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Correr na Cidade

Race Report: À conquista do Douro (e Paiva, claro)

Por Stefan Pequito

 

O Pedro Tomás Luiz, o Tiago Portugal e eu já andávamos há algum tempo a namorar esta prova, o Ultra Trail Douro e Paiva (UTDP). Correr naquelas zonas foi, e é, um sonho. Como alguns leitores já sabem tive azar no Louzan Trail e fiz uma entorse no pé esquerdo. Logo após a lesão vi com algum perigo a minha participação no UTDP. A recuperação demorou cerca de três semanas.

 

1 semana e meia a curar, a fortalecer e a desinchar. Tive a sorte de ter conhecido o Doutor Carlos Coelho, no Camp do Armando Teixeira, para além de osteopata é ultra maratonista e sabe bem reconhecer as queixas dos atletas. Deu-me uma grande ajuda (enorme mesmo) na minha recuperação. Com uma semana e meia de treino mais à seria tive a perfeita noção que não foi o suficiente para estar bem preparado para o UTDP, mas arrisquei. No sábado, dia 12 de Junho, arrancamos para o Douro, cada um de nós(eu, Pedro e Tiago) com um objetivo diferente.

 

O meu era  tentar ficar nos vinte primeiros lugares e fazer a distância em nove horas, no máximo. A viagem para o Douro fez-se bem e ao chegar a Paiva vimos logo as “barraquinhas” com as lojas, mas como chegámos uns minutos mais tarde já não conseguimos levantar os dorsais, mas não houve stress. Eu e o Pedro encontrámos muito pessoal conhecido, desde o João Borges, Paulo Tavares entre outros. Jantámos os 3 com o João e bem, um belo bife com massa, comida de atleta, LOL. Depois descontraímos um pouco a ver o jogo do Brasil com a Holanda e lá fomos dormir no solo duro do pavilhão desportivo da escola local.

 

Resumindo, eu só dormi 1 hora pois às 3.30 da manha já estava de pé a tomar um banho e a preparar-me. Tomamos o pequeno-almoço e arrancamos para ir apanhar o autocarro que nos levaria até à partida. Até aqui estava tudo bem para a 1º edição, tudo bem organizado, estava a gostar bastante.

 

Chegamos à partida e esperamos pelas 6 da manhã para arrancamos. Deu-se a partida e tentei logo arrancar forte e manter-me perto dos cinco primeiros, o que consegui até ao 3º km, e aí deparei-me que não havia fitas... estranhei ainda gritei para a frente para os outros cinco mas eles não ouviram e voltei para trás a avisar que não havia fitas, aí começou a 1º confusão.

 

Alguém tinha mexido nas fitas e aquilo tornou-se um pandemónio. Perdeu-se muito tempo, quando dei por mim estava quase em último e tinha apenas umas 10 pessoas atrás de mim. Tinha passado de 5º para a cauda da corrida. Fiquei algo chateado na altura pois tinha muito para recuperar como muitos que seguiam atrás de mim. Ainda por cima a seguir passamos por um single track, lindo sem duvida, mas que não dava para ultrapassar ninguém. Só quando “abriu” um pouco é que tive de aproveitar e gastar muita energia para ultrapassar quase 100 pessoas ou mais.

Fui seguindo até que me deparei com outra situação estranha, entre o km 10 e o 15 uma seta no chão mas com o percurso fechado com uma fita. Como havia fitas em outra direcção segui. Ao chegar ao “meu” km 22 deparei-me com o André Rodrigues chateado e não percebi o que se estava a passar até chegar ao ponto de abastecimento, o que era estranho pois não estava assinalado abastecimento naquele km no meu mapa.

 

Disseram que estava no km 30 que tinha havido asneira lá atrás, alguém tinha fechado o percurso por onde tínhamos de passar, e mandado todos para o percurso do trail de 30km... Aí percebi o porquê do André estar chateado, até eu que fiz menos 7km fiqueii, já era o 2ª erro na prova, o que desmoraliza.

 

Além dos erros os meus Asics Fuji Elite não estavam a ajudar em nada. Arranjei “boleia” do José Figueiredo que me fez companhia até ter “apetite” de arrancar novamente e lá fui eu... Um pouco mais à frente.... perdi as fitas novamente e fui parar ao início de uma subida que já tinha feito. Toca a voltar para trás e andar à procura das fitas. Eu e mais uns cinco corredores conseguimos encontrar as fitas e arrancámos, tendo novamente de acelarar para recuperar posições. Voltei a encontrar o José e “desliguei” um pouco da prova e fui a conviver um pouco.

Ainda tivemos a companhia do Paulo Nogueira durante um pouco mas como estámos bem tentámos subir algumas posições. Depois dos 45 Kms ficou muito calor e faltou-me água, armei-me em esperto e arrisquei. Ia-me tramando, depois do km 40 foi sempre a subir perto de D+1000, sempre ao sol e com cerca de 30 graus. Perto dos 50km tivemos o último abastecimento onde até havia cervejas, que não bebi por opção. Arrancámos a pensar que eram 8 km sempre a descer.

 

Fomos “enganados”. Descemos pouco mais de 1 km depois subimos mais de 3Km,  numa altura onde já tinha duas bolhas nos dois dedos mindinhos, a sapatilha não estava a escoar a água bem, para além de não aderir a nada. Com o calor, cada ribeiro que passávamos molhámos a cabeça, eram já 15h da tarde e estava mesmo muito calor.

 

Quase a chegar ao fim, entrámos numa área de floresta linda de morrer quase sempre a descer, e aproveitei para "soltar os travões" até à meta.

 

Foram cerca de 3 km sempre a abrir até ao fim. Cortei a meta com 9 horas e 2 minutos, em 20º da geral e 10º da categoria mas com um sentimento de tristeza pela prova não ter corrido a 100%, pelos enganos da organização, pelas pessoas que arrancaram fitas e as colocaram em outros sítio, o que é muito triste, e por causa dos problemas com as sapatilhas da Asics que não são boas para provas longas e com água, têm alguma falta de estabilidade, como comprovei com outros corredores.

 

Mais tarde soube que o Pedro (Tomás Luiz) tinha contraído uma lesão aos 40km e  teve de abandonar a provar no abastecimento dos 50Km, fiquei triste pois sabia o quanto ele se tinha preparado para esta prova.

 

O Tiago acabou aos 40km, mais 10km do objectivo dele pois está a treinar para o Ultra Trail da Serra Nevada e não quis abusar.

 

Resumindo, a prova é Brutal em termos de localização, a organização é boa mas tem um longo caminho a percorrer para melhorar alguns aspectos, sobretudo nas marcações do caminho - não querendo ofender ninguém da organização. Por exemplo, o André  Oliveira andou sempre preocupado a tentar emendar o que se tinha passado, nem tudo foi mau.

 

Fica um conselho: fitas amarelas são difíceis de ver e ajuda aos enganos.

 

Para esta altura do ano o calor foi tramado, eu aguento bem, mas acredito que houve gente que não tenha gostado.

 

Se tiver oportunidade, voltarei em 2015.

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