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Correr na Cidade

Race Report do Estrela Grande Trail 2016: afinal, qual era a desculpa?

 

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 As estrelas do Estrela Grande Trail

 

Nos meus objectivos traçados para este semestre, tinha o EGT como uma das provas mais importantes e para a qual queria estar preparada. Mas confesso que sou uma workaholic: adoro a minha profissão e dedico mais tempo a ela do que a mim. Se isto é positivo? Claro que não! Mas esta prova fez-me repensar no rumo que estou a dar à minha vida e na necessidade que tenho de a mudar, outra vez.


Mas agora é tempo de falar sobre a prova propriamente dita.


Como Manteigas não fica logo ali ao lado para quem mora em Lisboa, decidi que tinha de fazer uma crew trip e aproveitar o facto de ter casa ali na zona. No carro trazia uma bagageira cheia de equipamento para ir correr. No início fez-me um pouco de confusão ter uma lista de equipamento obrigatório tão grande para quem ia correr apenas 26K e nem ia até à Torre mas, no final, fez todo o sentido.


Eu, a Bo e o Bruno Tibério, saímos de Lisboa na sexta-feira ao final da tarde e queríamos chegar o mais rapidamente possível à Aldeia Viçosa (Guarda) para podermos fazer a nossa massa "c'atum" e deitarmo-nos cedo. O dia seguinte ia ser longo, cansativo e tínhamos de estar preparados para a grande aventura. A Bo ia correr 46K, eu os 26K e o Bruno ia ser o nosso apoio e fotógrafo oficial.


Para chegar à zona da partida tinhamos de fazer um trajecto durante cerca de 45 min por uma estrada nacional que ia dando uma noção da dimensão daquela serra. E, acreditem, a paisagem é linda!

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 Aldeia - Viçosa (Guarda) - local de passagem do Rio Mondego


Ao chegarmos à partida, começámos por tentar encontrar a Liliana e o Moura, mas nem sinal deles. Algo se passava, pensei eu. Felizmente não tinha acontecido nada de mal, apenas aqueles pequenos stresses que costumam aparecer à última hora.


Vi a Bo partir sorridente, nervosa mas bem acompanhada pelo José Finuras e por alguns membros da equipa do Montanha Clube Trail Running. E, chegada a minha vez de partir, o nervosismo era mais que muito. O Bruno deu-me um mini curso sobre como utilizar o relógio dele e o que eu podia esperar nos primeiros 5K: subidas e mais subidas. Dei apenas uma vista de olhos pelo gráfico da prova e pensei que não era assim tão difícil. Estava enganada, claro!


À medida que íamos a subir, a paisagem ia ficando cada vez mais bonita. O grupo começava a dispersar e eu, como ia sozinha, pus os meus "phones" nos ouvidos e a música a tocar. Apesar de ter treinado pouco em termos de corrida, nas últimas 3 semanas mudei o plano e comecei a treinar mais as pernas. E o resultado foi muito positivo. Numa dessas subidas meti conversa com a Mónica e o João Batista que serviram de "lebre" e puxaram por mim ao longo da prova.

 

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 A paisagem é fantástica


Na primeira fonte que encontrei, decidi abastecer-me de água e estava a achar estranho como é que tinha bebido tanta água num curto trajecto. Mas depois apercebi-me que já tinha subido mais de 5K e estava muito calor (pelo menos para mim). Claro que a falta de treino também aumenta esta sensação. Ao chegar ao primeiro abastecimento, olhei em volta e vi a bela laranja a olhar para mim e atirei-me a ela como se fosse o Zach Miller no MIUT. Para quem gosta de comer devagar, este é um desafio engraçado. Arranquei do abastecimento com o João e a Mónica, mas tivemos de a deixar para trás por causa duma indisposição. Não gosto de fazer isso, mas sabia que ela não estava sozinha.

 

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A vista para o Vale do Rossim


Ao longo dos 5K seguintes, as subidas continuavam e o João continuava a puxar por mim. Numa dessas subidas surgem mais 2 personagens nesta história: a Oriana e a Raquel. E, o mais engraçado, é que a Oriana é do Porto e uma grande fã do nosso blogue. Senti-me ainda mais orgulhosa pela camisola que trazia vestida e por correr ao lado de quem conhece as nossas histórias.


Na zona do Vale Glaciar surge uma pedra fantástica e que eu já tinha visto em vídeos de provas anteriores: uma pedra em que temos de passar no meio dela, nuns degraus improvisados e meio a pique. À entrada, um moço simpático da organização, deu-nos a dica que faltavam cerca de 9K e para termos algum cuidado, pois a descida tinha muitas pedras pequenas e escorregadias. E eu que pensava que ia ser uma descida fácil...

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Fotos do Zé - Uma foto 5 estrelas onde dá para ver que, apesar da dificuldade, estava com um ar bem divertido.


Depois de deixarmos a pedra e tirarmos algumas fotos muito rápidas, decidimos começar a correr "a trote" (como dizia o João) e lá fomos a descer a serra até ao último abastecimento. De acordo com o que disse a Mónica, tínhamos de nos preparar para um estradão de cerca de 3K até à meta. Dito assim parece fácil, mas depois de 23K...ter forças para "disparar" não é assim tão simples. Algures depois do abastecimento, eu e o João separámo-nos das meninas e decidimos correr mais até à meta. Pelo caminho fizemos contas para ver quanto tempo de prova íamos fazer e esbocei um enorme sorriso ao perceber que ia chegar antes das 5h30 de prova como tinha previsto. Mandei uma sms ao Bruno para pôr a máquina fotográfica à mão, pois só faltavam 3K...que parecia que nunca mais acabavam.

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Eu e o meu companheiro desta aventura

 
Na chegada ainda deu para passarmos 2 raparigas que se enganaram no caminho e consegui ter forças para passar a meta a correr depois de uma subida que parecia que nunca mais acabava. E a chegada à meta é sempre aquele momento "tcharan" em que dizemos "tá feita"! E saber que temos uma cara conhecida à nossa espera é bem motivador.


Em relação à prova e no que toca a pontos positivos destaco a simpatia e disponibilidade da organização (voluntários incluídos), sempre com um grande sorriso e piadas engraçadas, quer ao longo da prova quer na meta. Acho que o facto de existirem apenas 2 abastecimentos podem ter dificultado a vida a algumas pessoas, mas acredito que isto não tenha sido o mais complicado de gerir. Outro ponto positivo foi o sistema de marcação: para mim foi a melhor prova até agora, onde havia uma marcação a cada 20m no máximo. Ah, e adorei a ideia dos puff's que estavam ao pé da meta e que me proporcioanaram um momento de relaxamento maravilhoso.


No que toca aos pontos negativos acho que, devido à previsão do estado do tempo, deviam ter arranjado um spot coberto junto à meta para quem estava à espera dos atletas (eu usei o material que era obrigatório e que me protegeu do frio enquanto esperava pela Bo e pela Liliana). Mas não considero isto um ponto tão negativo.

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A chegada à meta...finalmente a sorrir :)


Em relação aos agradecimentos, que dizer um grande obrigado a toda a crew do Correr na Cidade que, duma forma ou de outra, me ajudou a superar o meu objectivo; ao staff do Clube VII com quem trabalho diariamente e me tem ajudado a melhorar a minha performance desportiva; à Bo IriK que me contagia com a sua energia logo pela manhã e transformou esta viagem numa grande aventura e ao Bruno que passou a ser o meu coach favorito e que me vai transformar numa melhor corredora...mal posso esperar pela próxima prova. E, desta vez, sem desculpas! Prometo!

GTA: “O” dia que afinal não foi “O” dia e o final feliz

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Na meta do terceiro dia. Felizes embora não tenha sido "O" dia. Foto: João Borges

Por Bo Irik:

 

Ontem falei-vos das primeiras duas etapas do Gerês Trail Adventure, uma prova de trail de quatro etapas que decorreu no passado fim-de-semana na Serra do Gerês. Enquanto continuo com um sorriso na cara de tanta satisfação que esta prova me deu e os pés ao alto por ter os tornozelos inchados e doridos, tentarei transcrever a minha vivência das duas últimas etapas da prova.

 

Já com 50km e 3000D+ nas pernas (e na cabeça) das duas etapas anteriores, nunca pensei que as duas últimas iriam correr “tão” bem. É claro que o “tão” é relativo, pois, a nossa classificação final não é famosa e nem conseguimos passar a barreira horária das 7 horas aos 30km da terceira etapa. No entanto, o que interessa é que EU acho que estivemos muito bem. Muito acima daquilo que sonhara que o meu corpo aguentaria. De facto, é incrível, e continuo pasmada com “poder” do nosso corpo quando realmente queremos. O Gerês mostrou-me que sou muito, mas muito, mais forte daquilo que alguma vez julgava e que em equipa e com vontade somos capazes de puxar os nossos limites mais e mais e mais.

 

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 “O” dia que afinal não foi “O” dia foi terminado em GRANDE. 

 

Stage 3 – sábado dia 2 de maio – 7h00 – 35km – 2200D+

 

Percurso / organização: Enquanto o site do evento anunciava 60km para esta etapa, no dia, ouvia-se falar em 65km, que afinal, devido às condições climatéricas adversas, foram reduzidos a 50km, que, por sua vez, no nosso caso, se reduziram a 35km. Num terceiro dia chuvoso, a Elisa Canário juntou-se à nossa equipa. Foram então oito pernas que estavam decididas a cruzar o corte aos 30km dentro do prazo de 7 horas para poder completar a prova toda e não ter que desviar e fazer “apenas” 35. Sete horas para 30km seria extremamente acessível, esquecendo que estaríamos no Gerês, abaixo de chuva intensa e já com algum cansaço dos dias anteriores. Mesmo não esquecendo esses desafios, acreditava sinceramente que iríamos conseguir. E acreditei, e a Elisa também, até chegarmos de facto ao abastecimento e o sonho desaparecer com um excesso de 20 minutos sobre as 7 horas permitidas.

 

Voltando ao percurso: nos primeiros 5km subimos 500m, algo que adoro (NOT!), principalmente às 7h da manhã (altimetria no meu Strava). Mas depois de uma subida destas apanhamos uns single tracks muito giros a descer. Abastecimentos bons com sopinha para aquecer. Depois desta descida maravilhosa de cerca de 5km, assustei-me, pois estávamos a descer muito. Descemos tanto que chegamos à fronteira de Braga com Vila Real (250m de altitude), sendo que a partir daí foi uma subida quase sem fim, de 9km, até atingirmos quase 2000m de altitude. Foram 9km muito duros (ilustrados na primeira foto do post anterior): muita pedra, poucos caminhos existentes. Era uma questão de seguir as fitas, sempre a subir e criar o nosso caminho.

 

No ponto mais alto, foi engraçado porque, embora ainda estivéssemos a cerca de 10km da fronteira com Espanha, o meu telemóvel já dava a mensagens de “Boa viagem”, que agradeci de bom grado, pois, a viagem ainda era longa :) Faltavam 10km até ao corte, nem queria olhar para o relógio, apenas queria correr. Fomos premiados com uma descida muito técnica e íngreme. Quem diz descida, diz espécie de cascata. No abastecimento depois desta descida praticamente não parámos (a Elisa e eu) porque depois viria uma valente subida e os rapazes logo nos apanhariam. Subimos um km e descemos cinco. Descemos pois, mas mais uma vez, um percurso sem caminho, só a seguir as fitas, muita pedra, muita água. Chegamos ao corte dos 30km e aí apercebemo-nos que de facto, afinal, aquele dia não foi “O” dia. Com um desvio direto para a aldeia do Gerês, uma descida muito bonita que terá sido deliciosa se tivesse tido pernas para corrê-la, terminámos esta etapa com cerca de 35km.

 

Desempenho: Gostei muito do facto de a Elisa se ter juntado à nossa equipa. Sabia que temos ritmos relativamente idênticos. Pode parecer estúpido, mas na equipa, com o Nuno e o Tiago, a Elisa seria o segundo elemento menos forte, juntamente comigo, o que, de certa forma, me deu força e motivação. Nem sei explicar bem, mas o que interessa é que fiquei muito feliz e motivada e estava confiante de que a nossa equipa, a oito pernas, iria conseguir passar a barreira da sete horas sem problemas. Essa confiança teve altos e baixos ao longo dos 30km, mas confesso que acreditei até ao último minuto e evitei olhar para o relógio e simplesmente dar o meu melhor ao longo dos kms.

 

A confiança teve logo um declínio na subida inicial. Foi dura, havia muita humidade, e o facto de a Elisa ter ficado ligeiramente para trás também não ajudou. As meninas estavam claramente com problemas de arranque enquanto os meninos subiram bem. Felizmente a descida já correu melhor às meninas também e a equipa foi coesa até ao km 10 que fizemos dentro das 2 horas. Tudo controlado.

 

A grande subida depois, embora as paisagens nos fascinavam e davam energia e um dos meus sonhos – o de ver cavalos selvagens – se concretizou, foi uma experiência intensa e longa. Foi algo esquisito. Cada um foi um pouco “na sua”, se bem que o Tiago de vez em quando vinha para trás para nos “empurrar”. Foram horas de introspeção. Falamos relativamente pouco. Consegui gerir bem a alimentação e lembrava-me da dica do João Campos – “enfoca-te” – e entrava num tipo de transe. Caminhava rápido, a olhar para o chão, sem pensar. Quando chegamos ao cimo da montanha, a pressão já era muita e descemos a voar. A Elisa e eu em frente e nem gastámos tempo no abastecimento, pois, continuávamos a acreditar que iriamos conseguir (a Liliana e o Luís estavam nesse abastecimento e até levei mais dois geles, que iria precisar para os 60km). Entretanto, o Tiago e o Nuno, muito mais racionais que nós (escrevo pela Elisa também mas nem sei se ela concorda hihi), já tinham cedido à ideia de não conseguirmos cumprir a barreira horária.

 

Convencemos os rapazes, pois poderia haver uma tolerância ou a barreira poderia ter sido antecipada, sei lá e corremos onde pudemos, saltamos pedras, poças, lama, ultrapassamos, caímos e lutámos até ao estúpido abastecimento onde o sonho de fazer o GTA na sua totalidade desapareceu. Foram 20minutos. Sim, foi por 20 minutos que não fizemos os 50km, mas sim fomos desviados para chegar à Vila em cerca de 5km.

 

Foi uma desilusão. Foi. Mas posso dizer que dei tudo, que lutei até ao fim, e que me senti forte, independentemente do resultado, pelo que nem fiquei muito triste. No dia seguinte haveria mais e para o ano hei-de conseguir. Penso que toda a equipa partilhou este sentimento. Mesmo assim, a descida até a Vila foi desmotivante. Já não nos apetecia correr e começou a doer tudo. Mais perto da meta e com alguma animação dos rapazes, os sorrisos voltaram e cruzámos a meta de mãos dadas, sem ter atingido o nosso objetivo mas de alma cheia e orgulhosos daquilo que conseguimos fazer.

 

Alimentação: Pre-Workout da Gold Nutrition, 1 gel Biotech, 1 gel Gold Nutrition, 1 barra de frutas da Aptonia, sopa, batatas fritas (muitas!), cajus, água, isotónico, Fast Recovery da Gold Nutrition e massa na Pasta Party.

 

Calçado / materialCalçado / material: Merrell AllOut Peak e mochila Raidlight Olmo pequena. Mais uma vez, não larguei os bastões.

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 "Sobe!!! Não pára!!!"

 

Stage 4 – domingo dia 3 de maio – 16km – 1100D+

 

Percurso / organização: Para fechar a prova em grande, foram 16km, basicamente com três “picos” em termos de altimetria. Quase 400D+ em 4km para aquecer, ao longo e cruzando a Nacional 308-1 em single tracks simpáticos. Descida até ao km 6 e entre o km 6 e 8 uma subida e descida ao longo de cascatas e paisagens com uma flora muito diversificada e caminhos muito giros. Do km 8, onde apanhamos o abastecimento, ao 10, prometeram-nos a última subida da prova, feita em single track e depois estradão. A partir do km 10, um planalto e depois descida mega técnica com pedra, lama e whatever, até a última meta, a meta da última etapa, no nosso caso, a meta dos 100km  em quatro dias. Foi um percurso, a meu ver, muito bem conseguido para fechar o programa de festas. Embora não parasse de chover, deu para apreciar as paisagens, os cheiros, a paz da Serra.

 

Desempenho: Quem dira que depois de 85km em três dias, estaria na partida com tanta pica, sem dores musculares, apenas nos tornozelos (sobrecarga, dizem :p ). A pica rapidamente desapareceu quando começamos a subir em alcatrão mas lá consegui manter a cabeça erguida e o sorriso voltou assim que apanhamos terra nas solas dos sapatos. Subidas muito íngremes onde os bastões foram, para mim, indispensáveis. Normalmente, tenho imensa dificuldade neste tipo de subidas e tenho a mania de parar para recuperar o fôlego, mas tenho vindo a aprender a não parar e sim, a abrandar para recuperar, ou então, simplesmente insistir até lá em cima : ) Assim foi. Pareciam degraus entre raízes e pedras, gostei. A segunda descida soube muita bem e o Chefe Malcata foi a abrir caminho pela montanha abaixo. Ignoramos as dores, corremos e ultrapassamos. Enfiamos umas batatas fritas na boca no abastecimento para enfrentar a última subida, a última das últimas. Custou-me horrores. A paisagem era bonita. Apreciei o silêncio da Serra (andei os dias todos com phones na mochila, mas nunca cheguei a “precisar”). Mas estava cansada. Não queria subir mais. Os rapazes foram se afastando de mim e a desmotivação foi me invadindo. De repente vejo o Tiago sentado no chão. Sim, sentado, a gozar comigo com a GoPro na mão, e recuperei alguma motivação. A partir daí o Tiago não me largou mais e puxou muito por mim. “Dá tudo”. “Estamos quase”. “É agora ou nunca”. Queria e tentei mas a subida deu cabo de mim. Não conseguia respirar devidamente. Começou-me a doer a cabeça. Aí o Tiago “deixou-me” parar um pouco, beber, respirar com calma. Recuperei.

 

Quando chegamos lá em cima, a festa começou. Basicamente uma força invadiu-nos, aos três, e arrancamos a fugir como se não houvesse amanhã. Deixámos as dores lá em cima e voamos Serra abaixo em direção à Vila. Fomos a um ritmos de 8 a 9 min / km mas no momento parecíamos super heróis. Foi ótimo ouvir o Tiago dizer que estava orgulhoso de nós, de mim e do Malcata, por termos “perdido o medo”. Segundo ele, estávamos a correr sem pensar. Just go. E é assim que se deve correr. Soube tão bem!

 

Quando chegamos ao alcatrão, ia em frente, com dores nas canelas, e nem conseguia parar de correr com medo de depois não conseguir arrancar novamente. Abrandei, os meninos apanharam-me e, pelo quarto dia consecutivo, cruzámos a meta de mãos dadas e sorriso na cara (um pouco coxa e com algumas expressões que poderiam transparecer dor, mas orgulhosa e satisfeita)!

 

Alimentação: Pre-Workout da Gold Nutrition, 1 gel Biotech, batatas fritas (muitas!), água, isotónico, Fast Recovery da Gold Nutrition e uma bela bifana e sopa e cervejaaaa na Festa Final da prova.

 

Calçado / materialCalçado / material: Merrell AllOut Peak e mochila Raidlight Olmo pequena. Mais uma vez, não larguei os bastões.

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Uma das muitas excelentes fotos de Peh Siong San

 

Ufaaaa. Consegui. Terminei. Tenho muitas mais coisas que gostaria de partilhar convosco. Tenho muita gente que gostaria de agradecer. Mas fico por aqui.

 

Hoje, 5ª feira, após uma massagem desportiva na 2ª feira, não tenho dores musculares e ontem já me apetecia correr, mas vou ouvir o corpo e descansar um pouco mais porque continuo com alguma dor e inchaço nos tornozelos. Há-de passar rápido.

 

Em relação ao GTA15, amanhã ainda partilharemos umas considerações gerais da prova e claro, o nosso vídeo, está quase a sair do forno.

 

Para já posso dizer que já marquei as datas do GTA16 na agenda. Será uma prova prioritária perante todas as outras. É a mais desafiante, a mais dura, a mais bela, a mais unida e a com mais amizade. É a melhor.

 

Obrigada.

Bo

Correr uma maratona não é só ter pernas...

Por Bo Irik:10807101_10154811353360453_1792144753_n.jpgOs treinos para a prova rainha já começaram...

 

Em fevereiro deste ano, após um ano de corrida com maior frequência e me ter juntado à crew do Correr na Cidade recentemente, decidi que quereria aventurar-me na prova rainha da corrida, a maratona, ainda este ano.

 

Assim, nesse mês, e após consultar alguns amigos corredores sobre qual seria a melhor prova para a estreia nesta distância, estava a apontar para o Porto, pela sua beleza, percurso e também porque ainda teria muito tempo para treinar. Até cheguei a criar um grupo no Facebook, os Estreantes na Maratona do Porto 2014, que hoje conta com 44 membros, estreantes e “mentores”.

 

Então mas porque é que não apareceu nenhum relato da minha estreia e respetiva preparação aqui no blogue? Porque não fui. Não me deixaram ir.

 

O Nuno Malcata, também membro da crew, sabe o que é correr uma maratona e, acima de tudo, sabe que correr uma maratona não implica preparação só física mas também muita maturidade emocional. Eu enquanto “bebé” da crew, sofria bastante com a vertente psicológica das provas de estrada, nomeadamente nas meias maratonas, onde facilmente me deixava ir abaixo ao km 18/19. Em Abril e Maio fiz quatro meias maratonas em 4 semanas, foi o meu “Quatro em Linha” e senti uma clara evolução física e acima de tudo psicológica nesta distância pelo que estava muito entusiasmada com a ideia de participar na Maratona do Porto que seria daí a sete meses.

 

Embora muitos amigos corredores me aconselhavam avançar com a Maratona, o Nuno tinha noção que este meu ponto fraco persistia e basicamente “proibiu-me” de participar na Maratona do Porto, por ainda não estar preparada mentalmente. Nas palavras dele: “Não sou especialista para poder opinar e justificar com detalhe, mas do que aprendi com a minha experiência ao longo do tempo e com a preparação para a maratona que fiz, acho que a Bo corre há pouco tempo para passar já de Meia para maratona. A preparação para o Porto ainda apanha dias quentes e os treinos longos vão custar muito mais. A prova pelo que conheço é bem organizada mas o percurso é duro e por opinião pessoal acho que ainda não temos enquanto povo o espírito de incentivo nas ruas para quem está a fazer uma maratona como vi em Sevilha. A Bo falou de Madrid ou o Pedro Luiz de Londres, e na estreia acho esse incentivo muito importante. A minha opinião era que a estreia da Bo devia ser adiada para 2015 em Sevilha. Além de a ter vivido pessoalmente e saber que é fantástica há mais elementos da Crew a querer fazer lá a estreia e seria bom para todos”.

 

Segui o conselho do Nuno. Em 2015, dia 22 de Fevereiro, estaremos na linha de partida da Maratona de Sevilha e vai ser fantástico! Estou muito feliz com esta decisão, pois embora em trilhos tenha feito uma prova acima de 42km, em estrada o peso psicológico é outro. Acredito que até Fevereiro conseguirei preparar-me devidamente e vamos à Sevilha em modo road trip com a crew e amigos e é certo que será uma festa!

 

E tu, como lidas com o “peso psicológico” das provas em estrada? Dicas para uma primeira maratona? Também vais à Sevilha? Quero saber tudo!

UTAX 2014: Ultra Trail e muito mais...

Certamente que já se aperceberam que o Correr na Cidade adora correr, não só na cidade, mas também no campo, em trilhos. Os trilhos puxam por mais e mais quilómetros, mais a mais D+. Assim, enquanto o Tiago Portugal está em modo de preparação para o dia 13 de Setembro de 2014, data em que irá participar na sua maior aventura desportiva até à data, a ascensão ao teto da Península Ibérica no Ultra Trail Sierra Nevada (83km), o Nuno Malcata e a Bo Irik inscreveram-se no K42 do AX Trail na Serra da Lousã. Para o Nuno, embora já seja maratonista de estrada, será a maior distância em trilhos e para a Bo, a sua maior distância até hoje. Partilhamos convosco um pouco sobre o que será o UTAX, ou melhor, as AX Series:

 

No fim-de-semana de 17, 18 e 19 de Outubro, Castanheira de Pêra irá receber pela segunda vez consecutiva o UTAX (Ultra Trail Aldeias do Xisto). Mais do que uma prova de Ultra trail, esta será a oportunidade para atletas nacionais e internacionais voltarem à Serra da Lousã e juntos percorrerem trilhos mágicos onde o encontro entre o desporto e a natureza; o passado e o presente; o homem e a fauna local culminam numa agradável sensação de superação dos limites de cada um.

 

A edição deste ano será composta por 3 provas de trail running, uma caminhada, um evento de trail running para crianças e ainda uma corrida de joelettes. Ao longo dos três dias do evento decorrerá ainda uma Feira de Equipamento Técnico, Artesanato e Produtos Regionais. Pretende-se assim promover um ambiente de convívio, de partilha e de encontro, onde não só o "pro", mas também o amante da corrida e da natureza, as crianças e os idosos e até mesmo aqueles que por algum motivo se vêm forçados a levar uma vida condicionada, têm um lugar muito especial.

 

A prova principal e que dá nome ao evento totalizará 100 km de percurso, estendendo-se por toda a Serra da Lousã e integrando os municípios de Castanheira de Pêra, Lousã, Miranda do Corvo, Góis e Penela. O percurso inclui ainda 9 Aldeias do Xisto e 4 Praias Fluviais. Esta prova terá partida pelas 00:00 horas do dia 18 de Outubro. Na manhã seguinte será dada a partida do Trail Serra da Lousã na distância de 42 km, e percorrendo parcialmente o percurso da prova maior. Há mesmo a possibilidade de os atletas de ambas as provas se juntarem na fase final e lado a lado cruzarem a meta. Haverá ainda uma prova de trail e uma Caminhada, ambas com cerca de 20 km.

 

O domingo, dia 19 de Outubro, será dedicado às crianças e pessoas com mobilidade reduzida, através do lançamento de dois eventos inovadores: o primeiro AXtrail Kids e AXtrail da Inclusão. Dada a forte componente social destes dois eventos, as inscrições serão gratuitas e obrigatórias. O AXtrail Kids estará vocacionado para crianças dos 6 aos 16 anos, sendo que a prova será dividida em quatro escalões / distâncias, de acordo com as idades. O AXtrail da Inclusão será disputado por equipas compostas por uma pessoa com mobilidade reduzida (que será transportada na joelette) e 2 a 4 acompanhantes (atletas, familiares ou amigos). A joelette é uma cadeira todo-o-terreno mono-roda, que permite a prática do pedestrianismo e o acesso a áreas montanhosas ou com pisos irregulares, a todas as pessoas com mobilidade reduzida. Do ponto de vista desportivo, a joelette permite a qualquer pessoa com deficiência motora, sensorial ou mental participar numa competição desportiva, assumindo o papel principal, e percorrendo trilhos de outra forma inacessíveis.

 

O UTAX 2014 é uma organização da Go Outdoor que completará este ano a 7ª edição do AXtrail®series, e a 3ª edição do UTAX. As inscrições serão já estão abertas!

 

Saiba mais em www.axtrail.com.

 

E tu, qual o teu próximo desafio desportivo? Também vens ao AX Trail?

Conheces a Two Oceans Marathon?

 

 

Por Bo Irik:

 

Conheces a Two Oceans Marathon? Não? Bem me parecia. 



Pelo Facebook oficial desta maratona sul-africana concluí que não tem muitos adeptos portugueses (ainda). Eu própria tomei conhecimento desta prova através blogue, que sigo com muito entusiasmo, de duas corredoras de Amesterdão (http://www.girlslove2run.com/), pois a Francien, de apenas 27 anos, vai aventurar-se na versão ultra desta prova e a Fieke vai fazer a Meia. Ficam aqui os meus votos de boa sorte às duas: Toi toi toi @GIRLSLOVETORUN! ("Toi, toi, toi" é uma forma de os holandeses desejarem força ou boa sorte, por isso já sabes o que gritar ao encontrar-me numa prova ;) 

 

Em relação à prova em si, a Two Oceans Marathon (site oficial aqui) patrocinada pela Old Mutual, tem vindo a consolidar a sua reputação enquanto a maratona mais bela do mundo, desde 1970, quando contou com apenas 26 atletas para enfrentar o desafio desconhecido. Desde então, o conceito tornou-se uma instituição nacional e um favorito entre atletas nacionais e internacionais.

 

Os participantes podem escolher entre uma grande variedade de provas/distâncias - a emblemática ulta-maratona de 56km, a Meia Maratona, 5km ou 2,5km de pura diversão e até provas de Trail (8 ou 18km). Anualmente o evento atrai cerca de 26 000 participantes no total, tendo-se tornado um sinónimo do fim-de-semana de Páscoa na em Cape Town, com atividades para toda a família durante vários dias.

 

A Two Oceans Marathon associa-se, tal como muitos eventos desportivos, a uma boa causa, a Two Oceans Marathon Initiative (TOMI), lançada em 2012, para angariar fundos para determinadas  instituições de caridade relacionadas com a educação, nomeadamente a educação física e ambiental.

 

Segue um vídeo irresistível. South Africa – o teu desafio para 2015? Who knows!

 

O meu primeiro Trail na primeira Crew Road Trip

Por Nuno Malcata:

Depois da estreia na Maratona em Sevilha no passado dia 23 de Fevereiro, agendei a estreia em Trail para o Piodão. Embora já tivesse visitado esta bonita aldeia histórica, o entusiasmo de me estrear nos trilhos desta zona foi enorme. Foi também uma optima oportunidade de fazer uma "Crew Road Trip" e dos elementos do Correr na Cidade se conhecerem ainda melhor e conviver das melhores formas que existem, a correr e à mesa.

 

Neste pouco mais de um mês entre provas, pouco me preparei para a estreia em Trail. Depois da Maratona e das dores no joelho foi necessário parar, descansar, iniciar tratamento e fazer recuperação. Começei a fazer treinos leves e variados, reforço muscular, voltar a nadar, andar de bicicleta e correr apenas uma vez por semana de forma muito ligeira.  Na semana anterior ao Trail e com uns ténis de Trail emprestados por um amigo fiz dois treinos na mata do Jamor, de 30 e 45 minutos que deram o OK para a estreia no trilhos.

 

Iniciamos a "Crew Road Trip" na sexta-feira com jantarada de pizza na Malveira, para acumular hidratos com fartura para o esforço do dia seguinte. Pernoitamos n’A Casa Amarela em Pinheiro de Coja, uma casa de turismo de habituação de um simpatico casal Belga, que tão bem nos receberam.

Arrancamos no sábado bem cedo para o Inatel do Piodão para levantar dorsais e fazer os preparativos para iniciar as respetivas provas. Lá encontramos alguns amigos entre os participantes, o ambiente era fantástico.

 

 

 


Da Crew no Ultra Trail de 50Km participaram o Pedro Luiz, o Tiago Portugal e a Carmo Moser que arrancaram para a sua prova pouco passava das 9h.

 

Para o Trail, de 21Km fomos alertados que a prova teria um pouco mais de distância, cerca de 2Km. A minha expetativa de iniciar a prova era muito grande, sendo a estreia o nervosismo era algum mas o espirito era de me divertir e disfrutar o mais possível, sem qualquer expetativas relativamente a performance ou tempo para fazer a prova. 

Por volta das 09h15m, eu e a Bo Irik, a minha companheira de Crew na prova, entramos na zona de controlo, tendo deixado a minha mulher Joana que iria participar na caminhada de 15Km.

 

Iniciada a prova pouco depois das 09h30m, os primeiros kms foram feitos entre as ruas do Piódão e alguns trilhos muito bonitos e até a mais uma aldeia de Xisto onde se iniciou a primeira grande subida da prova.

 

Entre o km 5 e o km 10 foi sempre a subir a passo, 600m de desnível ultrapassados em óptima conversa com a Bo, apesar de a subida ser longa e dura a conversa fez a subida passar num instante. Chegados ao topo fomos surpreendidos com uma vista fenomenal e trilho para voltar a correr.
 


A Bo, já mais habituada aos trilhos parecia uma gazela à solta e em poucos metros distanciava-se com facilidade.

 

Após 2km em que consegui correr um pouco, à medida que começámos a descer começaram as minhas dificuldades com as descidas. O terreno tinha bastante pedra, começei a ficar trapalhão, caí, fiz pequenas entorses e começei a fazer muita força a travar nas descidas. Por falta de experiencia e medo de descer forçei muito as pernas e ao km 14 começei a ter espasmos musculares e inícios de câibras. Hidratei, comi e fui controlando a descida até ao abastecimento no Km 16, onde a Bo, que desceu com toda a facilidade, me esperava.

 

Após alguma desmoralização na descida, compensada com os locais fantásticos que ia atravessando, a chegada ao abastecimento foi um encher de ânimo brutal. A simpatia da equipa da organização, o bom abastecimento líquido e sólido e a boa disposição de todos fez com que as reservas de energia ficassem em óptimo nível.

 

Fomos alertados que o próximo abastecimento estava no Km 19, mas até lá a subida era grande. E era mesmo! À saída do abastecimento entrámos num trilho ingreme e passinho a passinho fomos subindo os cerca de 500m de desnível até ao marco geodésico onde se encontrava novo abastecimento. Foi uma subida muito dura, com paragem a meio para abastecimento próprio, dado que os espasmos musculares nas pernas continuavam.

 

 

  

No abastecimento do Km 19 nova equipa da organização cheia de boa disposição, que quase nos obrigou a ir embora ao fim de 15m, tão bem que lá estávamos entre boa conversa, fotos e abastecimento.

 

 

No inicio da descida despedi-me da Bo, sabia que iria demorar muito na descida, e ela estava fresca e à vontade a descer. 

 

 

Fiz a descida também a passo, cada vez que tentava correr em locais mais planos as pernas queriam ceder às câibras. A descida custou-me tanto que demorei quase 20m a fazer o Km 20.

 

Terminada a descida, entramos na estrada de alcatrão, e durante algumas centenas de metros forçei o ritmo e as pernas soltaram um pouco, mas a surpresa da prova estava guardada para os 2 kms finais.

 

Na fase final saímos da estrada numa nova entrada em trilho para descer até à aldeia do Piodão, terminando com uma subida final entre a aldeia do Piodão e o Inatel, que acabou com o pouco de reserva de energia que tinha.

 

 

Cheguei à meta exausto, entrei no Inatel, procurei a Joana, que tinha já terminado a sua caminhada, e a Bo e aterrei num sofá. Só dizia “Isto não é para mim”.

 

Tentei alongar, não conseguia. Se tentava alongar um sitio tinha início de câibra em outro. Vi o letreiro das massagens e fui, precisava de ajuda para melhorar do estado caótico em que estava. A massagem foi milagrosa e permitiu voltar a ter um andar minimamente normal. Agradeço à equipa das massagens pelo seu fantástico trabalho.

 

Após a massagem, duche geladinho - único ponto a melhorar numa organização fantástica a todos os niveis- foi hora de repor energia com uma sopinha, uma optima broa de batata e batatinhas com sal, soube tudo pela vida.

 

Enquanto comia começei a pensar no que tinha vivido nas 4h30m de prova. Demorei tanto tempo a fazer os 22Km do Trail como a fazer os 42km da Maratona, custou-me o dobro, sofri muito mais física e mentalmente, embora tenham sido tudo problemas musculares e nem senti sombra da lesão no joelho que me assombrou a Maratona. Mas após tudo isto, dei comigo a pensar, “quero voltar a fazer isto”, “quero aprender a descer melhor”, “quero melhorar, evoluir”. E sobretudo quero voltar a viver o espirito que se vive numa prova assim e passar em sítios quase mágicos como os que passámos durante a prova.

 

Após o descanso e reflexão, eu, a Bo e a Joana fomos receber os nossos Ultras da Crew, partilhamos com eles os últimos metros das suas provas, em momentos fantásticos que nos tornam cada vez mais unidos, foi simplesmente brutal.

 

Com todos os elemento da Crew reunidos, foi tempo de tirar a foto de grupo no pódio, afinal fomos todos vencedores.

 

 

Para terminar um dia tão memorável, regressamos ao Pinheiro de Coja onde nos deliciamos com uma das melhores chanfanas que comi na vida, levada pelo nosso Ultra Pedro Luiz (na foto em baixo com David Cardinho, diretor desportivo do INATEL), numa refeição cheia de partilha de experiencias e momentos de cada um na prova.

 

 

 

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