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Correr na Cidade

Desafios na corrida: anemia parte II

IMG_20170816_194308.jpgA vida de "atleta" não é um mar de rosas. Cada corredor passa por fases. Fases em que nos sentimos fit, super motivados e batemos PBT após PBT e fases mais difíceis. Segue a "parte II" dos meus desafios na corrida. A parte I partilhei no verão de 2016 aqui.

 

Já partilhei aqui no blog que sofria de anemia várias vezes. Foi no final de 2015 que descobri que sofria de anemia pela primeira vez (podem ler neste post). Foram o cansaço extremo e dificuldades respiratórias que na altura me fizeram ir ao médico. Rapidamente comecei a tomar suplementação de ferro. No entanto, o médico na altura, não fez análises profundas de forma a analisar qual a origem do problema. Seria falta de absorção ou falta de ingestão?

 

Desde então tenho vindo a ter cuidado com a alimentação e o descanso. Entretanto cheguei a fazer muitas análises mas continua difícil encontrar o porquê da anemia. Em Maio deste ano fiz análises e estava tudo perfeito enquanto treinava bastante, não comia carne nem peixe e não tomava suplementação. Por isso, o problema não parece ser falta de ingestão de ferro.

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Foi no final de Outubro que me voltei a sentir extremamente cansada. Seria exastão devido a um verão de muuuuito trabalho ou a anemia? Ou os dois? Não, não é do excesso de treinos, pois tenho treinado pouco. Só um pouco de RPM, yoga e treinos guiados com turistas no âmbito do meu projeto Run in Portugal. Ainda participei no Duratrail que até nem correu mal mas, nos Trilhos dos Casaínhos, senti-me muito fraca e como fui a puxar, passei um mau bocado na tarde pós prova. (Sim, eu sei, nem devia ter ido, mas sou viciada nisto!)

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Falei com a minha nutricionista e amiga, Ana Sofia Guerra que me sugeriu logo consultar um médico para fazer análises. Ela fez-me uma lista de ítens que deveriam ser analisados, nomeadamente: hemograma e leucograma normal, ferro sérico, magnésio, ferritina, transferrina, vitamina D, vitamina B12, ácido úrico, entre outros. Mal obtive os resultados das análises, enviei-os à Ana e sim, estou outra vez com uma maldita anemia. Comecei então a tomar suplementação de ferro e de um complexo de vitamina B conforme a Ana me sugeriu. Neste artigo, a Ana fala dos diferentes tipos de suplementação que podem ser interessantes para corredores.
 
A ver se com estas dicas e alguns cuidados adicionais na alimentação e muito descanso, recupero rápido. Há por aí mais alguém com este desafio? Como lidam com a situação?
 
PS. Se quiserem saber mais sobre a anemia, leiam este meu post.

Arrábida SwimRun: saiba tudo sobre esta nova prova

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Gostas de desafios novos? Se sim, então esta prova é para ti.

 

Vais ou estás a pensar em participar na primeira prova em Portugal de SwimRun? Lê a entrevista com um dos organizadores, Bruno Safara, e fica a saber tudo o que precisas sobre esta modalide e sobre a prova. Dia 4 de junho nós vamos lá estar e vocês? 

 

  1. Como nasceu e porque decidiram criar o Arrábida SwimRun?

A ideia da realização do Arrábida Swimrun surgiu após um evento de Swimrun realizado na Escócia chamado “Loch gu Loch”. Estava um pouco saturado dos desafios que já tinha realizado até à data, quer no campo das ultras distâncias quer no triatlo e queria fazer algo diferente. Sou um apaixonado pelo desporto em geral, pela natação (que foi o 1º desporto que pratiquei) e pela corrida off road ou “trail” como também conhecida.

 

A experiência lá fora foi muito positiva e resolvemos organizar um evento no nosso País, de modo a apresentar a modalidade que, apesar de já ter cerca de 10 anos, ainda não é conhecida pela maioria da comunidade desportiva em Portugal. A escolha da região da Arrábida para o 1º evento ficou a dever-se ao facto que conhecer bem a serra, os seus trilhos e por nadar frequente nas águas do Sado.

 

  1. O que define o SwimRun?

O Swimrun é definido pela conjugação de natação em águas abertas e corrida em trilhos onde todo o percurso é feito com o material com que se começa. Não há mudança de equipamento aquando da transição da água para a corrida e vice-versa - é aí que está o desafio. É baseado na paixão pelo desporto e proximidade pela natureza.

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  1. Quais as grandes valias e as principais dificuldades desta modalidade?

A principal mais valia é a possibilidade de competirmos em locais idílicos, tanto na água como na terra e não termos que parar nas transições (para mudança de equipamento, etc) o que torna a prova mais rápida.

 

O que é uma mais valia para a prova é também uma dificuldade pois sair da água com o equipamento molhado assim como o calçado, poderá gerar algum desconforto para aqueles que não o estão habituados a fazer. A tecnicidade do percurso e condições atmosféricas também poderão torná-lo mais desafiante assim como a altimetria e distância do mesmo.

 

  1. Como achas que o swimrun se vai desenvolver nos próximos 5-10 anos? Portugal tem condições para aderir a esta modalidade?

Acho que o Swimrun tem tudo para ser um sucesso em Portugal nos próximos anos, visto ser uma modalidade que conjuga dois elementos que temos de forma natural na geografia do nosso País Portugal apresenta todas as condições atmosféricas e de relevo para a realização deste desporto. Deste as praias mais bonitas da Europa, rios, lagos, serras de cortar a respiração e Sol a maioria do ano, com temperaturas amenas quando comparadas com os países nórdicos onde o movimento Swimrun se iniciou.

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  1. O swimrun está mais direcionado para antigos nadadores, triatletas ou corredores?

O Swimrun está direcionado para todos aqueles que adorem nadar e correr ao ar livre. Talvez os triatletas tenham mais à vontade na modalidade pois o triatlo já contempla as modalidades de natação e corrida, no entanto não estão habituados a correr em trilhos somente os que praticam a vertente X-Terra.

 

  1. O que podem os atletas esperar desta prova? Como é o percurso, abastecimentos, segurança?

Os atletas podem esperar uma prova a ser realizada num cenário perfeito: natação numa das mais belas baías do mundo e corrida numa serra com características de flora e fauna únicas. O percurso é desafiante, principalmente a parte de corrida que terá algum desnível. Os trilhos contarão com algum declive acentuado em certas zonas e com abastecimentos de água e sólidos em mais que um local. A nível de segurança, contaremos com o apoio de canoas e alguns SUP’s na água, bombeiros e muitos voluntários de forma a garantir que tudo corre bem.

 

  1. Existe algum momento da prova que se destaque? E quais são as principais dificuldades desta prova?

O percurso tem alguns pontos de interesse onde podem ver uma vista privilegiada sobre Troia e sobre a Serra de S. Luis bem como irão passar junto ao Palácio da Comenda nos segmentos de natação. A principal dificuldade desta prova poderá ser alguma corrente devido à maré e claro o segmento mais longo de natação estimado em 700m.

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  1. Preciso de algum equipamento especifico para realizar a prova, ou basta uns calções de banho e umas sapatilhas?

Esta 1ª edição foi pensada para ser acessível a todos os que quiserem experimentar a modalidade sem terem que adquirir equipamento especifico. Daí a sua realização em tempo mais quente onde o fato neoprene não é um acessório obrigatório. No entanto, Portanto, no limite, uns calções e t-shirt de compressão ou o vulgo trisuit usado no triatlo serão suficientes para poderem participar.

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  1. Que recomendações podem dar aos atletas que irão participar nesta modalidade, muitos deles pela primeira vez?

Que não descurem a segurança e saúde acima de tudo, nomeadamente, não entrar na água de barriga cheia para não causar uma paragem de digestão, que usem calçado apropriado de modo a ter mais aderência ao solo e que tenham cuidado em trilhos mais técnicos, caso sejam estreantes em trilhos. Que não ponham em causa a segurança dos outros participantes e que ajudem o próximo em caso de dificuldades. É importante também que tenham fair play, que contribuam para que a nossa serra permaneça limpa e, acima de tudo, que desfrutem da prova e da vista.

 

  1. Uma frase de incentivo aos atletas. 

We swim we run, we are “swimrunners”!

Acreditar e Fazer: a caminho do EGT

 

Acho que o título reflecte bem o meu "mantra" atual… para quem levou uma valente bofetada na cara, com uma tentativa extremamente frustrada de fazer a sua primeira Maratona em Barcelona, confesso que estou surpreendida comigo mesma. Após esta experiência que me vincou profundamente, achei melhor afastar-me por uns tempos da corrida, para organizar a cabeça e as emoções quanto à corrida… já andava na natação, apostei em aulas de RPM no ginásio e fui em busca do equilíbrio físico e mental com o Hot Yoga de Jean Pierre de Oliveira, que tão bem que me sabe!

 

 Hot Yoga: estou por ali algures, literalmente a suar em bica!

 

A pensar que o embalo de uma maratona me pudesse ajudar, desde Dezembro que estava inscrita nos 46K do EGT. Planos furados e de cabeça longe do objectivo, vi-me confrontada com a mais pura realidade das minhas acções com o artigo do Luís a propósito das nossas decisões a nivel desportivo… pela primeira vez vi escrito aquilo que tantas vezes, os dois, falamos em casa e que por uma razão ou outra ainda não tinha retido, sobretudo no momento impulsivo em que me inscrevo em provas (menos mal, podiam ser malas e sapatos… certo?).  

Reli aquele artigo vezes sem conta… afinal de contas o que é que eu quero?! Pensei muito sobre o assunto e de uma forma bastante consciente tomei a decisão de que iria apontar canhões para a prova que já tinha planeada e assumi o facto de que iria ter pouco mais de um mês para treinar com uma disciplina e foco como nunca antes. Seria também imperativo focar-me ao nível alimentar porque, por mais voltas que tenhamos que dar, uma pessoa mais pesada é obrigatoriamente menos rápida, consome mais energia e assim menos eficiente na sua corrida, com a agravante de potenciar lesões ao nível articular.

Teria de uma vez por todas mentalizar-me de que sou capaz, motivar-me a continuar e como costumo dizer: fechar a boca e treinar forte! Querer só, já não chega… chegou a hora de atuar!

 

Estrela Grande Trail® de 46K: que estouro!

 

Quando divulguei a alguns amigos da corrida a minha intenção de fazer esta prova, foram todos muito politicamente correctos, sem quaisquer reacções negativas (as vezes até sem reacção! :P), em que a maioria optou pelo silêncio. Imagino que lhes tenha ocorrido o pensamento “ WTF?! Esta gaja deve estar completamente louca!!!” Curiosamente, ou não, foram esses mesmos amigos que sem as típicas palmadinhas nas costas do “és a maior, tu consegues” que fizeram questão de me acompanhar, a par e passo nesta jornada de treinos intensos a que me submeti neste último mês e trocos, porque palavras leva-as o vento… A todos eles muito lhes devo a motivação para persistir quando a cabeça pedia para parar.

 

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"as rainhas do cozido"

 

Para além dos treinos recorrentes acompanhada, onde invariavelmente obtenho melhores resultados, fiz questão de inserir no meu plano de treinos semanal alguns momentos a “solo”... aproveitei as idas do Luís aos Esquilos e fazia o meu trilho sozinha com os meus pensamentos… passei a ter um gosto especial por Monsanto de manhã cedo e no ritmo familiar passei a ser eu a indicar os dias desses treinos.

Já trato por tu o “Trepador”, houveram treinos fartos em “cozidos”, com tudo a que temos direito, e cheguei a fazer também algumas incursões a Sintra nos fins de semana, para colocar km’s e altimetria, mas que por uma razão ou outra não foram tão proveitosos como gostaria que tivessem sido. As pernas foram respondendo bem ao esforço, a cabeça manteve-se no objectivo e melhor do que isso: tirei muito gozo desta fase!

 

 

Pelo meio desta brincadeira toda, sem dedicação exclusiva para a causa e apenas com o objectivo de me familiarizar com as regras de prova, faço o meu primeiro Triatlo, em Leiria, na companhia da Sara e do João a quem “desencaminhei” para estes caminhos uns meses antes. Acreditem… a #teamhulk ainda vai dar que falar! ;) E porque parece que sou uma mulher de tudo ou nada, é também nesta fase da minha vida que me cai no colo a oportunidade de ingressar numa nova oportunidade profissional… haja fôlego!

 

 #teamhulk depois do I Triatlo da Lagoa da Ervideira - Leiria

 

Dito isto… estou a caminhar a passos largos para o meu grande desafio. Não sei quantos kg’s perdi ao certo porque não me pesei, propositadamente, mas o facto é que já vejo pequenos laivos de músculo onde antes só via gordura. Acho que foi a primeira vez que não confiei na sorte ou destino e arregacei as mangas a sério… dentro de mim tenho uma pequena chama de fé que me faz acreditar que vou conseguir e foi essa mesma chama que me fez sair tantas vezes da cama de madrugada quando seria tão mais fácil ficar no quentinho… desculpem lá se estou a ser ingénua... Uma coisa é certa, este mindset já ninguém mo tira!

 

Gostaria de terminar com um agradecimento especial ao Luís Moura, Sara Dias, João Gonçalves e Ângela Costa por todos os km’s partilhados, conselhos, apoio, motivação… enfim, pela vossa AmizadeSeja qual for o desfecho… prometo-vos que darei o meu melhor!

 

Desafio Adidas - Maratona Rock'n'Roll Madrid - Semana 1

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 "Rei morto, Rei posto!"

 

No meu caso, o desafio de voltar a fazer uma Ultra foi ultrapassado no TSL do AxTrail 2016 e agora vem o desafio da Maratona em Madrid no próximo dia 24 de Abril.

 

A EDP ROCK´N´ROLL MADRID Marathon é a 3ª Maratona em que irei participar, mas cada Maratona, seja a 1ª, a 3ª ou quanto chegar à 27ª, será sempre um desafio do meu ponto de vista.

 

Quando o ano passado terminei a Maratona de Sevilha, planeei este ano fazer a Maratona de Barcelona, e queria fazer num tempo bem abaixo das 2 primeiras (4h25m), e até baixar das 4h. O primeiro objetivo, ir à Maratona de Barcelona, não foi cumprido por mim, não tive agenda e com muita pena minha de não ter feito parte da CrewTrip a Barcelona. O 2º objetivo está altamente comprometido, mas já explico porquê.

 

Porquê Madrid?  Porque gosto de aliar ao desporto o turismo, e aproveito a Maratona em Madrid para lá passar uma semana de férias :)

Porquê "Desafio Adidas"? Porque conto com o apoio da Adidas neste desafio pessoal, que simpaticamente me inscreveu na prova e me vai equipar a rigor para a mesma. Obrigado Adidas!

 

Esta primeira semana de preparação para o desafio está a ser pautada pela estreia dos ténis que vou usar na prova, os novos Adidas Ultra Boost v2, mas sobretudo pela recuperação do corpo depois do TSL. 

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Não é em 3 semanas que se prepara uma Maratona, e apesar dos meses de preparação física que fiz para os 50Km em trilho na Serra da Lousã, a preparação adequada à Maratona requer 12 semanas, que não tenho, pelo que o objetivo de concretizar um tempo de 4h, algo que não faz de mim mais atleta do que já sou, está muito comprometido como já disse.

 

Assim, vou manter o plano de treino delineado pelo treinador para esta fase, ainda de recuperação, com algum aumento de carga em breve, mas em cada semana vou partilhar convosco a minha preparação, expetativas para a prova e depois contar como foi toda a vivência de correr a Maratona em Madrid.

 

Para já deixo-vos o gráfico de altimetria que já me deixou assustado, achava que ia fazer uma Maratona, não um trail...

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Até para a semana!

42.195 metros pela primeira vez - Maratona de Barcelona

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Como é fazer a primeira Maratona?
 
É reviver uma lenda. Why? Não é à toa que a Maratona é considerada a prova rainha do atletismo, uma prova de 42.195 metros de muito desgaste físico, resistência e principalmente de muita emoção que, segundo a lenda: o seu nome foi dado em homenagem ao soldado mensageiro Pheidippides que correu os aproximadamente 40km de todo o vale do campo de batalha de Maratona até Atenas para anunciar a vitória do exército Ateniense sobre o exército Persa, impedindo que a população cometesse suicídio como estava combinado, caso não tivessem notícias dentro de um prazo previamente estipulado, pois os seus inimigos Persas prometeram, em caso de vitória, invadir Atenas, violar as mulheres e matar os seus filhos.
 
E para impedir tal desgraça Pheidippides correu pela vida dos seus, dando a sua, pois assim cumpriu o seu objectivo sucumbiu no chão vencido pela exaustão e quer se acredite ou não na lenda, há algo diferente nesta prova, uma mística que nos transcende, pelo menos eu senti isso.
 
 
 
Porquê a Maratona e porquê Barcelona?
 
Tudo começou no Verão passado. Já tendo várias vezes percorrido e batido a distância da Maratona em trilhos, pensei que deveria ter pelo menos uma Maratona no meu curriculum. Embora não seja um amante confesso de estrada, a mística que esta prova eleva sempre me foi apelativa, contudo, tive sempre a condição que a faria fora de Portugal, devido ao maior apoio do público "lá fora" - Temos ainda algo a aprender neste ponto! - e como se de uma chapada na cara, um dia me deparo com um artigo sobre a Maratona de Barcelona e nesse mesmo dia, sem hesitar, efectuei a inscrição.
 
Fast Forward...
 
 
Partida para Barcelona
 
Crew Trip com o objectivo de fazer visitar a cidade de Barcelona, comer tapas, beber umas quantas "canhas"... Ah sim! Fazer também a Maratona ou "Marató" em Catalão de Barcelona, foi em volta disto que eu, a Bo, a Liliana, o Luís Moura e a Sara nos juntámos, sendo que a Luís e a Sara foram em modo de "crewing", factor muito essencial para um desempenho dos restantes, pois todos sabemos o bem que faz ver uma cara conhecida a dar apoio e saber que temos ali alguém com que podemos contar e ver coisas que nos escapam.
 
 
"Atenção senhores passageiros, sejam bem-vindos ao aeroporto El Part em Barcelona"
 
Chegámos com uns dias de antecedência à cidade, o que deu para sentir Barcelona, conhecer os seus pontos de interesse e reconhecer alguns pontos de passagem do percurso e... não sei se já falei das tapas... Barcelona é uma cidade lindíssima cheia de vida, sempre com muita gente pelas ruas, com pessoas muito viradas para a mobilidade e para o deporto num constante de pessoas a andar e bicicleta, skate e a correr pela rua fora.
 
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Ir mais cedo é ir com tempo, tempo para conhecer e levantar os dorsais com calma, sem filas e visitar a Expo da Maratona, uma das maiores que tenho visto, centenas de marcas de produtos e serviços virados para o desporto ali presentes, umas mais conhecidas, outras menos e umas que nem se quer sabia da sua existência. O kit do atleta era composto de um saco com o dorsal, t-shirt da prova da marca Asics, uma revista oficial da prova com um bloco de descontos para entradas em vários locais de interesse na cidade, uma pacote de noddles instantâneos e folhetos publicitários e autocolantes.
 

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Breakfast Run e Past Party que de Party teve pouco... Muito pouco mesmo!
 
Sábado, dia que antecedeu a prova, a organização tinha preparado uma corrida casual pela manhã para os participantes da Maratona e quem queira participar. Esta corrida de "shake up" tinha como o objectivo reviver os últimos 4 quilómetros da prova rainha dos Jogos Olímpicos de 1992 realizados em Barcelona, com direito a entrada triunfal do estádio Olímpico e volta à pista de tartan.
 
No final tivemos direito a um pequeno-almoço fasto oferecido aos participantes junto à Fonte Mágica de Montjuïc por debaixo de um céu azul maravilhoso, que deu para sentarmos no chão e relaxar as pernas. Adorámos!!!
 

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O que não adorámos foi o que se passou umas horas mais tarde, talvez a única falha da organização nesta prova - A Pasta Party - Primeiro, uma grande confusão para entrar no pavilhão, pois era necessário levantar um ticket para entrar, facto que não estava referido em nenhum local e que não vinha junto do kit do atleta.
 
Após descobrirmos qual o balcão para levantar o tal ticket, estes já tinham acabado WTF!!! Foi-nos dito que podíamos entrar com a apresentação do dorsal, assim fizemos, mas a mensagem não tinha passado para quem estava a servir e não queriam entregar a comida a quem não tinha o ticket consigo, embora já tivessem ali umas boas dezenas de pessoas com o mesmo problema. Mas, após alguma "insistência" ao bom jeito Tuga, lá começámos a ser servidos...
 
Contudo, aquele acontecimento foi um sinal divino que parece que nos dizia que não era ali que iríamos almoçar, um pratinho de massa com molho de tomate, capaz de alimentar um bebé de colo, uma fatia de pão de forma industrial e uma tangerina... nem um copo de água da torneira... Muito mau!
 
 
TOM TOMoura e os ensinamentos deste grande mestre...
 
Jurámos não nos deixar abalar pelo acontecimento e aproveitámos o resto do dia para preparar o material para o dia seguinte, aproveitando também as mãos mágicas da Sara que nos ajudaram a preparar as pernas. Eu, pessoalmente, ainda tirei uma hora para fazer meditação para limpar o espírito de qualquer stress que existisse dentro de mim... Manias!!
 
Luís Moura, o homem que trazia o mapa de Barcelona na cabeça e conhecia o percurso de traz para frente e da frente para traz!! Um GPS humano! Incrível...
 
Após os jantares ao longo destes dias tirámos sempre um bocadinho para estudar um pouco o percurso, ver os pontos de abastecimento, tempos de passagem e definir os locais onde o Luís e Sara conseguiam estar para nos apoiar, cruzando o percurso com a linhas de metro da cidade para eles poderem deslocar com mais facilidade - um autêntico jogo de estratégia liderado pelo nosso Moura.
 

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E foi num destes momentos que o Luís se vira para mim e pergunta: "Queres fazer quanto tempo?" - A pergunta do milhão de dólares!! 
 
Meses antes, no momento da inscrição, auto-coloquei-me no bloco de partida das 3h 30m - 3h 45m, mas sabendo eu que não tinha feito um treino muito específico para Maratona e por gostar mais da montanha, coloquei muito trilho e pouca estrada. Mas sabia que tinha sido muito constante no meu plano treino semanal e que isso estava a meu favor e lá respondi que não tinha um objectivo específico, que queria fazer abaixo das 4h talvez nas 3h 45m. E a resposta do Luís foi mais ou menos esta:
 
"Fazes o seguinte, vais atrás da bandeira dos 3h 30m e deixas-te ir; os pacers são certinhos com o ritmo e assim não és tu que vais a puxar, são eles! Tu apenas vais a reboque... Mais para o fim, se te sentires bem, descolas e, se não te sentires bem, baixas o ritmo e ficas um bocadinho para trás!"
 
Reflecti uns segundos sobre estas palavras e, tendo em conta a maior experiência e conhecimento do Luís, tive a maior das confianças nesta estratégia e disse para mim: "É isto que vou fazer!!"
 
Rise and Shine - Hoje é o dia!!!
 
Dia de prova é sempre um acordar com um nervosinho no estômago, cada um de nós fez o seu pequeno-almoço mágico pré-prova para conseguir aguentar as horas seguintes. Pessoalmente, como não gosto de sentir o estômago pesado quando vou correr, tomo um batido de Ensure, um substituto alimentar feito na sua origem para pessoas que tem dificuldade em mastigar, mas que tem tudo o que um atleta necessita, mais uma fatia de pão para colocar algo mais sólido no estômago e retirar a sensação de estômago vazio.
 
Hora de equipar: t-shirt e calções técnicos Correr na Cidade, fita de cabeça Wong, perneiras Exo da Salomon, meias Injinji e sapatilhas Adidas Ultra Boost... 
 
Equipa vamos embora? Siga...
 
Chegados à zona de partida um mar de gente, atletas, familiares, amigos, etc... Ouvem-se os "Até já!", "Boa sorte!", veem-se beijos e abraços cheios de emoção entre quem vai apoiar e quem vai ser apoiado, e nós fazemos o mesmo. Chegou a hora de nos separarmos: o Luís e Sara seguem para ver a partida para depois seguirem para os locais pré combinados, eu sigo para a secção de partida verde, a Bo e Lili seguem para a delas, é hora...
 

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Vamos Zimbora... são só 42195 metros!
 
Entro na minha secção de partida, faço o meu aquecimento e posiciono-me junto aos 4 pacers das 3h30m, ia tentar fazer o plano que estava combinado, a partida é faseada, o meu bloco parte com 7m de atrasado dos primeiros, situação normal para não existirem atropelos.
 

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Em termos de prova, a distância total era percorrida dentro da cidade de Barcelona, passando por todos os locais mais emblemáticos da cidade (Camp Nou, Sagrada Familia, La Pedrera, Arco do Triunfo, etc) num traçado relativamente plano com apenas 2 subidas mais longas mas algo suaves. Os abastecimentos eram mais que suficientes, de 2,5 km em 2,5 km a partir dos primeiros 5 km, compostos por água, isotónico, géis e alimentação sólida em apenas alguns, mas muito bem distribuídos. 
 
Assim que é dada a partida a emoção é enorme, é incrível a sensação do começo, gritos de incentivo por quem apoia, gritos de quase que de guerra por quem corre. Entro dentro do ritmo do bloco, sempre atrás dos pacers, seguindo as instruções do coach Moura, quando havia mais vento de frente protegia-me mais no meio dos corredores... "Vou fazer isto até ao fim!" pensei eu. 
 
A confiança foi aumentando a cada quilometro, sentia-me bem, as pulsações estavam confortáveis, as pernas respondiam bem e público... "Puta Madre!!" O público de Barcelona é fantástico: são 42 quilómetros repletos literalmente de pessoas dos dois lados da estrada, em êxtase a puxar por quem corria, sinceramente nunca vi nada assim e nem tenho palavras para descrever o que se sente com este apoio. É pura e simplesmente Fantástico!
 
Passagem pela Sagrada Família, curva à esquerda e já estavam eles como combinado o Luís e a Sara à nossa espera, prontos para nos darem um “push” que sabe tão bem nestas situações “Go Crew!”. Comigo trazia dois géis energéticos e duas cápsulas de sal, uma que tomei na metade do percurso e outra mais tarde para compensar as perdas de sal pelo suor e evitar as tão indesejadas cãibras e a cada abastecimento o ritual era o mesmo: um golo de água, molhar a fita e partilhar a garrafa com outro qualquer companheiro, para minimizar o desperdício.  
 

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O ambiente era incrível no grupo onde estava inserido, os pacers sempre muito bem dispostos incitavam a assistência para apoiarem um pouco mais. Após o quilómetro 30, o Javier, um dos pacers com mais experiência, voltou-se para nós em tom quase que militar e disse algo deste género:
 
“Companheiros, estamos a entrar na fase mais difícil de uma maratona, acreditem em mim e acreditem em vocês… O muro não existe… Vamos chegar juntos ao final! Quem está comigo?”
 
Como resposta teve um estrondoso “EU” por parte de todos os que seguiam ali, de facto o muro está na nossa cabeça, é batalha royal entre a nossa mente e o nosso corpo. Felizmente já tenho alguma experiência em provas de endurance e sei que todas as provas têm momentos menos bons e eu, cerca do 35k, tive o meu.
 
Uma sensação de mau estar na coxa direita que dias antes não consegui drenar como deve ser, por culpa minha. Tentei corrigir a passada de forma a minimizar esta sensação e sabia que faltava pouco para o final. Na passagem pelo 40k, os últimos dois eram ligeiramente a subir, nada de especial, muito mais para quem está habituado à montanha. Para além disso, conhecia bem a avenida, pois estávamos hospedados ali e pensei vou dar tudo o que ainda tenho e acabar forte.
 
Distanciei-me do grupo, os pórticos que antecediam a meta viam-se deste o início da avenida e estavam a ficar cada vez mais perto; o público juntava-se quase que em funil até ao cimo e, se abrisse os braços, tocava nas pessoas de um lado e outro, era o momento de sorrir e agradecer a todas aquelas pessoas .
 
Última curva, olho para o lado direito e lá estava a Sara com um grande sorriso na cara e bater palmas. “Obrigado meu anjo!”.
 
 
Olé… Sou Maratonista 
 
Cruzo a meta! Desligo o relógio, 3h29m, objetivo atingido, não cabia em mim de contente, à minha volta sorrisos, atletas a alongar, caras de esforço, de felicidade, tudo… 
 
Não paro de repente, continuo em movimento para voltar à calma, até recuperar o fôlego. Pego num isotónico e encosto-me a uma das baias e ligo ao Nuno Malcata, pois sabia que ele estava a acompanhar pela aplicação da Maratona e, assim que atende, ele já sabia que eu tinha terminado, pois a aplicação estava muito bem feita e a informação era constantemente atualizada. 
 
Obrigado Nuno e obrigado crew pelo apoio, mesmo longe vocês estavam todos perto.
 
Pego a medalha de finisher e apreço-me a encontrar-me com a Sara, é aqui que ela me diz que a Lili tinha sido forçada a desistir da prova – Não era o teu dia, miúda! Mas tu és rija e não vais desistir deste teu sonho! Go Girl! – e que a Bo estava bem e devia baixar das 4 horas de prova. Encontro um espaço para alongar, a Sara ajuda-me a desstressar as pernas, até que a nossa Holandesa voadora chega bem abaixo das 4 horas... WOW!!
 
Estamos de parabéns.
 

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Recap 
 
Continuo a preferir a montanha, é isso que me dá gozo, contudo gostei imenso da experiência e não digo que não farei mais nenhuma Maratona. É uma prova diferente e emotiva. Quando se tem um apoio brutal do público como aqui em Barcelona – em Portugal ainda temos muito para aprender – uma prova difícil, muito difícil, não só pela distância, como pelo impacto que o corpo sofre ao longo da prova, mas muito gratificante quando se cruza a linha da meta e não é à toa que é considerada a prova rainha e a última prova dos Jogos Olímpicos – Guarda-se sempre o melhor para fim, certo!
 
Para quem está a pensar em fazer uma destas provas, o meu conselho é: apenas comecem a pensar neste desafio quando já tiverem um conjunto de Meias Maratonas bastante consistente, treinem, mas treinem bem, com regularidade e, principalmente, acreditem que conseguem.
 
Só não conseguimos fazer, aquilo em que não acreditamos.
 
Para os vão tentar... Boa sorte amigos!!
 
Obrigados a todos os que tiveram do nosso lado... sem vocês tinham sido mais difícil.
 
Gracias.

 

Reccua Douro Ultra Trail - Entrevista ao Diretor de Prova

Por: João Gonçalves

 

Após o período férias é altura para que calendário de provas de trail voltar a ficar bem preenchido e com ele os objetivos pessoais de cada um e nós não somos exceção.

 

No dia 3 de Outubro irá realizar-se a segunda edição do Reccua Douro Ultra Trail que irá contar com provas nas distâncias de 80, 45 e 15 km onde, segundo dizem “O percurso é a alma da prova.” e conta com a promessa de associar todos os componentes de uma prova de trail com a beleza das paisagens do Douro e do Marão, para além destes atrativos o DUT tem duas provas que garantem pontuação para o Ultra Trail of Mont Blanc (UTMB) - UltraTrail de 80Km garante 2 pontos e o Trail de 45Km garante 1 ponto – que é sempre uma mais valia e uma garantia de qualidade.

 

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Dado isto, não foi à toa que o João Gonçalves e Rui Pinto escolheram esta prova para definirem uma nova meta dos seus objetivos pessoais e assim participarem até à data no maior desafio desportivo das suas vidas, participando na prova de 80km, cuja aventura iremos partilhar convosco.

 

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João e Rui num dos treinos na Serra de Sintra rumo ao DUT acompanhados pelo Tiago Portugal

 

Para recolhermos um pouco mais de informação sobre a prova, fomos falar com o Diretor da Prova, cuja conversa transcrevermos abaixo.

 

O Réccua Douro Ultra Trail é organizado pela Nexplore. Quem é a Nexplore?

 

​A Nexplore é uma empresa que existe desde 2009, inicialmente dedicada à comercialização de produtos desportivos, mas que neste momento se dedica à realização de eventos desportivos, tais como o Mountain Quest, Douro Bike Race e Réccua Douro Ultra Trail. Para além de ser uma empresa, ela é composta por um grupo de amigos, que em torno de algo superior procurar-se constantemente superar-se.

 

 Como nasceu e porque decidiram criar esta prova?

 

​Em função do conhecimento que alguns elementos da organização têm da zona do Douro, inicialmente feito em percursos de BTT e posteriormente em corrida de montanha, decidiu-se dar a conhecer a região do Douro ao mundo, através de uma prova de Trail.

 

Qual a diferença entre esta prova e a outras que já existem?

 

​Privilegiamos sobretudo os atletas e o ambiente que rodeia todo o evento. Procuramos que os atletas não compitam entre si mas com eles mesmo​s, superando-se.

 

É a segunda edição deste evento. Como correu a primeira edição e o que esperam da segunda?

 

​O feedback que temos foi bastante positivo. Sabemos que nunca será igual à primeira edição mas esperamos que sobretudo os atletas gostem do evento, das paisagens, das gentes e da cultura do Douro.​

 

Que recomendações podem dar aos atletas que irão participar no DUT 80k?

 

​Venham preparados para ver paisagens de cortar a respiração, mas também com alguma preparação física mas sobretudo mental para se divertirem.​

 

O que podem os atletas esperar desta prova? Como é o percurso (altimetria, locais emblemáticos, etc.) e quais são os abastecimentos?

 

​Com o DUT, os atletas ficaram a conhecer um pouco da região do Douro, será um sobe e desce constante por entre vinhas, casas senhoriais, quintas, aldeias típicas, lugares com história.​ Poderemos passar por zonas onde haja vindimas. Nos abastecimentos privilegiamos sempre produtos locais adequados à prova.

 

 

Em relação ao equipamento o que considera essencial para esta prova?

 

​Varia consoante a distância que os atletas iram fazer, mas consta no regulamento.

 

Que conselhos podem dar a quem esta agora a iniciar-se no mundo do trail?

 

​Preparem-se para superarem-se.

 

Uma frase de incentivo aos atletas.

Nada é impossível, basta acreditar​.

 

 

Nós vamos estar lá! E tu ficaste com vontade? Em breve teremos mais novidades.

 

 

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