Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Correr na Cidade

Reganhar confiança - relato da minha 4ª Meia Maratona

filipegil1 Cheguei, eu e a Natália, à zona da partida cerca de cinco minutos antes desta ser dada. A convite dos CTT tivemos a oportunidade de partir de uma zona um pouco mais à frente dos restantes corredores da Meia Maratona. Sabia que havia por ali verdadeiras lebres e comentei com a minha mulher para, mal a prova começasse, deslocarmo-nos para um dos lados para não sermos atropelados.Esta foi a primeira vez que corremos juntos uma prova oficial. Ela estava indecisa entre fazer os 5,5K da Mini ou correr mais uns quilómetros e depois regressar à meta a pé.Dos 0 aos 5KMAdoro correr ao lado da minha mulher. Não falamos muito, só o essencial. Levei os phones apenas para ouvir os kms na aplicação da Nike ou, no caso de achar necessário colocar música para uma motivação extra. De vez em quando a Natália indicava para eu seguir ao meu ritmo, mas eu estava ao meu ritmo, ela é que se suplantou e fez os 5km bem abaixo do que normalmente faz. Inclusive fez o ultimo quilómetro com uma média de 4:52. Como saímos na frente do pelotão não fui nem com o Bruno Andrade, nem com o Tiago (que amavelmente substitui o Nuno Espadinha com a camisola do Correr na Cidade) - o 4º elemento, o Stefan, estava a fazer a Maratona e naquela altura já tinha partido de Cascais. Sabia que a corrida seria feita sozinho. E lá fui depois da Natália ter decidido ficar pela Mini Maratona.KM 7Já na linha reta junto ao rio.Abasteço-me de água pela primeira vez.Bebi um pouco mas, sobretudo, molhei a cara e as pernas. O calor já se fazia sentir. Dei graças à minha mulher que me convenceu a ir de boné. Não gosto de bonés e tenho por regra usar óculos de sol ou boné. Desta vez levei os dois.KM 10Já??Sentia que tinha começado há muito pouco tempo.Demorei 55:49 a fazer metade da prova. Sabia que ia lento, que podia apertar mais, mas tive muito medo do fator psicológico e de "rebentar" pelos 14/16K. Vamos com calma!, pensei na altura. Esta prova foi para voltar a ter confiança na distância. Nesta altura os atletas de elite já tinham passado por nós em sentido contrário. Bati palmas e incentivei o português Luís Feiteira, com quem tinha treinado na véspera.KM 12De baixo da ponte apanhei uma sombra fantástica. Vi um corredor dos Scalabis e gritei "Força Scalabis", que ficou a tentar perceber quem o tinha feito. Mas eu, de boné, óculos de sol espelhados e barba por fazer não ajudei na tarefa. Olhei para a banca de bananas e laranjas que estavam do outro lado da estrada e lembrei-me das palavras do Bruno sobre o quão bom é comer laranja quando se está com sede.KM 13Dei a volta, um pouco mais à frente de Santa Apolónia. Até aqui tudo a correr às mil maravilhas. Sentia-me bem. Nada de dores no joelho esquerdo (passeia a véspera a colocar gelo), nem bolhas, nem esticões na planta do pé. Costumo fazer um bicho de sete cabeças cada vez que dou a volta num percurso, desta vez não. Entreti-me com as bandeiras da marca de gel energético e, apesar de levar um gel comigo, decidi tirar um e experimentar. Tirei uma garrafa de água, também para limpar a boca depois do gel. Este era liquído (nunca tinha tomado nada assim) mas soube bem. Bebi um pouco de água, e voltei a molhar as pernas e a cabeça. Como fiquei com a tshirt encharcada as costas tive de a torcer para retirar a água, e o peso, em excesso. Continuava a sentir-me bem.KM 14Situação caricata 1: passei pelo abastecimento e tirei uma metade de laranja. Suguei o sumo, dei uma trinca na laranja e pensei: "tenho de ter muito cuidado a deitar esta casca fora para que ninguém escorregue". Mal acabo de pensar a laranja escorrega-me da mão, tento apanhar, qual malabarista, mas esta vai parar ao meio da estrada no sentido inverso. Bolas!!! - na altura disse um palavrão. Ainda hoje espero que ninguém tenha escorregado...KM 16Comecei a pensar se conseguiria baixar da hora e 57 que fiz na Meia de Almada. Olhei para o cronómetro oficial que a organização meteu em várias alturas do percurso (excelente!) e vi que a 7km do fim já levava hora e meia de prova. Uns bons metros mais à frente percebi que aquele era o tempo da Maratona (que partira 10 minutos antes da Meia Maratona). Afinal havia esperança. Olhei para relogio GPS da TomTom (review a ser publicada em breve) e o pace era de 5:50. Lento. Na altura sentia-me a rolar mais rápido. Tive medo de vacilar psicologicamente, mas lembrei-me das palavras do Pedro Luiz: "sempre que penso em desistir afasto esses pensamentos". E assim fiz pensei na minha mulher e se ela estaria a apanhar uma valente seca na tenda VIP à minha espera; pensei nos meus filhos; pensei na minha mãe que se prestou a ficar com o mais novo; e pensei no meu pai. Embora não acredite muito, olhei para o céu na esperança que ele me estivesse a ver naquele momento...KM 17Continuo bem. Começo a ver caras que me ultrapassaram na primeira descida da Ponte Vasco da Gama. Senti o power do gel energético e baixei o ritmo médio para 5:48, nada de especial. De seguida passo por debaixo mangueira dos bombeiros para me molhar. Foi bom e mau. Refresquei-me mas fiquei com os pés completamente encharcados. Tirei o boné e os oculos da cara pela primeira vez. Como ficaram molhados coloquei os óculos em cima do boné. Nesta altura já me estava a borrifar para o estilo, queria acabar o mais rapidamente possível.KM 19Momento cómico 2: Já no Parque das Nações tiro água no último abatecimento antes da meta, e num movimento repentino tiro o chapéu para molhar a cabeça. Arranjo o cabelo que nesta altura é mais uma pasta de súor, água e Powerade que me cola as mãos. E volto a colocar o chapéu. Mas sinto que algo não está bem..., o que me falta? O telemóvel continua no braço, o TomTom também, os óculos..., os óculos que estavam em cima do boné voaram, certamente, naquele quilómetro. Perdi os óculos, ou melhor atirei-os para longe. Paciência...Segui-se o pior momento da corrida para mim, a última subida mesmo ali ao lado da loja Pro Runner. Passos curtos, curtinhos porque subidas sem descidas a seguir são um problema para mim.KM 20Nesta altura o vencedor da Maratona passa por mim, ali mesmo à frente do centro comercial Vasco da Gama. Penso: "se a minha mãe estiver a ver a prova em direto é desta que me vê". Ainda gritei ao queniano: " Go, man, Go!". Nessa altura lembrei-mede como estariam o Bruno Claro, o Nuno Ferreira e o Stefan. Quantos km's já teriam feito? Como lhes estaria a correr a maratona?Meta à vista, ou quaseEntro na reta final e acelero. Olho para a boia da Adidas e penso: é ali. Acelero ainda mais como faço sempre nestas alturas. Lembro-me da Dina Alves que partiu connosco e que também tem a mania de acelerar nos metros finais. Penso se a minha mulher estará por ali a ver-me. Olho para a boia e acelero ainda mais. Depois ponho os neurónios a funcionar e vejo que não está existe nenhum cronómetro, ou seja não podia ser a meta. Afinal tive de correr mais uns 300 a 400 metros. Aí perco fulgor. Lá vejo a meta real e dou mais um pequeno sprint. Vejo o cronometro a bater os dois minutos depois das duas horas,fico desiludido. Pensava que estava com hora e 58, mais ou menos, mas estava mais lento. Passo a meta meio frustrado apesar de achar que estive bem e que ganhei confiança mental para provas futuras. Oiço o meu nome, olho para o lado e vejo a cara linda da minha mulher a dar-me os parabéns. Este momento foi o melhor da corrida para mim. Fomos juntos para a tenda VIP onde bebi, de seguida, quatro copos de ice tea. E sentei-me a descansar.filipegil2Resumo:Não estava com grandes expetativas em relação ao percurso. Mas o dia de sol fantástico com que Lisboa nos brindou ajudou a passar por uma zona da cidade que é feia e que teima em reavivar. Voltando à prova. Hoje, passadas 24 horas acho que podia ter acelerado mais pelo km18. Mas, mais importante foi que voltei a ganhar confiança em mim, fiz a prova sozinho, depois dos 5K,e isso foi muito importante. Apesar desta ser uma prova com uma logística chata - termos de acordar muito cedo e nunca se chega a casa antes das 13:30 -, a organização esteve impecável, sobretudo nos abastecimentos. Esta prova tem tudo para crescer ainda mais, quer ao nível nacional quer internacional.A minha próxima meia? Dia 8 de dezembro, a 1ª edição da Meia Mararona dos Descobrimentos, em Lisboa. E aí tenho que ser mais ambicioso. E treinar para isso!!O registo do Nike +:20131007-233007.jpgO diploma oficial da prova:20131007-234210.jpg

5 comentários

Comentar post

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Actividade no Strava

Somos Parceiros



Os nossos treinos têm o apoio:



Logo_Vimeiro

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D