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Correr na Cidade

Correr uma Maratona - Sevilha 2018

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Dizem que com passar dos anos começamos a apreciar mais os pequenos momentos, os detalhes, os lugares, as situações quotidianas, as pessoas.

 

Quando a New Balance me convidou a correr a maratona de Sevilha 2018 não hesitei. Apesar de não andar a treinar especificamente para este tipo de prova e ser para mim a maior demonstração de superação e resiliência em corrida, não consegui resistir ao fantástico convite que nos fizeram.

Desde a minha primeira maratona, Sevilha 2015, que queria regressar a uma prova destas e esta era a oportunidade perfeita. Uma prova plana, um ambiente fantástico, os espanhóis são fenomenais a puxar pelos atletas, e o facto de fazer 38 anos nesse fim-de-semana tornaram o convite irrecusável.

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 Assim dia 25 de fevereiro de 2018 corri a minha segunda maratona e pelo menos nos próximos tempos para mim chega. Começar os 38 anos desta forma foi uma experiência fantástica.

 

Chegados ao estádio para colocar o saco com a muda de roupa o ambiente estava intenso e barulhento. Corredores em todos os lados, uns a ultimar os últimos pormenores, outros a tirar as muitas fotografias que inundaram as redes sociais. As condições para a prova estiveram ideias e sentia-se a alegria no ar.

 

Ao meu lado estava o meu grande amigo e primo Ulisses Nunes, mais recente membro do Correr na Cidade que se estreava nesta distância, o que ajudou a tirar algum do stress por ser o mais experiente dos 2 nestas provas.

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O objetivo era correr num ritmo constante de 5´30´´ e se conseguíssemos acelerar a partir do quilómetro 35.

 

Correu tudo conforme planeado e mais importante corri feliz. Não foi tudo fácil, numa maratona nunca é. Do primeiro ao último todos sofrem em algum momento, é preciso ser resiliente, otimista e absorver a energia do público e dos restantes corredores, e muito importante treinar e estar preparado para este esforço físico.

 

Corri tranquilo até ao quilometro 35, imaginem só, sempre a um ritmo constante, a comer a cada 50 minutos e a beber em todos os muitos abastecimentos da prova. No final já não conseguia engolir mais aquaris e tive que efetuar um pit-stop rápido ao 12 quilómetro.

 

O que me ajudou foi correr descontraído, aproveitar cada momento da prova e correr acompanhado, sozinho seria capaz de correr tantos quilómetros em estrada.

 

O quilómetro 35 foi o teste e desta vez passei com distinção. Apeteceu parar a cada momento, as pernas estavam cansadas e sempre que alguém deixava de correr ao meu lado o meu cérebro gritava para fazer o mesmo. Mas continuei, foquei-me no objetivo e fui correndo um quilómetro de cada vez.

 

Nessa altura o Ulisses arrancou a grande velocidade para tentar baixar das 3h45 e eu continuei no meu ritmo tranquilo sabendo que o objetivo de baixar das 4h estava cumprido, faltava agora tentar o melhor tempo possível, mas também não era para isso que estava ali.

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 Queria divertir-me e marcar este ano como um ano de mudança e superação. Comecei bem agora resta continuar.

 

O final da prova é sempre emocionante, muito choro, sofrimento, superação e demostrações de humanismo e amizade.

 

Quero agradecer à New Balance pela oportunidade de correr em Sevilha, uma prova muito bem organizada, onde nos sentimos em casa com tantos portugueses e com um ambiente fantástico, para mim a prova ideal para quem se quer aventurar nos 42k.

 

Um grande abraço ao meu companheiro de aventuras Ulisses Nunes que está cada vez a correr melhor, a partir daqui é sempre a melhorar.

 

Nota final para os New Balance 1080v8 que são 5 estrelas. Confortáveis, com amortecimento suficiente para uma maratona e que me permitiram correr com os pés “frescos” e sem dores até ao fim.

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Review em breve no blogue.

Tempo final 3h52m22s.

Acho que agora só aos 40 é que me meto noutra destas.

Backstage Race Review: Maratona de Sevilha

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 Por Ana Sofia Guerra:

 

Quando se junta a vontade de passar um fim-de-semana fora do país e em boa companhia com a vontade de saber como é correr uma maratona num país diferente, surge a ideia de acompanhar alguns membros da running crew do Correr na Cidade e amigos na Maratona de Sevilha. E, claro, tirar muitas fotos.

Nunca tive vontade de correr uma maratona mas, para quem corre numa prova deste tipo, é importante saber que tem alguém a apoiá-lo no meio daquela multidão. E que multidão! No dia da prova, pelas 8h30 da manhã, as ruas enchiam-se de gente que se tinham levantado cedo a um Domingo para apoiar os atletas.

Mas, voltando um pouco atrás…outro dos objetivos que eu tinha nesta viagem, era estudar o tipo de pequenos-almoços dos nossos atletas. Certamente que ia ter bons e diferentes exemplos. Mas, em breve, irei escrever sobre este assunto.

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Durante a viagem para a Sevilha, os nervos já estavam à flor da pele. Mas os nossos atletas tentaram disfarçar e conseguiram. Tal como não podia deixar de ser, o jantar antes da prova foi a nossa tão famosa massa “catum” e umas belas batatas-doces assadas trazidas pelo António Vale. Depois duma boa refeição e dumas boas gargalhadas, lá fomos tentar dormir. Eu não ia correr, mas estava muito nervosa por eles. Sabia que esta era uma prova importante para os nossos atletas porque, para uns seria a maratona duma vida, para outros um esforço para o qual não sabiam se estavam preparados e para o Nuno Malcata seria lutar contra o Adamastor do 37ºkm.

 

Quando nos levantámos, o dia ainda não tinha nascido e o movimento começou: géis dum lado, equipamento para o outro, preparação dos pequenos-almoços e eu a tirar fotos a toda aquela logística. O caminho até ao estádio foi animado, com risos nervosos mas com pensamentos muito positivos. Depois de algumas fotos, lá deixei os nossos atletas perto da partida. O combinado era eu estar presente nos km 8, 15, 22 e na meta.

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E, agora, começa a minha odisseia: eles fizeram a maratona e eu corri entre estes pontos, de máquina na mão, sempre atrás duma bela fotografia. Adorei ver a quantidade de portugueses que participaram nesta prova. Vi muitas caras conhecidas de outras aventuras. E não tenho vergonha de admitir que, no meio daquele calor da multidão, chorei bastante. Eram lágrimas de alegria e de nervosismo enquanto via as pessoas a apoiarem constantemente os atletas. E vi o quanto aquilo era importante para quem corria. Infelizmente, nunca senti aquele apoio no nosso país neste tipo de prova. Mas já o senti em provas de trail ao passar em terras mais pequenas mas acolhedoras.

 

Quando chego ao estádio para ver a chegada dos nossos amigos, não queria acreditar no que via: muitos sorrisos, muitos gritos, muitos abraços, muito calor humano. A sensação foi incrível! Naquele momento percebi o porque é que esta prova é tão famosa. Eu e a Joana tínhamos corrido o último km ao lado dos maratonistas que se esforçavam para fazer a sua entrada triunfal no estádio. E apenas esperámos cerca de 5 minutos quando avistámos a Bo e o Nuno Malcata a chegarem. Nessa altura passei o telemóvel à Joana para ela fazer um vídeo e eu fotografar aquele momento tão especial e aconteceu o que se viu. Os nossos gritos são de pura alegria por eles terem chegado ao fim, bem de saúde e com cãibras na cara de tanto sorrirem durante a prova. Enquanto estava a fotografar aquele momento, vejo a Patrícia Mar a passar a meta e nem ela estava a acreditar no que estava a acontecer. No final, os nossos campeões vinham com capas de plástico amarelo e com uma expressão fantástica no rosto.

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Depois desta aventura e dum banho bem tomado, fomos almoçar umas belas tapas à espanhola e passeámos por esta cidade magnífica. Na bagagem, os nossos atletas trouxeram o sabor da vitória pessoal e eu trouxe imagens duma aventura que jamais esquecerei.

 

Boas corridas!

Sevilha e um fim-de-semana com direito a tudo

 

 

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Por: Tiago Portugal

Família, amigos, muita diversão, viagem, cultura, comida e bebida com fartura (talvez mais do que o desejável) e para terminar uma maratona. Posso resumir nestas palavras este fim-de-semana alargado, meti férias na sexta-feira, e não podia pedir mais. Simplesmente fantástico, do primeiro ao último minuto. Conciliei pela primeira vez férias familiares com eventos desportivos e fiquei fã, com o bónus de ter tido um apoio especial ao longo da prova.

 

Mas voltando um pouco atrás, porquê correr uma maratona e qual a razão de ter escolhido Sevilha? Fácil de explicar. Todos os anos dia 1 de janeiro escrevo alguns objetivos que espero alcançar nesses 365 dias, sendo que para alguns estabeleço prazos mais alargados. Em 2013, escrevi que antes dos 35 anos teria que concluir uma maratona, não importasse qual. O tempo foi passando e a maratona foi ficando em banho-maria. Em setembro do ano passado enquanto limpava a carteira encontrei por acaso o papel que escrevi no dia 1 de janeiro de 2013. Reli e vi que tinha alcançado quase tudo a que me propûs. Correr uma maratona estava entre os objetivos por realizar e com o prazo a acabar as alternativas começavam a escassear. Uma conversa rápida com o Nuno Malcata e decidi que Sevilha 2015 seria a melhor hipótese e a última, pois 2 dias depois  da prova o prazo estabelecido expirava. Ficou logo decidido, seria em Sevilha a minha estreia na maratona, ainda para mais com membros da crew do CnC a acompanhar-me nesta aventura.

IMG_0684.JPGUm mês depois da inscrição, num jantar de família o assunto maratona foi naturalmente discutido e o meu cunhado, ainda virgem nesta distância, inscreveu-se também ele na maratona de Sevilha. Foi o passo que faltava para que a maratona se transformasse numas miniférias familiares e aproveitar para irmos, todos, passear até Sevilha.  

 

O fato de ter ido com a família e com amigos fez com que não pensasse tanto nos 42km da maratona e permitiu-me estar menos ansioso. Tirando sexta à tarde e sábado à noite mal pensei na tarefa hercúlea a que me tinha proposto, a falta de treino também me estava a assustar. Devia ter treinado muito mais? Sem dúvida que sim, no mínimo uns 2 treinos longos em estrada.

IMG_0587.JPGChegados a sevilha e já instalados decidimos ir diretamente à Expo levantar os dorsais e passear pelos expositores. Foi uma boa decisão pois estava pouca gente, conseguimos levantar o Kit do atleta bastante depressa e ainda deu para passear, ver e comprar alguns produtos que dificilmente se encontram em Portugal (Injinji, X-Socks, modelos da Scott e da INOV-8). Sendo a New Balance o patrocinador oficial da prova estava muito bem representada na feira, com a nova coleção toda exposta sendo que a edição especial do modelo Fresh Foam Zante maratona de sevilha era o maior destaque.

 

Depois da feira foi altura de aproveitar e ir beber umas cañas e comer tapas. Sábado foi dia de conhecer a fantástica cidade, aproveitámos o dia maravilhoso e passeamos pela cidade. Ao fim da tarde encontrei-me com o resto do grupo do CnC e amigos que tinham chegado nesse dia. Pusemos a conversa em dia, combinámos o encontro no dia seguinte e já com os nervos a aparecer fomos para casa jantar. Seguindo os conselhos da Ana Sofia Guerra preparámos uma massa com atum.

 

Após uma noite mal dormida às 7h00 estávamos, eu e o meu cunhado Roberto, a tomar o pequeno-almoço. Apesar de estarmos com aquele nervoso miudinho lá nos despachamos a horas e saímos porta fora, convictos de que no regresso seriámos maratonistas. Às 08h00 reunimos-mos todos e partimos em direção à zona da partida. A conversa fluía naturalmente, sentia-se a ansiedade no ar, mas estávamos todos otimistas.

IMG_1596.JPGCuriosidade, na zona da partida além do speaker espanhol, estava um speaker português o que mostra a aderência dos corredores nacionais a esta prova, pelo que ouvi cerca de 850 portugueses estavam na linha da partida. A euforia era muita. Uma grande festa! Minutos antes da prova estivemos à conversa com um espanhol de 70 anos que ia fazer a sua estreia na maratona, mais uma prova de que a idade não é obstáculo. O que nos disse foi que acima de tudo nos divertíssemos. O objetivo final deve ser esse, correr sim, mas acima de tudo temos que gostar do que estamos a fazer e tentar nos divertir ao longo dos 42km. Falhei neste aspeto, a partir do 27km não me diverti nada.  

 

5,4,3,2,1 e começou! Desejei boa sorte a todos e arranquei com o Roberto. Devido à minha falta de treino e do peso adquirido nos últimos 2 meses, 4kg, decidi que ia correr a um ritmo confortável de 5m40s o km, se conseguisse acelerava um pouco no fim. Devia estar excessivamente confiante para pensar que após 35km ia conseguir acelerar, foi mais o inverso, desacelerei.

 

Decidi que ia tentar seguir o meu plano original, afinal o objetivo era acabar, se conseguisse em menos de 4h era a cereja no topo do bolo. Durante os primeiros 15km eu e o meu cunhado parecíamos relógios Suíços, sempre ao mesmo ritmo e com o balão das 4h a poucos metros de distância.

 

Tínhamos combinado que ao 7,5km íamos ter o primeiro apoio da nossa comitiva, mas passando no ponto estipulado além de muitos espanhóis, não estava lá quem nos mais queríamos. Ainda rogamos algumas pragas, se calhar adormeceram ou foram às compras pensamos nós e seguimos em frente, sempre confortáveis e à conversa.

 

A partir do 5km a prova tem abastecimento de 2,5km em 2,5km, o que é muito bom. Sempre que passávamos por um aproveitava e bebia água ou isotónico, claro que metade ia para fora e ficava a escorrer para os lados ou ia para a t’shirt, isto de beber a correr é uma arte difícil de dominar.

17,5 km 1ª grande surpresa afinal as meninas estavam lá para nos apoiar. Foi uma festa quando as vimos. Que alegria. Os próximos 5 km passaram a voar.

 

Após o abastecimento dos 21km tive que parar por motivos fisiológicos e separei-me do meu companheiro de prova. Tentei acelerar um pouco até ao apanhar mas rapidamente comecei a ficar ofegante e decidi acalmar o ritmo e seguir sozinho. Por enquanto estava bem, a divertir-me e o balão das 4h estava mesmo à minha frente.

Afinal isto não custa muito pensei eu. Falei cedo demais.

post1.jpgAo km 27km nova surpresa, novamente a família e os amigos a apoiar, até parei para dar um beijo emocionado.

 

Depois de este breve momento de felicidade, subitamente começa-me a custar tudo. Os joelhos começam a doer, sempre que meto o pé no chão sinto uma dor na planta do pé, começo a ficar desanimado e os próximos 10km custam-me muito a correr. Apesar de o percurso ser interessante houve duas retas intermináveis, em que pela primeira vez tive que correr a olhar para baixo de forma a não ver o que ainda faltava.

 

Ao longo da prova falei com alguns participantes, sendo que um espanhol avisou que a partir do 35km entrávamos na parte mais bonita do percurso.

 

A partir desta altura a maratona a passar nos locais mais bonitos de Sevilha, o apoio nas ruas começa a ser cada vez maior e a partir do Parque Maria Luísa muita gente a incentivar, ruas cheias de gente a apoiar-nos. Na Serra Nevada já tinha sentido este apoio dos espanhóis e aqui ainda foi mais notório, pena que em Portugal sejam poucas as corrida em que isto aconteça.  

 

Damos uma volta na Praça de Espanha e entramos na zona mais central da cidade, tanta gente nas esplanadas, bandas a tocar música, crianças a esticar os braços, todos a bater palmas e gritar "Animo! Animo!”

Apesar de todo este apoio as forças já faltavam e nos abastecimentos já bebia água parado, sendo que recomeçava a correr logo a seguir.

 

O balão das 4horas já tinha fugido há algum tempo e era agora uma miragem ao fundo. Olhei para o relógio para saber se ainda conseguia acabar a prova abaixo das 4h. Tinha que me esforçar muito, descartei esse objetivo, o importante era mesmo acabar.  

 

A entrada no estádio foi fenomenal, a meta já ali, consegui, o tempo já pouco interessava. Não há palavras suficientes para descrever a sensação de terminar uma maratona. Consegui gritei. Chorei de emoção, de alegria, de dor…

 

Segundos após chegar encontrei o António Vale, fresco que nem uma alface, parecia que tinha acabado uma corrida de 5km por Lisboa, e eu ofegante a falar com ele. Disse-me que o meu cunhado já tinha terminado e estava na zona da chegada pelo que fui tentar encontrá-lo.

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Infelizmente não pude esperar pelos membros da Crew, Nuno Malcata e Bo Irik, mas encontrei a Joana Malcata e a Ana Morais e soube que estavam bem e que acabaram a prova radiantes. Mais um motivo de felicidade a juntar a tantos outros.

 

Resumindo em poucas palavras, foram 42,195m, o meu relógio marcou mais 300m, emocionantes, uma verdadeira montanha-russa. Da ansiedade inicial à euforia dos primeiros minutos, a alegria dos km 17,5 e 27, o excesso de confiança sentido a meio da prova, as dores entre o 27 e o 37km, a energia do público, o esforço dos últimos 3km, as dores e no fim lágrimas de pura alegria, por ter terminado, por ter conseguido.  

 

Sevilha recomenda-se e para quem está a pensar estrear-se na maratona é uma boa aposta, o percurso é bonito, o tempo estava espetacular, fica perto de Lisboa e o apoio do público é ótimo.

 

Quero agradecer à New Balance por me ter fornecido o seu novo modelo 890v5 com os quais corri a maratona, a review final será feita na próxima semana.

 

Muito obrigado à Filipa, isto contigo a meu lado torna-se mais fácil, á minha irmã Inês e á Marta por todo o apoio e diversão durante estes 3 dias.   

 

Para terminar, que isto já vai longo, dar os parabéns a todos os que completaram a prova, especialmente ao meu cunhado, Roberto, companheiro durante estes dias e que me aturou durante 22km, à Bo e ao Nuno Malcata, amigos do CnC, Patrícia Mar, Nuno Alves e António Vale pela estreia na maratona, e à Joana Malcata, que muito bem ainda correu 17km e Ana Morais pelo apoio.

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Boas corridas a todos, 

 

Voltar a Sevilha... para ser FELIZ!

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 Por Nuno Malcata:

 

Este domingo, dia 22, volto a Sevilha para fazer a Maratona. O ano passado fui a Sevilha, acabei a Maratona mas senti que não fiz a Maratona.

 

Se quiserem, e tiverem paciência, podem encontrar aqui tudo o que se passou, num dos primeiros textos que escrevi para o blog, e se escrevi muito.

 

Resumidamente, fui para Sevilha com uma lesão de esforço num dos joelhos, aos 35Km as dores começaram a ser demais, e aos 37Km parei e não corri mais, fiz os últimos 5Km a andar, e passei a meta tranquilamente.

 

Se fisicamente fiz a distância, mentalmente fiquei nos 37Km, e passei o último ano a dizer que tenho de lá ir tirar a cruz do km 37.

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Se o ano passado foi tudo novo, pois era a minha estreia na distância da Maratona, este ano a preparação já foi bem diferente. Para a minha 1.ª maratona fiz a preparação e planeamento com quem muito sabe do assunto, aprendi muito em metodologia e técnica, conhecimentos que apliquei durante a minha preparação para este ano, mas feita por mim, para mim.

 

Em 2014 descobri o que é correr nos trilhos, e tenho focado a minha evolução em Trail, deixando cada vez mais os treinos e provas de estrada, pelo que decidi a meio de 2014 não fazer uma 2ª Maratona em 2014, mas fazer a mesma distância numa prova de Trail, tendo feito o Trail Serra da Lousã, onde fiz cerca de 44Km.

 

Assim, a ideia de voltar a Sevilha manteve-se o ano inteiro, e lá vou voltar, desta vez sem lesões (até ver), para fazer a Maratona de Sevilha.

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Será uma participação bem diferente da do ano passado em muitos aspetos, a começar pela companhia, se no ano passado estive integrado num grupo muito focado e de nível muito elevado para mim, o que me fez evoluir muito, e onde fiz bons amigos, este ano vou com alguns elementos e amigos da família da corrida.

 

Vai ser fabuloso, vamos reencontrar muitas caras amigas, é uma prova com um ambiente brutal numa cidade muito bonita.

 

Vou em modo relax, quero desfrutar de cada minuto, e não tenho qualquer objetivo de tempo final, quero apenas terminar com um sorriso GIGANTE, sem lesões e... FELIZ!!!

Rumo à 1ª Maratona – A concretização

 

Por Nuno Malcata

 

Após a estreia internacional em Ayamonte, Espanha, com recorde pessoal na Meia Maratona, a 1 mês da Maratona de Sevilha, a preparação chegou ao topo com um treino series de 24x 400m, que considero ter sido o melhor treino do último ano, senti-me muito bem, com muita força, fazendo as series em ritmo progressivo e terminei a sentir que tinha dado tudo e com sucesso.

 

No dia seguinte num simples treino de 1 hora senti uma ligeira dor no joelho esquerdo, foi o início de um grande problema. Após o treino o joelho inflamou e a perna esquerda deixou de dobrar.

 

A praticamente a três semanas da Maratona, vi-me impossibilitado de terminar o plano de preparação da melhor forma, mesmo com medicação e tratamento local, a dor persistia.

 

Confesso que desanimei um bocado, após tanto trabalho realizado, via a estreia na Maratona colocada em causa, porque se é importante a concretização dos objetivos a que nos propomos, mais importante é a nossa integridade física.

 

Após nova avaliação da passada, embora seja neutro, o pouco de pronação que tenho, associado ao peso que coloco na frente do pé a correr, aliado à carga de treinos do plano de treinos, podia ser a razão da inflamação, pelo que a decisão foi fazer palmilhas especificas para evitar o peso excessivo no joelho. Com alguns treinos de adaptação, e palmilha corrigida, o joelho deu algumas tréguas na semana anterior à Maratona.

Decidido então ir a Sevilha sem expectativas, iria fazer o que fosse possível da prova, e caso o joelho deixa-se, terminar.

 

Partida para Sevilha na véspera da prova. Se o dia da estreia da Maratona ficará na minha memória, a véspera ficará tão ou mais marcada em mim do que o próprio dia. A minha Crew do Correr na Cidade fez-me uma surpresa e cada elemento da Running Family presenteou-me com uma mensagem de motivação que me encheu o coração e me fez esquecer qualquer receio que pudesse haver relativo ao joelho.

 

Efetuados todos os preparativos para a manhã do dia seguinte, faltou aquilo que qualquer atleta deveria fazer na véspera de uma Maratona: dormir convenientemente. Por mais que quisesse, a cabeça não parava, se dormi duas horas, foi muito.

 

Saí da cama era 06:30, para às 07:00 ter o pequeno-almoço tomado. O receio de comer algo que me caísse mal era tanto que pouco comi do pequeno-almoço do hotel, levei para Sevilha tudo o que me habituei nos meses de preparação e fiz um belo batido de banana, gengibre, aveia, linhaça, goji, canela, mel, pó de guaraná e bebida de aveia. 

 

 

Bem alimentado, vestido a rigor, parti com a minha mulher Joana para o local da partida. Escolhi um dos hotéis mais perto do Estádio Olímpico, pelo que foi só seguir os muitos atletas que se dirigiam para o local da partida. Chegando próximo do estádio o ambiente era vibrante, com os atletas a aquecer, alongar, muita animação entre participantes e apoiantes, uma verdadeira festa.

 

Feita a despedida à Joana, que partia para o Km15 para abastecimento personalizado, foi hora de me colocar na minha secção da partida. Ao avançar um pouco entre os atletas deu para perceber a quantidade enorme de caras conhecidas de atletas portugueses presentes, dá mesmo para sentir que estamos em casa.

 

Pouco antes de arrancar, primeira atrapalhação da prova, o raio do Mp3 não queria colaborar com os phones. Antes da prova uma das dúvidas que tive era se valeria a pena levar musica, ao longo da preparação desabituei-me de andar sempre com música, mas achei que para 4 horas de prova seria bom ter um ritmo no ouvido para algumas fases.

 

Início da Maratona, muitos sorrisos nos rostos, foi a imagem com que fiquei, uma imensidão de felicidade estampada nos rostos de quem inicia a concretização de um objetivo tão grande para muitos.

 

Comecei a prova muito trapalhão, a perceber o primeiro erro cometido, não ter levado qualquer bolsa para os géis, como fazia nos treinos longos. Arranquei com dois géis, para os cinco e 10Km, sem sítio para os colocar, levava-os nas mãos. Com a guerra inicial para por o Mp3 a trabalhar, três coisas para 2 mãos, uma verdadeira trapalhada.

 

Ao Km 2 desisti do Mp3, e foi o melhor que fiz, nem ia a disfrutar da prova e do ambiente fantástico e a passada trapalhona só me estava a prejudicar o joelho.

 

Acertei com um ritmo certinho e muito confortável, e entre atletas com ritmo mais rápido ou mais lento encontrei pequenos grupos onde dava para ir integrado.

 

Aos Km 10 ia com bom ritmo, mas desconfortável, o joelho estava estranho, o anti inflamatório estava a impedir que ele deixasse de dobrar, mas o que sentia no mesmo era muito desagradável. Para piorar, a bolha que fiz na adaptação das novas palmilhas começou a doer, mesmo protegida com penso próprio. Ao Km 12 pensei seriamente que ao Km 15 iria parar.

 

O Km 14 foi um km quase mágico, verdadeiramente emocional. Toda a prova tem um apoio brutal do muito público, mas neste km passamos entre uma multidão de pessoas que aplaudiam e apoiavam todos os atletas, e entre tanta emoção as dores do joelho e bolha simplesmente desapareceram.

 

Pouco antes do Km15 procuro no meio da multidão a minha cara-metade e lá a encontro. Deixo o Mp3 e phones e agarro em mais 2 géis para os km 15 e 20. Neste momento passa o pacer para as 4h de prova e como estava com ritmo certinho tento ir no grupo que o acompanha.

 

Entre o Km 15 e a Meia Maratona foi uma das melhores fases da prova, sentia-me bem, e a disfrutar em pleno do trabalho feito na preparação. A felicidade era tanta que ao Km 16 ligo para a Joana para lhe dizer o que não tive tempo no abastecimento, e ao Km 20 até liguei para a minha Mãe que acompanhava como podia a prova via internet.

 

 

Cruzei o portal da Meia Maratona com um sorriso bruto, um pouco abaixo das 2h de prova, leve e com ganas para fazer uma segunda parte tão boa ou melhor que a primeira.

 

Perto do Km 23, voltam as dores na bolha do pé, dores muito agudas que faziam cada passada ser agoniante. É nestes momentos que a abstração ao sofrimento é importante e a preparação dura torna-nos mais fortes nestes momentos difíceis. Todo o ambiente e motivação dada por colegas atletas ou público é também fundamental para ultrapassar estes obstáculos ao longo do percurso.

 

 

Ao Km 25 recebi o segundo abastecimento personalizado pelo GFD, géis, água e incentivo que deram mais um boost de energia. Concluí também que a bolha deve ter rebentado porque as dores sumiram de novo e a boa disposição voltou.

 

Pouco antes do Km 30 senti a primeira sensação de verdadeiro cansaço, o ritmo naturalmente baixou uns segundos, nada de preocupante.

Sendo a estreia na Maratona desconhecia a confusão que se gera em cada zona de abastecimentos, a cada 2,5Km há bancadas com copos com água e em alguns com bebidas açucaradas. Dado o meu ritmo lento, com o passar dos km cada abastecimento se torna mais caótico, com milhares de copos espalhados pelo chão e cada vez mais atletas a parar abruptamente em vez de agarrarem nos copos e seguirem para não atrapalhar.

 

No abastecimento do Km 27,5 comecei a ter sérias dificuldades em passar pela zona de abastecimento e tive de fazer uma travagem brusca porque um atleta parou de repente à minha frente, foi como se me tivessem dado uma martelada no joelho. Este foi o meu “Homem da Marreta”, já me tinham avisado que ele deveria aparecer, nunca achei que fosse um colega atleta.

 

 

 

 

Nos abastecimentos do Km 30 e 32,5 nem me aproximei das mesas, mas a dificuldade de encontrar um caminho limpo era tanta que nem fugindo das mesas era possível correr sem o risco de escorregar no mar de copos espalhados pelo chão.

 

Com o gel consumido ao Km 30, sem beber agua no abastecimento respetivo, ao Km 31 tive de recorrer a um casal espanhol que gentilmente me cedeu uma garrafa de água que me soube pela vida e me acompanhou até perto do Km 35, obrigado a eles que abdicaram da sua água e do bebé que com eles estava. 

 

Infelizmente o pior da Maratona começou ao Km 33. Depois da paragem abrupta aos 27,5Km, e das zonas de abastecimento dos 30Km e 32,5Km, o joelho começou a deixar de dobrar e as dores começaram a ser muito complicadas de gerir.

 

Gerindo da forma que podia as dores, baixando o ritmo cerca de 30s em relação ao ritmo dos primeiros 28Km, cheguei ao Km 35, onde sabia que estaria a Margarida que me acompanharia nos últimos Kms da prova. Nesta fase muito complicada, fui buscar forças a todo o incentivo que recebi e lembrei-me muito dos companheiros de treino do GFD, do apoio de amigos e família e muito nos companheiros de Crew que em Portugal estavam a participar na Corrida da Árvore, mas estiveram sempre comigo.

 

 

Embora o apoio da Margarida tenha sido fundamental para não parar logo ao Km 35, o empedrado das ruas tornaram cada passada insuportável, o joelho deixou de dobrar quase completamente e cada passada traduzia-se numa dor enorme. Com o Km 37 chegou a decisão mais difícil, parei, avaliei o joelho e não dava para correr mais.

 

Na entrada no estádio Olímpico, decido tentar correr um pouco. No túnel de acesso abortei a tentativa, mas assim que pisei a pista arranquei com o passo possível de corrida.

 

Sabia que a Joana estava nas bancadas, perto da meta, tentei encontrá-la na reta da meta entre o público que aplaudia entusiasticamente os atletas que chegavam. Entre alegria, frustração, emoção e felicidade cruzei a meta, era Maratonista!

 

 

 

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