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Correr na Cidade

Review: Skechers GOrun Strada

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Por Bruno Andrade:

 

Terreno: Estrada
Passada:  Neutra
Peso: 289g
Preço (estimado) : 130 Euros
Drop: 8 mm

 

Nestas semanas de treino deu para confirmar duas das palavras que poderiam bem resumir este modelo: Amortecimento e Estabilidade.

 

AMORTECIMENTO:

A combinação das duas tecnologias, já antes faladas na 1ª impressão, faz com que, independentemente do tipo de terreno, a mudança não seja muito sentida devido ao amortecimento que apresentam. No entanto, realço que este modelo foi pensado para estrada.O apoio de calcanhar de 8mm dão um elevado amortecimento, traduzido numa excelente absorção do impacto durante a corrida.

 

Mas vamos por partes: 

Sola: a sola é feita com materiais duráveis.  É muito resistente e mantém o sapato mais leve. A borracha de alta densidade reforça a sola de modo a que ela vai ser mais resistente ao desgaste. A tecnologia M-Strike promove um impacto que está focada na área do meio da planta do pé (mid-foot). A tecnologia GO impulse Sensors, enviam um feedback para o cérebro, o que leva a uma reação imediata a quaisquer mudanças no terreno. Ela também ajuda na manutenção da estabilidade e postura correta do corredor .

Entressola: A entressola tem realmente grandes sistemas de amortecimento que vão assegurar bem o pé e proporcionar conforto. O Resalyte é a mistura de borracha e composto de EVA que compõe a maior parte do único material. Controle de tração Resagrip está lá para assegurar ao corredor um poder bem regulado de transição.

Parte superior:  Malha e sintético compõem a maior parte da construção da Skechers Gorun Strada. O design da parte superior proporciona estabilidade e apoio substancial para a pé.

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ESTABILIDADE:

As características de estabilidade destas sapatilhas realmente ajudam na regulação do pé para a postura mais natural. É uma ajuda bastante útil, especialmente para aqueles que são  pronadores. Os módulos de estabilização ajudam a fixar o pé no lugar, e não compromete a liberdade de circulação e a respirabilidade geral do sapato.


Em relação à aderência em piso molhado, não sendo claramente a sua vocação, não me fez perder a confiança, e mostrou não ficar atrás de modelos pensados para esse fim.

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DESIGN:

Em relação ao seu design tem cores bastante apelativas como já é apanágio da Skechers.Relativamente aos refletores, estas sapatilhas estão muito bem servidas, a elevada quantidade de refletores, tanto na parte da frente da sapatilha como na parte de trás permitem uma maior visibilidade do corredor contribuindo assim para uma maior segurança.

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Avaliação Final

Conforto: 16/20
Design/Construção: 18/20
Estabilidade/Aderência: 19/20 
Amortecimento: 19/20
Preço: 17/20

Total 89/100

 

Conclusão: Os Skechers Gorun Strada são uma grande atualização. É um sapato neutro que fornece tanto desempenho como qualidade. Para um treino diário é muito eficaz,e  para provas também cumpre o que promete. São muito confortáveis e resistentes, ao mesmo tempo.

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Uma imagem que vale mil pensamentos

Por Filipe Gil:

 

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A imagem e o comentário acima dizem-me muito. Infelizmente. Preferia mil vezes estar aqui a escrever sobre os meus próximos desafios do que este muro de lamentações que tem sido os meus posts desde os finais de março (até eu já estou farto deles). Mas a vida é assim, e recuso-me a fraquejar. E um blogue é como um casamento. Para o bem e para o mal até que deixe de fazer sentido. Como acho que ainda faz, e muito (pelo menos da minha parte, já que é um blogue coletivo), espero voltar à escritas “gloriosas” em breve. Por ora, só notícias do “Dark Side”.

 

Na foto acima, retirada do Instagram do ultra maratonista Rob Krar, um dos mais talentosos corredores de longas distâncias (quem tiver curiosidade de ver os seus tempos em treinos, basta segui-lo na sua conta de Strava…e depois fechar a boca de espanto).

 

Nele, Rob Krar fala da difícil opção de não participar na edição deste ano do Ultra Trail do Mont Blanc (creio que seria a sua estreia em terras europeias). Com uma lesão, ou princípio dela, o atleta optou por não forçar o seu corpo e deitar um sonho por terra a bem do futuro próximo na modalidade). Ora, quando vi esta imagem, na velocidade frenética com que passamos o polegar pelo ecrã dos smartphones a consultar os Instagrams que seguimos, detive-me nesta imagem. E fez-me refletir.

 

Claro que qualquer comparação comigo e com o Rob Krar deve resumir-se ao facto de ambos respirarmos. Mais do que isso, não há.

 

Mas fez-me refletir no que foi a estupidez, (hoje em dia classifico assim) de não ter conseguido dizer que não a correr na Ultra do Piódão, em ter entrado em modo “avestruz” e colocar a cabeça na terra e achar que, com 8 dias de inatividade, a lesão passava. Fui parvo para quem já anda nisto há mais de três anos. E erro nº1 foi fazer a prova sem ter avaliado bem o joelho, mas essa até dou de barato porque o entusiasmo era grande, o planeamento de ir para o centro de Portugal já tinha meses e provavelmente, nem que fosse para aplaudir (o que me iria custar muito), iria ao Piódão com a minha crew. Vá, sendo sincero, talvez fosse mais esperto fazer a distância mais curta.

 

O erro nº2 foi não ter parado quando o joelho me começou a doer “mesmo” durante a prova. Não digo logo ao início, mas mais perto dos 20 kms onde andar já se tornava um suplício. Lembro-me, de pensar na altura que seria uma desilusão para a minha família, para os amigos, para aqueles a quem, publicamente no blogue, me foram seguido na preparação daquela aventura. E ainda mais o que seria acordar no dia seguinte em que todos se tinha tornado Ultra Maratonista e eu o único que ficara de fora. Devia ter dado ouvidos ao Tiago Portugal quando me aconselho a parar antes da subida do inferno (Quem foi ao Piódão sabe a qual me estou a referir).

 

Confesso que hoje em dia não sei se já estaria curado do joelho se não tivesse feito os tais 53km com dor intensa no joelho (ok, os primeiros 8/10 km não doeram). Mas provavelmente estava. Se calhar até já me teria inscrito num outro ultra trail e feito a prova sem grandes problemas e em boa forma. E tinha continuado a correr, e a treinar, e a divertir-me. E não a olhar a corrida e o correr como algo apenas disponíveis para os outros. Um prazer enorme a que estou vedado há demasiado tempo.

Resultado: ainda aqui estou de “joelho ao peito”. Não corro nada de nada desde o dia 1 de Agosto, em que parei ao fim de 1km porque a dor começou a chatear e aí decidi que as próximas 6/7 semanas iria parar de “tentar” correr. Parar mesmo!

Uns dias depois fui andar de bicicleta e também doeu, e há poucos dias, a nadar, ou melhor a brincar que nadava, o joelho disse “olá” da pior maneira possível. Basicamente, quando nadava de bruços. Acho que posso dedicar-me a jogar xadrez ou às cartas para que o joelho não doa.

 

Hoje em dia leio tudo sobre lesões, desde jogadores de futebol que estão a passar por martírios, a corredores ou tri atletas que passam pelo mesmo.Tudo para tentar perceber como se consegue estar afastado de uma grande paixão. Sobretudo, estar afastado sem data de regresso. Quem me dera que alguém me dissesse: Filipe, estás com problemas, mas fazendo X ou Y, voltas a correr dentro de 2 meses. É tudo o que gostava de ouvir para trabalhar na dita recuperação.

 

Resumo: sem querer dar lições de vida a não ser a mim mesmo, deixo no ar a todos os corredores que agora neste momento estão a braços (ou a pernas) com lesões e que têm a prova mais importante da sua vida em breve (que é sempre a próxima) e que estão a ponderar fazê-la mesmo com queixas e dores. Vejam a opção do Rob Krar de que vos falei acima. Vejam o que um campeão profissional optou por fazer. Ponderem bem a vossa decisão! Podem ter sorte e nada acontecer e podem ter azar e o vosso corpo reagir mal e passarem semanas ou meses a ver passar os outros correr.  

 

Será que uma próxima prova – onde colocamos muito do nosso esforço – vale a pena? Ou será que é alegria de podermos correr quando quisermos, de forma saudável, e o que nos faz mover e que torna a corrida tão especial? 

 

No meio disto tudo, e já vamos a caminho dos seis meses de lesão, não posso deixar de agradecer o incentivo para não baixar os braços da minha mulher, que tem sido incansável em puxar-me para cima e em acreditar em mim - mesmo quando eu estou à beira de desistir. Obrigado Natália.

 

Agradecer aos meus parceiros de crew também incansáveis no apoio e dos "prós" Hélder Ferreira e Katarina Larsson e Miguel Reis e Silva, que me têm tentado ajudar a encontrar soluções médicas para resolver esta estupida lesão. Ainda um agradecimento especial à Drª. Sara Dias e ao José Urbano que têm feito os possíveis e impossíveis para me ajudar a passar por isto.


As próximas semanas estarei parado sem qualquer atividade ligada à corrida, vou tentar continuar nadar, caminhar e fazer algum exercício de ginásio que não envolva pernas (uma seca, portanto). E depois disso irei avaliar a situação. Nem que tenho de fazer nova ressonância magnética, mais fisioterapia, mais ecografias, etc..Não vou desistir!!!


E com isto todas as provas que gostaria de fazer no 2º semestre, tais como a Corrida do Tejo, Meia Maratona do Porto, Corrida da Linha e Meia Maratona de Lisboa vão ser vistas do lado de fora. Para não falar dos inumeros trails ou, mais importante de tudo: correr com os meus amigos de crew. Custa muito, vocês nem imaginam (e ainda bem).

Mas se calhar devia ter-me lembrado disso quando fui teimoso em terminar 53km com dor.Uma lição para a vida. Pelo menos para mim.

Como preparar a logística de um ultra trail

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Por Luís Moura

 

Correr é das coisas mais simples que existe no seu core.


No entanto, quando começamos a ir a provas, e principalmente provas de trail, a logística da sua preparação e de a correr começa a complicar à medida que pretendemos retirar mais das mesmas para além do inicial "vou ali correr 30km e volto logo à noite".

Diversos pontos são importantes para que a prova, pré-prova e pós-prova corram bem. Quase tudo pode ser analisado e planeado. Mesmo dentro do planeamento, deverá haver espaço para o inesperado, pois existem e acontecem coisas que simplesmente não controlamos, mas se conseguirmos planear bem, estaremos mais preparados para readaptar o plano inicial com outras soluções.


Não vou entrar em detalhes como a alimentação durante a prova, pois cada um tem pesos, ritmos e metabolismos diferentes. Quanto mais experiência tivermos, e melhor conhecermos o nosso corpo, melhor se pode adaptar à escolha do que comer antes e durante a prova.


Relativamente aos pormenores de roupa por exemplo, correr uma prova de 30km ou de 100km pode ser muito diferente devido ao tempo. Por isso vamos analisar os vários detalhes mas sempre olhando para "a floresta e não apenas para a árvore".

Vamos dividir a análise em :
- PRÉ-PROVA
- VIAGEM
- PROVA
- PÓS-PROVA

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PRÉ-PROVA
- Escolher roupa para final de prova
- Analisar material obrigatório
- Procurar informação na Internet sobre a prova
- Procurar feedback de edições anteriores
- Analisar altimétria do percurso
- A que horas vamos correr

Antes de começarmos a planear a prova em si, podemos começar por ler informações sobre a mesma no site oficial e começar a planear a logística de viagem, alojamento e alimentação. Planear a viagem, se vamos de carro, comboio, avião ou metro. Alojamento convém ser perto do inicio/fim da prova. 

Se for circular é no mesmo ponto, se for de ponto a ponto, vejam se a organização tem transportes para o ponto de origem. Uma estadia relaxada mesmo ao lado da partida por exemplo, permite acordar calmamente, tomar um bom pequeno, andar um bocado e preparar as coisas com mais calma do que sair de madrugada de casa e ter que fazer 150 ou 250km até à prova, onde vamos chegar com stress da viagem e com os níveis de ansiedade elevados. Voar e aterrar umas horas antes de uma prova também deverá ser uma situação a evitar.

 

Se já houver edições anteriores, é sempre bom ir procurar informação na Internet ou falar com amigos que já a tenham feito. Podem dar informações muito relevantes, mesmo sendo apenas pequenos detalhes, que no final podem fazer muita diferença em provas grandes.

 

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Por exemplo, em Óbidos, no Trail Noturno que se faz naquela região todos os anos, há cuidados a ter. Como é uma zona junto ao mar costuma estar quase sempre um vento de norte frio, por isso convém levar ou luvas ou uma t-shirt extra/corta-vento para aquela parte do percurso. Há meia-noite e com vento frio, é natural que o corpo arrefeça um bom bocado e seja preciso um reforço na roupa.

Ler a lista do material obrigatório de fio a pavio 10x e garantir que temos tudo no dia da prova. Maior parte do material faz parte do kit de segurança activo e passivo nas provas e é um ponto que não se pode descurar. Além disso, em cada vez mais provas a falta de um componentes obrigatórios dá direito a penalizações de tempo ou mesmo a desclassificação directa.

 

Pensar na roupa que vamos deixar ou no carro ou no hotel para no final da prova trocarmos e ficarmos rapidamente confortáveis.

 

Analisar a altimetria da prova e o tipo de terreno que vamos encontrar vai-nos ajudar a planear no longo prazo o tipo de treinos necessário. Sabendo por exemplo com 4/6 meses de antecedência essa informação, podemos incorporar no nosso planeamento treinos que permitem simular ou aproximar das condições das provas e assim preparar o corpo para o que vai encontrar. Se formos correr num sitio muito árido ou com muitas rochas e nevoeiro, convém tentar simular pelo menos 1x essas situações em treino.


No caso da hora da prova, é extremamente importante quando estamos ainda numa parte inicial da nossa preparação nos trails.


Correr de manha cedo, à hora do almoço ou à meia-noite é muito diferente em vários aspectos, e um dos mais importantes deles é a visibilidade para quem não estiver habituado a correr durante a noite por exemplo. Novamente, planear pelo menos um treino nas condições horárias que vamos encontrar ajuda muito a preparar a nossa mente para o que vai encontrar.

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VIAGEM
- Planear viagem, hora de saída, paragens e hora de chegada
- Analisar tempo de viagem
- Avaliar comida necessária

O planeamento da viagem deverá ser feito para evitar percalços e tentar reduzir o stress antes da prova. Quanto mais suave for a viagem, menos stress temos tendência a cultivar.


Sair de Lisboa numa Sexta-feira ás 18h pode ser meio caminho para ficar parado em filas enormes de transito e elevar os níveis de irritação. Procurar evitar horas de transito ou vias muito congestionadas sempre que possível.

 

Eu raramente saiu de casa para fazer uma viagem de carro sem antes ir ao google ou ao via michelin e planear o percurso. Para onde não conheço, fico com referencias. Os GPS's são das melhores invenções para quem viaja, mas em algumas situações ele confunde os destinos se existirem mais que um com o mesmo nome. Nunca facilitar nestes pequenos pormenores.


Se as viagens forem longas, acima de 2 horas, planear um ou mais pontos de paragens para esticar as pernas, comer e relaxar o corpo. Evitar sair em cima do tempo limite para não obrigar a andar sempre no limite. Se viajarem de avião, tenham atenção à existência de voos de ligação e se as esperas são longas.

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PROVA
Percurso
- Analisar altimetria do percurso
- Analisar track do percurso
- Analisar piso do percurso
- Avaliar tempo previsto

Este é o ponto principal da análise, onde devemos perder mais tempo.


Devemos analisar ponto de saída e chegada, altimetria da prova, se tem subidas muito compridas ou se passa em pontos muito altos que vai influenciar a roupa, ritmo e previsão de passagem no próximo abastecimento, se passa em riachos ou não, se o percurso tem muita lama ou não, se vamos apanhar zonas muito técnicas ou não. Se vamos apanhar zonas de pouca visibilidade devido a nevoeiro em zonas altas ou se for noite. Tudo vai influenciar na escolha do ritmo, das sapatilhas, da roupa, da alimentação, se é preciso usar frontal ou não.

 

Quando molhamos os pés ao inicio de uma prova é muito diferente para muita gente do que molhar apenas na parte final. Alguns molham os pés e continuam em frente enquanto que para outras pessoas, os pés molhados ou cheios de lama incomoda a mente e consequentemente o ritmo. Dai a importância de treinar pelo menos 1 ou 2x em sítios que tenham condições iguais ou similares ao que vamos apanhar na prova.


Imprimir o track e a altimetria e andar a visualizar o mesmo durante alguns dias, uns minutos por dia, vai ajudar a quase memorizar o mesmo. Não devemos forçar o cérebro a memorizar tudo, mas se olharem para o papel durante alguns dias seguidos, ele vai memorizar a maior parte dos pormenores e durante a prova não somos apanhados na curva.


Quem quiser pode imprimir a cores e mandar plastificar para o dia da prova para vos acompanhar, seja pendurado na cintura ou dentro da mochila para visualizarem 2 ou 3x durante a prova.

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Alimentação
- Avaliar quanta água é necessária
- Avaliar comida necessária
- Avaliar abastecimentos
- Avaliar distância entre abastecimentos

Algumas pessoas dividem o percurso em sub-segmentos. Uns escolhem por exemplo segmentos de 5km cada, outros escolhem segmentos com alterações físicas no terreno, como por exemplo distancia entre a base de uma subida até ao topo da mesma se for comprida.

O que é importante é dividirmos em segmentos para os analisar ao pormenor e decidir o que fazer nele. Que ritmo vamos fazer tendo em conta a altimetria, tipo de piso ou condições meteorológicas. Se tem abastecimento ou não nesse segmento. Se não tiver, qual a altura se for necessário de comer algum sólido que tenhamos na mochila.


A gestão da água também é muito importante. Tendo em conta o consumo normal de cada um, deverão sair de cada abastecimento com água suficiente até chegar ao próximo abastecimento previsto + uma pequena reserva para o caso de acontecer algum imprevisto, como por exemplo, perdermo-nos durante 1 ou 2km ou tenhamos alguma impossibilidade física de andarmos ao ritmo previsto. Água a mais pesa nas costas ou na cintura mas é melhor termos esse problema do que ficarmos sem água no meio de uma serra ou montanha e colocarmos a nossa saúde em perigo.


Roupa
- Analisar material obrigatório
- Escolher roupa principal
- Escolher roupa backup para plano B
- Analisar se tem saco de apoio a meio da prova
- Montar a mochila da melhor maneira
- Material de primeiro socorro

No dia anterior à prova, voltamos a verificar o material obrigatório e garantir que está tudo conforme.Devemos escolher a roupa final já mais em cima da prova tendo em conta as previsões meteorológicas mais recentes e provavelmente mais correctas.

 

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A roupa escolhida deverá manter o corpo na melhor temperatura possível para o que estamos habituados, deverá proteger o corpo de alguns percalços habituais dos trilhos, deverá ter alguma parte reflectora se formos para um trail nocturno por exemplo, deverá ter algum tipo de bolso para guardarmos um papel ou pastilhas de açúcar/glucose para alguma emergência durante a prova. Ajuda levar também alguns componentes que se possam vestir ou despir rapidamente quando pensamos que na prova vão existir mudanças de temperaturas ou condições pluviométricas, como o caso de impermeável, chapéu ou luvas.

Depois desta tomada de decisão, se possível devemos levar para o inicio da prova e deixar no carro ou no hotel uma muda de roupa para no caso de nas ultimas 2 ou 3h antes do inicio da prova, algum elemento mudar bastante que obrigue à sua utilização.


Em algumas provas mais longas já existe a facilidade de enviar roupa ou sapatilhas num saco para um PAC pré-definido. Analisem bem se vão precisar de utilizar essa possibilidade ou não. Não se esqueçam que muitas vezes as provas tem condições diferentes no inicio e no fim devido às longas horas que separam as duas fases. Se por exemplo no inicio do trail apanharem 30 ou 40km com muita agua no trilho ou a atravessar riachos, e a parte final for muito mais seca, se houver um PAC pelo meio pode ser boa ideia enviar um par de sapatilhas juntamente com meias limpas e secas para ajudar os pés a manterem-se secos e protegidos.


Além disso, pés frios = perda de performance já que o corpo começa a entrar em modo de sobrevivência e pode perturbar o nosso ritmo normal.

 

Em sentido inverso, como no caso dos 100Km de São Mamede em que o inicio é à meia-noite, podemos sair e atravessar a noite com roupa mais quente e depois durante a manha quando chegamos ao PAC com a muda de roupa, deixamos ficar lá o que em principio já não vamos precisar até ao final da prova, se estivermos a prever chegar muito antes da noite cair novamente.

Relativamente à maneira como vamos utilizar a nossa mochila, ou um dos novos cintos maiores que agora existem, para a prova alguns pequenos detalhes devem ser levados em conta. Como o caso das coisas mais pesadas devem ficar na parte baixa das bolsas e as mais leves por cima para provocar a menor oscilação da mesma assim como ajudar a descer o centro de gravidade.


As coisas que estamos a prever usar com mais frequência como barras energéticas ou géis deverão estar mais acessíveis do que por exemplo o telemóvel ou a manta térmica. No geral a mochila deverá estar o mais equilibrado possível e depois de colocada no corpo deverá abanar o menor possível para ajudar a locomoção durante a prova e provocar o menor desgaste das costas e ombros.


No caso de ser possível, devemos carregar na mochila um pequeno kit primeiros socorros para pequenos acidentes ou percalços que possam acontecer durante uma prova. Existe na internet informação detalhada sobre os principais componentes a carregar.


Não esquecer que em algumas provas no período mais quente do ano e em horário diurno, o uso de protector solar deverá ser uma mais valia para proteger a nossa pele e o nosso corpo de escaldões e subidas de temperatura que podem por exemplo aumentar o consumo de água.

Nunca esquecer de levar também uma pequena quantidade de dinheiro em notas para alguma emergência que exista durante a prova.

 

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Fica aqui um exemplo de como faço o meu planeamento usando regras simples. Contém a indicação dos abastecimentos, o sitio onde iria fazer reforço de comida para além dos abastecimentos ( pontos B"arra" ) e em cima a indicação do ritmo que deveria tentar imprimir nas secções definidas, tendo em conta o piso, desnivel e km's.

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PÓS-PROVA
- Mudar de roupa
- Tomar banho ou limpar áreas do corpo mais sujas
- Utilizar muda de roupa previamente arrumada
- Pequena zona de relaxamento e recuperação

Depois da prova finalizada, nada melhor do que limpar o corpo e vestir uma roupa lavada e fresca/quente.Se a prova tiver massagens, utilizem. É muito bom para o corpo e para a recuperação do mesmo. Não ficar logo parado mal acabem a prova também ajuda a que as pernas recuperem mais depressa. Andar um bocado é sempre uma boa solução.


Alongamentos específicos já um pouco depois do final da prova ajuda a recuperar os músculos e tendões para os dias seguintes. Algumas pessoas gostam de efectuar pequenos rituais antes das provas. É uma maneira de se acalmarem ou de aumentar o nível de concentração. Desde que funcione para cada um, aproveitem.


Eu pessoalmente gosto sempre de fazer um pequeno aquecimento uns minutos antes da prova começar e depois ficar 5/10 min. sozinho a pensar no que vou encontrar durante as próximas horas. Ajuda-me a relaxar e a preparar a mente para o que vou ter que fazer.

Tudo isto é o que costumo fazer antes de um ultra trail e é um acumulado da minha experiência pessoal. Se tiverem sugestões/correcções a fazer, estejam á vontade para escrever nos comentários do blog.

Cuidados com a ter com a pele - para corredores (e não só)

 
O verão está aí! Uns dias mais tímido outros em toda a força a fazer lembrar que é nesta altura que todos os que praticam desporto ao ar livre, tais como os corredores, devem ter cuidados especiais com a pele. Assim, pedimos conselhos a um especialista, o Dr. João Goulão, Dermatologista, que deixa aqui conselhos e ideias que todos (mesmo todos) não devemos esquecer.

 

Por João Goulão, Dermatologista, 

 

Nos últimos anos tem-se verificado em Portugal um aumento de desportos ao ar livre (entre os quais a corrida) com todas as vantagens que isso traz. Há no entanto a necessidade de reforçar o risco que existe para a saúde da exposição excessiva ao sol. Uma exposição solar excessiva leva a um fotoenvelhecimento da pele, manifestada pelo aparecimento de rugas, manchas, pequenos vasos sanguíneos à superficie da pele e especialmente pelo aparecimento de cancro de pele.

 

O cancro de pele é o tumor mais frequente no adulto. Uma em cada seis pessoas poderá desenvolver uma forma de cancro de pele ao longo da sua vida. Há vários factores que predispõem o seu aparecimento, sendo a radiação ultra-violeta (RUV) o principal factor ambiental implicado. Em 90% dos casos de cancro cutâneo, existe história de exposição solar excessiva, sobretudo na infância e adolescência. Infelizmente, o cancro cutâneo continua a aumentar de incidência.

 

Uma das razões é a diminuição da camada de ozono, mas tem havido também um aumento da exposição solar por parte das pessoas. Estas têm maior actividade lúdica ao ar livre e para agravar, vestem-se com menos roupa. O bronzeado como característica esteticamente bonita também tem contribuído para este aumento de incidência. É importante frisar que não há bronzeado saudável! Uma pele bronzeada é uma pele que sofre ou sofreu uma agressão, e o escurecimento da pele não é mais do que a defesa do organismo contra essa agressão.

 

A forma de prevenir a RUV é evitar o sol, mas isso é impraticável. O sol é essencial ao desenvolvimento e crescimento dos seres vivos, depende de nós a sua utilização de forma responsável e moderada. Há formas de minimizar a exposição solar: evitando o pico da RUV (11h da manhã às 16h da tarde); procurando espaços de sombra; uso de vestuário adequado, incluindo chapéu de abas largas e óculos de sol e por fim os “protectores solares”.

 

Estes últimos, na prática, não se têm demonstrado eficazes na protecção contra a RUV, muito por culpa dos consumidores. Os “protectores solares” têm que ser aplicados de forma generosa, numa quantidade superior a 2mg/cm2 (que é muito difícil determinar em termos práticos), deverão ser aplicados, em toda a pele, 20 minutos antes da exposição solar, não esquecendo os lábios, pavilhões auriculares, contorno dos olhos, mãos, pés e couro cabeludo nas pessoas calvas. Não esquecer ainda que deverão ser reaplicados de 2/2horas, sobretudo se o indivíduo toma banho ou transpira.

 

Rumo à 1ª Maratona – A concretização

 

Por Nuno Malcata

 

Após a estreia internacional em Ayamonte, Espanha, com recorde pessoal na Meia Maratona, a 1 mês da Maratona de Sevilha, a preparação chegou ao topo com um treino series de 24x 400m, que considero ter sido o melhor treino do último ano, senti-me muito bem, com muita força, fazendo as series em ritmo progressivo e terminei a sentir que tinha dado tudo e com sucesso.

 

No dia seguinte num simples treino de 1 hora senti uma ligeira dor no joelho esquerdo, foi o início de um grande problema. Após o treino o joelho inflamou e a perna esquerda deixou de dobrar.

 

A praticamente a três semanas da Maratona, vi-me impossibilitado de terminar o plano de preparação da melhor forma, mesmo com medicação e tratamento local, a dor persistia.

 

Confesso que desanimei um bocado, após tanto trabalho realizado, via a estreia na Maratona colocada em causa, porque se é importante a concretização dos objetivos a que nos propomos, mais importante é a nossa integridade física.

 

Após nova avaliação da passada, embora seja neutro, o pouco de pronação que tenho, associado ao peso que coloco na frente do pé a correr, aliado à carga de treinos do plano de treinos, podia ser a razão da inflamação, pelo que a decisão foi fazer palmilhas especificas para evitar o peso excessivo no joelho. Com alguns treinos de adaptação, e palmilha corrigida, o joelho deu algumas tréguas na semana anterior à Maratona.

Decidido então ir a Sevilha sem expectativas, iria fazer o que fosse possível da prova, e caso o joelho deixa-se, terminar.

 

Partida para Sevilha na véspera da prova. Se o dia da estreia da Maratona ficará na minha memória, a véspera ficará tão ou mais marcada em mim do que o próprio dia. A minha Crew do Correr na Cidade fez-me uma surpresa e cada elemento da Running Family presenteou-me com uma mensagem de motivação que me encheu o coração e me fez esquecer qualquer receio que pudesse haver relativo ao joelho.

 

Efetuados todos os preparativos para a manhã do dia seguinte, faltou aquilo que qualquer atleta deveria fazer na véspera de uma Maratona: dormir convenientemente. Por mais que quisesse, a cabeça não parava, se dormi duas horas, foi muito.

 

Saí da cama era 06:30, para às 07:00 ter o pequeno-almoço tomado. O receio de comer algo que me caísse mal era tanto que pouco comi do pequeno-almoço do hotel, levei para Sevilha tudo o que me habituei nos meses de preparação e fiz um belo batido de banana, gengibre, aveia, linhaça, goji, canela, mel, pó de guaraná e bebida de aveia. 

 

 

Bem alimentado, vestido a rigor, parti com a minha mulher Joana para o local da partida. Escolhi um dos hotéis mais perto do Estádio Olímpico, pelo que foi só seguir os muitos atletas que se dirigiam para o local da partida. Chegando próximo do estádio o ambiente era vibrante, com os atletas a aquecer, alongar, muita animação entre participantes e apoiantes, uma verdadeira festa.

 

Feita a despedida à Joana, que partia para o Km15 para abastecimento personalizado, foi hora de me colocar na minha secção da partida. Ao avançar um pouco entre os atletas deu para perceber a quantidade enorme de caras conhecidas de atletas portugueses presentes, dá mesmo para sentir que estamos em casa.

 

Pouco antes de arrancar, primeira atrapalhação da prova, o raio do Mp3 não queria colaborar com os phones. Antes da prova uma das dúvidas que tive era se valeria a pena levar musica, ao longo da preparação desabituei-me de andar sempre com música, mas achei que para 4 horas de prova seria bom ter um ritmo no ouvido para algumas fases.

 

Início da Maratona, muitos sorrisos nos rostos, foi a imagem com que fiquei, uma imensidão de felicidade estampada nos rostos de quem inicia a concretização de um objetivo tão grande para muitos.

 

Comecei a prova muito trapalhão, a perceber o primeiro erro cometido, não ter levado qualquer bolsa para os géis, como fazia nos treinos longos. Arranquei com dois géis, para os cinco e 10Km, sem sítio para os colocar, levava-os nas mãos. Com a guerra inicial para por o Mp3 a trabalhar, três coisas para 2 mãos, uma verdadeira trapalhada.

 

Ao Km 2 desisti do Mp3, e foi o melhor que fiz, nem ia a disfrutar da prova e do ambiente fantástico e a passada trapalhona só me estava a prejudicar o joelho.

 

Acertei com um ritmo certinho e muito confortável, e entre atletas com ritmo mais rápido ou mais lento encontrei pequenos grupos onde dava para ir integrado.

 

Aos Km 10 ia com bom ritmo, mas desconfortável, o joelho estava estranho, o anti inflamatório estava a impedir que ele deixasse de dobrar, mas o que sentia no mesmo era muito desagradável. Para piorar, a bolha que fiz na adaptação das novas palmilhas começou a doer, mesmo protegida com penso próprio. Ao Km 12 pensei seriamente que ao Km 15 iria parar.

 

O Km 14 foi um km quase mágico, verdadeiramente emocional. Toda a prova tem um apoio brutal do muito público, mas neste km passamos entre uma multidão de pessoas que aplaudiam e apoiavam todos os atletas, e entre tanta emoção as dores do joelho e bolha simplesmente desapareceram.

 

Pouco antes do Km15 procuro no meio da multidão a minha cara-metade e lá a encontro. Deixo o Mp3 e phones e agarro em mais 2 géis para os km 15 e 20. Neste momento passa o pacer para as 4h de prova e como estava com ritmo certinho tento ir no grupo que o acompanha.

 

Entre o Km 15 e a Meia Maratona foi uma das melhores fases da prova, sentia-me bem, e a disfrutar em pleno do trabalho feito na preparação. A felicidade era tanta que ao Km 16 ligo para a Joana para lhe dizer o que não tive tempo no abastecimento, e ao Km 20 até liguei para a minha Mãe que acompanhava como podia a prova via internet.

 

 

Cruzei o portal da Meia Maratona com um sorriso bruto, um pouco abaixo das 2h de prova, leve e com ganas para fazer uma segunda parte tão boa ou melhor que a primeira.

 

Perto do Km 23, voltam as dores na bolha do pé, dores muito agudas que faziam cada passada ser agoniante. É nestes momentos que a abstração ao sofrimento é importante e a preparação dura torna-nos mais fortes nestes momentos difíceis. Todo o ambiente e motivação dada por colegas atletas ou público é também fundamental para ultrapassar estes obstáculos ao longo do percurso.

 

 

Ao Km 25 recebi o segundo abastecimento personalizado pelo GFD, géis, água e incentivo que deram mais um boost de energia. Concluí também que a bolha deve ter rebentado porque as dores sumiram de novo e a boa disposição voltou.

 

Pouco antes do Km 30 senti a primeira sensação de verdadeiro cansaço, o ritmo naturalmente baixou uns segundos, nada de preocupante.

Sendo a estreia na Maratona desconhecia a confusão que se gera em cada zona de abastecimentos, a cada 2,5Km há bancadas com copos com água e em alguns com bebidas açucaradas. Dado o meu ritmo lento, com o passar dos km cada abastecimento se torna mais caótico, com milhares de copos espalhados pelo chão e cada vez mais atletas a parar abruptamente em vez de agarrarem nos copos e seguirem para não atrapalhar.

 

No abastecimento do Km 27,5 comecei a ter sérias dificuldades em passar pela zona de abastecimento e tive de fazer uma travagem brusca porque um atleta parou de repente à minha frente, foi como se me tivessem dado uma martelada no joelho. Este foi o meu “Homem da Marreta”, já me tinham avisado que ele deveria aparecer, nunca achei que fosse um colega atleta.

 

 

 

 

Nos abastecimentos do Km 30 e 32,5 nem me aproximei das mesas, mas a dificuldade de encontrar um caminho limpo era tanta que nem fugindo das mesas era possível correr sem o risco de escorregar no mar de copos espalhados pelo chão.

 

Com o gel consumido ao Km 30, sem beber agua no abastecimento respetivo, ao Km 31 tive de recorrer a um casal espanhol que gentilmente me cedeu uma garrafa de água que me soube pela vida e me acompanhou até perto do Km 35, obrigado a eles que abdicaram da sua água e do bebé que com eles estava. 

 

Infelizmente o pior da Maratona começou ao Km 33. Depois da paragem abrupta aos 27,5Km, e das zonas de abastecimento dos 30Km e 32,5Km, o joelho começou a deixar de dobrar e as dores começaram a ser muito complicadas de gerir.

 

Gerindo da forma que podia as dores, baixando o ritmo cerca de 30s em relação ao ritmo dos primeiros 28Km, cheguei ao Km 35, onde sabia que estaria a Margarida que me acompanharia nos últimos Kms da prova. Nesta fase muito complicada, fui buscar forças a todo o incentivo que recebi e lembrei-me muito dos companheiros de treino do GFD, do apoio de amigos e família e muito nos companheiros de Crew que em Portugal estavam a participar na Corrida da Árvore, mas estiveram sempre comigo.

 

 

Embora o apoio da Margarida tenha sido fundamental para não parar logo ao Km 35, o empedrado das ruas tornaram cada passada insuportável, o joelho deixou de dobrar quase completamente e cada passada traduzia-se numa dor enorme. Com o Km 37 chegou a decisão mais difícil, parei, avaliei o joelho e não dava para correr mais.

 

Na entrada no estádio Olímpico, decido tentar correr um pouco. No túnel de acesso abortei a tentativa, mas assim que pisei a pista arranquei com o passo possível de corrida.

 

Sabia que a Joana estava nas bancadas, perto da meta, tentei encontrá-la na reta da meta entre o público que aplaudia entusiasticamente os atletas que chegavam. Entre alegria, frustração, emoção e felicidade cruzei a meta, era Maratonista!

 

 

 

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