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Correr na Cidade

Race Report do Estrela Grande Trail 2016: afinal, qual era a desculpa?

 

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 As estrelas do Estrela Grande Trail

 

Nos meus objectivos traçados para este semestre, tinha o EGT como uma das provas mais importantes e para a qual queria estar preparada. Mas confesso que sou uma workaholic: adoro a minha profissão e dedico mais tempo a ela do que a mim. Se isto é positivo? Claro que não! Mas esta prova fez-me repensar no rumo que estou a dar à minha vida e na necessidade que tenho de a mudar, outra vez.


Mas agora é tempo de falar sobre a prova propriamente dita.


Como Manteigas não fica logo ali ao lado para quem mora em Lisboa, decidi que tinha de fazer uma crew trip e aproveitar o facto de ter casa ali na zona. No carro trazia uma bagageira cheia de equipamento para ir correr. No início fez-me um pouco de confusão ter uma lista de equipamento obrigatório tão grande para quem ia correr apenas 26K e nem ia até à Torre mas, no final, fez todo o sentido.


Eu, a Bo e o Bruno Tibério, saímos de Lisboa na sexta-feira ao final da tarde e queríamos chegar o mais rapidamente possível à Aldeia Viçosa (Guarda) para podermos fazer a nossa massa "c'atum" e deitarmo-nos cedo. O dia seguinte ia ser longo, cansativo e tínhamos de estar preparados para a grande aventura. A Bo ia correr 46K, eu os 26K e o Bruno ia ser o nosso apoio e fotógrafo oficial.


Para chegar à zona da partida tinhamos de fazer um trajecto durante cerca de 45 min por uma estrada nacional que ia dando uma noção da dimensão daquela serra. E, acreditem, a paisagem é linda!

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 Aldeia - Viçosa (Guarda) - local de passagem do Rio Mondego


Ao chegarmos à partida, começámos por tentar encontrar a Liliana e o Moura, mas nem sinal deles. Algo se passava, pensei eu. Felizmente não tinha acontecido nada de mal, apenas aqueles pequenos stresses que costumam aparecer à última hora.


Vi a Bo partir sorridente, nervosa mas bem acompanhada pelo José Finuras e por alguns membros da equipa do Montanha Clube Trail Running. E, chegada a minha vez de partir, o nervosismo era mais que muito. O Bruno deu-me um mini curso sobre como utilizar o relógio dele e o que eu podia esperar nos primeiros 5K: subidas e mais subidas. Dei apenas uma vista de olhos pelo gráfico da prova e pensei que não era assim tão difícil. Estava enganada, claro!


À medida que íamos a subir, a paisagem ia ficando cada vez mais bonita. O grupo começava a dispersar e eu, como ia sozinha, pus os meus "phones" nos ouvidos e a música a tocar. Apesar de ter treinado pouco em termos de corrida, nas últimas 3 semanas mudei o plano e comecei a treinar mais as pernas. E o resultado foi muito positivo. Numa dessas subidas meti conversa com a Mónica e o João Batista que serviram de "lebre" e puxaram por mim ao longo da prova.

 

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 A paisagem é fantástica


Na primeira fonte que encontrei, decidi abastecer-me de água e estava a achar estranho como é que tinha bebido tanta água num curto trajecto. Mas depois apercebi-me que já tinha subido mais de 5K e estava muito calor (pelo menos para mim). Claro que a falta de treino também aumenta esta sensação. Ao chegar ao primeiro abastecimento, olhei em volta e vi a bela laranja a olhar para mim e atirei-me a ela como se fosse o Zach Miller no MIUT. Para quem gosta de comer devagar, este é um desafio engraçado. Arranquei do abastecimento com o João e a Mónica, mas tivemos de a deixar para trás por causa duma indisposição. Não gosto de fazer isso, mas sabia que ela não estava sozinha.

 

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A vista para o Vale do Rossim


Ao longo dos 5K seguintes, as subidas continuavam e o João continuava a puxar por mim. Numa dessas subidas surgem mais 2 personagens nesta história: a Oriana e a Raquel. E, o mais engraçado, é que a Oriana é do Porto e uma grande fã do nosso blogue. Senti-me ainda mais orgulhosa pela camisola que trazia vestida e por correr ao lado de quem conhece as nossas histórias.


Na zona do Vale Glaciar surge uma pedra fantástica e que eu já tinha visto em vídeos de provas anteriores: uma pedra em que temos de passar no meio dela, nuns degraus improvisados e meio a pique. À entrada, um moço simpático da organização, deu-nos a dica que faltavam cerca de 9K e para termos algum cuidado, pois a descida tinha muitas pedras pequenas e escorregadias. E eu que pensava que ia ser uma descida fácil...

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Fotos do Zé - Uma foto 5 estrelas onde dá para ver que, apesar da dificuldade, estava com um ar bem divertido.


Depois de deixarmos a pedra e tirarmos algumas fotos muito rápidas, decidimos começar a correr "a trote" (como dizia o João) e lá fomos a descer a serra até ao último abastecimento. De acordo com o que disse a Mónica, tínhamos de nos preparar para um estradão de cerca de 3K até à meta. Dito assim parece fácil, mas depois de 23K...ter forças para "disparar" não é assim tão simples. Algures depois do abastecimento, eu e o João separámo-nos das meninas e decidimos correr mais até à meta. Pelo caminho fizemos contas para ver quanto tempo de prova íamos fazer e esbocei um enorme sorriso ao perceber que ia chegar antes das 5h30 de prova como tinha previsto. Mandei uma sms ao Bruno para pôr a máquina fotográfica à mão, pois só faltavam 3K...que parecia que nunca mais acabavam.

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Eu e o meu companheiro desta aventura

 
Na chegada ainda deu para passarmos 2 raparigas que se enganaram no caminho e consegui ter forças para passar a meta a correr depois de uma subida que parecia que nunca mais acabava. E a chegada à meta é sempre aquele momento "tcharan" em que dizemos "tá feita"! E saber que temos uma cara conhecida à nossa espera é bem motivador.


Em relação à prova e no que toca a pontos positivos destaco a simpatia e disponibilidade da organização (voluntários incluídos), sempre com um grande sorriso e piadas engraçadas, quer ao longo da prova quer na meta. Acho que o facto de existirem apenas 2 abastecimentos podem ter dificultado a vida a algumas pessoas, mas acredito que isto não tenha sido o mais complicado de gerir. Outro ponto positivo foi o sistema de marcação: para mim foi a melhor prova até agora, onde havia uma marcação a cada 20m no máximo. Ah, e adorei a ideia dos puff's que estavam ao pé da meta e que me proporcioanaram um momento de relaxamento maravilhoso.


No que toca aos pontos negativos acho que, devido à previsão do estado do tempo, deviam ter arranjado um spot coberto junto à meta para quem estava à espera dos atletas (eu usei o material que era obrigatório e que me protegeu do frio enquanto esperava pela Bo e pela Liliana). Mas não considero isto um ponto tão negativo.

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A chegada à meta...finalmente a sorrir :)


Em relação aos agradecimentos, que dizer um grande obrigado a toda a crew do Correr na Cidade que, duma forma ou de outra, me ajudou a superar o meu objectivo; ao staff do Clube VII com quem trabalho diariamente e me tem ajudado a melhorar a minha performance desportiva; à Bo IriK que me contagia com a sua energia logo pela manhã e transformou esta viagem numa grande aventura e ao Bruno que passou a ser o meu coach favorito e que me vai transformar numa melhor corredora...mal posso esperar pela próxima prova. E, desta vez, sem desculpas! Prometo!

"V" de MM dos Descobrimentos

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 Por Liliana Moreira:

 

… e de Vingança! Foi mesmo em modo “venho aqui para a desforra” que me inscrevi nesta prova já que no ano passado não fui feliz, sobretudo devido ao frio e à minha incapacidade de gerir a corrida nessas condições.

Curiosamente achei a temperatura mais baixa nesta edição, mas a experiência ganha-se e isso também se fez sentir. Descobri a minutos da primeira partida do dia que tinha feito "borrada" com a minha inscrição. Mesmo com o email de confirmação da inscrição na caixa de correio desde Setembro não me apercebi que ao invés dos 21k tinha-me inscrito nos 10k…mas quem é que comete erros destes?! Eu! A despassarada de serviço. Mentalizei-me que não era desta que me vingava da Meia dos Descobrimentos e que iria fazer encarar os 10k como uma oportunidade de treino rápido (pelo menos para mim!), seguindo a sequência do que tenho insistido nos últimos tempos.

 

A minutos da partida a Bo, que tinha planeado acompanhar-me durante a prova para puxar por mim, decide que devido ao que tenho dedicado à corrida e face à sua condição de saúde actual que faria mais sentido trocarmos de dorsais… assim foi, sem antes de ela me dar o aviso prévio que tinha de honrar o seu dorsal e correr mais rápido... uma coisa era certa, eu ia tentar porque afinal de contas era esse o meu objectivo. Era ela que fazia anos nesse dia e mas quem recebeu a prenda fui eu!

Assim os três estarolas dos 10k , a Ana, Bo e o Malcata, alinharam na partida, enquanto eu, a Sara (que também queria a desforra dos 21k), João e o Luís ficámos de fora a apreciar a quantidade avultada de atletas que esta prova também angariou. Dada a partida o Luís foi aquecer e já só o voltei a ver no fim… é deixa-lo seguir o seu mojo de aquecimento e colocação estratégica no pelotão que eu vou à minha vidinha!! E como João era o repórter do dia, e após uma tentativa frustrada de ir ao WC, em que me apercebi que face à dimensão da fila iria ser impossível libertar a tempo a bexiga, segui com a Sara para o aquecimento mais que obrigatório para uma manhã tão nublada e fria.

Alinhamos na nossa partida no meio de um calorzinho humano e ao fim de 2 minutos de ter sido dado o apito, do qual nem nos apercebemos, lá passamos o pórtico. Os 2 primeiros km’s para mim servem logo para separar os homens dos meninos… em que a voltinha espectáculo inclui uma subidinha simpática para contornar o Mosteiros dos Jerónimos mas com o retorno a descer até Algés até por fim passarmos novamente junto à meta. Infelizmente no início dessa subida a praça estava em obras o que congestionou a passagem dos atletas… acho que foi a primeira vez que passei por esta situação que não fosse em trail! Pior que isso foi estarem alguns separadores de plástico no meio do caminho em que uma atleta chegou mesmo a tropeçar. Felizmente não se magoou e lá seguimos caminho.

A Sara com o objectivo de retirar melhores sensações nesta distância conseguiu manter um ritmo calmo, o meu, até ao km 5. Depois de aquecer dei-lhe carta branca para seguir à vontade! Estou mais que habituada a correr sozinha e se há coisa que me aflige é ter pessoas ao meu lado em que sinto que estou a empatar. Estrategicamente foi bom para ela aquecer a sério e para mim marcar o ritmo base que queria imprimir ao longo da prova.

A partir dai lembro-me de pouco a não ser repetir para mim mesma “2:15” “2:15” “2:15”... sim, era o tempo que eu queria fazer! E não, não é nada de especial… mas era o meu objectivo! Até aos 10k a coisa correu muito bem… sem música e pouca ou nenhuma distracção ao longo do percurso a coisa foi-se gerindo… dos km 10 até ao 15 quase morri de tédio… passamos por zonas muito mortas, sem qualquer estimulo ou público, exceptuando a zona da 24 de Julho com o pessoal que ainda está a sair das discotecas com um copito a mais ou os turistas na zona da Praça do Comércio que param para apoiar. É um ponto que tenho nitidamente de melhorar: treino mental para gerir melhor estas situações.

Pelo caminho os abastecimentos foram perfeitos, incluindo zonas de água a cada 5km e 2 zonas com gel energético ou cubos de marmelada. Desta vez até fiz algo que não costumo fazer, acreditar cegamente nos abastecimentos da organização e acabei por não levar rigorosamente nada comigo. Face a situações passadas de falta de abastecimento por fazer pertencer ao ultimo terço do pelotão, criei o hábito de não ir para prova de “mãos a abanar”. Mas desta confiei e não tenho nada a apontar de negativo, bem pelo contrário, porque não só não me faltou nada como todos os voluntários com que me cruzei foram super prestáveis!

Estava eu a caminhar pela primeira vez enquanto comia uma marmelada quando junto à placa dos 15km vislumbro a Bo. “Mas que raio faz ela aqui?!” Pois bem, vinha cumprir o que tínhamos combinado previamente… depois de puxar pela Ana o que a levou a bater um PBT pessoal aos 10k, voltou para trás para me apanhar. Não há dúvida que esta miúda é uma força da natureza!!! Por esta altura já tinha as pernas a “berrar” comigo... a verdade é que treinos acima dos 10k têm sido escassos, pois tenho estado focada em criar ritmo, e apenas por desencargo de consciência, tinha feito um treino de 16km do Parque das Nações até Belém 15 dias antes, num ritmo muito mais baixo do que o que estava a imprimir na prova. Portanto entre o cubo da marmelada e a alegria da Bo lá consegui arranjar energia para me manter numa postura digna mas forçada até ao final da prova. Deixei de repetir o mantra dos “2:15” e passei para “2:20” “2:20” “2:20”

 

 

O últimos 6 km’s de prova foram feitos a custo, sobretudo devido às dores musculares, mas ao contrário do que até então era normal, com bastante à vontade em termos cardio respiratórios. Os treinos e a natação estão finalmente a dar os primeiros frutos primaveris! O sol deu o ar de sua graça e já perto da meta recebi o boost final com o incentivos dos amigos que estavam à minha espera. Tentei acelerar um pouco mas parecia que tinha troncos ao invés de pernas. Passei a meta de mão dada com a Bo, feliz por a ter ali ao meu lado pois a sua companhia no último troço foi fulcral para converter o mantra idealizado num valor real de 2h23m de prova... para quem se questiona sobre a estampa nas costas da nossa t-shirt, é isto que designamos de #crewlove.

 

Apesar de não ter sido a prestação que desejava fui finalmente feliz na Meia dos Descobrimentos e hoje não já não sinto “medo” de lá voltar!

Race Report: VII Trilhos dos Casaínhos

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Por Ana Sofia Guerra:

 

Não sabia se havia de chamar este post de "Race Report" ou "O regresso após o regresso" ou ainda  "Continuação do regresso"...o que é certo é que esta prova marca o meu regresso à competição em trail. Nas últimas semanas estive lesionada no pé direito devido a um entorce e uma infecção num dedo. Mas a vontade de participar nesta prova era mais do que muita. Contrariamente aos conselhos dos especialistas, decidi arriscar, pois sentia-me bem melhor.

 

Eu sabia que este ano a prova iria ser diferente, principalmente com mais uma subida grande e algo difícil. Mas o convívio e a diversão era uma garantia, e eu gosto disso.

 

À chegada ao campo do Sporting Clube de Casaínhos apressei-me a levantar os dorsais da minha crew para que tudo estivesse pronto a tempo e a horas, sem confusões. Ainda deu tempo para cumprimentar os Multirunner's que me acompanharam no ano passado ao longo de toda a prova. Já tinha saudades de estar com aquela malta sempre tão divertida e a gritar "'Tá quase, Ana" ainda na partida.

 

Cumprimentos dados, fotos tiradas e metemos "pés ao caminho". Ao contrário do ano passado que chovia intensamente, estava um estranho calor de Novembro (cerca de 26ºC). Logo ao início deixei de ver os meus companheiros Natália Costa e Tiago Portugal, mas eu não pensava sequer em tentar acompanhá-los. Tinha de poupar alguma energia para mais tarde e eu ainda não estava a 100%.

 

Cerca de 3K feitos e vejo uma senhora com dificuldades em continuar a prova, mas já estava a receber algum apoio. Apoio esse que deve ter sido milagroso, pois a senhora chegou à meta antes de nós. À medida que corríamos, o calor fazia-se sentir cada vez mais. 

 

Ao 8k vejo algo que me é familiar: a grande subida. No ano passado, aquela subida tinha dado muita luta. E este ano não foi diferente. Havia lama daquela bem escorregadia e tive de pôr as mãos no chão para subir em algumas zonas.

Quando cheguei ao cimo e olhei para trás, não podia deixar passar a oportunidade de tirar uma selfie. 1º Desafio superado!

IMG_2275.JPGA nossa selfie depois da grande subida

 

Mas ainda faltava a cereja no topo do bolo: a outra subida. E foi uma surpresa quando vi que a outra subida também tinha alguma lama e eu já sentia as pernas mais cansadas. Afinal de contas, ainda estava a recuperar e não estava preparada para aquilo. Confesso que cheguei ao cimo com o "coração na boca", mas feliz por ter superado outro desafio. 

 

A cerca de 2k da meta vejo o João Pereira que não só já tinha terminado a prova, como foi buscar a colega Helena que vinha mais atrás. Isto sim é o espírito do trail! E a 1K da prova vejo o resto desse grupo que também estava à espera dela e a tirar fotos a quem passava. Este apoio é muito importante e quem o tem sabe o que é.

 

A chegada à meta foi o momento UAU do dia. A sensação de passar uma meta mexe muito comigo, não por causa das medalhas, nem para fazer melhores tempos ou ficar à frente de alguém, mas por me superar a mim mesma.

 

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 A superação!

 

Em relação à prova, acho que a escolha do percurso para este ano foi muito boa. Bons trilhos, boas subidas, elementos da organização sempre simpáticos e muitos abastecimentos de água. Mas...e o abastecimento de sólidos? O abastecimento de sólidos foi insuficiente para todos os participantes e, no meu caso, tive direito a apenas meia clementina dada por um membro da organização a cerca de 2K da meta. Eu sei que devemos ser quase autosuficientes, mas sabia bem uma laranja fresca algures depois da primeira subida. Um ponto a melhorar para o próximo ano.

 

Não podia terminar este post sem agradecer ao Nuno Milheiro, o meu companheiro de aventuras, um exemplo de superação e de alguma paciência para me aturar o caminho todo. E que venham mais aventuras juntos! 

 

GTA: “O” dia que afinal não foi “O” dia e o final feliz

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Na meta do terceiro dia. Felizes embora não tenha sido "O" dia. Foto: João Borges

Por Bo Irik:

 

Ontem falei-vos das primeiras duas etapas do Gerês Trail Adventure, uma prova de trail de quatro etapas que decorreu no passado fim-de-semana na Serra do Gerês. Enquanto continuo com um sorriso na cara de tanta satisfação que esta prova me deu e os pés ao alto por ter os tornozelos inchados e doridos, tentarei transcrever a minha vivência das duas últimas etapas da prova.

 

Já com 50km e 3000D+ nas pernas (e na cabeça) das duas etapas anteriores, nunca pensei que as duas últimas iriam correr “tão” bem. É claro que o “tão” é relativo, pois, a nossa classificação final não é famosa e nem conseguimos passar a barreira horária das 7 horas aos 30km da terceira etapa. No entanto, o que interessa é que EU acho que estivemos muito bem. Muito acima daquilo que sonhara que o meu corpo aguentaria. De facto, é incrível, e continuo pasmada com “poder” do nosso corpo quando realmente queremos. O Gerês mostrou-me que sou muito, mas muito, mais forte daquilo que alguma vez julgava e que em equipa e com vontade somos capazes de puxar os nossos limites mais e mais e mais.

 

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 “O” dia que afinal não foi “O” dia foi terminado em GRANDE. 

 

Stage 3 – sábado dia 2 de maio – 7h00 – 35km – 2200D+

 

Percurso / organização: Enquanto o site do evento anunciava 60km para esta etapa, no dia, ouvia-se falar em 65km, que afinal, devido às condições climatéricas adversas, foram reduzidos a 50km, que, por sua vez, no nosso caso, se reduziram a 35km. Num terceiro dia chuvoso, a Elisa Canário juntou-se à nossa equipa. Foram então oito pernas que estavam decididas a cruzar o corte aos 30km dentro do prazo de 7 horas para poder completar a prova toda e não ter que desviar e fazer “apenas” 35. Sete horas para 30km seria extremamente acessível, esquecendo que estaríamos no Gerês, abaixo de chuva intensa e já com algum cansaço dos dias anteriores. Mesmo não esquecendo esses desafios, acreditava sinceramente que iríamos conseguir. E acreditei, e a Elisa também, até chegarmos de facto ao abastecimento e o sonho desaparecer com um excesso de 20 minutos sobre as 7 horas permitidas.

 

Voltando ao percurso: nos primeiros 5km subimos 500m, algo que adoro (NOT!), principalmente às 7h da manhã (altimetria no meu Strava). Mas depois de uma subida destas apanhamos uns single tracks muito giros a descer. Abastecimentos bons com sopinha para aquecer. Depois desta descida maravilhosa de cerca de 5km, assustei-me, pois estávamos a descer muito. Descemos tanto que chegamos à fronteira de Braga com Vila Real (250m de altitude), sendo que a partir daí foi uma subida quase sem fim, de 9km, até atingirmos quase 2000m de altitude. Foram 9km muito duros (ilustrados na primeira foto do post anterior): muita pedra, poucos caminhos existentes. Era uma questão de seguir as fitas, sempre a subir e criar o nosso caminho.

 

No ponto mais alto, foi engraçado porque, embora ainda estivéssemos a cerca de 10km da fronteira com Espanha, o meu telemóvel já dava a mensagens de “Boa viagem”, que agradeci de bom grado, pois, a viagem ainda era longa :) Faltavam 10km até ao corte, nem queria olhar para o relógio, apenas queria correr. Fomos premiados com uma descida muito técnica e íngreme. Quem diz descida, diz espécie de cascata. No abastecimento depois desta descida praticamente não parámos (a Elisa e eu) porque depois viria uma valente subida e os rapazes logo nos apanhariam. Subimos um km e descemos cinco. Descemos pois, mas mais uma vez, um percurso sem caminho, só a seguir as fitas, muita pedra, muita água. Chegamos ao corte dos 30km e aí apercebemo-nos que de facto, afinal, aquele dia não foi “O” dia. Com um desvio direto para a aldeia do Gerês, uma descida muito bonita que terá sido deliciosa se tivesse tido pernas para corrê-la, terminámos esta etapa com cerca de 35km.

 

Desempenho: Gostei muito do facto de a Elisa se ter juntado à nossa equipa. Sabia que temos ritmos relativamente idênticos. Pode parecer estúpido, mas na equipa, com o Nuno e o Tiago, a Elisa seria o segundo elemento menos forte, juntamente comigo, o que, de certa forma, me deu força e motivação. Nem sei explicar bem, mas o que interessa é que fiquei muito feliz e motivada e estava confiante de que a nossa equipa, a oito pernas, iria conseguir passar a barreira da sete horas sem problemas. Essa confiança teve altos e baixos ao longo dos 30km, mas confesso que acreditei até ao último minuto e evitei olhar para o relógio e simplesmente dar o meu melhor ao longo dos kms.

 

A confiança teve logo um declínio na subida inicial. Foi dura, havia muita humidade, e o facto de a Elisa ter ficado ligeiramente para trás também não ajudou. As meninas estavam claramente com problemas de arranque enquanto os meninos subiram bem. Felizmente a descida já correu melhor às meninas também e a equipa foi coesa até ao km 10 que fizemos dentro das 2 horas. Tudo controlado.

 

A grande subida depois, embora as paisagens nos fascinavam e davam energia e um dos meus sonhos – o de ver cavalos selvagens – se concretizou, foi uma experiência intensa e longa. Foi algo esquisito. Cada um foi um pouco “na sua”, se bem que o Tiago de vez em quando vinha para trás para nos “empurrar”. Foram horas de introspeção. Falamos relativamente pouco. Consegui gerir bem a alimentação e lembrava-me da dica do João Campos – “enfoca-te” – e entrava num tipo de transe. Caminhava rápido, a olhar para o chão, sem pensar. Quando chegamos ao cimo da montanha, a pressão já era muita e descemos a voar. A Elisa e eu em frente e nem gastámos tempo no abastecimento, pois, continuávamos a acreditar que iriamos conseguir (a Liliana e o Luís estavam nesse abastecimento e até levei mais dois geles, que iria precisar para os 60km). Entretanto, o Tiago e o Nuno, muito mais racionais que nós (escrevo pela Elisa também mas nem sei se ela concorda hihi), já tinham cedido à ideia de não conseguirmos cumprir a barreira horária.

 

Convencemos os rapazes, pois poderia haver uma tolerância ou a barreira poderia ter sido antecipada, sei lá e corremos onde pudemos, saltamos pedras, poças, lama, ultrapassamos, caímos e lutámos até ao estúpido abastecimento onde o sonho de fazer o GTA na sua totalidade desapareceu. Foram 20minutos. Sim, foi por 20 minutos que não fizemos os 50km, mas sim fomos desviados para chegar à Vila em cerca de 5km.

 

Foi uma desilusão. Foi. Mas posso dizer que dei tudo, que lutei até ao fim, e que me senti forte, independentemente do resultado, pelo que nem fiquei muito triste. No dia seguinte haveria mais e para o ano hei-de conseguir. Penso que toda a equipa partilhou este sentimento. Mesmo assim, a descida até a Vila foi desmotivante. Já não nos apetecia correr e começou a doer tudo. Mais perto da meta e com alguma animação dos rapazes, os sorrisos voltaram e cruzámos a meta de mãos dadas, sem ter atingido o nosso objetivo mas de alma cheia e orgulhosos daquilo que conseguimos fazer.

 

Alimentação: Pre-Workout da Gold Nutrition, 1 gel Biotech, 1 gel Gold Nutrition, 1 barra de frutas da Aptonia, sopa, batatas fritas (muitas!), cajus, água, isotónico, Fast Recovery da Gold Nutrition e massa na Pasta Party.

 

Calçado / materialCalçado / material: Merrell AllOut Peak e mochila Raidlight Olmo pequena. Mais uma vez, não larguei os bastões.

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 "Sobe!!! Não pára!!!"

 

Stage 4 – domingo dia 3 de maio – 16km – 1100D+

 

Percurso / organização: Para fechar a prova em grande, foram 16km, basicamente com três “picos” em termos de altimetria. Quase 400D+ em 4km para aquecer, ao longo e cruzando a Nacional 308-1 em single tracks simpáticos. Descida até ao km 6 e entre o km 6 e 8 uma subida e descida ao longo de cascatas e paisagens com uma flora muito diversificada e caminhos muito giros. Do km 8, onde apanhamos o abastecimento, ao 10, prometeram-nos a última subida da prova, feita em single track e depois estradão. A partir do km 10, um planalto e depois descida mega técnica com pedra, lama e whatever, até a última meta, a meta da última etapa, no nosso caso, a meta dos 100km  em quatro dias. Foi um percurso, a meu ver, muito bem conseguido para fechar o programa de festas. Embora não parasse de chover, deu para apreciar as paisagens, os cheiros, a paz da Serra.

 

Desempenho: Quem dira que depois de 85km em três dias, estaria na partida com tanta pica, sem dores musculares, apenas nos tornozelos (sobrecarga, dizem :p ). A pica rapidamente desapareceu quando começamos a subir em alcatrão mas lá consegui manter a cabeça erguida e o sorriso voltou assim que apanhamos terra nas solas dos sapatos. Subidas muito íngremes onde os bastões foram, para mim, indispensáveis. Normalmente, tenho imensa dificuldade neste tipo de subidas e tenho a mania de parar para recuperar o fôlego, mas tenho vindo a aprender a não parar e sim, a abrandar para recuperar, ou então, simplesmente insistir até lá em cima : ) Assim foi. Pareciam degraus entre raízes e pedras, gostei. A segunda descida soube muita bem e o Chefe Malcata foi a abrir caminho pela montanha abaixo. Ignoramos as dores, corremos e ultrapassamos. Enfiamos umas batatas fritas na boca no abastecimento para enfrentar a última subida, a última das últimas. Custou-me horrores. A paisagem era bonita. Apreciei o silêncio da Serra (andei os dias todos com phones na mochila, mas nunca cheguei a “precisar”). Mas estava cansada. Não queria subir mais. Os rapazes foram se afastando de mim e a desmotivação foi me invadindo. De repente vejo o Tiago sentado no chão. Sim, sentado, a gozar comigo com a GoPro na mão, e recuperei alguma motivação. A partir daí o Tiago não me largou mais e puxou muito por mim. “Dá tudo”. “Estamos quase”. “É agora ou nunca”. Queria e tentei mas a subida deu cabo de mim. Não conseguia respirar devidamente. Começou-me a doer a cabeça. Aí o Tiago “deixou-me” parar um pouco, beber, respirar com calma. Recuperei.

 

Quando chegamos lá em cima, a festa começou. Basicamente uma força invadiu-nos, aos três, e arrancamos a fugir como se não houvesse amanhã. Deixámos as dores lá em cima e voamos Serra abaixo em direção à Vila. Fomos a um ritmos de 8 a 9 min / km mas no momento parecíamos super heróis. Foi ótimo ouvir o Tiago dizer que estava orgulhoso de nós, de mim e do Malcata, por termos “perdido o medo”. Segundo ele, estávamos a correr sem pensar. Just go. E é assim que se deve correr. Soube tão bem!

 

Quando chegamos ao alcatrão, ia em frente, com dores nas canelas, e nem conseguia parar de correr com medo de depois não conseguir arrancar novamente. Abrandei, os meninos apanharam-me e, pelo quarto dia consecutivo, cruzámos a meta de mãos dadas e sorriso na cara (um pouco coxa e com algumas expressões que poderiam transparecer dor, mas orgulhosa e satisfeita)!

 

Alimentação: Pre-Workout da Gold Nutrition, 1 gel Biotech, batatas fritas (muitas!), água, isotónico, Fast Recovery da Gold Nutrition e uma bela bifana e sopa e cervejaaaa na Festa Final da prova.

 

Calçado / materialCalçado / material: Merrell AllOut Peak e mochila Raidlight Olmo pequena. Mais uma vez, não larguei os bastões.

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Uma das muitas excelentes fotos de Peh Siong San

 

Ufaaaa. Consegui. Terminei. Tenho muitas mais coisas que gostaria de partilhar convosco. Tenho muita gente que gostaria de agradecer. Mas fico por aqui.

 

Hoje, 5ª feira, após uma massagem desportiva na 2ª feira, não tenho dores musculares e ontem já me apetecia correr, mas vou ouvir o corpo e descansar um pouco mais porque continuo com alguma dor e inchaço nos tornozelos. Há-de passar rápido.

 

Em relação ao GTA15, amanhã ainda partilharemos umas considerações gerais da prova e claro, o nosso vídeo, está quase a sair do forno.

 

Para já posso dizer que já marquei as datas do GTA16 na agenda. Será uma prova prioritária perante todas as outras. É a mais desafiante, a mais dura, a mais bela, a mais unida e a com mais amizade. É a melhor.

 

Obrigada.

Bo

Quatro dias e 100km de superação em equipa

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 Uma das imagens que melhor ilustra a dureza desta prova: para além do percurso em si, as condições climatéricas.

 

Por Bo Irik:

 

Tal como muitos de vocês já devem ter reparado, o Nuno Malcata, Tiago Portugal e eu, participamos no Gerês Trail Adventure, no passado fim de semana (prolongado), em equipa. Ainda estou a digerir a aventura, sim, aventura. De facto, o “Adventure” do nome desta prova faz jus à dureza da mesma, algo que vim a adorar. Para já, segue um resumo de cada uma das quatro etapas, na minha vivência, em termos de percurso / organização, desempenho meu, alimentação e calçado / material.

 

Quatro dias de prova seguidos e com as distâncias e D+ em causa pareciam-me algo impossível. Quando é que o corpo recuperaria? Tinha a certeza que no último dia faria a prova toda a caminhar… mas puxei o limite do meu corpo e posso dizer que os últimos kms da última etapa foram feitos a correr e foram dos melhores e mais inesquecíveis da minha vida.

 

É uma tarefa muito desafiante transcever estes dias intensos em palavras. Felizmente, as imagens ajudam. Para hoje seguem as primeiras duas etapas e amanhã as duas últimas e condiderações finais da minha parte.

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 Os vários elementos do CnC que participaram no GTA'15

 

Stage 1 – 5ª feira dia 30 de abril – 21h00 – 15km -1000D+

 

Percurso / organização: esta etapa, noturna, foi a mais rolante. Com uma altimetria relativamente simpática, ao km 7 encontrámos vários lances de escadas, desde a barragem do Rio Cávado até ao cume da colina a Oeste da Vila do Gerês, com um total de 2000 degraus, segundo quem sabe, o Quim Sampaio. A prova tinha apenas um abastecimento, o qual decidimos saltar, pois estávamos com um bom ritmo. Paisagens muito giras à volta da barragem, com uma passagem por água que originou um breve engarrafamento - ótimo para conhecer alguns dos nossos co-aventureiros. Na minha opinião, esta etapa tinha muito alcatrão, mas confesso que foi bom para “aquecer” para a dureza que nos esperava nas etapas seguintes.

 

Desempenho: Início rolante graças ao percurso simpático, primeiro por zonas habitadas e depois ao longo da barragem. Sentia-me bem e propus nem parar no abastecimento. Comi e hidratei antes da grande subida, mas esta custou-me de facto muito. Duas mil escadinhas seguidas são muuuuuitas e posso dizer que esta subida para mim foi a mais dura da prova toda. Vá lá que a meio deste inferno se encontravam alguns elementos do Grupo Folclórico local para animar o pessoal numa noite com chuva non-stop. Segundo o Strava, em 2 km, subimos mais de 400m, o que vim a sentir nos gémeos e nádegas nos dias seguintes :p Mas o que sobre também desce e a descida de volta à Vila soube que nem ginjas. Sempre a abrir, na companhia, por vezes só do Tiago e Nuno, e a luz dos nossos três frontais. Adorei.

 

Alimentação: Massa ao almoço, bifanas ao lanche, 1 gel Biotech, água, Fast Recovery da Gold Nutrition e massa na Pasta Party.

 

Calçado / material: Merrell AllOut Peak e mochila Raidlight Olmo pequena. Não larguei os bastões e foi a única etapa onde usei o corta-vento.

 

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 A passagem mais difícil pelo Rio Cávado onde a entreajuda entre participantes e voluntários é bem visível. O senhor ao meu lado é o Presidente de Cabril. Muito agradecida.

 

Stage 2 – 6ª feira dia 1 de maio – 10h30 – 38km – 2000D+

 

Percurso / organização: logisticamente esta prova foi mais chata, pois não começou na Vila do Gerês, pelo que a organização disponibilizou autocarros. A vantagem e podermos explorar outras partes da Serra, a desvantagem – ter que levantar mais cedo. Partimos de uma aldeia muito linda, Xertelo, ao longo de uma encosta com vistas deslumbrantes e passagem por várias cascatas. Se, por um lado, não me importei com alguns engarrafamentos nesta parte da prova porque permitia desfrutar melhor da vista, por outro lado, o nevoeiro e chuva sem parar bloqueavam a vista. Adorei a descida muito técnica com muita pedra, daquelas cinzentas grandes típicas do Gerês, até ao Rio Cávado. A passagem do Rio, como podem ver na foto, foi uma verdadeira aventura. Água até ao peito e impossível de passar sem a ajuda dos nossos co-aventureiros. Quando nós chegamos ao Rio, tínhamos uma ajuda muito especial. Para além do Mauro Gonçalves, estava lá o Presidente do Cabril, Monte Alegre, que nos ajudou na passagem do Rio, e um km depois nos recebeu na sua aldeia com o melhor abastecimento de sempre: pessoas muito queridas que nos ofereceram, para além do habitual abastecimento, croissants e pão acabadinhos de sair do forno, chouriça, presunto cortado no momento, sopa e até chanfana! Foi sem dúvida um dos momentos altos da prova. De resto, o percurso teve uma subida relativamente longa mas que fiz bem, a aprender com as dicas do mestre Quim Sampaio, e uma descida até a Vila, onde já sentia algumas dores, mas que a natureza envolvente fez desaparecer (quase).

 

Desempenho: Senti-me muito à vontade na primeira parte mais técnica, com muita pedra e água. Descobri que adoro a vertente “aventura” do trail. Em termos de esforço, ia já a pensar nos 60km do dia seguinte, pelo que fui com alguma calma, mas não demasiada, com a pressão e motivação do Tiago e Nuno. A descida final foi dolorosa e queria muito voltar a repeti-la sem dores. Foi, para mim, a etapa mais bonita, e mais… o percurso mais bonito que alguma vez fiz, embora tivesse chovido sem parar.

 

Alimentação: Pre-Workout da Gold Nutrition (realmente é uma excelente invenção para pessoas como eu que têm problemas de "arranque" de manhã....), 1 gel Biotech, 1 gel Gold Nutrition, 1 barra de frutas da Aptonia, sopa, batatas fritas (muitas!), água, isotónico, Fast Recovery da Gold Nutrition e massa na Pasta Party.

 

Calçado / material: Merrell AllOut Rush e mochila Raidlight Olmo grande. Mais uma vez, não dispensei os bastões.

 

Amanhã há mais... Entretanto continuo com um sorriso contínuo na cara que nem deixa transparecer a dor nos tornozelos... :)

Sevilha e um fim-de-semana com direito a tudo

 

 

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Por: Tiago Portugal

Família, amigos, muita diversão, viagem, cultura, comida e bebida com fartura (talvez mais do que o desejável) e para terminar uma maratona. Posso resumir nestas palavras este fim-de-semana alargado, meti férias na sexta-feira, e não podia pedir mais. Simplesmente fantástico, do primeiro ao último minuto. Conciliei pela primeira vez férias familiares com eventos desportivos e fiquei fã, com o bónus de ter tido um apoio especial ao longo da prova.

 

Mas voltando um pouco atrás, porquê correr uma maratona e qual a razão de ter escolhido Sevilha? Fácil de explicar. Todos os anos dia 1 de janeiro escrevo alguns objetivos que espero alcançar nesses 365 dias, sendo que para alguns estabeleço prazos mais alargados. Em 2013, escrevi que antes dos 35 anos teria que concluir uma maratona, não importasse qual. O tempo foi passando e a maratona foi ficando em banho-maria. Em setembro do ano passado enquanto limpava a carteira encontrei por acaso o papel que escrevi no dia 1 de janeiro de 2013. Reli e vi que tinha alcançado quase tudo a que me propûs. Correr uma maratona estava entre os objetivos por realizar e com o prazo a acabar as alternativas começavam a escassear. Uma conversa rápida com o Nuno Malcata e decidi que Sevilha 2015 seria a melhor hipótese e a última, pois 2 dias depois  da prova o prazo estabelecido expirava. Ficou logo decidido, seria em Sevilha a minha estreia na maratona, ainda para mais com membros da crew do CnC a acompanhar-me nesta aventura.

IMG_0684.JPGUm mês depois da inscrição, num jantar de família o assunto maratona foi naturalmente discutido e o meu cunhado, ainda virgem nesta distância, inscreveu-se também ele na maratona de Sevilha. Foi o passo que faltava para que a maratona se transformasse numas miniférias familiares e aproveitar para irmos, todos, passear até Sevilha.  

 

O fato de ter ido com a família e com amigos fez com que não pensasse tanto nos 42km da maratona e permitiu-me estar menos ansioso. Tirando sexta à tarde e sábado à noite mal pensei na tarefa hercúlea a que me tinha proposto, a falta de treino também me estava a assustar. Devia ter treinado muito mais? Sem dúvida que sim, no mínimo uns 2 treinos longos em estrada.

IMG_0587.JPGChegados a sevilha e já instalados decidimos ir diretamente à Expo levantar os dorsais e passear pelos expositores. Foi uma boa decisão pois estava pouca gente, conseguimos levantar o Kit do atleta bastante depressa e ainda deu para passear, ver e comprar alguns produtos que dificilmente se encontram em Portugal (Injinji, X-Socks, modelos da Scott e da INOV-8). Sendo a New Balance o patrocinador oficial da prova estava muito bem representada na feira, com a nova coleção toda exposta sendo que a edição especial do modelo Fresh Foam Zante maratona de sevilha era o maior destaque.

 

Depois da feira foi altura de aproveitar e ir beber umas cañas e comer tapas. Sábado foi dia de conhecer a fantástica cidade, aproveitámos o dia maravilhoso e passeamos pela cidade. Ao fim da tarde encontrei-me com o resto do grupo do CnC e amigos que tinham chegado nesse dia. Pusemos a conversa em dia, combinámos o encontro no dia seguinte e já com os nervos a aparecer fomos para casa jantar. Seguindo os conselhos da Ana Sofia Guerra preparámos uma massa com atum.

 

Após uma noite mal dormida às 7h00 estávamos, eu e o meu cunhado Roberto, a tomar o pequeno-almoço. Apesar de estarmos com aquele nervoso miudinho lá nos despachamos a horas e saímos porta fora, convictos de que no regresso seriámos maratonistas. Às 08h00 reunimos-mos todos e partimos em direção à zona da partida. A conversa fluía naturalmente, sentia-se a ansiedade no ar, mas estávamos todos otimistas.

IMG_1596.JPGCuriosidade, na zona da partida além do speaker espanhol, estava um speaker português o que mostra a aderência dos corredores nacionais a esta prova, pelo que ouvi cerca de 850 portugueses estavam na linha da partida. A euforia era muita. Uma grande festa! Minutos antes da prova estivemos à conversa com um espanhol de 70 anos que ia fazer a sua estreia na maratona, mais uma prova de que a idade não é obstáculo. O que nos disse foi que acima de tudo nos divertíssemos. O objetivo final deve ser esse, correr sim, mas acima de tudo temos que gostar do que estamos a fazer e tentar nos divertir ao longo dos 42km. Falhei neste aspeto, a partir do 27km não me diverti nada.  

 

5,4,3,2,1 e começou! Desejei boa sorte a todos e arranquei com o Roberto. Devido à minha falta de treino e do peso adquirido nos últimos 2 meses, 4kg, decidi que ia correr a um ritmo confortável de 5m40s o km, se conseguisse acelerava um pouco no fim. Devia estar excessivamente confiante para pensar que após 35km ia conseguir acelerar, foi mais o inverso, desacelerei.

 

Decidi que ia tentar seguir o meu plano original, afinal o objetivo era acabar, se conseguisse em menos de 4h era a cereja no topo do bolo. Durante os primeiros 15km eu e o meu cunhado parecíamos relógios Suíços, sempre ao mesmo ritmo e com o balão das 4h a poucos metros de distância.

 

Tínhamos combinado que ao 7,5km íamos ter o primeiro apoio da nossa comitiva, mas passando no ponto estipulado além de muitos espanhóis, não estava lá quem nos mais queríamos. Ainda rogamos algumas pragas, se calhar adormeceram ou foram às compras pensamos nós e seguimos em frente, sempre confortáveis e à conversa.

 

A partir do 5km a prova tem abastecimento de 2,5km em 2,5km, o que é muito bom. Sempre que passávamos por um aproveitava e bebia água ou isotónico, claro que metade ia para fora e ficava a escorrer para os lados ou ia para a t’shirt, isto de beber a correr é uma arte difícil de dominar.

17,5 km 1ª grande surpresa afinal as meninas estavam lá para nos apoiar. Foi uma festa quando as vimos. Que alegria. Os próximos 5 km passaram a voar.

 

Após o abastecimento dos 21km tive que parar por motivos fisiológicos e separei-me do meu companheiro de prova. Tentei acelerar um pouco até ao apanhar mas rapidamente comecei a ficar ofegante e decidi acalmar o ritmo e seguir sozinho. Por enquanto estava bem, a divertir-me e o balão das 4h estava mesmo à minha frente.

Afinal isto não custa muito pensei eu. Falei cedo demais.

post1.jpgAo km 27km nova surpresa, novamente a família e os amigos a apoiar, até parei para dar um beijo emocionado.

 

Depois de este breve momento de felicidade, subitamente começa-me a custar tudo. Os joelhos começam a doer, sempre que meto o pé no chão sinto uma dor na planta do pé, começo a ficar desanimado e os próximos 10km custam-me muito a correr. Apesar de o percurso ser interessante houve duas retas intermináveis, em que pela primeira vez tive que correr a olhar para baixo de forma a não ver o que ainda faltava.

 

Ao longo da prova falei com alguns participantes, sendo que um espanhol avisou que a partir do 35km entrávamos na parte mais bonita do percurso.

 

A partir desta altura a maratona a passar nos locais mais bonitos de Sevilha, o apoio nas ruas começa a ser cada vez maior e a partir do Parque Maria Luísa muita gente a incentivar, ruas cheias de gente a apoiar-nos. Na Serra Nevada já tinha sentido este apoio dos espanhóis e aqui ainda foi mais notório, pena que em Portugal sejam poucas as corrida em que isto aconteça.  

 

Damos uma volta na Praça de Espanha e entramos na zona mais central da cidade, tanta gente nas esplanadas, bandas a tocar música, crianças a esticar os braços, todos a bater palmas e gritar "Animo! Animo!”

Apesar de todo este apoio as forças já faltavam e nos abastecimentos já bebia água parado, sendo que recomeçava a correr logo a seguir.

 

O balão das 4horas já tinha fugido há algum tempo e era agora uma miragem ao fundo. Olhei para o relógio para saber se ainda conseguia acabar a prova abaixo das 4h. Tinha que me esforçar muito, descartei esse objetivo, o importante era mesmo acabar.  

 

A entrada no estádio foi fenomenal, a meta já ali, consegui, o tempo já pouco interessava. Não há palavras suficientes para descrever a sensação de terminar uma maratona. Consegui gritei. Chorei de emoção, de alegria, de dor…

 

Segundos após chegar encontrei o António Vale, fresco que nem uma alface, parecia que tinha acabado uma corrida de 5km por Lisboa, e eu ofegante a falar com ele. Disse-me que o meu cunhado já tinha terminado e estava na zona da chegada pelo que fui tentar encontrá-lo.

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Infelizmente não pude esperar pelos membros da Crew, Nuno Malcata e Bo Irik, mas encontrei a Joana Malcata e a Ana Morais e soube que estavam bem e que acabaram a prova radiantes. Mais um motivo de felicidade a juntar a tantos outros.

 

Resumindo em poucas palavras, foram 42,195m, o meu relógio marcou mais 300m, emocionantes, uma verdadeira montanha-russa. Da ansiedade inicial à euforia dos primeiros minutos, a alegria dos km 17,5 e 27, o excesso de confiança sentido a meio da prova, as dores entre o 27 e o 37km, a energia do público, o esforço dos últimos 3km, as dores e no fim lágrimas de pura alegria, por ter terminado, por ter conseguido.  

 

Sevilha recomenda-se e para quem está a pensar estrear-se na maratona é uma boa aposta, o percurso é bonito, o tempo estava espetacular, fica perto de Lisboa e o apoio do público é ótimo.

 

Quero agradecer à New Balance por me ter fornecido o seu novo modelo 890v5 com os quais corri a maratona, a review final será feita na próxima semana.

 

Muito obrigado à Filipa, isto contigo a meu lado torna-se mais fácil, á minha irmã Inês e á Marta por todo o apoio e diversão durante estes 3 dias.   

 

Para terminar, que isto já vai longo, dar os parabéns a todos os que completaram a prova, especialmente ao meu cunhado, Roberto, companheiro durante estes dias e que me aturou durante 22km, à Bo e ao Nuno Malcata, amigos do CnC, Patrícia Mar, Nuno Alves e António Vale pela estreia na maratona, e à Joana Malcata, que muito bem ainda correu 17km e Ana Morais pelo apoio.

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Boas corridas a todos, 

 

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