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Correr na Cidade

"V" de MM dos Descobrimentos

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 Por Liliana Moreira:

 

… e de Vingança! Foi mesmo em modo “venho aqui para a desforra” que me inscrevi nesta prova já que no ano passado não fui feliz, sobretudo devido ao frio e à minha incapacidade de gerir a corrida nessas condições.

Curiosamente achei a temperatura mais baixa nesta edição, mas a experiência ganha-se e isso também se fez sentir. Descobri a minutos da primeira partida do dia que tinha feito "borrada" com a minha inscrição. Mesmo com o email de confirmação da inscrição na caixa de correio desde Setembro não me apercebi que ao invés dos 21k tinha-me inscrito nos 10k…mas quem é que comete erros destes?! Eu! A despassarada de serviço. Mentalizei-me que não era desta que me vingava da Meia dos Descobrimentos e que iria fazer encarar os 10k como uma oportunidade de treino rápido (pelo menos para mim!), seguindo a sequência do que tenho insistido nos últimos tempos.

 

A minutos da partida a Bo, que tinha planeado acompanhar-me durante a prova para puxar por mim, decide que devido ao que tenho dedicado à corrida e face à sua condição de saúde actual que faria mais sentido trocarmos de dorsais… assim foi, sem antes de ela me dar o aviso prévio que tinha de honrar o seu dorsal e correr mais rápido... uma coisa era certa, eu ia tentar porque afinal de contas era esse o meu objectivo. Era ela que fazia anos nesse dia e mas quem recebeu a prenda fui eu!

Assim os três estarolas dos 10k , a Ana, Bo e o Malcata, alinharam na partida, enquanto eu, a Sara (que também queria a desforra dos 21k), João e o Luís ficámos de fora a apreciar a quantidade avultada de atletas que esta prova também angariou. Dada a partida o Luís foi aquecer e já só o voltei a ver no fim… é deixa-lo seguir o seu mojo de aquecimento e colocação estratégica no pelotão que eu vou à minha vidinha!! E como João era o repórter do dia, e após uma tentativa frustrada de ir ao WC, em que me apercebi que face à dimensão da fila iria ser impossível libertar a tempo a bexiga, segui com a Sara para o aquecimento mais que obrigatório para uma manhã tão nublada e fria.

Alinhamos na nossa partida no meio de um calorzinho humano e ao fim de 2 minutos de ter sido dado o apito, do qual nem nos apercebemos, lá passamos o pórtico. Os 2 primeiros km’s para mim servem logo para separar os homens dos meninos… em que a voltinha espectáculo inclui uma subidinha simpática para contornar o Mosteiros dos Jerónimos mas com o retorno a descer até Algés até por fim passarmos novamente junto à meta. Infelizmente no início dessa subida a praça estava em obras o que congestionou a passagem dos atletas… acho que foi a primeira vez que passei por esta situação que não fosse em trail! Pior que isso foi estarem alguns separadores de plástico no meio do caminho em que uma atleta chegou mesmo a tropeçar. Felizmente não se magoou e lá seguimos caminho.

A Sara com o objectivo de retirar melhores sensações nesta distância conseguiu manter um ritmo calmo, o meu, até ao km 5. Depois de aquecer dei-lhe carta branca para seguir à vontade! Estou mais que habituada a correr sozinha e se há coisa que me aflige é ter pessoas ao meu lado em que sinto que estou a empatar. Estrategicamente foi bom para ela aquecer a sério e para mim marcar o ritmo base que queria imprimir ao longo da prova.

A partir dai lembro-me de pouco a não ser repetir para mim mesma “2:15” “2:15” “2:15”... sim, era o tempo que eu queria fazer! E não, não é nada de especial… mas era o meu objectivo! Até aos 10k a coisa correu muito bem… sem música e pouca ou nenhuma distracção ao longo do percurso a coisa foi-se gerindo… dos km 10 até ao 15 quase morri de tédio… passamos por zonas muito mortas, sem qualquer estimulo ou público, exceptuando a zona da 24 de Julho com o pessoal que ainda está a sair das discotecas com um copito a mais ou os turistas na zona da Praça do Comércio que param para apoiar. É um ponto que tenho nitidamente de melhorar: treino mental para gerir melhor estas situações.

Pelo caminho os abastecimentos foram perfeitos, incluindo zonas de água a cada 5km e 2 zonas com gel energético ou cubos de marmelada. Desta vez até fiz algo que não costumo fazer, acreditar cegamente nos abastecimentos da organização e acabei por não levar rigorosamente nada comigo. Face a situações passadas de falta de abastecimento por fazer pertencer ao ultimo terço do pelotão, criei o hábito de não ir para prova de “mãos a abanar”. Mas desta confiei e não tenho nada a apontar de negativo, bem pelo contrário, porque não só não me faltou nada como todos os voluntários com que me cruzei foram super prestáveis!

Estava eu a caminhar pela primeira vez enquanto comia uma marmelada quando junto à placa dos 15km vislumbro a Bo. “Mas que raio faz ela aqui?!” Pois bem, vinha cumprir o que tínhamos combinado previamente… depois de puxar pela Ana o que a levou a bater um PBT pessoal aos 10k, voltou para trás para me apanhar. Não há dúvida que esta miúda é uma força da natureza!!! Por esta altura já tinha as pernas a “berrar” comigo... a verdade é que treinos acima dos 10k têm sido escassos, pois tenho estado focada em criar ritmo, e apenas por desencargo de consciência, tinha feito um treino de 16km do Parque das Nações até Belém 15 dias antes, num ritmo muito mais baixo do que o que estava a imprimir na prova. Portanto entre o cubo da marmelada e a alegria da Bo lá consegui arranjar energia para me manter numa postura digna mas forçada até ao final da prova. Deixei de repetir o mantra dos “2:15” e passei para “2:20” “2:20” “2:20”

 

 

O últimos 6 km’s de prova foram feitos a custo, sobretudo devido às dores musculares, mas ao contrário do que até então era normal, com bastante à vontade em termos cardio respiratórios. Os treinos e a natação estão finalmente a dar os primeiros frutos primaveris! O sol deu o ar de sua graça e já perto da meta recebi o boost final com o incentivos dos amigos que estavam à minha espera. Tentei acelerar um pouco mas parecia que tinha troncos ao invés de pernas. Passei a meta de mão dada com a Bo, feliz por a ter ali ao meu lado pois a sua companhia no último troço foi fulcral para converter o mantra idealizado num valor real de 2h23m de prova... para quem se questiona sobre a estampa nas costas da nossa t-shirt, é isto que designamos de #crewlove.

 

Apesar de não ter sido a prestação que desejava fui finalmente feliz na Meia dos Descobrimentos e hoje não já não sinto “medo” de lá voltar!

Uma prova diferente…

O meu PBT na Meia é uma hora e cinquenta minutos. Hoje levei duas horas e meia a fazer uma Meia Maratona. “O que fazes aqui?” perguntaram-me alguns amigos que viram que estava claramente a correr abaixo do meu potencial. “Apoiar os meus amigos”, respondia com um sorrisão na cara.


Na Corrida do Tejo, no mês passado, o projeto “O Correr na Cidade ajuda-te a superar” deu-me tanta satisfação que decidi fazer o mesmo durante a Rock ‘n Roll Half Marathon de Lisboa. Iria puxar pela “nossa” Liliana, na sua já terceira Meia Maratona.


Quem me conhece sabe que eu gosto de apoiar as pessoas que me rodeiam e de desafia-las a superarem-se. A minha amiga Patrícia até se lembrou de uma metáfora engraçada: “Quem precisa de suplementos energéticos com a Bo por perto?” :) As pessoas costumam questionar-me onde é que vou buscar tanta energia para além daquela gasta na própria corrida. No meu caso, sinto que ao apoiar ganho energia. As pessoas, os atletas, dão me energia.

 Foto por Miguel Batista

 

Assim, e como queria fazer um treino bem longo antes do UTAX (42K), decidi sair de casa a correr até ao ponto de encontro combinado. Cheguei à partida já com 6km nas pernas, mas sentia-me fresquinha e muito animada para ajudar a Liliana a superar-se nesta prova. Na partida na Ponte Vasco da Gama encontramos, entre muitos outros amigos, o João Seco e Joana Aguiar que costumam treinar connosco. Como eles iriam fazer um ritmo parecido ao nosso, decidimos avançar os quatro juntos.


Fomos, sem dúvida, o quarteto mais animado da prova, do início ao (quase) fim. Quase porque a Joana teve que abrandar nos dois últimos quilómetros devido a dores nos malditos joelhos. Mantivemos um ritmo confortável, o qual era controlado pela Liliana, mas assim que o ritmo baixava demasiado, lá vinha eu com o mil vezes repetido: ‘bora Lili! Já as pessoas que corriam à nossa volta começavam a puxar pela Liliana; foi muito giro. Até fizemos um amigo, o Simão, que esperou por nós para cruzar a meta.


Aproveitamos cada palco de Rock ‘n Roll ao longo do percurso para pôr as mãos no ar e shake that ass. Conseguimos pôr vários maratonistas que se encontravam parados ou a caminhar a correr. Conseguimos puxar por muitos meio-maratonistas para manter o passo. E, acima de tudo, conseguimos divertir-nos muitíssimo ao longo desta linda viagem.

A Liliana, coitada, deve estar “toda partida”, pois fui um pouco exigente com ela, principalmente nos últimos kms, mas valeu a pena, pois foi uma prova cheia de PBTs para ela; aos 5, 10, 15 e 21km!!! Que orgulho!!!


Para mim, a corrida não é um desporto individual, é claramente um desporto coletivo. Fazer provas na companhia dos meus amigos e ajudá-los a superarem-se, para mim é tão ou ainda melhor do que eu própria alcançar um PBT. Fazer esta meia com mais 40 minutos daquilo que eu poderia ter feito foi ótimo, pois, só assim diverti-me mais tempo!

 

Falta 1 mês...



20130816-103140.jpg...para a Meia Maratona Sport Zone, no Porto (15 de setembro). E chegou a altura de começar a treinar para isso e para tentar baixar da 1:57, que foi o meu melhor tempo em Meias (Almada).Será uma participação muito especial com 4 membros da Running Crew a marcar presença.Ontem fiz, sozinho, o 1º treino a pensar na prova. Decidi fazer um ritmo médio de corrida de 5:30/km, apenas ainda preciso de alinhavar o método de respiração. Continuo a achar que estou demasiado ofegante para um ritmo tão baixo (alguém tem dicas?). Irei tentar ao longo dss próximas semanas diminuir o ritmo para fazer 5/km. Se conseguir isso irei, certamente gerir os primeiros 10k da meia nos 5:30 e tentar ser mais rápido a partir do km18.Mas, desde, precisamente, a Meia de Almada que estou em baixo de forma, que não me sinto forte a correr. É, certamente, da falta de treinos metódicos e do excesso de calor e das noites mal dormidas que a criançada cá de casa me oferece (dentes a nascer, calor, picadelas de melga, horário de verão, etc).Vou agora rumar a sul - onde o calor abunda ainda mais - com o objetivo de fazer, pelo menos 70/80k em 15 dias. E ir tentando baixar os tempos. Vou aqui prestar o meu relato e partilhar com os leitores essa preparação.Assim, podem acompanhar-me nesta aventura e, ao mesmo tempo acompanharem o Nuno Ferreira, semanalmente, nos seus importantes relatos para a Maratona de Lisboa, a 6 de outubro. Boas leituras, boas corridas.

Há excesso de provas?

race1O boom da corrida é excelente. É realmente fantástico a quantidade de corredores novos que todas as semanas se fazem à estrada. É fantástico os novos negócios que surgem ligados ao running. É muito interessante a nova postura das marcas de produtos de corrida aos consumidores nacionais. E sobretudo é bom saber que mais pessoas se preocupam com a sua saúde. Mas há uma coisa que está a passar um pouco dos limites, na minha opinião: o excessivo número de provas.Ou montar uma prova é muito barato ou alguém tem um modelo de negócio com grandes margens de lucro que não consigo perceber, se calhar por pura ignorância  minha.Veja-se os próximos meses de setembro e outubro. Assim de cabeça conto com umas 10 provas em Lisboa e no Porto, algumas em simultâneo. A minha pergunta é: existe mercado para tanta prova? O crescimento do número de corredores é suficiente para sustentar este gigante boom?Ou estamos a exagerar um pedaço na Moda para daqui a um ou dois anos algumas dessas empresas falirem e voltarmos a números escassos de provas? Ou, a qualidade de umas e menor qualidade de outras irá determinar as que perdurarão no tempo?Contudo, e apesar de apreensivo com a situação, como corredor sinto-me lisonjeado com o número de provas que existem – acho que deviam ser mais espalhadas geograficamente, sobretudo para o interior do país.Penso também que o melhor que os corredores têm a fazer é escolher aquelas provas que mais se adaptam às suas características físicas e na qual se vão divertir mais. Tendo, obvia atenção, a não exagerarem. Uma prova é uma prova, e não é um treino, e o esforço é sempre maior, e é isso que dão piada àqueles quilómetros.Sou daqueles que me basta uma prova por mês. No máximo, dos máximos, duas. Não gosto de as banalizar. Gosto de ir pensando nelas e planeando os meus treinos em função disso. Hoje em dia tenho maior gozo em Meias Maratonas, mas uma prova de 10K é sempre muito interessante. Eu já fiz as minhas escolhas e vocês?

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