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Correr na Cidade

Devemos aquecer antes de correr? Sim ou não?

De vez em quando gostamos de recuperar posts que já publicamos há algum tempo e que achamos que fazem sentido virem de novo à calha, como este do Tiago escrito há pouco sobre se devemos aquecer ou não antes de correr, algo que, aposto, a grande maioria dos corredores não o faz. A ler com atenção:

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Por muitas provas em que participe fico sempre um pouco ansioso antes da partida. Uma prova não importa a distância ou modalidade é sempre uma competição, nem que seja comigo próprio, e tento dar sempre o meu melhor, apesar de poucas vezes o ter conseguido. Por hábito digiro-me para a partida uns minutos antes da hora prevista, verifico o material, converso um pouco, lá tiro uma foto ou outra, tento abstrai-me de tudo e ao sinal de partida lá arranco, por norma muito mais rápido do que deveria, esforço que no fim pago caro. Os primeiros quilómetros custam-me muito e só por volta dos 40 minutos de prova é que começo a ficar menos ofegante e a sentir-me melhor.

 

Será que posso fazer algo para minorar esta sensação?    

 

É frequente existirem dúvidas, eu próprio as tenho, se nas provas ou treinos, essencialmente de trail, devemos ou não efetuar algum tipo de aquecimento. Esta questão é ainda mais pertinente nas provas de ultra-trail em que a grande distância a percorrer parece minimizar a importância de preparar o corpo para o esforço que se segue. “Teremos muito tempo para aquecer!” “Isto só custa a começar.” são algumas das frases mais escutadas antes da partida. É necessário ou não aquecer? Antes das provas, e dos treinos, temos que preparar o corpo para um esforço que por vezes se estende por mais de 6-7 horas?

Por quem? Porquê? Como? Estas são algumas das questões que me assolam e às quais tentarei ajudar a responder. Não sendo especialista na matéria irei tentar retratar um pouco do que tenho lido sobre esta temática.

 

O aquecimento é importante? Sem dúvida que sim.

 

Devemos aquecer antes de qualquer atividade física? Claro que sim. Apesar de o saber são poucas as vezes em que o faço. O aquecimento não é reservado somente aos corredores de competição.

 

Como? Todos os treinos devem iniciar-se por um período de baixa intensidade física, por exemplo um trote ligeiro, com a duração de 5-10 minutos. A duração, progressividade e variedade do aquecimento deve estar relacionado com a intensidade da prova ou do treino, quanto mais intenso o esforço maior e mais diversificado deverá ser o aquecimento.

 

Porquê? A razão pela qual devemos efetuar o aquecimento é simplesmente fisiológica. O objetivo é preparar o corpo (sistema cardíaco, circulatório, pulmonar e nervoso, além dos músculos e tendões) para o esforço. A duração pode variar entre 5 a 30m e a sua intensidade deverá ser progressiva. A título de curiosidade, os velocistas de 100m a 400m começam o seu aquecimento até 2 horas antes das provas. Ao longo do tempo os músculos e as articulações começam progressivamente a estar mais preparados para a intensidade exigida.

 

Por quem? De preferência todos, e antes de qualquer prova ou treino.

 

Etimologicamente a palavra aquecimento significa elevar, aumentar a temperatura, e efetivamente o objetivo é esse. Durante o esforço físico o organismo utiliza a energia armazenada, tais como glicídios e lipídios, que funcionam como o combustível do organismo, sendo que 20-30% da energia produzida é transformada em energia mecânica, que possibilita os movimentos, o restante é utilizado para aquecer ou arrefecer o corpo.

 

Em períodos de descanso, os músculos e tendões encontram-se à temperatura corporal. Sendo que os rendimentos máximos são obtidos com um ligeiro aumento de temperatura, altura em que os músculos ficam mais flexíveis, os tendões ganham elasticidade, dá-se um aumento do fluxo de oxigénio no sangue, aumento da força muscular e reações mais rápidas aos impulsos elétricos.

 

Este efeito pode constatar-se durante um simples trote. Ao fim de 10-15m de baixa intensidade conseguimos ficar mais rápidos, apesar do esforço se manter constante. Sendo que em alternativa se mantivermos o ritmo baixo as frequências cardíacas tendem a diminuir.

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Os grandes benefícios do aquecimento são:

 

  • Correta preparação da condição muscular: um aumento da temperatura corporal permite uma maior eficácia das reações químicas que ocorrem a nível muscular. De igual forma o aumento da temperatura permite uma dilatação dos vasos sanguíneos e consequentemente um aumento do fluxo de sangue e oxigénio nos músculos;
  • Preparação do sistema cardíaco: o aumento gradual do ritmo cardíaco que ocorre durante o aquecimento prepara o coração para esforços continuados;
  • Preparação do sistema nervoso: o afluxo nervoso propaga-se mais depressa com o aumento da temperatura dos tecidos musculares permitindo uma melhor coordenação neuromuscular;
  • Preparação das articulações: o calor permite uma melhor circulação do fluído sinovial, líquido transparente e viscoso das cavidades articulares e bainhas dos tendões, que tem a função de lubrificar as articulações sinoviais, permitindo um movimento suave, indolor e um aumento da amplitude articular;
  • Preparação mental: Um aumento da temperatura corporal promove uma sensação de bem-estar e um aumento da concentração ao inverso de um corpo frio. Por outro lado, focalizar-nos na realização do aquecimento permite diminuir o stress que se sente antes das provas.

 

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Foto retirada do site running-physio.com, onde pode consultar um plano de aquecimento completo.  

 

Algumas dicas para efetuar um aquecimento:

  • Antes das provas o aquecimento deve ser feito preferencialmente com mais roupa do que a utilizada durante a prova. A manutenção da temperatura corporal consome muita energia e em dias mais frios torna-se ainda mais complicado manter o corpo quente. A duração do aquecimento deve ter em consideração a temperatura ambiente, quanto mais frio mais longo o trote ligeiro;
  • Começar com um trote muito ligeiro 7-8km/h e ir aumentando gradualmente a velocidade mas mantendo frequências cardíacas baixas. Caso se trate de uma prova técnica ou com algum desnível logo no início, após 10-15m de trote podemos correr e levantar os joelhos, bater com o calcanhar nos glúteos ou efetuar outros exercícios dinâmicos. No fim do aquecimento efetuar 2-3 acelerações de curta duração.

 

Boas corridas a todos.

"Não se devia realizar uma maratona sem o acompanhamento adequado" - entrevista a Arnaldo Abrantes

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Quem segue estas "coisas" do atletismo e da corrida sabem bem que é Arnaldo Abrantes, atleta de velocidade (100 metros, 200 metros e estafetas 4X100 metros) que já participou em dois Jogos Olímpicos (Londres e Pequim) - e que prepara a ida ao Rio de Janeiro - e que já foi atleta do Sporting e agora é do Benfica. 

Tenho eu a sorte de o ter como meu médico de família. Eu, que odeio ir ao médico, passei a gostar porque aproveitamos a conversa e falamos de corrida. Na minha última consulta de rotina, recentemente, o meu médico, o atleta Arnaldo Abrantes falou-me do seu projeto novo, uma clínica médica e desportiva que aplica a filosofia multidisciplinar da alta competição para os atletas amadores. De corrida e não só. Não resisti e quis saber mais, combinei uma visita ao espaço, a Athletika, para o entrevistar. E tentar saber algumas dicas destes atletas de alta de competição que nos possam ajudar, a nós, atletas amadores. A ler, com atenção:

 

Quando é que a Athletika abriu?
Abrimos no dia 4 de janeiro deste ano.

Quem está por detrás da Athletika?
São pessoas que já se conhecem há muitos anos. Eu, o Ricardo Paulino, fisioterapeuta e o Ricardo Antunes que é o ortopedista aqui na clínica. Temos uma amizade de alguns anos e já partilhamos muitos momentos ligados ao desporto de alta competição. Com a minha entrada na especialidade começámos a falar sobre um projeto diferente que passasse os valores da alta competição para os atletas amadores e para o desporto em geral.

Atualmente, o desporto dito amador está cada vez mais profissional. As pessoas gostam de treinar cada vez mais vezes e gostam de se desafiar e de bater recordes. Por vezes utilizam modelos de treino de alta competição mas não têm o mesmo apoio e suporte que os atletas de alta competição, sobretudo a nível de acompanhamento na recuperação, de nutrição ou acompanhamento médico. E aí surge este projeto e, para já, estamos a ter bons resultados.

Especializam-se nesta tipologia do corredor amador com um nível mais exigente, ou dão consultas a todos?
Damos consultas a todos. E dou o exemplo: temos uma consulta para promover a atividade física a pessoas sedentárias que querem começar a fazer exercício com benefícios para a saúde, ou pessoas com hipertensão ou diabetes e que querem praticar exercício físico de um modo seguro. Depois temos pessoas com patologias que não são relacionadas com desporto, como lombalgias, torcicolos e que vêm ter connosco para as massagens. E ainda temos os que esporadicamente fazem atividade física. Não estamos só focados na corrida, temos também pessoas do BTT, do futebol, de CrossFit, de trail, de ténis, etc. E temos atletas de elite, como o Nélson Évora. Contudo, temos muita experiência no atletismo, é por assim dizer “a nossa praia”.Fotonelson.png

Gostam de seguir uma própria metodologia ou cada caso é um caso?
A nossa filosofia tem sobretudo a ver com o trabalho em equipa multidisciplinar. É possível alguém com dor muscular ir diretamente à massagem, e nessa massagem existir uma dor sobre o qual o massagista tem dúvidas. Nesse caso, e se possível, vai logo falar com fisioterapeuta que avalia a situação para saber se o massagista pode prosseguir ou não. É uma avaliação rápida e gratuita, mas faz parte da nossa filosofia de oferecer a melhor qualidade de serviço ao nosso cliente.Também já nos aconteceu o fisioterapeuta receber um atleta e após o exame objectivo que realizou sentir necessidade de ter uma opinião médica. Assim foi o próprio a falar com o médico e após discussão clínica do caso foi decidido a realização de um exame complementar de diagnóstico, que foi prescrito sem haver uma consulta ou custo adicional. É tal como se faz na alta competição. Para além disso temos parceiros externos, escolhidos tendo em conta esta filosofia. Por exemplo em saúde oral temos parceria com a All Family Dental Clinic. E são parcerias feitas com muito cuidado com profissionais que não inventam patologias quando estas não existem. Outro exemplo é o de não gostarmos de vender 10 ou 20 sessões de fisioterapia. Gostamos de avaliar sessão a sessão e se for necessária só 1 sessão de fisioterapia, melhor para o cliente! Essa é a nossa filosofia.

Os atletas de alta competição têm acompanhamento regular. Que tipo de acompanhamento e que prevenção devem ter os atletas amadores? Exemplo, que corre três vezes por semana e que faz uma prova fim-de-semana sim, fim-de-semana não?
Cada caso é um caso, cada pessoa tem as suas características e depende das patologias de cada pessoa, se por exemplo tem dores frequentes na fáscia plantar ou se tem uma perna maior que outra. Idealmente deve ser feita uma avaliação prévia. No caso daqueles que não têm dor, que não sofrem de patologias aconselhamos as massagens desportivas para recuperação muscular, que é o básico, porque a treinar vai-se fazendo esforços. O que é o treino? É criar pequeníssimas micro ruturas para que o corpo quando descansa, possa regenerar e ficar mais forte. É necessário criar algum stress ao corpo mas não pode ser demasiado senão faz a lesão. Uma consulta médica de seis em seis meses também poderá ser importante para alguns atletas mais dedicados. A maioria dos atletas amadores são pessoas que trabalham e que por vezes descansam pouco, e outras tantas comem mal. Ora esses atletas podem estar a fazer treinos com anemia ou com algum desequilíbrio nutricional. Por isso, e depende muito dos objetivos, aconselho as massagens de quinze em quinze dias ou, se não puder, pelo menos uma vez por mês, para além de uma consulta médica regular, de seis em seis meses.

 

Há muitos corredores amadores cujos objetivos passam por correr longas distâncias. Vocês também fazem a preparação para uma Maratona a um atleta amador? Alguém que chegue agora ao pé de vós e peça para o preparar para a Maratona de Outubro, é possível?
Fazer uma maratona é um esforço muito grande. Não se devia realizar uma maratona sem o acompanhamento adequado. Algo que está muito em voga agora é a automedicação de anti inflamatórios antes das provas, para os atletas não sentirem dor e fadiga. Isto é um perigo!!! Um atleta vai fazer um grande esforço, vai perder água, e os rins têm de compensar, com o agravar de muitas vezes as provas serem realizadas com muito calor, que juntamente com a toma um anti inflamatório pode provocar uma insuficiência renal aguda. Os atletas tendem ouvir conselhos dos amigos dos amigos ou vão à procura de informação no Google, isso preocupam-nos. A Maratona, tal como os trails longos e os Iron Man devem ser idealmente feitos com acompanhamento médico.Foto - Fisioterapia.png

Em termos de preços, as consultas na Athletika são acessíveis?
Precisamos sempre de avaliar caso a caso para saber que tipo de consultas ou tratamentos iremos realizar, mas, claro, temos preços fixos. Mas posso dizer que temos preços ligeiramente mais baixos à nossa concorrência. Criamos diversos packs, e por exemplo, uma massagem que custa 35 euros por 1 hora, tem 10% de desconto na compra de um pack de 4 massagens. Ou 20% se comprar 8 massagens, chegando aos 30% se comprarem 12 massagens.

E têm algum serviço inovador e diferente?
Temos um serviço de avaliação biomecânica para analisar a técnica de corrida, como amplitude da passada, postura, desequilíbrios, etc. O que é muito útil para a prevenção de lesões. Fazemos o teste em pista ou em passadeira, filmamos de vários ângulos e depois a equipa toda analisa e prepara um relatório. Os ganhos desta análise são muito bons. Por exemplo, numa maratona se ganharmos um centímetro em cada passada o ganho é enorme ao fim das milhares de passadas que damos ao longo de 42 quilómetros.

 

 

 

 

Prevenir e não remediar!

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Confesso: não sou o corredor que já fui! Depois da lesão de síndrome de iliotibial que me tirou das corridas durante longos meses, e que a maioria dos leitores tem conhecimento, a minha abordagem à corrida é hoje completamente diferente.  

Para mim, sem dúvida que foi um momento marcante, tanto fisicamente como psicologicamente. Há um AL (Antes da Lesão) e um DL (Depois da Lesão). E hoje muita coisa mudou.


Entre elas o facto de ser muito mais atento ao meu corpo. Faço alongamentos religiosamente depois dos treinos, pelo menos 15 minutos (especialmente com o rolo). E,  muitas vezes, em dias que não corro dou por mim no chão da sala a ver televisão a alongar as pernas ou a passar com uma bola de golfe debaixo da plantado pé – para evitar fascites.

Estou também a ter um cuidado maior com a minha passada. Tentar aterrar o pé com o meio deste e, ao mesmo tempo, dar passadas mais curtas, dobrando mais os joelhor - confesso que em treinos mais longos, e quando o cansaço aperta é difícil manter esta aprendizagem.

Outra das minhas preocupações é a mudança de terreno. Se faço 2 treinos em asfalto, tento treinar o seguinte em trail, por causa das articulações. Para breve irei fazer uma toma quer de produtos para as articulações quer de magnésio – que no meu caso é fundamental para evitar caibras que regularmente tenho, sobretudo nos gémeos.


E, para além de treinar em ginásio para fortalecimento dos joelhos e dos músculos,  há outra coisa que não dispenso fazer neste DL: a manutenção das minhas pernas.

E para isso passei a recorrer a massagens desportivas como forma de prevenção de lesões. Algo que não o fazia antes. Prefiro gastar em massagens de 15 em 15 dias ou, para não pesar muito no orçamento, de mês a mês, do que lesionar-me e depois gastar várias centenas de euros em médicos, ortopoedistas, fisioterapias e medicamentos para voltar a correr depressa.

Nós, portugueses, ainda somos muito maus em fazer planeamento (em várias áreas da nossa vida) e parte desse planeamento na corrida devia estar focado no evitar lesões.

Acredito que visitar regularmente um profissional habituado a tratar de corredores – de preferência que seja ou tenha sido corredor – ajuda muito na prevenção de chatices maiores. Se formos analisar os corredores profissionais ou semi-profissionais têm esse acompanhamento semanal. Nós, corredores amadores devemos, pelo menos, fazer uma sessão de massagem desportiva uma vez por mês.

Nesta nova fase em que a minha principal preocupação, para além da diversão, é manter-me saudável na corrida. E, acreditem, depois dos 40 anos de idade ganhamos muito em maturidade para longas distâncias, mas o corpo demora muito mais tempo a sarar. 

O meu conselho, que já anda nisto das corridas há uns tempos, é mesmo isso: previnam lesão, sejam inteligentes na forma como tratam o vosso corpo. Esta é uma das minhas resoluções Depois da Lesão.

 

 

Desporto e vida saudável, um equilíbrio complicado?

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Porque corremos, nadamos, fazemos CrossFit, ou qualquer desporto?

 

Entre muitas respostas possiveis, a resposta de muitos será, "porque quero perder uns quilos a mais", e de outros "porque quero estar e ser saudável!". Será mesmo assim? 

 

Se tivermos em conta que um atleta de alta competição faz mais desporto que qualquer um de nós seria de esperar que  fossem bastante mais saudáveis que nós. No entanto, dado o alto impacto e exigência a que se colocam, as lesões são frequentes e muitas vezes graves.

 

Se tivermos em conta muitos de nós, que nos dedicamos apaixonadamente a um desporto enquanto amadores, mas não temos em conta os limites do nosso corpo e, como o atleta de alta competição, exigimos mais do nosso corpo do que ele está efetivamente apto, as lesões são, e não deveriam ser, quase inevitáveis.

 

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Para que assim não seja há um conjunto de fatores importantes que aliados ao desporto de paixão que praticamos são essenciais para nos mantermos saudáveis, como é o caso da alimentação, descanso, amor, etc.

 

O nosso corpo é uma máquina complexa, e consoante as exigências a que o colocamos, responde de forma mais ou menos eficiente, mais ou menos saudável. Também do ponto de vista psicológico e emocional o equilibrio influencia o modo como nos sentimos e como o corpo responde. 

 

É sobre este equilibrio que  vos quero falar, e é este equilibrio que tenho procurado, e para o qual tanto o desporto, como a alimentação, o descanso, o amor, etc., contribuem.

 

Se nos últimos meses, após alguns meses de paragem por lesão, consegui voltar a treinar com a regularidade que gosto, importante para o meu equilibrio físico e emocional, devo-o em grande parte à terapeuta Sara Dias.

 

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Complementando as componentes que já vos falei, a alimentação, descanso, componente emocional, etc, necessitamos de complementar os desiquilibrios físicos, sejam eles derivados de excessos físicos e mesmo stress, com o conhecimento medicinal de quem melhor que nós sabe como o corpo funciona.

 

Tem sido com o acompanhamento da naturopata Sara que tenho reencontrado aos poucos este equilíbrio fisico, que se encontrou desiquilibrado durante bastante tempo derivado a lesão e muito stress.

 

Associando o muito conhecimento anatómico, com a aplicação de técnicas naturais e muita paciência e dedicação, a Sara conseguiu debelar a lesão que tive no pé, bem como os muitos desiquilibrios que tenho tido, provocados pelo excesso de carga fisica e stress.

 

Para todos os que, como eu, gostam de treinar e fazer desporto regularmente, e procuram melhorar as suas prestações desportivas, deixo-vos um conselho, vão conhecer o trabalho da Sara no espaço Saúde de Corpo e Alma.

 

Seja para validar aquela dor estranha que teima em aparecer quando correm, ou para pôr a mexer aquele ombro que não mexe, ou ainda para sair de lá com as pernas prontas para a próxima prova - a diferença entre o antes e o depois de uma sessão é evidente.

 

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Se o desporto e a vida saudável são um equilibrio complicado, são profissionais assim que nos ajudam a andar mais equilibrados e por isso merecem o reconhecimento do seu trabalho.

 

Obrigado Sara!

Aulas de ginásio complementares à corrida

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Por Filipe Gil:

Somos apaixonados pela corrida!!! Fazemos tudo para a encaixar nas nossas vidas, para convencer quem amamos a fazer o mesmo. A corrida começa "devagar" mas quando nos apercebemos fazemos parte da comunidade e os nossos corpos começam a mudar – bem como a nossa cabeça.

 

Contudo, a corrida tem um “Dark Side”. E ele acontece quando nos lesionamos. Não naquelas lesões que nos dão pausas de, no máximo, duas semanas, mas mais naquelas que nos atiram dois, três meses para o “estaleiro” - no meu caso...bem prometi a mim mesmo não escrever do meu caso por uns tempos.

 
Ora, um dos principais receios que temos nesses tempos afastados da corrida é o perder a forma, não só em termos competitivos mas o medo de ficarmos como éramos antes de corrermos, mais gordos ou menos tonificados, e sem a nossa "querida adrenalina" que a corrida nos dá. 

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Depois das primeiras semanas de negação, quando admitimos que estamos lesionados e não podemos correr, percebemos que temos de lidar com o assunto. E a melhor forma é continuar ativo. Aí começamos a pesquisar outros desportos que nos motivem. Ora a nadar, ora a andar de bicicleta, ora a fazer caminhada, ora retomamos aquele jogo de futsal que fazíamos de 15 em 15 dias com os nossos amigos ora inscrevermo-nos num ginásio para ir suando de vez em quando. E a realidade é dura. A "pica" que a corrida nos dá (e vicia) faz-nos falta e não são, na maioria dos casos, as idas ao ginásio que a vão substituir.  

 

Mas, e há sempre um mas, quer como modalidades de substituição quer como complemento à corrida há duas aulas de ginásio que tenho praticado enquanto não estou de volta às corridas e que tenho gostado bastante, e tenho quase a certeza que irei continuar a fazê-lo depois da maleita passar. Aqui vão elas:

 

O Spinning ou Indoor cycling. No início de agosto escrevi este post sobre indoor cycling e não me quero estar a repetir. Mas é sem dúvida uma aula que não só nos dá pica como também ajuda muito no fortalecimento das pernas. E, se for uma boa aula, saímos de "rastos", suadas e quase com os mesmo truques de pernas que o Elvis Presley usava nas suas canções.Já experimentaram?

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Outra aula que recentemente descobri foi o CXWorkx. Que são 30 minutos intensos de trabalho do core - e como é importante trabalhar esta parte para sermos mais fortes na nossa postura da corrida. É uma aula que, mais uma vez, se for bem dada deve ser frequentada por corredores pelo menos uma vez por semana. Um core mais forte permite-nos correr melhor e, até, evitar algumas lesões por postura errada a correr. Sim, correr é mais do que pôr os dois pés à frente um do outro..., voltando ao CXWorkx, vejam este vídeo e conheçam melhor do que estou a falar.

 

Mas este post serve, sobretudo, para motivar aqueles runners que até já estão inscritos num ginásio mas que teimam em não aparecer, até porque, pensam, correndo, não necessitam de mais nada.  Percebo-os perfeitamente. Mas reflictam bem... Para se ser melhor corredor não é preciso correr todos os dias, mas sim fazer treinos de qualidade e treinos que não sejam só de corrida (isto para não falar do necessário descanso). E umas aulas de ginásio complementares fazem maravilhas.

 

É claro que há outras modalidades que alguns corredores praticam como complementares ou substituição em tempo de lesões.Recordo a natação e o ciclismo que são os mais praticados. Mas este post não é sobre isso, é mais sobre aulas de ginásio que se pode e em alguns casos, devem ser  praticadas ora como substituto da corrida (dependendo da lesão) ora como complemento da corrida.

 

E deixo desde já o desafio aos leitores de partilharem as aulas de ginásio que praticam e que vos tenha trazido vantagens para a corrida. Partilhem connosco. 

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Uma imagem que vale mil pensamentos

Por Filipe Gil:

 

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A imagem e o comentário acima dizem-me muito. Infelizmente. Preferia mil vezes estar aqui a escrever sobre os meus próximos desafios do que este muro de lamentações que tem sido os meus posts desde os finais de março (até eu já estou farto deles). Mas a vida é assim, e recuso-me a fraquejar. E um blogue é como um casamento. Para o bem e para o mal até que deixe de fazer sentido. Como acho que ainda faz, e muito (pelo menos da minha parte, já que é um blogue coletivo), espero voltar à escritas “gloriosas” em breve. Por ora, só notícias do “Dark Side”.

 

Na foto acima, retirada do Instagram do ultra maratonista Rob Krar, um dos mais talentosos corredores de longas distâncias (quem tiver curiosidade de ver os seus tempos em treinos, basta segui-lo na sua conta de Strava…e depois fechar a boca de espanto).

 

Nele, Rob Krar fala da difícil opção de não participar na edição deste ano do Ultra Trail do Mont Blanc (creio que seria a sua estreia em terras europeias). Com uma lesão, ou princípio dela, o atleta optou por não forçar o seu corpo e deitar um sonho por terra a bem do futuro próximo na modalidade). Ora, quando vi esta imagem, na velocidade frenética com que passamos o polegar pelo ecrã dos smartphones a consultar os Instagrams que seguimos, detive-me nesta imagem. E fez-me refletir.

 

Claro que qualquer comparação comigo e com o Rob Krar deve resumir-se ao facto de ambos respirarmos. Mais do que isso, não há.

 

Mas fez-me refletir no que foi a estupidez, (hoje em dia classifico assim) de não ter conseguido dizer que não a correr na Ultra do Piódão, em ter entrado em modo “avestruz” e colocar a cabeça na terra e achar que, com 8 dias de inatividade, a lesão passava. Fui parvo para quem já anda nisto há mais de três anos. E erro nº1 foi fazer a prova sem ter avaliado bem o joelho, mas essa até dou de barato porque o entusiasmo era grande, o planeamento de ir para o centro de Portugal já tinha meses e provavelmente, nem que fosse para aplaudir (o que me iria custar muito), iria ao Piódão com a minha crew. Vá, sendo sincero, talvez fosse mais esperto fazer a distância mais curta.

 

O erro nº2 foi não ter parado quando o joelho me começou a doer “mesmo” durante a prova. Não digo logo ao início, mas mais perto dos 20 kms onde andar já se tornava um suplício. Lembro-me, de pensar na altura que seria uma desilusão para a minha família, para os amigos, para aqueles a quem, publicamente no blogue, me foram seguido na preparação daquela aventura. E ainda mais o que seria acordar no dia seguinte em que todos se tinha tornado Ultra Maratonista e eu o único que ficara de fora. Devia ter dado ouvidos ao Tiago Portugal quando me aconselho a parar antes da subida do inferno (Quem foi ao Piódão sabe a qual me estou a referir).

 

Confesso que hoje em dia não sei se já estaria curado do joelho se não tivesse feito os tais 53km com dor intensa no joelho (ok, os primeiros 8/10 km não doeram). Mas provavelmente estava. Se calhar até já me teria inscrito num outro ultra trail e feito a prova sem grandes problemas e em boa forma. E tinha continuado a correr, e a treinar, e a divertir-me. E não a olhar a corrida e o correr como algo apenas disponíveis para os outros. Um prazer enorme a que estou vedado há demasiado tempo.

Resultado: ainda aqui estou de “joelho ao peito”. Não corro nada de nada desde o dia 1 de Agosto, em que parei ao fim de 1km porque a dor começou a chatear e aí decidi que as próximas 6/7 semanas iria parar de “tentar” correr. Parar mesmo!

Uns dias depois fui andar de bicicleta e também doeu, e há poucos dias, a nadar, ou melhor a brincar que nadava, o joelho disse “olá” da pior maneira possível. Basicamente, quando nadava de bruços. Acho que posso dedicar-me a jogar xadrez ou às cartas para que o joelho não doa.

 

Hoje em dia leio tudo sobre lesões, desde jogadores de futebol que estão a passar por martírios, a corredores ou tri atletas que passam pelo mesmo.Tudo para tentar perceber como se consegue estar afastado de uma grande paixão. Sobretudo, estar afastado sem data de regresso. Quem me dera que alguém me dissesse: Filipe, estás com problemas, mas fazendo X ou Y, voltas a correr dentro de 2 meses. É tudo o que gostava de ouvir para trabalhar na dita recuperação.

 

Resumo: sem querer dar lições de vida a não ser a mim mesmo, deixo no ar a todos os corredores que agora neste momento estão a braços (ou a pernas) com lesões e que têm a prova mais importante da sua vida em breve (que é sempre a próxima) e que estão a ponderar fazê-la mesmo com queixas e dores. Vejam a opção do Rob Krar de que vos falei acima. Vejam o que um campeão profissional optou por fazer. Ponderem bem a vossa decisão! Podem ter sorte e nada acontecer e podem ter azar e o vosso corpo reagir mal e passarem semanas ou meses a ver passar os outros correr.  

 

Será que uma próxima prova – onde colocamos muito do nosso esforço – vale a pena? Ou será que é alegria de podermos correr quando quisermos, de forma saudável, e o que nos faz mover e que torna a corrida tão especial? 

 

No meio disto tudo, e já vamos a caminho dos seis meses de lesão, não posso deixar de agradecer o incentivo para não baixar os braços da minha mulher, que tem sido incansável em puxar-me para cima e em acreditar em mim - mesmo quando eu estou à beira de desistir. Obrigado Natália.

 

Agradecer aos meus parceiros de crew também incansáveis no apoio e dos "prós" Hélder Ferreira e Katarina Larsson e Miguel Reis e Silva, que me têm tentado ajudar a encontrar soluções médicas para resolver esta estupida lesão. Ainda um agradecimento especial à Drª. Sara Dias e ao José Urbano que têm feito os possíveis e impossíveis para me ajudar a passar por isto.


As próximas semanas estarei parado sem qualquer atividade ligada à corrida, vou tentar continuar nadar, caminhar e fazer algum exercício de ginásio que não envolva pernas (uma seca, portanto). E depois disso irei avaliar a situação. Nem que tenho de fazer nova ressonância magnética, mais fisioterapia, mais ecografias, etc..Não vou desistir!!!


E com isto todas as provas que gostaria de fazer no 2º semestre, tais como a Corrida do Tejo, Meia Maratona do Porto, Corrida da Linha e Meia Maratona de Lisboa vão ser vistas do lado de fora. Para não falar dos inumeros trails ou, mais importante de tudo: correr com os meus amigos de crew. Custa muito, vocês nem imaginam (e ainda bem).

Mas se calhar devia ter-me lembrado disso quando fui teimoso em terminar 53km com dor.Uma lição para a vida. Pelo menos para mim.

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