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Correr na Cidade

A minha maratona de Londres (2014)

Hoje realiza-se a fantástica Maratona de Londres. Uma das mais importantes a nível mundial. Recuperamos os posts do Pedro Tomás Luiz que fez a prova em 2014 a convite da Endeavor Travel & Sports. Como dizem: recordar é viver.



Por Pedro Luiz Tomás:

 

Ainda envolto por uma inebriação digna de um conto do Lewis Carroll, começo a escrever este Race Report. Como sabem estive este domingo em Londres a correr a Maratona, graças a uma parceria entre a Endeavor  Travel e o Correr na Cidade. Durante a minha estadia fui escrevendo sobre as minhas expectativas, vivências e emoções, mas confesso que nada daquilo que pensei, ouvi ou imaginei chegou perto daquilo que vivi.

 

Dia da Maratona:

Como sempre, na véspera tinha organizado metodicamente todo o meu equipamento. Preparei a t-shirt, os calções, meias, sapatilhas, verifiquei o funcionamento do GPS, preparei o dorsal e o cinto com os géis. O transfer do hotel, para a partida estava marcado para as 7h, pelo que acordei por volta das 5:15, para me poder organizar tranquilamente. Às 5:30 eu e o Denis descemos para tomar um bom pequeno almoço, que por norma costuma ser aletria/arroz doce e café, mas dada a falta desses alimentos, lá me safei, com alimentos bem familiares, ovos, fiambre de peru, pão e café (não é dia para inventar em nada, especialmente no que toca a comida).

 

De barriga cheia, regressamos ao quarto onde nos equipamos tiramos a primeira selfie, com um sorriso de quem sabe que nos espera um grande dia.

 

 

No autocarro a energia era vibrante, apesar de ser bastante cedo, todos os corredores iam animados falando, do tempo, da cidade, da prova e da estratégia de corrida. A partida da maratona é feita de três pontos diferentes e faseadamente. Assim tínhamos:

  1. 08:55 Blue Start: atletas em cadeira de rodas;
  2. 09:00 Blue Start: atletas com deficiência (onde estava o grande Pina);
  3. 09:15 Blue Start: elite feminina;
  4. 10:00 Blue Start: elite masculina;
  5. 10:00 Blue, Red e Green Start: restantes atletas.

Tendo sido colocado na Blue Start, fomos levados para um enorme relvado, vedado, onde tínhamos à nossa espera café, chá, leite, água e isótonico, isto para não falar nas centenas de WC alinhados no recinto e devidamente coordenados por elementos da organização. O tempo até à partida foi passado em amena conversa, apanhando um fantástico banho de sol e a hidratar para a prova.

 

 

Cerca das 09:30 dirigi-me ao camião, para deixar o meu saco, que haveria de estar na meta à minha espera. Já no gate 9 percebi que estava na cauda da Blue Start, ou seja teria pela frente corredores bem mais lentos do que eu, não que isso fosse um problema dado que não tinha qualquer intenção de concretizar um tempo especifico. Os meus objetivos para esta prova estavam bem definidos: (1) acabar, (2) de preferência em cerca de 4 horas (os 50km do Piodão ainda estavam muito recentes no corpinho) (3) aproveitar e absorver cada momento desta experiência.

 


 

Às 10h o tiro de canhão supostamente terá dado inicio à corrida (não que tenha ouvido alguma coisa), mas de onde eu estava até à partida foram uns longos 15 minutos.


Começada a corrida, era impossível esconder o sorriso. Com o véu a levantar-se comecei a compreender a verdadeira dimensão desta prova… Além dos milhares de corredores que estavam a correr a maratona, havia o triplo de pessoas a assistirem à prova, mas estas não se limitavam a bater palmas ou a observar, estas pessoas gritavam euforicamente por todos os atletas. Não há palavras que possam descrever aquilo que vi, ou senti.


Ainda só com 3,5 km nas pernas, tive fazer o meu primeiro e único pit stop. Apesar de ter ido ao WC antes de começar a prova, comecei quase à “rasquinha para fazer um chichi”. O chá que bebi estava a fazer os seus efeitos.

 

Ultrapassadas as questões fisiológicas, meti um ritmo bastante confortável, em torno dos 6m/km e o qual eu tinha certeza que me daria para correr até ao infinito. Além disso, mesmo que quisesse correr mais rápido, não teria conseguido, o facto de ter partido muito de trás, obrigava a um ziguezaguear constante e consequentemente a um esforço adicional. Mesmo assim eu e o meu companheiro Manuel Barros (clube do Stress) lá fomos progredindo por entre a multidão.



O percurso passa por muitos lugares emblemáticos da cidade de Londres, sendo que por volta dos 10km surge o grandioso Cutty Sark (o barco e não a bebida), numa curva bem apertada contornámos este magistral barco.

 Mais à frente, por volta do km 20, no dobrar de uma esquina surge de surpresa a Tower Bridge. Aqui, fosse pela energia do público, fosse pela paisagem, senti aquele arrepio no estômago e uma emoção quase transcendental.

 

Passada à ponte pude ver a Tower of London, onde estarão depositadas as jóias da coroa. A partir daqui o percurso abre para ruas mais largas e entra-se numa zona em que é possível ver passar os atletas que já estão a passar o pórtico dos 35km.

A passagem da meia maratona marca uma mudança na minha prova de duas formas. Em primeiro lugar, foi aqui que deixei o meu companheiro Manuel Barros, que apesar de se estar a sentir bem quis abrandar e em segundo lugar, com as pernas já a acusarem um bocadinho o esforço, decidi que era tempo de arrumar o telemóvel e concentrar-me na prova.

 

Daqui para a frente a prova teve pouca “ciência”, o meu ritmo estava bom e confortável, não sentia qualquer dor, a estratégia de toma de geles estava a funcionar (1º aos 15km, 2º aos 22km, 3º aos 30km e 4º aos 40km) e acima de tudo sentia-me incrivelmente feliz por estar ali a viver aquele momento.

Por volta do km 33, passo pela claque da crew Londrina (Run Dem Crew) e sou brindado com um ruidoso apoio (não diretamente para mim, mas para um corredor desta crew que estava bem pertinho de mim). Ia na expectativa de poder tirar uma foto com eles, mas o facto da estrada ser estreita e de eles já terem ocupado uma parte da estrada, fez-me optar por seguir caminho (digamos que aquele local estava bem ao estilo de um Tour de France). Houve ainda tempo de passar pelas famílias do clube do stress, que com uma bela bandeira portuguesa me cumprimentaram e apoiaram, bem como por duas caras conhecidas que brilhantemente iam no seu ritmo.

 

Ao km 35 grande parte dos corredores já iam mais a andar do que a correr, havia muitos corredores a ser assistidos pelos paramédicos, outros a parar para alongar e uma impressionante senhora, que apesar coberta de diarreia nas pernas, continuava determinantemente a correr em direção à meta.

 

Entrado em Victoria Embankement o pórtico das 25 milhas sorria para mim, pensei “Está  feito” voltei a relaxar a sacar do telemóvel para poder gravar os momentos finais. Passagem pelo Big Ben, pela Abadia de Westminster, entrada no St. James Park, passagem pelo Buckingham Palace e… aquela maravilhosa visão… a meta…

 

Ao som do Happy, lá fui eu a dançar em direção à meta. E o que é que se faz quando se corre em direção a uma meta?.... Faz-se uma paragem para última selfie da prova.

 

Dados da Prova:

  • Tempo de chip: 04:17:15
  • Média de 6,6 m/km;
  • Classificação: Lugar 15787;
  • Classificação por escalão (18-39): Lugar 6119;
  • Ultrapassei  1619 corredores;
  • Fui ultrapassado por 15 corredores.

 

(Por altura que lêem este post o Pedro Tomas Luíz deve estar a terminar a sua participação no MIUT, pela 2ª vez consecutiva)

 

 

 

Paixão pela corrida

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Por Natália Costa:

 

O fim de semana passado foi marcado por jornada dupla em provas de corrida para a minha pessoa. No sábado à noite participem no Meo Urban Trail em Lisboa e na manhã de domingo na Corrida da linha Cascais Destak que liga Carcavelos a Cascais.

A prova da Corrida da linha já há muito que estava decidida a fazer, aliás queria fazer o melhor tempo possível nestes 10 km a modo de preparação para a Meia Maratona de dia 18 de outubro. Mas confesso que me estava "a roer" por não participar no Meo Urban Trail, prova que tinha participado pela primeira vez no ano passado e que apesar de ser "durinha", tinha-me deliciado com tantas subidas e descidas...

Como já não havia dorsais disponíveis, coloquei de lado a suposta "loucura" de participar nas duas provas. Mas eis senão quando, pelo hora do almoço de sábado, um dos membros da crew do Correr na Cidade comunicou que não poderia ir à prova e se havia alguém interessado em ficar com o seu dorsal. Nem pensei duas vezes, era meu! E lá fui eu, eram 20h já estava no Terreiro do Paço, junto de alguns membros da crew, animadíssima por participar na prova.

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Foram quase 11 km pelo centro de Lisboa, com muitas escadinhas e outras tantas descidas, feitas ao sabor da maravilhosa noite com que fomos agraciados e paisagens deslumbrantes desta magnifica cidade. Todo o staff presente na prova era de uma simpatia e alegria contagiante. Apesar das dores nas pernas, era impossível não retribuir um sorriso com aquelas palavras de ânimo. Fiz num total de 1h24m, não foi um tempo brilhante, mas ia mentalmente repetindo: “Não te estiques Natália, amanhã tens outra prova!”.

Assim foi, era meia noite quando estava pronta para me deitar, mas levei duas horas a adormecer....A adrenalina ainda me corria pelo corpo e o meu coração batia bem forte, como se tivesse apaixonada. Mas a verdade é que realmente estou, apaixonada pela corrida e pelo objetivo de fazer um bom tempo na meia maratona.

Eram 8 horas e o despertador tocava, estava na hora de tomar o pequeno almoço e equipar-me para a corrida da linha Cascais Destak. Cheguei a apenas 10 minutos da partida, foi só o tempo de tirar as fotos da praxe, uns aquecimentos e correr! O sol estava intenso, o calor fazia-se sentir e as minhas pernas queixavam-se da prova do dia anterior. Do Km 3 ao 6 devo confessar que a vontade de desistir foi gigante! Só me apetecia parar, doía-me as pernas, os abdominais e sobretudo a alma, por estar a ser uma fraca que não iria cumprir com o objetivo de melhorar o tempo.

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Ia olhando para a praia, ver o mar e as pessoas a banharem-se, na busca de alguma força divina que não me fizesse desistir. E é após a terrível subida do Estoril que se dá o click! Estávamos ao quilómetro 7, já só faltavam 3, despejei uma garrafa de água por mim abaixo e comecei a acelerar. Quando chegamos ao ultimo quilómetro já em Cascais, encontrei uma claque com umas meninas de lado e rapazes do outro com uns pompons e uns megafones a darem o alento final, sorri-lhes e foi prego a fundo até à meta. Sempre consegui melhorar o meu tempo nos 10 km, consegui fazê-los em 54 minutos!

O que eu ganhei com a jornada dupla? Uma valente dor de pernas e um sorriso do tamanho do mundo!

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A (breve) história do Correr na Cidade Running Crew - parte III

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Por Filipe Gil:

 

E este terceiro capítulo da história do Correr na Cidade começa com a terceira edição das Just Girls. E para mim foi a última! Quer dizer, não foi, mas mal acabei o “evento” e todas participantes se foram embora disse para a minha mulher: “Nunca mais, nunca mais volto a fazer isto”.

 

A razão era óbvia, embora ninguém tivesse notado. Nada correu mal, mas apenas por sorte. Por impossibilidade pessoal e profissional dos restantes elementos da crew fiquei a fazer este Just Girls sozinho. A minha mulher estava lá, mas foi para correr com as nossas convidadas.

 

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Sozinho, recebi as corredoras, entre as quais a atleta profissional Ercília Machado que deu o treino, recebi os representantes das marcas que gentilmente nos ofereçam produto. Tirei fotografias, andei com o automóvel de um lado para o outro - de Algés à Ponte 25 de abril e vice-versa - para apanhar bons momentos para fotografar. No final todas ficaram contentes, e apenas uma pessoa ficou sem todos os gifts, curiosamente a Joana Malcata – que ainda não era da crew.

 

Achei que não valia a pena estar a esforçar-me tanto para uma coisa que só por sorte correu bem e que poderia colocar o profissionalismo e dedicação que meto em tudo o que faço. Isso nunca! E assim saí dali com a ideia que tinha sido o último.

 

E começa aqui alguma desilusão com a running crew, não com os elementos, mas com a definição do grupo e o seu propósito. O blogue continuava bem, cheio de assuntos, de comentários, de reviews de produtos, etc. Mas e a crew? O que se podia fazer mais? Por outro lado o meu objetivo nunca foi massificar a crew, abrir a muitos mais elementos, por outro não conseguia dispor de mais tempo (família e trabalho em primeiro lugar, sempre!) para correr e melhorar a minha performance na corrida. E se há desporto em que temos de ser verdadeiros é na corrida! Não se consegue mentir na corrida, dizer que corremos e depois não corremos é das mentiras mais curtas que conheço. E os corredores não gostam que se minta com a performance. Nunca!

 

Entretanto, o Pedro, Tiago e Stefan, que tinham entrado há pouco tempo na crew começaram a dar um novo impulso ao grupo, sobretudo na performance nas corridas. Apostaram no trail running e, de um momento para o outro, vi-me também apaixonado pelo trail. E inscrevi-me para Casaínhos, um trail de 15K simples, perto de Lisboa e que me pareceu o ideal para começar.

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O Pedro Luiz a iniciar uma descida em Casainhos

16568062_zmgMZ.jpegOs 4 cavaleiros do Apocalipse do Trail Running, a representar a crew nos trilhos. E aqui estreamos a nova t-shirt da crew, em tons de azul, para gáudio do Bruno Andrade


Entre esta inscrição e a corrida propriamente dita, fiz a Night Run em Lisboa. Uma corrida banal, igual ou pior que a São Silvestre de Lisboa, que tem mais carisma. O único apontamento de relevo foi ter conhecido, momentos antes da partida, e pessoalmente, o Nuno e a Joana Malcata. Falamos muito pouco, mas finalmente conhecia quem era o Nuno e a Joana das corridas de quem a minha mulher me falava nas últimas semanas.

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Voltando ao trail de casainhos, este correu muito bem. Só que no final da prova senti fortes dores no pé direito e semanas mais tarde descobri que estava com uma Fascite Plantar. Uma “querida” que só me largou lá para Fevereiro do ano seguinte (já em 2014). E foi-se embora mais cedo graças à Dr.ª Sara Dias que se prontificou a curar a minha maleita. E conseguiu!

 

De Outubro a Fevereiro apesar de pouca coisa ter acontecido com a crew, muita coisa se passou na minha cabeça. Faria sentido continuar com a running crew? Vi o projeto Correr Lisboa a crescer, a conseguir reunir mais de uma centena de pessoas em Lisboa de forma profissional nos seus treinos solidários, e eu achei que não devia ir pelo mesmo caminho. Seria fácil replicar, copiar, ir atrás do que eles estavam, e bem, a fazer. Mas eu não sou assim. Gosto de coisas originais e nunca na vida iria fazer copy paste de algo já criado, sem, pelo menos lhe dar alguma inovação.

Entretanto, os projetos Correr na Cidade e Correr Lisboa começaram a afastar-se, e quem diz os projetos diz as pessoas. Eles vincaram a sua vertente mais profissional e fizeram o seu caminho. Começaram a afirmar-se como blog, entraram para o Clix, passaram a ser a equipa oficial da Adidas, tiveram a apadrinhamento dos bloggers mais importantes cá do burgo, e a partir daí o afastamento aconteceu. Qual a razão certa confesso que não sei apontar. Mas não há que disfarçar que hoje em dia há uma certa rivalidade salutar, e vou sublinhar, s a l u t a r, entre os dois projetos. O que até é giro. Há gente amiga dos dois lados que se dão bem e há outros que nem tanto, mas os projetos são diferentes, tal como as pessoas são diferentes. Nós somos e sempre seremos mais “Indie”. Ou para para ilustrar melhor, nós somos a Apple e o Correr Lisboa é a Microsoft. Perceberam?

 

Em janeiro, depois das férias e quando a minha lesão melhora e comecei a voltar às corridas, senti que a crew devia crescer e que deixasse de ser a crew do Filipe Gil, para ser de mais pessoas. Para mim era urgente! O Pedro Luiz ajudou muito nesse aspeto e o Tiago começou a perder a timidez inicial e começou a dar mais ideias e a aparecer mais.  

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Palmilhas para pronadores. As minhas melhores amigas desde então.

 

Não sei porque raio, dei por mim mais motivado e a decidir que tínhamos de crescer mais.

Convidei o Nuno e a Joana Malcata, que prontamente aceitaram, e houve ali uma empatia muito grande com ambos; o Nuno Ferreira perguntou-me se o convite que lhe tinha feito uns meses antes ainda se mantinha de pé e juntou-se. E ainda aceitei a auto candidatura da Bo Irik. O processo da Bo foi engraçado. Um dia coloquei no facebook que a crew precisa de mais mulheres, e recebo uma mensagem dela, no Facebook do Correr na Cidade, isto em finais de novembro, talvez, a perguntar se podia juntar-se a nós, à nossa crew. Pedi-lhe paciência e que quando decidisse abrir a crew voltava a falar com ela. E assim foi. Umas semanas mais tarde a Carmo Moser definiu-nos como a crew mais cool de Lisboa e arredores, e em resposta enviei-lhe um convite, prontamente aceite.

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E em meados de janeiro eramos já 13 elementos: Eu, Natália, Nuno Espadinha, Bruno Andrade, Ana Morais, Bo Irik, Carmo Moser, Joana Malcata, Nuno Malcata, Pedro Luiz, Tiago Portugal e o Stefan e o meu primo Pedro, que mesmo assim se manteve mais afastado.

16567042_nwTgQ.jpegApenas falta a nossa Carmo Moser para a crew estar completa, isto em fevereiro de 2014, foto dela abaixo. 

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A partir de Janeiro a história da running crew nunca mais foi a mesma. Aliás, nunca voltará a ser a mesma. Mas amanhã, no último capítulo saberão o porquê.

 

Boas corridas.

A (breve) história do Correr na Cidade Running Crew - parte I

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Por Filipe Gil:

Como alguns de vós sabem o Correr na Cidade Running Crew fez no passado dia 15 de novembro dois anos de existência. Como um dos fundadores publico a partir de hoje e até sábado umas linhas sobre a breve história desta running crew.

Tudo começou com o blogue Correr na Cidade, criado em Abril ou Maio de 2012 – confesso que não me lembro bem. Através da minha mulher conheci o Bruno Andrade, e entre os vários assuntos que conversamos em cafés e encontros com os filhos à volta, a corrida veio à baila. A maior experiência do Bruno que já tinha feito uma Meia Maratona, e que já tinha corrido com um grupo de corredores mais experientes, levo-nos a combinar umas corridinhas juntos e nessa altura comecei o blog. A paciência enorme do Bruno, que já tinha experiência de corrida, ao aturar-me, que arfava ao fim de 8km é de sublinhar. Se ele não tivesse insistido, provavelmente não estava aqui a escrever estas linhas. 

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Os meus velhinhos Nike Zoom. Na altura nem sabia o que significava a palavra pronador, mas já percebia de estilo (cof, cof, cof) 

 

Às nossas corridas de fim-de-semana, a que rapidamanete acrescentamos corridas durante a semana, sobretudo durante o verão, começaram a juntar-se mais alguns amigos, o Nuno Espadinha e os meus cunhados. Começamos a correr juntos mais assiduamente até que decidimos participar na Corrida da Selecção promovido pelo extinto BES, precisamente no dia em que Portugal se estreava no Europeu de 2012 com uma derrota frente à Alemanha. Foram cerca de 8km desde Oeiras até ao Estádio Nacional em Junho de 2012. Foi a minha segunda prova oficial – a primeira tinha sido a Meia Maratona de Lisboa em 2008 feita em conjunto com a minha cunhada Rosária.

 

Vi-me e desejei para a fazer e correr a subida final no Jamor que acaba no Estádio. Já na pista tive que andar. Fui fraco. Já o Bruno Andrade acabou fresco como uma alface, e atrás de mim veio o Nuno Espadinha a debater-se com os quilos a mais da na altura. Mas este episódio foi muito importante, percebi que a corrida tinha vindo para ficar, adorei o ambiente e o desafio psicológico de correr. Gostei muito da curiosidade intrinseca nas corridas. 

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Eu, Bruno e Nuno, todos com peso a mais...

 

E foi essa mesma curiosidade que me fez procurar cada vez mais informação sobre corrida, running crews, grupos de corrida. E, defeito meu, comecei primeiro a olhar para fora, para o estrangeiro, do que para o que se faz em Portugal. Conheci, através da net os Run Dem Crew, os nova iorquinos Bridge Runners, que mais tarde se dividirem em Black Roses NY, os Patta Amsterdam, os fantásticos NBRO, etc.

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 Os NBRO  de Copenhaga com os Run Dem Crew de Londres. Só gente "cool"

A sua abordagem “cool”, “indie”, depreendida, criativa pela corrida fez-me sonhar e inspirar em fazer algo parecido em Portugal, ou em Lisboa, para ser mais verdadeiro. Li posts e sites de corrida  “de fio a pavio”, descobri publicaçõesdiferentes e percebi uma abordagem diferenciadora e um cuidado com a imagem fantásticos.

 

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A nipónica Corner Magazine, que infelizmente só teve dois números editados.

 

Percebi que havia jornalistas, criativos, pensadores, escritores, músicos, fotógrafos, designers que se tinha apaixonado pela corrida, que “deixaram” que a corrida entrasse e mudasse as suas vidas. Se até o trend setter Tyler Brulê – criador da Wallpaper e diretor da Monocle, da qual sou fã, corre diariamente e tem orgulho nisso, se o fantástico Malcom Gladwell corre, e muito. Se o Murakami escreveu um fantástico livro sobre corrida (o meu preferido). O "mojo" da corrida apoderou-se de mim. 

 

Nessa altura estava a sair de um projeto do qual tenho o maior orgulho ter sido um dos fundadores, o Jornal Pedal. E isto tudo fez crescer em mim o gosto pelo running, ajudado pelo exemplo do  Bruno Andrade, que foi a minha primeira inspiração para correr. Passadas umas semanas lancei-lhe o desafio: e se começássemos a correr com a mesma camisola, com o mesmo nome, com o mesmo logótipo, e criassemos não um grupo de corrida, não uma equipa, mas uma running crew? O Bruno que não é de comunicação, olhou para mim com alguma desconfiança. Ainda hoje estou para perceber se achou piada à ideia ou se achou que eu era um louco.

 

Continuei a pesquisar e daí descobri dois grupos que me inspiraram, desta vez em terras lusas: os Run4Fun e os Scalabis Night Runners. Grupo de corrida fechados com uma postura que me agradou. Por dias, antes de formar a crew, ainda pensei pedir afiliação ou a uns ou a outros. Mas achei que tinha alguma capacidade de criar um crew mais à imagem do que se fazia lá fora  e que, pelo menos, seriamos três ou quatro, uma multidão, portanto a correr com algo novo e original.

Assim, e depois de umas corridas, lá convencia o Bruno Andrade  e formarmos a Correr na Cidade Runnig Crew e coloquei no blog o seguinte:

“Hoje, dia 15 de novembro é o dia de fundação da Correr Na Cidade Running Crew, e este blogue passa a ser também o blogue de uma runinng crew – para além da sua função normal de blogue sobre corridas. Os fundadores da running crew sou Filipe Gil e o Bruno Andrade". 

 

O nome não foi fácil e pensamos em várias coisas, mas achámos que devia ter o nome do blogue, até para dar a conhecer este a mais pessoas e porque o nosso propósito era de ser um movimento urbano, de corrida nas cidades - nesta altura não fazia a mínima ideia o que era trail running... O Bruno, nesta altura começou, amiúde, a escrever para o blogue também. Pedi a um amigo designer – que ainda está com o projeto do Jornal Pedal – o Luís Gregório para fazer um logotipo para a crew.

 

Queria que não tivesse uma cor oficial mas sim várias e que poderiam mudar consoante as estações do ano, mas que fosse urbano – como o nome da crew –  com bom gosto, meio "indie" e diferente de tudo o que havia. Ele deu-nos duas opções a escolher. E escolhi este nas diferentes versões de cor.

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 O logo nas diferentes cores que poderiam ser utilizadas conforme nos desse na "real gana"

 

A primeira prova que fizemos com tshirts brancas e de CnC Running Crew ao peito foi nos 20Km de Cascais – se não me engano. A ideia de nos preparar para a uma Meia Maratona em Março de 2013, começou a ganhar terreno. Convencemos o Nuno Espadinha a pertencer à crew e na altura o meu primo Pedro Gaspar e os meus cunhados Osvaldo e Rosária. Curiosamente, estes três, por diversas razões estão afastados das lides da crew, mas com porta aberta sempre que desejarem.

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A primeira tshirt do Correr na Cidade. Quando as Kalenji ainda tinham qualidade...

E a partir daí a crew e o blogue começaram a aparecer nas corridas e começamos a trocar mensagens com algumas crews internacionais e nacionais, sobretudo, em Portugal, com os Scalabis Night Runner.

 

Para a Meia de Lisboa fizemos t-shirts novas, encarnadas (apesar do Bruno preferir em azul, desejo mais tarde satisfeito), que serviram para o baptismo dos 21K para mim e para o Nuno Espadinha e para o regresso à distância do Bruno Andrade. E correu bem. Quer dizer, podia ter corrido melhor, mas só serviu para aumentar a paixão pela corrida e sentirmos que estavamos a criar uma coisa engraçada. Isso e muitas bolhas nos pés.

16570297_nkQnM.jpegMúsica, apps, headphones e bolhas nos pés.A crew vencia a distância da Meia Maratona!


Amanhã volto a mais um capítulo.

Verdadeiros campeões!!!

Durante esta semana iremos falar várias vezes da prova de trail deste domingo, no Arrábida Ultra Trail, nas várias distâncias da prova ( 14K,23k e nos 80K). Mas não podemos começar a semana sem escrever sobre o orgulho, felicidade, respeito e entusiasmo que temos pelo Luís Moura e Stefan Pequito. Ambos tiveram provas fantásticas e uma performance irrepreensivel. 

O Luís ficou em 10º nos 80km, e em 3º lugar no seu escalão e o Stefan Pequito em 10º  lugar nos 23km.

Nesta semana em que comemoramos os dois anos de existência do Correr na Cidade Running Crew (fundada a 15 de Novembro de 2012), estas duas excelentes classificações foram dois belos presentes para todos na crew.

Parabéns aos "nossos" campeões! E temos a certeza que, para ambos, isto é só o início.
Crew Proud & Crew Love!

 

10384847_10152570228384958_4238555582865704674_n.jLuís Moura após ter terminado os 80K com 9h31 (tempo não oficial)

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Stefan Pequito a terminar em 10º lugar na prova dos 23K com 2h02

 

A essência de uma running crew

Por Filipe Gil:

 

Muitas vezes perguntam-me o que é uma "running crew"? O que a diferencia de um grupo ou um clube de corrida ? Para responder a essas questões podia muito bem acabar este post escrevendo apenas: venham ao próximo treino do Correr na Cidade Running Crew e ficam a saber!!



Mas não. Não é justo. Quem tem curiosidade por nós merece mais. As running crews, como o Correr na Cidade, e outras noutras cidade do mundo, são diferentes. Reúnem pessoas diferentes mas com uma paixão pela inovação, pela criatividade e, sobretudo, pela corrida e pelo coletivo. Achamos que somos diferentes. Nem melhores nem piores. Mas se ainda continuam com curiosidade e querem saber mesmo a diferença, a nossa diferença, apareçam nos nossos treinos! 

 

Este pequeno documentário que vos deixo transmite um pouco aquilo que nós somos e o que nos inspira:

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