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Correr na Cidade

Perto das nuvens - Sky Trail Camp 2017

Tivemos o prazer de participar no passado fim de semana no Sky Trail Camp 2017, que se realizou em Porto da Cruz na ilha da Madeira e foi mesmo um prazer, pois só temos a dizer bem deste evento, organizado com o total apoio da Junta de de Freguesia da Porto da Cruz. Regressamos ao continente de coração cheio, não só pela beleza natural incontornável da ilha da Madeira, bem como pela simpatia das pessoas desta Freguesia e da organização do evento que tudo fizeram para que nos sentissemos em casa e podemos dizer que conseguiram.
 

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Dá-lhe brita!! – novamente a caminho do MIUT

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Esta era a expressão que o Ricardo, um grande amigo oriundo da nação nortenha, me gritava sempre que íamos entrar em palco. Era uma expressão catártica, mas que no meio de uma grande galhofada, me permitia soltar uma valente gargalhada e libertar as imensas borboletas que se iam acumulando naqueles momentos antes de “pisar” o palco. 

 

Na altura não era grande artista, nem hoje sou grande corredor, mas algumas coisas me acompanham entre elas a persistência a e capacidade de trabalho.

 

Assim, foram 4 meses com altos e baixos em que fiz a melhor preparação que consegui. Foram: 95 treinos, 96 horas, 867km percorridos e 26162D+ muito? pouco? Não faço a mínima ideia confio nos métodos do Paulo Pires para me levar até ao final.

 

Para os mais distraídos o Madeira Island Ultra Trail é a prova mais importante realizada em Portugal, dado que é a primeira a integrar o chamado circuito mundial de ultra-trail, ou seja o campeonato do mundo da modalidade.

 

A prova em si atravessa a ilha de uma ponta à outra, ou seja de Porto Moniz ao Machico, passando por pontos emblemáticos como seja o Curral das Freiras, o Pico Ruivo e o Pico do Areeiro. São 115km de pura beleza natural, pautados por um verde pujante, levadas e montanhas escarpadas.

 

Desafio? Objetivo? Superação? Conquista? Se tudo estiver a correr como planeado (em 115km muita coisa pode correr mal) à hora que este post saiu devo ter passado o Rosário, ou seja +/- 8horas de prova e 40km percorridos ou seja a caminho de cumprir o meu grande objetivo deste ano terminar, com um sorriso nos lábios (e também dentro do standard definido pelo Top Máquina “menos do dobro do tempo primeiro”).

 

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MIUT 2015 em 6 fotos...

00:00 - Porto Moniz;

09:45 - Encumeada;

12:57 - Curral das Freiras;

18:19 - Pico do Areeiro;

21:47 - Poiso;

01:59 - Machico.

 

 

Race Review: a segunda parte do Madeira Island Ultra Trail

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(segunda parte da race review do MIUT)

 

Por Stefan Pequito:

 

Chegámos ao Curral das Freiras onde era o único abastecimento que permitia a troca de roupa, e onde tinha as minhas queridas New Balance 110v2 à minha espera. Decidi não as usar porque estava satisfeito com as Salming. Falei com o Pedro e com o Lino sobre a intenção de chegar ao Pico Ruivo com eles e a partir daí passar para frente e marcar o passo. E eles concordaram.

 

Bem, lá fomos nós para última grande subida da prova com 1185D+. Sim, já íamos com 5000D+ ou perto disso. Foi um boa subida, sorte da nossa parte, não foi muita rápida mas constante, tenho a noção disso. Estávamos bem, aproveitámos isso e ao menos tempo deu para ver a paisagem que é simplesmente fantástica.

 

Chegámos ao Pico Ruivo moídos mas bem, comemos e disse aos meus companheiros que ia arrancar, para eles me acompanharem. Lá fui eu… Quando dei por mim já estava algo afastado deles mas eles iam bem acompanhados e, por isso, arrisquei e acelerei. Sentia-me bem, aproveitei isso. Foi o momento em que senti que entrei em prova, a competir. Era esse o meu plano. Então fui conquistando terreno até ao Pico do Areeiro. E até ao Pico passámos por túneis, falésias enormes, escadas pequenas, escadas grandes (grande no comprimento e de lances), paisagens que davam vontade de parar e ficar ali a ver, só vendo mesmo. Bem, lá cheguei ao Pico do Areeiro, parei um pouco, comi a minha última canja e um prato de arroz à bolonhesa e arranquei para a reta final.

 

Toca a descer! O calor apareceu. A primeira parte foi uma descida calma que se fazia bem, mas a segunda parte da descida era mais técnica (nada como a primeira), no meio do "amazonas" madeirense, cheio de troncos, terra solta e molhada, onde dava para fazer um pouco de patinagem. Depois disso, veio a “última” subida: a subida até ao Poiso. Esta subida já não tinha nada a ver com as anteriores. Fez-se que nem uma maravilha comparativamente as outras, com um pouco de calçada, trilhos simples, estradão pelo meio de uma quinta com ovelhas, que olhavam para nós a pensar que éramos doidos.

 

No Poiso não quis demorar muito tempo. Abasteci o meu soft flask (bidão) com água, comi alguma coisa e arranquei para a Portela com perto de 16 horas, o que não era mau pois tinha saído do Pico Ruivo por voltas das 12h40. Lá arranquei para a descida que ia dar à Portela. Pelo caminho encontro o Paulo Gomes do Coimbra Trail que me deu o apoio dele. É sempre bom encontrar caras conhecidas, anima sempre. Obrigado!

 

Chego a Portela, olho para o gráfico que levava comigo e perguntei à menina que lá estava como era o percurso, pois no gráfico parecia muito rolante e a descer. A resposta dela foi positiva, seria sempre a descer. Volto a perguntar se era mesmo assim. "Sim, é". Bem, descansado bebi água, abasteci e arranquei forte para acabar a prova o mais rápido que conseguisse. Estava bem, pois acreditava que conseguia abaixo das 18 horas, mas foi um ERRO. Não era sempre a descer. Os primeiros dois km sim, mas depois era um carrossel de sobes e desces acompanhados de muito calor e humidade, lama e por aí fora. Esta situação fez-me “passar da marmita”, o que não foi bom. Não quis abrandar (isto tudo deu mais 350D+ mais ou menos), outro ERRO.

 

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Cheguei a Funduras e já não ia bem. Vejo o grande Rui Luz que tinha tido azar e não estava bem de um joelho; já vinha a caminhar há algum tempo…Tentei comer e beber alguma coisa, mas o mal já estava feito. Eu estava pálido como tudo e o Sr. José Silva do clube Minho Aventura olhou para mim e disse logo que estava pálido como uma parede. Arranquei mesmo assim e durante 20 minutos fui com o Rui e o José. Entretanto, o Rui diz para o José avançar, pois ainda podia apanhar a Ester que não estava longe e lá foi ele. Ainda estive uns minutos com o Rui até ter que me deitar e pôr as pernas para o ar. O Rui deu-me um pouco de chá que ele trazia do abastecimento e umas bolachas. Eia! Não sei se foi só disso, mas aquilo deu-me um "boost" enorme e acordei para a vida. Virei-me para o Rui e disse-lhe "'bora aproveitar o meu boost e anda comigo”. Ele tentou, mas o joelho não deixou. Não gosto de deixar ninguém para trás, mas tinha de aproveitar antes de ficar novamente mal disposto.

 

Bem, esta parte final com 10 km foi uma loucura. Dei tudo o que tinha. Fui passando todos os que me tinham ultrapassado naqueles 30 e tal minutos de angústia. As descidas das falésias junto à costa fiz em sprint; tinha de aproveitar as pilhas antes que elas acabassem. Lá vi Machico, finalmente. Saímos dos trilhos e veio um pouco de estrada e um caminho pedestre pela parte de cima de Machico sempre a ver meta, o que custou um pouco, pois dava vontade de fazer um corta-mato. Para finalizar, um pequena descida de terra e a últimas escadas da prova. Ui! O meu objetivo naquela altura era fazer a baixo das 19 horas, mas cheguei à meta com 19h e não sei quantos segundos… Bahh!

 

Bem, acabei bem com energia ainda, mas rapidamente me tive de me sentar. Em termos musculares estava muito bem para fazer mais quilómetros ainda. A meu ver, isto é bom, pois tenho de fazer as 100 milhas daqui a pouco tempo. E consegui os meus 3 objetivos principais:

 

  1. Acabar;
  2. Acabar bem, sem lesões e alguma energia;
  3. Acabar a baixo das 20 horas.

 

O MIUT é, sem dúvida, uma prova para voltar, não sei se será para o ano ou para outro, pois tenho de ver os meus objetivos do próximo ano. Adorei tudo: as pessoas, o circuito. Foi uma prova dura, muito dura, 115km com 7000+ (pelo meu relógio 7300+).

 

Fiz 36º lugar da geral, 23º do escalão, 21º do circuito nacional. Podia ser melhor? Podia sim, mas acabei e fisicamente bem, que é o mais importante. Para a próxima já conheço o circuito e já posso tentar outra coisa.

 

Bem, a seguir a isto veio outra Ultra - a do "comes e bebes". Primeiro fui jantar com o Luís Mota e a sua senhora, e  também com o Sr. José  -  que acabei por passar durante a prova e que acabou 7 min depois de eu ter terminado. Depois fui dar uma volta, falar com mais pessoal e voltei para a mesa para o segundo jantar, agora com o João Borges e amigos. Para terminar, veio o terceiro jantar com outra família do trail - com os manos Luz, Pedro Turtle, Nelson, Trindade e Bruno Fernandes. Resumindo, uma ultra de comidas enquanto esperava pelo Pedro e o André. 

No dia seguinte veio o descanso e fomos passear em boa companhia com o grande companheiro de trilhos Luís Mota (o meu padrinho das corridas), o Pedro e o puto André, que me surpreende a cada dia que passa com a sua evolução. Juízo, puto!

 

Em termos de agradecimentos o primeiro de todos,vai para o Meu “mister” Paulo Pires e à Armada, pela paciência que têm para mim e me ajudarem nesta evolução que tenho feito. Agradeço, também, ao meu pessoal do Correr na Cidade pelo enorme apoio que me deram até hoje e por sempre acreditarem em mim e motivarem-me todos os dias a querer ser melhor. À loja Girassol agradeço pela enorme ajuda que me deram na nutrição da Biotech que me forneceram (são mesmo muito boas aquelas barras de aveia com chia e mel, os géis e o isotónico de top). Obrigado também à Reebok pelo seu material têxtil de excelência, à Salming pelas sapatilhas T1 que foram uma agradável surpresa; ao Miguel Santos, meu massagista, por tratar do meu corpo e estar sempre pronto para me ajudar e, claro, um enorme obrigado a todos os meus amigos, companheiros, e família pelo apoio nestas minhas loucas aventuras!

 

Como o meu Mister diz “siga” que venha o próximo. Oh Meus Deus, estou a caminho das 100 milhas!

 

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Leiam ou releiam a 1ª parte desta race report

 

 

Race Report: primeiro objetivo de 2015 concluído

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Por Stefan Pequito:

 

Desde de 2014, quando comecei a levar isto das corridas um pouco mais a sério e quando comecei com isto das ultras, que sonho com o MIUT (Madeira International Ultra Trail). Era um prova que gostava de fazer pelo grau de dificuldade que apresenta. Em setembro decidi arriscar e inscrevi-me. Pedi ao Paulo Pires, treinador da Armada de Trail, para me ajudar neste projeto (e não só). Desde janeiro que comecei a treinar para esta prova, mas foi a partir de Fevereiro que veio "a dureza" - foram dois meses muito duros. Fiz tudo o que o meu Mister me pediu, tive dias bons e dias menos bons, dias com muita vontade de treinar outros sem vontade nenhuma, foram dois meses de suor, dor e sangue (literalmente). Posso dizer que o esforço compensou. No futuro, lembrar-me-ei do caso Madeirense que, com muito trabalho duro e dedicação, tudo é possível.

 

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No 7 de abril, no dia do meu aniversário, arranquei para a Madeira, para tentar aproveitar os dias antes para ir ver alguns dos locais, algo que acabou por não ser possível pois andei as voltas a ajudar com boleias a vários amigos meus e a preparar o último material para prova. Acabei por ir ao Curral das Freiras no dia antes da prova com o André Carvalho, mas não fomos pelo trilho certo. Mesmo assim, deu para treinar um pouco a ritmo baixo e conhecer as vistas. Foram dias de convívio que também é bom antes das provas para descomprimir e ouvir várias opiniões das pessoas que já a fizeram e acabar de delinear o plano para a mesma.

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Dia 9, dia da prova, lá foi eu com o meu companheiro de casa apanhar o BUS a Machico e encontrar o Pedro Tomás Luiz. Às 22h30, depois de atravessarmos a Ilha da Madeira toda, chegámos a Porto Moniz. Posso dizer que já estava com um nervoso miudinho no estômago, em pulgas, e ao mesmo tempo com “medo” do que se ia passar. Fiz algo que não gosto de fazer: levei muita coisa com pouco teste. Principalmente as sapatilhas, umas Salming T1, e nutrição nova que a Girassol me arranjou da Biotech. Não quis pensar muito nisso, pois penso que isso é mais psicológico que outra coisa. Bem, lá para às 23h45 entrei para o “curral” de partida e (como se vê na foto abaixo) estava bastante tranquilo. Aproveitei para dar as "boas sortes" ao pessoal que conhecia. Decidi levar logo os bastões abertos e não era para picar ninguém. Pus-me mais ou menos no meio do grupo porque não quis arrancar lá da frente para não cometer nenhum erro inicial.

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Às 00:00 deu-se o tiro da partida. Aquele nervosismo todo desapareceu e apareceu a vontade de sair daí para fora daquela loucura. Liguei o Petzl (marca do frontal) e lá fui eu para a primeira subida. Aproveitei para aquecer os bastões, pois não gosto muito de os usar mas posso dizer que deram muito jeito durante a prova. A primeira subida era uma espécie de arrábida de alcatrão. Aproveitei e "colei-me" à Ester Alves, que ia num ritmo agradável e fui indo até às levadas.

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Nas levadas acabei por perder a Ester, pois havia muita gente com pressa e deixei-os passar. O meu plano para a prova era não me cansar muito nesta primeira grande subida e, ao mesmo tempo, ainda estava a ver como as sapatilhas se comportavam.

O primeiro abastecimento foi no Fanal e a primeira canja soube tão bem! O abastecimento foi fantástico (como todos os abastecimentos), mas depois de terminar o “enche-barriga” vinha o primeiro desafio da prova: a descida para o chão da Ribeira - uma picada sempre a descer super técnica e super escorregadia. Foi o primeiro grande desafio para mim, e para as sapatilhas. Foi ali que vi que os bastões dão muito jeito, pois as Salming falharam neste primeiro teste. Podia ser por serem ainda muito novas e terem a goma ainda na sola, mas ali não foi o ponto forte delas. Desci muito lentamente e a barafustar com as sapatilhas. A única coisa que me acalmava era pensar que a seguir vinha uma bela subida como eu gosto.

 

Realmente adorei a subida do Chão da Ribeira até Estanquinhos. Adorei andar ali no meio da floresta. Via-se uma serpente de luz até lá a cima. Foram 1300D+ “pumba”, só assim em 10km! Antes do abastecimento apanhámos um nevoeiro serrado que mal dava para ver as fitas e frio, muito frio, onde os manguitos deram bastante jeito e a t-shirt térmica também. Cheguei ao abastecimento e adivinhem o que comi? Canja! Uiiii ainda estava melhor que a anterior! 

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Bem, a partir dali, as coisas acalmaram um pouco… Uma descida até ao Rosário, já em grande companhia com o Pedro Turtle - um grande companheiro e atleta. Aproveitámos e fomos a um ritmo "soft mas duro" e fomos fazendo companhia um ao outro. Ao chegar a Encumeada, fez-se luz e apareceu o Lino Luz! E o dia nasceu! Foi um "boost" de energia sem dúvida - as duas coisas claro!

Já não é a primeira vez que faço provas com o Lino, por isso sei que é uma enorme companhia. Mais umas sopinhas, mais uma voltinha e lá fomos nós para Curral. Bem, o que não estávamos à espera era de uma escadaria ao lado de um tubo de água enorme, mas adorei aquela subida. Resumindo, adorei aqueles trilhos até Curral mas aquela subida foi mesmo a cereja no topo do bolo, sim senhor!

 

 - Amanhã partilhamos a segunda parte desta aventura, a partir de Curral das Freiras.

My Path to MIUT 2015 - Histórias de uma jornada - O MIUT

 

 

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 Por Pedro Tomás Luiz

 

25 horas 59 minutos 40 segundos

 

Começar pelo fim… o MIUT é uma prova que nos agarra e nos vira do avesso qualquer concepção ou pré-concepção que tenhamos sobre o que é uma corrida de montanha, sobre o que é subir ou descer ou ainda o que são subidas longas e íngremes. Ok! Tenho de cingir-me a uma experiência curta, circunscrita apenas a Portugal, mas que inclui umas incursões pela Serra da Estrela, Lousã, Gerês e Arga.  No entanto e conversando com atletas bem mais rodados e experientes a opinião é unânime, o MIUT é a prova de corrida de montanha mais difícil em Portugal e das mais difíceis ao nível europeu.

 

Estou apenas a falar de provas de corrida de montanha, não de corridas de aventura ou de raids, cada "macaco no seu galho" e "gostos não se discutem".

 

Falamos de uma prova de uma beleza surpreendente, onde nos sentimos pequeninos, engolidos pela beleza da montanha, pelo verde, pelos picos escarpados, como alguém (francês) dizia "isto é Chamonix de Portugal"... e é mesmo.

 

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Depois há o facto de que para treinar para a Madeira só mesmo na Madeira, vivendo à cota 0 e tendo como palcos de treino a Serra de Sintra e a Serra da Lousã o handicap da ausência de altimetria, de degraus e declives faz-se sentir.

 

Aqui, tenho de tirar o chapéu ao meu treinador, pois se dúvidas houvesse da competência e dos resultados dos métodos que utiliza, o MIUT retirou qualquer dúvida. Conseguiu que um tosco como eu, que nunca tinha feito mais de 53km, conseguisse acabar, sem nenhuma mazela, sem nenhuma queda, sem uma única bolha, sem um sofrimento atroz (expectável para esta corrida) e ainda que dois dias depois conseguisse subir e descer escadas e sprintar para o metro. Tudo se treina... é preciso é saber. 

 

É claro que uma corrida destas, para os comuns mortais, sai-nos literalmente do pêlo, basta ver esta "brilhante"   compilação de imagens tiradas por ordem cronológica.

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Basicamente as minhas lindas bochechas desapareceram, bem como surgiu uma ligeira incapacidade de mexer os músculos faciais e sorrir. Dos meus habituais 12/13% fiquei com 9,2% de massa gorda, ou seja neste momento tenho "ordem para enfardar".

 

Mas desenganem-se os incautos se pensam que passei por um calvário imenso onde me penitenciei de todos os meus pecados, onde me chibatei com os bastões, onde amaldiçoei o dia em que me inscrevi, onde disse que nunca mais fazia uma prova daquela distância... Já passei por tudo isso, mas aquele não era um desses dias. Estive sempre confiante que ia terminar e digo e repito que o "sofrimento" por que passei foi bem inferior quando comparado com outras corridas. 

 

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Assim, se me pedissem para explicar em gráfico, a forma como decorreram os 115km do MIUT simplesmente apresentava este.

 

A classificação obtida,  é para mim totalmente irrelevante, até podia ter ficado no último lugar, que simplesmente me seria indiferente. Pois, como expliquei a alguém que me perguntou porque ia tão atrasado - só existe um único atleta a competir, EU!.

 

Este é o meu desafio, este é o meu objectivo.

 

Fruto da minha total inexperiência neste tipo de distância optei então por uma abordagem muito conservadora da prova que basicamente se resumiu a ser bem poupadinho nas subidas e cauteloso nas descidas. E assim foi, durante 89km poupei-me, até encetar a "revolta dos pasteis de nata" levada a cabo nos últimos 26 km...

 

To be continued... 

 

My Path to MIUT 2015 - Histórias de uma jornada (5ª Subida)

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 Por Pedro Tomás Luiz

 

Quando se prepara uma prova tão longa, o que calçamos e o que vestimos tomam uma importância colossal.

 

Se numa prova curta podemos facilmente acomodar um erro, numa prova desta dimensão temos de tentar diminuir essa possibilidade ao mínimo, sendo certo que até com as coisas mais banais e mais testadas, algo pode correr mal. O factor surpresa será sempre algo com que teremos de conviver.

 

Lembro-me sempre do Ultra Douro e Paiva, no qual de alguma forma associo às sapatilhas (3º par daquele modelo) a razão da minha lesão, embora hoje atribua esse facto mais a uma questão sistémica do que somente às sapatilhas. Certo é que estas só entram de quando a quando na minha rotação e sempre que pego nelas torço o nariz... superstição? talvez... .

 

Assim, ao longo desta jornada tive a possibilidade da marca da Sport Zone - Outpace me fornecer o que vou vestir e da Salomon (marca convidada pela Outpace) me fornecer aquilo que vou calçar e usar como mochila.

 

Se em relação à Salomon pouco há a dizer, dado que se trata de uma marca perfeitamente estabelecida e de referência neste mercado, no que se refere à Outpace, uma marca mais jovem, mas que me possibilitou uma supresa gigante. Esta marca, na minha opinião, teve uma evolução fantástica apresentando neste momento têxtil de grande qualidade a preços muito acessíveis. 

 

Aqui ficam as minhas "mini reviews": 

 

Impermeável/Corta-vento Outpace Sirius

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Tido como um casaco impermeável, corta-vento e transpirável, foi o único material que vou levar à Madeira, que não tive a oportunidade de testar intensamente, principalmente no que se refere à chuva. Apesar disto tive a oportunidade de correr e de sentir a sua protecção face ao vento, bem como a sua boa transpirabilidade. 

 

Prós:

  • Ajuste ao corpo (principalmente do capuz);
  • Função de corta-vento;
  • Bolsos;

 

Contras:

  • O volume quando é dobrado (muito maior que o meu anterior, vai dificultar a arrumação na mochila).

 

T-shirt Outpace Ulisses

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Aquilo que procuro numa T-shirt é por esta ordem de importância: 1) conforto; 2) capacidade de secagem do tecido; 3) design atractivo. Este modelo da Outpace tem tudo isso e acrescenta o facto de ser extremamente leve.

 

Prós:

  • Conforto;
  • Leveza;
  • Capacidade de secagem.

 

Contras:

  • As costuras podiam ter um acabamento bem mais cuidado;
  • O buraco para os headphones, para mim era escusado. 

 

Calções Outpace Elite Runner

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Estes calções da gama Elite Runner (gama mais alta da Outpace) apresentam uma excelente construção e design. Curtos, mas não excessivamente, deram-se sempre uma fantástica liberdade de movimentos aliados a um bom conforto. A cueca interior poderia ser melhor conseguida ou substituída por uma Lycra, no entanto este "defeito" é comum a muitas marcas de running.

 

Prós:

  • Conforto;
  • Leveza;
  • 2 bolsos.

 

Contras:

  • Cueca interior,

 

Mochila Salomon S-LAB ADV SKIN3 12 SET

 

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Salomon Mochila 1.jpg

 

É de longe a melhor mochila que alguma vez usei... aliás não deveria ser considerada uma mochila mas sim colete. Comparada com a versão 2 esta versão perdeu peso, ganhou um bolso frontal com zipper e um bolso interior. O plástico que servia para acoplar o fechos frontais foi substituído por cordão e apesar deste mecanismo ainda me levantar algumas questões, é certo que em todos os treinos que fiz, nunca nenhum fecho se soltou. Esta mochila é ainda bem mais justa que a sua antecessora, pelo que é preciso alguma cautela na escolha do tamanho.

 

Prós:

  • Conforto
  • Leveza;
  • Ajuste ao corpo;
  • Acessibilidade aos bolsos;
  • Softs Flasks.

 

Contras:

  • Preço;
  • Não permitir transportar bastões desdobráveis;
  • Para quem usa blade esta versão é um teste à nossa paciência. As "argolas" onde devia passar o tubo são tão estreitas que obrigam a desmontar o tubo por completo, para que este possa passar nos buracos e mesmo assim ainda é preciso "jeitinho". Não percebo porque raio fizeram isto...

 

Sapatilhas Salomon Wings Pro

 

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Com o chassis importado directamente da gama S-Lab, estas sapatilhas são verdadeiros cavalos de batalha. Com um excelente amortecimento (apesar de muito duro e dicil de partir), uma protecção fantástica do pé e com uma estabilidade fora de série são umas excelentes aliadas para ultras mais técnicas.

 

Prós:

  • Estabilidade;
  • Ajuste ao pé;
  • Tracção (excelente em quase todos os tipos de terreno);
  • Protecção do pé.

 

Contras:

  • Amortecimento muito duro (demoram muito tempo a "partir");
  • Respirabilidade (têm tendência a acumular humidade);
  • Aderência em rocha molhada (é necessário algum cuidado neste tipo de terreno, dado que a margem de erro não é muito grande).

 

Faltam 5 dias...

 

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