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Correr na Cidade

Review: Adidas Adizero XT Boost

Modelo: Adidas Adizero XT Boost

Testado por: João Gonçalves

Características pessoais: Neutro e 73Kg de peso

Condições de teste: Cerca de 70km percorridos em trilhos por Monsanto e Sintra passando por vários tipo de terreno.

 

Quando vi este modelo pela primeira vez confesso que me despertou bastante curiosidade, primeiro pela sua componente estética e por ser fã incondicional de cores escuras especialmente de preto e como escreveu o Filipe no preview, estas XT "Black in Black" encheram-me o olhar, segundo por me fazerem lembrar aquelas sapatilhas de tecido que todos usávamos quando eramos mais novos, só que estas vem equipadas com uma sola todo-o-terreno e por último pela curiosidade que aquela poliana bem pronunciada me despertou.

 

Acho que todos concordam comigo neste ponto, são sapatilhas que pelo seu design e irreverencia desperta curiosidade. Esta marca alemã há muito que nos habituou a incorporar inovação nos seus produtos e nestas Adizero XT Boost isso não foi excepção... Portanto não me levem a mal que tenha sido demasiado extenso na secção de Design e Construção, mas à muito a dizer sobre este modelo, somente por um unico motivo - Serem diferentes!

 

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Design e Construção

 

No que toca aos acabamentos, nada a apontar, aqui a casa alemã a mostrar porque é reconhecida a nivel mundial.

Todos os pormenores estão prefeitos em termos de construção, nota-se que a Adidas teve sempre em mente na concepção destas sapatilhas - Reduzir ao máximo o peso! Basicamente são constituídas por uma sola Continental, um upper composto por um mesh leve e fino que por sua vez é ligado a uma polaina de um material mais elástico e resistente e pouco mais.

 

Será suficiente? Vamos aos detalhes... Debaixo para cima.

 

Estas XT como já referi apresentam uma sola Continental, que logo à partida nos garante um grip excelente no contacto com o solo, com muitos tacos bem prenunciados capazes de lidar n apefeição com terrenos mais moles e com alguma lama, contudo este desenho de sola tende a não soltar a lama com facilidade. Na media sola como o próprio nome indica, estas XT possuem a tecnologia Boost da Adidas, uma tecnologia já sobejamente conhecida pelas suas capacidades elásticas e de retorno energético da passada e neste ponto a Adidas inovou, ao invés de colocar e esta tecnologia ao longo de todo o comprimento da sola, apenas colocou esta "espuma" na zona mais dianteira da sapatilha, sensivelmente desde a zona do metatarso para a frente, permitindo assim, que corredores que possuem uma boa passada - do meio do pé para frente - tirem o melhor rendimento desta tecnologia.

Já na região do calcanhar a casa alemã aptou por usar EVA de forma a permitir uma maior protecção do atleta nesta região, ainda na sola e numa tentativa de poupança de peso a Adidas optou por não incorporar uma rockplate nestas XT, solução esta, que dependo do tipo de piso não foi a melhor, pois ao pisar uma raiz ou uma pedra maior ou mais ponte aguda, vamos sentir bastante e pode magoar a planta do pé.

 

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Em termos do corpo a casa Adidas optou por utilizar um mesh fino deste a sola até às polainas, isto permite aumentar a capacidade de transpiração destas XT, bem como, aumentar o tempo de secagem, contudo em corrida com o tempo de chuvoso ou húmido, verifiquei que rapidamente ficamos com os pés molhados e frios, devido ao minimalismo no tecido utilizado.

No que toca a alguma protecção e controlo, a Adidas utilizou um TPU na biqueira das sapatilhas para prevenir que nos aleijemos ao embater com algum objecto, bem como um reforço bastante forte na zona calcanhar que garante um ajuste firme nesta área garantido algum controlo na passada, se bem que no início da utilização este ajuste é bastante firme, chegando mesmo a magoar um pouco, mas ao fim de alguns quilómetros este desconforto passa rapidamente de firme a perfeito, pois o material adapta-se muito bem ao calcanhar.

Em termos de suporte lateral este não é perfeito e no meu ver pode ser melhorado facilmente recorrendo a mais cintas de estabilização que em conjunto com os atacatadores permitiam uma melhor envolvencia do pé, sentindo especialmente esta necessidade em trilhos mais técnicos e exigentes.

 

Chegando ao topo da sapatilha e para mim o melhor pormenor destas XT - a polaina - feita de  material elástico e confortável mesmo se usado directamente sobre a pele, estas polainas fazem o seu trabalho na perfeição, um pouco mais elevadas que o normal não deixam passar para o interior detritos que podem incomodar o corredor, no inicio apenas pode parecer estranho e difícil calçar estas Adidas devido à existência da polaina, mas apanhando o jeito o pé entra facilmente e bastante rápido - Excelente pormenor Adidas. Top!

 

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Estabilidade e Aderência

 

Quanto à aderência, a sola da Continental é irrepreensível, agarra bem a todos os tipos de piso, especialmente em piso, arenosos e de lama, apenas se mostra mais frágil em passagem sobre algumas rochas molhadas, mas este é um ponto comum a quase todas as sapatilhas.

Em termos de estabilidade como já referi acima, as XT mostram-se um pouco instáveis em pisos técnicos, muito por culpa de serem muito minimalistas em termos de construção e as secções laterais que ligam aos atacadores não são as suficientes e não dão a segurança necessária para este tipo de terreno mais instável, contudo para pisos menos técnicos estas XT são mostram-se à altura.

 

 

Conforto

 

Ao calçar estas XT pela primeira vez, não se sente que estamos a calçar umas sapatilhas de corrida, mas sim umas sapatilhas casuais devido ao seu conforto e facilidade de uso, contudo existem alguns pontos que podem ser melhorados, tais como:

A não presença de uma rockplate na sola, especialmente em terrenos com mais acidentendos sente-se a falta deste pormenor que protege o pé quando pisamos materiais mais rijos e ponteagudos;

O material mais reforçado no zona do calcanhar para controlo de estabilidade aperta um pouco nas primeiras utilizações e leva algum tempo a partir e ficar confortável, contudo depois destes quilómetros o ajuste é perfeito;

Falta de mais portecção face ao aperto dos atacadores. Devido à falta de pontos de suporte lateral para estabilidade, temos tendência em apertar um pouco mais os atacadores, mas uma vez  que estas XT não possuem língua devido à polaina, magoamos um pouco o pé com o aperto que damos nos atacadores, existe de facto, um acolchoado nesta zona mas não é o suficiente.


Mas nem tudo é mau em termos de conforto, são umas sapatilhas super fáceis de utilizar, a polaina permite que não entrem detritos para o seu interior garantindo maior conforto, a parte dianteira da sapatilha é larga permitindo abrir os dedos dos pés sem qualquer problema, o mesh utilizado nestas sapatilhas é confortável e muito respirável e faz com que sejam umas sapatilhas frescas e muito transpiráveis.

 

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Amortecimento

 

Não irás fazer uma ultramaratona com estas XT, penso que o seu limite estará entre os 25 e os 30 quilómetros por utilização. Devido à notória intenção da Adidas de reduzir peso, foram retirados acolchoados e outros pormenores que minimizam o impacto do solo sobre os membros inferiores.

A zona do calcanhar é reforçada com EVA para garantir mais protecção, contudo ariscaria-me dizer que a Adidas deveria ter mantido o Boost na media sola até ao calcanhar, pois acho que iriam ganhar um pouco de mais amortecimento especialmente em descida.

 

Preço

Com um PVP que situado entre os 80€ e os 100€, de acordo com a loja ou o site online que pesquisemos e tendo conta, no meu ponto de vista, serem muito especificas. Específicas em termos de terreno - Excelentes para provas ou treinos que não ascendam os 30 quilómetros executados em pisos mais moles/arenosos e pouco tecnicos, específicas em termos clima - Perfeitas para climas quentes devido à sua excelente capacidade de transpiração e frescura e fragilidade com chuva ou humidade, e específicas em termos corredor - por serem uma sapatilhas leves e rápidas, feitas para corredores também com estas características.

 

Avaliação Final

Design/Construção 15/20
Estabilidade e Aderência 15/20
Conforto 15/20
Amortecimento 16/20
Preço 16/20

Total 15/20

Em resumo embora não tenho tido uma avaliação muito elevada dou os meus parabéns à Adidas por inovarem e trazerem ideias novas para o mundo do trail, estas XT podem não ser perfeitas para todos tipos os corredores e provas, mas trazem muitas ideias boas e podem ser melhoradas facilmente, apenas não atribui uma pontuação mais elevada, devido à sua especificidade muito grande.

 

Obrigado Adidas, adorei o teste e continuem a inovar.

"Efectuamos testes de cargas dinâmicas com 250 quilos de pressão ao longo de 40 mil ciclos e no final o Boost continuava praticamente inalterado"

Por Filipe Gil:

Publicamos a segunda parte da entrevista que fizemos em finais de julho a Adriana Machado, formadora da Adidas na tecnologia Boost. Para ler a primeira parte desta entrevista, clicar aqui.

 

E qual a durabilidade do material Boost?

Dou o exemplo, noutras tecnologias do mercado diz-se que é necessário deixar descansar o material umas horas para voltar ao estado inicial, no Boost isso não é necessário. Efectuamos testes de cargas dinâmicas com 250 quilos de pressão ao longo de 40 mil ciclos e no final o Boost continuava praticamente inalterado, e em comparação com outros materiais é 75% superior na resistência.

 

E isso pode ser trazido em termos de quilómetros?

A durabilidade da sapatilha envolve vários factores, tipo de sapatilha (treino, competição ou mista), peso do corredor, tipo de piso onde corre, a técnica ao correr, entre outras. Boost que é o material da meia sola, é praticamente infindável, e depois temos a sola que poderá ser ou não com borracha Continental, se for borracha Continental terá uma sola com maior durabilidade. Se compararmos os Supernova Glide aos Energy, os Glide têm menos % de Boost mas à partida terá um tempo de vida superior pois sendo uma sapatilha de treino tem uma espessura de sola maior para gastar. Os Energy são uma sapatilha mista. Mas há que sublinhar que as solas Continental em inclinações tem cerca de 39% mais tracção do que modelos da concorrência, quer em piso seco quer em piso molhado (39% em inclinações, 30% em molhado e 32% em piso seco).

 

E em sapatilhas de trail vão aplicar a tecnologia Boost?

Pelo menos até à colecção Primavera/Verão 2015 não há nada previsto para o trail puro e duro.

 

Muitas são as teorias do uso de ténis minimalistas ou com mais protecção. Existem quem avance que usar sapatilhas com demasiada proteção podem prejudicar o corredor através de lesões. Será que a tecnologia Boost não protege em demasia o corredor o que pode tornar-se perigoso tornando mais vulnerável àquilo que todo o corredor que evitar: lesões?

A grande maioria dos corredores não procura os modelos mais minimalistas. Apesar de termos alguns modelos minimalistas, estes não utilizam a tecnologia Boost. No tal teste de que falhei anteriormente a comparação foi feita até com modelos minimalistas e existe mesmo a redução do consumo de 1% de oxigénio usando os Boost.

Quantos modelos estão previstos para a próxima coleção de outono/inverno com tecnologia Boost?

Falando das linhas mais técnicas, com os Response, Supernova, Adistar e Adizero, são linhas Energy e Sequence, são modelos de sapato de corrida) todos já têm a tecnologia Boost. Já temos modelos de reactividade, amortecimento e estabilidade com a tecnologia Boost. E a tecnologia já passou a categoria da corrida, e no outono/inverno de 2014 estará já no basket e para primavera verão 2015 em volley e futsal.

 

Porque optaram por lançar os Boost na corrida e não noutra categoria?

A corrida está, a nível mundial, em grande crescimento. Três em cada 10 modelos comprados são de corrida. E nota-se com as crises económicas existe um boom de corredores. O que foi perfeitamente sentido em Portugal.

 

E, afinal, de que material é feito o Boost?

O Boost foi desenvolvido pela BASF. E foi desenvolvido com o propósito de introduzir um beneficio de amortecimento e reactividade. O material que faz as solas Boost é um composto de Poliuretano que depois é insuflado com ar, formando então as tais cápsulas de energia, e depois através de uma técnica especial são fundidas, em cada meia sola, cerca de 2500 unidades. Mesmo rasgado com uma lâmina não se desintegra. 

FIM

“Uma sapatilha leve e reativa consegue diminuir o consumo de oxigénio em 1%”

Por Filipe Gil:

 

No final do mês de julho estivemos nos escritórios da Adidas em Lisboa para uma workshop sobre a tecnologia Boost, como já tínhamos anunciado aqui. Publicamos, em duas partes, a entrevista que fizemos a Adriana Machado, formadora da Adidas na tecnologia Boost e que para além de nos explicar como funciona a tecnologia avança com algumas novidades da marca alemã para breve.

 

Ano e meio depois do lançamento da tecnologia Boost que evolução tem tido?

Foi um lançamento que correu muito bem. Antes do material ser introduzido sabia-se muito pouco porque foi uma grande inovação no mercado. A grande inovação está mesmo nas características do material Boost: impulsão, resistência às temperaturas e durabilidade e na capacidade de reunir amortecimento e reacção numa única sapatilha. Umas das nossas grandes apostas para o Outono/Inverno é o modelo (SuperNova) Sequence, de estabilidade. Quando se pensava que, para se ter uma sapatilha de estabilidade, tinha que ser pesada, com este modelo conseguimos  contrariar isso e oferecemos amortecimento, estabilidade e reactividade e leveza.

 

 

E mais novidades?

Em breve vamos apresentar a tecnologia Climaheat que é inspirada nos pelos do urso polar. O pelo é oco e para alem do tecido adiposo o urso consegue aquecer-se com o calor produzido pelo seu corpo que entra e permanece nesse espaço. No Climaheat a lógica é a mesma. Tem filamentos ocos e o calor produzido pelo pé e pelo corpo (no caso de material têxtil) mantém o calor.  

 

Qual o feedback que têm tido dos vossos atletas profissionais e de elite na passagem para os modelos profissionais para a tecnologia Boost?

Toda a gente acha muito interessante. Há ano e meio que introduzimos o Boost no modelo Adios e desde então temos 11 recordes batidos com esse modelo, entre Maratonas e Meias Maratonas em provas oficiais. É, actualmente, o nosso Santo Graal no mundo da corrida.

 

E o que têm sentido da parte de quem usa Boost mas não é profissional?

As vantagens do Boost é um argumento válido quer para o corredor profissional quer para o corredor que faz 5Km por dia, isto porque todos os corredores procuram reacção, leveza e amortecimento e um menor consumo de oxigénio. Aliás, no nosso laboratório, no Adidas Innovation Team (AIT) e na Universidade de Calgary conseguimos provar, através de testes, que uma sapatilha leve e reactiva como o Boost consegue diminuir o consumo de oxigénio em 1%. Ao ainda juntarmos a sola da Continental conseguimos aliar durabilidade e tracção na mesma sola.

 

E qual foi a principal dificuldade que os corredores tiveram a adaptarem-se a esta tecnologia?

A sola ser peculiar, destaca-se em qualquer parede de calçado. Estamos habituados ao EVA e este Boost causa estranheza no início, mas o engraçado é que na altura do seu lançamento, os Adidas Boost Energy esgotaram, não só em Portugal mas também noutras partes do mundo. Mas para alem dos argumentos que indicamos o melhor mesmo é o corredor calçar e perceber o conforto que a meia sola Boost nos dá.

 

No próximo domingo publicaremos a segunda parte desta entrevista.

Tecnologia e conhecimento na corrida

 

Sabem o que é isto na imagem acima? São pedaços da matéria que comprimidas fazem as solas Boost da Adidas. As esferas mais pequenas são o material no seu estado mais puro, as maiores são as mesmas esferas com ar e que podemos encontrar nas solas dos Adidas Boost. Ficámos a saber isto tudo num workshop que a Adidas nos deu e que na próxima semana iremos publicar em forma de entrevista. Com algumas novidades de material interessante para todos. Ficámos a saber muito mais sobre esta tecnologia que, na nossa opinião, voltou a colocar a Adidas com um dos principais players da corrida a nível mundial. Fiquem atentos.

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