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Correr na Cidade

Review: Adidas Ultra Boost

A Adidas facultou-nos vários modelos do seu mais recente ex-libris: os Ultra Boost. Esta é a review final do Tiago Portugal e da Natália Costa. 

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Modelo: Adidas Ultra Boost

Testado por: Tiago Portugal

Características pessoais: Pronador, com maior preponderância no membro inferior direito, peso médio e com um arco plantar elevado.

Condições de teste: 150km feitos em treinos de estrada maioritariamente de 10km, com alguns de mais de 15km, uma prova de 10km estrada e 2 treinos em terra batida.

 

Os mais de 150km percorridos com os Adidas Ultra Boost são suficientes para conseguir efetuar uma review completa deste modelo, gentilmente cedido pela Adidas. O conteúdo do texto que se segue reflete uma opinião pessoal relativamente ao modelo testado.

 

Este novo modelo da marca Alemã foi anunciado com pompa e circunstância como a melhor sapatilha de corrida do mundo. Mas será que as prestações correspondem ao anunciado?

 

Sendo o mais direto possível: Serão estas, como afirma a marca, as melhores sapatilhas de corrida do mundo? Nim, alguns aspetos devem e podem ser melhorados mas em contrapartida a sola dos Ultra Boost é uma pequena maravilha.

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Têm algumas características muito boas, que jogam a seu favor e os tornam uma grande escolha para alguns corredores, apesar de o preço algo excessivo não os tornar acessível a todos. Se a Adidas efetuar algumas melhorias nas próximas edições este modelo será um sério candidato a melhor sapatilha de corrida, mas ainda não é esse o caso.

 

DESIGN e CONSTRUÇÃO:

 

Em termos de construção os materiais utilizados são de primeira qualidade, desde a parte superior em PrimeKnit à sola composta por 3.000 cápsulas Boost, mais 20% do que os outros modelos do mercado e boracha continental.

 

O PrimeKnit parece uma malha tricotada, com uma grande elasticidade e com buracos que garantem uma boa ventilação. Na zona da frente existe uma parte mais dura toda em preto que envolve o sapato, creio que o intuito seja o de dar maior proteção à zona dos dedos dos pés.Em termos de durabilidade e de acordo com os testes realizados pela Adidas esta sapatilha, pelo menos a sola boost, está feita para durar 800km. Nada mau tendo em conta os padrões atuais.

Em termos de design gosta da combinação do preto na parte superior que contrasta com a sola toda branca. Pessoalmente acho a versão que saiu em vermelho mais apelativo.A parte da biqueira tem um arco mais pronunciado do que o normal, um efeito do tipo “rocker”, que ajuda ao movimento mais natural da passada.


Como já tinha referido na minha 1.ª impressão, este modelo é mais estreito do que o normal e tenho que usar um número acima do que normalmente uso, o que faz com que o sapato pareça muito grande e sobre algum espaço na zona frontal.

 

Uma das características distintivas da Adidas é a região do calcanhar saída e neste caso não é exceção, o que permite uma maior dispersão do impato nessa região.

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CONFORTO:

 

Inicialmente não me adaptei muito bem ao PrimeKnit, apertava-me muito o pé e sentia mesmo um grande desconforto ao correr, tanto que pensei em "encostar" este modelo ao fim de 3 treinos e começar a usá-los só no ginásio.

 

Estas sapatilhas são daquelas que quanto mais corremos com elas mais se adaptam à forma do nosso pé. Foram precisos alguns treinos para que a o PrimeKnit alarga-se de acordo com o meu pé, mas uma vez isso feito os Ultra Boost parecem uma meia, muito confortável.

 

Em termos de transição da passada e conforto em corrida esta sapatilha é muito fluída. A forma tipo "rocker" conjugado com o boost da sola e o sistema "Torsion" fazem com que cada passo seja tão fácil como o anterior. Esta forma também facilita, neste caso a técnica é essencial mas alguns modelos ajudam, uma correta abordagem do pé ao solo, o contato e o impulso.

 

Depois de uma pequena alteração que efetuei a este modelo os Adidas Ultra Boost transformaram-se na minha 1.º escolha para treinos em estrada e provas de 10k.

 

ESTABILIDADE E ADERÊNCIA:

 

Esta é a área onde este modelo mais falha. A malha PrimeKnit apesar da sua elasticidade não garante a estabilidade do pé. Qualquer mudança de direção sentimos o pé a mexer para os lados. Ao redor deste modelo não existe, que eu veja, nada que sirva para estabilizar o pé dentro da sapatilha. As 3 barras em borracha que servem para apertar a sapatilha e prende-la ao sapato não ajudam muito nesta matéria. Na região do calcanhar existe uma caixa, em azul, com o nome do modelo “Ultra Boost” em letras douradas, que dá um maior suporte e estabilidade nas zonas laterais à região do calcanhar, mas que para mim é manifestamente pouco. Na sola, foi incluído um sistema de “Torsion” que tem como propósito diminuir a instabilidade desta sapatilha.

 

A entressola destes Boost não é muito estável, devidas as características do material. Para manter a integridade desta parte do modelo foi introduzida uma estrutura em TPU na região lateral debaixo do calcanhar, o que permite uma maior robustez nesta zona.


Sendo um modelo desenvolvido para corredores neutros e sem grande estabilidade ao fim de alguns quilómetros começavam a aparecer-me algumas dores nos joelhos e não sentia grande segurança.

 

Isto mudou quando retirei a palmilha original, nos Ultra Boost a Adidas optou por uma palmilha plana e fina ao contrário de outros modelos, e coloquei uma palminha feita à minha medida. O comportamento da sapatilha neste campo alterou por completo e hoje para treinos de 10-15km não tenho qualquer problema.

 

Em termos de aderência, testada em 2 treinos de terra batida, e apesar de ser um modelo para estrada a sola não nos deixa ficar mal. O único senão é a instabilidade da parte superior do pé em terrenos desnivelados.

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AMORTECIMENTO:

 

Esta é la Pièce de Résistance deste modelo, simplesmente fantástico. Para quem nunca correu com tecnologia boost, recomendo que façam essa experiência. Os Ultra Boost foram a minha 1.ª experiencia a sério com esta tecnologia e durante os primeiros treinos fiquei maravilhado, reativo, consistente e com um nível de amortecimento que é mesmo do meu agrado. Talvez demasiado macio para alguns. A cada passada que damos as 3.000 capsulas, que dão uma maior densidade à sola, comprimem para logo de seguida dar um impulso ao nosso pé. Nos 1.ºs treinos esta sensação é ainda mais notória. E se como diz a marca esta tecnologia durar 800km sem qualquer alteração é de facto de salientar.

 

Ao pressionar a sola vemos reparamos que é bastante macia e que com alguma facilidade cede à nossa força mas que imediatamente retoma a sua forma original.A proteger a camada de boost temos uma plataforma de borracha Continental com uns ligeiros tacos redondos.

 

Este modelo é mais reativo do que os anteriores e em termos pessoais é o modelo com o qual consigo manter um ritmo mais elevado durante um maior espaço de tempo. Em termos médios corri quase sempre a ritmos de 5’10 ou inferiores e para treinos mais rápidos gostei do amortecimento proporcionado. É um gosto pessoal, pelo contrário alguns colegas acham que este modelo é mais lento e não permite grandes velocidades.

 

PREÇO:

 

Verdade, este modelo está carregado de tecnologia de ponta, no que se refere ao mundo do running, a sola 100% em boost é uma pequena maravilha, e de acordo com a marca a durabilidade vai até aos 800km, mas mesmo assim com um PVPR de cerca de 179,90 € acho demasiado caro, tendo em consideração que apesar de todas as qualidades ainda existem algumas áreas a melhorar.

 

Por este preço estamos à espera de algo verdadeiramente excecional, o que dadas as circunstâncias ainda não foi totalmente alcançado. Mas se conseguir arranjar este modelo em promoção vale a pena experimentar e testar pelo seu próprio pé. 

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AVALIAÇÃO FINAL do Tiago:

 

Design/Construção: 17/20
Conforto: 18/ 20
Amortecimento: 20/20
Estabilidade/Aderência: 14/20
Preço: 14/20

TOTAL: 83/100

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Modelo: Ultra Boost (modelo feminino)

Testado por: Natália Costa

Características pessoais: Passada neutra

Condições de teste: percorridos cerca de 70 km em alcatrão e calçada portuguesa

 

DESIGN e CONSTRUÇÃO:

 

Os meus Ultra Boost são roxos. Comparativamente com os Boost cor de rosa, que também tenho, acho-os esteticamente menos apelativos. A diferença nota-se porque o design dos Boost (rosa) terem uma estética mais uniforme e são um pouco mais femininos. Já os Ultra Boost devido ao seu design mais alongado dão uma sensação de calçarmos dois números acima (sendo que para ténis de corrida devemos calçar 1 número acima do nosso calçado normal) o que de facto é real pois a Adidas assim o recomenda. Ou seja, a forma é um pouco longa, para dar maior liberdade aos dedos dos pés, e maior conforto, mas esteticamente, e pelo menos em senhoras, fica-se com um ar “patudo” e menos feminino que outros modelos da marca.

 

Em relação à construção, nada a apontar. São muito bem construídos não havendo “pontas soltas” em nenhuma parte da sapatilha...e do pé!

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CONFORTO:

 

Os Ultra Boost são muito confortáveis. Aqui, e voltando a comparar com os Boost “normais”, o conforto é superior. Como amante de sapatilhas com solas mais minimalistas consegui adaptar-me perfeitamente a uma sola “mais avantajada”. O upper da sapatilha, feito numa espécie croché industrial, é confortável e respirável. Sendo assim, um modelo a ter em conta com temperaturas mais quentes. Este modelo não tem a “tradicional” língua, algo que estranhei no início mas que se revela uma excelente ideia porque provoca menos atrito no peito do pé. Muitas das vezes ao corrermos, em alguns modelos, a língua vai-se deslocando para um dos lados, causando desconforto. No caso dos Ultra Boost isso não se verifica e parece que estamos a calçar uma meia.

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AMORTECIMENTO:

 

Apesar de terem uma sola algo generosa – e eu prefiro sapatilhas mais minimalistas – são consideravelmente maleáveis. A sola Ultra – com mais Boost que o modelo “normal” Boost – sente-se a cada passada. Não só pelo amortecimento que é bom, mas também pela promessa cumprida pela Adidas de dar aquele impulso, mesmo que ténue, quando o pé liberta o solo. Curiosa a “curva” do drop que vem do calcanhar desce no peito do pé e torna a levantar na ponta dos dedos, dando uma forma gôndola às sapatilhas.

Para quem tenhoo os pés dos dedos loooongos, como eu, este modelo de sapatilha é ideal porque o upper (parte de cima da sapatilha) é largo dando uma maior liberdade a cada passada. Devido a esta minha característica morfológica não é fácil encontrar sapatilhas onde sinta conforto e não sentir os dedos dos pés apertados.

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ESTABILIDADE:

 

Por ter um maior reforço na zona do calcanhar, a sensação é de maior segurança e estabilidade. O pé fica como que “preso” na zona posterior permitindo o que se torne mais importante na passada seja a parte do meio/frente. Se este apoio não existisse possivelmente o risco de lesões era maior. A parte de cima da sapatilha é no tal croché industrial que já mencionei, mas mais parece feito de neoprene (estilo fato de surf) permitindo alguma elasticidade, mas não deixa de impor os seus limites. Por os ter recebido recentemente, ainda não tive oportunidade de os experimentar com chuva e confesso que tenho algumas dúvidas se a estabilidade da parte de cima não será afectada com a água que nela irá cair. A ver…, lá para o outono.


Outra das singularidades que gostei é o facto dessa mesma parte de cima ser um todo, com disse anteriormente, uma espécie de meia que, mais uma vez, não prejudica a estabilidade e segurança do pé. A “meia” tem na sua zona lateral uma estrutura de plástico onde se encaixam os atacadores, dando alguma estabilidade e algo móvel e sendo utilizado pela marca para colocar as suas tradicionais três listas.

 

PREÇO:

 

180€. São sapatilhas caras. Está, certamente, a pagar-se a inovação do produto. Contudo, mesmo assim, há outras opções de mercado menos “experimentalistas” e um pouco mais baratas. Todavia, se forem sapatilhas que durem serão certamente um bom investimento.

 

AVALIAÇÃO FINAL da Natália:

 

Design/Construção: 16/20
Conforto: 18/ 20
Amortecimento: 19/20
Estabilidade/Aderência: 19/20
Preço: 16/20

TOTAL: 88/100

 

Boas corridas. 

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