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Correr na Cidade

Sevilha e um fim-de-semana com direito a tudo

 

 

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Por: Tiago Portugal

Família, amigos, muita diversão, viagem, cultura, comida e bebida com fartura (talvez mais do que o desejável) e para terminar uma maratona. Posso resumir nestas palavras este fim-de-semana alargado, meti férias na sexta-feira, e não podia pedir mais. Simplesmente fantástico, do primeiro ao último minuto. Conciliei pela primeira vez férias familiares com eventos desportivos e fiquei fã, com o bónus de ter tido um apoio especial ao longo da prova.

 

Mas voltando um pouco atrás, porquê correr uma maratona e qual a razão de ter escolhido Sevilha? Fácil de explicar. Todos os anos dia 1 de janeiro escrevo alguns objetivos que espero alcançar nesses 365 dias, sendo que para alguns estabeleço prazos mais alargados. Em 2013, escrevi que antes dos 35 anos teria que concluir uma maratona, não importasse qual. O tempo foi passando e a maratona foi ficando em banho-maria. Em setembro do ano passado enquanto limpava a carteira encontrei por acaso o papel que escrevi no dia 1 de janeiro de 2013. Reli e vi que tinha alcançado quase tudo a que me propûs. Correr uma maratona estava entre os objetivos por realizar e com o prazo a acabar as alternativas começavam a escassear. Uma conversa rápida com o Nuno Malcata e decidi que Sevilha 2015 seria a melhor hipótese e a última, pois 2 dias depois  da prova o prazo estabelecido expirava. Ficou logo decidido, seria em Sevilha a minha estreia na maratona, ainda para mais com membros da crew do CnC a acompanhar-me nesta aventura.

IMG_0684.JPGUm mês depois da inscrição, num jantar de família o assunto maratona foi naturalmente discutido e o meu cunhado, ainda virgem nesta distância, inscreveu-se também ele na maratona de Sevilha. Foi o passo que faltava para que a maratona se transformasse numas miniférias familiares e aproveitar para irmos, todos, passear até Sevilha.  

 

O fato de ter ido com a família e com amigos fez com que não pensasse tanto nos 42km da maratona e permitiu-me estar menos ansioso. Tirando sexta à tarde e sábado à noite mal pensei na tarefa hercúlea a que me tinha proposto, a falta de treino também me estava a assustar. Devia ter treinado muito mais? Sem dúvida que sim, no mínimo uns 2 treinos longos em estrada.

IMG_0587.JPGChegados a sevilha e já instalados decidimos ir diretamente à Expo levantar os dorsais e passear pelos expositores. Foi uma boa decisão pois estava pouca gente, conseguimos levantar o Kit do atleta bastante depressa e ainda deu para passear, ver e comprar alguns produtos que dificilmente se encontram em Portugal (Injinji, X-Socks, modelos da Scott e da INOV-8). Sendo a New Balance o patrocinador oficial da prova estava muito bem representada na feira, com a nova coleção toda exposta sendo que a edição especial do modelo Fresh Foam Zante maratona de sevilha era o maior destaque.

 

Depois da feira foi altura de aproveitar e ir beber umas cañas e comer tapas. Sábado foi dia de conhecer a fantástica cidade, aproveitámos o dia maravilhoso e passeamos pela cidade. Ao fim da tarde encontrei-me com o resto do grupo do CnC e amigos que tinham chegado nesse dia. Pusemos a conversa em dia, combinámos o encontro no dia seguinte e já com os nervos a aparecer fomos para casa jantar. Seguindo os conselhos da Ana Sofia Guerra preparámos uma massa com atum.

 

Após uma noite mal dormida às 7h00 estávamos, eu e o meu cunhado Roberto, a tomar o pequeno-almoço. Apesar de estarmos com aquele nervoso miudinho lá nos despachamos a horas e saímos porta fora, convictos de que no regresso seriámos maratonistas. Às 08h00 reunimos-mos todos e partimos em direção à zona da partida. A conversa fluía naturalmente, sentia-se a ansiedade no ar, mas estávamos todos otimistas.

IMG_1596.JPGCuriosidade, na zona da partida além do speaker espanhol, estava um speaker português o que mostra a aderência dos corredores nacionais a esta prova, pelo que ouvi cerca de 850 portugueses estavam na linha da partida. A euforia era muita. Uma grande festa! Minutos antes da prova estivemos à conversa com um espanhol de 70 anos que ia fazer a sua estreia na maratona, mais uma prova de que a idade não é obstáculo. O que nos disse foi que acima de tudo nos divertíssemos. O objetivo final deve ser esse, correr sim, mas acima de tudo temos que gostar do que estamos a fazer e tentar nos divertir ao longo dos 42km. Falhei neste aspeto, a partir do 27km não me diverti nada.  

 

5,4,3,2,1 e começou! Desejei boa sorte a todos e arranquei com o Roberto. Devido à minha falta de treino e do peso adquirido nos últimos 2 meses, 4kg, decidi que ia correr a um ritmo confortável de 5m40s o km, se conseguisse acelerava um pouco no fim. Devia estar excessivamente confiante para pensar que após 35km ia conseguir acelerar, foi mais o inverso, desacelerei.

 

Decidi que ia tentar seguir o meu plano original, afinal o objetivo era acabar, se conseguisse em menos de 4h era a cereja no topo do bolo. Durante os primeiros 15km eu e o meu cunhado parecíamos relógios Suíços, sempre ao mesmo ritmo e com o balão das 4h a poucos metros de distância.

 

Tínhamos combinado que ao 7,5km íamos ter o primeiro apoio da nossa comitiva, mas passando no ponto estipulado além de muitos espanhóis, não estava lá quem nos mais queríamos. Ainda rogamos algumas pragas, se calhar adormeceram ou foram às compras pensamos nós e seguimos em frente, sempre confortáveis e à conversa.

 

A partir do 5km a prova tem abastecimento de 2,5km em 2,5km, o que é muito bom. Sempre que passávamos por um aproveitava e bebia água ou isotónico, claro que metade ia para fora e ficava a escorrer para os lados ou ia para a t’shirt, isto de beber a correr é uma arte difícil de dominar.

17,5 km 1ª grande surpresa afinal as meninas estavam lá para nos apoiar. Foi uma festa quando as vimos. Que alegria. Os próximos 5 km passaram a voar.

 

Após o abastecimento dos 21km tive que parar por motivos fisiológicos e separei-me do meu companheiro de prova. Tentei acelerar um pouco até ao apanhar mas rapidamente comecei a ficar ofegante e decidi acalmar o ritmo e seguir sozinho. Por enquanto estava bem, a divertir-me e o balão das 4h estava mesmo à minha frente.

Afinal isto não custa muito pensei eu. Falei cedo demais.

post1.jpgAo km 27km nova surpresa, novamente a família e os amigos a apoiar, até parei para dar um beijo emocionado.

 

Depois de este breve momento de felicidade, subitamente começa-me a custar tudo. Os joelhos começam a doer, sempre que meto o pé no chão sinto uma dor na planta do pé, começo a ficar desanimado e os próximos 10km custam-me muito a correr. Apesar de o percurso ser interessante houve duas retas intermináveis, em que pela primeira vez tive que correr a olhar para baixo de forma a não ver o que ainda faltava.

 

Ao longo da prova falei com alguns participantes, sendo que um espanhol avisou que a partir do 35km entrávamos na parte mais bonita do percurso.

 

A partir desta altura a maratona a passar nos locais mais bonitos de Sevilha, o apoio nas ruas começa a ser cada vez maior e a partir do Parque Maria Luísa muita gente a incentivar, ruas cheias de gente a apoiar-nos. Na Serra Nevada já tinha sentido este apoio dos espanhóis e aqui ainda foi mais notório, pena que em Portugal sejam poucas as corrida em que isto aconteça.  

 

Damos uma volta na Praça de Espanha e entramos na zona mais central da cidade, tanta gente nas esplanadas, bandas a tocar música, crianças a esticar os braços, todos a bater palmas e gritar "Animo! Animo!”

Apesar de todo este apoio as forças já faltavam e nos abastecimentos já bebia água parado, sendo que recomeçava a correr logo a seguir.

 

O balão das 4horas já tinha fugido há algum tempo e era agora uma miragem ao fundo. Olhei para o relógio para saber se ainda conseguia acabar a prova abaixo das 4h. Tinha que me esforçar muito, descartei esse objetivo, o importante era mesmo acabar.  

 

A entrada no estádio foi fenomenal, a meta já ali, consegui, o tempo já pouco interessava. Não há palavras suficientes para descrever a sensação de terminar uma maratona. Consegui gritei. Chorei de emoção, de alegria, de dor…

 

Segundos após chegar encontrei o António Vale, fresco que nem uma alface, parecia que tinha acabado uma corrida de 5km por Lisboa, e eu ofegante a falar com ele. Disse-me que o meu cunhado já tinha terminado e estava na zona da chegada pelo que fui tentar encontrá-lo.

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Infelizmente não pude esperar pelos membros da Crew, Nuno Malcata e Bo Irik, mas encontrei a Joana Malcata e a Ana Morais e soube que estavam bem e que acabaram a prova radiantes. Mais um motivo de felicidade a juntar a tantos outros.

 

Resumindo em poucas palavras, foram 42,195m, o meu relógio marcou mais 300m, emocionantes, uma verdadeira montanha-russa. Da ansiedade inicial à euforia dos primeiros minutos, a alegria dos km 17,5 e 27, o excesso de confiança sentido a meio da prova, as dores entre o 27 e o 37km, a energia do público, o esforço dos últimos 3km, as dores e no fim lágrimas de pura alegria, por ter terminado, por ter conseguido.  

 

Sevilha recomenda-se e para quem está a pensar estrear-se na maratona é uma boa aposta, o percurso é bonito, o tempo estava espetacular, fica perto de Lisboa e o apoio do público é ótimo.

 

Quero agradecer à New Balance por me ter fornecido o seu novo modelo 890v5 com os quais corri a maratona, a review final será feita na próxima semana.

 

Muito obrigado à Filipa, isto contigo a meu lado torna-se mais fácil, á minha irmã Inês e á Marta por todo o apoio e diversão durante estes 3 dias.   

 

Para terminar, que isto já vai longo, dar os parabéns a todos os que completaram a prova, especialmente ao meu cunhado, Roberto, companheiro durante estes dias e que me aturou durante 22km, à Bo e ao Nuno Malcata, amigos do CnC, Patrícia Mar, Nuno Alves e António Vale pela estreia na maratona, e à Joana Malcata, que muito bem ainda correu 17km e Ana Morais pelo apoio.

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Boas corridas a todos, 

 

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