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Correr na Cidade

Correr com uma perna às costas

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Vou ser sincero, não é bem às costas. Mas sim na cabeça. Passo a explicar mais à frente. Tudo isto para vos contar como tem sido o lento caminho que tenho percorrido desde que voltei a correr – as razões estão aqui.

 

A convite do Rui Pinto fiz a Corrida dos Campeões no passado dia 13 de janeiro. E fiz a minha primeira prova desde que sou corredor 2.0 – com titânio enfiado no fémur – em que fiz subidas. E foram logo três.

 

Claro que a performance é de envergonhar as pedras da calçada. Atrás de mim talvez mais 10 corredores todos com aquele ar que começaram a correr na véspera – lembram-se como foi? E eu ali a marcar passo, a pensar em desistir, a tentar usufruir a prova, a sentir-me culpado por atrasar o Rui que aquela hora já podia estar a acabar o seu duche em casa.

 

Estava com medo de me lesionar na perna, estava com medo de ouvir um “crack” algures. Tretas. Aquilo está mais consolidado. E o medo estava todo na cabeça. Fiz a prova com a perna na cabeça. Medo das subidas, medo das descidas, só nas retas descansava…a cabeça. Mesmo assim, apesar de ter ido a passo caracol, de ver as “tribos” da corrida a passaram a alta velocidade: os azuis, os amarelos, os cor de laranja, todos eles caras bem conhecidas do mundo da corrida, suei um pouco. A sério, acreditem.

 

Mas apesar de ter ficado classificado num lugar que nunca irei dizer nem ao meu melhor amigo (é favor não ir ao site da prova e ver a classificação), houve coisas muito boas. É que uma semana depois da prova, sem fazer grande exercício, meti-me a correr subidas, e não é que correu bem. Mesmo muito bem. Senti-me fresco e fofo e estava ali para as curvas. Dei uma “surra de coxo” a um amigo das corridas que não vou dizer o nome. E senti-me que estou pronto para correr com as duas pernas no sítio delas. Será que é desta?

 

Como prevenir e tratar a Fascite Plantar

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Por Sara Dias:

 

Fascite plantar uma das patologias mais recorrentes dos pés, apesar da sua frequência,  ainda é desconhecida para muitos. Todos sabem os sintomas e limitações que a mesma proporciona, mas quando chega o momento de optar por um tratamento, eis que começa uma saga que teima em não terminar.Talvez o melhor é começarmos por explicar o que é isto de fáscia.

 

Fáscia é um tecido conjuntivo fibroso, composto essencialmente por:

  • Cologénio e devido a este componente é um tecido fibroso e resistente
  • Elastina que lhe confere propriedades elásticas
  • Água que lhe confere a capacidade de deslizar sobre as outras estruturas.

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Este tecido ganha extrema importância porque não tem interrupções na sua continuidade, ou seja a fáscia que podemos encontrar na base dos pés, segue ininterruptamente até á cabeça, percorrendo pernas, costas, pescoço, etc

Atendendo á importância deste tecido, quando esta é agredida inevitavelmente vai causar outros desiquilíbrios para os quais não temos explicação. Certo é que está envolvida em quase todo tipo de lesões.                 

A fascite plantar acontece quando este tecido inflama, por diversas razões que serão abordadas mais à frente.

 

SINTOMAS:

  • Dor no calcanhar quando em carga
  • Rigidez em especial pela manhã ou quando existe algum tempo sem atividade
  • Sensação de ardor na região plantar

 

FATORES DESENCADEANTES:

  • Patologia transversal a todas as idades, contudo com maior incidência numa faixa etária do 40 aos 60 anos
  • Atividades físicas com maior impacto no solo, como por exemplo: corrida, caminhadas, dança, etc
  • Pé chato e pé valgo são muitas das vezes desencadeantes desta patologia
  • Obesidade
  • Uso de calçado inadequado
  • Profissões que exijam muitas horas em carga
  • Esporão de calcâneo
  • Biomecânica da marcha, nomeadamente o ataque ao solo com calcanhar
  • Tensão sobre tendão Aquiles

 

PREVENIR:

Em todas as patologias prevenir é a palavra de ordem, neste caso em especifico, o excesso de peso deve de ser controlado, bem como o uso de bom calçado. Em caso de ser praticante de atividades física com bastante impacto no solo deve fazer alguns exercícios que ajudam alongar este tecido, exemplo nas imagens.

É ainda importante aliviar tensão muscular dos gémeos, desta forma vamos eliminar tensão no Tendão de Aquiles, não esquecendo que este pode ser um grande causador desta patologia.

 

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TRATAR:

Existem inúmeras formas de tratar fascite plantar, certo é que na prática são poucas as que resultam. Tratamento não cirúrgico consiste em fisioterapia, aplicação de frio para moderar a inflamação, ondas de choque e massagem.

 

As medicinas não convencionais também têm uma abordagem a esta patologia, por exemplo:

  • Aplicação de técnicas de terapia miofascial, sendo o foco das técnicas na fáscia.
  • Okyu, técnica japonesa para eliminar inflamação e dor, ajuda na regeneração dos tecidos

É sempre necessário que os pacientes colaborem e façam o seu trabalho em casa, refiro-me ao exercício da bola de ténis/golfe.

 

Quem tem fascite plantar, deseja que passe rapidamente, mas isso nem sempre é possível. Na medicina convencional dão prognósticos de cura para cerca de 9 meses de fisioterapia. Contudo há a possibilidade de haver uma evolução positiva em média seis a oito sessões.

 

Para os praticantes de desporto, esse terá de ser reduzido numa fase inicial e lentamente retomar, mas isso deve ser algo decidido em conjunto com terapeuta.

Uma imagem que vale mil pensamentos

Por Filipe Gil:

 

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A imagem e o comentário acima dizem-me muito. Infelizmente. Preferia mil vezes estar aqui a escrever sobre os meus próximos desafios do que este muro de lamentações que tem sido os meus posts desde os finais de março (até eu já estou farto deles). Mas a vida é assim, e recuso-me a fraquejar. E um blogue é como um casamento. Para o bem e para o mal até que deixe de fazer sentido. Como acho que ainda faz, e muito (pelo menos da minha parte, já que é um blogue coletivo), espero voltar à escritas “gloriosas” em breve. Por ora, só notícias do “Dark Side”.

 

Na foto acima, retirada do Instagram do ultra maratonista Rob Krar, um dos mais talentosos corredores de longas distâncias (quem tiver curiosidade de ver os seus tempos em treinos, basta segui-lo na sua conta de Strava…e depois fechar a boca de espanto).

 

Nele, Rob Krar fala da difícil opção de não participar na edição deste ano do Ultra Trail do Mont Blanc (creio que seria a sua estreia em terras europeias). Com uma lesão, ou princípio dela, o atleta optou por não forçar o seu corpo e deitar um sonho por terra a bem do futuro próximo na modalidade). Ora, quando vi esta imagem, na velocidade frenética com que passamos o polegar pelo ecrã dos smartphones a consultar os Instagrams que seguimos, detive-me nesta imagem. E fez-me refletir.

 

Claro que qualquer comparação comigo e com o Rob Krar deve resumir-se ao facto de ambos respirarmos. Mais do que isso, não há.

 

Mas fez-me refletir no que foi a estupidez, (hoje em dia classifico assim) de não ter conseguido dizer que não a correr na Ultra do Piódão, em ter entrado em modo “avestruz” e colocar a cabeça na terra e achar que, com 8 dias de inatividade, a lesão passava. Fui parvo para quem já anda nisto há mais de três anos. E erro nº1 foi fazer a prova sem ter avaliado bem o joelho, mas essa até dou de barato porque o entusiasmo era grande, o planeamento de ir para o centro de Portugal já tinha meses e provavelmente, nem que fosse para aplaudir (o que me iria custar muito), iria ao Piódão com a minha crew. Vá, sendo sincero, talvez fosse mais esperto fazer a distância mais curta.

 

O erro nº2 foi não ter parado quando o joelho me começou a doer “mesmo” durante a prova. Não digo logo ao início, mas mais perto dos 20 kms onde andar já se tornava um suplício. Lembro-me, de pensar na altura que seria uma desilusão para a minha família, para os amigos, para aqueles a quem, publicamente no blogue, me foram seguido na preparação daquela aventura. E ainda mais o que seria acordar no dia seguinte em que todos se tinha tornado Ultra Maratonista e eu o único que ficara de fora. Devia ter dado ouvidos ao Tiago Portugal quando me aconselho a parar antes da subida do inferno (Quem foi ao Piódão sabe a qual me estou a referir).

 

Confesso que hoje em dia não sei se já estaria curado do joelho se não tivesse feito os tais 53km com dor intensa no joelho (ok, os primeiros 8/10 km não doeram). Mas provavelmente estava. Se calhar até já me teria inscrito num outro ultra trail e feito a prova sem grandes problemas e em boa forma. E tinha continuado a correr, e a treinar, e a divertir-me. E não a olhar a corrida e o correr como algo apenas disponíveis para os outros. Um prazer enorme a que estou vedado há demasiado tempo.

Resultado: ainda aqui estou de “joelho ao peito”. Não corro nada de nada desde o dia 1 de Agosto, em que parei ao fim de 1km porque a dor começou a chatear e aí decidi que as próximas 6/7 semanas iria parar de “tentar” correr. Parar mesmo!

Uns dias depois fui andar de bicicleta e também doeu, e há poucos dias, a nadar, ou melhor a brincar que nadava, o joelho disse “olá” da pior maneira possível. Basicamente, quando nadava de bruços. Acho que posso dedicar-me a jogar xadrez ou às cartas para que o joelho não doa.

 

Hoje em dia leio tudo sobre lesões, desde jogadores de futebol que estão a passar por martírios, a corredores ou tri atletas que passam pelo mesmo.Tudo para tentar perceber como se consegue estar afastado de uma grande paixão. Sobretudo, estar afastado sem data de regresso. Quem me dera que alguém me dissesse: Filipe, estás com problemas, mas fazendo X ou Y, voltas a correr dentro de 2 meses. É tudo o que gostava de ouvir para trabalhar na dita recuperação.

 

Resumo: sem querer dar lições de vida a não ser a mim mesmo, deixo no ar a todos os corredores que agora neste momento estão a braços (ou a pernas) com lesões e que têm a prova mais importante da sua vida em breve (que é sempre a próxima) e que estão a ponderar fazê-la mesmo com queixas e dores. Vejam a opção do Rob Krar de que vos falei acima. Vejam o que um campeão profissional optou por fazer. Ponderem bem a vossa decisão! Podem ter sorte e nada acontecer e podem ter azar e o vosso corpo reagir mal e passarem semanas ou meses a ver passar os outros correr.  

 

Será que uma próxima prova – onde colocamos muito do nosso esforço – vale a pena? Ou será que é alegria de podermos correr quando quisermos, de forma saudável, e o que nos faz mover e que torna a corrida tão especial? 

 

No meio disto tudo, e já vamos a caminho dos seis meses de lesão, não posso deixar de agradecer o incentivo para não baixar os braços da minha mulher, que tem sido incansável em puxar-me para cima e em acreditar em mim - mesmo quando eu estou à beira de desistir. Obrigado Natália.

 

Agradecer aos meus parceiros de crew também incansáveis no apoio e dos "prós" Hélder Ferreira e Katarina Larsson e Miguel Reis e Silva, que me têm tentado ajudar a encontrar soluções médicas para resolver esta estupida lesão. Ainda um agradecimento especial à Drª. Sara Dias e ao José Urbano que têm feito os possíveis e impossíveis para me ajudar a passar por isto.


As próximas semanas estarei parado sem qualquer atividade ligada à corrida, vou tentar continuar nadar, caminhar e fazer algum exercício de ginásio que não envolva pernas (uma seca, portanto). E depois disso irei avaliar a situação. Nem que tenho de fazer nova ressonância magnética, mais fisioterapia, mais ecografias, etc..Não vou desistir!!!


E com isto todas as provas que gostaria de fazer no 2º semestre, tais como a Corrida do Tejo, Meia Maratona do Porto, Corrida da Linha e Meia Maratona de Lisboa vão ser vistas do lado de fora. Para não falar dos inumeros trails ou, mais importante de tudo: correr com os meus amigos de crew. Custa muito, vocês nem imaginam (e ainda bem).

Mas se calhar devia ter-me lembrado disso quando fui teimoso em terminar 53km com dor.Uma lição para a vida. Pelo menos para mim.

Alternativas para quem não pode correr

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Por Filipe Gil:

 

Continuo lesionado. É um facto. Ora com melhoras ora com pioras - e não, não estou a gozar. Certo e sabido é que faz amanhã, dia 7 de agosto, exatamente cinco meses. Sim, leram bem C I N C O meses, que me lesionei num treino de 30 kms em Sintra.Depois disso fiz, estupidamente, o Ultra do Piódão (53km), e já fiz vários tratamentos, Ressonâncias Magnéticas, Laser, Ultrasons, fisioterapias, blá, blá, blá. Não vos vou maçar com isto.

 

Certo, certo é que parado, “paradinho” estive duas vezes: um período de 20 dias e outro de 22 dias. Ao fim desse período fiz-me ao asfalto (e à relva) e nada, ou melhor tudo! Lá estava a dor, sempre presente daquilo que dizem ser síndroma da banda ilio-tibial. A última tentativa permitiu-me correr 1 km sem dor. A partir daí começou a doer e não forcei muito mais porque não gosto de andar coxo e ter bastantes dores a subir ou descer escadas no dia a seguir ao treino. Chateia-me!


Entretanto, vou ser visto por outro médico ortopedista para ver o que diz, desta vez. Certo é que já estou a fazer a cabeça para estar completamente parado sem correr, MESMO, até início de outubro. Mas parado não consigo ficar, e mesmo não parecendo é sobre isto que este post trata: alternativas a quem não pode correr.

Com a “Paciência de Job” que os amigos, mulher e filhos me têm aturado com a falta de corrida, tenho tentado arranjar alternativas. Várias. Hoje vou falar de uma que, apesar de não me dar o mesmo prazer que a corrida, dá para suar bastante e pôr as endorfinas ao saltos. Escrevo de indoor cycling, ou spinning, ou RPM, se preferirem.

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Com o intuito de fortalecer os músculos das pernas inscrevi-me num ginásio há uns três meses. E depois de muitas semanas a tentar levantar pesos, a fortalecer o core, descobri estas aulas. São aulas do “inferno”(e não, não é o adjetivo para qualificar aquela música edionda que põem nas aulas). São puxadas, fazem-nos pingar de súor. Dou o máximo que posso e no final sinto-me bem. Muito bem, mesmo. Como não esforço o joelho (pelo menos até nota em contrário de algum médico e especialista) e puxo muito pelos músculos das pernas e pelos abdominais e fazem-me não perder a forma. Para além do exercício aeróbico. 

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Para quem está a passar por uma fase parecida com a minha (apesar de acharmos sempre que somos os únicos "coitados" nesta situação), aconselho a experimentarem estas aulas que a maioria dos ginásios e health clubs têm. Claro que penso sempre que o que estou a fazer ali durante aqueles 30 a 40 minnutos vai ajudar-me na corrida…num futuro que espero seja próximo. Mas ao menos dá um certo gozo. Certo é que, com 2 sessões semanais não só tenho mantido o peso como perdido algumas gramas.

Fica aqui o meu conselho. Se estiverem lesionados - e mesmo para quem não esteja - experimentem o spinning, as vossas pernas e a vossa cabeça vai agradecer (desde que não se tornem fãs da música que põem nessas aulas).


E, como estamos na silly season, porque não um pouco de trash TV?  Liguem-se no canal E! – que a maioria dos servidores de TV por cabo disponibiliza -  e vejam o reality show “Hollywood Cycle”, sobre um ginásio de indoor cycling de Hollywood, Los Angeles, e a vida dos seus instrutores e candidatos a instrutores. Sim, é fútil, muito, mas é bem filmado e ao menos enquanto vemos aquilo não estamos a pensar na nossa lesão.  


Aqui fica um vídeo sobre a série - trash TV no seu melhor!! 

A travessia do deserto: não correr!

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Por Filipe Gil:

 

“Não dá mais! Tenho de ficar por aqui. Não vale a pena insistir. Acabou, desta vez é para parar mesmo!”. Foram estas as palavras que ecoaram na minha cabeça no final da tarde do passado domingo e que me obrigaram a agir.

 

Uma semana depois da Marginal à Noite (8Km) feita sem dores e apenas com umas dores no pós corrida, que no dia seguinte já não se faziam sentir, e com 3 sessões de fisioterapia e uma sessão com a Dr.ª Sara Dias (que agora também dá consultas na Estrada de Benfica, em Lisboa, aqui), depois de vários exercícios caseiros recomendados pela fisioterapeuta, depois de algumas sessões de fortalecimento muscular no ginásio, apenas uma  corrida ligeira de 4,5km deixou-me cheio de dores. No joelho e na alma.

 

Para ser completamente honesto, tenho que dizer que umas horas antes corri cerca de 15 minutos, se calhar nem tanto, na praia, com um amigo que se está a iniciar nestas coisas da corrida. Devagar, como manda a “lei das lesões”. E no final, nada de dores.

 

Depois da praia decidi ir “experimentar" e avaliar a lesão. Se já tinha corrido 8km sem dores tinha curiosidade como ficaria depois de mais 8 ou 10km, uma semana depois. Mas nem foi preciso tanto. Saí de casa, andei um bom pedaço para aquecer. Fiz movimentos de aquecimento dos joelhos, dos tornozelos, e lá fui. Devagar, devagarinho. E, tal como já disse, no fim de 4,5km, tive de parar. Respeitando as ordens da fisioterapeuta: “Há mínima dor, é para parar!”. Depois fiz os restantes 4,5 km de regresso a casa a andar. Ainda tentei esboçar uma corrida, mas mais do que 4 passadas e tinha que parar, tal era a dor.

 

Quando me sentei em casa, já sem dores, pensei para mim: “isto é daquelas coisas que vão e vêm. Se calhar amanhã, já estou bom”. Mas refreei os pensamentos. Não dá para continuar assim. Já chega! Estou mesmo farto. Ainda tive ânimo para ir fazer alongamentos com o foam roller. E não doeu mais nem menos que nas outras vezes.

 

E se me deitei com a sensação de que “se calhar foi pela água fria do mar (que não estava fria), ou da corrida na areia descalço (15 minutos?)”, acordei já com outra sensação: a de moínha no joelho. Contínua. Sempre presente. E ao descer escadas e subir as dores voltaram. Por motivos profissionais desci, na manhã de segunda-feira, a rua que vai das Amoreiras ao Marquês de Pombal, e tive de parar de andar pelo menos uma vez tal eram as dores no joelho. Parecia o dia a seguir ao Ultra do Piódão. Ridículo, não?

 

Uma regressão no tratamento na minha lesão. Claro que por culpa minha. Se estou a fazer tudo bem porque está a falhar a recuperação? Porque razão uma corrida de 4,5kms fez pior que a Marginal à Noite de 8km? Será que foi a corrida de 15 minutos na praia? Não é preciso ser-se muito inteligente, para ter a resposta. Se estou a fazer tudo bem, o que está a falhar? A única coisa que estou a fazer mal é: não parar totalmente enquanto reabilito. O máximo que estive sem correr (ou tentar correr) foram 2,5 semanas ou 3 – não consigo precisar -, o que para mim é muito, mas não é suficiente, parece, para esta lesão.


Por isso vou deixar de correr! Totalmente. Como sou uma pessoa de objetivos, passo a ter como regresso à corrida na Corrida do Tejo. É igualmente ridículo uma meta nesta altura, mas é assim que funciono. Espero chegar a essa altura e correr livremente. Sem dores. Coisa que já não me lembro como é.

 

Na passada sexta-feira depois do trabalho passei de carro por Monsanto. Eram cerca de 20h30m. O calor já estava a desaparecer mas ainda pairava no ar aquele “bafo” agradável de final de tarde de verão. O sol, cor de laranja, começava a pôr-se no horizonte O cheiro da terra quente e das árvores estavam no seu expoente máximo – que até no carro em movimento se faziam sentir. Fechei os olhos por momentos (não, não estava a conduzir) e lembrei-me dos treinos que lá fiz no verão passado por aquela hora. A sensação fantástica de correr, subir, descer entre risadas dos amigos. De correr com roupa leve e sentir a natureza em simbiose connosco. Algo que de gosto muito e de que tenho muitas saudades e que não vou poder fazer este ano. Mas para o voltar a repetir e não arranjar aqui uma lesão crónica, tenho de parar. Parar mesmo. Afastar-me da "tentação" de voltar a correr, tentar (o que não é fácil) abstrair-me das corridas que pululam à minha volta, e tentar atravessar com cabeça esta espécie de deserto sem treinos, sem corridas, sem correr.

Estou demasiado "envolvido" com esta lesão para dar conselhos a quem está a passar pelo mesmo, até porque cada caso é um caso. Contudo, se me perguntassem o que aconselho, a primeira coisa é: parem de correr JÁ !; e procurem um especialista. Sigam uma metodologia e não misturem várias. Escolham-na e sigam até ao fim. Se não resultar, então aí mudem para o próximo. 

 

Da minha parte é um "até já" nas corridas. Espero voltar mais forte lá para o fim do verão. 

Os erros na recuperação de uma lesão

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 (Calling All Running Crews 2ª edição - foto da autoria de Diogo Castro Pereira)

Por Filipe Gil

 

Volto aqui ao meu “semanário” sobre a recuperação da minha lesão (o síndrome da banda iliotibial). Estive em dúvida para o fazer. Até que ponto é positivo tanta exposição de "fracasso". E será que não vai ser entendido como mais um texto do "coitadinho"? Aproveitei ter ficado esta manhã dentro de um comboio mais de 40 minutos por causa de um acidente, para ir escrevendo este texto, sem grandes certezas que o iria publicar.

Ora a recuperação cá anda. Fisioterapia dia sim, dia não. Das 15 sessões, cinco já foram feitas. Alongamentos, massagens, exercícios com foam roller (comprei um para ter em casa, 12€ no El Corte Inglés da marca própria) e também de equilíbrio – que acho muito positivos. Sem dor, sem custar muito.

Decidi então correr cerca de 5km na passada sexta-feira. Devagar, sem grande entusiasmo - mais medo, confesso. Aproveitei a manhã de um dia de férias que era para ter sido de praia mas que o São Pedro não deixou, para correr na zona de Belém. Corri sem dores, sem impressões ou pressões. E acabei com um sorriso. Esperançado de não ter dores quando arrefecesse. E assim foi. Nada de dores.

No final do dia tive fisioterapia. A medo disse à terapeuta que tinha corrido e que não tinha tido dores. Ela sorriu. Disse que estamos no bom caminho apesar de ainda perceber que junto à cabeça do perónio (onde tenho mais dores) as coisas ainda estão por curar. Claro que não lhe disse que tinha na cabeça fazer a Marginal à Noite no dia seguinte. Nem que, também no sábado de manhã, ia fazer uma caminhada de 5km pelos trilhos de Monsanto.

E no dia seguinte lá fui ao treino Calling All Running Crews, segunda edição de uma ideia que no ano passado surgiu entre nós, Correr na Cidade, a Henriqueta Solipa, o João Campos e mais alguns que me estou a esquecer do nome. Corrida de 10km, Dog trail e uma caminhada pelos trilhos de 5 km. Foi a esta última, com o meu filho mais velho e o Nuno Malcata a fecharmos a caminhada. Divertida por sinal, com subidas e descidas. Nada de dores aqui também.
 

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No final do dia foi altura da Marginal à Noite. Já não participava desde 2012. É é sempre uma bela festa. É um daqueles clássicos que apesar de serem “só” 8 kms toda a gente gosta de participar e correr. Este ano, apesar das ameaças de chuva, a prova estava composta. E a organização não deixou as expectativas saírem goradas. Bandas de apoio, túneis de luz e som (era giro se fosse um pouco maior), DJ’s, etc.

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 (foto retirada da página de facebook da Marginal à Noite)

A minha única crítica vai para o facto de não existir um maior controlo aos corredores que teimam em fazer a prova do outro lado da estrada. O que não só atrapalha quem já regressa mas que é, sobretudo, uma falta de respeito pelos outros que vão pelo caminho certo. Eu sei que é uma festa, eu sei que a prova não tem cariz competitivo, mas até por isso mesmo, esses senhores que desrespeitam os outros que fazem o percurso normal deviam ser chamados à atenção. Da parte da organização é difícil controlar isto, e como é uma festa é difícil “desqualificar” quem não respeita as normas. Mas enfim, chicos espertos existem em todo o lado e nisto das corridas há com cada um…Eu sei que é muita gente, que é preciso serpentear muito, mas posicionem-se mais à frente na linha da partida. Ou então façam outras provas menos populares. É uma festa, sabiam?

 

Voltando “à minha” Marginal à Noite e depois de me juntar à crew e a alguns amigos que se estreavam em provas pela primeira vez, lá fui para a linha de partida, bem no meio como gosto. Os nervos faziam-se sentir. Acho que estava mais nervoso nesta prova do que na que fiz em 2012. Não que esperasse fazer um bom tempo, mas sim porque era um grande teste à minha recuperação física. Back on track? Ou não?

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  (foto retirada da página de facebook da Marginal à Noite)

Tinha por missão partir devagar. Mas não consegui, entusiasmei-me e fui atrás do Tiago Portugal e do Nuno Espadinha. O Tiago na subida, onde ao mesmo tempo havia um fogo-de-artifício fantástico, perguntou-me “Então, não era para ires devagar”; Disse-lhe para seguir, estava a sentir-me bem. O primeiro quilómetro foi rápido. A fazer zigue zagues, claro. O segundo ainda mais rápido. O Tiago volta a meter-se comigo “Vens aqui? Estamos rápido”. Eu, como cara de puto numa loja de doces, disse-lhe: “Estou bem, vamos lentos, devemos ir a 5:20”. Mas não, estávamos a 4:30/km. Mas estava a sentir-me tão bem. Tão vivo, tão contente, tão feliz.

 

Continuei a bom ritmo mais 1 ou 2km, mas depois comecei a baixar o ritmo. Por duas razões. A primeira porque não estou em forma. Não corro 10km a um bom ritmo há mais de 1 mês. E porque comecei a pensar no joelho. Aliás, veio-me à cabeça que tinha os pulmões no joelho, a cabeça no joelho e estava focado completamente no joelho. Deixei de ver o Tiago e o Nuno Espadinha, e segui sozinho a tentar “curtir” a prova e não pensar nas lesões.

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  (foto retirada da página de facebook da Marginal à Noite)

Tentei sentir o joelho, sempre. Pareceu-me bem, mas algo instável, fraco, mas sem dor, nem pressão. Na parte do regresso, na curva – com boa música – comecei a sentir-me pior. Mais lento, sem forças, mas sem dores no joelho, o que era o bom disto tudo. Passados uns metros vi que a minha mulher já estava mesmo ali atrás de mim. Fiquei contente, ela está em forma! Decidi ir no meu ritmo, mas com algum receio que ela não me quisesse ultrapassar, para não me incomodar psicologicamente. Parvo! Ela é tão competitiva que de certeza que ultrapassar-me funcionaria como uma motivação extra. Passou por mim, perguntou-me se estava com dores no joelho, insistiu e eu disse para fazer o favor de seguir e de acabar primeiro que eu. Ainda a vi durante uns metros mas depois deixei de a ver. Continuei no meu ritmo, e confesso que tentei acelerar o ritmo mas não consegui. Deixei-me ir. Ainda deu para dar um “High Five” ao Rui Pinto, membro da nossa crew, mas que nessa noite estava a trabalhar na organização da Marginal. Perguntou-me pelo joelho e eu disse que estava OK.

No final, na descida, esbocei um sprint para acabar com uma sensação estranha de que querer vomitar. Muito estranho, nunca me tinha acontecido. Mas não vomitei. Encontrei a minha mulher, o Tiago Portugal e o Nuno Espadinha. Perguntaram-me se estava bem. Disse que sim. Estava contente porque nem sinal da dor no joelho. Estava descontente porque não tinha corrido nada de jeito e lembrei-me que tenho muito trabalho pela frente para voltar a uma “forma” aceitável.

Ainda andei por ali a falar com alguns conhecidos, entre os quais o Filipe Semedo, responsável da Puma, que simpaticamente vestiu alguns dos membros da crew com equipamentos da marca alemã e os calçou com os novos Ignite. Algumas caras conhecidas, uns "olás" aqui e acolá e com a chuva a cair mais intensamente decidimos ir para casa, apanhar o comboio e fomos descansar.

Caminhámos até ao comboio e lá, na estação de Santo Amaro, esperamos 1 hora. Sim, leram bem, 1 hora INTEIRA, por um comboio. Isto não se faz. Já na partida para a MaN tinha tido um episódio estúpido com um cartão da CP que não era possível de carregar com o bilhete promocional da prova porque…tinha dinheiro no dito cartão. Ou seja, tive que comprar um bilhete a preço normal, para a ida e para a volta. Mais uma vez a organização nada tem a ver com isto, mas a CP sim. Lamentável. Se eu tinha um cartão com dinheiro, porque tinha de comprar outro para aceder à promoção? Inexplicável. E depois um atraso de 1 hora no comboio??!!! A rever estar parceria com a CP. Causa expetativas goradas pelo péssimo serviço dos caminhos de ferro.


Na chegada a Algés, e a chover copiosamente, decidimos, (eu e o grupo que estava comigo) correr para não nos molharmos - a noite estava fria e os 60 minutos de espera na estação da CP já pesavam no corpo. Às primeiras passadas o meu joelho dá sinal de vida: uma dor daquelas. Forte. Afinal, a dor ainda cá estava. E doeu muito. Afinal, depois de ter arrefecido da prova a dor voltou. Senti uma grande desilusão e raiva. Senti que voltei à estava zero. Que duas semanas de fisioterapia foram pelo cano abaixo. Senti que a lesão ainda está muito forte.


O resto da noite foi a sentir dores na cabeça do perónio. Coloquei quente, massajei com arnica fiz uns alongamentos, que aliviaram um pouco. Mas fiquei muito frustrado. O domingo foi passado ainda com algumas dores, sobretudo a descer as escadas.  Hoje, segunda-feira, já não tenho dores, apenas quando faço algum movimento lateral.


Dizem-me os meus amigos, e não só, que devo ter calma e ouvir o corpo. A questão da calma é obviamente que tenho de conquistar, não a tenho, aliás, não tenho pachorra nenhuma para estar lesionado.. o máximo que passei sem correr foram duas semanas. Gostava de aqui afirmar que não vou correr no próximo mês, mas sinceramente, não sei se o consigo fazer. Ou mesmo se o devo fazer, isto porque tento ouvir o meu corpo mas ele não me diz nada. Se ele me quisesse dizer tinha-me dito quando corri os 5kms na sexta, ou quando comecei a correr mais rápido, ou mesmo a meio do percurso da MaN ou ao fim de 7kms. Mas não, nada de dores. Apenas quando arrefece. 

 

Não quero parecer coitadinho. Mas já chega, estou farto. Mesmo!! Claro que pareço um puto mimado a quem tiraram um brinquedo. Há coisas muito mais importantes que não correr. Mas isto, para mim, não faz sentido, é tempo demais para quem tem uma grande paixão pela corrida. Gostava de deixar aqui uma frase final de motivação, de incentivo, para aqueles que estão como eu. Mas hoje não dá. Não sei se é de ter começado a semana fechado 40 minutos numa carruagem de comboio ou se é mesmo mau feitio por não correr...

 

Vou, mais uma vez, ver o vídeo seguinte. E habituar-me à ideia de que não sou o único nesta condição. Paciência, muita, precisa-se! 

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