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Correr na Cidade

Respect!

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Há uns tempos fui convidado por uma associação, no âmbito de uma feira gastronómica, para colaborar na organização um Trail Solidário em favor dos Bombeiros (muito antes da anual ruminação ligada ao flagelo dos incêndios florestais).

 

A proposta era simples. Tinha apenas de escolher o percurso, marca-lo e indicar o local dos abastecimentos (e a sua composição). Ou seja e na prática estava completamente liberto da receção de inscrições, divulgação, abastecimentos e outras coisas ligadas à normal logística de uma prova.

 

Como no mesmo dia se realizam outros eventos, nomeadamente um passeio pedestre, um passeio BTT e um passeio a cavalo, a ideia inicial foi tentar gerar algumas sinergias por forma a rentabilizar ao as marcações bem como os locais de abastecimento.

 

E é aqui que começa a minha jornada!

Primeiro que tudo, demonstro desde já o meu respeito a todos os organizadores de provas, pois embora não estejamos falar de engenharia nuclear, meter de pé um evento destes, exige esforço, dedicação e uma grande dose de carolice, quer em termos do tempo despendido, quer em termos do esforço físico associado ao mesmo.

 

(disclaimer: não faço neste post qualquer apreciação do modelo de negócio das corridas em Portugal (nomeadamente na questão de estar totalmente assente em voluntariado), nem da sua consequente e hipotética distribuição dos lucros que daí advém).

 

Genericamente os atletas de pelotão, onde me incluo, avaliam uma prova de trail sobre 3 componentes: percurso, abastecimentos e brindes.

 

No que se refere ao percurso é “exigido”:

  1. Que este seja interessante (não se pode ir é ir correr o Alentejo e esperar que tenha montanhas tipo Alpes, nem se pode ir para a Lousã e queixarmo-nos que o percurso tinha muitas subidas);
  2. Que tenha os quilómetros de anunciados (costumamos sempre falar dos km que as organizações nos atribuem de bónus, mas nunca me esquecerei do dia em que me inscrevi numa prova para fazer a primeira ultramaratona e a prova apenas teve 39 dos 45 km anunciados)
  3. Acima de tudo esteja bem marcado, o que normalmente é um ponto crítico, porque para além dos colecionadores de fitas, que adoram recolher fitas antes das provas começarem, há também os traileres  gostam de inventar caminhos ou ainda aqueles que só com sinais néon é que eram capazes de ver o caminho correto (Casaínhos 2014, os primeiros 20 atletas, na ansia inicial “esqueceram-se” de virar num entroncamento, o que ditou mais 5km ao percurso).

 

Em relação aos abastecimentos, que sejam em número suficiente, estejam nos locais corretos e tenham o mínimo de variedade (“ah e tal não há nada neste abastecimento, porque os atletas que passaram antes de ti comeram tudo…”isto não é de todo justificação).

 

E por fim os brindes, uma t-shirt ou uma medalha e umas quantas borlas. Pessoalmente sempre gostei mais de receber medalhas do que t-shirts ou coletes de finisher (alguém se lembra que no passado as provas de estrada premiavam os 100 primeiros com um medalhão?).

 

Muitos dirão que a cronometragem também é um aspeto importante, mas a importância deste aspeto está metida no mesmo saco que a segurança da prova ou seja naquele grupo intitulado “só quando há mXXXX é que alguém se lembra!”.

 

Assim tendo isto por base aqui fica o que aprendi:

  • Percurso: Aqui começou a primeira lição de humildade. Quando aceitei o convite tinha já delineado o percurso na minha cabeça. Este além de passar por locais que considerava emblemáticos, permitiria aos participantes desfrutar de sítios normalmente vedados ao público. Com autorização para passar no local, mas sem a garantias de segurança relativamente ao gado bravo que ali normalmente pasta, decidi cortar esse segmento e arranjar uma alternativa. A alternativa encontrada também falhou, porque o responsável não garantiu a limpeza integral do trilho, o que fez com que a dois dias da prova anda-se a redesenhar o percurso.

 

  • Marcações: Segunda lição de humildade. Marcar 22km demorou muito mais tempo do que aquilo que estimei, embora com a ajuda de mais uma pessoa e de um veículo todo terreno, foram basicamente 14 horas seguidas de trabalho. Acresce que tornar as marcações visíveis a quem vem a correr, é outro desafio ainda maior, principalmente em locais com maior densidade urbana, onde as fitas quase desaparecem (grafitar o chão, como me foi sugerido, alem de ilegal, esteticamente danifica os locais por onde a prova passa.

 

  • “Batedor”: Uma hora antes de começar a prova, enviei um batedor para garantir que as marcações não tinham desaparecido, o que se relevou de extrema pertinência, dado que este teve a oportunidade de corrigir alguns erros que eu tinha cometido na marcação e repor algumas das fitas.

 

  • Voluntários: Ter pessoas nos entroncamentos e nas travessias de estrada foi essencial para a segurança da prova, bem como uma garantia que as possibilidades de alguém se perder ficavam reduzidas. Faltou “brifar” os elementos dos abastecimentos, teria sido útil em muitas situações.

 

  • Crew mai linda: ter a oportunidade de ter pessoas em quem confias a apoiar-te no dia, é crítico para o sucesso do evento. Obrigado a estes!

 

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Em suma, o trail correu razoavelmente bem, sem incidentes de maior, mas sem duvida com alguns pontos a melhorar.

Por fim à noite na cama, completamente roto, perguntei-me a mim mesmo… Pedro valeu o esforço? – sim sem dúvida… Para o ano voltas a repetir?  Hum… Respect!

 

 

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