Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correr na Cidade

Vlog: Tiago Lousa e o KM-7

Tiago 1.jpg

Foi em 2015, a última vez que falamos aqui no blog sobre o Tiago Lousa. Naquele momento ele estava de partida para mais um campeonato Spartan Race onde, soubemos mais tarde, conseguiu um 1º Lugar. De louvar. As Spartan Race são corridas de obstáculos com algum nível de complexidade táctica que levam um comum corredor de estrada a pensar duas vezes antes de começar.

 

Para os menos atentos, eis o que o Tiago andou a fazer nos últimos 2 anos: ficou 6º lugar no Europeu da Spartan (primeiro não profissional), foi campeão nacional de trail por equipas tendo ganho as duas provas do campeonato em que participou. Para além do seu cargo como Comissário na Unidade Especial de Polícia, prosseguiu os estudos em desporto e fundou a box CrossFit Alpha Den, onde acumula o cargo de treinador de CrossFit, OCR (Obstacle Course Race) e MetCon (Metabolic Conditioning) - estas duas últimas modalidades têm aulas com lista de espera, semana após semana.

Tiago 2.jpg

Mas não se fica por aqui, e essa é a principal razão pela qual escrevemos este artigo. Ao pensar numa forma de conseguir apoiar todos os atletas de diferentes modalidades que o procuram para receber inspiração ou dicas rápidas do dia-a-dia, o Tiago lembrou-se de juntar o útil ao agradável e criar um vlog chamado KM-7 onde partilha o seu saber, enquanto corre, começando cada vídeo, precisamente, no Km 7 da corrida. O tempo não espera, e quem o conhece, sabe que tempo é coisa que o Tiago não gosta de perder.

 

Quanto às Spartan Race, desde 2015 o Tiago tem participado em algumas pela Europa, ao lado dos seus atletas, por diversão, treino e reconhecimento, mas é este ano que volta a correr uma Spartan Race, desta vez em Andorra, para lutar entre a elite da Europa. Aguardamos por boas novidades.

Tiago 3.jpg

Fiquem atentos e subscrevam o seu vlog KM-7 para receberem dicas úteis a qualquer tipo de atleta.

Vale mesmo a pena.

CrossFit Endurance para melhorar a corrida

Games09_CentralRun.jpg

2015 foi em termos desportivos um ano agridoce. Se por um lado corri em sítios lindos, participei em provas fantásticas e atingi um dos meus objetivos, baixar dos 45m aos 10k, por outro lado não fui capaz, por diversos motivos, de “sequer” tentar alcançar a marca dos 100km+.

 

No entanto, mesmo antes dessa frustração, já me estava a sentir um pouco “cansado” e “desanimado” de tanta corrida e em finais de novembro resolvi experimentar uma aula de CrossFit. Fui a uma, duas, três e fiquei completamente "apanhado". Tenho a sorte de pertencer a uma Box fantástica, a Box 2750 em Cascais. Ambiente cinco estrelas e treinadores capazes de tirar o melhor de nós e nos levar a ir mais além.

 

Comecei a ler um pouco sobre esta modalidade e descobri o CrossFit Endurance, uma variante dedicada aos atletas de resistência e ultramaratonistas.

 

Por norma, os treinos para quem quer correr ultramaratonas consistem em muitos quilómetros, treinos específicos e algum trabalho de reforço muscular. Tantos treinos de corrida começaram a tirar-me a alegria que ir correr livremente me dá. Cansado desta sensação de insatisfação comecei a procurar algum tipo de desporto que pudesse complementar com a  corrida ao mesmo tempo que fortalecia o corpo. Fui parar ao CrossFit. 

IMG_2967.JPG
Os exercícios do Crossfit implicam o uso dos sistemas tanto aeróbicos como anaeróbicos, ao invés o da corrida usa maioritariamente o aeróbico. Outro dos benefícios é proporcionar uma variedade de movimentos funcionais que melhoram a velocidade, coordenação e força.

 

Ao invés, a corrida envolve o movimento das penas e braços num único plano, movimento dos membros para a frente e para trás. No CrossFit (CF) são precisos movimentos laterais e de rotação. O resultado é a aquisição de força em áreas que habitualmente são menos trabalhadas.

 

A descoberta do CrossFiT Endurance (CFE) surgiu através de um livro “UnbreakableRunner” de Brian MacKenzie.

 

Brian MacKenzie é o criador do CrossFit Endurance, uma abordagem baseada nos treinos de CrossFit mas direcionado para atletas de endurance. Sendo ele próprio um atleta de resistência, MacKenzie trabalha arduamente para superar os pressupostos que algumas pessoas fazem sobre CrossFit Endurance – nomeadamente comparando-a com uma rotina de musculação, ou alegando que é perigoso. Ou dissipando as dúvidas relativamente às diferenças entre CFE e CF.

 

O meu principal objetivo é neste momento adquirir algumas bases de crossfit para tentar iniciar-me no CFE de forma a ajudar-me na minha paixão, ultramaratonas. Em Portugal não conheço, neste momento, nenhuma box em que seja utilizada esta metodologia. Se existir algum pioneiro, ofereço-me desde já como cobaia. São todos testemunhas.

 

Mas afinal no que consiste o CrossFit Endurance?

 

crossfit-endurance-triangle.jpgCrossFit é um programa de força e condicionamento criado por Greg Glassman . Conforme definido por Glassman no Jornal CrossFit, consiste em "movimentos funcionais constantemente variados e executados em alta intensidade ao longo do tempo amplo e domínios modais." Considere a pessoa que vai para ao ginásio três vezes por semana e executa o mesmo circuito de 25 minutos de máquinas que isolam os grupos musculares específicos, completando 2 séries de 10 repetições para cada exercício. Pausas para descanso ocorrem entre cada exercício e série, tornando o exercício baixo em termos de intensidade. Executar este circuito semanalmente, ano após ano, usando as mesmas máquinas e sempre na mesma ordem.

 

CrossFit é o oposto. Ao invés de usar máquinas que isolam um músculo, utiliza exercícios funcionais compostos, como burpees , que recrutam uma faixa de grupos musculares. Os exercícios variam constantemente: O que se faz nesta terça-feira vai ser diferente do que o que você fez na terça-feira anterior.

Os tempos de treino variam de um par de minutos para 7-20 minutos; só raramente é que duram 20 minutos ou mais. Não há pausas para descanso. Se é um treino de 10 minutos que consiste em flexões, intervalos de execução e potência limpa, vamos de exercício em exercício o mais rapidamente possível . Esta mistura de movimentos compostos com pouco ou nenhum descanso aumenta a intensidade. Juntamente com o enfoque na alimentação saudável (a área onde mais falho), é o programa básico de CrossFit. A coisa mais importante a saber sobre CrossFit é que ele tem a intenção de desenvolver altos níveis de saúde e fitness e um tudo- em torno de atletismo. Não é específico de uma modalidade.

 

CrossFit Endurance, contudo, é específico para uma modalidade, neste caso corrida. Um programa CFE em execução, como Brian MacKenzie desenvolveu, prepara um atleta para a corrida através da combinação de exercícios específicos de funcionamento, com exercícios de força e exercícios Crossfit de condicionamento metabólico. Como MacKenzie afirma, o uso de exercícios de CrossFit permite a um corredor obter iguais desempenhos se não melhores resultados enquanto diminui simultaneamente a hipótese de contrair uma lesão.

 

Screen-Shot-2015-01-04-at-9_38_35-PM-640x375.png

Que resultados podemos esperar com o CF e CFE?

  • Melhorias do desempenho e performance enquanto se corre menos km;
  • Redução do risco de lesões contraídas com os “junk miles” que são substituídos por exercícios funcionais que treinam os mesmos sistemas de energia;
  • Aumento da força explosiva e velocidade;
  • Menos danos à mobilidade e aumento da amplitude de movimento através da incorporação de exercícios que melhoram a amplitude de movimento nas articulações e tecidos musculares;
  • Melhoria da coordenação dos grupos musculares;
  • Melhor desempenho de corrida através de uma maior força.

 

Eu comecei pelo CF por não ter bases nenhumas e saber que apesar de treinar muita corrida tinha fracos indices de força e coordenação. Nada como experimentar uma aula de CrossFit. Se forem da zona de Cascais pode ser que nos vejamos na Box 2750.

 

Se esta pequena leitura vos cativou recomendo a leitura do livro Unbreakable Runner, onde podem inclusivé encontrar planos de treinos para correr 5km ou ultramaratonas.

 

Bons treinos!

 

Cross(almost)Fit na Box do Rato

crossfit rato 2.jpg

Por Rui Pinto:

 

Não vos vou falar da origem do CrossFit, nem da sua espectacular mediatização global - que é por todos nós conhecida -, a ponto de esta ser uma modalidade de treino capaz de mobilizar tantos e tantos praticantes, em qualquer parte do globo. Percebe-se porquê. Ao invés, vou falar-vos, isso sim, da minha primeira experiência no CrossFit.

 

Já lá vamos. Antes, e para contextualizar a coisa, deixem-me dizer-vos que há já alguns anos que sou adepto confesso e seguidor nas redes sociais do Rich Froning , para quem não conhece o personagem, ele foi vencedor dos CrossFit Games,  - uma espécie de Campeonato do Mundo de CrossFit -, numa série de anos, e considerado pelos especialistas da matéria como ‘the fittest man alive’.

Paralelamente, admito que sou daqueles que passa horas a ver os campeonatos da europa e do mundo de halterofilismo, na Eurosport, pese embora as constantes reclamações da minha mulher acerca do monopólio da TV com tão aborrecido (para ela!) conteúdo. Confesso ainda que sempre gostei de treino funcional e de levantamento de pesos, muito embora seja eu um lingrinhas mal amanhado, desde sempre… Uma vez que o CrossFit agrega todas estas características, é natural que, desde há alguns anos, tenha uma curiosidade e interesse crescentes por esta modalidade.


Foi, então, com muito entusiasmo, que respondi afirmativamente à possibilidade de experimentar um treino de CrossFit para alguns membros da Crew do Correr na Cidade, que o pessoal da Box CrossFit Rato teve a enorme amabilidade de oferecer.


Assim, e à semelhança do que aconteceu com o Filipe Gil, também eu e o Bruno Andrade tivemos direito a experimentar um treino de CrossFit. E lá fomos, no passado dia 25 de novembro, à novíssima Box CrossFit Rato, situada na Rua do Sol ao Rato, nº 100.

 

crossfit rato.jpgOs rookies

 

 O pessoal da box acolheu-nos super bem, sempre com enorme sorriso na cara, o que, para mim, é ‘meio caminho andado’ para gostar da experiência. O Instrutor Luís transmitiu todas as instruções de desempenho de uma forma clara e concisa, prestando sempre uma atenção extra ao pessoal mais rookie.

 

O espaço – irrepreensível –, com uma decoração simples mas bem conseguida, ainda cheirava a novo, pois a box abriu há cerca de um mês. Muito bem equipado, com equipamento mais do que suficiente para todos, e espaço de prática bastante para evitar toques ou encontrões, no decurso da prática.

 

O grupo era constituído por cerca de 10 elementos, num misto de principiantes e pessoal mais experiente, que ajudou a equilibrar a prática e a sentirmo-nos integrados. O treino começou à hora, sem falhas e, como manda a tradição ‘CrossFitiana’, foi constituído por três etapas – aquecimento (WU, ou Warm-UP), Skill Techs (parte técnica) + WOD (WorkOut of the Day) e retorno à calma

1eb90eda-8464-46e1-85fb-01be3d34a9c7.jpgCumprindo o ritual, cada participante inscreve o seu nome, no ‘blackboard’, no início de cada treino de CrossFit.

 

No caso concreto, a rotina do nosso treino, iniciou-se com um aquecimento de 3 min a saltar à corda, seguido de uma sequência de 3 repetições de 10 m de progressão em walking lunge, bear walk, spider crawl (?). A parte técnica de preparação para o WOD foi dedicada ao desenvolvimento do skill hang clean (clean = primeira parte do movimento do levantamento olímpico clean+jerk, realizado a dois tempos, e que consiste em levantar a barra até aos ombros; hang = levantamento da barra desde as coxas, e não a partir do chão). O ‘prato principal’ do treino - ou WOD - apresentou-se sob a forma de 30 cal no remo (Só 30?... Pois, sim, piece of cake…) e 30 repetições do dito skill, hang clean. Houve ainda direito a uma ‘sobremesa’, carinhosamente designada de ‘afterparty’, que consistiu em 3 minutos acumulados em prancha, para trabalho abdominal. (No meu caso, feitos em vários ‘segmentos’… Fiquemo-nos pelos ‘vários’, não vale a pena concretizar.) Finalizámos o treino com alongamentos de retorno à calma.

 

Naturalmente, não faço puto de ideia do meu tempo no WOD, pois esqueci-me de registá-lo, não só mentalmente, mas também no black (neste caso, white) board. Coisas de principiante. Acho que ninguém levou a mal; estava mais preocupado em perceber se tinha todos os membros no respectivo sítio…

 

Uma coisa interessante que, isso sim, reparei: o tempo do treino passa num instante! Quando nos apercebemos, já temos a hora a findar e o próximo grupo a entrar por ali adentro para a próxima sessão. Isto só pode ser sinónimo de um bocado bem passado. Um conselho: não se esqueçam de levar a vossa garrafa de água e uma toalha, pois a coisa dá para suar bastante!

unnamed (1).jpgRemar a plenos pulmões, no WOD da noite. 
 

A Catarina Beato - que também experimentou o CrossFit na Box do Rato afirma que ‘ninguém sabe se está em forma até fazer uma aula de CrossFit’. Pois eu concordo e subscrevo! Tirando a piada da coisa e fazendo o transfer para a prática da corrida (ou do ‘running’, para manter o nível), com este treino, deu perfeitamente para perceber o quão fácil é menosprezarmos o trabalho do trem superior e do core, para quem corre - e a importância deste trabalho, para além das pernas! -, e trouxe à tona (de forma muito veemente) a minha necessidade pessoal em reforçar a componente de trabalho de força nestes segmentos.

 

Como impressões finais, deixo-vos as seguintes:

Gostei imenso, apesar de ser difícil, no início. O CrossFit inclui movimentos muito técnicos – quem pensa que a técnica de levantar pesos é fácil, preste um pouco de atenção à quantidade de horas que os halterofilistas dedicam ao treino da sua técnica! Acredito que, com o avançar do tempo, e a consequente melhoria da técnica, notar-se-á ganhos de eficiência significativos no treino.

Gostei do facto de ser um treino com uma duração relativamente curta, concentrado em 60 minutos. Mas nem por isso, fácil ou de intensidade baixa. Pelo contrário: acreditem que intensidade é coisa que não falta no CrossFit!

Gostei do ambiente descontraído da Box e da amabilidade do Instrutor e dos companheiros de treino. Trataram-nos lindamente, sem nunca nos fazer sentir uns aliens, no meio do pessoal do CrossFit. (Parecendo vulgar, isto não é fácil – quem nunca sentiu esta sensação, por exemplo, nas aulas de grupo de um qualquer health club?). Se gostei? Claro! Se tenho vontade de voltar? Muita!


Não se deixem intimidar pela quantidade astronómica de siglas e nomes ‘estrangeiros’ dos exercícios, ou pela indumentária própria da modalidade (no meu caso, pela falta dela!).

Para quem quiser dar uma espreitadela e conhecer mais sobre preços e condições de adesão, vejam aqui.  Mas, melhor que isso, experimentem! Vão ver que não se vão arrepender! (Quem sabe se não nos encontramos por lá.)


Agora, se me permitem, vou ali fazer uns burpees…

 

Review: Puma Ignite XT - para crosstraining

IMG_20150926_113149.jpgPor Filipe Gil e João Gonçalves:

 

É algo que não fazemos regularmente, mas que achamos cada vez mais necessário: rever sapatilhas e equipamentos que não sendo de corrida devem fazer parte da preparação de quem corre. Desta feita foram as sapatilhas da Puma Ignite XT próprias para training ou cross training - algo que fazemos como complemento à corrida. O Filipe e o João experimentaram este novo modelo, que usa a tecnologia Ignite, e dizem de sua justiça nesta review 2 em 1. 

 

Intro

Filipe: Sem serem sapatillhas de corrida ou lifestyle, do qual sou um grande fã, nunca tinha experimentado outro tipo de calçado desportivo - aqui botas de futebol não contam, ok?. Assim, pela primeira vez tiver que me concentrar no que estava a usar em função não da corrida mas de exercícios de cross training. E a experiência é totalmente diferente. Claro que tentei correr com elas em passadeira, e os 20 minutos reveleram-se pouco tempo para uma análise correta. Assim, e não sendo um grande adepto de ginásio, foquei-me nas promessas da Puma para o training e daí parte a minha avaliação seguinte.

 

João: Primeiro de tudo, as Ignite XT não são sapatilhas de corrida, isto não quer dizer que, não os possas levar para fazer uma corrida curta junto ao rio, mas sinceramente não é neste campo que as XT supre saem, embora bebam da mesma tecnologia que os "irmãos" Puma Ignite que lhes dão conforto e retorno de energia, é em treinos de cross-training que as XT se destacam e mostram as suas valênciasClaro que levei os Ignite XP para os sentir em corrida e confesso que não foi a melhor das experiências, apresentam-se um pouco desconfortáveis em corrida continua embora sejam óptimos em mudanças de direcção rápidas mantendo o apoio do pé bem centrado graças à sua linha de transição que percorre o sola praticamente a todo o seu comprimento.

 

 

Design/Construção

Filipe Gil: O design é quase irrepreensível. O quase é aqui incluído porque o modelo feminino é notoriamente mais bonito que o masculino. Pessoalmente, não sou muito favorável ao degradé na risca característica da marca Puma. Prefiro quando ela é solida e de uma cor e se destaca. De um lado a risca é amarela e termina em degradé, e do outro lado, o interno, é preto. Preferia duas listas de cores sólidas e iguais. Mas por isso é que sou jornalista e não designer. Resumindo, e tirando estes pensamentos em voz alta, os ténis são muito bonitos, e dos que se destacam mais entre aqueles que pisam o chão do ginásio ou da box.

 

João Gonçalves: Confesso que sou fã do design da Puma contudo, há qualquer coisa nestes Ignite XT pela quais não morro de amores, o uso do "degrade" da faixa típica da Puma no esquema de cores azul e lima na minha opinião podia ter sido mais bem conseguida, embora este modelo masculino seja também comercializado em outros esquemas de cores... Adoro o preto/cinza! Outro pormenor que não acho que lhe conferem muita utilidade e atrapalham o acto de calcar as sapatilhas é a língua que é totalmente pressa a uma das laterais, contudo a construção e os materiais utilizados são de excelente qualidade que mostra um grande compromisso da marca em disponibilizar um produto que valha o valor indicado na etiqueta.

 

Estabilidade e Aderência 

Filipe Gil: Aqui é um ponto que achei muito importante. Antes de experimentar estas sapatilhas especialmente dedicadas ao cross training ia para o ginásio com sapatilhas de corrida. Acontece que, em pranchas, flexões de braços, a maioria das sapatilhas de corrida escorrega, sobretudo na ponta. Torna-se duplamente constrangedor o nosso esforço para aguentar uma prancha em dois minutos e a tentarmos estabilizar e não escorregar pelo chão. Já fiz figuras que tento, em vão, mandar para um zona negra da memória...Mas com as Ignite XT o problema ficou resolvido, agarram ao chão do ginásio e dão a aderência que necessitamos quando andamos ali em posições mais vulneráveis.


João Gonçalves: Como já indiquei acima os materiais usados neste XT são de excelente qualidade e a sola não é excepção, feita com um composto sólido que garante extrema aderência e tracção garantindo um contacto ao solo firme e completo, excelente para levantamento de pesos. A região traseira da sapatilha mais propriamente nas laterais e calcanhar possui um reforço de materiais e construção que minimiza a torção do pé mesmo quando expomos a sapatilha a movimentos rápidos e mudanças de direcção bruscas garantindo um encaixe perfeito e uma maior confiança para quem as calça

 IMG_20150926_113206.jpg

Amortecimento e Conforto

Filipe Gil: É um dos pontos fortes deste modelo já que foi feito para suportar o esforço de quem salta, pula e dança nos treinos. E ainda para aqueles que têm a coragem de levantar pesos. Os XT foram feitos para isso mesmo e por isso usam a tecnologia Ignite. A sola que é feita de um material que absorve e responde ao movimento, como explicamos quando fizemos a review dos Ignite para corrida. Achei o conforto e o amortecimento o grande plus deste modelo.

João Gonçalves: Nesta secção não à muito a dizer, como já referi estas XT trazem consigo a tecnologia Ignite da Puma que lhe conferem um amortecimento muito confortável no ataque ao solo e um retorno de energia que não desilude em nada, logicamente sento estas uma sapatilhas de mais vocacionadas para cross-training este retorno não é tão notório quando se corre mas sim quando de salta ou pula, por exemplo ao executar exercícios como box-jumps ou saltos à corda garantido um excelente conforto.

 

IMG_20151022_123857.jpg

 
Preço: 
O PVP destas PUMA Ignite XT ronda os 90€ - 100€ contudo existem lojas on-line a comercializarem as sapatilhas com uma boa percentagem de desconto, é um valor algo elevado para umas sapatilhas de ginásio ou cross-training, contudo e tendo em conta a qualidade dos materiais e construção e se levarmos um pouco mais sério esta actividade, o preço final acaba por compensar tendo em conta o produto.
 
 
Avaliação Final por Filipe Gil

Design e Construção 18/20
Estabilidade e Aderência 18/20
Amortecimento e Conforto 18/20
Preço 18/20

Total: 18/20
 
São excelentes sapatilhas de ginásio. Sobretudo pelo conforto e aderência ao tipo de piso, sobretudo quando estamos em algumas posições menos "simpáticas". E fazem-no em grande estilo, destacando-se dos demais no ginásio, mas sem perder a "sobriedade" germânica da Puma. Escrevo, contudo, que o melhor destas sapatilhas são o amortecimento e o conforto que sentimos nos pés quando o resto do corpo é exigido que saí, precisamente, da zona de conforto. Ainda não experimentei outro tipo de sapatilhas de traning - espero fazê-lo. Mas tenho a sensação que vai ser difícil bater a experiência dos Ignite XT.
 
Avaliação Final por João Gonçalves
 
Design e Construção 17/20
Estabilidade e Aderência 19/20
Amortecimento e Conforto 19/20
Preço 16/20
 
Total 18/20
 
Em resumo, dou os meus parabéns à PUMA por estas sapatilhas, muito bem conseguidas, a marca conseguiu fazer a transferência da tecnologia IGNITE, para umas sapatilhas de um outro segmento que não o de running da melhor maneira, sim, com estas sapatilhas não vais conseguir fazer uma meia maratona, mas certamente consegues fazer uma corrida curta de aquecimento e a seguir mudar o chip para "beast mode" e atacar a sala de ginásio ou a tua box de crossfit com a confiança que trazes nos pés umas sapatilhas que não te vão desiludir em nenhum dos aspectos e em claro em grande estilo.
 
 

IMG_20150926_113141.jpg

 

 

Crossfit pela primeira vez

12239594_10153912654649050_1991667764328944269_n.j

Por Filipe Gil:


Acho que fui o último, ou dos últimos elementos do Correr na Cidade a experimentar CrossFit. Não porque não quisesse ou não estivesse curioso – pelo contrário – mas por motivos de lesão e também de falta de oportunidade nunca me tinha metido numa box até à passada quarta-feira. Eu e o Nuno Espadinha fomos conhecer a nova box CrossFit Rato (na Rua do Sol ao Rato).Tinha duas grandes curiosidades: será que iria gostar mais do que (não) gosto dos exercícios de ginásio?; Será que os exercícios do Crossfit podem ser usados em prol da corrida?


Havia outra pergunta que fiz a mim mesmo mas que tentei esquecer: será que me iria lesionar ou atrasar a (ainda) recuperação do maldito síndroma de iliotibial?

 

Um pequeno desvio neste texto: durante o verão, vi muitos vídeos de CrossFit. E cheguei a estar várias vezes agarrado ao smartphone a ver as competições em direto dos Reebok Crossfit Games que decorreram nos Estados Unidos. Sempre boquiaberto pela forma física dos atletas e da facilidade com que transformavam exercícios difíceis em quase futilidades. Ou seja, não fui às “escuras” para a Box do Rato.

 12247196_10153912654614050_7917443273884683170_n.j

Voltando à prosa. Ao chegar à box do Rato gostei muito do aspecto e confesso que sou fã dos logos das maiorias das box de Crossfit. Bom design, urbano, moderno mas intemporal. Esta box do Rato é uma box com luz, pé direto bem alto, e madeira colorida, pintada a várias cores como podem ver nas fotos. Um espaço que era certamente uma garagem ou um armazém, mas que foi bem aproveitado para o uso do Crossfit. Os balneários são estóicos mas muito bons. Talvez, ou não, pela box ser nova (Abriu há três semanas) mas tudo pareceu fácil, funcional e muito limpo. E sem "cheiro" a ginásio. Um mimo, portanto.

 

Quando cheguei estavam lá o Bruno Salgueiro e a bloguer Catarina Beato a treinar. Apressei-me a equipar e avancei para a turma que estava a começar às 19h. Escrevemos o nosso nome do quadro branco, comme il faut nestas coisas do CrossFit. Atenção que o quadro não é a “fashion” tábua de ardósia com giz, mas sim branco, o que é, de facto mais higiénico. Éramos 10, alguns já com experiência, e dois ou três “virgens” como eu, monotorizados pelo simpático, eficiênciente e exigente instrutor Luís.

 

3.jpg

Começámos com o aquecimento. Depois fomos fazer exercícios de agachamentos com uma barra de PVC, para encontrar o nosso equilíbrio com uma barra (mesmo que sem peso) acima da nossa cabeça. Parecia fácil mas não foi. No final, fizemos o nosso Workout of Day (WOD) constituído por agachamentos com barra, confesso que tentei com uma de 15kg, mas tive que passar para a de PVC porque a técnica não é ainda das melhores e “shit can happen”.

Usamos o Ketlebell para agachamentos e ainda fizemos aquelas elevações “Toes to bar” que a maioria de nós fez apenas até aos joelhos (aqui foi o exercício que me dei melhor).


E com isto, sem parecer, uma hora de exercício intenso passou. Senti-me muito bem. As pernas e as coxas estavam “maçadas” do esforço dos agachamentos. As mãos doridas das barras (comprei umas luvas mas não as utilizei para não dar parte fraca, assim à macho!), mas o sentimento de felicidade por fazer exercício físico estava em pleno. So me tinha acontecido a jogar à bola ou a correr.

 

E encontrei respostas para as minhas dúvidas iníciais? Ei-las:

1. Adorei. Via-me a fazer Crossfit duas vezes por semanas, sem as desculpas que arranjo para evitar o ambiente de ginásio, que continuo a não gostar.

2. Sem dúvida que a prática de Crossfit iria, ou irá, beneficiar a pratica da corrida. Claro que não devemos querer ficar brutamontes, como aqueles que vemos nos vídeos do CrossFit Games, mas isso é controlável pela carga que fazemos. Mas estou certo, e apesar de apenas ter feito um treino, que o CrossFit é um excelente, mas exigente, complemento à corrida. Por isso, aqui fica o conselho: se precisa, e todos nós precisam, de complementar a corrida com exercícios, o CrossFit é uma solução.

 

A outra questão sobre a lesão, penso que não piorei a minha situação. Levei, pelo sim, pelo não uma joelheira da Zamst. Mas hoje vou correr e saberei como está o meu joelho. Certo que passei a quinta-feira com um ligeiro formigueiro na coxa. O que isso quer dizer, não sei.

 

Voltando ao Crossfit. Ah, e tal é caro. Sim, não é barato, mas são 60 minutos em que a aula é partilhada com poucas pessoas e o instrutor dá a sua devida atenção, pelo menos o Luís no Crossfit Rato, assim o fez.Se fizermos as contas, se calhar ainda é melhor do que as mensalidades de 40 euros que pagamos nos ginásio mas que raramente lá pomos os pés. Fica ao vosso critério e à vossa possibilidade financeira, claro.

11214240_10153912654664050_5836940866339919404_n.j

 Tanto eu como o Nuno Espadinha saímos da box com enorme vontade de voltar. E vocês, já experimentaram CrossFit?

 

 

Entrevista: Tiago Lousa - o rei da estrada, trilhos e obstáculos

 

topo

Por Luis Moura:

 

Tiago Miguel Lousa é um dos atletas mais completos que hoje em dia podemos observar em Portugal. Para além de ganhar corridas em alcatrão e trail, ainda tem tempo e vontade para treinar e ganhar competições internacionais de obstáculos e dar uma perninha no triatlo onde também costuma ter bons resultados.
O Correr na Cidade foi tentar perceber como é que este Comissário do Grupo Operacional Cinotécnico da PSP consegue organizar o seu dia-a-dia.


CNC - A que horas costumas acordar normalmente? por tudo aquilo que vemos em que estás envolvido, o teu dia deve ter 30h ou mais :)

TL - Antes de mais e ao contrário do que algumas pessoas pensam, começo por esclarecer que não sou atleta profissional nem tenho facilidades profissionais específicas por ser atleta. Felizmente tenho uma vida pessoal e profissional que, actualmente e num dia “normal” me permite encaixar sem grande dificuldade dois treinos. Os meus dias de trabalho começam às 07H00 (acordar às 06H15) mas não gosto de treinar a essa hora, só mesmo quando sei que não terei tempo durante o dia.

Como estou na Unidade Especial da PSP o treino físico é parte integrante da nossa actividade diária. A condição física é essencial para o cumprimento de parte das nossas missões. Assim, todos os dias (logo que o serviço operacional o permita) treino e dou treino de preparação física entre as 11 e as 13. Basicamente corrida e treino funcional. A própria configuração física da unidade (Quinta das Águas Livres) – que é desnivelada, tem cerca de 15km de trilhos e várias pistas de obstáculos – torna possível o treino de trail sem que haja gasto de tempo em deslocações. O facto de ter o local de treino à porta do gabinete permite ganhar muito tempo.

crossfit


Ao final dos dias de semana faço uma hora e meia de Crossfit na Box “The Bear Cave” em Odivelas onde tenho excelentes coaches e companheiros de treino. Grande parte da minha preparação em termos de força, resistência e preparação mental para competição é feita neste templo.
Nas fases em que devo fazer um volume de treino maior faço um segundo treino de corrida ou ginásio logo pela manhã (6h) ou à noite (19:30).

Aos fins-de-semana tento correr distâncias maiores e/ou fazer provas. Parte do meu sucesso passa pela não especialização. Tanto faço provas de estrada de 5km, como meias-maratonas, como trails de 30km, corta-matos de 6km, provas de obstáculos, Duatlos, etc.  


Como foi crescer nos Pupilos do Exército e em que medida influenciou o teu gosto pelo desporto e disciplina necessária para estares envolvido em tantas atividades?

Sem qualquer sombra de dúvida que existe uma relação directa positiva entre o ter sido aluno dos Pupilos do Exército e a actividade desportiva. Foi nesses anos de juventude que tive possibilidade de experimentar e aprender vários desportos e modalidades. A qualidade técnica e pedagógica dos professores era inquestionável e a vontade de ensinar inexcedível e isso faz muita diferença. As oportunidades e tempo eram-nos cedidas e bastava haver vontade e motivação o que, no meu caso nunca faltou. Assim, para além de ginástica, karaté e de vários desportos colectivos onde sempre tive sucesso, ganhei o gosto pelo desporto outdoor, tendo como expoente a participação em dois campeonatos do mundo de orientação, na Letónia e na Itália, quando tinha 14 e 15 anos respectivamente.

Meia da Golegã



Achas que a passagem pelos Pupilos disponibilizou as ferramentas físicas e mentais que te permitem ser o atleta que és hoje ?

Estou certo que sim. A disciplina, espírito de sacrifico, capacidade de sofrimento, capacidade de pensar de forma clara e tacticamente orientada mesmo sob esforço e pressão, a camaradagem e espírito de fair play mesmo em competição, são tudo características que são incutidas na educação de casa e, no meu caso, na escola também.

Quando é que apareceu o gosto pela corrida ?

Comecei a correr em provas populares com cerca de 6 anos por influência do meu tio e padrinho, Américo Pereira que, ainda hoje, com 52 anos, me ganha nas provas de estrada.. Foi através dele que me iniciei no triatlo, nas corridas de aventura e no trail.

 

meo urban coimbra



Qual a sensação de passar a meta da MEO Urban Lisboa de 2015 em primeiro lugar depois de teres ganho a edição de 2012?

Sensações distintas. A edição de 2012 foi uma primeira experiência, para atletas e organização. Ganhei a prova porque os 3 atletas que iam alguns segundos à minha frente não seguiram bem o percurso indicado quando iam isolados a cerca de 500 metros da meta. Foi uma vitória justa pois eu fui o primeiro atleta a cumprir o percurso definido mas não a senti como total. Este ano (2015) senti-me mais forte e preparado. Já havia ganho a etapa de Coimbra e Aveiro e, apesar de prever concorrência muito forte em Lisboa, o objectivo seria fazer um dos três primeiros lugares para assegurar a vitória no circuito, mesmo faltando Porto e Sintra. Fiz uma prova muito boa, especialmente nas partes técnicas e de escadaria ascendente, isto apesar de não ter descansado para a mesma. Treinei a semana toda normalmente e, inclusivamente corri e fiz treino de Crossfit no dia da prova de manhã. O facto de ter conseguido ganhar aos dois atletas que me haviam ganho no GP do Fim da Europa em Janeiro (foram 2º e 3º no MUT Lisboa) deixou-me agradavelmente surpreendido e muito feliz.

meo urban lisboa



Como organizas o teu plano de treinos semanal? E em média quantas horas semanalmente dedicas aos treinos?

É tudo muito relativo e até contrário ao que os treinadores actualmente defendem.
Não sou acompanhado, não tenho plano de treinos e treino por sensações (não uso medidor de batimentos cardíacos nem potenciómetros nem outros sistemas de medição científicos).
Como tenho muitas provas e algumas muito distintas tenho muito para treinar. Tento encaixar numa semana 6-7 treinos de corrida. Um ou dois de rampas ou escadas. É algo que adoro fazer, sofro mas com prazer e é talvez ai o meu maior ponto forte: gostar de subir e fazê-lo bem tanto em subidas técnicas, curtas, longas, mais ou menos inclinadas. Tento fazer séries nas fases em que me preparo para os Duatlos – que têm segmentos de corrida muito rápidos – de resto aproveito as provas como treinos de ritmo/velocidade.
Tento treinar crossfit e musculação num total de 8-9 treinos semanais. Por um lado ganho força e resistência mas, por outro, também ganho com facilidade massa muscular que me tira velocidade e alguma resistência na corrida. É este equilíbrio que, neste momento está a ser muito complicado de gerir.
Os obstáculos treino de tempos a tempos mas, com os objectivos que irei definir para 2016, terei que dedicar mais tempo à técnica neste âmbito.

No total serão cerca de 7/8 horas de corrida e 10-12 horas de treino funcional e ginásio por semana.

 

duatlo1



O facto de teres um trabalho que é muito exigente no rigor mas suficientemente flexível na disponibilidade de horários, facilita  no cumprimento dos teus treinos?

Neste momento, sendo comandante de um grupo operacional, tenho um horário de referência fixo (8-17), mas tento sempre entrar mais cedo e sair mais tarde, tendo alguma margem para estender os treinos de final da manhã/almoço. Obviamente que, havendo serviços que exijam a minha presença, adapto da forma mais adequada.

Como aparece o Crossfit no teu horizonte? É um dos últimos desportos da moda, sem que muita gente saiba que a sua essência se baseia no reaproveitamento de exercícios e de rotinas de estações usados durante muito tempo em instituições militares ou desportos de alta competição. É neste contexto que surge na tua vida?

O crossfit surge um pouco de forma natural sim. Com excepção dos exercícios de weigtlifting que não treinava, a maioria dos restantes eram-me familiares. Senti necessidade de ter algo complementar à corrida. O treino de ginásio é algo que faço sem prazer e por necessidade. No crossfit existe a vertente competitiva que, no caso de pessoas como eu, nos faz melhorar de dia para dia.

Trail Monte da Lua 2015 - 1º da Geral



Como encaras o desafio do teu recente patrocínio pela Reebok para a vertente do Crossfit ? Em que medida consideras este apoio é uma mais valia para te ajudar a treinar e a competir?

A Reebok está a patrocinar-me globalmente, mas especialmente na vertente de OCR (Obstacle Course Races).

A relação estabelecida desde há alguns meses com Reebok tem sido desafiante. Para mim é muito vantajosa. Por um lado tenho acesso a todo o tipo de equipamento de treino e competição da marca, quer no âmbito das OCR, corrida (trail e estrada) e Crossfit, por outro é um assumir de responsabilidade extra. O facto de representar uma marca com tanto prestígio e ser o único atleta a fazê-lo nestas áreas cria um pouco de pressão com a qual lido bem e me permite evoluir e melhorar.  Para a marca, melhor que eu poderão os próprios expressar a sua visão, mas julgo que a visibilidade que é consequência do sucesso lhes traz, obviamente, dividendos. Assim, é uma relação win-win, que espero seja para durar.

Trail douro 2015



Acreditas que a cross-training de diversas modalidades permite tornar-nos mais fortes, capazes e competitivos nessas mesmas modalidades? Ou, como muito se divulga hoje em dia, deverão ser utilizadas como complemento para uma modalidade em particular?

Eu acredito que sim. Dai que o faça. Mas depende dos objectivos, da disponibilidade, das características físicas do atleta, do background desportivo, etc. O mais importante é que se estabeleçam objectivos e se treine para os mesmos, seja em exclusividade, em acumulação ou em complementaridade.
Reconheço perfeitamente que, se me especializasse numa modalidade (trail, corrida de estrada, duatlo) teria muito mais sucesso. Mas, para mim, não seria suficiente. Por exemplo, neste momento tenho dificuldade em fazer tempos abaixo dos 33´ aos 10km. O treino de força e alta intensidade de muito pouco me ajudam neste tipo de ritmos. Ganho peso, massa muscular desnecessária, perco tempo de treino, tempo de descanso, ando cansado etc. Sem grande dificuldade, conseguiria tempos a rondar os 31´30 ou 31´se treinasse com esse objectivo. Mas não me sentiria bem. E, se fosse depois fazer um trail longo, uma OCR em que tenho de carregar sacos de areia ou troncos com 30kg iria ter muitas dificuldades.
Acredito que haja muito poucos atletas que consigam correr como corro em provas de 10km de estrada, em provas de 30km de trail, em duatlos (sem praticamente treinar bicicleta) e ainda fazerem p.e. 3º elevações na barra ou levantar 100kg de supino, etc. é esta capacidade multi-desportiva que não gostaria de perder.


Em que modalidade mais gostas de competir ? O que é que te dá mais gozo e um sorriso de canto a canto no final do evento, quer o ganhes ou não ?

Eu sou extremamente competitivo e exigente comigo mesmo. Quando opto por me iniciar numa modalidade almejo logo atingir o topo e isso, por vezes, retira o prazer do desporto. Felizmente consigo gerir e, logo que dê o máximo de mim e não deva a derrota a questões de falhas organizativas ou falta de fair play dos adversários fico sempre satisfeito e feliz. Entre o trail e as OCR é-me difícil decidir.  

slovakia01


Descreve-nos um pouco como foi a tua participação no evento Spartan Race European Championship que aconteceu em Setembro passado na Eslováquia.

O campeonato da Europa foi uma prova extremamente exigente e dura. Teve lugar numa estância de Ski no norte da Eslováquia, no Domingo, dia 6 de setembro. Foi a versão Beast que implica que a distância seja entre 21 e 42 km e que existem entre 25 e 45 obstáculos. A distância exacta não é divulgada, não existem abastecimentos e o número e tipo de obstáculos são desconhecidos, como eles dizem “Spartans come prepared”. Habitualmente os campeonatos têm entre 21-23km, ora este foi diferente.

A viagem foi logo algo que não preparei bem. Sai de Lisboa no Sábado de madrugada, fiz escala de várias horas na Alemanha e aterrei em Budapeste, Hungria já pelas 17H00. Ai aluguei carro e conduzi 5 horas à chuva em estradas secundárias, tendo chegado ao local do evento sem jantar pelas 23. Eu não me afecto psicologicamente com esse tipo de vicissitudes mas o que é certo é que, de uma forma mais ou menos ligeira, devem ter tido um impacto negativo sobre a prestação.
A altitude foi um problema, julgo que não tão determinante quanto esperaria mas influenciador de resultados.
Em termos gerais a prova correu-me bem tendo em conta a minha preparação.

slovakia02


Começou com uma travessia de um lago gélido, logo seguida de uma subida de 5,5km com 1000D+. Nessa subida tínhamos vários obstáculos (paredes para saltar, “monkey bars”, carregar dois sacos de areia com 20kg cada, etc.). Logo nesse momento houve um conjunto de atletas que se destacou na frente (cerca de 10) e que optei por não tentar sequer acompanhar. Não estou habituado a ficar para trás a subir mas reconheci logo, pela passada, postura corporal, respiração, etc. a diferença de capacidade física de alguns deles e a minha.


Depois de muitos obstáculos – uns mais complicados que outros – de andarmos cerca de 1km no leito de um rio gelado, de atravessar um pântano, de ter ultrapassado 3 atletas, cheguei aos 23km na companhia do melhor atleta espanhol de OCR e que conhecia das redes sociais. Nesse momento seguíamos na 8ª e 9ª posições. Quando nos apercebemos visualmente que ainda estaríamos a mais de 5-6 km da chegada notei uma quebra psicológica clara nele (soube mais tarde que é semi-profissional, i.e. dá treinos de cross-training e de preparação para OCR que, em Espanha é um desporto com grande expressividade) e acabei por chegar à meta com mais de 12´ de diferença dele. A parte final foi a mais difícil, vários kms em leito de rio, obstáculos quase impossíveis para atletas com o peso e estatura dos que seguiam no top 20 (como lançar um dardo para um alvo a cerca de 15 metros, fazer escalada numa parede de madeira escorregadia, içar um saco com 80kg de peso…do top 15 nenhum atleta conseguiu. Considerando o cansaço, peso corporal, diâmetro das cordas, a chuva, etc. torna-se mesmo muito difícil). Assim, tive que cumprir 4 penalizações de 30 burpees cada. Apesar de treinar com regularidade e ser quase um “expert” neste exercício, me fez perder, no total, cerca de 6min na execução e outros 4min pelo desgaste e cansaço que provocou.

madrid01


Acabei por fazer 3h15 e perder cerca de 15min para o grupo dos segundos classificados o que, julgo ser “normal” e perfeitamente aproximável em futuros eventos logo que haja motivação, condições e o treino adequado. Já o primeiro classificado (atleta profissional de OCR inglês campeão do mundo e que que há poucos meses ganhou uma Ski Running na Noruega por 17min ao campeão do mundo de Ski Running) ficou cerca de 15min à frente do segundo classificado e 30min à minha. É realmente um atleta de outro planeta.
Para lhe fazer frente actualmente só os atletas profissionais americanos e canadianos, países onde a Spartan Race movimenta milhões de dólares, com dezenas de provas anuais com transmissão em directo em televisões nacionais.
Globalmente foi uma experiência muito positiva e motivante. Percebi que o nível de alguns atletas é realmente muito elevado mas que, com as condições certas, poderei obter lugares de destaque que dignifiquem o nosso país.


Dois meses antes já te tinhas sagrado vencedor da Spartan Race Super em Madrid. Sentes que essa vitória te ajudou a ganhar experiência e a obter esse estrondoso resultado no Campeonato Europeu?

A Spartan Race de Madrid foi uma experiência totalmente nova que correu muito bem. Não sabia bem ao que ia mas aconselhei-me com alguns atletas que já haviam feito SR pela Europa e preparei-me de forma intensa. O background do trail e a prática de pistas de obstáculos fruto do treino no serviço, possibilitaram-me essa vitória.

madrid02



Quais os teus objectivos para 2016?

Neste momento estou a preparar a ida à Spartan Race Beast de Barcelona em 10 de Outubro e, posteriormente à Spartan Race Super (13km) de Valência em 28 de Novembro. Depois irei dedicar-me ao Crossfit e corrida até Março/Abril. Para o ano não haverá Duatlos. Trail e estrada apenas como preparação para as Spartans.


Para 2016 tenho como principal objectivo o campeonato da europa de OCR, na Holanda, em Junho (altitude não será seguramente um problema  ) e em Outubro o campeonato do mundo nos EUA. Terei que fazer uma prova até Abril/Maio para assegurar a qualificação (top 5). Este ano, apesar de te obtido qualificação para o Mundial que decorrerá dia 18 de Outubro nos Ohio, não tive qualquer apoio para a deslocação o que tornou a ida incomportável financeiramente.

madrid03


Quero fazer também uma maratona de estrada que, curiosamente, e apesar de ter feito mais de uma dúzia de ultra-trails, nunca fiz.


Com o boom que está a haver no trail achas que lhe vais dedicar mais tempo ou as provas de obstáculos serão a prioridade ?

Faço trail desde 2010. Cada vez faço menos provas e a tendência será para manter nesse sentido. Farei as provas que achar que me ajudarão na preparação das OCR mais importantes e mais algumas em que as organizações com quem tenho colaborado sintam que a minha presença seja uma mais valia (Turres Trail, Horizontes, Trail de Belas, Trilho perdido)  e falando de forma aberta o boom no meu caso pessoal apenas me veio desmotivar. É raro conseguir juntar os atletas de topo numa mesma prova. Não existe campeonato nacional de trail como sucede no ultra-trail, apenas o circuito. Os objectivos desvanecem-se um pouco e não é possível saber quem são os melhores atletas. Para quem, como eu, encontra motivação em objectivos competitivos, o panorama actual é pouco apelativo.
Neste momento, no mesmo fim-de-semana há 40 atletas a fazer pódios em trails com distâncias semelhantes. Todos terão, obviamente o seu valor, mas perde-se a competitividade. Sei que o trail como modalidade aumentará o número de praticantes e adeptos mas, para que haja aumento da qualidade irá possivelmente acontecer o que sucedeu nas provas de estrada: onde houver prémios bons estarão os melhores atletas. Começarão a vir atletas de outras áreas com o objectivo exclusivo dos prémios, começarão a surgir as “suplementações duvidosas” e tudo isso terá um impacto negativo.

Nas OCR – fora de Portugal – tal já não acontece e é ai que irei centrar os meus objectivos.

 

 

Neste preciso momento o Tiago está em Barcelona a disputar a prova de obstáculos e desejamos-lhe boa sorte :)

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Actividade no Strava

Somos Parceiros



Os nossos treinos têm o apoio:



Logo_Vimeiro

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D