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Correr na Cidade

Race Report: Serra D'Arga 2015 - Sons of Anarchy

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Por Luis Moura:

 

O evento imaginado e criado pelo Carlos Sá para mim é das melhores provas a nível nacional. Muitas vezes temos dificuldade em explicar correctamente, a quem nunca lá foi correr, o efeito que aquele sítio nos provoca.

Sabendo de antemão que nos últimos 3 meses não tenho treinado como habitual para esta altura do ano, e como tal iria sofrer na pele esse défice, resolvi encarar com mais calma este evento.

A minha tática para esta prova iria ser completamente diferente do que tenho feito nos últimos 2 anos. Ir com calma e tentar chegar ao fim sem grandes mazelas passou a ser a principal meta.

 

Antes da corrida

O levantamento dos dorsais este ano foi um pouco diferente. Se até agora nas 4 edições anteriores se podia fazer o seu levantamento no Sábado e no Domingo, para evitar ter 2500 pessoas, ou mais, a tentar levantar o kit de participante no próprio dia da prova, a entrega dos dorsais foi distribuída por 4 locais diferentes do país apenas até Sábado. Claro que no Domingo de manhã às 7h andavam umas almas perdidas a perguntar pelo local de levantamento do kit porque não se aperceberam da alteração desta regra.

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(Altimetria da festa)

 

Chegámos uns minutos mais cedo do que no ano passado e conseguimos estacionar sem problemas. Também o facto de muita gente ter levado o carro directamente para a Montaria afim de fazerem as provas dos 13 ou 23km ajudou um bom bocado a não ter tantos carros no centro de DEM. Também esta foi uma evolução positiva face ao ano passado.

A novidade é que este ano a Liliana também iria participar no evento, neste caso nos 23km e existia algum nervosismo e ansiedade dela antes da prova.

No meu caso, tal como já referi, sabendo de antemão que não estava a ponto para a prova, seria mais de gestão de esforço/ritmo do que uma prova rápida. Mas nunca cometer o erro de virar as costas a Arga!!! Segundo a previsão meteorológica dos dias anteriores, previa-se estar um dia fantástico para correr. E foi...

No caminho ainda apanhámos muito nevoeiro do Porto para Caminha, mas acima de determinada altitude o tempo estava limpo e o manto branco do nevoeiro ficava a nossos pés. Excelente :)

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200.000 malucos à espera da partida :) 

 

Prova

Depois de nos vestirmos, entrar na box para a partida simultânea da prova dos 33k e 53km e os normais abraços e cumprimentos aos velhos amigos destas andanças, lá nos fizemos ao caminho, enquanto a malta dos 23km nos ia batendo palmas e incentivando para o empeno que vinha aí.

Alguma inquietação com o tempo, cá "em baixo" pois estava algum frio e a humidade do nevoeiro também se fazia sentir.

O traçado da prova foi 99% igual ao do ano passado, com pequenas nuances em alguns pontos mas nada de relevante. Sabendo isto, tomei a decisão de fazer a primeira subida e descida ligeiramente mais contido e depois iria gerir conforme o que o corpo me dissesse. Como já era a quarta vez que vinha correr a Arga, a experiência e o facto de conhecer bastante bem os trilhos por onde íamos passar, ajudou a arrumar as ideias e a preparar o plano para a prova.

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Saída de DEM tranquila

 

Primeiros dois km a dar uma voltinha por DEM a fim do pelotão alongar um pouco antes de entrarmos efectivamente na serra. Já no ano passado achei esta ideia excelente, pois permite um ajuste natural e uniforme das pessoas conforme os ritmos antes de atacarmos a primeira subida. É curioso ver pelas fotos a diferença de tempo na segunda passagem pela partida, em que apenas ao fim de 2 km as diferenças entre os primeiros e os últimos já são de vários minutos!!!

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Um rebuçado para quem descobrir a incrivel coincidência que está nesta foto ao km3

 

Lá fui seguindo calmamente, nem rápido nem lento. Nos primeiros 2km ( 9:13min ) ultrapassei algumas pessoas porque parti um pouco mais para o primeiro 1/3 do pelotão e depois quando iniciei a subida decidi não imprimir um ritmo tão elevado e lá fui tranquilo até ao topo.

Algumas caras conhecidas na subida e lá fomos entretidos. Os primeiros 5km feitos em 42min, sendo que o ritmo do 5º km andou pelos 14:00/km, tranquilo e sem forçar. De seguida, 3 ou 4 segundos a respirar e ganhar ar para a descida que vem logo a seguir.

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Era esta a vista quando chegámos ao km5 !!!

 

São quase 5,5km sempre a descer, com mais ou menos inclinação, mas muito rápidos. Aqui o ritmo andou quase sempre abaixo dos 5:00/km, tendo sido um pouco menos no final devido a ter parado no abastecimento para meter água e comer um pedaço de banana.

Quase no final desta descida, depois de sair de São João de Arga, apanhámos uma descida rápida em estradão com pedras pequenas soltas e logo aqui apercebi-me de um pormenor que me iria marcar o resto da prova. As minhas Salomon S-LAB SENSE 3 ULTRA são para mim das melhores sapatilhas para esta prova devido às caracteristicas de "agarre" da sola no granito, mas isto quando eram novas. No início da prova, já com quase 120km em cima, a parte posterior da sola já não estava nas melhores condições, além de que já sentia todas as pedras a bater com firmeza no calcanhar. Foi altura de abrandar um pouco nessa descida e todas estas sensações mudaram completamente a maneira como corri os últimos 30km da prova.

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Ainda a festa ia no início

Começa o sobe e desce

Por volta do km 11 começa a segunda subida da prova, provavelmente "a mais fácil". Mais fácil porque não é tão técnica ou granítica como todas as outras e, além disso, ainda vamos frescos do início da prova. São 5km a subir até chegarmos à floresta encantada, passando por sítios paradisíacos e que vale a pena passar com calma num passeio. Depois descemos cerca de 100 metros em pouco mais de 1 km por calçada romana que tem este hábito esquisito de rebentar os pés e as pernas de quem anda rápido. Não sei porquê :)

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(Quem? Eu?!?)

 

Abastecimento aos 17km na bela aldeia de Arga de Baixo com as suas paisagens verdejantes muito envolventes, mesmo junto a uma encosta seca e árida da serra.

Por esta altura seguia com 2h de prova. Nem era um ritmo lento, mas também não era muito rápido. Andava ali a fechar o top100, mais lugar menos lugar. Parei para encher os dois flasks com água, comer dois pedaços de banana e um de aletria. Depois segui calmamente enquanto digeria a comida.

Seguiram-se 2 km ou pouco mais de um sobe e desce, curto e “chato”, por aldeias nesta encosta passando pelo meio de casas ou pelo meio de riachos lindos mas perigosos devido ao piso escorregadio.

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Uma das muitas descidas em calçada romana

 

Perto do km 20 começa-se a fazer a terceira subida, novamente em trilhos secos e duros com muita pedra grande, a passo certo. Foram 3km que nos levaram pouco mais de 200D+ e ao topo da serra novamente antes de iniciarmos a descida para Cerquido, a famosa descida da calçada romana e posterior abastecimento comum a todas as edições da prova.

Este troço é algo parecido com os outros no que diz respeito às subidas e descidas, mas tem uma pequena diferença, pois está situado exactamente na berma da encosta, ou seja, em menos de um 1m de largura estamos a descer a todo o gás pelo empedrado disforme de granito e, ao olhar para o lado, conseguimos ver a encosta toda até lá abaixo. Nada de preocupante, mas provoca alguns calafrios. Se há 2 anos atrás chovia bastante e eu estava sem óculos!!!, esta secção assustou-me imenso. Já este ano foi tranquilo, sempre a um ritmo constante e sem carregar muito no acelerador, fui mantendo ritmos de 6:00 a 6:15/km.



Cerquido

Abastecimento que todos querem chegar e comer bem, antecede a grande e famosa subida à senhora do Minho no topo da serra a 800 metros de altura. Depois de encher os dois flasks com água e de comer 3 pedaços de aletria, um pedaço de banana e outro de marmelada, lá arranquei tranquilo. Por esta altura já estava com dores enormes nos pés devido ao mau trato que estavam a ter sobretudo devido à falta de amortecimento das sapatilhas, mas era tempo de andar em frente.

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Tranquila a subida

 

Saí do abastecimento com 25km e 3h de prova e, se não me falha a memória, com 1200D+. Não estava a sentir o corpo cansado, mas também não estava a puxar por ele como é habitual. Até agora estava a correr bem, sem dores nas pernas ou dificuldades em respirar. Só os pés é que já estavam KO's.

Iniciámos a subida de quase 400D+ em pouco mais de 2km com bom ritmo. Lá fomos todos em fila indiana por lá acima, uns com “muletas” e outros apenas com o pensamento nelas...se dariam mais conforto naquela provação brutal.

Lá seguimos, passando um ou outro colega que já ia a gerir esforço e tambem dos 33km que já estavam a ficar sem gás, talvez por terem carregado no acelerador em demasia no início da sua prova.

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Mesmo aqui nos últimos 200m !!! 

 

Demorei +/- 35min a fazer os 2km sem pressas, sempre a ritmo constante. Ainda parei quase no topo uns 10 segundos para beber um pouco de água devido ao calor que já se fazia sentir.

Quando cheguei ao topo, perto dos 800m, cheguei a uma conclusão: não sentia os pés. Já estavam tão massacrados com o granito, que já não os sentia. Pareciam 2 pedaços de madeira inertes.

Bebi água fresca que tinham no edifício de suporte e avancei tranquilo e calmamente pelo planalto da serra. Passado uns minutos deparei-me com um atleta dos 33km que estava deitado no chão cheio de cãibras nas pernas.



Cruz vermelha de serviço

Estavam outros dois a esticar as pernas e ele com uma cara palida de estampado sofrimento. Parei e perguntei se queria ajuda. "Já estou melhor, agora é só descansar 1 ou 2 min"...- Estica as pernas e deixa-te estar assim mais um bocado, disse-lhe eu. Entretanto nos 2/3min seguintes passa imensa gente por nós a perguntar se está tudo bem e se queremos algo, água ou comida. Até que chega um companheiro de prova que pergunta se queríamos um pouco de sal... eh lá, mesmo na hora. Colocou umas pedrinhas de sal na língua e passado 1min já queria andar.

Disse-lhe para esperar 5min para deixar o sal fazer efeito e que depois iria com ele tranquilo até se sentir bem. Também me apetecia abrandar um pouco e recuperar os pés e, assim, fiquei com ele. Passados mais de 5min lá se levantou e começámos a caminhar devagar para ele sentir as pernas, e ver se doía algo ou se a cãibra tinha ido. Andámos para aí 1km e muito calmamente, com os cavalos lá no fundo no meio das árvores. Fantástico quando fazemos estes pequenos troços devagar e a passo para aproveitar todo o meio ambiente que nos rodeia. É um facto de que quando corremos rápido apreciamos muito pouco do meio ambiente, mas também não nos podemos esquecer que isto é competição. Uma prova é competição, ponto. Não é turismo. Mas soube bem este km e pouco de maraturismo :)

 

Passado este tempo, ele diz que já se sente muito melhor e quer começar a correr a baixa velocidade para testar as pernas. Metemos um ritmo lento de prai 7:00/km e lá fomos mais um bocado. Passámos por uma parte de lama, pequenos riachos e entrámos numa ligeira descida, suave mas com pedras soltas e vimos outro colega sentado na berma com a manta térmica enrolada ao corpo e com uma das pernas esticada e tinha uma ligadura no joelho esquerdo.

 

"Então, estás bem?" perguntei eu... “esbardalhei-me todo a descer…”

 

Virei-me para o jovem dos 33km que estava comigo e disse "vai indo devagar que vou fazer um bocado de companhia a ele". E lá foi ele tranquilo.

 

Sentei-me do lado oposto, a quase 1 metro dele e comecámos a falar. Como caiu, como se sentia, se estava com sede e como estava a organização a reagir. Passados uns 15min recebe uma chamada do posto de controlo a dizer que tinha sido despachada uma moto de apoio e que estaria por perto de onde estávamos.

 

E continuámos na conversa sobre tudo e sobre nada. Pareceu-me calmo mas um pouco preocupado com o joelho. Tinha vários golpes nos dois joelhos e na mão esquerda.

Ao fim de quase 30min e de "3 milhões de pessoas" pararem a perguntar se estava tudo bem, recebe outra chamada a dizer que a ambulância já estava perto e se podia ir de encontro a ela. Também disseram que a moto já deveria ter chegado perto dele, mas nem vê-la ou ouvi-la, que ali no meio do nada ouve-se bem um motor de combustão.

Ele respondeu que não conseguia caminhar, que tinha muitas dores a mexer-se e lá responderam para continuar a aguardar.

 

Julgo que por estar um pouco farto e impaciente de estar ali sentado, pediu-me ajuda para se levantar, meteu-se de pé e acenou com a cabeça "não dói muito". Arrumámos as coisas dele na mochila e começámos a subir lentamente a encosta de retorno às àrvores no topo da serra.

 

Passados uns 3 ou 4min vemos um bombeiro esbaforido a descer o trilho para a ir ao nosso encontro, mas como a nossa progressão era muito lenta e, por isso, parámos à espera que ele chegasse. Perguntou como estava, sentámo-nos no chão, refizeram o curativo com a ligadura e com a chegada ( finalmente ) da moto, lá seguiu para ambulância. Com os dois bombeiros atrás deles devagarinho pelo meio da tundra e da lama :)

 

Só 1hora depois de chegar ao topo da subida da Senhora do Minho lá (re)comecei a correr. Comecei devagar porque com as duas paragens já tinha arrefecido o corpo, mas depois acelerei um bom pedaço até Montaria.

Foram pouco mais de 3km e 450D-, com um ritmo um bocado rápido :) Estava com vontade de correr agora, e passei umas dezenas de atletas dos 33 e dos 53 que iam descendo a encosta para a Montaria devagarinho. Cerca de 13min depois de começar a descer, lá cheguei a Montaria onde estava a meta dos 33km e onde os 13 e os 23km tinham arrancado.



Onde andam os pés?

Cheguei ao abastecimento com um pouco de fome. Procurei comida sólida mas só havia o habitual desta prova: fruta, marmelada e líquidos com fartura.

Um ponto positivo. Se estava com fome, é porque o corpo estava a funcionar bem e sem me provocar problemas como nos últimos meses, onde tive dificuldade em comer nas provas mais longas.

Por outro lado, já havia largos minutos que não sabia onde andavam os pés. Olhei lá para baixo e reparei que ainda lá estavam fisicamente... zero resposta sensorial... pareciam dois tijolos dentro da sapatilha.

Olhei para o relógio, cerca de 5:20h de prova aos 33km. Fico aqui e descanso os pés ou continuo e seja o que Deus quiser até ao fim?!?

Comecei a andar à volta da praceta onde estava o abastecimento e a pensar "desisto, continuo, desisto, continuo, desisto, continuo..."

O corpo estava óptimo. As pernas óptimas. A respiração óptima. O cardio óptimo. Os pés.... beeeeeeep... não davam resposta.

Uns metros mais à frente ao passar na meta dos 33km e no ponto de passagem dos 53km, a Goreti estava no meio da rua e diz-me "Correr na Cidade!!! Vamos tirar uma foto"...

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Correr na Cidade!!! 

 

Fiz um sorriso e lá continuei a caminhar. Ainda tentei correr mas só fiz 20 metros... andei mais uns 100 metros e disse "bora lá tentar fazer isto". Se chegar ao fim esta será a única prova que sempre fiz e que sempre cheguei ao fim, nesta minha curta carreira de 4 anos a correr... e lá comecei lentamente a descer para o rio Âncora.

 

9:15/km no primeiro km. Depois uns mais aguerridos 6:43 e 7:20/km nos seguintes e, por esta altura, já corria no meio da sombra densa, o que me ajudou bastante no pico do calor da hora de almoço.

Quando cheguei ao rio, com quase 38km estava com 6h de prova. Pensei para mim "bem, espero que ao menos esta beleza fantástica me tire as dores nos pés da cabeça".

E lá segui…



Rio Âncora

Por mais fotos que se tirem e se vejam no PC, nada vos vai preparar para a beleza bruta e natural que encontramos neste rio. Tem tanto de simples como de lindo, a paisagem é de dezenas de mini cascatas intervaladas por pequenos lagos de cor azul-esverdiada quase transparente. É de facto um outro mundo, e tudo isto a 3 ou 4km da parede inóspita que íamos encontrar logo a seguir.

Lá segui pelo rio acima, raramente corri mas fui sempre a passo acelerado. Fui passando alguns atletas antes de chegar ao rio e aqui continuei a passar outros. Alguns já muito cansados, outros era nitidamente a primeira vez nestas andanças.

E lá fizemos +/- 6km com quase 350D+ sem se notar, num sobe e desce constante pelas cascatas. Muito me apeteceu tirar a mochila e as sapatilhas e meter-me na água…mas depois quem é que me tirava de lá?

 

Por esta altura formámos um pequeno grupo de uns 10 elementos, separados por metros entre cada um.

De seguida subimos uma mini parede de rocha quase na vertical e toca a sair da floresta. Um bocado de estradão, se calhar pouco mais de 1,5km ( coisa rara nesta prova ) e inicia-se a descida para o último abastecimento. São 150D- em 1km num ritmo alucinante a descer. Aqui os pés acordaram e voltaram a lembrar-me que estavam lá abaixo, mas não pelos melhores motivos.

 

Parei no abastecimento, enchi os flasks com água fresca, molhei o chapéu com água de uma nascente entre tantas que por ali se veem, comi bananas, marmelada, chocolate e um pouco de massa ( xiu, não era para dizer!!! :D ).

Peço desculpa às super atenciosas colaboradoras que estavam neste abastecimento, mas sem este pequeno bocado de massa que nos foi tão gentilmente cedido por elas, a última subida tinha sido um horror…Depois de 10min no abastecimento, tranquilo e sereno, lá segui.

 

Última empreitada

Os 4km com 430D+  dizem tudo sobre a última subida, sempre ao sol tórrido e sem qualquer protecção natural. É só pedras de granito por toda a nossa volta e um pequeno riacho que desce pela encosta a fazer companhia.

Água fantástica e limpa que me permitiu molhar o chapéu umas 3 ou 4x ao longo desta subida.

Desde o abastecimento que meti um ritmo sempre calmo e certo. Sem correrias e sem stress, agora quase sempre sozinho na subida. Posso dizer sem reservas que com outras sapatilhas e com ciclo de treinos normal faria tudo a correr, calmamente mas a correr. Vou apostar para 2016!

 

Ao fim do 3km, chegámos às 2 árvores isoladas que separam a primeira parte da subida com o resto da subida, a tal malfadada parede que todos "adoramos" :)

Dá pouco mais de 500 metros com 130D+. Quase que se sobe de gatas (o strava dá uma parte com 44% de inclinação ) e já com quase 50km em cima, doi...ou não...

Este ano foi diferente. Nas 4 edições que já fui, esta com certeza foi a que custou menos a subir. Não sei se é porque o psicológico já estava preparado, se foi porque vinha com ritmo mais lento do que nos anos anteriores ou se foi por ter já ter mais experiência em cima, (ou tudo um pouco), mas este ano subi rapidamente e sem dores. Lembro-me de passar um companheiro logo no início da subida e quando cheguei quase ao topo olhei para trás não o consegui ver.

 

No ano passado quando acabei a subida, fiz aqueles ultimos 2km antes de chegar à descida final a correr, ganhando ali algum tempo. Este ano fiz o percurso todo a caminhar, tranquilo. A apreciar as paisagens que se via lá de cima. Brutais.



Speedy Gonzales

Finalmente chegou a última descida. Se nas minhas 3 edições a descer esta rampa andei sempre devagar devido à chuva recente ou do próprio dia, o facto é que nesta edição estava quase 100% seca. E lá comecei a descer. Enquanto andei umas dezenas de metros no granito ainda corri um bocadinho, mas quando entrei na zona misto de granito com areia escorregadia, os pés começaram a chorar. Nem conseguia andar quando mais correr devagar.

 

Fui calmamente a descer na parte mais inclinada que é sensivelmente 1/3 da descida toda. Quando estava a entrar na zona mais plana tentei correr uns metros mas o corpo não quis. Os pés disseram que estavam de férias nas Caraíbas e só regressavam em Outubro.

O que é um facto é que as dores nesta altura eram excruciantes. Doía tudo nos pés. Também sentia que devia ter pelo menos 3 ou 4 bolhas nos pés na parte frontal e que tinham rebentado todas na descida. Boa notícia é que não, foi apenas uma bolha que secou rapido quando cheguei à meta. Má notícia é que tinha ficado sem pele em dois dedos... mas só confirmei quando fui tomar banho :)

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E foi assim que ficaram as sapatilhas depois de lavadas...

 

Por esta altura começam a passar por mim várias atletas, uns mais rápidos e outros menos rápidos e eu sempre no meu passo a andar. A maior parte insultava o Carlos Sá :) e dizia "nunca mais ponho cá os pés" ou então "só quero que esta m#$%# acabe rápido" mas passados uns minutos quando passam a meta, perguntam quando é a data de 2016 para reservar no calendário :)

Continuei a descer e por esta altura já dentro do pequeno arvoredo que antecede a chegada a DEM. E já se ouvia o speaker a falar desde o abastecimento dos 44 km !!! Irra que o homem tem pulmão!

 

Lá continuei, tranquilo a passo, médias de 14:00/16:00/km tipo caminhada da terceira idade :) até entrar no alcatrão. Aqui um miudo que estava a ajudar a organização pergunta-me "ainda faltam muitos ?" E eu respondo "não sei jovem, mas ainda devem ser uns bons 1000 ai atrás"... deviam ter visto a cara dele! Ri-me e disse que estava a brincar...

Entrei no alcatrão de DEM...ÚLTIMO KM...YES... alcatrão... que descanso para os pés... porra!

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Pedra e mais pedra!

 

Depois da curva aparece o puto Abrantes, que é mais lento que um coxo apesar de ter apenas 22 anos e de ter ganho o escalão sub23 na prova dos 23km, a tirar-me umas fotos (que ainda não vi!) e faz-me companhia até à meta. Eu a pensar que ia fazer mais um bocado no alcatrão (aquele piso maravilhoso e fofinho) e eis que me indicam para virar à esquerda, para um empedrado do século passado. Não era do século passado, era recente, mas para os meus pés parecia ter sido feito por Luix XIV...

Irra que quase me vieram as lágrimas aos olhos... dói tanto andar naquele piso... e o puto ao meu lado a rir e a chamar-me de velho... ai a p*$&a da vida!



META

Últimos 100 metros, o tapete vermelho, alguns esquilos à espera e mais outros conhecidos. Procuro a Liliana, mas não encontro. Ou estava meio escondida ou eu já não via direito.

Entretanto passo a meta e só me apetece sentar. O Abrantes diz que quer tirar uma foto, faço uma careta e lá me eterniza na internet com esta figura :)

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wassup

 

9:12h depois de começar a correr, cheguei à meta naquele que é o meu mais longo tempo aqui na serra, de longe. No primeiro ano fiz 8:45 sem estar perto da preparação que tenho agora.

É o que faz não treinar correctamente. Seja fisicamente como psicologicamente. Faz mossa. Faz impacto. Já sabia que isto ia acontecer quando vim para cá e sem treinar convenientemente.

 

Mas queria testar o meu corpo e queria participar da festa. A Arga é de facto uma das melhores provas que temos. Tem quase tudo e como diz o Filipe Torres, é quase perfeita.

Começo a desapertar as sapatilhas e aparece a Liliana que estava ali perto. Estava tudo bem com ela e correu-lhe bem a prova. Fez devagar mas sem grandes problemas e sem dores. Recuperação dela feita quase totalmente.

 

Ainda estive uns bons minutos sentado na conversa, levanto-me e parece que passou um camião por cima dos pés. Não consigo andar sem dores fortes. Fomos tomar banho, comer a massa habitual e descer de carro para o Porto para descansar.

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(Já chamaram os bombeiros ?)

 

Rescaldo da prova

Nitidamente já não apanhava um empeno destes há algum tempo. Dói imenso os pés ao fim de 4 dias e um pouco as pernas. Treinásses :)

No entanto, gostava de falar sobre alguns pormenores.

 

É notório que a prova cresceu imenso desde o meu primeiro ano. Já não são só apenas 200 malucos a subir a montanha para os 45km. Agora são 3000 malucos para 4 distâncias no Domingo e mais 2 eventos no Sábado anterior. Começa a aparecer muita gente na montanha sem experiência e sem km's nestes pisos. A quantidade de pessoas dos 33km que eu apanhei nos meus primeiros km's sem saber como descer ou a fazer trajectórias aos ziguezagues e a cortar-nos o caminho por cm's, é incrível como é que ninguem cai e se "esbardalha" todo no chão por causa deles. São perigosos porque não sabem correr na montanha a estas velocidades. Se estiverem sozinhos fazem o que lhes apetecer ou souberem, mas quando estão a menos de 1 metro do da frente ou de trás e fazem estas coisas, colocam a integridade das pessoas à sua volta em risco.

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Os 4 coletes de finisher

 

Um ponto que acho sempre em alta, é que neste evento vemos sempre vários elementos de primeiros socorros ao longo da prova, principalmente nos pontos perigosos como é no rio Âncora.

 

Senti que faltou pelo menos um abastecimento habitual de água na entrada da primeira passagem na floresta e um pouco de comida mais sólida para o final da prova; mas em sentido contrário ofereceram um almoço de massa com atum, uma peça de fruta e um sumo ou água a todos os participantes depois de acabarem a sua prova.

No geral ganhou em pequenos pormenores e perdeu em outros. O facto de mudarem o local da meta para junto do campo de futebol acho que logisticamente foi uma excelente jogada, pois fica tudo muito mais perto umas coisas das outras. E depois de acabarmos a prova temos os chuveiros, comida e diversão tudo junto. Além, esta proximidade não permite que o público disperse muito e se mantenha por ali até à chegada dos últimos.

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Desenho da meta deste ano... muito melhor!!

 

Em sentido inverso esta massificação na serra retira algum misticismo à prova. Alguns dos trilhos que o Carlos Sá usa já estão a ficar gastos e vai ser preciso em breve arranjar alternativas. A prova continua a ter a sua magia, mas demasiadas pessoas também podem trazer coisas menos positivas.

 

Em 2016 não tenho duvidas que as inscrições vão esgotar novamente ao fim de 2 dias ou por aí e que vai voltar a ser uma grande festa novamente do trail nacional.

Por último, um especial agradecimento aos fotógrafos que retiram estas maravilhas para mais tarde recordarmos ( os empenos ) e aos membros do staff ao longo do percurso que são quase todos de uma simpatia e disponibilidade fantástica. Sem eles, não seria possível termos esta experiência no seu todo.

 

Obrigado a todos e até 2016!

Review: Berg Pantera - Respeeect!!!

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Por Rui Pinto:

Começo por dizer que esta é uma review incompleta. E porquê? Porque apenas consegui testar os Pantera – por força das condições atmosféricas atuais –, em terrenos secos, muito batidos e muito duros. Fica desde já prometida a segunda parte da review, para a época do tempo chuvoso, onde poderemos confirmar todo o potencial que se adivinha deste modelo.Confesso-vos que andava curioso relativamente a estes Pantera, uma vez que foi o modelo utilizado pelo ‘nosso’ Carlos Sá, por exemplo, no North Face Ultra-Trail du Mont Blanc, de 2014 - onde arrecadou um fantástico 8º lugar! -, e na 30ª edição Marathon des Sables, em Abril deste ano. Começa a notar-se um certo ‘pedigree’ nestes Berg Pantera!

O modelo testado está disponível no mercado nacional há relativamente pouco tempo, presumivelmente, há cerca de dois meses - embora o site da Cordura mencione, como data do seu lançamento, Agosto de 2014 – pelo que ainda não os vemos muito por aí. Uma coisa vos garanto: despertam muitos olhares curiosos.O par de Sapatos de Trail Berg Pantera testado foi gentilmente cedido pela Sport Zone, sendo que o conteúdo desta review reflete, naturalmente, uma opinião muito pessoal, relativamente ao equipamento testado, não incluindo quaisquer ‘guidelines’ ou indicações, por parte da marca que o fabrica e/ou comercializa.

 

DESIGN:

Olhando para os Pantera, na minha mão, pela primeira vez, dei por mim a fazer uma analogia entre estes Pantera e o grupo de power rock texano que, nos áureos 90s, enchia de decibéis algumas casas da minha rua. Na altura, gritava a plenos pulmões um Phil Anselmo completamente possuído: ‘Respeeect!!!’. Pois bem, é isso que os Pantera me suscitam, quando os admiro, sentadinhos quietos no sofá da minha sala.


No mercado nacional, apenas podemos encontrar o modelo no esquema de cores testado, isto, em amarelo e preto, com sola branca. (Embora tenha visto, na internet, imagens de um modelo em laranja, com a sola preta. Como este modelo não se encontra em comercialização, presumo que seja um protótipo apresentado numa qualquer feira internacional.)

Curiosamente, gosto da combinação de cores escolhida para os Pantera. Pese embora, e se atentarmos apenas à mistura do amarelo e preto que os compõem, poder-se-iam chamar ‘Abelhão’ – eu sei que os abelhões são só pretos, mas não poderíamos chamar nada menos que ‘Killer Bees’ àqueles rapagões, pois não? - devido à natureza quase agressiva dos sapatos. Seja como for, gosto da cor e do seu look! A marca não disponibiliza muitas informações sobre este modelo específico. Contudo, sabe-se que este é um modelo desenhado apenas para homem, e para corredores de passada neutra, com um peso reportado de 294 gramas.


No global, nota-se perfeitamente uma preocupação da marca nos acabamentos e materiais utilizados, para que estes Pantera se possam afirmar no mercado nacional e ombrear com os melhores modelos disponíveis para trail. Senão, veja-se: os Pantera utilizam ‘materiais CORDURA, para maior resistência e durabilidade; tecnologia HEIQ PURE & ADAPTIVE, para maior conforto e regulação de temperatura, e a sola de borracha incorpora a tecnologia VIBRAM MEGAGRIP, para maior aderência e segurança durante a corrida’.

 

CONFORTO:

Em termos de conforto, nota-se que a parte superior do sapato é de facto bastante arejada e possibilita um bom fluxo de ar, não se sentindo qualquer desconforto ou aumento de temperatura, na zona do peito do pé. O tecido utilizado - o Cordura AFT fabric -, possibilita ainda que os sapatos sejam leves e ágeis, mas também resistentes, para encarar os maiores desafios.


Nada a registar relativamente à língua do sapato ou aos seus atacadores, os quais cumprem perfeitamente, e sem quaisquer problemas, a sua função.


A palmilha de dupla densidade Ortholite, de cerca de 4 mm, que vem com os Berg Outdoor Pantera oferece um importante conforto adicional.Também a toe box, bastante cómoda e espaçosa, permite um bom conforto, ao nível dos dedos dos pés.

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AMORTECIMENTO:

Apesar de este ser um sapato com um significativo grau de flexibilidade, a sua sola incorpora uns impactantes ‘pitons’ direccionais de cerca de 4 mm, em borracha Vibram Megagrip, que nos passam a ideia de podermos subir a árvores, tal como as próprias panteras o fazem.

 

No que toca ao amortecimento, senti os sapatos algo duros. São sapatos para quem gosta de sentir bem o terreno que pisa. Pessoalmente, nas saídas para os trilhos que fiz com eles, senti a parte anterior da planta do pé excessivamente quente, quase desconfortável, o que me faz duvidar da sua eficácia, em treinos longos na mata, em condições meteorológicas secas e com calor. Contudo, o amortecimento na zona do calcanhar pareceu-me mais do que o suficiente, sem qualquer aspecto a relatar.

 

ESTABILIDADE:

 

Apesar de esta informação não ser oficial, estima-se que os Pantera tenham um drop de cerca de 9 mm, potenciando a ação da sola de borracha Vibram Megagrip, com uma aderência reforçada.

 

Os Pantera incorporam uma magnífica ponteira reforçada em borracha, bastante diferente dos modelos convencionais de sapatos de trail. Uma coisa é certa: de todas as vezes que os usei, só me apetecia dar pontapés em todas as pedras e ramos soltos que me apareciam pela frente, tal a segurança que a proteção frontal transmite! Mesmo para um ligeiro pronador como eu, considero que este modelo tem o suporte adequado, sendo que o sapato tem uma linha alta, que nos possibilita uma sensação de envolvência total ao pé.

 

Um ponto positivo a notar é a preocupação demostrada pelos designers e fabricantes com a zona do calcanhar, reforçada e desenhada para um conforto melhorado e um bom suporte para os tornozelos.

 

Em termos de aderência, digo-vos que os Pantera se agarram muito bem em terrenos secos, com terra e pedras soltas, assim como em segmentos de pedra. Testados apenas em condições secas e com terrenos muito batidos, como já seria de esperar, a sola Vibram, com os seus notáveis socalcos e entalhes, comportou-te à altura, fornecendo um grip imaculado. Não houve escorregadelas em descidas ravinosas ou com pedras soltas e gravilha. Também a aderência em secções de rocha e pedra se revelaram não oferecer quaisquer problemas aos sapatos felinos, que desfilaram, com toda a sua graciosidade, pelos trilhos, qual o animal que lhes empresta o nome.

Gostava de ver como estes Pantera se comportam a escoar a água da chuva e a sua aderência em terrenos verdadeiramente lamacentos, em condições de corrida mais extremas. Tenho cá um feeling de que nada os intimidará! Veremos.

 

PREÇO:

Os Berg Outdoor Pantera estão à venda por € 74,99, no site da SportZone – uma excelente notícia! -, com portes de envio grátis – outra boa notícia!

 

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CONCLUSÃO:

O que tenho a dizer, no geral, é positivo. O novo modelo Pantera da Berg Outdoor combina máxima tracção (Sola Vibram com Megagrip) com estabilidade, resistência e durabilidade através do mesh Cordura. Na minha opinião, são uns sapatos de trail ágeis, mas seguros. Os materiais utilizados e acabamentos são de muito boa qualidade e a experiência de utilização é bastante prazerosa.

Fica, desde já prometida a segunda parte da review, para o tempo chuvoso, onde possamos - ou não – confirmar todo o potencial que se adivinha destes Pantera, a trepar pelas subidas esguias e pedregosas, cobertas de lama, de Monsanto ou da Serra de Sintra. Quase que desejava que fosse já inverno!

 

AVALIAÇÃO FINAL

 

DESIGN: 17/20
CONFORTO: 17/20
AMORTECIMENTO: 16/20
ESTABILIDADE: 17/20
PREÇO: 18/20

 

TOTAL: 85/100

Os 8 magníficos do trail running nacional competem este sábado no Campeonato do Mundo de Trail Running

 

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Pela primeira vez, Portugal estará presente na 5ª Edição do Campeonato do Mundo de Trail Running que decorre no dia 30 de Maio em Annecy, França. Esta prova irá reunir grandes nomes do Trail mundial, num total de 78 nacionalidades.

 

A seleção portuguesa é composta por 8 atletas bem conhecidos no mundo do trail nacional e cuja escolha foi baseada nas suas classificações obtidas nos Circuitos Nacionais de Trail de 2013 e 2014, organizados pela ATRP-Associação de Trail Running de Portugal:

 

- Carlos Sá (4º classificado no Ultra Trail do Monte Branco em 2012, vencedor dos 217km da Badwater em 2013, 4º classificado na Marathon des Sables em 2014)

- Ester Alves (8ª classificada no Ultra Trail do Monte Branco e no Ultra Trail World Tour em 2014, 6ª Classificada na Transgrancanária 2015)

- Nuno Silva (vencedor dos 114km do Ultra Trail de Barcelona em 2013, 11º classificado no Ultra Trail do Monte Branco em 2014)

- Hélder Ferreira (26º na Marathon des Sables 2008 e campeão nacional de trail em 2014)

- Júlia Conceição (Vencedora dos 85km do Trail Aldeias de Courel em 2012, 2ª classificada nos 101km do Trail Peregrinos em Espanha em 2013)

- Lucinda Sousa (7ª classificada na Classificada na Transgrancanária 2015)

- Luís Mota (Vencedor do UTSM em 2013)

- Susana Simões (6ª classificada na Marathon des Sables e vencedora das 100 milhas do Grand Raid dos Pirinéus em 2013, vencedora das 100 milhas do Ultra Tour dos 4 Maciços em 2014).

 

Esta prova tem um percurso de 85 Km com 5.300m D+ (ascensão total acumulada) e que irá pôr à prova a força e resistência dos atletas. A corrida terá início às 03h30m de Sábado (30 de Maio) em Annecy-le-Vieux e deverá atingir os primeiros corredores em Albigny ao meio-dia. Para os títulos de equipa, apenas 6 dos 9 corredores selecionados de cada país serão considerados para o cálculo da pontuação, adicionando o tempo dos três melhores atletas de cada país.

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Transvulcania 2015 (vídeo)

Por: Tiago Portugal

 

Dia 9 de maio de 2015 data em que a Transvulcania 2015 se inicia. 

 

Considerada a prova mais dura das Ilhas Canárias e uma das mais importantes e melhores provas de ultra distância do mundo, a ultra maratona da Transvulcania tem 73,3 km 73.3km ao longo da Ilha de La Palma e 8.525 metros de desnível positivo.

 

Este ano serão muitos os candidatos à vitória entre eles os portugueses Carlos Sá e Ester Alves.

  

 Fiquem com o episódio 1 de uma série inteiramente dedicada a esta prova. 

 

 

Esta é uma das corridas que adorava um dia fazer, 

 

Boas corridas,  

Querida, eu encolhi o GTA

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Por Nuno Malcata

 

Antes da estreia em provas de Ultra Trail no Piodão, no pós Maratona de Sevilha já tinha partilhado aqui no blog as minhas expetativas para os desafios que me propunha neste primeiro semestre de 2015.

 

Como nessa altura referi, apesar do Ultra Trail no Piodão ter sido fantástico, desde janeiro o meu foco está na preparação para o Gerês Trail Adventure que se vai realizar de 30 de Abril a 3 Maio, prova de 4 etapas com um total de cerca de 130Km e 8500D+, uma organização do Ultra Maratonista Carlos Sá.

 

Sendo eu um atleta amador e não tendo acompanhamento de treinador, algo que tenho sentido bastante falta, a preparação tem sido feita com base em muito do que tenho aprendido com quem mais experiência tem e com o muito que tenho lido. Tenho feito por melhorar os pontos em que sou mais fraco, numa gestão de tempo entre a vida profissional e pessoal. Obviamente que os 53Km feitos no Piodão foram a maior distância feita na preparação mas sentia que precisava de perceber como lidar com esforço ao longo de vários dias seguidos, em diferentes alturas do dia, como acontecerá no Gerês durante 4 dias.

 

Assim, decidi fazer uma edição Mini do GTA com 2 treinos em Monsanto e 2 treinos em Sintra. O escalonamento dos treinos seria semelhante ao da prova, 1 treino noturno (Trail da Salamandra), seguido de 1 treino na manhã seguinte (Treino da Hora do Esquilo), 1 treino Longo e mais duro em Sintra e 1 treino final mais descontraido em Monsanto.

 

Mini GTA Dia 1 - Trail da Salamandra - Sintra - 21:00

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Foi a minha 3ª presença neste treino noturno em Sintra, em 3 semanas consecutivas, e cada vez gosto mais destes treinos em Sintra, já para não falar nos fabulásticos recoverys.

 

Estavam previstos na convocatória inicial 15Km, mas acabaram por ser 20Km num percurso muito rolador e misto que nos levou da Barragem do Rio da Mula em Sintra até ao areal da praia do Guincho e respetivo retorno. Saliento a presença de 62 pessoas, com um espirito fantástico, um record nesta iniciativa do Antonio Pedro Santos que tive o prazer de finalmente conhecer pessoalmente nessa noite.

 

Senti-me sempre bem, o ritmo foi bom, com algumas paragens, sempre bem dispostas para reagrupar. Treino terminado em cerca de 2h40m com 20Km e 400D+

 

Mini GTA Dia 2 - Treino Hora do Esquilo - Monsanto - 06:00

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Com pouco mais de 3h dormidas, apresentei-me no Parque do Penedo em Monsanto, ás 05:45 para fazer o treino da Hora do Esquilo e a pensar fazer uma 2ª hora sozinho para meter mais Kms e altimetria nas pernas.

 

Já fui algumas vezes e aprendi que tenho de aquecer pelo menos 10 minutos a um ritmo mais lento antes de arrancar no ritmo mais vivo que pontua estes treinos.

 

Feitos os 10m de aquecimento, pouco passava das 6 quando chegou o timoneiro Pedro Conceição e arrancámos em bom ritmo.

 

O pouco descanso e mesmo a falta de alimentação entre treinos fizeram-se sentir, foi uma bela lição. A meio do treino já não pensava em mais nada senão terminar e passei a maioria do treino na cauda do grupo a gerir o esforço, simplesmente o corpo não queria responder.

 

Treino terminado ás 07:00, com o aquecimento fiz 10Km em 1h10m com cerca de 300D+

 

Mini GTA Dia 3 - Treino Longo e Duro em Sintra - 09:00

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Tal como o 3º dia do GTA, para o 3º dia do Mini GTA queria fazer um treino duro, e longo. O planeamento era para cerca de 40Km com mais de 2000D+.

 

Neste momento o meu local preferido para treinar é sem dúvida Sintra, mas tenho um problema por lá, orientar-me. Já conheço alguns pontos, algumas boas subidas, alguns bons singles, o problema é orientar-me entre eles. 

 

Pedi ao Tiago para me orientar, mas ele estava inicialmente limitado a um treino de 2h, pelo que carreguei um track no relógio e quando ele tivesse que terminar o treino, eu faria o track sozinho.

 

Começei o treino lento e apático, e fiquei a pensar nas más sensações do dia anterior, mas desta vez tinha dormido bem e alimentado ainda melhor. Aos poucos a Serra de Sintra fez a sua magia e percorremos muitas das boas subidas da Serra como queria, sempre com boa disposição e ótima conversa.

 

O tempo e os Kms foram passando, e aos 17km já com cerca de 1000D+ feitos a subir para a Peninha vi que estava a sentir-me realmente bem, e terminando o treino com o Tiago, não fazia sentido estar a insistir em andar sozinho.

 

Terminámos o treino com cerca de 25Km e 1300D+ em pouco mais de 4h, e, ainda mais importante, com a sensação que estamos preparados para enfrentar a etapa rainha do GTA com 60km e 4500D+. Se a vou vencer ainda não sei, mas que lhe vou dar luta vou.

 

Mini GTA Dia 4 - Treino rolante em Monsanto - 10:00

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Último dia do Mini GTA, já em modo mais relax, para fazer cerca de 15km/2h por Monsanto, dividi o treino em 2 partes de 1h, na primeira com a companhia do Rui e da Carmo, e na segunda parte juntaram-se os restantes amigos que comigo vieram treinar, a Bo, o João G, o João F e o Diogo.

 

Para este treino apesar da noite muito bem dormida, não fiz a minha alimentação tipica das manhãs de treino, comi normalmente uma torrada e uma caneca de cevada, e nem levei a mochila com hidratação, quase vital para mim. Fui leve e solto, o que resultou bem.

 

Na primeira parte rolamos, subimos, descemos e em trio fizemos 11Km em pouco mais de 1h, na segunda parte já com o grupo completo optei por um percurso mais rolante até à parte final, e o ritmo foi bem vivo nos primeiros kms. Nos últimos km relaxámos mais um pouco, e subimos a parte final em convívio do bom, já com 20Km nas pernas.

 

Com o sentido de dever cumprido, e bem cumprido, fechei o último treino do Mini GTA com cerca de 21km e 600D+, e com ótimas sensações fisicas.

 

Conclusões finais

 

4 Treinos, mais de 10h, cerca de 75km com 2700D+. Parece uma pequena parte do que vamos passar, mas aprendi bastante, sobretudo a importância do descanso, alimentação e gestão de esforço.

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Os próximos dias vão ser dedicados a descanso, massagem, curar algumas maleitas da carga de kms dos treinos, boa alimentação e preparação da aventura que vai ser o Gerês Trail Adventure.

 

Esta é uma aventura em equipa, e eu, a Bo e o Tiago aproveitamos para agradecer desde já o apoio que iremos ter tanto dos elementos da Crew que nos vão acompanhar presencialmente no Gerês, como os restantes que tanta força nos têm dado. Também algumas entidade nos estão a ajudar nesta concretização e contamos com o fantástico apoio na importante compomente de alimentação e suplementação da GIRASSOL, que nos enviou para os treinos géis, barras e recuperadores, como acontecerá para o GTA.

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Acompanhem-nos nesta jornada, vamos partilhar convosco cada momento!

Conheça as expetativas de Carlos Sá para a Marathon Des Sables (entrevista)

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Este domingo o português Carlos Sá inicia a sua quinta participação na duríssima "Marathon Des Sables", o Correr na Cidade trocou por e-mail umas perguntas com este campeão português e que mesmo antes da ida para o deserto respondeu, contando-nos um pouco das suas expetativas para esta "Maratona do deserto" feita por etapas e autonomia total.
 
 
Quais as suas expetativas para esta edição?
Esta vai já ser a minha quinta participação, e é para como habitualmente dar o melhor e esperar que tudo corra dentro do normal. Há nesta provas de muitos dias, sobretudo em condições tão adversas como esta, factores imprevistos que podem deitar a perder toda a prova. Com as condições que nos deparamos ao longo de uma semana em pleno deserto, o que seria em Portugal numa prova de um dia uma simples bolha, lá pode infetar e aí tudo muda...
 
 
Alterou a preparação desta edição, relativamente ao que fez em edições anteriores?
Não, tento gerir o meu calendário anual com desafios diferentes em vez de estar apenas focado num ou dois desafios. O ano competitivo para mim começou logo em Janeiro, com a Arrowhead 135, a ultra maratona mais fria do mundo no estado do Minnesota (EUA)... Foi uma prova muito dura que me deixou exausto.
 

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Todos sabemos que é uma prova de privações, em que o atleta tem de gerir os seus recursos. Quais são as privações que custam mais suportar numa prova deste calibre?
Descansar é algo muito complicado nesta prova. Chegamos exaustos duma etapa, e o que temos à nossa espera é o calor, o chão e aguardar o frio da noite...A alimentação é outra das nossas grandes privações. Ingerimos sempre menos calorias que as que são gastas diariamente. É normal perder-se cerca de 5 kg numa prova como esta. As condições de higiene são outra grande privação.... imaginem-se a viver em pleno deserto durante uma semana em autonomia.


O material que vai usar (ténis, mochila, calções, t-shirts) é o habitual, ou é especial para esta prova?
Sim, usarei o habitual com pequenas adaptações às características da prova.


Para um atleta amador que queira fazer a mesma prova, qual o conselho para se preparar para uma prova deste calibre em Portugal. O que aconselha? Que tipologia de treino?
Fazer o Peneda-Gerês Trail Adventure será uma boa forma de gerir esforços multi-dias. O treino com peso às costas (entre os 5 a 9kg) é também outra forma de preparação. 
 

Quais os conselhos, a nível de equipamento para quem participa na prova pela primeira vez?
Usar o que usa habitualmente em montanha, nada de segredos. 

 
Qual o episódio mais caricato que teve em outras edições que já participou? E a situação mais perigosa?
Levar com uma tempestade de areia e granizo em pleno deserto, foi inesquecível. Não tive nenhuma situação de perigo, felizmente.
 
 
Recentemente o atleta francês François D’Haene renunciou a participar em provas organizadas pela IAAF e ITRA. Qual a sua opinião sobre esta posição? E como deve ser a evolução do trail a nível mundial?
Terá as suas razões para o fazer, cada atleta é livre de tomar as atitudes que assim entender. Eu acho que o Trail está a evoluir e não podemos ter medo do futuro, antes pelo contrário, se todos derem as suas opiniões como fez D'Haene e outros, a discussão será vantajosa para que se encontre soluções de equilíbrio. O Trail continua a crescer de forma alucinante e já mais será tal como o conhecíamos há 5 ou 6 anos atrás.
 
Quantos quilos pesa a sua mochila para esta prova?
Cerca de 7,5kg no primeiro dia. Depois vai perdendo meio kg por dia da alimentação que entretanto foi consumida.
 
 
O Correr na Cidade deseja boa sorte a Carlos Sá e a todos os portugueses que participam nesta difícil prova.
Força Campeões!!

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