à mesa de operações daqui a 1 ano para tirar todo o material que tenho na perna, e que após isso vou ter que recomeçar tudo de novo, voltar à fisioterapia, voltar às muletas e à chata de recuperação antes de voltar a poder calçar os ténis de corrida, mas até lá ninguém me tira o gozo de voltar a correr.

 

Estas penúltimas palavras são para aqueles que agora não podem correr por alguma razão de saúde. Acreditem, o caminho não é fácil, mas foquem-se no objetivo de voltarem a calçar os ténis e a participar nestas provas com imensos anónimos e que tanto gozo vos dá.

 

E as últimas palavras são para os agradecimentos. Não podem faltar porque a minha prova não começou quando soou a partida dos 10k dos Descobrimentos, mas muitos meses antes, ainda na cama do Hospital São Francisco Xavier com a visita da família e amigos.

 

Assim, há que agradecer quem me ajudou – e teve paciência de me ajudar – nesta “nova” viagem: à minha mulher e aos meus filhos, ao meu pessoal do Correr na Cidade (eles sabem quem são), ao Filipe Semedo (pela motivação) e aos médicos, enfermeiros e claro à minha fisioterapeuta do Hospital São Francisco Xavier, a Ana Encarnação, que me deu força para que os momentos que escrevi acima fosse possíveís. Obrigado a todos. A viagem (re) começa aqui.

Race Report: Testar a forma nos 10Km da Meia Maratona dos Descobrimentos

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Por Nuno Malcata

 

A Meia Maratona dos Descobrimentos é desde a sua 1ª edição, há 2 anos, uma das minhas provas preferidas em território nacional.

 

Nesta 3ª edição não participei na prova principal, mas nos 10Km, já vos explico porquê.

 

Tenho muito boas memórias das duas edições anteriores, por razões completamente distintas.

 

Na 1ª edição da Maratona dos Descobrimentos em 2013  estava em plena fase de preparação para a minha primeira maratona. Integrado no grupo de treino do GFD Running o foco em treino de corrida de estrada era enorme e a aprendizagem e evolução que tive permitiu-me há 2 anos ter com uma diferença de 1 mês as minhas duas melhores marcas em Meias Maratonas (1h54m e 1h52m) e nos 10Km (48m49s).

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Um ano depois a prespetiva com que encarei a Meia Maratona dos Descobrimentos era bem diferente. Após a Maratona de Sevilha de 2014, com a Crew do Correr na Cidade descobri a corrida nos trilhos e o foco mudou da estrada para o Trail. Se durante 2014 melhorei a minha resistência para a dureza dos trilhos, perdi alguma paciência e consistencia necessárias para a corrida em estrada.

 

Assim, encarei a Meia dos Descobrimentos de 2014 como uma prova descontraida com a Crew e para fazer a "rolar" e terminar em cerca de 2h. As previsões sairam furadas, se nos primeiros 10Km ainda mantive o ritmo certinho, dos 10 aos 15Km fui perdendo gás e paciência para aguentar o ritmo que ia a tentar impor e aos 15Km, saturado, abrandei até um ritmo confortável. Se terminei a prova alguns minutos acima das 2h e bem longe do tempo de 2013, nada disso me incomodou porque ainda ajudei quem fazia a sua estreia e a boa disposição imperou.

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Se em 2014 ainda participei em algumas provas de estrada, em 2015 estas resumiram-se à Maratona de SevilhaMeia Maratona do Douro VinhateiroMarginal à Noite e Corrida do Tejo. Depois da paragem forçada, desde há 3 meses tenho feito treino base no sentido de melhorar a forma para voltar aos trilhos, e não tinha qualquer plano para realizar provas de estrada. Assim a Meia Maratona dos Descobrimentos estava fora dos planos.

 

Recentemente, num dos treinos semanais, realizei um conjunto de séries em pista onde fiquei surpreendido com os tempos e maneira como me senti. Nesse mesmo dia um dos elementos da Crew que iria participar nos 10Km da Meia Maratona dos Descobrimentos indicou que não estava em condições de participar e decidi nesse momento testar como estava a minha forma nesta distância.

 

E é deste modo que chego a este domingo, com alguma expetativa, mas sem saber muito bem o que esperar de mim próprio. Decidi fazer a corrida como faço os treinos mais rápidos, um bom aquecimento, e fazer os 10Km evoluindo aos poucos a frequência cardiaca sem olhar muito ao tempo por km.

 

Saí de casa a correr até Belem, o que deu em asneira, achava que demorava cerca de 10 a 15 minutos, e cerca de 2km tranquilos, mas calculei mal a distância e fiz quase 4Km para chegar junto da partida. Mas cheguei quentinho, bem quentinho e a 2 minutos do inicio da prova. Ainda deu para encontrar a Bo e a Ana, desejar boa sorte e arrancar.

 

O início desta prova é algo confuso, entre a partida e os Jerónimos o piso é algo incerto e com as obras no local a situação piorou. Fiz os primeiros 500m cheio de cautela para não cair nem torcer os pés, até estabilizar tanto o piso como o batimento cardiaco. A partir daí até voltar a passar pelo local da partida foram cerca de 4Km, a um ritmo solto mas muito confortável, deu para cumprimentar vários amigos e trocar algumas impressões com outros participantes.

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Aos 4Km aumentei o ritmo, começei a fazer cada km um pouco abaixo dos 5 minutos e começei a pensar "Será que dá para menos de 50 minutos?" O aumento do ritmo não trouxe muito desconforto, continuei solto e a gerir a energia disponível. A prova dos 10Km teve um único abastecimento de água aos 6km, que penso ser suficiente para uma prova desta distância. Aos 8Km decidi imprimir de novo um ritmo mais elevado. Forçei e sorri quando vi ao km 9 que tinha feito o último km a 4m42s. Se para muitos atletas este tempo é um mero "rolar" em dia de descanso, para mim é motivo para sorrir.

 

O último km de qualquer prova é sempre diferente de todos os outros, seja que prova for, e nesta prova não seria excepção. Toca a acelarar e acabar a prova tirando o melhor que podia dar. Não sabia a quanto andava o coração, ia lá em cima, não sabia a que velocidade ia, mas sentia-me rápido, só queria ver a meta, passar a mesma e sorrir, é das melhores sensações que conheço, seja a fazer 10 ou 50Km.

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Na reta da meta olho para o relógio oficial e estava a passar dos 49 para os 50 minutos, pensei "Raios, não dá para sub50". Sprintei e 6 segundos depois cortei a meta, sorri, primeiro que tudo, e desliguei o relógio, iniciado pouco antes de começar a correr, dizia 49m36s, sorri ainda mais, afinal tinha conseguido, tinha esquecido que entre a partida e começar a correr tinha passado cerca de 1 minuto.

 

 

Corrida terminada, a organização deu uma medalha de participação e um saquinho com água, bebida isotónica e maçã, tudo ideal para repor nutrientes após esforço.

 

Juntei-me ao João Gonçalves para assistir à chegada dos restantes elementos da Crew e dar força a quem chegava ao final dos 10Km e da Meia Maratona.

 

É bom ver tantas caras conhecidadas destas lides, ver sorrisos a aparecer do esforço quando puxamos por quem vai num último esforço a terminar as suas provas, são estes momentos que tanto me dizem, quase tanto como participar e sorrir sempre em cada meta, muito.

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Em jeito de conclusão, apesar de em algumas provas ser crítico da Xistarca na organização das mesmas, há que salientar o bom trabalho desta entidade na organização da Meia Maratona dos Descobrimentos. Da minha parte, se 2 anos depois voltei a fazer uma corrida de 10km abaixo dos 50 minutos, já penso voltar no próximo ano para lutar por um PR na distância da Meia Maratona. Até 2016!

"V" de MM dos Descobrimentos

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 Por Liliana Moreira:

 

… e de Vingança! Foi mesmo em modo “venho aqui para a desforra” que me inscrevi nesta prova já que no ano passado não fui feliz, sobretudo devido ao frio e à minha incapacidade de gerir a corrida nessas condições.

Curiosamente achei a temperatura mais baixa nesta edição, mas a experiência ganha-se e isso também se fez sentir. Descobri a minutos da primeira partida do dia que tinha feito "borrada" com a minha inscrição. Mesmo com o email de confirmação da inscrição na caixa de correio desde Setembro não me apercebi que ao invés dos 21k tinha-me inscrito nos 10k…mas quem é que comete erros destes?! Eu! A despassarada de serviço. Mentalizei-me que não era desta que me vingava da Meia dos Descobrimentos e que iria fazer encarar os 10k como uma oportunidade de treino rápido (pelo menos para mim!), seguindo a sequência do que tenho insistido nos últimos tempos.

 

A minutos da partida a Bo, que tinha planeado acompanhar-me durante a prova para puxar por mim, decide que devido ao que tenho dedicado à corrida e face à sua condição de saúde actual que faria mais sentido trocarmos de dorsais… assim foi, sem antes de ela me dar o aviso prévio que tinha de honrar o seu dorsal e correr mais rápido... uma coisa era certa, eu ia tentar porque afinal de contas era esse o meu objectivo. Era ela que fazia anos nesse dia e mas quem recebeu a prenda fui eu!

Assim os três estarolas dos 10k , a Ana, Bo e o Malcata, alinharam na partida, enquanto eu, a Sara (que também queria a desforra dos 21k), João e o Luís ficámos de fora a apreciar a quantidade avultada de atletas que esta prova também angariou. Dada a partida o Luís foi aquecer e já só o voltei a ver no fim… é deixa-lo seguir o seu mojo de aquecimento e colocação estratégica no pelotão que eu vou à minha vidinha!! E como João era o repórter do dia, e após uma tentativa frustrada de ir ao WC, em que me apercebi que face à dimensão da fila iria ser impossível libertar a tempo a bexiga, segui com a Sara para o aquecimento mais que obrigatório para uma manhã tão nublada e fria.

Alinhamos na nossa partida no meio de um calorzinho humano e ao fim de 2 minutos de ter sido dado o apito, do qual nem nos apercebemos, lá passamos o pórtico. Os 2 primeiros km’s para mim servem logo para separar os homens dos meninos… em que a voltinha espectáculo inclui uma subidinha simpática para contornar o Mosteiros dos Jerónimos mas com o retorno a descer até Algés até por fim passarmos novamente junto à meta. Infelizmente no início dessa subida a praça estava em obras o que congestionou a passagem dos atletas… acho que foi a primeira vez que passei por esta situação que não fosse em trail! Pior que isso foi estarem alguns separadores de plástico no meio do caminho em que uma atleta chegou mesmo a tropeçar. Felizmente não se magoou e lá seguimos caminho.

A Sara com o objectivo de retirar melhores sensações nesta distância conseguiu manter um ritmo calmo, o meu, até ao km 5. Depois de aquecer dei-lhe carta branca para seguir à vontade! Estou mais que habituada a correr sozinha e se há coisa que me aflige é ter pessoas ao meu lado em que sinto que estou a empatar. Estrategicamente foi bom para ela aquecer a sério e para mim marcar o ritmo base que queria imprimir ao longo da prova.

A partir dai lembro-me de pouco a não ser repetir para mim mesma “2:15” “2:15” “2:15”... sim, era o tempo que eu queria fazer! E não, não é nada de especial… mas era o meu objectivo! Até aos 10k a coisa correu muito bem… sem música e pouca ou nenhuma distracção ao longo do percurso a coisa foi-se gerindo… dos km 10 até ao 15 quase morri de tédio… passamos por zonas muito mortas, sem qualquer estimulo ou público, exceptuando a zona da 24 de Julho com o pessoal que ainda está a sair das discotecas com um copito a mais ou os turistas na zona da Praça do Comércio que param para apoiar. É um ponto que tenho nitidamente de melhorar: treino mental para gerir melhor estas situações.

Pelo caminho os abastecimentos foram perfeitos, incluindo zonas de água a cada 5km e 2 zonas com gel energético ou cubos de marmelada. Desta vez até fiz algo que não costumo fazer, acreditar cegamente nos abastecimentos da organização e acabei por não levar rigorosamente nada comigo. Face a situações passadas de falta de abastecimento por fazer pertencer ao ultimo terço do pelotão, criei o hábito de não ir para prova de “mãos a abanar”. Mas desta confiei e não tenho nada a apontar de negativo, bem pelo contrário, porque não só não me faltou nada como todos os voluntários com que me cruzei foram super prestáveis!

Estava eu a caminhar pela primeira vez enquanto comia uma marmelada quando junto à placa dos 15km vislumbro a Bo. “Mas que raio faz ela aqui?!” Pois bem, vinha cumprir o que tínhamos combinado previamente… depois de puxar pela Ana o que a levou a bater um PBT pessoal aos 10k, voltou para trás para me apanhar. Não há dúvida que esta miúda é uma força da natureza!!! Por esta altura já tinha as pernas a “berrar” comigo... a verdade é que treinos acima dos 10k têm sido escassos, pois tenho estado focada em criar ritmo, e apenas por desencargo de consciência, tinha feito um treino de 16km do Parque das Nações até Belém 15 dias antes, num ritmo muito mais baixo do que o que estava a imprimir na prova. Portanto entre o cubo da marmelada e a alegria da Bo lá consegui arranjar energia para me manter numa postura digna mas forçada até ao final da prova. Deixei de repetir o mantra dos “2:15” e passei para “2:20” “2:20” “2:20”

 

 

O últimos 6 km’s de prova foram feitos a custo, sobretudo devido às dores musculares, mas ao contrário do que até então era normal, com bastante à vontade em termos cardio respiratórios. Os treinos e a natação estão finalmente a dar os primeiros frutos primaveris! O sol deu o ar de sua graça e já perto da meta recebi o boost final com o incentivos dos amigos que estavam à minha espera. Tentei acelerar um pouco mas parecia que tinha troncos ao invés de pernas. Passei a meta de mão dada com a Bo, feliz por a ter ali ao meu lado pois a sua companhia no último troço foi fulcral para converter o mantra idealizado num valor real de 2h23m de prova... para quem se questiona sobre a estampa nas costas da nossa t-shirt, é isto que designamos de #crewlove.

 

Apesar de não ter sido a prestação que desejava fui finalmente feliz na Meia dos Descobrimentos e hoje não já não sinto “medo” de lá voltar!

III Meia Maratona dos Descobrimentos e 10km

Por Bo Irik

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É já dia 6 de Dezembro que irá decorrer a terceira edição da Meia Maratona dos Descobrimentos.

 

Pessoalmente gosto muito desta prova porque calha sempre no fim-de-semana do meu aniversário e porque participo nela desde a primeira edição. Na sua primeira edição, em 2013, para mim esta prova representou uma vingança da minha primeira Meia Maratona, que tinha sido a Meia Maratona R’n’R (Outubro 2013). A minha primeira Meia Maratona foi feita em grande sofrimento a partir do km 17 e não tinha conseguido cumprir o objetivo ao qual me tinha proposto. Assim, a Meia Maratona dos Descobrimentos, dois meses depois, foi uma excelente oportunidade de vingança. E com sucesso.

 

Em 2014, voltei a participar nesta prova, já em modo Crew Trip, pois, a Crew do Correr na Cidade participou em peso. Podem ler a minha experiência de 2014 aqui, bem como a do Luís Moura que em 2014 bateu o seu PBT com 1:27:53! Este ano lá estaremos novamente. Será um ano de PBTs? O percurso, que este ano será idêntico às edições anteriores é muito rápido e de facto permite PBTs ;)

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Este ano haverá três provas: a Meia Maratona, a prova de 10km e uma caminhada de 5km. Assim, será um evento indicado para toda a família! A organização, a Xistarca, promete pontos de controlo de 5km em 5km ao longo do percurso e existirão locais de abastecimento com água também de 5km em 5km. Como costuma estar frio no dia da prova, a organização disponibiliza bengaleiro para todos os atletas que queiram guardar os seus sacos. Recomendamos que venham agasalhados antes e após a prova. Já durante é conforme acharem melhor. Para garantir uma boa recuperação, haverá serviços de massagem para todos os participantes da Meia-Maratona que necessitarem, proporcionada pelo CEFAD - Escola de formação profissional na área.

 

A grande novidade deste ano é que a prova é patrocinada pela Kalenji, a marca paixão da Decathlon dedicada ao running. Assim sendo, o kit do atleta para a Meia Maratona será composto por calções desportivos aos primeiros 500 inscritos; T-shirt técnica de manga comprida para todos; Medalha; Saco; Video de chegada e Diploma. Para os participantes da prova dos 10km e caminhada (5km), a t-shirt não é de manga comprida, mas é de material técnico e haverá modelo feminino também.

 

As inscrições podem ser efetuadas online ou presencialmente na Xistarca (Calçada da Tapada, 71A Lisboa), até dia 2 de Dezembro.

 

O ano passado foi assim e este ano será ainda melhor. Alinham? Mantenham-se atentos ao blog, teremos um passatempo com oferta de dorsais muito em breve!

Vemo-nos lá? ;)

Race Report: II Meia Maratona dos Descobrimentos

Por Bo Irik:

 

E porque nem todas as provas de corrida são um mar de rosas, segue a minha race report da Meia Maratona dos Descobrimentos, cuja segunda edição decorreu no passado domingo entre Belém e Santa Apolónia, Lisboa.

 

Há cerca de um mês, quando me inscrevi para esta prova, estava ansiosa. Sentia-me bem e iria treinar para finalmente conseguir baixar dos 1h50 na Meia Maratona. Este ano, a Meia dos Descobrimentos seria a minha sexta Meia Maratona, sendo que as anteriores foram sempre feitas em 1h50 e picos, razão pela qual queria fazer a última meia deste ano abaixo dos 1h50.

 

Os dias anteriores à prova caracterizaram-se por muita festa, pouco sono, num misto entre a festa de Natal da empresa e o meu aniversário. Para além disso, nas semanas anteriores não tive a oportunidade (e vontade) de fazer treinos de séries/fartlek para me preparar para a Meia. Perante estes antecedentes, já me tinha mentalizado que 1h50 para esta prova seria difícil e decidi, ver como corria e não preocupar—me demasiado, desfrutando sim, da “viagem” e convívio.

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Sem grandes pressões de tempos apenas cruzei a partida cerca de 3 minutos depois de ter sido dado o tiro de partida, pois a prova estava bem frequentada. Os primeiros 17km correram muito bem. Senti-me bem, e embora tenha tido azar com a bateria do meu mp3, consegui manter um bom ritmo, sem música, sozinha. Sozinha, ou não. Acompanhada de muitas caras conhecidas com as quais me ia cruzando e apoiando, já que o percurso era de “ida e volta”. Foi, mais uma vez, cerca do km 17 que o diabinho do “porque é que tu corres?” apareceu. Ainda consegui afastar o dito cuja umas quantas vezes e não desistir do ritmo, pois, não senti dores algumas e não faria sentido parar aí. Se continuasse naquele ritmo, iria conseguir fazer a prova em menos de 1h50. Mas não continuei. Não me doía nada, mas abrandei, caminhei. Voltei a correr um pouco mas pouco tempo depois, voltei a caminhar. Caminhei até a Maria Oliveira, uma atleta de 55 anos dos Papagaios de Cascais, me “salvou”. Salvou-me do “diabinho” e consegui correr até ao fim, à conversa com a Maria. Ainda tentei dar um sprint nos últimos metros, mas, segundo o meu relógio, cruzei a meta aos 1h51 de prova.

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Satisfeita? Mais ou menos. Podia ter corrido melhor. Teria corrido melhor se não tivesse voltado a ter estas estúpidas quebras emocionais. Pensava que as tinha superado, pois nas minhas últimas meias, não me tinham ocorrido, e num treino de 30km sozinha, que fiz há duas semanas, também não. Enfim, aprendi que ainda tenho muito a evoluir, não só fisicamente, mas principalmente emocionalmente. Muito obrigada à Maria Oliveira que me rebocou nos últimos quilómetros.

 

No que toca à prova em si, ao marketing e disponibilização da informação pré evento, não tenho nada a apontar. O convívio também foi TOP, mas a culpa disso, não é da organização, mas sim do espírito do Correr na Cidade com quem estive neste dia. Em termos logísticos, penso que 10h é uma boa hora para começar uma Meia Maratona no mês de Dezembro porque já não faz calor.

A organização disponibilizou bengaleiros, algo muito positivo, tendo em conta o frio que se fazia sentir. O percurso é, a meu ver, dos mais “secantes” das Meias Maratonas em Portugal, um pouco monótono por ser de “ida e volta” e numa zona da cidade que não é novidade para a maioria dos atletas de Lisboa. Em contrapartida o percurso é giro porque cruzamos nos com atletas que vão em sentido contrário, permitindo cumprimentar e apoiar, e é bom para fazer bons tempos, por apenas ter uma subida no início e de resto ser plano. Adicionalmente, o percurso é ótimo porque não causa engarrafamentos. No que toca aos abastecimentos, água não faltava, mas os gels que prometeram nem os vi, só mel. Na meta é que houve algum congestionamento para o acesso à água e fruta (e um mini bocadinho de isotónico), que também é chato, pois, estava a “morrer” de sede e tive de esperar algum tempo na fila para poder obter uma, pois, não nos podiam dar mais, garrafinha de água.

Uma grande falha da Xistarca foi que "devido a uma avaria técnica de umas das caixas de cronometragem da partida, não nos é possível apresentar os tempos de chip fiáveis dos atletas. Estivemos a tentar uma resolução tecnológica que nos permitisse recuperar todos os dados mas todas as tentativas não foram bem sucedidas." Para quem fez PBTs é muito chato. Muito. Nomeadamente quando o tempo de chip e o de prova são muito diferentes (quase 3 minutos no meu caso...).

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Em poucas palavras, uma segunda edição da prova bem conseguida mas com alguns pontos de melhoria. Espero em 2015 estar presente pela terceira vez na Meia dos Descobrimentos. Enfim, foi um dia muito bem passado no meio da crew e amigos. Quero mais!

 

E agora, qual a próxima Meia Maratona?

De volta às voltas de uma Meia Maratona

10354083_736671096414224_8255201606027799464_n.jpg Os crew members que foram à Meia dos Descobrimentos mais os nossos amigos.

 
Por Filipe Gil

 

E no passado domingo, menos frio do que parecia poder estar, acordei pronto para fazer a minha 5ª meia maratona de estrada. A primeira dos últimos 14 meses.Entretanto já fiz a distância várias vezes em treinos e sobretudo em provas de trail, mas desde Setembro de 2013 que, literalmente, não me fazia à estrada.

 

A manhã começou sem grandes expetativas. Apenas a indecisão naquilo que iria vestir (por causa do frio) e calçar (por causa de umas dores chatas que me têm andado a fustigar as plantas dos pés).

 

Ainda em casa, sentado no sofá a tentar acordar e a tentar dizer ao resto do meu corpo que fazia algum sentido deixar a casa, quente e confortável, pelo frio de correr na rua e em calções, quando recebo um SMS de uma das nossas crew members a perguntar-me pelo dorsal. Acordei logo, fiquei stressado. Ao que parece tinha havido uma confusão no levantamento dos dorsais, e uma das nossas meninas, que pagou pelo dorsal, estava sem ele. Saí de casa pronto a dar o meu . Não escrevo isto para pensarem: “Ai que fofinho, pronto a sacrificar-se pelos outros”; Não. A corredora em causa estava com muitas mais “ganas” de fazer a prova, e isso era razão suficiente para lhe dar o dorsal, sem problemas. Mas o engano foi prontamente resolvido e todos corremos, oficialmente, na 2ª edição da Meia Maratona dos Descobrimentos. 

 

Decidi que iria fazer a prova com o Nuno Malcata, que anda a bater-se com umas lesões chatas nos joelhos e ainda está a reganhar forma. Partimos juntos, e com o Nuno Espadinha. Na subida, logo a seguir aos Jerónimos, desafiei o Espadinha a descermos na Avenida Dom Vasco da Gama a “abrir”- "É um treino para as descidas de trail", disse-lhe. E lá fomos. Corpo inclinado para a frente, boa base de apoio na passada, mas quase em bicos dos pés, equilíbrio, q.b., e descemos aquela avenida a 4 minutos ao km. No final, cansado, disse ao Nuno para seguir que eu esperava pelo Nuno. E ele seguiu fazendo um excelente tempo.

10850062_736978049716862_4068966244883299694_n.jpg Uma das melhores provas na distância do Nuno Espadinha. Os treinos estão a dar resultado!
 

Abrandei, abrandei muito e lá vinha o Nuno no ritmo com que tinha decidido fazer a prova. E eu decidi fazer a prova com ele. Raramente o fazemos e já não corria ao lado dele desde o Louzan Trail. Corridas há muitas, e de estrada então…, assim decidi que seria mais giro estar com o meu amigo e fazermos a corrida nas calmas. Apesar disso, ia com a ideia de fazermos a prova em 2 horas, mais coisa, menos coisa.

Mais uma vez fiquei muito triste com o pouco apoio dado aos corredores. Cheguei mesmo a olhar para alguns espectadores e a pedir-lhes palmas de incentivo. Pensaram, certamente, que me estava a aquecer, pois ficaram inertes.  Para quando, mas para quando, uma corrida com palmas de quem assiste? Será inveja dos “magrinhos” que passam por eles? Será desprezo? A não ser um grupo animado de espanhóis, no Cais do Sodré, o apoio foi de uma pobreza franciscana. Acho que o Correr na Cidade qualquer dia tem de criar um workshop: “Como apoiar corredores de rua em dias de prova”.

 

Voltando à corrida, lá fomos nas calmas. Média religiosamente cumprida de 5:45 por km. A partir do Cais do Sodré começou a “festa” de vermos caras conhecidas já no caminho de regresso aos Jerónimos. É sempre giro apoiar e gritar pelas pessoas por quem passamos – ou neste caso, que passam por nós. Os mais concentrados, nem percebem. Mas não deixa de ser uma festa.

 

Nesta altura, na curva de regresso, poucos metros depois da Estação de Santa Apolónia, o Nuno Malcata começou a ficar um pouco mais atrasado e disse-me para eu seguir que estava mais "solto". Por acaso não estava, estava com os bolsos dos calções cheios de mel, do gel líquido e mais não sei o quê. Parecia que tinha ido às compras. Mas sim, fisicamente estava a sentir-me bem.

 

Sou “apanhado” pela Patrícia Mar que tinha em mente baixar o seu tempo na distância, e passo a passo, lá foi ela em busca do seu PBT. E conseguiu. Nunca mais a vi. Ainda tentei puxar pelo Nuno, mas confesso que não sou o melhor pessoa para o fazer enquanto corro. Acho que só lhe disse: “Vamos lá, faz de conta que estamos nos 50K do Piódão e estamos a 7 km do próximo abastecimento”. Mas quem é que fica motivado com isto?

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A Patrícia Mar com os seus passos ligeirissímos deu um verdadeiro "bigode" a muita gente 

 

Este mesmo pensamento fez-me sentir saudades de correr nos trilhos. E por causa disso, ali pelos 15/16km comecei a ficar farto da prova. Culpa minha. Há dias assim. Comecei a pensar na minha prova de 50K em março, e que esta Meia seria o início da minha preparação, e que apenas serviria para colocar quilómetros nas pernas.

 

Nesta altura começo a analisar os ténis com os quais corri, os Reebok One Guide 2.0, e chegou à conclusão que para estas distâncias necessitam de um pouco mais de apoio e de uma construção estrutural um pouco diferente – mas disso falarei na review final que irei publicar em breve. Comecei também a pensar também que tinha sido boa escolha ter-me “despido” de roupa supérflua e ter corrido apenas de t-shirt (e calções, claro). Compensou! E o boné Trucker Hat também ajudou. É um tipo de boné muito usado pelos trail runners norte-americanos. Na crew decidimos fazer uns quantos e parece que fizeram sucesso. 

 

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Gosto tanto do meu "trucker hat" que até pareço um trail runner norte-americano quando está parado (lol!) 

 

Já ali perto dos jardins do Palácio de Belém, farto, fartinho da prova, tenho um final boost. Vejo a minha mulher e o meu filho mais velho a darem-me apoio. Yes! Como ele tinha de passar a manhã a preparar-se para os primeiros testes da primária, pensei que ambos tinham ficado em casa a estudar. Mas não, foram ali dar um apoio. ( e estudámos à tarde!)

 

A partir dali comecei a correr mais a sério. Parece estúpido, mas acho que, dos 21km que fiz, e tirando a descida inicial, só entrei na prova a cerca de 1,5km do final. Ridículo, muito. Mas aí lembrei-me que seria giro fazer a prova abaixo das 2horas. E comecei a correr. Por via das dúvidas, nem olhei para o relógio, para não perder a “pica” dada pela mulher e filho mais velho. E continuei a correr, finalmente, e quase 2 horas depois.

 

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O Nuno Malcata fez a prova nas calmas. A recuperação de lesões fazem-se assim.

Na meta vi o relógio, dizia 2h02, qualquer coisa assim. Talvez, não, de certeza o meu pior tempo de sempre numa meia maratona. Parece parva a atitude com quem fiz a prova, parece uma falta de respeito pelos corredores que não a puderam fazer por uma razão ou outra, mas ao invés de estar aqui a mentir e a dizer aquelas frase tontas de motivação e superação, sou honesto e digo-vos ue esta foi uma prova em que fiz sem grande motivação, apenas pelo prazer de rodar e de encará-la como a minha ultima prova “a brincar” - porque a partir daqui todos os treinos e todas as (poucas) provas em que irei participar só têm um objetivo: os 50 km do Piódão, em finais de março.

No final ficamos um pouco em amena conversa e a apoiar o esforço dos atletas menos rápidos. Estou certo que o nosso incentivo em palavras e palmas foram ouro para os metros finais deles.

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A Bo tem um fétiche pela hora e 51 minutos. Ainda esta semana explica-vos porque, aqui no blog 

 

Duas notas finais:

  1. Foi a minha estreia nesta prova. E gostei muito. Não tanto do percurso, que é conhecido de provas mais antigas, mas pela organização que esteve irrepreensível. Nos abastecimentos, nas águas, no apoio aos atletas, no que foi dado no final. Se tivesse de avaliar a organização da prova de 0 a 10, dava um 10, claramente. Até tiveram sorte com a meteorologia.

  2. Uma palavra final para três mulheres: a minha, porque ao invés de ter um domingo descansado no quente do lar, apressou o filho mais velho e foi, ao frio, aplaudir o marido. À Ana Morais Guerra, que também podia ter ficado no quente do lar e vestiu o hoodie da Crew e foi tirar fotos, muitas, que podem ver aqui. E à Joana Malcata que fechou a prova dos 21K quando, simplesmente, podia ter desisitido. Nós corredores somos mesmo diferentes, não somos?

10847878_736982859716381_4955858481221904642_n.jpgMetros finais da prova da Joana Malcata acompanha por alguns membros da crew. Ninguém fica para trás! 

 

 

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