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Correr na Cidade

42.195 metros pela primeira vez - Maratona de Barcelona

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Como é fazer a primeira Maratona?
 
É reviver uma lenda. Why? Não é à toa que a Maratona é considerada a prova rainha do atletismo, uma prova de 42.195 metros de muito desgaste físico, resistência e principalmente de muita emoção que, segundo a lenda: o seu nome foi dado em homenagem ao soldado mensageiro Pheidippides que correu os aproximadamente 40km de todo o vale do campo de batalha de Maratona até Atenas para anunciar a vitória do exército Ateniense sobre o exército Persa, impedindo que a população cometesse suicídio como estava combinado, caso não tivessem notícias dentro de um prazo previamente estipulado, pois os seus inimigos Persas prometeram, em caso de vitória, invadir Atenas, violar as mulheres e matar os seus filhos.
 
E para impedir tal desgraça Pheidippides correu pela vida dos seus, dando a sua, pois assim cumpriu o seu objectivo sucumbiu no chão vencido pela exaustão e quer se acredite ou não na lenda, há algo diferente nesta prova, uma mística que nos transcende, pelo menos eu senti isso.
 
 
 
Porquê a Maratona e porquê Barcelona?
 
Tudo começou no Verão passado. Já tendo várias vezes percorrido e batido a distância da Maratona em trilhos, pensei que deveria ter pelo menos uma Maratona no meu curriculum. Embora não seja um amante confesso de estrada, a mística que esta prova eleva sempre me foi apelativa, contudo, tive sempre a condição que a faria fora de Portugal, devido ao maior apoio do público "lá fora" - Temos ainda algo a aprender neste ponto! - e como se de uma chapada na cara, um dia me deparo com um artigo sobre a Maratona de Barcelona e nesse mesmo dia, sem hesitar, efectuei a inscrição.
 
Fast Forward...
 
 
Partida para Barcelona
 
Crew Trip com o objectivo de fazer visitar a cidade de Barcelona, comer tapas, beber umas quantas "canhas"... Ah sim! Fazer também a Maratona ou "Marató" em Catalão de Barcelona, foi em volta disto que eu, a Bo, a Liliana, o Luís Moura e a Sara nos juntámos, sendo que a Luís e a Sara foram em modo de "crewing", factor muito essencial para um desempenho dos restantes, pois todos sabemos o bem que faz ver uma cara conhecida a dar apoio e saber que temos ali alguém com que podemos contar e ver coisas que nos escapam.
 
 
"Atenção senhores passageiros, sejam bem-vindos ao aeroporto El Part em Barcelona"
 
Chegámos com uns dias de antecedência à cidade, o que deu para sentir Barcelona, conhecer os seus pontos de interesse e reconhecer alguns pontos de passagem do percurso e... não sei se já falei das tapas... Barcelona é uma cidade lindíssima cheia de vida, sempre com muita gente pelas ruas, com pessoas muito viradas para a mobilidade e para o deporto num constante de pessoas a andar e bicicleta, skate e a correr pela rua fora.
 
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Ir mais cedo é ir com tempo, tempo para conhecer e levantar os dorsais com calma, sem filas e visitar a Expo da Maratona, uma das maiores que tenho visto, centenas de marcas de produtos e serviços virados para o desporto ali presentes, umas mais conhecidas, outras menos e umas que nem se quer sabia da sua existência. O kit do atleta era composto de um saco com o dorsal, t-shirt da prova da marca Asics, uma revista oficial da prova com um bloco de descontos para entradas em vários locais de interesse na cidade, uma pacote de noddles instantâneos e folhetos publicitários e autocolantes.
 

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Breakfast Run e Past Party que de Party teve pouco... Muito pouco mesmo!
 
Sábado, dia que antecedeu a prova, a organização tinha preparado uma corrida casual pela manhã para os participantes da Maratona e quem queira participar. Esta corrida de "shake up" tinha como o objectivo reviver os últimos 4 quilómetros da prova rainha dos Jogos Olímpicos de 1992 realizados em Barcelona, com direito a entrada triunfal do estádio Olímpico e volta à pista de tartan.
 
No final tivemos direito a um pequeno-almoço fasto oferecido aos participantes junto à Fonte Mágica de Montjuïc por debaixo de um céu azul maravilhoso, que deu para sentarmos no chão e relaxar as pernas. Adorámos!!!
 

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O que não adorámos foi o que se passou umas horas mais tarde, talvez a única falha da organização nesta prova - A Pasta Party - Primeiro, uma grande confusão para entrar no pavilhão, pois era necessário levantar um ticket para entrar, facto que não estava referido em nenhum local e que não vinha junto do kit do atleta.
 
Após descobrirmos qual o balcão para levantar o tal ticket, estes já tinham acabado WTF!!! Foi-nos dito que podíamos entrar com a apresentação do dorsal, assim fizemos, mas a mensagem não tinha passado para quem estava a servir e não queriam entregar a comida a quem não tinha o ticket consigo, embora já tivessem ali umas boas dezenas de pessoas com o mesmo problema. Mas, após alguma "insistência" ao bom jeito Tuga, lá começámos a ser servidos...
 
Contudo, aquele acontecimento foi um sinal divino que parece que nos dizia que não era ali que iríamos almoçar, um pratinho de massa com molho de tomate, capaz de alimentar um bebé de colo, uma fatia de pão de forma industrial e uma tangerina... nem um copo de água da torneira... Muito mau!
 
 
TOM TOMoura e os ensinamentos deste grande mestre...
 
Jurámos não nos deixar abalar pelo acontecimento e aproveitámos o resto do dia para preparar o material para o dia seguinte, aproveitando também as mãos mágicas da Sara que nos ajudaram a preparar as pernas. Eu, pessoalmente, ainda tirei uma hora para fazer meditação para limpar o espírito de qualquer stress que existisse dentro de mim... Manias!!
 
Luís Moura, o homem que trazia o mapa de Barcelona na cabeça e conhecia o percurso de traz para frente e da frente para traz!! Um GPS humano! Incrível...
 
Após os jantares ao longo destes dias tirámos sempre um bocadinho para estudar um pouco o percurso, ver os pontos de abastecimento, tempos de passagem e definir os locais onde o Luís e Sara conseguiam estar para nos apoiar, cruzando o percurso com a linhas de metro da cidade para eles poderem deslocar com mais facilidade - um autêntico jogo de estratégia liderado pelo nosso Moura.
 

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E foi num destes momentos que o Luís se vira para mim e pergunta: "Queres fazer quanto tempo?" - A pergunta do milhão de dólares!! 
 
Meses antes, no momento da inscrição, auto-coloquei-me no bloco de partida das 3h 30m - 3h 45m, mas sabendo eu que não tinha feito um treino muito específico para Maratona e por gostar mais da montanha, coloquei muito trilho e pouca estrada. Mas sabia que tinha sido muito constante no meu plano treino semanal e que isso estava a meu favor e lá respondi que não tinha um objectivo específico, que queria fazer abaixo das 4h talvez nas 3h 45m. E a resposta do Luís foi mais ou menos esta:
 
"Fazes o seguinte, vais atrás da bandeira dos 3h 30m e deixas-te ir; os pacers são certinhos com o ritmo e assim não és tu que vais a puxar, são eles! Tu apenas vais a reboque... Mais para o fim, se te sentires bem, descolas e, se não te sentires bem, baixas o ritmo e ficas um bocadinho para trás!"
 
Reflecti uns segundos sobre estas palavras e, tendo em conta a maior experiência e conhecimento do Luís, tive a maior das confianças nesta estratégia e disse para mim: "É isto que vou fazer!!"
 
Rise and Shine - Hoje é o dia!!!
 
Dia de prova é sempre um acordar com um nervosinho no estômago, cada um de nós fez o seu pequeno-almoço mágico pré-prova para conseguir aguentar as horas seguintes. Pessoalmente, como não gosto de sentir o estômago pesado quando vou correr, tomo um batido de Ensure, um substituto alimentar feito na sua origem para pessoas que tem dificuldade em mastigar, mas que tem tudo o que um atleta necessita, mais uma fatia de pão para colocar algo mais sólido no estômago e retirar a sensação de estômago vazio.
 
Hora de equipar: t-shirt e calções técnicos Correr na Cidade, fita de cabeça Wong, perneiras Exo da Salomon, meias Injinji e sapatilhas Adidas Ultra Boost... 
 
Equipa vamos embora? Siga...
 
Chegados à zona de partida um mar de gente, atletas, familiares, amigos, etc... Ouvem-se os "Até já!", "Boa sorte!", veem-se beijos e abraços cheios de emoção entre quem vai apoiar e quem vai ser apoiado, e nós fazemos o mesmo. Chegou a hora de nos separarmos: o Luís e Sara seguem para ver a partida para depois seguirem para os locais pré combinados, eu sigo para a secção de partida verde, a Bo e Lili seguem para a delas, é hora...
 

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Vamos Zimbora... são só 42195 metros!
 
Entro na minha secção de partida, faço o meu aquecimento e posiciono-me junto aos 4 pacers das 3h30m, ia tentar fazer o plano que estava combinado, a partida é faseada, o meu bloco parte com 7m de atrasado dos primeiros, situação normal para não existirem atropelos.
 

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Em termos de prova, a distância total era percorrida dentro da cidade de Barcelona, passando por todos os locais mais emblemáticos da cidade (Camp Nou, Sagrada Familia, La Pedrera, Arco do Triunfo, etc) num traçado relativamente plano com apenas 2 subidas mais longas mas algo suaves. Os abastecimentos eram mais que suficientes, de 2,5 km em 2,5 km a partir dos primeiros 5 km, compostos por água, isotónico, géis e alimentação sólida em apenas alguns, mas muito bem distribuídos. 
 
Assim que é dada a partida a emoção é enorme, é incrível a sensação do começo, gritos de incentivo por quem apoia, gritos de quase que de guerra por quem corre. Entro dentro do ritmo do bloco, sempre atrás dos pacers, seguindo as instruções do coach Moura, quando havia mais vento de frente protegia-me mais no meio dos corredores... "Vou fazer isto até ao fim!" pensei eu. 
 
A confiança foi aumentando a cada quilometro, sentia-me bem, as pulsações estavam confortáveis, as pernas respondiam bem e público... "Puta Madre!!" O público de Barcelona é fantástico: são 42 quilómetros repletos literalmente de pessoas dos dois lados da estrada, em êxtase a puxar por quem corria, sinceramente nunca vi nada assim e nem tenho palavras para descrever o que se sente com este apoio. É pura e simplesmente Fantástico!
 
Passagem pela Sagrada Família, curva à esquerda e já estavam eles como combinado o Luís e a Sara à nossa espera, prontos para nos darem um “push” que sabe tão bem nestas situações “Go Crew!”. Comigo trazia dois géis energéticos e duas cápsulas de sal, uma que tomei na metade do percurso e outra mais tarde para compensar as perdas de sal pelo suor e evitar as tão indesejadas cãibras e a cada abastecimento o ritual era o mesmo: um golo de água, molhar a fita e partilhar a garrafa com outro qualquer companheiro, para minimizar o desperdício.  
 

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O ambiente era incrível no grupo onde estava inserido, os pacers sempre muito bem dispostos incitavam a assistência para apoiarem um pouco mais. Após o quilómetro 30, o Javier, um dos pacers com mais experiência, voltou-se para nós em tom quase que militar e disse algo deste género:
 
“Companheiros, estamos a entrar na fase mais difícil de uma maratona, acreditem em mim e acreditem em vocês… O muro não existe… Vamos chegar juntos ao final! Quem está comigo?”
 
Como resposta teve um estrondoso “EU” por parte de todos os que seguiam ali, de facto o muro está na nossa cabeça, é batalha royal entre a nossa mente e o nosso corpo. Felizmente já tenho alguma experiência em provas de endurance e sei que todas as provas têm momentos menos bons e eu, cerca do 35k, tive o meu.
 
Uma sensação de mau estar na coxa direita que dias antes não consegui drenar como deve ser, por culpa minha. Tentei corrigir a passada de forma a minimizar esta sensação e sabia que faltava pouco para o final. Na passagem pelo 40k, os últimos dois eram ligeiramente a subir, nada de especial, muito mais para quem está habituado à montanha. Para além disso, conhecia bem a avenida, pois estávamos hospedados ali e pensei vou dar tudo o que ainda tenho e acabar forte.
 
Distanciei-me do grupo, os pórticos que antecediam a meta viam-se deste o início da avenida e estavam a ficar cada vez mais perto; o público juntava-se quase que em funil até ao cimo e, se abrisse os braços, tocava nas pessoas de um lado e outro, era o momento de sorrir e agradecer a todas aquelas pessoas .
 
Última curva, olho para o lado direito e lá estava a Sara com um grande sorriso na cara e bater palmas. “Obrigado meu anjo!”.
 
 
Olé… Sou Maratonista 
 
Cruzo a meta! Desligo o relógio, 3h29m, objetivo atingido, não cabia em mim de contente, à minha volta sorrisos, atletas a alongar, caras de esforço, de felicidade, tudo… 
 
Não paro de repente, continuo em movimento para voltar à calma, até recuperar o fôlego. Pego num isotónico e encosto-me a uma das baias e ligo ao Nuno Malcata, pois sabia que ele estava a acompanhar pela aplicação da Maratona e, assim que atende, ele já sabia que eu tinha terminado, pois a aplicação estava muito bem feita e a informação era constantemente atualizada. 
 
Obrigado Nuno e obrigado crew pelo apoio, mesmo longe vocês estavam todos perto.
 
Pego a medalha de finisher e apreço-me a encontrar-me com a Sara, é aqui que ela me diz que a Lili tinha sido forçada a desistir da prova – Não era o teu dia, miúda! Mas tu és rija e não vais desistir deste teu sonho! Go Girl! – e que a Bo estava bem e devia baixar das 4 horas de prova. Encontro um espaço para alongar, a Sara ajuda-me a desstressar as pernas, até que a nossa Holandesa voadora chega bem abaixo das 4 horas... WOW!!
 
Estamos de parabéns.
 

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Recap 
 
Continuo a preferir a montanha, é isso que me dá gozo, contudo gostei imenso da experiência e não digo que não farei mais nenhuma Maratona. É uma prova diferente e emotiva. Quando se tem um apoio brutal do público como aqui em Barcelona – em Portugal ainda temos muito para aprender – uma prova difícil, muito difícil, não só pela distância, como pelo impacto que o corpo sofre ao longo da prova, mas muito gratificante quando se cruza a linha da meta e não é à toa que é considerada a prova rainha e a última prova dos Jogos Olímpicos – Guarda-se sempre o melhor para fim, certo!
 
Para quem está a pensar em fazer uma destas provas, o meu conselho é: apenas comecem a pensar neste desafio quando já tiverem um conjunto de Meias Maratonas bastante consistente, treinem, mas treinem bem, com regularidade e, principalmente, acreditem que conseguem.
 
Só não conseguimos fazer, aquilo em que não acreditamos.
 
Para os vão tentar... Boa sorte amigos!!
 
Obrigados a todos os que tiveram do nosso lado... sem vocês tinham sido mais difícil.
 
Gracias.

 

II Trail de Almeirim: “na rota do vinho e da sopa da pedra”

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Só pelo título já nos convence a participar, certo? Mas esta prova é muito mais do que isto e a sopa da pedra só é servida quando chegar à meta.

 

São trilhos por estradões e caminhos “malandros”, que estiveram a ser aprimorados depois da prova do ano passado e que contou com a presença de alguns elementos da nossa crew. Este ano a crew estará representada por alguns elementos femininos que vão dar alegria e motivação a todos os participantes que se cruzarem pelo caminho. A prova deste ano tem a Sofia Lopes Roquete como madrinha oficial do evento e conta com a simpatia e hospitalidade dos habitantes de fazendas de Almeirim.

 

Esta 2ª edição realiza-se a 10 de Abril e conta com 4 provas:

#30K de trail longo

#17K de trail curto,

#4K de trail júnior (sim, já pode levar o seu filho ou neto para se iniciar nas corridas)

#8K de caminhada.

 

Para os que não podem correr mas que querem fazer parte desta festa, podem inscrever-se como voluntários através do email: trail20km@gmail.com. O vosso apoio é fundamental, acreditem! Não fique em casa e faça parte desta festa. Inscreva-se!

 

Para mais informações:

II Trai de Almeirim 2016

 

 

 

Correr, conversar, beber e amar!

 

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Por Filipe Gil

 

O Correr na Cidade Running Crew faz três anos este novembro. A data certa e estipulada é o dia 15 de novembro, mas por motivos de agenda profissional e de provas decidimos comemorar mais cedo. Assim, na sexta-feira passada organizamos um jantar entre nós e alguns amigos mais próximos. Gente que ao longo dos últimos anos se tornaram nossos amigos, quer nas corridas ou fora delas. 

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Foi um jantar "daqueles", muito divertido, a que se seguiu uma ida à zona do Cais Sodré para continuarmos a beber e a conversar. Alguns mais resistentes foram depois dar um pé de dança até ao "clássico" Jamaica. Se um dos nossos lemas é o #crewlove outro é sem dúvida o #runhardpartyharder. Gostamos de nos divertir, de estar juntos e nessa noite apesar da corrida estar sempre a vir à tona nas nossas conversas, estivemos mais concentrados no resto dos assuntos das nossas vidas. Os treinos, o acordar cedo para ir para os montes correr, podem esperar. Pelo menos ness noite não foram a prioridade.

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Mas o resto do fim-de-semana passámos, claro está a correr. Sobretudo no domingo, depois do Gurosan ter atuado...pelo menos em alguns, como eu. Ora a treinar, como eu e o Rui Pinto fizemos na manhã solarenga de domingo, ou a participar na prova Wine Run, na Quinta do Gradil, com a participação do Pedro Luiz (que ficou em 5º lugar), a Bo Irik (que ficou em 4º lugar), e o Nuno e a Joana Malcata. A Liliana e o Luís Moura andaram a preparar o próximo treino do dia 22, o Pisco da Matinha.

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Foi sem dúvida um fim-de-semana de celebração. Onde estivemos juntos, conversamos entre nós e com os nossos amigos, comemos bem, bebemos ainda mais e corremos, que é aquilo que amamos fazer e nos leva ao título deste post.

 

Três anos numa crew é muito pouco tempo. Três anos de um blogue ainda é menos. Mas esta comemoração de aniversário, teve um sabor especial porque nos sentimos cada vez mais unidos, mais uma família. Sobretudo porque o último ano não foi fácil para uma parte da crew, com muitas lesões graves (infelizmente, estou nesse naípe), e com algum abrandamento nos desafios desses corredores.

Mas o que conta é o todo, a crew, e como as nossas 17 individualidades nos tornam um grupo forte e coeso. Que venham muitos mais anos para continuarmos a correr e a divertirmo-nos, e com a vossa ajuda! Obrigado por nos lerem e aparecerem nos nossos treinos. Estamos a preparar coisas muito giras que em breve daremos conta.Fiquem atentos.

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O que comer antes de uma Meia Maratona – Pequeno-almoço

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Por Ana Sofia Guerra - Nutricionista

 

Uma das perguntas mais frequentes dos meus pacientes corredores é: “Qual a melhor opção de pequeno-almoço antes de uma meia maratona?”. E a resposta é: depende!

 

O pequeno-almoço ideal vai depender muito do gosto pessoal e do que está habituado a comer antes dos treinos. É que também o pequeno-almoço (ou refeição antes da prova) deve ser testado nos treinos, mesmo que no dia anterior tenha ouvido falar duma sugestão fantástica para este tipo de refeição. Os nossos gostos e necessidades são diferentes dos das outras pessoas.

 

No passado mês de fevereiro acompanhei alguns elementos da CnC Crew e amigos na viagem a Sevilha para participarem na Maratona. O objetivo da minha viagem era muito diferente: analisar as escolhas alimentares deles no que toca a opções de pequeno-almoço (a refeição maior antes da prova). E fiquei muito surpreendida, pois cada elemento escolheu um pequeno-almoço diferente: batido com banana, cereais com iogurte, batido com reforço proteico e (espantem-se) Aletria! Isso mesmo, aletria.

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Eu não vou comentar se as opções foram as mais corretas ou não, mas fica aqui a ideia de que todos eles testaram as suas opções noutras alturas e ficaram a saber se eram opções viáveis ou não.

Tal como já referi noutras ocasiões, a preparação para a prova começa vários dias antes. Nesses dias, a alimentação tem de ser reforçada em hidratos de carbono para haver um bom armazenamento de glicogénio a nível muscular. A batata-doce, a mandioca, o inhame, a massa e o arroz são boas opções. A fruta assume um papel muito importante para fornecer vitaminas e minerais com propriedades antioxidantes (não se esqueçam que há mais fruta para além da banana).

 

Quanto ao pequeno-almoço antes da prova, o ideal seria que fosse feito cerca de 2 horas antes da prova. Deve ser composto por alimentos ricos em hidratos de carbono complexos como, por exemplo, pão de centeio, batata-doce, massa, mandioca ou aveia. Podem optar por uma fonte proteica de fácil digestão: uma fatia de fiambre de aves ou duas claras de ovo mexidas sem gordura ou com muito pouca gordura. E ainda podem acrescentar uma peça de fruta (pêra, banana, framboesas, mirtilos, morangos, maçã) e meia dúzia de oleaginosas (amêndoas, nozes ou avelãs).

 

Esta refeição, tal como as outras, deve ser feita com calma e bem mastigada. Nem que para tal seja necessário acordarem mais cedo.

 

Boas corridas!

Vamos correr este fim-de-semana?

Sexta-feira, dia em que muitos já sonham com o fim-de-semana e os corredores começam a preparar as provas do fim-de-semana. 

 

A oferta de provas é cada vez maior e este fim-de-semana, 16 e 17 de maio, não foge à regra. De norte a sul do país não faltam desculpas para calçar umas sapatilhas, sair de casa durante umas horas e ir correr 5k, 10k, 21k ou mesmo 100k. 

 

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A crew do Correr na Cidade não podia faltar à chamada e irá marcar presença em algumas dessas provas. 

 

A Joana Malcata e o Nuno Malcata viajam até ao Douro para correr na Meia-Maratona do Douro Vinhateiro, "A mais bela corrida do mundo"

 

Por seu lado o Luís Moura vai marcar presença nos 100km do Ultra Trail de São Mamede, prova que começa à meia-noite de sexta-feira. 

 

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Mas as opções são muitas e variadas, estrada ou trilhos, curtas ou médias distâncias. Fiquem aqui com algumas sugestões para o fim-de-semana. 

 

Sábado:

 

 

Domingo: 

 

 

Tenham cuidado com o calor e boas corridas a todos

My Path to MIUT 2015 - Histórias de uma jornada

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 Por Pedro Tomás Luiz

 

Explicar porque decidi correr os 115km do Madeira Island Ultra Trail, é muito mais do que simplesmente explicar a minha relação com a corrida, é explicar a forma como este desporto mudou a minha forma estar, é explicar a  forma como esta paixão molda todos os dias a minha vida.

 

É incontornável que ser filho de um pai corredor, daqueles que corre há 40 anos,  que passou por uma época em que as corridas não eram pagas (sim isso era o normal), em que os atletas ganhavam medalhões e medalhas, em que os calções se queriam curtinhos e a meias bem brancas, onde o melhor relógio era um Casio, onde os atletas sabiam o seu ritmo apenas por puro feelling  e onde quem corria ou era maluquinho ou ia apagar um fogo, moldou definitivamente a forma como encaro a corrida e tudo o gira à volta dela.

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Em miúdo, as primeiras memórias que tenho da corrida, remetem para um jogo “parvo” que o Paulo, meu colega de carteira da escola primária,  organizava. Este jogo consistia basicamente em correr em fila indiana, pelo recreio da escola, seguindo as pisadas do líder do grupo, que ia trocando à medida do que nos dava na vinheta.

 

Já no liceu, e com claramente pouca apetência para o único desporto leccionado e praticado na escola, o futebol (já em adulto descobri que até conseguia dar uns toques razoáveis, mais ou menos o suficiente para ajudar a equipa e não comprometer muito, mas uma bela sarrafada de um individuo, causou-me a pior e mais difícil lesão desportiva que tive até hoje, um belo de um entorse da articulação tíbio-tarcica, com direito a um mês de canadianas e 4 meses até deixar de sentir dores), optei sempre por participar nos inter-escolas de corta-mato e nas caminhadas organizadas pelas professora Tabita.

 

Mais ou menos por esta altura começo a ir com o meu pai algumas corridas de bairro. Naquele tempo, com excepção de umas poucas de provas como seja a Nazaré, Lampas ou as Fogueiras, a grande maioria eram provas de bairro organizadas pelas coletividades e grupos desportivos, onde apesar do amadorismo a competição era ferranha.

 

Poderia vir agora dizer que em criança, tinha sido um corredor brilhante com muitos pódios etc… e tal…, mas a verdade é que sempre fui grande e mais pesado que os outros miúdos, o que era, e ainda é um factor determinante. Lembro-me apenas de um honroso 3º lugar, que podia ser segundo se eu não tivesse tido a brilhante ideia de me por a olhar para trás, à procura do outro puto, o que me fez perder velocidade e ser ultrapassado.

 

Durante os anos seguintes a corrida e o desporto em geral, estiveram arredados totalmente da minha vida até ao dia 26 de fevereiro de 2012 o dia da Epifania.

 

Neste dia decidi acompanhar o meu pai no Grande Prémio do Atlântico, que para quem não conhece é uma corrida de 10km, organizada pelo Núcleo Sportinguista de Costa de Caparica, com um belo percurso, totalmente plano e brindado em quase toda a sua extensão pelo mar.

 

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Dado o tiro de partida sucedem-se em catadupa a série de acontecimentos que tornaram este dia tão especial. O primeiro foi o meu pai, com 64 anos na altura, dizer-me que no final vai ficar à espera junto ao carro (terminou com 10 minutos de avanço), logo de seguida encontro uma senhora, que do alto do seus 70 e tal anos me pergunta “sabes porque é que eu vou a correr na estrada e tu vais na ciclovia?", eu encolhendo os ombros abanei a cabeça – "porque eu vou de mota e tu de bicicleta” e arranca sem que eu nunca mais a veja, e por último, a cereja no topo do bolo, foi eu fazer a prova com um senhor de 82 anos que simpaticamente se disponibilizou para  “puxar” por mim.

 

Conclusão… 1:02:48, bofes de fora e muita coisa para pensar… nomeadamente que havia algo de muito errado em todo este cenário.

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Desde aí muita coisa mudou… perdi peso (de uns simpáticos 102kg para os atuais 86kg), vi a minha capacidade de concentração melhorar significativamente assim como o meu rendimento no trabalho. Passei ter mais confiança em mim mesmo e naquilo que sou capaz de alcançar. Tornei-me mais metódico e organizado combatendo o meu elevado nível de procrastinação. Mas acima de tudo compreendi que correr é para mim um desafio, que me liberta, onde na procura de ir mais alto e mais longe sou levado a locais da minha mente nunca antes descobertos explorando os limites da minha resiliência física e mental.

 

Assim, encaro o MIUT com humbição (humildade + ambição), ou seja por um lado com a humildade de compreender que sou uma pequena formiga à beira dos 115km e dos 6800 D+, mas por outro com uma enorme vontade de superar este desafio gigante.

 

Dia 10 de abril, 00h, lá estarei, pronto a iniciar este desafio com o apoio do CnC e da Outpace.

 

Até lá acompanhem-me no meu caminho até ao MIUT 2015.

 

 

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  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D