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Correr na Cidade

Race Report: Arrábida SwimRun

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O Arrábida SwimRun foi a primeira prova de SwimRun realizada em Portugal, o meu primeiro SwimRun, e simplesmente ADOREI a experiência!

 

Este é o melhor resumo que posso fazer de tudo o que vivi no passado domingo, dia 4, nesta fantástica prova.

 

Já explicámos aqui no blog o que é o SwimRun e na entrevista que fizemos à organização demos a conhecer como ia ser a primeira edição em terras lusas.

 

Mas uma coisa é falar, outra é fazer, e sendo novidade e um desafio, não poderiamos faltar.

 

 

Arrábida SwimRun: saiba tudo sobre esta nova prova

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Gostas de desafios novos? Se sim, então esta prova é para ti.

 

Vais ou estás a pensar em participar na primeira prova em Portugal de SwimRun? Lê a entrevista com um dos organizadores, Bruno Safara, e fica a saber tudo o que precisas sobre esta modalide e sobre a prova. Dia 4 de junho nós vamos lá estar e vocês? 

 

  1. Como nasceu e porque decidiram criar o Arrábida SwimRun?

A ideia da realização do Arrábida Swimrun surgiu após um evento de Swimrun realizado na Escócia chamado “Loch gu Loch”. Estava um pouco saturado dos desafios que já tinha realizado até à data, quer no campo das ultras distâncias quer no triatlo e queria fazer algo diferente. Sou um apaixonado pelo desporto em geral, pela natação (que foi o 1º desporto que pratiquei) e pela corrida off road ou “trail” como também conhecida.

 

A experiência lá fora foi muito positiva e resolvemos organizar um evento no nosso País, de modo a apresentar a modalidade que, apesar de já ter cerca de 10 anos, ainda não é conhecida pela maioria da comunidade desportiva em Portugal. A escolha da região da Arrábida para o 1º evento ficou a dever-se ao facto que conhecer bem a serra, os seus trilhos e por nadar frequente nas águas do Sado.

 

  1. O que define o SwimRun?

O Swimrun é definido pela conjugação de natação em águas abertas e corrida em trilhos onde todo o percurso é feito com o material com que se começa. Não há mudança de equipamento aquando da transição da água para a corrida e vice-versa - é aí que está o desafio. É baseado na paixão pelo desporto e proximidade pela natureza.

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  1. Quais as grandes valias e as principais dificuldades desta modalidade?

A principal mais valia é a possibilidade de competirmos em locais idílicos, tanto na água como na terra e não termos que parar nas transições (para mudança de equipamento, etc) o que torna a prova mais rápida.

 

O que é uma mais valia para a prova é também uma dificuldade pois sair da água com o equipamento molhado assim como o calçado, poderá gerar algum desconforto para aqueles que não o estão habituados a fazer. A tecnicidade do percurso e condições atmosféricas também poderão torná-lo mais desafiante assim como a altimetria e distância do mesmo.

 

  1. Como achas que o swimrun se vai desenvolver nos próximos 5-10 anos? Portugal tem condições para aderir a esta modalidade?

Acho que o Swimrun tem tudo para ser um sucesso em Portugal nos próximos anos, visto ser uma modalidade que conjuga dois elementos que temos de forma natural na geografia do nosso País Portugal apresenta todas as condições atmosféricas e de relevo para a realização deste desporto. Deste as praias mais bonitas da Europa, rios, lagos, serras de cortar a respiração e Sol a maioria do ano, com temperaturas amenas quando comparadas com os países nórdicos onde o movimento Swimrun se iniciou.

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  1. O swimrun está mais direcionado para antigos nadadores, triatletas ou corredores?

O Swimrun está direcionado para todos aqueles que adorem nadar e correr ao ar livre. Talvez os triatletas tenham mais à vontade na modalidade pois o triatlo já contempla as modalidades de natação e corrida, no entanto não estão habituados a correr em trilhos somente os que praticam a vertente X-Terra.

 

  1. O que podem os atletas esperar desta prova? Como é o percurso, abastecimentos, segurança?

Os atletas podem esperar uma prova a ser realizada num cenário perfeito: natação numa das mais belas baías do mundo e corrida numa serra com características de flora e fauna únicas. O percurso é desafiante, principalmente a parte de corrida que terá algum desnível. Os trilhos contarão com algum declive acentuado em certas zonas e com abastecimentos de água e sólidos em mais que um local. A nível de segurança, contaremos com o apoio de canoas e alguns SUP’s na água, bombeiros e muitos voluntários de forma a garantir que tudo corre bem.

 

  1. Existe algum momento da prova que se destaque? E quais são as principais dificuldades desta prova?

O percurso tem alguns pontos de interesse onde podem ver uma vista privilegiada sobre Troia e sobre a Serra de S. Luis bem como irão passar junto ao Palácio da Comenda nos segmentos de natação. A principal dificuldade desta prova poderá ser alguma corrente devido à maré e claro o segmento mais longo de natação estimado em 700m.

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  1. Preciso de algum equipamento especifico para realizar a prova, ou basta uns calções de banho e umas sapatilhas?

Esta 1ª edição foi pensada para ser acessível a todos os que quiserem experimentar a modalidade sem terem que adquirir equipamento especifico. Daí a sua realização em tempo mais quente onde o fato neoprene não é um acessório obrigatório. No entanto, Portanto, no limite, uns calções e t-shirt de compressão ou o vulgo trisuit usado no triatlo serão suficientes para poderem participar.

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  1. Que recomendações podem dar aos atletas que irão participar nesta modalidade, muitos deles pela primeira vez?

Que não descurem a segurança e saúde acima de tudo, nomeadamente, não entrar na água de barriga cheia para não causar uma paragem de digestão, que usem calçado apropriado de modo a ter mais aderência ao solo e que tenham cuidado em trilhos mais técnicos, caso sejam estreantes em trilhos. Que não ponham em causa a segurança dos outros participantes e que ajudem o próximo em caso de dificuldades. É importante também que tenham fair play, que contribuam para que a nossa serra permaneça limpa e, acima de tudo, que desfrutem da prova e da vista.

 

  1. Uma frase de incentivo aos atletas. 

We swim we run, we are “swimrunners”!

Race Report : III Duratrail 2015 By Lurbel

 

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 Por Luis Moura :

 


No ano passado não fui participar no Duratrail devido a estar com os canhões todos para o Arrabida Ultra Trail mas fiquei a pensar na prova por ser num sitio que gosto muito de treinar.
Assim, quando há umas semanas a Lurbel nos convidou para participar na prova, mesmo sabendo que seria apenas 1 semana depois da Serra D'Arga, aceitei de bom grado.

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Prova
A Proaventura tem a fama de organizar provas a grande nivel e lá fui testar a veracidade.

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Levantar cedo e pouco antes das 8 já estava no Parque Urbano de Albarquel. Levantar o dorsal, acabar de preparar o material para a corrida e lá fomos para a partida.
Esta iria ser oficialmente perto da Avenida Luisa Todi mas teve uma partida simbolica no Parque Urbano no mesmo local que iria ser a meta.

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Lá fizemos o km que dista para a partida e nova concentração. Nesta altura depois de partir quase do final do grupo que arrancou já estava a cerca de 1/4 do grupo da frente para ter uma partida mais suave.

 

Depois de darem a partida oficial lá partimos para uma volta de aquecimento pela avenida Todi e entramos na subida para o Castelo que está de defeso à cidade há uns séculos.
Estava-me a sentir bem das pernas e lá subi a rampa passando dezenas de atletas até lá acima, pois sabia que quando acabassemos a subida, entravamos num single track muito apertado e perdia muito tempo se ficasse para trás e com muita gente na minha frente iria perder um bom tempo logo nos primeiros km's.
Os pés doiam ainda um bom pedaço da Serra D'Arga da semana passada, mas nada de relevante para já.

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1km, depois de subirmos 110D+ em 1km, entramos num troço de cerca de 3km e pouco de sobe e desce até chegarmos à segunda subida ao km5. Aqui na subida começa a doer bastante os gémeos e comecei a perceber o motivo.
A meio de Arga como podem ver no meu Race Report da prova, perdi a maior parte do amortecimento das Salomon e sem me aperceber comecei a correr mais com a parte anterior do pé e comecei a sobrecarregar demasiado os gémeos. Na Serra d'arga não começou a doer no final da prova, mas aqui a dor apareceu rapidamente provavelmente devido a não ter tido um descanso completo dos pés e quando comecei a fazer a segunda subida, eles começaram a doer bastante.

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5km, abrandei um bocado e fiz os 3km seguintes a passo acelerado cheio de dores na planta dos pés e agora com o acréscimo dos gémeos que estavam a ferver devido a passar o peso da corrida inteiramente para eles.

Quando estava a chegar perto do abastecimento do km9, tomei uma dose de magnésio e depois bebi e comi um bocado para relaxar. Uns minutos depois lá arranquei a ver se as dores diminuiam. Por esta altura tinham passado umas dezenas de corredores por mim nos ultimos 3km.

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Mais subida menos subida
10k, começa a terceira subida grande, desta vez com 150D+ e quilometro e meio.
Fui tranquilo e via alguns colegas de prova a passarem por mim já com caras meio cansadas.
Efeito do magnésio ou não, as dores ficaram bastante mais leves e recomecei a correr. Fui até ao abastecimento dos 16km sempre em ritmo rapido e recuperei alguns lugares, mas quando cheguei ao abastecimento as dores no pé recomeçaram e com bastante intensidade.

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Nitidamente a corrida para mim tinha acabado para não colocar em causa as próximas semanas e lá fui novamente tranquilo.
Cheguei ao abastecimento dos 16km com 1:50h de prova e sabia que iria chegar ao fim depois das 3h com estas dores. Tinha recuperado bastantes posições nas subidas e isso iria tudo pelo cano por causa das dores.

17km, começa a minha caminhada até ao abastecimento dos 21km. Sempre a andar e cheio de dores, lá fui sendo ultrapassado por vários atletas e alguns conhecidos. Estava cheio de dores nos pés e os gemeos já estavam bastante massacrados.

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Ultimo abastecimento
Cheguei ao abastecimento dos 21km e fiquei um bocado na conversa com os membros do staff que estavam a dar o manjar aos atletas que passavam. Fruta fresca, gomas e bolo de chocolate foi quase uma constante :)
Depois de uns 5 ou 6min a comer e beber, lá segui tranquilo para o resto da prova. Foram cerca de 2,5km a passo sem pressas e com os pés a ferver de dores.

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Quando estava a chegar perto do parque, ainda consegui correr quase 1km e nos ultimos metros quase em cima da meta ainda deu para um pequeno sprint de 200m abaixo dos 4/km.
As pernas doiam como tudo e já quase não sentia os pés, mas com as reservas que tinha no corpo deu para uma shot final rápido.

 

No final a posição 251 entre 550 atletas que iniciaram a prova com o tempo final de 3:20:59.

Não foi brilhante, mas foi sofrida. Neste momento estou com imensas dificuldades em pousar os pés no chão e vou ter que abrancar agora 2 ou 3 semanas para deixar os pés restabelecer do esforço.

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Rescaldo

Os meus parabéns à Proaventuras. Desde as marcações que como diz o Filipe Torres "até um ceguinho não se perde", percurso interessante para 25km, staff ao longo da prova em fartura e sempre em locais estratégicos para ninguem se perder, até aos abastecimentos simples mas funcionais.

O pack da prova de inscrição incluia manguitos da Lurbel e no final uma caneca de metal para usarmos em proximas provas. Mais o almoço oferecido a todos os participantes no final, novamente coisa simples mas que dá sempre uma excelente nota positiva.

A melancia no final da prova é um pormenor interessante pois é uma fruta que raramente vemos em prova e devido à concentração de agua que tem, é muito bom para recuperar rapidamente em dias mais quentes ou abafados como estive no Sabado passado.

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Ultimo agradecimento à Lurbel pelo convite e pela vontade deles de apostar neste desporto que gostamos de praticar e que ainda vamos ouvir falar muito sobre eles nos proximos anos. Os materiais são de facto bons e o preço acessivel. Todos os ingredientes para aos poucos encontrarem o seu lugar ao SOL.

 

 

Bons treinos :)

 

Video Arrábida Ultra Trail

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Como a Joana já vos contou aqui a minha participação no Arrábida Ultra Trail foi na prova Mini-Trail para a acompanhar, para puxar por ela, dar-lhe umas dicas e poupar os meus joelhos que depois dos 44Km do Trail da Lousã ainda não deixaram de inflamar cada vez que puxo mais por eles.

 

Assim aproveitei o ritmo menos rápido da Joana relativamente ao meu, para ir filmando e desfrutando o bonito percurso que a organização nos preparou.

 

Este é o video que compilei com algumas imagens da nossa participação neste primeira edição do Arrábida Ultra Trail, a certeza é que no próximo ano lá estaremos de novo.

 

 

Race report : 82km do Ultra Trail Arrabida 2014

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Introdução à prova:

Muito rumor e muita expectativa foi criada à volta desta prova. Sendo a primeira edição e tendo sido feito um grande investimento inicial na sua divulgação, foi com alguma preocupação que se assistiu a alguns meses de quase silêncio na preparação da mesma. A ausência de noticias ou de updates ocasionais sobre o que se estava a preparar levou a que a "rádio corredor" inventasse filmes de tragédia sobre a mesma. Eu mesmo a uma semana do inicio e vendo o site da prova com pouca actualizações fiquei um pouco céptico.

A prova foi apresentada como sendo de 80Km e com 2300D+, um valor bastante abaixo do que normalmente seria de esperar numa prova de 80km, mas como a Serra da Arrábida não tem cotas muito altas, é necessário fazer várias subidas e descidas para acumular desnível considerável.

Uma semana e meia antes da prova, foi alterado para 82km e 2100D+, o que se traduziu numa prova mais rápida do que inicialmente previsto.

 

Levantar dorsais e briefing

Fomos levantar os dorsais às 19h, já noite serrada, e depois assistimos ao briefing para os atletas às 20h. O acesso ao local para levantar os dorsais estava muito escuro por falta de iluminação adequada, mas ao mesmo tempo foi interessante entrar e subir no centro do castelo de Palmela naquele ambiente.

Levantar os dorsais foi super fácil porque tinham vários voluntários e o sistema  era simples. De seguida tivemos que nos deslocar 50 metros ao lado para levantar os chips dos atletas. Tarefa muito mais morosa e talvez a repensar numa próxima edição. Colocar num saco normal aberto em vez de saco fechado com autocolante seria mais prático para muita gente.

O Kit de atleta que nos foi entregue para os 80km estava bem composto com t-shirt técnica, uma embalagem de gel energético, uma barra energética de 110 gramas e uma garrafa de vinho da região - para além do dorsal que se portou muito bem até ao fim com textura e tamanho adequado. Só faltou ter um numero de emergência marcado para alguma necessidade.

 

Prova

Já havia uma boa visibilidade às 06h30 mesmo rodeados por árvores e pelas paredes do castelo.O ambiente de festa estava instalado com mais de 160 corredores prontos a enfrentar o desafio.

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O arranque da prova foi às 7:10 da manhã.

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0km - Depois de andarmos uns 500/600 metros desde a entrada do Castelo até aos limites da vila de Palmela, entramos numa calçada romana já muito desgastada e foram cerca de 2km sempre a descer a ritmo elevado, muito perto dos 4/minutos ao km. Senti que ali não era aconselhado ir muito mais depressa já que a prova era longa e alguns metros do piso estavam muito desgastados e apresentavam algum perigo  em termos de estabilidade dos pés e logo do corpo. Mas, a descida, serviu para esticar o grupo da frente.

A minha táctica seria a mesma que experimentei uma semana antes nos 15km de Casainhos. Arrancar na frente e imprimir um ritmo forte. Não muito elevado, mas sempre constante e dentro dos meus limites.

 

3km - apanhamos a primeira subida do percurso, com alguma lama, o que diminui um pouco o ritmo. Nesta altura rolava perto dos 7/km  na parte mais inclinada e 5:20/km nas partes que davam para correr. Passaram por mim alguns atletas nesta fase e eu passei alguns também. Como era o inicio, a maior parte estava a tentar acertar  o ritmo certo e todos ainda estavam frescos. Depois seguiram-se pouco mais de 8km num sobe e desce quase constante. As subidas e as descidas não eram compridas nem exigentes, apenas parecia um carrossel rápido. E tínhamos, de vez em quando, uma vista fantástica sobre a baia de Setúbal a fazer lembrar o porquê de adorarmos este desporto.

 

7km - Nesta altura encostei atrás do Lino Luz que é uma referência para mim. Conheço bem o andamento dele, e tentei acompanha-lo sempre que possível. Nas subidas ele destacava uns metros e nas descidas eu recuperava. Em alguns pontos andávamos perto dos 7/km mas a maior parte do troço foi feito perto dos 5/km, que era um ritmo muito bom. Estava a sentir-me bem e tranquilo, e fui gerindo a respiração.

 

12km - Antes do abastecimento dos 15km e da sua parede, tivemos direito a pouco mais de de 2km de quase plano em alcatrão. Eu e ele juntamo-nos a outro corredor e seguimos os três até ao abastecimento, sempre em ritmo ligeiramente abaixo dos 5/km. Não era muito rápido para estrada mas para inicio de uma prova longa, convinha não abusar.

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15km - Primeiro abastecimento ainda estava carregado de água (erro estratégico enorme mas sem grandes efeitos no final) e apenas comi 1 pedaço de banana e 1 pedaço de marmelada. Arranquei logo que vi os meus dois parceiros a sair. Por esta altura pensei que andava pelo 20/25º lugar.  Estava a ir bem e sentia-me óptimo.

A seguir ao abastecimento apanhamos uma subida de +/- 500 metros onde subimos quase 100m D+. O percurso era muito escorregadio, com vigas parecidas às usadas nos caminhos de ferro mas mais pequenas misturadas com piso em terra. Como o tempo esteve húmido, uns dias antes,  as vigas estavam tipo gelo e não tinham qualquer aderência. Foi preciso gerir o ímpeto e ir devagar por lá acima.

Por esta altura comecei a sentir um pouco de dor nos quadricipeds e pensei que se calhar o treino de séries na quinta-feira anterior não teria sido a escolha mais inteligente...

 

16km - Chegados ao topo, entramos nos "Caminhos dos Moinhos" que atravessa um bom pedaço da Serra da Arrábida pelo topo e é muito conhecido por corredores e principalmente pela malta do BTT porque é um single track muito interessante, tem paisagens bonitas e é muito rolante. Foram quase 5km’s em sobe e desce, sem grandes desníveis e a um ritmo relativamente elevado. Em alguns pontos o GPS indicou 4:30/km e a média foi pouco acima dos 5/km. Pelo caminho cruzamos com dezenas de BTT's a passear, a maioria sempre simpática, a cumprimentar e a incentivar.Por esta altura o Lino Luz seguia ligeiramente atrás de mim a pouca distância sempre num ritmo controlado e certo.

 

21km - Depois seguiram-se cerca de 5km num sobe e desce mais acentuado, com alguns single tracks muito apertados por pequenos arbustos (e robustos !), silvas e estradões. Com apenas uma descida mais acentuada, a altimetria foi descendo aos poucos até que ao km 24 estávamos na entrada de Azeitão. Apanhámos 2km de alcatrão rolante até ao abastecimento dos 30km, mas que nos apareceu aos 28km.

 

28km - Pequeno erro na informação da organização. Por esta altura tinha esgotado os 1,25L que tinha de água no camelbak e enchi apenas os dois bidões da machila de 0,6L cada. Fomos avisados que o próximo abastecimento seria ao km48, quase 21km sem nada entre eles. A agua colocada teria que chegar. Comi meia banana, 1 cubo de marmelada e peguei em 2 pedaços de salame e meti-me ao caminho a passo. Fui comendo lentamente e a andar. Por esta altura o Lino tinha passado para a minha frente por ter parado menos tempo no abastecimento e estávamos todos a recuperar um pouco do ritmo mais alto que tínhamos estado a imprimir nos últimos km's, onde a média rondou perto dos 5:30/km, a subir e descer.

 

29km - Respirar e andar. Entretanto nos 3/4 minutos que fui a pé na saída do abastecimento enquanto comia um chocolate, fui passado por 2 ou 3 corredores. Na minha mente passou a ideia "bem, já estou a escorregar para o final do top 20". Sem stress. Primeira vez numa corrida de 80km, e estava a correr, mas, Bolas, que estes gajos andam rápido ! Entretanto meti a 5ª, e comecei a correr novamente.

 

30km - Apanhei o Lino Luz ao fim de uns minutos. Não se estava a sentir bem. Não aguentava a comida e o estômago não estava concentrado na prova como ele estava. Apanhamos vários quilómetros seguidos de piso duro, alternadamente em alcatrão e estradão, estradão e alcatrão. Confesso que nesta altura, já estávamos a sentir um pouco confusos com o evento pois viemos para um corrida em trilhos e os km's em piso duro começavam a ser muitos. O que é muito entediante para o cérebro e pernas. Nesta altura pensei que o ritmo mais alto ainda o íamos pagar. 

 

32km - Lino Luz disse-me que não se estava a sentir bem, optamos assim por andar 1 ou 2 min de vez em quando para aliviar as pernas e a língua, que nesta altura estava muito excitada com impropérios aos organizadores.Entretanto aparecerem umas subidas e descidas por entre umas casas, moradias e depois mais estradões.

 

38km - Mais uns praticantes de BTT a passear num domingo bom para a pratica de desporto.Apanhamos algumas subidas e descidas mais inclinadas mas nada de especial. O ritmo andava perto dos 6/km mais por desgaste mental da maratona que estávamos a fazer do que pela dificuldade da prova. Durante este troço a Sofia Roquete passou por nós "devagarinho" e foi-se embora… nunca mais a vimos...

 

46km - Já quase sem agua e com o Lino sem melhorar do estômago, apanhamos uma descida comprida. Foi mais de 1km a serpentear por entre casas e com D- de quase 100m. Aqui aceleramos um pouco e vimos o abastecimento lá ao fundo. Retemperamos um pouco a energia mental.

 

48km - Desligar o motor, sorrir um bocado para os fantásticos voluntários que estavam abastecimentos, carregar os dois bidões de agua, comer uma banana, enviar SMS à Liliana a dizer que estava vivo e que a corrida estava a correr bem. Por esta altura ainda pensava que estaria entre o 25º e o 30º classificado. O Lino Luz arranca novamente antes de mim enquanto  comia fruta. Eu demoro mais dois minutos a beber isotónico e a comer. Pego em dois pedaços de salame e arranco atrás dele. Ando 2/3 minutos a pé enquanto como. Não tinha vontade nenhuma de comer. O corpo estava a entrar num estado de metabolismo muito baixo, mas sabia que tinha de o alimentar para ter energias mais à frente.

 

49km - Comecei a correr e tentei juntar-me ao Lino. Ao fim de pouco mais de 1km, vi-o encostado a um muro na estrada lá ao fundo. Mantive o ritmo e segui no encalço dele.

 

51km - Em Casal da Ribeira, virei à direita e saí do alcatrão. Apanhámos uma parede que foi feita a passo acelerado. O GPS indicava 1,5km a subir com inclinação média superior a 20%. A meio apanhei o Lino que ia num ritmo mais calmo e perguntei-lhe se já estava melhor. Sorriu e disse-me que estava com imensas dificuldades em aguentar a comida. Tinha vomitado tudo o que tinha comido mais atrás.

 

53km - Apanhamos uma pequena descida que deu para recuperar o fôlego e novamente outra subida muito inclinada. Ritmo médio andava pelos 7:30/km. Sem pressa, fomos digerindo os metros.

 

54km - 2km's seguidos rápidos. Apanhamos single tracks quase a direito e aproveitamos para rolar um bocado. Eu seguia na frente e o Lino atrás, já em sofrimento devido ao estômago. Andamos 2km pelos 5:40/km sem exagerar porque a partir daqui vinha a parte mais difícil da prova: as subidas mais longas e difíceis. 

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56km - Primeira subida a sério. 1,5km a média de 11/km. Ui! Como custava subir naquela lama, sem trilhos definidos. Apenas as fitas à nossa frente e desbravar caminho por entre os arbustos. Por esta altura seguia um holandês perto de nós que nos apanhou um pouco e que alternava entre um andamento mais rápido ou mais lento do que o nosso, e por isso umas vezes ia ele à frente outras ia-mos nós. Andamos assim pelo menos 6 ou 7km. Numa das vezes que ele passou por mim, no meio de pura lama, reparo que ele tinha calçado uns Saucony Guide 6 ! Calçado de estrada...

 

57km - Chegado ao topo, virei-me para trás e vi o Lino a chegar. Parei para desfrutar da vista enquanto bebia água e esperei por ele. Fantástica a vista de Troia lá ao fundo.

"Estás bem ?", perguntei. "Não. Não páro de vomitar", respondeu.

"Ok, siga lá então... não podemos parar :)"

 

58km - Pouco mais de 1km sempre a descer feito a pouco mais de 5/km. Ritmo relativamente rápido tendo em conta o piso inconstante onde estávamos a rolar. O holandês lá espreitava de vez em quando. Tinha 1,80 cm e tal e pernas magras e esguias... como aquilo ajuda em algumas situações :)

 

60km - Novamente uma subida pesadíssima. Pouco mais de 1km com média novamente acima dos 11/km. Muito devagar, mas sempre num passo certo e forte. Sem perdermos tempos nos riachos pequenos, nos saltos de lama ou nas salamandras que vimos pelo caminho.

 

61km - Entramos nuns trilhos fabulosos. Sempre aos zigue zagues no meio de árvores, arbusto, silvas, poças de água gigantes com 5 ou 7 metros de largura, deu para tudo. Aqui passamos 2 corredores que já iam com pouco gás a andar devagar para descansar um pouco até ao abastecimento dos 62km. Um deles era o João Alves dos Georunners.

 

62km - Chegámos ao abastecimento e apanhamos a primeira refeição quente, uma canja que não comi mas que os meus companheiros atacaram com prazer. Enchi os bidões de água, enviei um SMS à Liliana a dizer que estava no abastecimento. Comi um pedaço de salame e vi mais 2 elementos a chegar, os que tínhamos passado 1km antes. Vinham um pouco cansados. E pouco tempo depois chegou o tal holandês já com uma expressão cansada. Alguns sentaram-se no chão, ou a mudar de roupa ou a descansar uns minutos para recuperar, enquanto comiam a canja. Entretanto, o Lino arrancou novamente a passo enquanto comi fruta. Os géis que tentou comer até então tinham todos saído e ainda não tinha nada no estômago.

Acabei de comer o salame, vesti o corta-vento pois estava a começar a ficar um pouco de frio, meti a mochila ás costas, peguei numa sandes de queijo e arranquei a andar e a comer. Passado 300 metros apanha-me o Olavo Fontinha que me iria acompanhar quase o resto do percurso. 

Lá ao fundo aparecem 3 pessoas a passear e vi um vulto familiar. Era o José Serrano que naquele dia estava a fazer um passeio com a mulher e uma das filhas. Se tivéssemos combinado o encontro no meio da serra não tinha saído tão bem :)

 

63km - Uns metros à frente, começamos a subir. Eu, nesta altura, estava um pouco mais fresco e segui na frente. Apanhamos uma subida com quase 1km muito inclinada e logo a seguir uma descida muito inclinada. Subimos com alguma calma enquanto a comida assentava. Foram cerca de 90 D+ e 85 D-. De seguida apanhamos 3km mais rolantes, com pequenos sobes e desces e aceleramos o passo um pouco. Adiantei-me um pouco e entretanto vi o Lino Luz mais à frente e fui ter com ele.

 

"Estás bem Lino ?", "Nãoo, vomitei tudo outra vez. Estou a ficar farto desta corrida".

"OK então vamos lá andar e acabar isto".

 

68Km - 3km's sempre a subir, com pouca inclinação. Aproveitamos e os 3 juntos esticamos as pernas um bocado. Rodamos perto dos 6/km nesta altura enquanto preparávamos o espírito para as 3 próximas subidas maiores. Com os 3 juntos era mais fácil de meter km e como o ritmo era similar, juntou-se o útil ao agradável. Muitos vezes é preferível rodar sozinho e imprimir um ritmo que seja confortável para nós, mas quando a companhia tem um ritmo muito aproximado é uma boa junção de esforços e o desgaste é menor.

 

71km - Primeira das últimas 3 subidas seguidas. Subimos 75D+ a uma média de 10/km. Aqui o Lino já estava com alguma dificuldade em nos acompanhar nas subidas. A energia dele estava-se a esgotar-se. Tudo o que tinha comido até aqui, tinha vomitado e naturalmente o corpo só com água estava a começar a entrar em quebra. O cérebro e a musica mantiveram-no motivado e andar em frente...to the Finish line !

 

72km - 2km's mais fáceis e mais rápidos, e eu e o Olavo distanciamos um pouco do Lino.Deu para rolar bem a 6/km e começar a procurar o abastecimento que deveria estar no km72.

 

74km - Sempre a subir com 99D+ e nem sinal do abastecimento. Aqui já estávamos um pouco moídos, sem água e um pouco preocupados. "Será que nos tinha passado ao lado o abastecimento ?"; era quase impossível, mas a ideia populou na cabeça dos dois. E continuamos a subir, lentamente. Até que vimos lá ao longe do lado direito um pequeno toldo branco.. alivio !... toca a andar !

 

75km - Tirar mochila, sorrir um bocado para os amáveis colaboradores que se prontificaram para tudo, encheram os bidões e fizeram mais isotónico para nós. Enquanto isso comi uma banana e meti outra no bolso do corta-vento, just in case. Entretanto chega o Lino com uns 3 minutos de atraso, já bastante desgastado. Bebi 2 copos de isotónico. De seguida os assistentes dizem: « "vocês vão muito bem classificados. Ainda agora saíram daqui 2 corredores muito cansados. Se continuarem assim rápidos vão apanha-los.."

"O quê ? vamos rápidos ?!?!"   respondemos com uma cara de surpreendidos...

"Simim, devem ir entre o 10 e o 15º lugar".

Olhei para o Olavo. O Olavo olhou para mim e acho que pensamos os dois a mesma coisa. "bora !!!"

 

Pequena nota: Isto dos trilhos é curioso. Até esta altura nunca tinha entrado em qualquer estado de competição. A competição era comigo.Comigo e com os meus pés que já não sentia há uns bons 20km com tanta areia dentro deles e tantos cortes nas plantas. Comigo e com as minhas pernas que tinham ficado lá para trás em alguma subida. Não me lembro onde, mas um dia elas devem regressar. Comigo e com as dores nos ombros gigantes de andar tantas horas a carregar a mochila com mais de 3Kg de peso. A competição era, foi e sempre vai ser comigo. Só assim gostamos do que fazemos. Só assim sem qualquer pretensão podemos desfrutar da corrida e das paisagens magnificas que vemos durante a corrida. Mas por uns instantes, veio ao de cima a minha faísca competitiva que estava desligada há muitos anos, desde os tempos em que jogava voleibol.

 

Perguntamos ao Lino se ele vinha connosco e se fosse necessário esperariamos mais 1 ou 2 miniutos, mas ele indica para nós seuirmos que ele iria mais devagar. 

 

76km - Foram 2 km a rolar por um estradão descendente. 30D- nesses 2km a um ritmo médio perto de 6/km. Passamos por várias pessoas que estavam a passear naquela zona. Era domingo e estava um tempo mais ou menos de aproveitar em Novembro. "Boa tarde". "Boa tarde. Força corajosos". Diziam para nós e claro respondíamos.Outros apenas olhavam para nós e faziam uma cara de surpresa ao ver pessoas a correr cheias de lama quase até aos joelhos. 

 

77Km - Uma pequena subida com 45D+ onde já fazia um pouco de mossa com o cansaço acumulado.

 

78Km - Sempre a descer. 105D- a uma média de 5:17/km. Parecíamos frescos. Atravessamos uma estrada principal que estava cortada pela GNR e entramos numa pequena recta descendente. Vimos os 2 corredores que nos falaram ali mais à frente. Um deles era o Miguel Simões dos Georunners.

 

79km - Continuamos a descer. 42D- e 5:21/km. Ao fim de quase 80km a correr, era a loucura para as pernas. Nesta altura já os outros dois corredores estavam pouco mais de 30 metros à nossa frente, quando viramos para a esquerda e entramos num single track curto. Uns metros à frente, imediatamente antes de uma subida só de lama, tinha um riacho pequeno. O segundo corredor estava com dificuldades em atravessar a agua, e o Olavo e eu saltamos por cima do riacho e continuamos a correr e atacamos a subida... e como doeu...

 

80km - Durante a primeira subida deste km passamos o Miguel Simões que nos disse "força que ainda têm pernas". Ele  já estava desgastado. Eu tinha-o perdido de vista na primeira subida, ao km4 e estava a apanha-lo agora quase no fim. Entretanto, apanhamos umas poças de lama enormes. Escorregávamos por todo o lado, quase sem conseguir manter-nos de pé, mas tínhamos a mente fixa no objectivo.... correr.

Entramos na segunda subida do km e ultima subida da prova !! Mais uns 300 metros de subida em plena lama. Ao todo foram 92D+ e muito, muito sofrimento num ritmo de 10/km. Nesta altura o Olavo estava um pouco mais fresco do que eu e disse-lhe para seguir pois já estávamos quase a chegar. Disse que ficava comigo e continuamos os dois.

 

81km - Entramos na descida final. Piso muito escorregadio e técnico. Se fosse ao inicio da prova, dava perfeitamente para andar abaixo dos 4/km ali, mas naquela altura, só queria descer em paz e sossego. Foram 50D- devagar para não nos aleijamos. Os dois colegas tinham ficado para trás fazia alguns minutos. Estavam com dificuldades nas 2 subidas de lama anteriores. De repente entramos numa estrada nacional e o GPS indicava o km81.

Aqui o Olavo mais fresco e vendo que agora era sempre a rolar até lá abaixo ao rio, foi-se embora. O pensamento da meta foi importante para ele e ganhou fôlego.

 

82km - Eu, nem tentei acompanhar. Nem olhei para trás. Nesta altura só via os voluntários à frente a indicar o caminho e deixei o cérebro seguir o seu caminho. Foi 1km sempre a descer pelo alcatrão. O chão era duro... mas eu já não sentia nada. Mind over matter era o software que corria naquele momento no meu cérebro. Zigue-zague pela nacional e avistamos muita gente lá abaixo junto ao rio. A meta !

Nesta altura já o Olavo ia uns bons 200 metros à minha frente todo retemperado de forças. Segui ao meu ritmo. Deu para 5:06/km e entrei na reta final.

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META
- Estavam algumas pessoas a passear junto ao rio num dia interessante de Novembro, todos bem dispostos e todos batiam palmas de incentivo à nossa passagem. É uma sensação que nos enche o coração sentir este apoio. A Meta lá ao fundo a cerca de 400 metros, parecia estar mesmo á minha frente mas ao mesmo tempo parecia que estava perto de Faro. Sorri para toda a gente, afinal estavam a tirar segundos da vida deles para nos dar ânimo.

E isso é de louvar, sempre e em qualquer situação. Ia respirando tranquilamente e a tentar assentar tudo. Nos últimos 2km não tinha virado a cabeça uma única vez para trás para ver se alguém estaria a aproximar-se ou não. Era irrelevante. O que interessava já estava feito. Não era por ficar um lugar acima ou um lugar abaixo que ia ficar desiludido comigo. Importante, o importante estava mesmo à minha frente e enchi o coração de pensamentos positivos e alegria. Quando comecei a chegar mais perto, comecei a ouvir gritos de alegria e pessoas a gritarem o meu nome. Sabia que a Liliana estava à minha espera e mais 2 ou 3 membros da Crew do Correr na Cidade. Para além disso estavam mais amigos.. sim, porque na corrida, na sua simplicidade e complexidade paralela, fazem-se amigos.

A 50m da meta lá estava a claque de apoio, que já tinham feito as versões de 14 ou 23Km da prova, e estavam lá à espera para nos receber. Uns tiravam fotos, outros filmavam e outros apenas sorriam e batiam palmas. Era o suficiente. Depois de passar a meta, fiquei rodeado por todos, recebi um abraço maravilhoso da Liliana, mas sinceramente só queria ter 1 minuto sossegado para digerir tudo. 

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Recebi a "nota de culpa" com o tempo oficial, coisa que já não via desde a prova de Serra D'Arga em 2012, uma senha para o jantar e o crachá de finisher.

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Tirei a mochila, fui cumprimentado por todos em alegria e aos poucos fui apercebendo do que se passava. Aparece o Olavo e veio-me cumprimentar. Tinha chegado 1 minuto antes de mim. Olhei para trás a ver se via o Lino, mas não se via ninguém na recta.

 

Tinha ficado em 10º lugar da geral...



Pós corrida

Arrastei-me para a frente, fui beber um copo de proteína liquida que estavam a oferecer aos atletas e depois de 5min fui buscar qualquer coisa para comer. Só sei que nesta altura começaram a aparecer todas as dores no corpo quando comecei a arrefecer.

Peguei num prato de massa com salada, um copo de sumo e uma sobremesa e sentei-me a comer. Havia muito mais para comer mas não tinha fome nenhuma.

Comecei a ter frio. Muito frio. Já vinha com frio fazia 30 ou 40km e agora que tinha parado, o corpo estava a arrefecer. Vesti mais uma tshirt e um impermeável por cima, mas não era suficiente.

Muita gente veio-me dar os parabéns pela corrida. Contentes com o feito. E eu ainda não tinha processado no cérebro que tinha ficado em 10º. 

 

Cheguei bem, sem muitas mazelas, apenas as normais como bolhas e cortes no corpo todo, e estava feliz.

 

Entretanto vejo que o Lino Luz chegou, 19min depois de mim. Estava muito cansado e com um sofrimento estampado na cara. Fui cumprimenta-lo e perguntar se já estava melhor. Não estava. Se já tinha muito respeito por ele antes desta corrida ao ver as corridas que ele já fez, ainda fiquei com mais agora, ao ver como se corre 82km naquelas condições sem ter alimentos no estômago e mesmo assim conseguir ficar em 15º da geral a 1:06h do primeiro. É preciso ter um coração de leão e um cérebro muito forte para concluir a prova como ele fez. Da minha parte, o maior respeito pela pessoa e atleta.

 

Ao fim de 30 minutos comecei a comer qualquer coisa. Até aí apenas tinha estado a olhar para o prato. A Liliana propôs ir buscar sopa quente para me aquecer e foi das melhores coisas daquele dia. Aquela sopa quente que me aqueceu o corpo. Que maravilha que soube. Tudo o resto não importava. O que importava era estar ali de coração cheio, a aquecerme com aquela sopa maravilhosa e contente por ter finalizado a prova. E o sorriso da Liliana a olhar para mim, toda contente e a transbordar de emoção pelos olhos.

Depois de comer,  fui lavar os 4kg de lama que tinha nas sapatilhas e nas pernas, vesti meias quentes e lavadas e fomos para o autocarro para irmos de volta para o Castelo de Palmela. Estava tão cansado que nem me passou pela cabeça perguntar aos outros como tinha corrido a prova deles. Pelo menos estavam todos bem e contentes.



Entrega dos prémios

Foi uma pena a entrega dos prémios ser feito perto das 22h da noite. Compreende-se que a organização teve que esperar pela chegada dos primeiros atletas dos diversos escalões, mas estava uma noite fria e eu não tinha roupa quente. 

Tive pena de não ficar e aplaudir os meus colegas de percurso, corri muitos km's com os que ficaram entre o 5º e o 16º lugar. A subida ao pódio também seria engraçada...tentar subir os degraus com as pernas quase sem conseguir mexer :)



Pontos  de passagem

5k  - 29min

10km - 59min

15km - 1:26

20km - 1:57

30km - 2:57

40km - 4:01

50km - 5:06

62km - 6:39

74km - 8:11

82km - 9:30


E uns incríveis 19min perdidos nos abastecimentos. Comparando com quase 55min que perdi em Arga, foi um salto gigantesco.

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Conclusão

O que podemos observar em 2014 é que o nível global das provas está a subir devido à concorrência e à experiencia que o Trail vai ganhando em Portugal e no estrangeiro no geral. Para 1ª edição, acho que o desfecho é claramente positivo. Tem 2 ou 3 pormenores a melhorar, mas tudo o que é importante e de relevo, resultou bastante bem. Têm uma excelente base para os próximos anos, mas talvez com um pouco menos de estradão :)



Pontos positivos

- GNR que esteve na maior parte das estradas com transito. Assinalável. E sempre com um sorriso de compaixão pelos malucos do trail.

- Marcações irrepreensíveis para os 82km. Não sei como foi nas outras duas distâncias, ouvi falar em pequenos problemas, mas nos 82km foi tamanha a empreitada de marcar tudo direitinho, nota: 5 estrelas.

- Os abastecimentos foram suficientes. Para a distância grande podiam alternar um pouco nos sólidos mas no geral foram muito bons. Mas podem ser melhorados.

- A comida no final da prova foi um extra fabuloso.


Pontos negativos

- O crachá que recebemos de finisher ficou a destoar de tudo o resto na prova. Igual para as 3 distancias e sem qualquer ligação ao trail. Ponto importante a melhorar, pois o que não falta são pessoas a usar os coletes de finisher de Arga em outras provas, por exemplo.

- Muitos km corridos em alcatrão ou estradão devido aos cortes na semana anterior da prova

 

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Queria agradecer a todos do fundo do coração toda a ajuda que me deram e dão sempre. Agradecer ao Lino Luz por me acompanhar em mais de 60km, directa ou indirectamente :), agradecer ao Olavo os últimos 20 e tal km's que sem a companhia dele teriam sido muito mais exigentes e agradecer à Liliana por estar sempre ao meu lado, mesmo quando o tempo é curto para estarmos juntos. Beijo grande para ti :)

 

 

PS - Afinal era Belga o "Holandês" 

Arrabida Ultra Trail: Entrevista com João Serralheiro da organização da prova

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A Crew do Correr na Cidade vai marcar presença nas várias distâncias do 1º Ultra Trail da Arrábida no próximo dia 16 de Novembro. Estamos ansiosos e quisemos saber mais sobre esta prova pelo que fomos falar com João Serralheiro, da organização desta iniciativa.

 

- Esta é a 1ª edição do Arrábida Ultra Trail. Como nasceu a ideia de organizarem esta prova?
A ideia surgiu do gosto pelos desportos ligados à Natureza e pelo facto de não existirem muitas provas na zona centro/sul do país, com o enquadramento que podemos oferecer – a Serra da Arrábida.


- Quem está por detrás da organização desta prova?
Por detrás da organização desta prova estão várias pessoas/empresas. Organizar um evento desportivo de dimensão requer múltiplas valências. A equipa é constituída por especialistas em comunicação, sponsoring, organização de eventos desportivos e pessoas com conhecimento técnico da modalidade.


- Quantos corredores esperam?
O trail é um desporto recente em Portugal, desta forma o número de praticantes que investe nas distâncias longas ainda é de certa forma reduzido. Esperamos, ainda assim, 150 a 200 participantes na prova longa (80 km) e cerca de 400 participantes distribuídos entre as outras duas distâncias (14,5 e 23 Km).


- O que destacam da prova, nos diversos percursos?
O Arrábida Ultra Trail (AUT) é uma prova de trail em todos os percursos. Na distância mais pequena, os participantes vão poder ter uma ideia do “espírito do trail” num percurso já com alguma dificuldade. Na distância intermédia, a dificuldade aumenta, não só pela distância, mas também pelo rigor das subidas e tecnicidade do terreno. Relativamente à distância maior, o percurso é bastante mais complexo. Inclui zonas da Serra da Arrábida com pendentes elevadas e trilhos técnicos. De uma forma geral, o AUT é uma prova de progressão lenta em trilhos estreitos (single track) e com grande contacto com a Natureza.


- Que tipo de piso irão os corredores encontrar (essencial para a escolha de sapatilhas adequadas)?
Os pisos na Serra da Arrábida são mistos. Caso chova podemos encontrar muita lama em algumas zonas que não são permeáveis à água. Existem muitas rochas e raízes. Os Percursos contam ainda com zonas de estradão e piso mais fácil para ajudar a recuperar entre os sectores mais difíceis da prova.


- A vossa prova conta para a pontuação do UT Mont Blanc com dois créditos. Porque optaram por terem essa classificação?
Ser pontuável para o UTMB traz responsabilidades acrescidas e seguramente obriga qualquer organizador a um grande rigor técnico. Muitos dos participantes da distância mais longa, sobretudo os estrangeiros já inscritos, fazem-no pelos créditos. Além disto, é um grande prazer estar associado a um dos maiores eventos de Trail Run do mundo.


- Têm percurso de 80Km, de 23Km e de 14,5km. Porque razão não tem uma distância intermédia mais longa, em vez dos 23Km terem 42, por exemplo?
Queremos ter um desafio para quem decida participar no AUT, ai surgem os 80km. Por outro lado também queremos ser uma prova atractiva para a maioria dos praticantes de Trail em Portugal, acho que distâncias a rondar os 25km são mais adequadas.

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 - Já sabem quantos e que tipo de postos de abastecimentos irão ter nos 80km? E nos 23? E ainda nos 14,5?

Sim
80km – 5 abastecimentos (Líquidos e Sólidos) (O abastecimento a meio do percurso incluirá comida quente e zona de repouso)
23km – 2 Abastecimentos (Líquidos e Sólidos)
14,5 – 1 Abastecimento (Líquidos e Sólidos)
Contaremos ainda com 1 abastecimento na zona de meta.


- Haverá material obrigatório?
Sim, e iremos ser bastante rigorosos. Existirão penalizações que poderão levar à desclassificação para quem não cumprir, sobretudo para a distância de 80 km. O regulamento está a ser ultimado e atempadamente será divulgado.


- Recentemente, um dos problemas que os organizadores de provas de trail se têm deparado são as marcações e as eventuais sabotagens dos percursos. Como se vão precaver dessas eventuais situações?
Todos os percursos serão marcados apenas no dia anterior e verificados na íntegra antes da passagem dos corredores no dia da prova.


- Como veem o crescimento das corridas de trail running. E do facto de muitos corredores de estrada estarem a migrar para os trilhos?
Mais importante que um elevado número de provas é que as que se realizem saibam preservar a base deste desporto, nunca descurando o rigor organizativo e desportivo.
É extremamente positivo que as pessoas descubram o prazer que é correr em natureza, para além da estrada. Esta modalidade traz novos desafios, diferentes distâncias bem como níveis de dificuldade acrescidos e a possibilidade de cada pessoa escolher o nível onde quer participar. Todos estes factores contribuem para o crescimento do número de participantes que, acredito, ainda está apenas no inicio.

 

- Que conselhos podem dar aos participantes da vossa prova – nos diferentes percursos?
De uma forma geral podemos recomendar a todos os participantes do AUT, que se preparem, obviamente dentro do objectivo pessoal de cada um, para poderem desfrutar da prova.

Quem vem experimentar uma corrida de Trail pela 1ª vez, que tenha em atenção a especificidade do equipamento (calçado, meias e roupa adequada).

Para os mais experimentes, não subestimem a Serra da Arrábida. Apesar da sua altitude não ser elevada, é um constante “sobe e desce” com desníveis acentuados.

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