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Correr na Cidade

Race Report: Meia Maratona Lisboa 2017 - A walk on the memory lane

meia_maratona_0b.jpg

 

Este ano retornei à Meia-Maratona da Ponte 25 Abril para correr. Sozinho, no meio da multidão, entre conhecidos e desconhecidos. Ir fazer km's sem qualquer segunda intenção. Cansado e com muitas horas de treino em cima nesta semana, a meia fazia parte do plano que tracei há pouco mais de 1 mes atrás.

Continuo a achar monótono fazer 10km sempre em linha reta sem qualquer obstáculo. É muito complicado ocupar a cabeça e concentrar.

 

Ida para a prova

Este ano optei por ir no áltimo comboio, sem o stress de ir cedo, aquecer e colocar-me o mais na frente possível. Apanhei comboio no Pinhal ás 9:12 e cheguei ao Pragal 9:40. Como é normal nesta prova, uma autêntica confusão tentar andar ali no meio e sair sem ser arrastado. Malta que marca encontros no meio da multidão, outros que se dedicam a fazer campismo nas escadas, outros aos berros a chamar por alguém que estava atrás deles há 10 segundos. Parece quase a porta de um estádio de futebol dos antigos :)

Devagarinho lá fomos andando, tentativa de sair da estação, ir no mar de gente até lá acima ao viaduto por onde depois descemos pelas duas rampas directos às portagens. Muita gente com miúdos de 5/7 anos pela mão, malta ao telemóvel aos berros a perguntar onde estão os amigos, outros a parar a meio da rampa para as famosas selfies para o Facebook recordar.

Por este andar cheguei no curral da meia já depois do pórtico das portagens pouco depois das 10:10Muita gente a aquecer, alguns a sobreaquecer já pelo suor que tinham no corpo. Alguns conhecidos, cumprimentos, uns minutos de conversa e meti-me no meio do bloco de saída. Mais para o fim do que para o meio do bloco, mas como hoje era para correr sem stresses, lá fui. Sem aquecimento, já que tinha decidido que iria fazer a ponte sem acelerar, ai por volta dos 5:30/6 km e seria mais do que suficiente fazer quase 3km a esse ritmo para aquecer. O calor começava a instalar-se apesar de uma ligeira brisa. E as filas interminaveis de quem precisa de ir ao WC 5min antes da partida :)

 

Partida

10:30 e lá fomos. Este ano não notei tanta gente como nos outros anos dos caminheiros que arrancavam à frente da meia. Ainda apanhei uma mão cheia, mas muito menos do que as dezenas habituais. Slalom calmo e sereno, sem os habituais picos e fui passado por muitos road runners com ansia de irem rápidos. Alguns disse para mim mesmo "daqui a pouco estão na lateral a respirar forte e a andar"... lembro-me de apanhar um grupo de 4 jovens aos 11/12 km que já iam bem acima dos 5:30/km, que voaram por mim ainda nem tínhamos 1km de prova. Impetuosidade da idade e falta de experiência.

Quando chegamos à descida para Alcântara já com o corpo na temperatura "certa" acelerei um bocado e ganhei algumas posições. Queria sair daquele grupo grande de pessoas muito juntas uns aos outros e com muito perigo nas ultrapassagens dos mais rápidos. Passagem aos 5km com 23:40min tranquilos.

Apanhei uma garrafa de água cá abaixo no primeiro abastecimento perto dos 5km e abrandei ligeiramente o ritmo. Agora era tempo de meter km's sem pressa. Consegui manter os 4:45/4:55/km durante uns bons quilómetros. Viagem até Cais do Sodré muito tranquila, com o grupo muito certinho, exceptuando a ocasional garrafa voadora de água para as laterais, nada a registar.

 

Primeiro retorno

Muita gente no Cais Sodré. Domingo, quase primavera e muito bom tempo. Segundo abastecimento e começam as guerras para ver quem apanha a água, o gel ou sei lá o quê. É daquelas coisas que não entendo. Parece que a maior parte das pessoas desliga o cérebro aqui, fecham os olhos, atravessam-se á frente dos outros, pegam na garrafa ou copo e os outros que se amanhem. Ou aqueles que param sem aviso para apanhar algo e é ver a malta atrás a fazer o teste do Alce, mas sem o carro :)

 

meia_maratona_3.PNG

( planeamento da semana passada e esta a seguir à prova no trainingpeaks )

 

Passagem aos 10k com 48min

Entretanto fui falando com alguns conhecidos, um pouco para o cérebro ter que fazer no meio da monotonia dos km's, e também para me acalmar um pouco. Quando nos habituamos a correr mais rápido depois temos muita dificuldade em seguir sozinhos e refrear o ímpeto. Acho que é comum a quase todos. Aprender a gerir e dosear o esforço. Também é preciso para as provas longas que com algum masoquimos nos inscrevemos.

No sábado à noite com o treino da semana feito e a faltar apenas a meia para fazer, tinha decidido que 1:45h seria um bom tempo para correr a meia-maratona e foi esse o plano até quase ao segundo retorno. Perto do km 14, aquela passagem pela meta provoca sempre confusão no cérebro :) Vemos ali ao fundo a meta e ainda temos que ir dar a volta para mais 7km. Já sabemos da situação, preparamos psicologicamente mas é sempre complicado. Entretanto começa a passar o pelotão que estava quase a acabar a prova e muitos conhecidos a partir do 30º lugar e dei força a alguns deles.

Em Algés quando passamos aos 15km ia com 1:13h. Tempo tranquilo e dentro do meu plano. Coração pouco acima dos 140 batimentos e as pernas a acusarem o esforço da semana. Com os 21km da meia, esta semana terminava com 199km de bike e 46km de corrida. Muita hora a puxar mas dentro do plano.

Algumas dores nos músculos mas já expectável e segui mais um bocado. Quando passei pelo marco do km 16 decidi acelerar um pouco. Sentia-me bem e vinha com médias de 4:50/5:10/km nos últimos marcos e decidi acelerar um pouco.

Arranquei e comecei a ultrapassar muita gente. Mesmo muita gente, muitos dos quais já em quebra evidente, ou por estarem no limite ou devido ao calor.

 

Segundo retorno

Depois do ultimo retorno tentei manter ritmo perto dos 4:10/4:15/km. Consegui no primeiro, segundo fez-se e ao terceiro já os músculos começaram a berrar por descanso. Mais bananas, laranjas e garrafas no meio da estrada no últimos abastecimento aos 18km e mantive o pé no acelerador. Aqui o corpo já ia em quebra nítida. Como me tinha apercebido que iria estar calor hoje, bebi muita agua no sábado, e na viagem de comboio levei uma garrafa pequena para ir bebendo aos poucos.

Durante a prova até aqui aos 17/18km ia sempre com água na mão, mas com a meta tão perto não queria levar peso que não precisava. 18ºkm em 4:24, 19º em 4:34 e 20º em 4:36/km. Tentava-me manter ali por perto dos 4:30, mas estava a ficar difícil. Passei por alguns conhecidos e puxei por eles para ver se eles espevitavam e me conseguiam também ajudar a mim por arrasto.

meia_maratona_1.jpg

( penso que pouco antes do km20 )

O Miguel San-Payo dos Run4Fun aceitou o desafio e lá fomos os dois até à meta. Cada metro que passava mais me custava a mexer mas o objectivo era manter. Treinar o corpo a manter-se no ritmo mesmo quando as forças já não estão lá e as dores começam a escalar. Faltava muito pouco. Curva final à esquerda e meta lá no fundo à vista. Últimos esforço e está feita.

 

Meta

Abrandei uns 10 metros antes dos tapetes. Estava super cansado. Com poucas dores no geral mas muito cansado do esforço da semana. 1:42:32 tempo de chip. Bem dentro dos 1:45h que planejei no Sabado. Se não tivesse feito o pico final tinha acabado em cima das 1:45h. Muita gente parada, alguns na tenda da recuperação devido ao esforço ou ao calor e muita gente ainda a passar para Algés.

 

meia_maratona_4.PNG

Depois a habitual procissão até sairmos do curral final. Primeiro a medalha e uns 50 metros a andar até ao próximo ponto de entrega, saco com leite e água. Mais uns metros á frente outro ponto com um gelado da Olá fresquinho que soube tão bem.

Pelo meio atropelos, piadas, malta deitada no chão quase a desfalecer, outros seminus a tentarem fugir ao calor. E muita, muita, muita gente da caminhada sem qualquer cultura desportiva. Não todos mas uma boa parte. Pareciam que estavam nos saldos dos shopping tal a velocidade que saltavam entre os pontos das ofertas e sem olharem aos outros. "Ofertas, ofertas, ofertas..."

Por fim consegui sair do curral e direcionei-me ao viaduto que dá passagem de Belém Jardim para Belém Fluvial e um mar de gente que lá estava em fila. Estação do comboio cheia, plataforma com gente por todo o lado e por esta altura eram mais ou menos 2:15h de prova e ainda havia um mar de gente a passar da caminhada. Mas quando digo um mar, era mesmo um mar. quase que dava para passar para o outro lado da estrada em estilo crocodilo Dundee quando ele passa por cima das pessoas no Metro. Por esta altura já não se via quase ninguém a passar no lado da meia maratona.

Tomei a decisão de ir a pé até ao Cais do Sodré. Aquilo ali estava um inferno e depois de todo aquele esforço estar ali mais 30/45min à espera de um comboio e tentar entrar no primeiro com sorte, fui andando. Recuperação activa. Demorei 1h certinhas a fazer 5km até ao barco. Devagar, a tirar fotos ao rio e ao tempo com o cérebro e a pensar como aquelas almas estavam a demorar 2:30h para fazer pouco mais de 7km ao sol.

Depois tive 1:30h à espera do barco para o Montijo que é muito bem abastecido de barcos, especialmente aos fins-de-semana e perto das 15h quando ia a entrar para o barco, ainda estavam a chegar comboios cheios de malta da meia e da mini. Via-se (quase) muito bem quem tinha ido na meia e na mini... estrangeiros a cambalear pelo Cais do Sodré e a deliciarem-se com o nosso sol maravilhoso.

 

Rescaldo final do evento

Achei melhor este ano. Menos confusão no início mas a mesma no final. Demasiadas pessoas a sairem por um espaço tão curto e onde quem chega antes não se preocupa pelos seguintes.

As pessoas continuam sem qualquer cultura civil e desportiva. Só olham para o umbigo. Deixa-me algo triste ao fim destes anos todos da "massificação" da corrida e ainda haver uma percentagem enorme de pessoas que não sabe 3 ou 4 regras básicas para que todos saiam de lá em segurança e sem percalços.

Desportivamente, pela primeira vez desde 1998 ganhou um atleta que não tenha nascido em África. Treina desde 2006 no Quênia com o irmão gêmeo mas são Neozelandeses. Enorme prova do Jake Robertson. Ainda no ano passado estive a ler  sobre eles e aí estão a ganhar maturidade e experiência para andar na frente.

 

 

Quando ao meu resultado, sai o que estava planeado e senti-me bem psicologicamente para os próximos desafios no verão.


Obrigado à SportZone pelo convite para participar na prova e à Brooks pelas sapatilhas brutais que estão a ser estas novas Transcend 4. Sai review no blog daqui a uns dias das Brooks.

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