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Correr na Cidade

Voltamos ao Grande Prémio de Natal

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Embora não tivesse treinado muito ultimamente, não consegui recusar o convite da TomTom para participar no Grande Prémio de Natal. Adoro esta prova. O ambiente é lindo e gosto muito do facto de o percurso não ser circular e passar pelo meio da cidade.

 

Já tinha participado nesta prova algumas vezes. A primeira até foi a convite do Correr na Cidade, quando ainda não fazia oficialmente parte do grupo :) Fiquei logo fã do ambiente. Ano após ano continua a ser arrepiante ver TANTA gente a correr pelas avenidas de Lisboa. Este ano, dizem que foram 6000 participantes.
 
Como já disse aqui no blog, tenho andado com anemia e tenho sentido o corpo cansado. Por isso, além de algum descanso no trabalho, optei por abrandar os treinos. Assim, em Novembro e Dezembro só corri no máximo 2 vezes por semana. No entanto, a prova este ano correu-me bem (podem ver aqui o meu Strava). Senti-me bem no dia da prova e, embora tivesse tido algumas pequenas quebras onde tive que andar, consegui terminar dentro dos 50 minutos.

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A ajuda da Vanda, que encontrei mais ou menos a meio do percurso, foi muito fixe. Ela ia puxando por mim e eu por ela. E claro que, sempre que via alguém a andar, puxava por eles. Sabe bem ver o pessoal arrebitar :) Esta prova também foi marcada pelos 45 minutos do Xiko. Que orgulho! Foi a segunda prova de estrada dele e já fez este tempo. A ver se ele puxa por mim na próxima ;)

 
Esta conquista pessoal deu-me vontade de voltar à forma e por isso, proponho-me em 2018 conseguir baixar até aos 45 minutos. Têm dicas ou sugestões? :)
 
No que toca à prova em si, não tenho nada a apontar. Uma prova relativamente "básica" em termos de imagem e organização mas o suficiente para levar 6000 pessoas a correr 10km pela cidade. A meta nos Restauradores é realmente emblemática! 
 
Para já não estou inscrita em mais provas, por isso aceito sugestões.

Correr 10km depois de uma perna partida

Por Filipe Gil:

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Consegui! Consegui correr 10km!!! Sabem aquela sensação que nos faz ficar feliz sem sabermos bem porquê depois de uma corrida? É assim que ainda me sinto umas horas depois de ter feito os meus primeiros 10 km depois do acidente que tive em finais de julho.

 

Quatro meses e uns dias depois de ter tido um acidente de mota que me partiu o fémur e me levou à mesa de operações - e a colocar parafusos e “coisas” dentro do osso (ver foto abaixo) -, voltei a fazer uma prova oficial e a correr pela primeira vez em muitos meses a distância de 10km.


Era algo que vinha a falar em casa e com amigos, ainda com algumas dúvidas, mas que foi tomando forma nos treinos de 6 e 8 kms que fazia aos fim-de-semana. Foram treinos sempre com algumas dores musculares e alguma impressão no osso, mas que nas ultimas semanas diminuíram de forma a tomar a decisão de ir fazer os 10 km dos Descobrimentos.

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Decidi fazer a prova, a amiga Joana Aguiar, conseguiu uns dorsais e a minha mulher prontificou-se a acompanhar-me e a motivar-me ao meu ritmo. E consegui. Segundo a minha app da Nike fi-lo em 1h08m. Nunca tinha feito esta distância em tanto tempo, mas nunca me deu tanto gozo superar um desafio destes. Conto, resumidamente como foi:

 

Os primeiros 3 kms são sempre estranhos. Não consigo correr sem coxear, os músculos falam uns com os outros para tentar perceber o que se está a passar. Sinto-me sempre fraco e a correr “de lado”. Por muito aquecimento e alongamento que faça, a perna esquerda está sempre pouco preparada para correr.

 

Dos 3 aos 6 kms foi o regresso da perna ao seu normal. Sem grandes diferenças com a perna “boa”. Nesta altura, com o apoio da Natália mesmo ali ao lado, tornou-se mais fácil a corrida. Distraído com piadas e a mandar piadas em conjunto, a observar algumas figuras curiosas do mundo da corrida, foram kms divertidos. Voltei a ver muitas caras conhecidas da corrida que, no mínimo, devem ter estranhado como alguém com a camisola do Correr na Cidade ia tão atrás e tão lento (fiz questão de levar a camisola do CnC!!).

 

Dos 7 aos 9kms senti-me bem. Senti-me corredor novamente. Comecei a correr mais depressa, com a passada regular e a sentir bem o toque no alcatrão. Nesta altura a perna já estava bem quente e sentia-me a correr como outrora corria (quando estava em forma), isto apesar da vagareza a que ia. O 7º quilómetro correu mesmo bem. Estava inspirado pelos corredores que passavam por mim do outro lado da estrada a caminho dos 21km. Estava feliz e embora muito calado, a força que vinha ao meu lado era muito importante. Mas reduzi um pouco a velocidade a meio do 8º km. Tive medo. Medo de forçar o osso, medo de me sentir muito combalido no final da prova, medo de fazer merda com a operação – apesar do aconselhamento médico que tenho de correr, correr e correr cada vez mais.

 

Mas o 9º km foi o reavivar competitivo. Forcei, corri mais (no smartphone baixei para uma média de 5:50 ao km – o que é rápido quando se está em recuperação). Tentei dar o máximo. Esqueci-me da perna. Esqueci-me do acidente, foquei-me na respiração ofegante, na passada ritmada, no ser corredor novamente. E em toda a adrenalina que isso nos dá.

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Ao ver a meta confesso que, por detrás dos óculos escuros, estava muito emocionado. Fiz algum esforço para não chorar (que piegas…). Mas lembrei-me dos momentos pós acidente em que não sabia se voltaria a andar como deve de ser, quanto mais correr; pensei nos momentos pós-operatório em que cada ida ao WC era digna de uma odisseia com muitas muitas dores, e dos meses de fisioterapia em que por vezes me frustravam muito. Tudo isso deu um sabor especial a esta prova que, talvez só quem passe por algo semelhante possa dar valor.


Sinceramente, só penso já na próxima prova de 10km. E começo a piscar olho à Meia Maratona, quando? Não sei, logo se verá. Sei que vou ter que voltar à mesa de operações daqui a 1 ano para tirar todo o material que tenho na perna, e que após isso vou ter que recomeçar tudo de novo, voltar à fisioterapia, voltar às muletas e à chata de recuperação antes de voltar a poder calçar os ténis de corrida, mas até lá ninguém me tira o gozo de voltar a correr.

 

Estas penúltimas palavras são para aqueles que agora não podem correr por alguma razão de saúde. Acreditem, o caminho não é fácil, mas foquem-se no objetivo de voltarem a calçar os ténis e a participar nestas provas com imensos anónimos e que tanto gozo vos dá.

 

E as últimas palavras são para os agradecimentos. Não podem faltar porque a minha prova não começou quando soou a partida dos 10k dos Descobrimentos, mas muitos meses antes, ainda na cama do Hospital São Francisco Xavier com a visita da família e amigos.

 

Assim, há que agradecer quem me ajudou – e teve paciência de me ajudar – nesta “nova” viagem: à minha mulher e aos meus filhos, ao meu pessoal do Correr na Cidade (eles sabem quem são), ao Filipe Semedo (pela motivação) e aos médicos, enfermeiros e claro à minha fisioterapeuta do Hospital São Francisco Xavier, a Ana Encarnação, que me deu força para que os momentos que escrevi acima fosse possíveís. Obrigado a todos. A viagem (re) começa aqui.

Race Report: Kalenji Prom Classic 2016, Nice, França

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Foi no âmbito da Run Blog Camp da Kalenji, que já vos falei, que no domingo dia 10 de Janeiro de 2016 tive a oportunidade de correr pela primeira vez em França. Foi a “primeira corrida do ano em França”, a Prom Classic.

 

A Prom Classic é uma prova de 10km que decorre no início de cada ano na Promenade des Anglais em Nice, no Sul da França, na Côte D’Azur. É uma prova muito emblemática, pois decorre há dezenas de anos e o seu percurso estende-se ao longo da Promenade des Anglais, a avenida marginal de Nice, sempre ao longo do mar. Em termos de dimensão, se no ano passado a prova contava com 8 mil atletas, este ano houve cerca de 10 mil inscritos.

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Depois da Run Blog Camp para conhecer as novidades da Kalenji em 2016 e partilhar experiências com outros running bloggers da Europa, cada um foi ao seu quarto no hotel para descansar para a prova do dia seguinte.

 

Foi um luxo. O nosso hotel estava a cerca de 200m da linha de partida e meta da prova. Daí que o hotel parecia um hotel Kalenji. A Kalenji é o patrocinador oficial da prova e por isso o hotel estava cheio não só de bloggers, mas também de atletas da Kalenji de vários países (incluindo Portugal).

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Marcámos um ponto de encontro meia hora antes da partida da prova, pelas 9h30, para tiramos uma foto de grupo dos bloggers da Run Blog Camp. Para isso bastou acordar pouco antes das 9h porque o hotel era tão perto da partida. Ao pequeno-almoço tive que me controlar muito. Entre ovos mexidos, bacon, vários tipos de queijos, enchidos e patisserie française, limitei-me a aveia com queijo quark e um folhado e café. Tomei o pequeno-almoço com vista para a avenida onde atletas começavam o seu aquecimento.

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Sentia-me bem. Tinha dormido bem e estava uma manhã fabulosa. Cerca de 13 graus, que rapidamente subiram para 16 e solinho. Mal saí do hotel, estava na Pormenade des Anglais onde iria decorrer a prova. Dirigi-me ao stand da Kalenji para a foto de grupo e desejar boa sorte aos restante bloggers e colaboradores da Kalenji que iriam participar na prova.

  

Partida

Com 10 mil participantes esta prova envolve alguma logística. Para garantir um arranque fluído, havia vários blocos de partida. Muitos mais do que costuma haver em Portugal, na verdade. Havia o bloco da elite (<35’ para homens e <43’ para mulheres), 35’-40’, 40’-45’, 45’-50’, 50’-55’, 55’-60’, mulheres e 60’+. Sim, havia um bloco de partida para as mulheres antes do bloco final dos 60+. Não me perguntem porquê, mas achei interessante.

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Um aspeto curioso nestes blocos foi que, embora tenhamos indicado o nosso melhor tempo na inscrição para a prova, o nosso bloco não contava no dorsal. Cada um era responsável por saber o seu bloco de partida e respeitar os restantes atletas. Não havia controlo. Foi bonito ver que na prática foram muito poucos os atletas que não respeitaram os blocos e rapidamente foram ultrapassados. O arranque da prova foi feito por vagas, consoante os blocos. Na prática, este sistema funcionou muito bem. Nada de ziguezagues. Foi perfeitamente possível arrancar ao meu ritmo pretendido e mantê-lo ao longo da prova.

  

Ambiente / Percurso / Abastecimentos

Fantástico. O ambiente foi fantástico. Penso que a manhã solarenga ajudou muito. Houve um aquecimento animado e calmamente os atletas dirigiam-se aos respetivos blocos de partida. Paralelamente também se sentia que alguns atletas estavam ali para PBTs e cheirava-se alguma competição no ar. Para animar os atletas, os primeiros 500m, que também correspondiam aos 500m finais, pareciam um túnel de apoiantes. Em Nice é “allez allez” em vez do “dále” espanhol. Gostei muito. Mesmo ao longo do percurso havia apoiantes e a organização também tratou de colocar três bandas de percussão e até dança ao longo do percurso. Desta forma, com um percurso de ida e volta, passámos por música 7 vezes. Os tambores têm realmente um efeito acelerados nos atletas :D

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O percurso é muito bonito. Num percurso muito plano de ida e volta temos por um lado edifícios muito elegantes e imponentes, característicos de Nice, e do outro lado o mar e palmeiras típicas da Côte d’Azur. O piso, sempre asfalto e em bom estado. É realmente um percurso rápido. Os primeiros atletas fizeram tempos abaixo dos 30min.

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Por volta do km 5,5 encontrava-se um abastecimento de copos de água, laranjas, bananas e figos. Fiquei-me pela água. Há quem não goste da água em copos, mas pessoalmente até gosto. É prático e amigo do ambiente. Na meta, nada de engarrafamentos. Estava à nossa espera uma medalha, água, isotónico e um “buffet” de laranja, banana, frutos secos e bolo.

 

Anemia e desempenho

Com a anemia que me tem acompanhado estes últimos meses, tenho corrido pouco. Correr pouco não implica estar parada. Tenho feito bastante RPM, Elíptica e Yoga para não perder a forma. Quando me inscrevi na prova ainda não sabia da anemia e inscrevi-me como sub-50, pois o meu melhor tempo aos 10km era 48min. Entretanto, adaptei as minhas expectativas e embora gostasse de cumprir com os sub50, decidi ouvir o corpo e baixar o ritmo, se necessário.

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Arranquei e deixei levar-me pelo entusiasmo e pela energia das 10mil pessoas que enchiam a Promenade des Anglais a correr. Comecei uns 100m à frente do pacer dos 50min e idealmente mantia-me à sua frente. A animação ao longo da prova por parte dos apoiantes, o espírito dos atletas e a fantástica paisagem entre a bonita cidade de Nice e o mar fizeram-me conseguir manter o pace abaixo dos 5’/km. Sentia-me bem. A temperatura estava certa. Para me entreter fui apoiando os atletas de pelotão que já vinham no retorno e fui-me metendo com o pessoal que estava mascarado à super-herói.

  

Curiosidades

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- são os primeiros 10km do ano em França

- 17ª edição

- 10 mil participantes

- 323 participantes na Mini Prom' (prova para crianças)

- 400 voluntários

- 63% homens vs 37% mulheres

- 27 nacionalidades

 

Conclusão

Sinceramente nunca estava à espera mas acabei por bater o meu melhor tempo aos 10! Será do equipamento da Kalenji? Estou a brincar. Acredito que tem a ver com os meus treinos de RPM (cycling indoor) e elíptica. Adorei cada passo que dei nesta prova. Foi uma manhã fantástica. Com um tempo oficial de 47'27'' fiquei no top 10% do meu escalão. Estou mega satisfeita.

 

 

Para quem se procura “internacionalizar” no mundo das provas de corrida, penso que a Prom Classic é uma excelente aposta. Nesta altura do ano há passagens aéreas a menos de 100€ e hotéis a menos de 50€ por quarto duplo por noite. A Côte d’Azur tem um clima agradável para correr nesta época. Mas o mais importante: a prova é muito gira e para além disso a cidade de Nice merece uma visita pela sua arquitetura, ambiente e culinária.

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Merci, Kalenji! Merci, Nice!

O Natal chegou mais cedo, a minha primeira prova no G.P. do Natal

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Correr é o que nos junta, mas os treinos do Correr na Cidade têm sido para todos nós a oportunidade de trocar experiências, aprender uns com os outros e criar lanços.  Recentemente num dos nossos treinos descobrimos que o Bruno Tibério nunca tinha participado numa prova, e tivemos muito gosto em o convidar para participar connosco no G.P. de Natal que decorreu no passado dia 13. Este é o seu testemunho.

 

Por Bruno Tibério

 

Nos últimos meses tenho frequentado regularmente os treinos dos sempre bem dispostos e alegres Correr na Cidade para combater um pouco a monotonia que estava a ser para mim fazer corrida sozinho. Em conversa num dos habituais treinos semanais, revelei que nunca tinha participado em nenhuma prova oficial. Não sei bem explicar o porquê mas não via interesse em provas. Não sou louco por corridas. Gosto de correr sim, como meio de me manter em forma e, como tem sido nos treinos com este fantástico grupo, como meio de diversão e convívio praticando exercício.

Para além da questão monetária que nem sempre é acessível em muitas provas, sempre achei que o lado competitivo adjacente a uma prova oficial, apenas impulsionava o egocentrismo de cada corredor e isso em nada me motivava para inscrever numa corrida.

Pois bem, o grupo do CnC quis mostrar que existia mais para além da minha visão e ofereceram-me uma prenda de Natal antecipada, um dorsal para participação no 58º Grande Prémio de Natal EDP. Confesso que fiquei surpreendido com o gesto do grupo, afinal conhecem-me à relativamente pouco tempo, mas decidi aceitar o desafio proposto.

Olhando para as informações disponibilizadas no site oficial da prova, verifiquei que não existia grande grau de dificuldade. É um circuito sem subidas exigentes e na sua maioria plano. O facto de serem 10km não me assustava pois estou habituado a fazer distâncias semelhantes, a não ser que acontecesse alguma lesão.


Durante a semana que antecedeu o evento não fiz qualquer preparação extra a pensar na prova, mantive a minha rotina habitual de exercício e apenas tentei não forçar os meus limites para garantir que não ia para a prova com dores musculares.

Eis que chega o dia da prova. Decidi acordar bem mais cedo para garantir que estou bem desperto na altura da prova, tendo em conta que em geral as minhas práticas de exercício são feitas no período da tarde ou ao final do dia. Desloco-me de autocarro até ao Campo grande, e neste já me cruzo com mais uma ou duas pessoas que se dirigiam de igual modo para a prova. Saindo dos transportes, vou descendo a pé a avenida em direção à zona da partida observando em meu redor as delimitadas faixas para os corredores e as várias pessoas que iam aquecendo, todas elas vestidas a rigor e com aspeto de grandes velocistas. O visual bastante atlético das pessoas que ia vendo, só me trazia à memória a ideia que tinha das provas e me levava interiormente questionar se isto era para mim. Não podia estar mais enganado. 

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Ao chegar a Entre Campos já se via pessoas de todo o tipo. Desde corredores assíduos a pessoas mais idosas (mas jovens no seu interior).

Enquanto esperava no ponto de encontro combinado, observava em redor em busca de caras familiares e simultaneamente os rostos que passavam junto a mim.

Grupos de amigos, casais, namorados, famílias, tudo se ia concentrando junto à zona de partida. Finalmente as caras conhecidas começaram a surgir.

 

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Eis que surge a partida. O arranque no inicio da prova foi o que menos gostei em toda a corrida. A aglomeração de pessoas faz com que tenhamos que ser bastante cautelosos para não embater noutra o que torna o inicio bastante lento a um ritmo praticamente de caminhada. Os primeiros 4km foram feitos a ritmo calmo acompanhando outras pessoas. Afinal de contas não tinha definido qualquer objetivo para a prova que não fosse o de chegar ao fim. O facto de estar a correr numa zona bastante confortável permitia também estar mais atento ao ambiente que se estava a viver. Não posso deixar de destacar talvez os que mais me impressionaram, entre gente que estava claramente a divertir, famílias que não esqueceram os seus membros mais pequenos, casais cuja a força interior é invejável e não se deixam abalar pelas dificuldades que a vida de alguma forma apresentou.


É este espírito, que estas pessoas representam, que é motivador e nos mostra que quando a paixão pelo que fazemos é maior não há dificuldade que nos impeça.

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Na viragem no Campo Grande, deixei o egocentrismo que aparentemente tanto desprezava subir um pouco ao de cima. Sabia que conseguia fazer bem melhor e sentia um pequeno prazer em querer saber qual meu limite e o quão  melhor conseguia fazer. O ritmo aumentou e bem. O facto de conhecer o percurso dava-me bem a noção para saber gerir o esforço. A cada Km tentava manter o ritmo mais elevado e se possível aumentar. Sobretudo depois do Marquês de Pombal o declive negativo ajudava e visualização da meta foi o que precisava para puxar ao máximo. E eis que se atinge a desejada meta!

 

Após analise dos dados colhidos pelo GPS, verifiquei que nunca tinha marcado um ritmo tão elevado em qualquer das corridas que tinha feito anteriormente e acho que teria sido difícil arranjar motivação para descobrir os meus próprios limites se não tivesse deixado o ego subir.

Se valeu a pena a experiência?


Sem dúvida que sim. Mudou um pouco a visão que tinha das provas oficiais. Nem todos vão para provar que são melhores que os outros. Como aprendi, muitos vão apenas por amizade, fazer companhia, divertir-se e outros, tal como eu nos últimos quilómetros, testar os seus limites, descobrir até onde se conseguem superar.

Grande Prémio de Natal – Race Report Anatomia de um RP

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Por Pedro Tomás Luiz:

 

Apesar de correr muito na estrada, a verdade é que faço poucas provas de estrada. Ao longo do ano opto por fazer algumas clássicas como seja a corrida do 25º de Abril, o 1º de Maio ou a corrida dos Sinos. Assim, a última prova de estrada de estrada que tinha feito este ano tinha sido a corrida do 25 de Abril, que decorreu cerca de duas semanas depois do MIUT, o que quer dizer que fui corrê-la ainda muito “estragado”.


Aparte disso o meu recorde dos 10km estava, imagine-se, no BES Run Challenge de Lisboa, realizado no dia 7 de junho de 2014 na qual fiz 45:39 ou seja 4:34 m/km.


Assim à entrada para esta corrida (GP Natal) sabia que para não bater o meu recorde pessoal algo tinha de correr muito, mas mesmo muito mal, até porque sabia quanto é que andava a fazer aos 10km em treinos. A dúvida que tinha era por quanto o iria bater.

 

Atenção, não aqui nenhuma falta de humildade é simplesmente brincar com os números, o anterior recorde era tão “mau” e tinha sido batido há tanto tempo que qualquer coisa que fizesse no domingo ia ser melhor.

 

Como, combinado 10h da manhã lá estava eu no ponto de encontro, para me encontrar com resto da crew. As previsões eram de chuva, mas o São Pedro iria poupar-nos toda a manhã, abrindo apenas a torneira já ao final da tarde.

Sendo uma prova com partida em Entrecampos e chegada nos Restauradores, lá tive de carregar carteira, telemóvel e chave do carro, o que não mata mas mói e acima de tudo é peso extra desnecessário.Já ao pé da crew mais linda do mundo, tirámos umas fotos, brincámos uns com os outros e lá seguimos para o local da partida.

Estando previstos quase 5000 participantes e não havendo “currais” para separar por tempos, lá furei até onde pude, ou seja mais ou menos a meio do maranhal.

 

Tiro de partida e o arranque dá-se devagarinho, muito devagarinho, começo a correr aos zig-zags mas com respeito por não bater em ninguém, mas era desesperante. Por esta altura comecei a fazer contas de cabeça e percebi que ia pagar caro o facto de ter ficado muito para trás.

Decido encostar e fazer o resto da corrida com o Tiago e com o Rui que sei que vinham muito perto. Já junto deles a corrida começa finalmente à abrir um pouco e depois do 1º túnel, engrenei finalmente no ritmo que queria. O relógio tinha marcado o primeiro km em 05:09 m/km. Numa prova de 10km não existe espaço para erros, por isso este primeiro km iria e condicionou toda a prova.

 

Já sem o Tiago e o Rui opto pela estratégia mais simples apertar o máximo até ao Saldanha (+/- 8 km) e depois apertar ainda mais um bocadinho, já que os 2km finais eram a descer.

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E assim foi... focado e com o sabor do sangue a correr na boca foi dar o que tinha e o que tinha deu para um 42:09 ou seja uma média de 4:13 m/km. É um resultado jeitoso, porque há pessoas a correr brutalmente, não falo dos profissionais, falo de amadores com o dobro da minha idade que me deram um bigode daqueles.

Chegado à meta, foi bater palmas a todos os quantos vinham na corrida e esperar por todos os membros da Crew… ser crew é isso apoiar até ao fim cada um de nós!

 

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 PS: Competir em provas de estrada é muito dificil, o sofrimento é atroz, muito mais do que num ultratrail. Correr redline não é para todos, por isso acho fascinante ver um atleta fazer 29m ou seja 2:55 m/km!!! impressionante!

Race Report: Testar a forma nos 10Km da Meia Maratona dos Descobrimentos

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Por Nuno Malcata

 

A Meia Maratona dos Descobrimentos é desde a sua 1ª edição, há 2 anos, uma das minhas provas preferidas em território nacional.

 

Nesta 3ª edição não participei na prova principal, mas nos 10Km, já vos explico porquê.

 

Tenho muito boas memórias das duas edições anteriores, por razões completamente distintas.

 

Na 1ª edição da Maratona dos Descobrimentos em 2013  estava em plena fase de preparação para a minha primeira maratona. Integrado no grupo de treino do GFD Running o foco em treino de corrida de estrada era enorme e a aprendizagem e evolução que tive permitiu-me há 2 anos ter com uma diferença de 1 mês as minhas duas melhores marcas em Meias Maratonas (1h54m e 1h52m) e nos 10Km (48m49s).

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Um ano depois a prespetiva com que encarei a Meia Maratona dos Descobrimentos era bem diferente. Após a Maratona de Sevilha de 2014, com a Crew do Correr na Cidade descobri a corrida nos trilhos e o foco mudou da estrada para o Trail. Se durante 2014 melhorei a minha resistência para a dureza dos trilhos, perdi alguma paciência e consistencia necessárias para a corrida em estrada.

 

Assim, encarei a Meia dos Descobrimentos de 2014 como uma prova descontraida com a Crew e para fazer a "rolar" e terminar em cerca de 2h. As previsões sairam furadas, se nos primeiros 10Km ainda mantive o ritmo certinho, dos 10 aos 15Km fui perdendo gás e paciência para aguentar o ritmo que ia a tentar impor e aos 15Km, saturado, abrandei até um ritmo confortável. Se terminei a prova alguns minutos acima das 2h e bem longe do tempo de 2013, nada disso me incomodou porque ainda ajudei quem fazia a sua estreia e a boa disposição imperou.

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Se em 2014 ainda participei em algumas provas de estrada, em 2015 estas resumiram-se à Maratona de SevilhaMeia Maratona do Douro VinhateiroMarginal à Noite e Corrida do Tejo. Depois da paragem forçada, desde há 3 meses tenho feito treino base no sentido de melhorar a forma para voltar aos trilhos, e não tinha qualquer plano para realizar provas de estrada. Assim a Meia Maratona dos Descobrimentos estava fora dos planos.

 

Recentemente, num dos treinos semanais, realizei um conjunto de séries em pista onde fiquei surpreendido com os tempos e maneira como me senti. Nesse mesmo dia um dos elementos da Crew que iria participar nos 10Km da Meia Maratona dos Descobrimentos indicou que não estava em condições de participar e decidi nesse momento testar como estava a minha forma nesta distância.

 

E é deste modo que chego a este domingo, com alguma expetativa, mas sem saber muito bem o que esperar de mim próprio. Decidi fazer a corrida como faço os treinos mais rápidos, um bom aquecimento, e fazer os 10Km evoluindo aos poucos a frequência cardiaca sem olhar muito ao tempo por km.

 

Saí de casa a correr até Belem, o que deu em asneira, achava que demorava cerca de 10 a 15 minutos, e cerca de 2km tranquilos, mas calculei mal a distância e fiz quase 4Km para chegar junto da partida. Mas cheguei quentinho, bem quentinho e a 2 minutos do inicio da prova. Ainda deu para encontrar a Bo e a Ana, desejar boa sorte e arrancar.

 

O início desta prova é algo confuso, entre a partida e os Jerónimos o piso é algo incerto e com as obras no local a situação piorou. Fiz os primeiros 500m cheio de cautela para não cair nem torcer os pés, até estabilizar tanto o piso como o batimento cardiaco. A partir daí até voltar a passar pelo local da partida foram cerca de 4Km, a um ritmo solto mas muito confortável, deu para cumprimentar vários amigos e trocar algumas impressões com outros participantes.

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Aos 4Km aumentei o ritmo, começei a fazer cada km um pouco abaixo dos 5 minutos e começei a pensar "Será que dá para menos de 50 minutos?" O aumento do ritmo não trouxe muito desconforto, continuei solto e a gerir a energia disponível. A prova dos 10Km teve um único abastecimento de água aos 6km, que penso ser suficiente para uma prova desta distância. Aos 8Km decidi imprimir de novo um ritmo mais elevado. Forçei e sorri quando vi ao km 9 que tinha feito o último km a 4m42s. Se para muitos atletas este tempo é um mero "rolar" em dia de descanso, para mim é motivo para sorrir.

 

O último km de qualquer prova é sempre diferente de todos os outros, seja que prova for, e nesta prova não seria excepção. Toca a acelarar e acabar a prova tirando o melhor que podia dar. Não sabia a quanto andava o coração, ia lá em cima, não sabia a que velocidade ia, mas sentia-me rápido, só queria ver a meta, passar a mesma e sorrir, é das melhores sensações que conheço, seja a fazer 10 ou 50Km.

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Na reta da meta olho para o relógio oficial e estava a passar dos 49 para os 50 minutos, pensei "Raios, não dá para sub50". Sprintei e 6 segundos depois cortei a meta, sorri, primeiro que tudo, e desliguei o relógio, iniciado pouco antes de começar a correr, dizia 49m36s, sorri ainda mais, afinal tinha conseguido, tinha esquecido que entre a partida e começar a correr tinha passado cerca de 1 minuto.

 

 

Corrida terminada, a organização deu uma medalha de participação e um saquinho com água, bebida isotónica e maçã, tudo ideal para repor nutrientes após esforço.

 

Juntei-me ao João Gonçalves para assistir à chegada dos restantes elementos da Crew e dar força a quem chegava ao final dos 10Km e da Meia Maratona.

 

É bom ver tantas caras conhecidadas destas lides, ver sorrisos a aparecer do esforço quando puxamos por quem vai num último esforço a terminar as suas provas, são estes momentos que tanto me dizem, quase tanto como participar e sorrir sempre em cada meta, muito.

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Em jeito de conclusão, apesar de em algumas provas ser crítico da Xistarca na organização das mesmas, há que salientar o bom trabalho desta entidade na organização da Meia Maratona dos Descobrimentos. Da minha parte, se 2 anos depois voltei a fazer uma corrida de 10km abaixo dos 50 minutos, já penso voltar no próximo ano para lutar por um PR na distância da Meia Maratona. Até 2016!

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