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Correr na Cidade

Review: Brooks Transcend 4

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Ao fim de 6 anos a correr e experimentar varios materiais, sapatilhas e mochilas, não existe muita coisa que me consiga surpreender. Após 3 meses e 160km em que foram usadas na chuva, frio, quente, subidas, descidas, alcatrão, calçada e afins, posso dizer que estas Brooks me surpreenderam. A review mais demorada prende-se com o facto de me estarem a dar um grande gozo correr com elas e saber se passavam a ser as minhas preferidas para alcatrão.


Surpreenderam na medida em que ultrapassaram as minhas expectativas, que eram grandes. Vamos por partes e conhecer estas Brooks Transcend 4 :)


Design/construção
O design é bastante standard para os dias actuais e deve agradar a muita gente. A construção é robusta e os materiais escolhidos muito bons, acima da média. Até os atacadores sendo em formato old school não fogem depois de apertados no sitio.


Primeira coisa que pensei quando as sapatilhas me foram entregues e vi o formato e qualidade da mesma, "Será que chegam para destronar as Guide 7 do meu top de escolha para alcatrão ?". As Guide 7 até hoje são as minhas sapatilhas favoritas para derreter km's em alcatrão. São brutais para o meu pé, tipo de passada e tipo de esforço que faço.


As Transcend tem um desenho no meio e na parte superior da sapatilha semelhante, sendo a parte do meio da sola o unico sitio onde é muito diferente. Alias, é diferente de 99% das sapatilhas no mercado pois não faz a habitual curvatura para dentro. Em vez disso, (quase que) mantem a largura no centro da sola.


Os materiais usados no geral são muito acima da média e a sapatilha ao fim deste tempo parece que saiu da caixa ontem.
Em termos de cores tem um uso geral muito agradavel, sem entrar em extremismos com cores fluorescentes, num tom muito sobrio e muito bem conseguido. Passam muito despercebidas no meio do pelotão.


Estabilidade/Aderência
Ponto forte da sapatilha, a estabilidade que oferece para podermos percorrer distancias longas sem os pés se movimentarem muito lateralmente e assim optimizar a passada, o desgaste de energia e o conforto. Com a tecnologia GuideRails senti que a sapatilha é bastante rígida em treinos em recta, ficando um bocadinho rigidos demais quando percorremos ruas apertadas no meio da cidade e queremos fazer mudanças de direcção rapidamente. Sente-se o pé bem apoiado nas laterais e isso dá confiança para atacar os km's. Mesmo a subir ou descer escadas/rampas, a estabilidade é muito boa sem comprometer o conforto.

O apoio à volta do calcanhar é muito bom mas convém que o pé seja compativel porque as paredas da sapatilha são muito rigidas, mas não são compativeis com todos os pés e podem criar desconforto se o pé não encaixar correctamente. O mesmo se pode dizer da parte superior e do mecanismo que liga a lingua do suporte lateral. Quem tiver pés mais altos ou fortes, pode sentir algum desconforto devido ao efeito "elástico". Mas a maior parte das pessoas vão sentir uma sensação do pé estar bem rodeado e preso na sapatilha o que se tranforma em muitos kms com estabilidade e sem torção lateral.

A sola tem um excelente grip na maior parte das situação mas à custa de um desgaste mais rapido do que na concorrencia. A aderencia mostrou-se ao nivel do melhor que existe no mercado. Com a unica excepção da calçada molhada que apanhei nos primeiros dias de testes ( e nos ultimos dias ) onde a sapatilha apresenta uma aderencia muito reduzida. Foi uma das 2 piores sapatilhas que já experimentei neste tipo de piso e fiquei bastante surpreendido por isso. Deverá ter algo a ver com o tipo de borracha usada a meio da sola. De resto, sempre se portou acima da média em todo o tipo de terreno, desde alcatrão até calçada portuguesa seca, passando por estradões e relva.

 

Enquanto a parte superior da sapatilha foi construída para durar centenas e centenas de kms, a sola por indicação da Brooks deverá ter uma duração com as caracteristicas originais pouco acima dos 500km. Mas muitas vezes estas informações das marcas são um pouco contraditórias e a minha experiencia é que com os 160km que tem em cima em diversos terrenos ainda não mostra qualquer sinal de desgaste ou perda de tração.

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Conforto
São extremamente confortaveis e permitem rolar muitos km's. Aliás, a melhor sensação que se pode pedir a umas sapatilhas é no final do treino/prova não nos apercebermos que as estamos a usar. E as Transcend 4 fazem isso. Demora 2/3km a moldar ao pé mas depois quase que nos esquecemos que estão ali, tal o conforto e relacionamento que o interior consegue fazer com o pé.
A ligação entre a lingua e as lateriais com o seu efeito "semi-meia elastica" ajudam nesta area mas a maior responsabilidade recai na borracha e nas suas varias camadas de diferentes rigidez e absorção de impactos, que tornam o correr num exercicio muito confortável. Mesmo no final da meia maratona da 25 de Abril não senti qualquer sensação negativa nos pés nem nos tendões devido ao esforço. Perfeitamente encaixado o esforço nas diversas estruturas de rigidez e conforto da sapatilha.


O peso de 300gr para um pé masculino normal de tamanho 42/43 nota-se um bocado quando as calçamos mas depois essa sensação desaparece por completo quando arrancamos, não se notando o peso. O drop de 8mm está na média do segmento e não é perceptivel com a quantidade de borracha que temos debaixo do pé e o acolchoamento associado dando a sensação de ter menos.


Amortecimento
Para mim quase perfeitas para quem treina um pouco mais longo. O único senão é serem demasiado confortaveis. Em alcatrão liso e sempre em recta o equilibrio entre conforto/amortecimento/feedback do chão é muito, muito bom. "Problema" é quando estamos a treinar em sitios como por exemplo no centro de Lisboa, com ruas esburacadas, passeios desnivelados, calçada portuguesa ligeiramente desnivelada ou então em muitas das nossas ruas com alcatrão mais antigo e rugoso. A grande vantagem do excelente amortecimento torna-se numa desvantagem porque faz com que o feedback que nos chega até aos pés sobre o piso que estamos a calcar seja menor e isso pode ser suficiente para não termos a noção de alguns solavancos no piso. Mas isto é um pormenor muito especifico que em nada prejudica o amortecimento/conforto geral que é muito acima da média, mesmo no segmento premium.

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Preço
As Brooks não costumam ser sapatilhas baratas. E este topo de gama não foge a essa politica cá no nosso burgo. O PVP esperado agora com inicio de venda em final Abril é de 160€ o que é um bom bocado.


Se por um lado temos uma das melhores sapatilhas do mercado para fazer treinos/provas mais longas em alcatrão, não deixa de ser verdade ( e minha opinião pessoal ) que é muito dinheiro por um par de sapatilhas. Para quem faz muitos km's por ano, fica com a mais valia de sentir que os pés estão a ter um menor esforço e desgaste do que com outros modelos mais acessiveis mas não deixa de ser um investimento avultado.


Ao fim de 160km, não denotam desgaste, o que pode indicar que podem ter uma boa longevidade, tanto na sola como no conforto dado pelo mid e upper. Tantas sapatilhas que deixamos de usar porque as proteções superiores cedem antes da sola !
Tentem apanhar promoções que ficando por perto de 100€ ficam um excelente negocio para o que oferecem.


Resumo
Muito sinceramente, estas Brooks para quem tem uma passada ligeira pronadora e costuma fazer 2/4x acima dos 10km por semana ou procura uma boa companhia para meias maratonas e maratonas, não precisa de procurar mais se o pé for compativel com a forma da sapatilha. A parte posterior é ampla e não deve criar problemas a nenhum corredor, mas a parte do calcanhar fecha muito o pé para fornecer o apoio todo que sentimos. Em alguns pés pode provocar algumas questões de desconforto no longo prazo, por isso é sempre melhor experimentar a sapatilha antes de comprarmos.

Em sentido contrário para quem procurar treinos/provas mais curtas ou com ritmo rapido, a propria Brooks tem outras alternativas mais ligeiras e rapidas. Os 300gr de peso e o efeito "pantufa" criado para as longas distancias não são os melhores amigos para quem procura sapatilhas rapidas, que respondam rapidamente a alterações de ritmo e direcção. Não são impeditivas de corrermos por um longo periodo a 4/km mas desde que seja em recta ou sem muitas mudanças de direcção.

Esta sapatilha tem um mercado muito bem definido. Para esse mercado eu diria que antes de comprarem qualquer sapatilha deem uma hipotese a estas Brooks e experimentem. A mim deixaram-me surpresos com a facilidade com que fazem 15/25km em ritmos médios de 4/4:30 km sem mostrar desconforto e qualquer fadiga. Mesmo na chuva ou no frio de Janeiro, tiveram um comportamento muito acima da média ao retirar a agua rapidamente e a não se tornarem 2 tijolos nos pés. Se não fosse o preço, estas seriam sem dúvida as minhas escolhas sem qualquer reserva.

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Prós
- extremamente confortáveis
- sistema de rails lateral ajudam a ter uma grande estabilidade
- ideiais para treinos/provas mais longas
- não aquecem com a frição interna (inexistente nos meus pés de elefante)

Contras
- escorrega MUITO em calçada molhada
- parte superior da língua/cordões apertam um pouco e são pouco moldaveis ao pé
- demoram um pouco a partir
- às vezes demasiado confortaveis e cortam o feedback que recebemos do chão em ritmos muito rapidos em piso instável

 

(Video das sapatilhas)


Design/Construção 19/20
Estabilidade/Aderência 18/20
Conforto 19/20
Amortecimento 18/20
Preço 15/20

Total 89/100

 

 

 

 

Preview: Merrell ALL OUT CRUSH LIGHT

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Merrell

Quando ouvimos o nome Merrell associamos logo a sapatos e botas de montanha espectaculares. As suas primeiras botas de caminhada foram apresentadas ao mundo em 1983 e desde então tem feito uma evolução fantástica em termos de design e uso de materiais resistente e duráveis, mantendo quase sempre uma beleza impar.

Se o tema for trail running, 98% das pessoas não sabe que já existem sapatilhas de corrida desta marca, e o que 99,99% das pessoas não sabe, é que a primeira tentativa de entrar na vertente da corrida foi em 1997/98 através de um modelo que não conseguiu vingar no mercado, as JUNGLE RUNNER.

 

CRUSH LIGHT
Saltando no tempo para a nossa década, a Merrell nos últimos anos tem lançado varias evoluções do que eles idealizam o trail, trazendo-nos até esta preview das recem lançadas no mercado, as ALL OUT CRUSH LIGHT. São a aposta da Merrell para atacar o mercado em ebulição do trail running e apontam canhões fortes a modelos que já tem pedigree no mercado.

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(Desenho muito minimalista e simples )


Este ano lançam uma sapatilha super leve, uma evolução do modelo de 2015, com a balança a indicar 220gr num sapato tamanho homem médio, 6mm de drop e desenho da borracha da sola super simples, com linhas transversais afim de ajudar a escoar a lama e a serem extremamente flexível à torção.

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(sola ultra flexivel e simples )


Numa primeira utilização as sensações que tenho são de uma sapatilha super leve, muito flexível desde a sola até ao upper onde é utilizado os tradicionais cordões de apertar em vez de tentarem utilizar algumas das mais recentes técnicas utilizadas em outras marcas.

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Em termos de conforto e apoio ao pé é muito reduzido devido aos materiais utilizados e à filosofia que tenta impor. No interior vemos uma língua com uma envolvência a meio caminho entre as normais das sapatilhas de estrada mais convencionais e as ultra envolventes salomons com o seu sistema ENDO-FIT.

 

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Após um treino matinal em Monsanto com um pouco de água e lama, nota-se que são muito leves e confortáveis em pisos sem grandes partes técnicas.

O equilíbrio entre filtrar demasiado ou deixar passar tudo para o pé por parte das solas não é fácil. Muito difícil equilibrar estas duas sensações e na maior parte dos pisos onde passei agora de manha senti que estavam perto do meu ideal. Apenas em piso com muita pedra pequena a sapatilha deixa passar demasiada informação para os pés.

Em zonas com muita lama tive alguma dificuldade em ter grip suficiente para progredir mas vamos ver como se adaptam nos próximos treinos.

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Estou com bastantes expectativas sobre estas Merrell e durante as próximas semanas vou colocar as sapatilhas em teste em Monsanto e Sintra e vamos ver como se comportam depois em prova. 


Bons treinos.

Preview: New Balance 1500v1

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Primeira vez que vi estas meninas no inicio de janeiro, fiquei logo com um mix de sentimentos. Se numa primeira impressão pareceram-me ter um aspecto fantástico e apelativo para andar rápido, depois de passar uns minutos com elas na mão, comecei a ver pequenos detalhes e na minha cabeça começou a formar-se a ideia de que provavelmente não seriam assim tão bons, principalmente para malta "pesadão" como eu na maneira como abordo o chão. "ai e tal..."

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Passado uns dias, regressei ao mesmo sitio e quando procurava sapatilhas, voltaram-me a encher o olho. Estavam em promoção e quase que os comprei.


Semana passada, fui ver na TAF de Alcochete as promoções e lá estavam elas a 30€!!! E nem pensei duas vezes. Comprei-as e pensei "bem, vamos lá a ver se não me arrependo de comprar umas sapatilhas tão leves e finas aqui para o elefante a correr".

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Como eu me enganei. Mas assim sem rodeios, completamente ao lado!


Até agora já fiz 2 treinos de 10km e que sapatilhas fantásticas para correr rápido em piso estável. O feedback que temos do chão nestes primeiros contactos é do outro mundo e super confortáveis.


Não suportam mudança para pisos irregulares devido a sola ser fina e com isso provocam desconforto,mas em alcatrão e pista...

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Em breve digo-vos o que penso delas ao fim de dois ou três meses de massacre...

 

Review: Salomon S-LAB Wings SoftGround

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Dois meses e 206 km depois, aqui vai o que eu acho destas sapatilhas da Salomon.


Intro
Os Salomon S-Lab Wings são uma (RE)evolução completa da antiga linha SLAB XT Wings. Percorri serras e estradões perfazendo mais de 800 km com os SLAB XT 4 e 5, sendo que depois não fiz o salto para os 6 no início de 2015 pois pareciam mais do mesmo. As alteração eram ligeiras entre cada refresh de modelo, mantendo as características base muito semelhantes, sendo umas sapatilhas muito equilibradas para fazer km's, mostrando-se estáveis, duráveis (dentro do que a Salomon nos habituou), leves e muito protectoras em pisos mais agressivos. A concorrência era muito menos agressiva e elas reinavam como expoente máximo de corrida. Pena o preço e a parte superior do chassis que partia muito rápidamente.

Confesso que me senti bastante animado e ansioso quando vi a que Salomon decidiu alterar a filosofia da linha Wings, seguindo numa nova direcção daquela que vinha a fazer. É perfeitamente notório que o "velho" conceito e alma das SLAB XT estão presentes, mas com o objectivo de produzir umas sapatilhas mais leves e fáceis de usar, mas é visível o desvio de filosofia e incorporação do que é usado nas SENSE ULTRA. Isto é, sapatilhas de topo para corrida leves e rápidas, sem chegar ao extremo das SENSE ULTRA. Tão simples como isso. O melhor dos dois mundos.

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Chassi superior

Este modelo usa têxtil sintético super leve e respirável para construir a parte superior, que se adapta muito bem ao pé. Inclusive é de destacar que devido a este mesh usado, é possível usar meias finas ou até mesmo correr sem meias, como acontece com alguns atletas, devido à superior robustez e leveza do têxtil. Para fortalecer a estrutura e robustez da parte superior, o sapato usa a tecnologia Sensi-Fit, comum a outros modelos da gama SLAB, que através de segmentos vulcanizados, permite aumentar consideravelmente a robustez do conjunto contra impactos e mudanças de direção rápidas, permitindo manter o peso baixo. Dá uma estabilidade em andamentos rápidos e mudanças de direção fantástica.

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Na parte frontal encontramos um reforço grande que permite atacar tudo o que nos aparece pela frente sem medo de nos aleijarmos. Até à data protegeu-me o pé de todos os impactos com rocha e árvores nos encontros de primeiro grau que tive. A qualidade e o tamanho da proteção são muito bons.


Um pequeno detalhe que podem verificar nas fotos, é que a largura da sapatilha na parte mais frontal é ligeiramente mais reduzida do que o normal, o que pode provocar algum desconforto a quem gosta de correr com os pés mais soltos e não tão apertados.

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No meu caso em particular que costumo correr com Salomon nos modelos 42 2/3 ou 43 1/3, os 42 2/3 que recebi ficam um bocado apertados e isso sente-se. Ao percorrer a Internet apercebemos-nos que muita gente se está a queixar do mesmo e neste modelo convém usar meio número acima porque a forma está ligeiramente mais pequena.

Uma das novas features que este modelo trás face ao modelo anterior e que realmente aporta grandes benefícios, é o sistema ENDO-FIT, ou a pseudo meia-elástica que rodeia todo o pé na parte superior, logo debaixo do cordão atacador e que faz com que o pé se encaixe de uma maneira mais natural, segura e cómoda dentro da sapatilha. É quase como se a sapatilha passa-se a ser uma extensão do pé. Senti este benefício quando comecei a usar as SENSE ULTRA 3 e gostei bastante. Aqui não é diferente. Sente-se mesmo uma evolução enorme no conforto e segurança face aos anteriores Wings.

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Chassi central


O meio da sapatilha foi onde se efectuaram as alterações mais radicais. Vem dai a maior redução de peso, ao trocar a antiga estrutura mais rígida e pesada para usar agora uma espuma consistente e leve, tal como nas SENSE. De acordo com a Salomon é responsável pela redução de 40% do peso e do aumento do conforto no geral. Também tornou a sapatilha mais flexível e menos rígida na torção, muito útil em grandes declives ou mudanças de direcção muito rápidas, como acontece em zonas técnicas, tornando a sapatilha mais confortável e ágil nessas situações.
O drop da sapatilha é de 9 mm, ligeiramente acima da tendência do mercado de se concentrar agora entre o 6 e 8 mm. Não senti qualquer problema com isso.


Desapareceu também a famosa curva da sola que caracterizava o modelo SLAB Wings na parte anterior e que muita gente não gostava, sendo agora muito mais directo.

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Sola


Foi completamente redesenhada em termos de materiais e desenho tridimensional das gomas de borracha.
Na versão que estou a testar (SoftGround) as gomas são maiores e mais profundas para garantir uma maior aderência em terrenos mais húmidos e/ou enlameados, mas também existe a versão "normal", onde as gomas são um pouco mais curtas, permitindo obter uma maior tracção em terrenos mais rápidos e técnicos, assim como uma ligeira redução no peso total.
É usado também a tecnologia PRO-FEEL na sola, uma proteção extra contra rochas ou outros objectos mais pontiagudos que se pode encontrar no terreno. É uma espécie de película que se demonstra flexível e muito resistente de maneira a absorver os impactos mais fortes que ás vezes acontece, principalmente a descer.


Conforto


Muitas pessoas sentem-se muito à vontade a usar Salomon. Outros, devido ao formato e forma como as sapatilhas encaixam nos seus pés, não se conseguem habituar à rigidez que elas evidenciam. Eu adoro Salomon, já vou no meu 6º par e consigo correr perfeitamente com elas em qualquer piso, dando-me um conforto acima da média e uma segurança para atacar as subidas e descidas sem medo. Sem medo não é desrespeitar a serra/montanha, mas sim enfrentar com confiança e saber até onde podemos ir quando puxamos por nós e pelo material.
Em termos de conforto geral, está muito acima dos modelos antigos das SLAB XT e um pouco acima das SENSE ULTRA. Evolução muito boa.


Um pormenor que já é comum a vários modelos da Salomon, é que é necessário alguns km's iniciais para nos habituarmos a este tipo de estrutura. Algumas pessoas tem dado um feedback negativo das "antigas" XT Wings precisamente por terem uma curva grande até nos sentirmos confortáveis nelas. Enquanto que por exemplo nas SENSE aos fim de 3 ou 4km já sentia que elas se encaixavam bem nos meus pés, as Wings anteriores demoravam uns 30/40km até termos essa sensação. Estas Wings por serem um pouco mais flexíveis e leves que as anteriores, ao fim do primeiro treino de 8km já me sentia extremamente confortável e moldada ao meu pé. Já estavam "partidas" :)

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Design/Construção


Em termos de design e construção, a Salomon está sempre na vanguarda da tecnologia e aparência. Tem uma equipa de desenvolvimento grande, polivalente e com muita experiencia e isso nota-se no desenho das mesmas. Neste modelo em particular, sendo na sua grande maioria em preto, quase não se consegue notar muitos dos pequenos detalhes, mas eles estão lá.


Em termos de qualidade de construção, são sem dúvida as melhores e mais robustas Salomon que já testei. A qualidade dos materiais está muito acima do que eles faziam. Parece-me que aqui houve uma necessidade de se (re)-afirmarem já que a concorrência vinha nos últimos tempos a colocar no mercado boas sapatilhas a preços mais acessíveis. E foi com este estrondo que a Salomon bateu o pé e afirmaram "ainda estamos aqui no topo da pirâmide"!



Estabilidade/Aderência


Estabilidade sempre foi um dos apanágios destes modelos e agora continua bem acima da média. Neste modelo especifico SG para lama e piso molhado, é impressionante a aderência que tenho tido em subidas e descidas ingremes onde maior parte das pessoas começa a fazer ski ou sku, e consigo manter uma aderência super elevada. As SENSE ULTRA 3 que tenho já tinham mostrado isso em piso seco e diversificado, mas estas conseguem-no fazer em todo o lado.


Num aspecto menos positivo, mas não pode ser encarado como um ponto negativo devido à sua natureza, as gomas a serem mais altas e "moles" para ter grande aderência, fazem com que as passagens por alcatrão ou estradão mais duro seja um pouco menos confortável. Nunca chega a ser desconfortável, mas é um mal-menor para ter as características demonstradas no molhado.

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Amortecimento


Não são as sapatilhas mais confortáveis do mundo, nunca foram, pois foram feitas para serem rápidas e eficazes. Mas nota-se que neste momento com a troca do esqueleto antigo 3D em plástico por esta espuma EVA muito mais leve e fofa, ganhou-se um bocado no amortecimento geral da sapatilha. Já não é tão bruta a transmitir todos os detalhes do terreno, fazendo uma maior filtragem para o que passa para o pé.


Acho que está muito perto do ideal que encontrei nas SENSE ULTRA, onde o feedback que recebemos do terreno é quase perfeito, mas aqui com um pouco mais de conforto perde um pouco essa sensação, no entanto, ganha-se em conforto e permite fazer grandes extensões de prova seguidas. Daqui a 2 semanas tenho 50km e vamos ver como se comportam a levar pancada forte durante tanto tempo.

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Preço


Tal como outras características a que a Salomon já nos habituou, a etiqueta de topo de gama trás um grande peso que é transposto para o PVP. 170€ é um valor elevado para se pagar por umas sapatilhas mas desde 2015 que se observa uma competição feroz entre diversas empresas que comercializam sapatilhas e assim temos uma boa parte do ano em promoção. E é ai que aconselho sempre as pessoas as fazer as suas compras. Daqui a 1 ou 2 meses já deverão aparecer promoções que devem fazer descer o preço para os 110/120€, e aí penso que são de longe a melhor opção para se correr em trail hoje em dia.


Conclusão


Foram várias as introduções feitas nas SLAB Wings, fazendo com que a mini-revolução da sapatilha a torne diferente do que as pessoas estavam habituadas nas antigas SLAB XT Wings, e diferenciando-se das primas WINGS PRO que saíram em 2015.


De facto nota-se que existiu aqui um casamento entre as antigas SLAB XT Wings e as SENSE ULTRA. Parece que foram buscar o melhor dos dois mundo e saíram as SLAB WINGS.


Ficou com uma forma similar ás XT, mas com uma filosofica de peso e materiais muito mais aproximado das SENSE ULTRA. Quem ganha são os corredores, que agora tem uma sapatilha que é leve, ágil, com imensa tracção e duráveis (para os standards da Salomon). Neste momento ficam entre as SENSE ULTRA e as PRO a nivel de posicionamento de mercado.


Dentro de uns dias vou fazer a minha review das SENSE ULTRA 3 que tem quase 170km, mas como podem ver pelas fotos, estas Wings SG com 206km, na sua maioria em Sintra, tem um desgaste muito pouco notório. Diria que temos uma sapatilhas com algum volume e resistentes, com a filosofia peso light das SENSE. Dos 206km, maior parte foi em terrenos enlameados ou muito húmidos devido à altura do ano e as sapatilhas raramente perdem aderência, seja em que piso for, a subir ou descer.

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Resumo

Pontos positivos
- peso oficial de 290 gramas ( acima das 240gr das sense 4 ) mas bem abaixo dos 345gr das XT Wings PRO.
- durabilidade bastante melhorada.
- transmitem segurança e permitem andar rápido em todos os pisos.
- sistema de encaixe do pé com o sistema ENDOFIT é fantastico e funciona muito bem.
- sistema de quicklace para apertar o pé que a concorrência tenta imitar mas só a Salomon consegue fazer com que funcionem correctamente.

Ponto negativos
- palmilha muito fina e leve. tem tendência para sair ás vezes do sitio, principalmente quando estão ensopadas da passagem em rios.
- biqueira mais estreita que obriga a comprar numero acima do habitual na Salomon para manter conforto.
- preço elevado.


Conforto 18/20
Design/Construção 20/20
Estabilidade/Aderência 20/20
Amortecimento 19/20
Preço 16/20

Total 93/100

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Podem consultar o preview aqui. Bons treinos para todos :)

Race Report: Oh Meu Deus 70K ou a vã gloria de passar os 7000m na Serra da Estrela

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Por Luís Moura:

 

O meu relógio GPS já viu melhores dias, mas quando arranquei para os 70km no passado sábado às 8h da manhã e vi no mostrador 5860 metros confesso que me "passei" um bocadinho durante uns segundos...


Começando do início, eu, a Liliana e o Stefan Pequito fomos no fim-de-semana passado participar na quinta edição do Oh Meu Deus. Estava prometido pela organização que o evento seria memorável, assim como o empeno. Eu fui fazer a prova dos 70 Km, a Liliana foi aos 20 Km e o Pequito, que já sonhava acordado com esta prova desde Dezembro, foi aos 168 km ou 100 milhas. Em breve serão eles a escrever sobre os seus eventos mas vou-me concentrar agora nos 70 km e na organização.

 

Viagem e dormida tardia

Saímos de Lisboa eram quase 19h e com bastante trânsito na A1. Mal entramos nela a seguir à Povoa, andamos 2 km a 10 km/h tal era a quantidade de carros a sair de Lisboa. O nosso objectivo inicial era chegar a Seia perto das 20h, para termos tempo de ir arrumar as coisas e levantar o dorsal com calma. Chegamos à Residencial Cabeça da Velha onde íamos dormir, a +/- 6km do inicio da prova, já pouco depois das 21:30. Esperar que o responsável viesse de casa para nos fazer o check-in, arrumar as coisas e jantar antes de irmos para Seia levantar os dorsais e já eram quase 23h da noite. Ou seja, perto de 3h de atraso.

Chegamos ao ponto nevrálgico do evento onde estava a organização e a partida/meta de todas as provas pelas 23:10 e fomos logo levantar os dorsais. Reparamos logo em dezenas de atletas espalhados pelo largo nos últimos preparativos para arrancarem para os 100 km ás 00:00. Uns mais calmos, outros mais nervosos, uns com metade da casa às costas e outros um pouco menos carregados.  Para uns seria a primeira vez que iam correr 100 km seguidos, outros já com muita experiência em cima.


Demoramos 3 minutos a levantar os dois dorsais e depois fomos para a zona da partida ver a malta a concentrar para a partida. Os nossos kits de participação consistiam numa t-shirt da prova (uma cor para cada distância), um buff alusivo ao evento e o dorsal. Simples e sem publicidade.

Reparamos que alguns habitantes da cidade e arredores tinham vindo em grande quantidade para a caminhada e para a aula de (penso que) Zumba antes da partida dos 100 km, o que nos colocou alguma expectativa para a moldura humana para o fim-de-semana. Entretanto o Stefan Pequito já estava a correr desde as 16h e ia a saltitar entre o 10 e o 15º lugar durante a noite.

 

Vimos a partida dos 100 km e passado 5 minutos saímos e fomos em direcção novamente da residencial. Tínhamos que descansar para a prova do dia seguinte e ainda faltava arrumar algumas coisa. Colocar dorsal no porta-dorsal, preparar mochila e roupa e desligar as luzes perto da 1 da manha... e colocar o despertador para as 6... ai, ai... Cama ruidosa, quarto quente e pequeno, tudo pormenores juntos que isoladamente não seriam problema de maior. Tudo junto produziu uma noite de sono complicada e muito curta. Teria a sua repercussão mais à frente.

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Dia de prova

Chegamos a Seia pelas 7 da manhã, arranjamo um lugar bom para o carro, vestimos a farda e os equipamentos  e fomos tranquilos para o local da partida.Tomado o pequeno-almoço, e depois de pequenas conversas com outros corredores, lá nos dirigimos para a partida. A Liliana arrancava pelas 9 da manhã de autocarro para o local de partida da prova dela por isso presenciou a partida dos 70 km.

 

Estava intrigado para ver como se iam comportar neste evento as minhas 2 ultimas aquisições: uma mochila espectacular e umas sapatilhas Turbo Gti 16V. Mesmo o que queremos...


Uma semana depois dos 100 km de S.Mamede e a duas semanas da prova, eu e a Liliana concordamos que precisavamos de melhores ferramentas paras as provas, e decidimos abrir os cordões à bolsa. Ela ofereceu-me uma mochila Salomon S-LAB SENSE ULTRA SET BLACK M/L 2015. Comparando com a minha antiga, já com 5 anos e a mostrar a idade, esta nova pesa 110 gramas e tem capacidade para levar 3 Litros e bolsos que nunca mais acabam. Corri com ela 3x antes da prova para afinar a distribuição do peso de tudo e regular as duas fitas de aperto na parte frontal. O meu obrigado à Run.PT por ter feito a expedição da mochila rapidamente para ter tempo para treinar com ela antes da prova e o meu obrigado à Liliana por partilhar comigo o gosto e paixão pela corrida.


Juntamente com a mochila, comprei umas Salomon S-LAB SENSE 3 ULTRA 2014. Estavam a 100€ numa promoção de stock-off e não me fiz rogado. Comprei o ultimo par 43 1/3. Mesmo a minha medida! Como é evidente, estava em pulgas para testar estas duas ultimas aquisições em competição.

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08:00 Here we go!

Depois de ligar o GPS, dar beijinho à Liliana e colocar-me na linha de partida, lá deram o tiro de partida. Inicio da prova era +/- 1 km pelo meio de Seia em direcção à Serra. Aproveitei esse troço de alcatrão e coloquei-me nos 10 primeiros. O ritmo não estava muito rápido e deixei-me seguir com eles sem que o corpo subisse muito. Deu uma média de 5:01/km.

Na última parte deste primeiro km ligeiramente a descer, olhei para o GPS e vi no mostrador 5860 metros de altimetria. Problema de ter ligado o GPS cerca de 10 min antes do arranque da prova e ele não se ter adaptado correctamente à altitude. Como estava muito mais alto do que no últimos treinos em Lisboa, ele não se reajustou o rápido suficiente e quando arranquei, fui com a altimetria inicial completamente errada. A partir dai foi um corrupio constante a fazer contas de cabeça.... ( ora bem, o próximo ponto é aos X km com Y de altimetria, e já vou com 6xxx metros - 5860 iniciais + 650 reais = qualquer coisa !!! ).... o que cansou ao fim de umas horas :)

 

Depois do aquecimento, entramos em trilhos quase sempre a subir pela encosta de Seia em direcção ao Sabugueiro. Nestes 10 km iniciais corremos em vários pisos diferentes, desde alcatrão, trilhos mistos a estradões. A cerca de 1 km da vila começamos a descer forte até chegar ao abastecimento. Ainda deu para rolar a 4:22/km. Cheguei em 4º lugar da classificação e quando arranquei do abastecimento, não vi o quinto classificado a chegar o que me dava alguns minutos para ajudar a gerir o troço seguinte.

Os três primeiros iam num ritmo que não era sequer possível pensar em aproximar, por isso passaram para a minha zona de "ignoranço" e deixar seguir calmamente. Foram 1:08h para fazer pouco mais de 10km. Tinha planeado 1:20h. Até aqui tudo parecia correr bem :)

OMD03

09:10 Do Sabugueiro até Rossim é sempre assim-assim

Saída rápida de Sabugueiro e o percurso apontava para a represa de Rossim, a uns escassos 7 km. A parte inicial foi muito bonita de se percorrer, com a passagem no meio de campos verdejantes e de seguida uma subida muito inclinada no meio de rochas e pinheiros. Fez-me lembrar vivamente a minha infância quando fui 2 ou 3x às fisgas do Ermelo perto de Celorico de Bastos. Só que desta vez, em modo speedy-gonzalez. Uma parte foi feita a correr e outra a andar em modo rápido.


Passado uns 3 km encontro um cão "perdido" no meio da serra que depois de umas festinhas, seguiu-me nos 3 ou 4 km seguintes. Até ao abastecimento do Rossim em cima da água parada da represa, foi um corrupio de estradões, ora ligeiramente a subir, ora a manter, ora a subir, ora a manter. Deu para manter o ritmo a bom nível, mas sempre sem entrar no redline. No planeamento e estudo que fiz no papel da prova, tomei a decisão de "atacar" forte até à chegada da Torre e depois iria fazer uma gestão de esforço a partir daí até ao fim. Nisto incluía andar sempre rápido em todas as subidas, onde nenhuma foi feita a andar tranquilo, ou se corria ou andava num passo rápido e constante.

Quando cheguei ao PAC 2 no Vale Rossim, e enquanto enchia as soft flasks com água, vi a Elisa deitada no chão a dormitar. Ela estava na prova das 100 milhas e aparentava estar muito cansada. Perguntei se estava bem e disse-me que estava com muito sono e aproveitou para descansar um bocado.

Entretanto chega o 5º classificado (da minha prova) que já não via há bem mais de 1 hora e arrancamos os dois quase ao mesmo tempo. O plano até aqui era chegar com 2:25h de prova e cheguei com 2:05h... menos 20 min do que o planeado. Então, decidi comer tranquilo e estive pouco mais de 4 minutos no abastecimento e fui apanhado pelo 5º.

 

10:00 Up, up e up!

Depois de correr quase 13 km sozinho (íamos com 17km ), arranjei companhia, pensei eu. Começamos a percorrer a margem da represa, mesmo junto ao nível da água, e foram quase 8 minutos a rolar por pedras e areia semi-solta. Entretanto comecei a aumentar ligeiramente o ritmo e o companheiro ficou uns metros para trás. A dada altura sem nada a prever, as fitas do caminho viram à esquerda para dentro da mata e começamos a subir.


Entramos numa zona com imensa vegetação e começamos a correr ora entre árvores ora entre zonas de autêntico planalto.

 

Deixem-me fazer aqui um pequeno parêntesis sobre as marcações porque é um tema muito importante. Algumas pessoas queixaram-se relativamente às marcações. Como em tudo numa prova, uns gostam mais do que outros nos diversos pontos que a compõe. Neste caso, achei as marcações desde o Sabugueiro até à Torre com uma inteligência muito bem conseguida. Às vezes estávamos muitos metros sem ver fitas e em alguns pontos chegávamos a entroncamentos ou de caminhos com mais que uma saída e o trilho a seguir pareceu-me sempre o mais lógico, mesmo sem ver fitas ou reflectores a indicar para lá. Só me perdi 2 ou 3 vezes por uns segundos na descida da Loriga. Até chegar à Torre, achei todo o percurso muito inteligente e muito bem desenhado. As dicas das fitas de encaminhamento estavam muito bem conseguidas. É natural que durante a noite, ou para algumas pessoas que gostam de mais fitas e mais próximas, tenha sido uma situação mais complicada de gerir e possam não ter gostado tanto desta opção da organização, mas eu achei os primeiros 35 kms muito bem conseguidos e com um grande equilíbrio entre facilitar a vida aos corredores e criar aventura na descoberta do caminho mais rápido entre 2 fitas/bandeirolas.

 

De seguida foram cerca de 15 km sempre a subir, de maneira quase sempre disfarçada com pouca inclinação, mas sempre a percorrer diversos planaltos e pequenos picos que nos iam aparecendo. Nesta fase deixei de ver novamente o atleta que vinha atrás em quinto e percorri perto de 2 horas sem ver ninguém no meio da montanha. Quando faltavam cerca de 3 km para chegar ao topo da Serra, junta à Torre, vi dois corredores lá no fundo a aproximarem-se. É uma boa táctica se tivermos outro corredor com um ritmo similar ao nosso porque ajuda muito a manter o ritmo.

Entretanto subi o resto sozinho, com uma pequena escalada em algumas zonas com paredes feitas de rochas maciças alternando com pequenos ribeiros que iam-se cruzando no nosso caminho devido há elevada precipitação naquela altitude. Tenho pena de não ter parado para tirar fotos mas aquelas imagens vão ficar comigo na minha lembrança durante muitos anos. Chegada ao abastecimento, e toca a abastecer de água e comida que já estava "no casco" com as 2:45h que demorei a chegar lá acima. O plano estava a correr bem, já que corria em algumas partes dos planaltos e em outras apenas andava em passo acelerado para tentar manter a respiração num ponto equilibrado. Para quem é "copinho de leite da cidade" como eu, correr com 33/35º a quase 2000 metros de altitude, não é fácil. Mas temos que aprender sempre com a experiência.

Cheguei ao PAC3 com 4:49h e 35 km feitos. Tinha no meu plano 4:30h. Perdi algum tempo deliberadamente, visto que quando comecei a chegar ao topo da montanha, comecei a sentir dificuldade em respirar e controlar o calor. Por isso tomei a opção de não "apertar" muito nesta fase e desci no ritmo previsto. Nada de preocupante.E ponto dominante, no meu Garmin estava indicado uma altitude bem acima de 7000 metros. Fantástico!

 

12:55 Descida ao inferno

No abastecimento fiquei pouco mais de 7 minutos, a reabastecer de água e a comer alguns alimentos para não ficar sem energias. O fantasma de S.Mamede estava presente no planeamento e no decorrer da prova. Já estávamos a correr há 5 horas certas e a meio da prova. Sem alimento e água, não se ia a lado algum naquelas condições tão inóspitas.

Entretanto o 5º e 6º classificados chegam. O 5º sai rapidamente e o mais novo que vinha em sexto sai logo a seguir a mim - uma coisa que tenho estado a fazer nas ultras e que me estou a dar razoavelmente bem, é pegar em parte da comida e arrancar logo enquanto vou comendo. Não começo logo a correr, mas vou a passo acelerado e assim tento não perder muito tempo nos abastecimentos. E aí começa a descida para a Loriga.

O inferno como ficou conhecida carinhosamente entre os atletas..... Primeiros 2 km a descer com um piso "corrível" mas muito complicado, depois cerca de 1 km com muita pedra grande e solta. Estradão muito difícil de gerir e chegamos à pequena barragem do vale. Subir escadas e voltar a descê-las do outro lado para chegarmos à base seca da barragem. Daí para a frente foram cerca de 4 a 5 kms muito complicados de gerir, com muita descida técnica no meio das pedras e alguns sítios muito perigosos com pedra escorregadia e outros escondidos no meio da vegetação -  quase não se via onde íamos colocar os pés antecipadamente.

É difícil de descrever estes trilhos que encontramos sem ser com imagens ou vídeos. Digamos que fui apanhado completamente desprevenido para esta secção e nunca nos meus maiores pesadelos pensei encontrar esta dificuldade, principalmente às 14h com o sol a pique, sem vento e sem qualquer piedade sobre os pecadores. Custaram imenso estes km's sem ponta de sombra para nos escondermos. Pouco antes de sairmos deste inferno apanhei o 5º classificado que se tinha perdido do caminho e estava a tentar retomar o ponto. Aqui era muito fácil nos perdermo-nos com as fitas muito espaçadas e algumas um pouco escondidas, devido à vegetação constante, alta e forte.... ninguém chegou ao fim sem arranhões fortes nesta zona da prova.

O desnível era brutal e ao mesmo tempo, nem nos apercebíamos porque o nosso cérebro só se preocupava onde colocar os pés no próximo passo. Íamos cair ou não ? Isto nunca mais acaba?! Do quilómetro 39 ao 45 mesmo até à entrada de Loriga, tive uma média de 130D- por km !!! Uma brutalidade para as pernas e joelhos, mas por incrível que pareça, o corpo não se queixava nada. Apesar do calor... Os braços já estavam a ferver - já vos disse que não coloquei protector solar ? Pois, não me lembrei..... 

 

Quando entramos no estradão final que nos levou a Loriga, foi um pouco de alívio mas também uma sensação estranha. Faltavam cerca de 3 km e quase 450D- e foram feitos a bom ritmo, sempre perto dos 5:30/km. Um verdadeiro "rocket" comparando com os últimos km's. Cheguei a Loriga com 6:56h de prova, quando tinha planeado 05:20...No meu plano C, a correr mal, tinha colocado 6:10h.... como fui enganado para aquele troço.... Além de que tinha descido de 4º para 6º na geral. Mas o calor estava a matar-nos, parecia que sufocava... e a mim incomodou-me imenso naquela fase.

 

15:00 Raio dos Romanos, andaram por todo o lado!

Depois de atravessarmos a vila de Loriga quase toda sempre a descer, entramos no abastecimento. Simples sem grandes luxos, com bebidas, um tacho gigante de sopa e gelatina. Depois do Rui Luz me ajudar a colocar água nos soft flasks, decidi deitar-me uns minutos no chão que estava frio. Tentar arrefecer o corpo que estava a ferver de tantas horas a levar com o sol naquela altitude. Os meus braços estavam vermelhos e a latejar de calor. Entretanto o 5º classificado sai e fiquei no abastecimento com quem desci a Loriga. Saímos quase ao mesmo tempo passado uns minutos, depois de refrescarmos um pouco e de beber gua. No total fiquei uns 10 minutos no abastecimento.


Saída de Loriga foi feita por uma calçada romana sempre a subir e depois por um serpentear pela serra acima até entrarmos numa estrada nacional onde viramos 180º e continuamos a subimos paralelamente ao que tínhamos feito pelo trilho. Fiz estes 4 km sempre a subir e quase sempre ao sol a médias ligeiramente acima dos 10/km para dar um pouco de descanso ao corpo. No inicio da subida tinham passado por mim 3 elementos das Salamandras com bom ritmo e eu optei por caminhar rápido para deixar cair a comida no estômago e não aquecer tanto ao sol. Por isso, neste momento ia em 9º.

 

Depois de subirmos pouco mais de 1km pela nacional, entramos numa estradão rodeado de ambos os lados por muitas e largas árvores a fornecer uma sombra formidável e ai revigorei e voltei a correr com vontade. Foram cerca de 3 km a descer "ligeiramente" (200D-) por aquele caminho, quase sempre à sombra, e novamente sozinho. Deu para meter algum ritmo e sentir-me bem comigo mesmo, pois o sol já não estava a fustigar o corpo como até ali. Na altura tal o meu estado de espírito pareceu-me ter corrido uns 30 km naquele sitio....

 

Antes de chegar à povoação de Valezim, encontrei uma carrinha pequena com 2 elementos a pintar setas no chão. Disseram-me para seguir, virar ali em frente e depois continuar por ali... "What ?!?"... não percebi nada do que disseram, mas segui em frente seguindo o mesmo instinto que fiz na subida para a Torre. Entrei na povoação e tentei usar a lógica para perceber por que ruas era para seguir. O que nos apercebemos, e depois de cortarmos a meta estivemos todos a falar nisso, foi que algumas fitas foram retiradas naquele troço de pouco mais de 1 km na entrada da povoação, o que é o suficiente para nos perdermos durante um bom bocado, principalmente àquela hora num sábado sem ninguém na rua para nos ajudar. É uma situação que acontece com alguma regularidade em provas em Portugal, alguém mais descontente com alguma coisa e vinga-se nos atleta que não têm culpa nenhuma.

Ao sair do outro lado da povoação, comecei a pensar "Xiça que o próximo abastecimento nunca mais chega!!!". Aqui subimos um bocado e voltamos a embrenhar na serra por estradão. Apanhei 2 atletas das 100 milhas que seguiam à minha frente um pouco mais contidos no passo e a usar os bastões num ritmo controlado. Paramos os 3 numa fonte, molhamos a cabeça (coisa que fiz umas 10x nestes quilómetros finais em muitas fontes) e seguimos.


Continuamos a subir por um estradão muito quente até que começamos a entrar novamente em trilhos e vimos o povoamento com o próximo abastecimento no horizonte. Acho que nunca me custou tanto fazer um quilómetro como aquele, parecia que as casas nunca mais chegavam... aqui já estava com um nível de cansaço elevado e com o corpo novamente quente por voltar a acelerar desde o meio da etapa até aqui. Os braços começavam a gritar de calor.

Ao chegar ao abastecimento vejo os 3 Salamandrecos que me passaram na saída de Loriga a saírem, e pensei para mim "vou colocar água, pegar em comida e tentar apanhá-los para ter companhia". Seriam 10 km com ritmo rápido e com companhia rola-se muito melhor.

Enchi rapidamente os soft flasks e quando ia começar a comer senti uma pequena tontura e um mal-estar no corpo. Não eram dores nem eram falta de energia. Era mesmo assim um mal estar geral, como se o corpo estivesse a ser submetido a um esforço grande (duhhhhhhh). Decidi tirar a mochila e deitei-me novamente no chão a pensar que 5 ou 10 minutos iam resolver a coisa. Ao fim de 15 minutos perguntaram-me se não queria antes deitar na maca para emergências e decidi aceitar. Sentia o corpo mesmo cansado. Não me doía nada em especial mas tinha o corpo quente e com a sensação que um camião me tinha passado por cima.

Enviei um SMS para a meta onde estava a Liliana (que já tinha acabado a versão dos K20+ à umas horas) a dizer que ia demorar um pouco mais a fazer a última etapa. Ao fim de 1 hora de descanso, e ouvir vários corredores a entrar e sair do abastecimento, começo a sentir o corpo um pouco melhor. Tomei um café com açúcar para despertar e comecei a comer algumas coisas. bebi 2 ou 3 copos de água, levantei para ver como estava, andei um pouco, meti mochila, comi mais marmelada, doces, laranjas frescas e arranquei. 1:45h depois de entrar no abastecimento.......

Hora de chegada, 9:00h de prova com previsão minha de 7:30h. 1:30h de atraso a juntar a pouco mais de 1:30h de sono real.... Quando sai, já ia com 3h de atraso face ao planeado e muito fustigado com o calor. Mas estava ali para chegar ao fim e não desistir sem mais nem menos.

Poderia ter arrancado uns 15 ou 20 minutos antes do que fiz, mas só saí do abastecimento quando tive a certeza que o corpo já estava bem recomposto e que não teria problemas pelo caminho. Pareceu-me acertado o pensamento na altura, a quente.

OMD90

 

19:00 Muita sombra

Sabia que esta última etapa tinha um parte pequena a subir e que depois seriam entre 5 a 6km quase sempre a descer, por isso quando subia andava a um ritmo rápido e quando descia, ou mantinha altitude, corria suavemente. 1km a descer, 2 km a subir em trilhos fechados e quase completamente isolados do sol... um hino à beleza de correr no meio da montanha.

Pau, primeira subida....

Apanhei um outro corredor dos 70 km que ia de bastões e a um ritmo bem mais suave, viu que estava mais rápido e deixou-me passar. Mantive sempre a passada rápida até chegar ao topo e ai senti a respiração a subir muito. Ter estado quase 2h parado tinha retirado parte do ritmo do corpo e era preciso deixar que ele voltasse a "aquecer o motor". Comecei a caminhar durante uns metros quando sinto alguém a chegar devagar a correr e era o jovem que tinha passado na subida, que começou a correr quando chegamos ao topo. Deixei-o passar e ao fim de uns segundos recomecei a correr e encostei-me a ele e assim corremos durante umas centenas de metros.

 

Depois entramos num canal de transporte de água que estava com árvores em ambos os lados e fornecia uma sombra maravilhosa. Decidi acelerar novamente e comecei a correr a ritmos mais vivos. Entretanto ele começou a ficar para trás e segui cerca de 2 km até Senhora do Desterro, quando chegamos à última subida da prova, para o Miradouro da Cabeça da Velha (que por acaso era o nome da residencial onde estávamos a dormir), e continuei a imprimir um ritmo rápido. Subi aquele estradão de pouco mais de 1 km sempre a rondar os 9/km pois sabia que depois podia relaxar na descida. Por esta altura o GPS dizia que deveriam faltar cerca de 5 km para o fim... bolas, que isto nunca mais acaba...Tinha planeado 10h de prova assim num ritmo médio e até Loriga tudo estava dentro do expectável.

 

Depois de finalizar a subida, inicio da descida para Seia. Um estradão quase sempre a descer durante pouco mais de 2 km antes de entrar nos limites da cidade. Para finalizar pouco mais de 2 km por algumas ruas da cidade até ao ponto da partida, onde estavam alguns atletas que tinham terminado a prova nas ultimas horas a relaxar e algum pessoal de apoio. Finalmente em Seia, novamente!

Hora final, 19:50. 11:50 de prova. Coincidentemente, +/- 1:50h que estive parado em Lapa dos Dinheiros.... Dá para pensar que as 10h que planeei eram acessíveis.

 

OMD97

Prova

No geral, achei a prova muito bem conseguida. Mesmo o passar pelo inferno da descida da Loriga, é uma situação para o qual temos que estar preparados. Trilhos ou provas de trail de montanha não é só correr no meio de Monsanto "no fofinho" e com 15º de temperatura. É levar com sol ou com chuva intensa, é levar com estradões, trilhos técnicos, rocha dura e grande como casas e muitos kms para fazer. Haja pernas e cabeça.

Fiquei fã deste evento em termos de traçado e de dificuldade. Acho que faz jus a ser uma das provas mais difíceis do calendário por todos os factores que engloba e não apenas pela altitude.

Um pormenor que teve e que ainda infelizmente temos em poucas provas, que é ter uma pagina na net com as passagens dos atletas pelos PAC quase em tempo real o que permite a quem está longe acompanhar as provas. Acho uma mais valia enorme para provas muito longas.

 

Abastecimentos

Achei a maior parte dos abastecimentos suficientes. Em nenhum deles houve nada que se destaca-se, mas também não senti que algum desses fosse mau. se calhar uma maior variedade nas opções entre os abastecimentos para não andarmos um dia inteiro a comer sempre o mesmo.

Depois de acabar a prova ouvi algumas queixas de corredores que chegaram aos abastecimentos e não haver água. Não presenciei estas situações mas devem ser evitadas a todo o custo no meio da Serra da Estrela com temperaturas bem acima dos 30º.

 

Marcações

Tal como já disse no texto, tirando uns kms na descida da Loriga, para mim estiveram brilhantes. Estavam-me sempre constantemente a fazer pensar por onde ia em vez de seguir cegamente fitas a cada 10 metros como acontece em alguns trilhos. Acho que correr numa prova nestas condições é o ideal. As marcações não podem ser em tamanha quantidade que não se consiga estacionar um carro entre elas e não podem ser distanciadas de tal maneira que pensamos que já é amanha quando apanhamos a próxima


O factor aventura e descoberta tem que estar sempre presente nestes casos e aqui dou nota 20 de longe para estas marcações. Acho que nunca senti mais do que 1 ou  2min em que não estivesse a pensar para onde tinha de ir a seguir, tirando os estradões onde era só seguir as fitas lá na frente.

 

Voluntários

Eram poucos mas bons! Em todos os abastecimentos foram sempre super simpáticos, prestáveis e só ficavam satisfeitos quando estávamos bem. Achei esse ponto muito bom. No entanto, um dos pontos que já alertamos em outros eventos da Horizontes, fora dos abastecimentos, é raro vermos alguém da organização. Às vezes num cruzamento grande como aconteceu antes de chegarmos a Sabugueiro é bom para nos motivar e mostrar que está ali alguém a tomar conta de nós. Depois desse ponto, nunca mais vi ninguém da organização excepto nos abastecimentos e dos senhores que estavam a pintar o chão por causa de retirarem as fitas na entrada de Valezim.

 

Seia

Confesso que fiquei desiludido com a cidade. Quando chegamos na sexta-feira para levantar os dorsais, vimos umas dezenas largas de habitantes na caminhada e na animação. Inclusive ajudaram na festa da partida dos 100 km à meia-noite. E pelas fotos da tarde, na partida dos 160 km também estiveram muitos presentes. Depois disso, sábado de manha quando sai, zero pessoas a assistir, tirando atletas, staff e apoios diversos como bombeiros e GNR. Sábado à tarde quando cheguei, ninguém na rua nem na meta.

Domingo de manhã, na entrega de prémios e enquanto chegavam os últimos classificados das 100 milhas, viu-se cerca de 20 pessoas para a cerimónia. No geral, muito pouco para um evento deste tipo. Acho que quase todos os atletas saíram de lá desmotivados com a falta de apoio de uma cidade que tem tudo para se impor como um grande ponto de turismo e de eventos desportivos de trail. O OMD é prova disso. Com um pouco mais de atletas e de apoio da cidade, o evento pode subir para um outro patamar como temos por exemplo em São Mamede.

OMD99

 

Salomon

Não sei se já repararam, mas em nenhum ponto até agora falei da mochila e das sapatilhas novas. Não foi propositado.

Não dei absolutamente pela presença das duas. A mochila depois das afinações que fiz, é simplesmente de outro mundo. Comparando com a minha anterior já com uns anos, nem se dá por ela vestida. Está muito bem conseguida e de facto dá outro sentido à corrida. Nada de dores nas costas nem de se sentir que toda a mochila abana quando corremos. Para provas até +/- 100 km sem grandes requisitos de materiais mínimos, a mochila com apenas 3 Litros é fantástica para quem tiver ritmos relativamente rápidos ou médios/altos.

 

As sapatilhas, apenas uma palavra. Estrondosas. Simplesmente as melhores sapatilhas que já tive. São um Ferrari do trail!!!

Custam os "olhos da cara" quando compradas em PVP normal, mas em promoção é difícil de resistir. Pesam 220gr, são hiper leves, tem uma aderência nos diversos terrenos à prova de bala e são "super" confortáveis. Raramente durante a prova a saltar entre lama, pedras duras ou agua senti algum desconforto, mesmo quando sentia pequenas pedras a morder as laterais. Já tinha tido 3 pares de sapatilhas Salomon antes, umas SLAB XT Wings4, umas SLAB XT Wings 5 e umas XT Wings 3 "normais", e já tinha experimentado o grau de confiança que elas transmitem, mas estas SENSE são de outro mundo. De outra galáxia mesmo.


Seja qual for o obstáculo à nossa frente, entramos com a confiança que a sapatilha ( que nem nos lembramos que lá está abaixo ) vai resolver tudo. Para mim, ela define explicitamente a expressão "prolongamento do pé".

 

Único defeito é o desgaste rápido que evidenciam, com uma previsão de 250 a 300km pela Salomon…. A cuidar com muito carinho!!!!!

 

Correr por aqueles que não podem

 

WingsForLife

No próximo Domingo, às 12h, o Correr na Cidade terá o privilégio de se fazer representar na segunda edição de uma prova realizada à escala mundial, em que a partida será dada simultaneamente em 33 países.

Apesar de relativamente elevado, face à nossa economia atual, é de referir que 100% do valor de inscrição reverte para a pesquisa da cura das lesões da espinal-medula. Estamos a falar da a Wings For Life World Run  que este ano, em território nacional, irá decorrer na zona costeira do Porto.

No ano passado em Portugal, o vencedor foi António Sousa com 46,82km, ficando num honroso 123º lugar à escala mundial, tendo sido 78,58km o máximo de distância percorrida, feito realizado pelo atleta etíope Lemawork Ketema na Áustria

Por todo o mundo homens e mulheres, novos ou velhos, com ou sem cadeira de rodas vão partir ao mesmo tempo com o intuito de fazer o máximo número de quilometros possível até serem apanhados pelo carro-meta, num percurso máximo de 100km. Sim… a meta é móvel e inicia a sua tarefa 30 minutos depois da partida, num ritmo de 15 km/h até ao km 5, aumentando a sua velocidade progressivamente a partir dai. O desafio é: ritmo, o objectivo máximo: angariar fundos para a Fundação Wings for Life e participar nesta enorme festa da corrida.

A Liliana, o Luís e a Joana vão lá estar a dar o seu melhor!
E vocês?

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