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Correr na Cidade

Um desabafo e race report do Ultra Trail de Conímbriga Terras de Sicó

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Por Stefan Pequito:

 

Como muitos sabem, há uns dias atrás completei mais uma prova acima dos 100km, o Ultra Trail endurance de Conímbriga Terras de Sicó. Disso já falarei. Antes quero fazer um pequeno desabafo. Desde que fiz a Ultra dos Pirenéus tenho vindo a analisar o que quero do mundo do Trail e da competição neste mundo. Algo que antes dessa prova não ligava muito, mas depois, e com a convivência com o David Quelhas, fiquei “picado” pela vontade de levar as coisas mais a sério.

 

Comecei por ver o que queria para 2016. Um dos objetivos era voltar aos Pirinéus para corrigir os erros que fiz no ano passado. Em termos alimentares tenho falhado muito durante as corridas e no caso dos Pirinéus não comi quase nada durante toda a prova e, claro, aos 74km “morri” completamente.

 

Fui chamado à “atenção” várias vezes pela médica da prova que me aconselhou a desistir já que a minha tensão estava mesmo “marada”. Dormi e comi um pouco e consegui acabar a prova. Claro que já não consegui terminar nos primeiros 50 lugares e fiz uma mísera 99ª posição. Por outro lado, todas estas adversidades fizeram-me acreditar que sou capaz de mais e que tenho de trabalhar para isso.

 

O meu segundo objetivo para 2016 é realizar o sonho de voltar aos “meus Alpes” para bem perto de onde nasci, Suíça, e fazer o Trail Lavaredo em Itália.

 

No meio deste planeamento todo para 2016, e apesar de estar inclinado a ir fazer a Ultra Canárias, tendo em conta os preços que estavam muito elevados e após uma reflexão, cheguei à conclusão que ficaria para outra altura e achei que Sicó seria a melhor opção, uma prova com ritmos altos e uma dificuldade “supostamente” baixa.

 

Como referi, 2015 foi um ano de aprendizagem, com alguns pódios em provas pequenas e uma 3ª posição numa Ultra. Mas provas em que os ritmos de competição eram resumidos a 4 a 5 pessoas (sem falar mal de ninguém, claro). Isso permitiu-me ganhar algum gosto pelo "pódio" e também ganhar gosto por provas de 3 dígitos, às quais me quero dedicar mais.

 

Mas nem tudo tem sido fácil. Treinar todos os dias depois de um dia de trabalho, ter os fins de semana ocupados com treinos, para além das viagens para esses treinos, tudo isto tudo tem o seu custo. Desde o custo monetário, ao físico e também social. Mas como “quem corre por gosto não cansa”, isso aplica-se à maior parte do meu tempo. Às vezes quase dou em maluco, e vejo enormes atletas que passam pelo mesmo que eu, como o David Quelhas, Jerôme, entre outros. Atletas que se esforçam, dão o litro, fazem pódios e ganham provas (nacionais e internacionais) e faltam-lhes apoios de marcas e lojas. Tudo lhes saí do pêlo! Merece reflexão.

 

Voltando a Sicó, a minha race report é curta. Desde de janeiro que tenho treinado um novo método de alimentação e no final de janeiro comecei a preparação para a prova de Sicó.

 

Cheguei confiante à prova pois fui completamente “envenenado” positivamente pelo David Quelhas. A prova começou rápida e recuei um pouco para não ir a ritmo louco atrás do Jerome. Corri com chuva, frio e alguma neve durante toda a noite, onde vi a concorrência quase toda a tombar à minha frente.

 

Perdi-me algumas vezes durante a noite (uma parte por culpa própria, mas a sinalização podia estar melhor), depois veio o pior: roubaram as fitas e os refletores. Derivado desta situação andei para atrás e para a frente até que, juntamente com o Carlos Correira, consegui reencontrar o percurso (estivemos mais de 20 minutos perdidos). De referir que a organização não tem culpa mas sim pessoas com maldade.

 

Aos 84km (nos meus 92) já não ia bem fisicamente e mentalmente estava farto da prova. Não sei porquê mas quebrei. Fiz a alimentação certinha e nunca tive fome mas quebrei, e começei a perder lugares.

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Aos 105 ou 106 km da prova veio o martírio. Uma fase praticamente abútrica, e sou sincero, não gostei nada daquilo e achei escusado no final de tantos km e quase no fim haver uma coisa daquelas, fiz aquilo quase tudo a andar. Quem lá esteve sabe do que estou a falar.

 

Acabei em 4º da geral e 3º do escalão. Não era aquilo que queria pois lutei pelo 2º lugar e tentei encurtar o tempo para o Jerome o mais que consegui, mas não deu, o corpo e a cabeça não deixaram. Para além disso o Carlos e o António fizeram um final louco e estão os dois de parabéns.

 

Em termos humanos foi uma prova fantástica com abastecimentos top. Um agradecimento ao Miguel Frutuoso do Coimbra trail, ao senhor Vitorino e ainda ao Miguel Batista pelo apoio nos abastecimentos.

 

Material utilizado em prova: 

Nesta prova usei as minhas Salming t1, mas para provas a ritmo mais elevados não dá para as levar infelizmente.   As meias Injinji Trail que levei são fantásticas e que já se encontram disponíveis na Loja Trail (representantes da Injinji Portugal). Em termos de alimentação, usei as barras paleo da Gold Nutrition e de aveia da Biotec da Loja Girassol. Impermeável da Berg Linx que só posso dizer bem. Frontal, levei um emprestado.

 

E é tudo! Agora venha Lavaredo. Vou ter mais tempo para preparar e que vou fazer tudo para chegar o mais forte possível!

Race Report: Ultra Douro e Paiva - UTDP

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A 1ª edição do UTDP foi no ano passado, o tempo passa a voar, sendo que nessa altura fui aos 64k. Foi uma prova que correu mal sem dúvidas. Na altura devido a alguns erros da organização e de gente mal-intencionada. Fiz uma review da prova onde falei disto tudo mas na qual também frisei que era uma prova com um enorme potencial. Foi uma prova onde ganhei boas amizades, que ainda tenho hoje, uma delas foi o André Oliveira um mestre disto tudo. Sou sincero quando afirmo que não estava nada a espera do convite para ser padrinho, foi uma enorme surpresa mas à qual respondi imediatamente que sim.

 

Lá fui eu novamente para a prova, mas este ano fui aos 35k derivado de ainda estar em recuperação do Oh Meu Deus. Assim, encarei esta prova como o pontapé de saída para começar a preparação para o meu próximo grande desafio, Ultra Pirenéus.

 

A ida para cima foi fantástica, a viagem na companhia da nossa Campeã Carla André, e a nossa querida “avô” das corridas Analice. O que posso dizer é que quase que já estou quase convencido em fazer o MDS, com as histórias fantásticas que estas duas senhoras contaram de lá.

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Saímos bem cedo, pois os 3 tínhamos as jornadas técnicas para fazer - outra coisa que não estava nada a espera pois ainda sou novato nestas andanças. Chegámos, dois dedos de conversa com o André e praticamente ir direto para o auditório. Estava super nervoso, sou sincero, ainda bem que não tive de falar muito (lol).

 

De seguida fui levantar o dorsal, jantar e cama, que no meu caso foi no pavilhão. Até à meia-noite correu tudo bem e até consegui dormir, mas entretanto entraram uns cromos (lol) que se lembraram de cantar os parabéns bem alto naquele pavilhão, e depois ficaram na galhofa. Estive quase para me levantar mais foi um outro rapaz lá. Ainda bem, pois era capaz de lá ter ficado a comer o bolo pois eu conhecia os cromos e bem (lol) (cromos no bom sentido).

 

Resumindo a partir daí foi uma noite de …... mal dormi. As 5 da manha o pessoal que ia para a ultra acordaram todos e eu desisti de dormir. Comecei a preparar as coisas para comer, pois às 7h15m tínhamos de apanhar autocarro até à ponte.

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A partida foi dada um pouco mais tarde o que complicou por causa do calor. Tinha como objetivo ir atrás do Armando e do Nélson Graça e foi o que fiz durante a fase inicial, sempre no encalce, atrás dos dois até aos 12k mais ou menos onde tive uma vontade de ir à casa de banho e tive de encostar um pouco. Estávamos também numa zona de rio - partes que não aprecio muito para correr mas que são de uma beleza extrema. No total passámos 3 vezes no rio. Perdi imenso tempo, pois sou um cagão e não me quero partir todo (lol). Depois do rio vem o inferno calorrrrr  bravo, sem uma árvore para nos protegermos. Aí apanhei o Nélson Amaral e como sempre ponho a conversa em dia, fomos até ao posto do 23km juntos, se não me engano. Hidrato-me bem, como qualquer coisa e arranco ainda na tentativa de apanhar mais alguém. Mas o calor era demasiado e o corpo ainda não esta a 100%, por isso mantive-me na minha e não me aventurei mais. 

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Mais tarde, depois de novamente entrar no rio, e novamente perder imenso tempo para não me molhar (parvoíce minha) o Nélson Amaral apanha-me outra vez e ainda fomos os dois até ao fim. Quase no fim temos uma descida fantástica, umas das minhas descidas favoritas, adoro aquiloooo! Virei-me para o Nelson e disse-lhe “Bora divertir-nos” e la fomos nós. Resumindo: todos os que passávamos chamavam-nos malucos “eles vão-se a picar”, “eles vão-se matar”, e nós sempre a gritar “esquerda, esquerda”, ”direita, direita” foi um loucura, mas da saudável. Decidimos acabar juntos a prova, não tinha lógica nenhuma fazer uma picardia no fim só para ficar um a frente do outro, não íamos ganhar nada com isso.

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Se no ano passado fui ter com André para lhe dar na cabeça, este ano fui ter com ele para lhe dar os Parabéns pois foi uma prova fantástica. Não vi erro nenhum, as marcações estiveram fantásticas, desde de fitas, marcas no chão a tabelas a assinalar o caminho. E pessoal deste que gosto, os que ouvem os participantes e seguem alguns conselhos de quem corre e só tenta dar inputs positivos. Em termos de abastecimentos, tinha o quanto basta, ou seja tudo o que era preciso.

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Percurso: o que posso dizer é que foi um dos mais belos e difíceis que já fiz, a parte da dificuldade tem muito a ver com o calor mas o trail é mesmo assim. Se vou voltar em 2016? Quase de certeza que vou lá estar outra vez, agora só não sei a distância, mas isso logo se vê.

 

Classificações

64k

M                                                           F

1ªFILIPE GARCIA 07:31:59                 1ºRAQUEL CAMPOS 11:07:39

2ºLUÍS OLIVEIRA 07:56:41                  2ºCÁTIA NUNES    11:39:23

3ºNUNO FERNANDES 07:59:34          3º EUNICE LOUREIRO  12:00:47

 

35k

M                                                           F

1ªANDRÉ RODRIGUES 03:33:03              1ºPAULA LAGE  05:04:10

2ºNELSON GRAÇA 03:40:21                     2ºSUZANA ANDRADE  05:11:54  

3ºARMANDINO TABORDA  03:41:00         3º LILIANA GOMES 05:14:07  

11ºSTEFAN PEQUITO 04:09:19

 

16k

M                                                            F

1ªTIAGO LOUSA  01:50:44                    1ºMARIA MARTINS 02:36:10

2ºNUNO ALVES  01:52:49                     2ºESTELA MARTINS   02:42:47  

3ºBRUNO SILVA   01:55:13                   3ºMARIANA DELGADO  02:44:19 

Agradecimentos:

 

Um enorme obrigado ao André Oliveira e à equipa da UTDP, pelo convite para esta prova de referência (sim já a considero uma prova de referencia lol). Obrigado à Carla André e à Analice por me aturarem pelo caminho, à Girassol pelo material de nutrição, e claro ao meu Treinador Paulo Pires por me ter deixado ir.

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Material usado:

  • Tshirt da Reebok e calçoes também (sim era um tshirt e não um top lol)
  • Sapatilhas Salming T1 as minhas meninas fantásticas
  • Meias injini a dar as últimas
  • Mala da Ultimate Direction - AK Race Vest 2.0 que o Tiago Basto me arranjou
  • Barras da Biotechusa de nozes, e gel limão pro da biotechusa, encontram à venda na Girassol
  • Chapéu da Reebok também.
  • Palmilhas da Oficina de Ortopedia as quais já vos tinha falado noutra review, que foram fantásticas. Fiquei fã pois nunca pensei que se iam adaptar tão bem ao trail mas sim, tinha medo da água e foi o que me surpreendeu mais pois secaram muito rápido e mantiveram-se sempre confortáveis sem me magoarem os pés, valem a pena o investimento.

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Agora que venha a ultra Pirenéus, até breve!

 

Gerês Trail Adventure, depois de correr queremos agradecer!

  

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Por Nuno Malcata

 

A equipa do Correr na Cidade, a Bo Irik, o Tiago Portugal e eu, terminamos as 4 etapas do Gerês Trail Adventure, onde corremos um pouco mais de 100Km com sensivelmente 6000D+ em cerca  de 21h30m.

 

Foi uma aventura inesquecível, tanto para nós como para os restantes elementos da Crew, amigos e famílias que, como nós, viveram estes dias intensamente.

 

Nos próximos dias vamos contar e mostrar como foram estes 4 dias de trilhos e paisagens magníficos, mas hoje queremos agradecer aqueles que nos ajudaram.

 

Tanto na preparação, como na realização desta prova tivemos a ajuda de amigos e entidades, que tanto materialmente, logisticamente ou motivacionalmente nos ajudaram na realização desta aventura fantástica.

 

Começamos por agradecer ao Carlos Sá, que nos convidou para formar uma equipa para a prova e a colaborar como media partners na divulgação e promoção do Peneda Gerês Trail Adventure 2015. Foi com entusiasmo que participámos e é com alegria que mostramos a todos o que foi esta prova para que a mesma possa crescer em quantidade de atletas no futuro, bem merece.

 

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Na componente logística e de apoio, tivemos a ajuda preciosa de dois elementos da Crew, a Liliana Moreira e o Luís Moura, que estiveram lá connosco no Gerês, não para correr, mas para nos ajudar com tudo o que fosse preciso. Desde nos levarem ou buscarem ás partidas e chegadas, como no apoio personalizado em alguns pontos de abastecimento, organização alimentar e até mesmo na preparação das etapas.

 

Sem eles não deixaríamos de fazer a prova, mas não teria sido a mesma coisa, foi uma verdadeira Crew Trip para ficar na memória.

 

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Como já indicámos anteriormente, tanto para a preparação como para o decorrer do Gerês Trail Adventure a loja de produtos naturais e dietéticos Girassol apoiou-nos em termos de suplementação e alimentação específica, tendo sido uma ajuda essencial para a cada nova etapa podermos estar em melhores condições físicas e restabelecidos do esforço efectuado na etapa anterior.

 

A Girassol além de ter os melhores preços em suplementação e produtos naturais, tem entregas das encomendas super rápidas e um apoio pós venda que merece a nossa confiança, e aconselhamos a todos os que procuram produtos de qualidade.

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Quem nos segue sabe que somos vaidosos, e quisemos ter camisolas técnicas adequadas e personalizadas para esta prova em especial. A Adidas forneceu-nos tshirts técnicas de corrida de óptima qualidade que foram personalizadas com o logo Correr na Cidade para o Gerês Trail Adventure da autoria do nosso amigo João Gonçalves.

 

Finalmente não podemos deixar de agradecer a todos aqueles que gostam de nós, e nos apoiaram de uma forma maravilhosa estes dias.

 

Foram muitas as mensagens, telefonemas e incentivos que recebemos e foram fundamentais para manter sempre o espírito em alta.

 

A TODOS o nosso OBRIGADO

 

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A caminho do Gerês Trail Adventure

 

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Começa hoje a aventura no Gêres, melhor, a pré-aventura visto que as provas do GTA só começam amanhã.

Gostamos de um bom desafio e não podíamos recusar o convite que Carlos Sá nos fez, de juntar uma equipa do Correr na Cidade para participar nesta grande festa do trail nacional, o Geres Trail Adventure. Além dos 3 corredores, Bo Irik, Nuno Malcata e Tiago Portugal, irão estar presentes a Liliana Moreira e o Luís Moura, que não vão correr mas para apoiar a equipa no local. O GTA é uma festa e quantos mais melhor, não é verdade?

 

A Carmo Moser tambem irá participar, mas em versão mais "soft" (como se fosse possivel no Gerês!), no GTA Starter. 

 

Para uma prova desta natureza, 4 etapas e por equipas, todo o processo logístico é complexo, e temos que agradecer todo o apoio que recebemos nomeadamente da Girassol em termos de alimentação e hidratação para a prova, da Adidas que nos cedeu as t'shirts para a prova, aos nossos colegas do Correr na Cidade e à nossa familia e amigos. 

  

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Acompanhem-nos nesta aventura, vamos partilhar convosco cada etapa!

Race Report: primeiro objetivo de 2015 concluído

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Por Stefan Pequito:

 

Desde de 2014, quando comecei a levar isto das corridas um pouco mais a sério e quando comecei com isto das ultras, que sonho com o MIUT (Madeira International Ultra Trail). Era um prova que gostava de fazer pelo grau de dificuldade que apresenta. Em setembro decidi arriscar e inscrevi-me. Pedi ao Paulo Pires, treinador da Armada de Trail, para me ajudar neste projeto (e não só). Desde janeiro que comecei a treinar para esta prova, mas foi a partir de Fevereiro que veio "a dureza" - foram dois meses muito duros. Fiz tudo o que o meu Mister me pediu, tive dias bons e dias menos bons, dias com muita vontade de treinar outros sem vontade nenhuma, foram dois meses de suor, dor e sangue (literalmente). Posso dizer que o esforço compensou. No futuro, lembrar-me-ei do caso Madeirense que, com muito trabalho duro e dedicação, tudo é possível.

 

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No 7 de abril, no dia do meu aniversário, arranquei para a Madeira, para tentar aproveitar os dias antes para ir ver alguns dos locais, algo que acabou por não ser possível pois andei as voltas a ajudar com boleias a vários amigos meus e a preparar o último material para prova. Acabei por ir ao Curral das Freiras no dia antes da prova com o André Carvalho, mas não fomos pelo trilho certo. Mesmo assim, deu para treinar um pouco a ritmo baixo e conhecer as vistas. Foram dias de convívio que também é bom antes das provas para descomprimir e ouvir várias opiniões das pessoas que já a fizeram e acabar de delinear o plano para a mesma.

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Dia 9, dia da prova, lá foi eu com o meu companheiro de casa apanhar o BUS a Machico e encontrar o Pedro Tomás Luiz. Às 22h30, depois de atravessarmos a Ilha da Madeira toda, chegámos a Porto Moniz. Posso dizer que já estava com um nervoso miudinho no estômago, em pulgas, e ao mesmo tempo com “medo” do que se ia passar. Fiz algo que não gosto de fazer: levei muita coisa com pouco teste. Principalmente as sapatilhas, umas Salming T1, e nutrição nova que a Girassol me arranjou da Biotech. Não quis pensar muito nisso, pois penso que isso é mais psicológico que outra coisa. Bem, lá para às 23h45 entrei para o “curral” de partida e (como se vê na foto abaixo) estava bastante tranquilo. Aproveitei para dar as "boas sortes" ao pessoal que conhecia. Decidi levar logo os bastões abertos e não era para picar ninguém. Pus-me mais ou menos no meio do grupo porque não quis arrancar lá da frente para não cometer nenhum erro inicial.

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Às 00:00 deu-se o tiro da partida. Aquele nervosismo todo desapareceu e apareceu a vontade de sair daí para fora daquela loucura. Liguei o Petzl (marca do frontal) e lá fui eu para a primeira subida. Aproveitei para aquecer os bastões, pois não gosto muito de os usar mas posso dizer que deram muito jeito durante a prova. A primeira subida era uma espécie de arrábida de alcatrão. Aproveitei e "colei-me" à Ester Alves, que ia num ritmo agradável e fui indo até às levadas.

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Nas levadas acabei por perder a Ester, pois havia muita gente com pressa e deixei-os passar. O meu plano para a prova era não me cansar muito nesta primeira grande subida e, ao mesmo tempo, ainda estava a ver como as sapatilhas se comportavam.

O primeiro abastecimento foi no Fanal e a primeira canja soube tão bem! O abastecimento foi fantástico (como todos os abastecimentos), mas depois de terminar o “enche-barriga” vinha o primeiro desafio da prova: a descida para o chão da Ribeira - uma picada sempre a descer super técnica e super escorregadia. Foi o primeiro grande desafio para mim, e para as sapatilhas. Foi ali que vi que os bastões dão muito jeito, pois as Salming falharam neste primeiro teste. Podia ser por serem ainda muito novas e terem a goma ainda na sola, mas ali não foi o ponto forte delas. Desci muito lentamente e a barafustar com as sapatilhas. A única coisa que me acalmava era pensar que a seguir vinha uma bela subida como eu gosto.

 

Realmente adorei a subida do Chão da Ribeira até Estanquinhos. Adorei andar ali no meio da floresta. Via-se uma serpente de luz até lá a cima. Foram 1300D+ “pumba”, só assim em 10km! Antes do abastecimento apanhámos um nevoeiro serrado que mal dava para ver as fitas e frio, muito frio, onde os manguitos deram bastante jeito e a t-shirt térmica também. Cheguei ao abastecimento e adivinhem o que comi? Canja! Uiiii ainda estava melhor que a anterior! 

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Bem, a partir dali, as coisas acalmaram um pouco… Uma descida até ao Rosário, já em grande companhia com o Pedro Turtle - um grande companheiro e atleta. Aproveitámos e fomos a um ritmo "soft mas duro" e fomos fazendo companhia um ao outro. Ao chegar a Encumeada, fez-se luz e apareceu o Lino Luz! E o dia nasceu! Foi um "boost" de energia sem dúvida - as duas coisas claro!

Já não é a primeira vez que faço provas com o Lino, por isso sei que é uma enorme companhia. Mais umas sopinhas, mais uma voltinha e lá fomos nós para Curral. Bem, o que não estávamos à espera era de uma escadaria ao lado de um tubo de água enorme, mas adorei aquela subida. Resumindo, adorei aqueles trilhos até Curral mas aquela subida foi mesmo a cereja no topo do bolo, sim senhor!

 

 - Amanhã partilhamos a segunda parte desta aventura, a partir de Curral das Freiras.

Querida, eu encolhi o GTA

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Por Nuno Malcata

 

Antes da estreia em provas de Ultra Trail no Piodão, no pós Maratona de Sevilha já tinha partilhado aqui no blog as minhas expetativas para os desafios que me propunha neste primeiro semestre de 2015.

 

Como nessa altura referi, apesar do Ultra Trail no Piodão ter sido fantástico, desde janeiro o meu foco está na preparação para o Gerês Trail Adventure que se vai realizar de 30 de Abril a 3 Maio, prova de 4 etapas com um total de cerca de 130Km e 8500D+, uma organização do Ultra Maratonista Carlos Sá.

 

Sendo eu um atleta amador e não tendo acompanhamento de treinador, algo que tenho sentido bastante falta, a preparação tem sido feita com base em muito do que tenho aprendido com quem mais experiência tem e com o muito que tenho lido. Tenho feito por melhorar os pontos em que sou mais fraco, numa gestão de tempo entre a vida profissional e pessoal. Obviamente que os 53Km feitos no Piodão foram a maior distância feita na preparação mas sentia que precisava de perceber como lidar com esforço ao longo de vários dias seguidos, em diferentes alturas do dia, como acontecerá no Gerês durante 4 dias.

 

Assim, decidi fazer uma edição Mini do GTA com 2 treinos em Monsanto e 2 treinos em Sintra. O escalonamento dos treinos seria semelhante ao da prova, 1 treino noturno (Trail da Salamandra), seguido de 1 treino na manhã seguinte (Treino da Hora do Esquilo), 1 treino Longo e mais duro em Sintra e 1 treino final mais descontraido em Monsanto.

 

Mini GTA Dia 1 - Trail da Salamandra - Sintra - 21:00

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Foi a minha 3ª presença neste treino noturno em Sintra, em 3 semanas consecutivas, e cada vez gosto mais destes treinos em Sintra, já para não falar nos fabulásticos recoverys.

 

Estavam previstos na convocatória inicial 15Km, mas acabaram por ser 20Km num percurso muito rolador e misto que nos levou da Barragem do Rio da Mula em Sintra até ao areal da praia do Guincho e respetivo retorno. Saliento a presença de 62 pessoas, com um espirito fantástico, um record nesta iniciativa do Antonio Pedro Santos que tive o prazer de finalmente conhecer pessoalmente nessa noite.

 

Senti-me sempre bem, o ritmo foi bom, com algumas paragens, sempre bem dispostas para reagrupar. Treino terminado em cerca de 2h40m com 20Km e 400D+

 

Mini GTA Dia 2 - Treino Hora do Esquilo - Monsanto - 06:00

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Com pouco mais de 3h dormidas, apresentei-me no Parque do Penedo em Monsanto, ás 05:45 para fazer o treino da Hora do Esquilo e a pensar fazer uma 2ª hora sozinho para meter mais Kms e altimetria nas pernas.

 

Já fui algumas vezes e aprendi que tenho de aquecer pelo menos 10 minutos a um ritmo mais lento antes de arrancar no ritmo mais vivo que pontua estes treinos.

 

Feitos os 10m de aquecimento, pouco passava das 6 quando chegou o timoneiro Pedro Conceição e arrancámos em bom ritmo.

 

O pouco descanso e mesmo a falta de alimentação entre treinos fizeram-se sentir, foi uma bela lição. A meio do treino já não pensava em mais nada senão terminar e passei a maioria do treino na cauda do grupo a gerir o esforço, simplesmente o corpo não queria responder.

 

Treino terminado ás 07:00, com o aquecimento fiz 10Km em 1h10m com cerca de 300D+

 

Mini GTA Dia 3 - Treino Longo e Duro em Sintra - 09:00

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Tal como o 3º dia do GTA, para o 3º dia do Mini GTA queria fazer um treino duro, e longo. O planeamento era para cerca de 40Km com mais de 2000D+.

 

Neste momento o meu local preferido para treinar é sem dúvida Sintra, mas tenho um problema por lá, orientar-me. Já conheço alguns pontos, algumas boas subidas, alguns bons singles, o problema é orientar-me entre eles. 

 

Pedi ao Tiago para me orientar, mas ele estava inicialmente limitado a um treino de 2h, pelo que carreguei um track no relógio e quando ele tivesse que terminar o treino, eu faria o track sozinho.

 

Começei o treino lento e apático, e fiquei a pensar nas más sensações do dia anterior, mas desta vez tinha dormido bem e alimentado ainda melhor. Aos poucos a Serra de Sintra fez a sua magia e percorremos muitas das boas subidas da Serra como queria, sempre com boa disposição e ótima conversa.

 

O tempo e os Kms foram passando, e aos 17km já com cerca de 1000D+ feitos a subir para a Peninha vi que estava a sentir-me realmente bem, e terminando o treino com o Tiago, não fazia sentido estar a insistir em andar sozinho.

 

Terminámos o treino com cerca de 25Km e 1300D+ em pouco mais de 4h, e, ainda mais importante, com a sensação que estamos preparados para enfrentar a etapa rainha do GTA com 60km e 4500D+. Se a vou vencer ainda não sei, mas que lhe vou dar luta vou.

 

Mini GTA Dia 4 - Treino rolante em Monsanto - 10:00

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Último dia do Mini GTA, já em modo mais relax, para fazer cerca de 15km/2h por Monsanto, dividi o treino em 2 partes de 1h, na primeira com a companhia do Rui e da Carmo, e na segunda parte juntaram-se os restantes amigos que comigo vieram treinar, a Bo, o João G, o João F e o Diogo.

 

Para este treino apesar da noite muito bem dormida, não fiz a minha alimentação tipica das manhãs de treino, comi normalmente uma torrada e uma caneca de cevada, e nem levei a mochila com hidratação, quase vital para mim. Fui leve e solto, o que resultou bem.

 

Na primeira parte rolamos, subimos, descemos e em trio fizemos 11Km em pouco mais de 1h, na segunda parte já com o grupo completo optei por um percurso mais rolante até à parte final, e o ritmo foi bem vivo nos primeiros kms. Nos últimos km relaxámos mais um pouco, e subimos a parte final em convívio do bom, já com 20Km nas pernas.

 

Com o sentido de dever cumprido, e bem cumprido, fechei o último treino do Mini GTA com cerca de 21km e 600D+, e com ótimas sensações fisicas.

 

Conclusões finais

 

4 Treinos, mais de 10h, cerca de 75km com 2700D+. Parece uma pequena parte do que vamos passar, mas aprendi bastante, sobretudo a importância do descanso, alimentação e gestão de esforço.

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Os próximos dias vão ser dedicados a descanso, massagem, curar algumas maleitas da carga de kms dos treinos, boa alimentação e preparação da aventura que vai ser o Gerês Trail Adventure.

 

Esta é uma aventura em equipa, e eu, a Bo e o Tiago aproveitamos para agradecer desde já o apoio que iremos ter tanto dos elementos da Crew que nos vão acompanhar presencialmente no Gerês, como os restantes que tanta força nos têm dado. Também algumas entidade nos estão a ajudar nesta concretização e contamos com o fantástico apoio na importante compomente de alimentação e suplementação da GIRASSOL, que nos enviou para os treinos géis, barras e recuperadores, como acontecerá para o GTA.

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Acompanhem-nos nesta jornada, vamos partilhar convosco cada momento!

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