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Correr na Cidade

Race report : Oh Meu Deus - E tudo a Montanha levou (1ª parte )

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Prefacio
Este race report demorou bastante tempo até que tivesse vontade de o escrever para ser publicado. Oportunamente perceberão o motivo, mas para já tenham paciencia comigo e boas leituras.


Seja a mudança que você quer ver no mundo
Confesso que a minha preparação para esta prova não foi a melhor do mundo. Nem perto do que eu quereria.
Por diversos motivos, desde Janeiro de 2016 que tenho menos vontade para correr, não tenho retirado todo o gosto e entusiasmo de correr por correr, e isso afecta-me não só a minha preparação fisica, mas também a parte motivacional e psicologica porque gosto de correr.
Nevertheless, nos ultimos 2 meses antes da prova fiz um pequeno plano e tentei incluir o máximo de treinos possiveis para rentabilizar ao máximo a corrida planeada para o passado dia 04/06, faz agora pouco mais de 2 meses. Excepto um tipo de treinos que mais à frente já vamos perceber o erro crasso que foi não lhe ter dado importancia.

Importancia essa que ela incutia em tudo o dizia respeito à familia e ao bem estar do grupo. Muitas horas passamos desde a minha infancia até adulto em jantares e almoços com toda a familia mais directa. Com mais ou menos euforia, ela cozinhava e o resto da malta devorava os pratos fantasticos que nos era presenteado. O importante era a familia reunir e conviver


Antes da prova
Fomos para Seia na Sexta-feira ao final da tarde. Chegamos a tempo de jantar, levantar dorsais, passear um pouco aproveitando o tempo fantastico que estava e depois ir descansar para levantar cedo para a prova. Adivinhava-se um clima ameno, nada parecido ao calor quase infernal que foi no ano passado.
Tudo isso foi considerado no planeamento que fizemos para a prova. Eu a correr e a Liliana de carro a acompanhar PAC a PAC. Temperatura, estado do terreno, preparação do ( COF, COF ) atleta, altimetria, etc. Fizemos um planeamento quase ao km do que se iria passar no Sabado e isso foi estudado nas ultimas 3 semanas.

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Que trilhos novos iriamos percorrer e quais os que eram comuns ao ano passado. Quanta àgua levar, quantas barras, que sapatilhas, etc. tudo foi pensado num unico sentido : ganhar a prova.
Existem duas provas onde eu participo, as do género da Serra da D'arga onde sei que vão aparecer dezenas de atletas mais rápidos/melhores preparados do que eu e nessa circunstancia os meus dois adversários sou eu e a montanha. Sou eu contra... eu.
Mas em provas como os 70km do OMD, onde o numero de atletas é muito mais reduzido, onde já conheço bastante bem o terreno e a qualidade dos adversário é muito mais acessivel ( e temos que falar nestes pontos sem qualquer despudor ou segundo sentido ), o objectivo principal passava por ficar nos 3 primeiros, e o secundário ganhar a prova, se tal se propocionasse. No ano passado teria ficado entre os 7/8 primeiros se não tivesse tirado uma soneca no ultimo abastecimento de quase 2h.
Tudo bem planeado e lançado para a prova deste ano e com alguma expectativa para o desfecho da mesma.


Desde que vim para Lisboa que não lhe dava a atenção que ela merecia, com todo o amor e carinho que me tinha dedicado, o neto "favorito". Só a via 3 ou 4x por ano, ás vezes menos. Mudar a minha vida inteira para 330km de distancia e tudo muda. Tinha saudades dos almoços que me fazia quando vinha da escola ou quando ralhava comigo e com o meu primo por estarmos sempre a jogar futebol no meio dos vasos de flores... miudos...



Na realidade
Deitei tarde, não fiz a preparação que queria, o tempo ficou mais quente do que o previsto, as sapatilhas eram novas com apenas 8km, não descansei psicologicamente o que estou habituado, não consegui ir á casa de banho antes da prova, etc, etc... tudo desculpas que se pode usar para quando algo pode correr mal.

O facto é que me deitei já depois da 1 com a cabeça conturbada para levantar ás 5:45 e tomar o pequeno almoço com calma. muito pouco tempo de descanso para um evento tão importante. Sabia quando acordei que o corpo não estaria no meu melhor em termos de preparação fisica. Teria que puxar muito pela cabeça e coração. O tempo estava excelente, aquilo do mais quente é uma desculpa esfarrapada. E a temperatura que estiver é para todos os que se aventuram na montanha. As sapatilhas eram novas mas são BRUTAIS. Foram escolhidas a dedo e de maneira a me deixar o mais confortavel possivel durante a prova. Para mim Salomon encaixa perfeitamente nas minhas necessidades. Faltar ir à casa de banho é que não estava nos planos. Chegamos cerca de 30min antes do arranque da prova e fui a um café ao lado da partida. O certo é que estava uma fila de mais de 10 pessoas, quase todas para as provas curtas que só iriam arrancar 1 ou 2h depois da minha ( conforme a distancia), e ao fim de 15min na fila e ainda a faltar para conseguir chegar lá dentro, desisti e fui para a partida, que era dai a 8 ou 9min...

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( Faltavam 3min para a partida )



Ainda guardo algumas recordações das visitas regulares que fazia aos locais onde os meus avós e pai nasceram e cresceram. Lembro-me bem de uma visita ás Fisgas do Ermelo , e de gostar de saltar e correr pela serra acima. Será dai que vem o meu gosto pelo Trail ?



Get Set..... Go
A partida foi tranquila, brutal e complicada. Eu explico.
Meti-me no meio do pelotão antes da partida e parti sem aquecimento. Fui passando rapidamente aqueles que me pareciam que poderiam prejudicar o arranque da prova, aka, pareciam-me mais lentos do que eu. Quando dei por mim, ao fim de uns 100 metros estava na frente isolado... bora lá meter corda nisto.
E assim fiz, coloquei pé no acelerador aproveitando que o primeiro km é quase todo a descer. PIPI, tocou o GPS...
Mas que raio está ele a apitar ?!? Era o sinal que tinha chegado ao final da prova !!! como o percurso é circular e meti o track no GPS para me ir guiando a nivel de tempos, mas, depois da partida a prova dá uma volta de 180º e passa uns metros ao lado de onde saimos e ele apanhou o ultimo ponto do track e pensou que já tinhamos chegado. uns segundos a olhar para o relogio e ETA 00:00, KM's para o fim 00.... incrivel, só a mim :)
Entretanto com o pé no acelerador e sem me aperceber de ninguem atrás de mim, aos 300m de prova estava eu mais concentrado a olhar para o GPS a fechar aquele troço, carregar novamente o track para a memoria, arrancar com o segmento e bora lá...
Com isto passou-se uns 600 metros, e o carro da protecção civil quase que era abalroado por mim que estava mais a olhar para o relogio do que a estrada, mas com o pé no acelerador lá ia. Track carregado e voltei a concentrar na prova, que os primeiros km's eram iguais ao ano passado. Nisto passa o 1KM e o relogio indica 4:30/km. Vai bonito o ritmo.


Muitas recordações da minha infancia guardo, mas das melhores foram sempre os dias em que iamos para a praia do Castelo do Queijo ás 8 e pouco da manha. Era uma viagem alucinante para uma criança. A viagem do electrico da Boavista até junto mar, a procura dos melhores spots para os "velhinhos" esticaram o corpo, a entrada na agua gelada do norte. A minha avó sempre preocupada connosco e a dizer "não faças isso", "não vás para ai"... enquanto o meu avô lia religiosamente o seu jornal sentado perto da agua



Primeira subida
Tactica da prova. Controlar as subidas sem exagerar nos ritmos para poupar as pernas para a parte final e deixar correr as Salomon nos estradões. Começamos a subir e passado 30segundos vem ao de cima o problema de não ter ido ao WC... pequeno paragem técnica e desço para 3º ou 4º, e lá começou o meu périplo pela primeira subida, que iria durar até sensivelmente aos 6,5km e com 500D+. Ora passava um, ora era passado, lá fui subindo em ritmo calmo, enquanto os 3 da frente lá ao fundo iam colocando um ritmo mais vivo. Cheguei a andar em 8º e fui sempre controlando o ritmo de quem seguia comigo. Chegados à Nacional 339 que marcava o fim da primeira subida iamos com cerca de 47min de prova e entrava na primeira secção de "estradão". Aqui tinha planeado acelerar e como me sentia optimo e calmo, foi o que fiz. Comecei a passar quem ia na minha frente. Do km7 até ao km11 ( 1º abastecimento ) fui sempre a tentar rentabilizar o terreno. Não era estradão puro, tinha muitas secções com sulcos e muito salteado de detritos, mas era o suficiente para andar a fazer médias de 5/km. E chegando ao abastecimento ia em 4º lugar, com o terceiro a chegar uns segundos à minha frente. Aqui estava a Liliana conforme combinado, trocamos os bidons da Salomon por 2 já cheios com agua, peguei em comida e arranquei. Sabia que lá na frente seguia o 1º e 2º a pouco mais de 1min, e aproveitando o terreno mais plano, parti atrás deles. Passei no abastecimento aos 11km com cerca de 1:12h de prova e já com 850D+

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(1º Abastecimento - 11km )



Fazia quase um mes que tinha sido hospitalizada. Já à bastante tempo que não ficava no hospital internada. No domingo anterior à prova ligaram-me a dizer que ela estaria mal e com o corpo cansado. Poderia não sair do hospital novamente. Fui passar Segunda e Terça ao Porto para a visitar. Parecia tão triste e aborrecida por já estar ali tanto tempo no hospital sem se puder mexer. Deixou-me triste ve-la ali inerte sem poder fazer nada para a ajudar, uma coisa que ela tinha feito vezes sem conta enquanto crescia


( Segunda parte )

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